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Os m´etodos de Krylov, de Leverrier e dos coeficientes inderteminados para o c´alculo do polinˆomio caracter´ıstico de uma matriz

Lenimar Nunes de Andrade UFPB, Jo˜ao Pessoa, PB e-mail: lenimar@mat.ufpb.br

4 de outubro de 2003

Resumo

Neste texto apresentamos trˆes m´etodos para o c´alculo do polinˆomio carac- ter´ıstico de uma matriz n × n. Para n > 5 esses m´etodos mostram-se eficientes.

1 F´ormula de Newton

Sejam p(x) = x n + a 1 x n1 + ··· + a n um polinˆomio de grau n com ra´ızes x i e s k =

x k + x

1

k

2

k

+ ··· + x n , com k = 1, · · · , n.

Ent˜ao

s k + a 1 s k1 + ··· + a k1 s 1 = ka k

para k = 1, 2, · · · , n. Esse resultado ´e conhecido como f´ormula de Newton e pode ser encontrado na re- ferˆencia bibliogr´afica [1]. Exemplo: Consideremos a equa¸c˜ao polinomial

x 6 2x 5 16x 4 + 32x 3 + 85x 2 110x 150 = 0.

As ra´ızes da equa¸c˜ao dada s˜ao x 1 = 1, x 2 = 3, x 3 = 5, x 4 = 5, x 5 = 3 i e x 6 = 3 + i. Calculando s k , a soma das k-´esimas potˆencias dos x i , obtemos s 1 = 2 (soma das ra´ızes), s 2 = 36 (soma dos quadrados das ra´ızes), s 3 = 8 (soma dos cubos das ra´ızes), s 4 = 188, s 5 = 268 e s 6 = 276. Observe que

s 6 2s 5 16s 4 + 32s 3 + 85s 2 110s 1 = 900 = (6) · (150)

e tamb´em que

s 3 2s 2 16s 1 = 96 = (3) · (32).

2

M´etodo de Leverrier

Sejam p(x) = det(xI A) = x n +a 1 x n1 +···+a n o polinˆomio caracter´ıstico da matriz

A e λ 1 , ··· λ n as ra´ızes de p(x) (ou seja, λ i s˜ao os autovalores de A) e s k = λ k +λ

k

1

= 1, · · · , n. Pela f´ormula de Newton para k n temos

k

2

+···+λ

k

n ,

s k + a 1 s k1 + ··· + a k1 s 1 = ka k

com k = 1, 2, · · · Da´ı temos:

, n.

a

a

.

.

a n

.

2

1

=

=

=

s 1

1

1

2 (s 2 + a 1 s 1 )

.

n (s n + a 1 s n1 + ··· + a n1 s 1 )

Agora, s 1 = λ 1 + ··· + λ n = tr(A) = n

i=1 a ii .

Como λ k , ··· , λ n s˜ao os autovalores de A k , temos que s k = λ k + ··· + λ n = tr(A k ). Exemplo: Seja

1

k

1

k

A =

1

2

3

4

2

1

2

3

3

2

1

2

4

3

2

1

.

Vamos calcular o polinˆomio caracter´ıstico de A usando o m´etodo de Leverrier.

Temos

A 4 =

2108

1704

1656

1992

A 2

1704

1388

1368

1656

=

1656

1368

1388

1704

30

22

18

20

1992

1656

1704

2108

22

18

16

18

.

18

16

18

22

20

18

22

30

,

Calculando os tra¸cos das matrizes anteriores:

s 3 = tr(A 3 ) = 712, s 4 = tr(A 4 ) = 6992

e da´ı

A 3

s 1

=

= tr(A)

208

178

192

242

178

148

154

192

192

154

148

178

=

4, s 2

= tr(A 2 )

242

192

178

208

,

= 96,

a 1

a 2

a 3

a 4

=

=

=

=

s 1 = 4

1 2 (s 2

1

a 1 s 1 ) = 2 (96 16) = 40

+

1

1

3 (s 3 + a 1 s 2 + a 2 s 1 ) = 3 (712 4 · 96 40 · 4) = 56

1

1

4 (s 4 + a 1 s 3 + a 2 s 2 + a 3 s 1 ) = 4 (6992 4 · 712 40 · 96 56 · 4) = 20

Logo, p(x) = x 4 4x 3 40x 2 52x 20.

3

M´etodo de Krylov

Seja p(x) =

det(xI A) = x n +a 1 x n1 +··· +a n . Pelo Teorema de Cayley-Hamilton,

A n + a 1 A n1 + ··· + a n I = 0.

um vetor n˜ao nulo qualquer. Ent˜ao:

y

01

.

.

.

y 1n

Seja y 0 =

A n y 0 + a 1 A n1 y 0 + ··· + a n y 0 = 0. Fazendo y k = A k y 0 (k = 1, 2, · · · , n) temos que a igualdade anterior ´e equivalente a y n + a 1 y n1 + ··· + a n y 0 = 0, ou seja,

y n1 1

.

.

.

y n1 n

···

.

···

y 11

.

y 1n

y 01

.

y 0n

 

a

.

.

.

1

a

n


=

y n1

.

.

.

nn

y


.

A partir da´ı, podemos calcular os coeficientes a i .

Exemplo: Consideremos A =

Seja y 0 =

1

0

0

. Temos:

y 1 = Ay 0

=

y 2 = Ay 1

=

y 3 = Ay 2

=

5

1

0

3

0

1

5

1

0

5

1

0

5

1

0

2

0

0

3

0

1

3

0

1

3

0

1

.

2

0

0

2

0

0

2

0

0

   

   

   

1

0

0

5 1 =

0

=

5

1

0

28

5

1

28

5

1

  =

157

28

5

.

Assim, obtemos o sistema linear 3 × 3 nas vari´aveis a 1 , a 2 , a 3 :

28

0

1

5

5

1

1

0

0

 

a 1

a 2

a 3

  =

157

28

5

cuja solu¸c˜ao ´e: a 1 = 5, a 2 = 3 e a 3 = 2 e da´ı

p(x) = x 3 5x 2 3x 2.

4 M´etodo dos Coeficientes Indeterminados

Suponhamos p(x) = det(xI A) = x n +a 1 x n1 +···+a n . Fazendo x = 0, 1, · · · , n 1 temos

a 1 n + a 1 · 1 n1 + ··· + a n

n

2 n + a 1 · 2 n1 + ··· + a n

.

.

.

(n 1) n + a 1 · (n 1) n1 + ··· + a n

=

p(0) = det(A)

=

p(1) = det(I A)

=

p(2) = det(2I A)

.

=

p(n 1) = det((n 1)I A)

e da´ı obtemos o sistema linear nas vari´aveis a 1 , ··· , a n1 :

 

a 1 + a 2 + ··· + a n1 = det(I A) 1 det(A)

2 n1 a 1 + 2 n2 a 2 + ··· + 2a n1 = det(2I A) 2 n det(A)

.

.

.

(n 1) n1 a 1 + · · · + (n 1)a n1 = det((n 1)I A) (n 1) n det(A)

cuja solu¸c˜ao fornece os coeficientes do polinˆomio caracter´ıstico

5

Compara¸c˜oes

Para n > 5 os m´etodos de Leverrier e de Krylov mostram-se eficientes para o c´alculo do polinˆomio caracter´ıstico, usando muito menos opera¸c˜oes aritm´eticas do que o m´etodo direto.

 

Quantidade total de opera¸c˜oes aritm´eticas

M´etodo

Ordem 3

Ordem 5

Ordem 7

Ordem 9

Direto

32

558

23.770

1.712.158

Leverrier

68

744

3.324

9.872

Krylov

105

669

2.309

5.897

Coef. Indet.

108

629

2.134

5.447

Danilevski

26

172

534

1.208

Tabela 1: Compara¸c˜ao entre diversos m´etodos

Referˆencias

[1] Kurosh, A. G, Curso de Algebra Superior, Editorial Mir, 1977.

[2] Faddeeva, V. N., Computational Methods of Linear Algebra, Dover Publications, Inc.,

1959.