Você está na página 1de 109

O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág.

1 de 109

O Projeto Homens-Livros
Vale dos Sonhos – MT
Foto de Helena Schaffner
Outubro 2008

e o Portal do Pequi

Helena Schaffner

Ficção? Fantasia? Fatos?


Três em Um?

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.1


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 2 de 109

ÍNDICE

Parte I
O PORTAL DO PEQUI

Sob o céu de Araés 03


O cochilo interdimensional 08
A cidade templo 20
De volta à realidade física 29
O estranho arbusto 33

Parte II
OS HOMENS-LIVROS

A reunião na plataforma de cristal 36


O encontro com o futuro 60
Segunda etapa do Congresso Cósmico 74
O inesperado retorno a Pahiti 92
De volta ao Vale do Araguaia 102

Acordei as 4h09 do dia 10.06.2008, em função de um


sonho muito estranho, o mais próximo que consegui
chegar, é que cada pessoa parecia ter que decifrar um
livro... ser um livro... e disto surgiu este livro que
publico agora na íntegra - quase 4 anos depois!

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.2


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 3 de 109

PARTE I

O Portal do Pequi
Sob o céu de Araés

- Não, vamos por lá! Insistiu Thera!


- Não vejo nada daquele lado, disse Dayka!
- Mas eu sei que é lá e você sabe que eu conheço esta região e esta
vibração como a palma da minha mão.
- Sim, eu sei disso, mas não há nada aqui de diferente que poderia
parecer um portal.
- Esta é a chave, disse Thera. É bem por isso que poucos, ou melhor,
ninguém o encontra.
- Ah! Isto sim faz sentido. Aliás, muito sentido, disse eu.
- Então agora nós vamos acampar neste precioso espaço e esperar por
um sinal, uma intuição, enfim, algo que nos dê uma pista de como
devemos prosseguir.
- Concordo disse Dayka cansada, não pela jornada, mas pela
expectativa.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.3


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 4 de 109

Naquele lugar, o céu formava aquelas cores mágicas que se imagina ver
só na Índia ou nos Andes, mas ali, no centro deste Gigante Adormecido,
havia uma região que não continha majestosos templos ou majestosas
montanhas, mas tinha algo que muitos sentiam, outros intuíam.
Algo igualmente majestoso que um explorador inglês (Fawcett) também
tinha sentido, e uma vez impregnado deste mistério, são poucos que
resistem a ele sem reagir de algum modo. Alguns acabam morando na
região, outros morrendo, outros a visitam ano após ano, outros se
embrenham em suas estranhas selvas feitas de árvores em estado de
petrificação.

Thera e o marido (Udo Oscar Luckner) já falecido, tinham andado pelos


Andes e vivido em regiões pouco exploradas pelo comum, e afinal
tinham se estabelecido naquele lugar indicado por alguém também não
comum.

Dayka foi seguindo seus faros e um dia aportou naquela região sem
imaginar que ela seria igualmente contagiada com o vírus do mistério
da Serra do Roncador, que naquela região se chama Serra Azul.

Os mistérios são flores que florescem em jardins secretos, tendo por céu
o infinito e por alimento o desconhecido.

Às vezes, uma flor destas, por descuido, floresce num espaço entre duas
dimensões paralelas, e então algo do mistério se revela ao homem e ele
embriagado tenta encontrar o jardim desta flor misteriosa, jamais vista
antes, e inicia sua peregrinação.
E muitas vezes uma peregrinação que se inicia por um fato misterioso,
acaba levando o ser humano às portas de seu próprio coração.
E quando isto acontece o mistério cumpriu com sua função de ser o
ardil para algo não previsto ou imaginado.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.4


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 5 de 109

Outros que já acessam a porta secreta existente em seu coração,


buscam pelo portal do coração da Terra! E estes, por vezes, têm
vislumbres, ou intuições ou então revelações a respeito.
Há os que buscam pelo portal físico: uma caverna, um lago, uma
montanha!
Mas há os que sabem que estes portais não são para os mortais que
ainda não acessaram o portal de seu coração.
Há portais que permitem um acesso a regiões que parecem acessar o
coração da Terra, mas são passagens para outras regiões.

Trata-se de um labirinto para quem ainda não acessou as portas de seu


coração, mas um mapa claro para quem já transita com facilidade nas
alamedas de sua própria alma.

Dayka acordou no meio da noite vendo um clarão justo desaparecer no


espaço. Julgou ser um raio e verificou se o ar tinha cheiro de chuva.
Mas o céu estava intensamente enfeitado com estrelas. Chuva? Não.
Então novamente um clarão veio do lado norte da montanha
iluminando parte de sua fronte. Thera acordou ainda vendo o resto do
clarão e perguntou se eu ia chover.
- Não, era o que eu tinha imaginado ao ver o primeiro clarão...
- Ah, então este era o segundo? Perguntou Thera bem desperta!
- Então, do primeiro só vi um rasgo e também pensei logo em chuva,
mas olha este céu!
- De fato, disse Thera olhando o céu e se perdendo em meio às estrelas
de prata.

Alguns minutos se passaram, quando um intenso trovão latejou de


algum ponto do céu. Dayka levou um susto que quase derramou todo o

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.5


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 6 de 109

mate da cuia que estava tomando. Thera riu-se e por pouco não esbarra
na cuia com a mão.
- Que foi isso? Trovão? Sem nuvens?
- Bem, isso não foi um trovão terrestre!
- Como assim não terrestre? Perguntou Dayka agora bem curiosa.
- De fato, tenho acampado muito sob o olhar cuidadoso desta
montanha e nem tudo que aqui ocorre, vem daqui.
- Como assim? Conte-me algo, disse Dayka fascinada.
- Bem, muitas vezes chove intensamente a volta da montanha, e na
minha tenda não cai uma gota de água.
- E eu devo acreditar nisso? Assim, sem mais nem menos?
- Eu sei que soa como um conto de madrugada inventado para tornar o
momento mais mágico do que ele já é, mas te asseguro que nas
montanhas de Araés há mais segredos do que pode supor a mente
humana comum.

Dayka sentiu tanta certeza naquele tom, que não ousou perguntar mais
nada.
- Vamos dormir novamente. Já tivemos nossa quota de mistérios. Isto
foi apenas para instigar nosso propósito e também para nos dizer:
- Continuem! Estão no caminho certo! E o que parece longe é muito
perto e o que parece perto é muito longe!
Até Thera se impressionou com as palavras que disse num fôlego só,
como que inspirada pelo momento mágico. E foram dormir.

No dia seguinte Dayka acordou mais cedo que Thera e isto não era
normal, visto que Thera era uma excelente madrugadora. Mas tem dias
que o normal não tem espaço para se expressar. Este era um dia
daqueles.
Pegou a água de uma fonte secreta no meio da montanha e esquentou
para beber seu sagrado mate, como o apelidou. Nem na Suíça deixou de
comprar a sacra erva a preço de ouro, por isto tomava somente três

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.6


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 7 de 109

colheres de chá por dia, quer dizer, sempre bem cedo. E aqui, na tierra
del mate, (pelo menos o Sul do Brasil), não usava a habitual erva em pó
vendida nos mercados brasileiros, mas sim uma especial, tipo folha,
mas verde, que era muito consumida no Uruguay e depois importada no
Brasil, embora a erva provenha daqui. Estes são aqueles mistérios do
mundo comercial que nem sempre se entende.
Esquentou a água e enquanto a Vênus estava por desaparecer naquela
manhã - de nossa visão física, claro, Dayka pressentiu algo.
Ao terminar de beber o mate e de realizar seus momentos de silêncio,
decidiu dar um passeio com o sol agora já nascendo. Foi caminhando,
olhando as árvores que tanto amava, sim, estas árvores retorcidas,
esquecidas pelo tempo, lhe inspiravam tal amor que não entendia,
muito menos quem via naquelas árvores somente um passado pétreo.
Mas tinha sido paixão a primeira vista e nem aconteceu neste cerrado e
sim a 500 km mais central do estado de Mato Grosso, precisamente em
Chapada dos Guimarães, onde teve a pretensão de querer se
estabelecer com 19 anos então. Mal sabia que ainda viveria na
Alemanha e Suíça e por outros recantos deste imenso país.
Tudo isto lhe vinha à memória enquanto caminhava sem destino,
apenas sentindo aquele chão que lhe era tão caro.
Parou de súbito para apreciar o vôo espetacular, mais que isso, o vôo
mágico de um casal de araras azuis. Cena que sempre lhe impressionou
a ponto de produzir uma espécie de de jà vu (lê-se dejávi, um i fechado
- sensação de já ter visto, derivado do francês).
Nesta manhã esta sensação foi mais forte ainda, quase concreta, pois
por um momento tinha certeza que naquele dia teria uma experiência
singular. Mal terminou de pensar isto quando viu uma bela árvore de
pequi em pleno florescimento. O sabor do pequi é algo impossível de
descrever, pois é peculiar e fortemente aromático. É tal como o cerrado:
ou se ama ou não. E ela amou aquele sabor exótico desde o primeiro
beijo, sim, porque o pequi se come de maneira quase sensual, como que
mordiscando suavemente os lábios dourados e macios da fruta, pois é

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.7


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 8 de 109

somente uma espécie de pasta que encobre uma semente dura e


espinhosa que não se pode comer.

Decidiu deitar-se sob o pé de pequi para olhar aquele céu cor celeste do
qual tanta saudade sentiu nos vinte anos ausentes. Sim, vinte anos
haviam se passado, mas destes, nos últimos cinco anos vinha
regularmente visitar o cerrado para ela sagrado.

O cochilo interdimensional

Estirou uma mantinha que carregou consigo e deitou e quase


adormeceu, não fosse um barulho que a fez dar um sobressalto,
pensando poder ser uma cobra. Mas pelo jeito não era, aliás, ela não
sentia afinidade alguma com cobras, porém não tinha medo de andar
na mata do cerrado; por algum motivo se sentia protegida.
Decidiu levantar e fazendo-o tocou no tronco de pedra do pequi e sentiu
a seiva correndo. Não pode ser, pensou. E para ter certeza se
aconchegou a árvore e aproveitou para abraçá-la docemente. Neste
instante um arrepio correu da nuca até o cóccix. E de repente tudo
ficou estranho. Ainda via a árvore, mas a paisagem havia mudado
completamente. Viu uma estrada beirando a montanha, parecia asfalto
branco ou... sim, era mármore branco. Esfregou os olhos, beliscou-se,
mas parecia estar ali em carne e osso, sentia tudo igual.
De repente um zumbido lhe chamou a atenção e olhando para o céu viu
uma mini nave de cristal ou de algum material transparente, pois podia
ver o piloto de onde se encontrava.
Ela desceu ao seu lado, suavemente, sem barulho e sem alarde. Olhou
de novo à volta e definitivamente tinha havido qualquer deslocamento
dimensional, foi o máximo que conseguiu pensar antes de se deparar
com alguém que não lhe parecia tão estranho.
- Olá Dayka! Disse o estranho conhecido sem a menor cerimônia! Há
tempo que lhe esperamos.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.8


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 9 de 109

Dayka olhou aqueles olhos escuros, não sabia se eram azuis ou negros
ou que cor era aquela e os cabelos semi-prateados, curtos, e o sorriso
franco e jovial. Definitivamente ele lhe lembrava o homem do sonho com
a nave de cristal... tido há mais de...tinha que fazer as contas...aprox.
26 anos, em Brasília onde se passou o sonho, pois o sonho mesmo,
tinha ocorrido em Santo André, numa visita a uma tia, após seu retorno
da Alemanha e isto um dia antes de seu aniversário.
- Acho que lhe conheço também, disse Dayka depois de se recuperar do
primeiro susto e impacto. Por algum motivo não ficou com medo, nem
nervosa.
- Veja Você, disse o estranho conhecido, este encontro planejado há
tanto tempo em termos terrenos, na verdade é parte de um programa
não tão antigo assim Dayka.
- Oras, Você fala como se eu tivesse que saber ou lembrar de algo, mas
não sei e não lembro.
- Saber você sabe, lembrar é que Você não lembra, respondeu ele
prontamente.
- Saber do quê? Perguntou Dayka um pouco irritada!
- Você sabe que veio até aqui porque dentro de você existia a
informação, e ela existe desde que você viveu neste Vale do Araguaia e
isto faz 20 anos precisamente.
- Ah! Entendo! Você se refere ao fato que eu sempre senti que havia
uma cidade por aqui?
- Exatamente! Lembra do quanto você suplicava para poder ver a
cidade? Para alguém lhe tirar o véu? Você achava que aqui existia uma
antiga cidade Atlante ainda em estado etérico.
- Ah sim. Agora entendo tudo. Quer dizer que eu tinha razão?
- Sim e não. Existe uma cidade, mas não é exatamente a antiga cidade
atlante que algum dia num passado mais distante existiu, ou existiram
de fato neste solo. Mas de uma cidade neste plano.
- Que plano exatamente?

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.9


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 10 de 109

- No plano etéreo ou menos denso que o material no qual você vive


como Dayka.
- Entendi direito que você deu a entender que eu também vivo aqui??
- Sim... e não só você, mas também não a maioria.
- Um momento, disse Dayka, isto está tudo muito bem e razoável para
uma pesquisadora do meu gênero, mas nem tanto... afinal, não é todos
os dias que dou uma volta por uma cidade... de outro plano!! Aliás, para
continuar esta conversa no mínimo curiosa, eu poderia satisfazer a
curiosidade de saber seu nome?
- Posso dar um nome que você vai entender, mas não que seja
exatamente assim, certo? A vibração dele emite sons que você terá que
interpretar na sua linguagem terrena material.
- Consigo deduzir que aqui os sons não têm estruturas gramaticais,
mas o que entendemos na nossa linguagem como mântricas, estou
certa?
- Correto. Portanto o som aproximado é Athlan.
- Prazer Athlan... soa quase como atlan...te??
- Sim e tem um motivo também. Mas não posso falar tudo aqui e agora.
Sugiro irmos a um local mais adequado. Venha comigo e realize seu
sonho de forma mais real, embora não tão material ainda como deseja.

Embarcamos sem cerimônia. Sabia que conhecia aquele aparelho, não


só do sonho com Athlan tido há 26 anos.

Voamos e eu vi uma grande cidade cintilante. Parecia mesmo uma


cidade espacial. No centro uma praça ou algo parecido e a volta ruas
que lembravam os raios do sol, todas partindo da praça central. Era
linda! Sempre havia um dos raios que era uma alameda de árvores
floridas, outras de uma espécie de palmeira e outras ainda tinham
estranhas esculturas.

- Athlan, como se chama esta cidade?

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.10


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 11 de 109

- Nadhureva!
- Que nome mais mântrico, soa doce.
- Exato. Significa: a poesia do mel!
- Poesia do mel? Qual a lógica deste sentido?
- Não tem lógica, mas só sentido. É uma homenagem ao mel que é
nosso alimento central.
- Ah! Oras, veja isso, eu adoro mel desde menina e sempre comi muito
mel, tanto que cheguei a pedir perdão às abelhas por lhes dar tanto
trabalho só para meu paladar.
Athlan riu sonoramente da minha declaração espontânea.
- Oras Dayka, as abelhas têm o maior prazer em trabalhar, em servir, e
por isto, não se preocupe. Elas com certeza acharam graça de sua
preocupação.
Ri também, imaginando as abelhas achando graça de mim. Mas espera.
Como as abelhas podem achar graça de algo.
- Não são elas, mas o Ser-grupo que as mantêm coesas. Este ser tem
um nome e uma posição no reino dos insetos, posição, aliás, muito alta,
pois as abelhas são insetos classificados como altamente evoluídos. De
sua classe, os mais evoluídos, pois servem aos outros reinos, entende?
- E se entendo! Bem por isto minha gratidão e preocupação.
- Claro que eu entendi sua preocupação, mas de fato o servir é sua
grande chance de ganharem o passaporte para um outro reino, como no
das aves, por exemplo.
- Ah! Entendo melhor ainda. Que maravilha!
- Chegamos, disse de repente. E na minha frente eu vi algo similar a um
templo ou casa...
- Moro aqui parte do tempo, pode considerar minha casa, embora a
idéia de propriedade aqui seja estranha, afinal, projetamos nossas
casas com a mente e reprojetamos onde for necessário ter uma.
- Oh! Que incrível! Pudera eu projetar uma em meio ao cerrado amado
com esta facilidade.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.11


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 12 de 109

- Não com esta facilidade, mas nem por isto menos trabalhosa, existe
uma maneira que alguns já estão descobrindo no plano denso.
- Eu sei, mas ainda não acessei a chave final da teoria de que nossos
desejos e idéias podem virar realidade num espaço de tempo até
considerado mágico.
- De fato é possível, mas existem mesmo algumas chaves que dependem
de um nível de amadurecimento do ser como um todo, não basta
conhecer a teoria, entende?
- Era o que eu supunha. Isto eles não dizem, os que acessaram a chave.
Sei que com isto eles não querem desanimar os que ainda são imaturos
demais, por outro lado, poderiam aproveitar para repassar alguns
elementos que ajudam a acelerar esta maturação.
- Bem, então podemos fazer isso agora.
- Agora? Nós? Quer dizer, você?
- Você também. No seu íntimo conhece estas chaves, mas não fez
questão de acessá-las por motivos diversos, inclusive o de acessá-las
neste plano.
- Creio que isto é por demais simples. Não penso que vim a este plano
para acessar estas chaves.
- De fato não, mas porque não?
- Ah! Bom. Isto sim faz sentido.
De repente lembrei de Thera e preocupada perguntei se ela já não devia
estar me procurando.
- Fique tranqüila. Thera vai dormir hoje mais do que o habitual, além
do que, o tempo transcorre aqui numa outra seqüência, digo, mais
rapidamente. Cada minuto na Terra é aqui quase equivalente a um dia!
- Nossa, quer dizer que posso ficar aqui vários dias e Thera nem
notaria?
- Exatamente isso. Digo isso nos dois sentidos: que confere e que é isso
que vai acontecer. Planejamos uma estadia de três meses.
- Três meses? Mas isto não é muito?

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.12


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 13 de 109

Athlan riu novamente da ingenuidade da pergunta e respondeu


sorrindo:
- Não, como disse, Thera nem notará sua ausência. Fique certa e relaxe
sem receio.
- Bem, já li tantas histórias a respeito que ou estão todos loucos ou
estão todos certos.
- Isto mesmo, use sua mente para ver a coerência mesmo diante de
fatos inusitados. No passado, o rei bretão Herlan senão me engano, que
seguiu o misterioso ser numa caverna, quando voltou, tinham se
passados 200 anos. Não vamos fazer isto contigo. Com certeza houve
um descuido na história de Herlan, ou então aquela experiência fez
parte do seu plano evolutivo.
- Bem, de qualquer modo não me importo tanto assim sendo bem
sincera. Afinal, a vida na Terra não é das mais divertidas, a não ser que
a gente ignore o grande sofrimento que impera em mais da metade da
população. E é claro que somos obrigados a fazer isto para continuar a
nossa vida, mas que só isto já é algo no mínimo irônico, isto é.
- De fato Dayka. É muito triste constatar a grande disparidade e a falta
de solidariedade entre os seres humanos. Não falo a nível social, pois
são muitos que praticam a verdadeira caridade, mas no nível diário,
entre casais, entre pais e filhos, entre colegas. É justo neste contexto
que se mede a grandeza da alma, ou melhor: que se pode amadurecê-la,
mas, o que ocorre? A maioria ainda prefere ver o outro como sua posse,
como alguém que tem que pensar e ser como ele próprio, ignorando
completamente a beleza da individualidade humana!
- Você falou palavras que me tocam muito e seria surpresa para mim, e
não das boas, se tal assunto não fosse parte desta estadia ou deste
encontro, porque quero supor que neste plano pode-se ver com mais
segurança medidas que podem ser implantadas e resultar em algo mais
proveitoso do que o mero ato de tentar resolver de forma empírica uma
questão tão complexa, que é a disparidade de estados de consciência na
Terra ou sobre a Terra.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.13


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 14 de 109

- Exato Dayka. Existe uma grande rede de apoio para resolver esta
questão em várias etapas, e isto de muitos séculos. Aliás, planos de
evolução e de aceleração da consciência são sempre traçados séculos
antes, pois envolve toda uma estratégia e elementos que no tempo
terreno requerem sempre muito tempo. Este é o agravante e o grande
dilema inclusive para nós. Estamos justo diante de um impasse,
melhor, de uma grande finale!
- Como assim?
- Precisamos efetuar um balanço do último plano traçado e de seus
resultados para depois serem aplicados no outro planeta para o qual
vão a grande maioria que não conseguiu ser aprovada no exame final,
digamos, do ginásio da Terra.
- Ah! Entendo. A separação do joio do trigo.
- Não exatamente. Não é uma separação tão simples e baseada em
morais humanas. A moral divina tem bem outros parâmetros. Entenda
a palavra: para-metros! Para sugere além, assim como em
parapsicologia (além da psicologia). Mede-se uma alma com medidas
totalmente inimagináveis na Terra. Não é uma questão de bonzinhos e
mauzinhos!
E riu da própria invenção da palavra, que de fato, nem eu ainda havia
ouvida.
- Trata-se, continuou, de uma avaliação muito complexa onde vários
elementos contam como pontos positivos e negativos, e disto resulta
algo inusitado muitas vezes. Por exemplo: às vezes uma pessoa
classificada como má na Terra, baseado em tais parâmetros alcançou
grandes níveis de destreza em alguma área e a esta alma será oferecida
a chance de usar tal destreza de forma positiva em outra existência
corpórea e então ela poderá saldar o mal que de fato cometeu.
Isto é apenas um exemplo muito simples, mas existem casos assim
onde ocorreu uma vida altamente singular.
- Intuitivamente entendi o mecanismo e nem me atrevo a imaginar
casos mais complexos, disse eu encerrando o assunto.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.14


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 15 de 109

- Agora vamos fazer uma pausa de alguns minutos contados no nosso


tempo, claro, enquanto lhe busco algo para beber e se adaptar a
freqüência daqui. Aliás, Você acha que foi à toa que de repente começou
a comer certas frutas e castanhas? Foi sua preparação.
- Bem, acho que daqui pra frente não vou achar mais nada estranho ou
muito pouco. Espera, por um momento me ocorreu o nome Pahiti.

- Bem, vamos falar então sobre Pahiti, disse Athlan me olhando quase
surpreso. Surpreso de ter dito um nome que pelo visto tem algo a ver
comigo.

- Pahiti... momento, disse, vamos primeiro relaxar. Vou buscar a


bebida.
Voltou e me ofereceu um líquido azul altamente refrescante e delicioso.
Como hortelã e algo picante. Bebi e era como se cada gota refrescasse
cada célula. Foi uma sensação de banho de células. Dá para imaginar
isso? Mas a sensação foi exatamente esta.
Respirei fundo e olhei a sala de sua curiosa casa: não tinha móveis
exatamente, mas algo como sofás altamente aconchegantes, brancos, e
algo como um monitor. Perguntei:
- Isto é uma televisão? Aqui?
Rindo Athlan foi explicando.
- Não Dayka. Isto é nossa home-biblioteca, ou algo similar. Aqui temos
acesso a inúmeros registros nossos e de outras pessoas, bem como de
outras épocas... enfim.
- Hmm, isto parece fascinante demais. Como num sonho.
Aliás, é isto que estou vivendo: literalmente um sonho!
- É, pode-ser dizer assim e não está de todo errado para os conceitos
humanos, aliás, até para eles entenderem. Mas veja, não são todos que
tem acesso a tudo. As restrições existem em todos os planos de

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.15


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 16 de 109

existência, sempre de acordo com o nível evolutivo e das tarefas de cada


pessoa.
Assim, tenho acesso a determinados registros porque trabalho numa
área muito complexa onde necessito de vários dados para compor um
programa de trabalho. Entende?
- Bem, isto entendo sem problemas e diante do que já falamos, suponho
que sua área esteja ligada a processos evolutivos da consciência
humana, correto?
- Exatamente. Especializei-me nesta área, quer dizer, estou em fase
final de uma grande pesquisa e de um grande experimento.
- Você está me deixando curiosa, aliás, me expressei mal: você está
provocando níveis de curiosidade meus altamente complexos.
- Sei disso, e também isto é apenas parte natural de sua estadia neste
plano. Afinal, Você é parte do meu projeto.
- Por incrível que pareça, isto não me soa tão estranho, pois você sabe
que tenho tentado escrever a respeito, puxando arquivos que não sabia
se eram apenas imaginações minhas, ou acessos a campos ou planos
como este. Aliás, você poderia me dizer algo sobre isto?
- Sempre há uma mescla, por mais intuitivo que seja um ser humano
quando ele tenta acessar outros planos, mas de um modo geral, você
acessou corretamente a teoria dos Homens Livros!
- Nossa! Que emoção senti ao ouvir este termo. Exatamente este que
usei no livro que escrevi. Aliás, agora eu estou entendendo algo...
espera, quer dizer que esta vivência é parte inicial do livro que sempre
achei que estava faltando?
- Exatamente Dayka. Mais claro do que isso, só dizer o mesmo de novo.
Por isso você sentiu que o livro não estava pronto. Você escreveu o tema
central, a essência, mas não havia começo e nem fim na sua história
em termos humanos, correto?
- Verdade! Nem o final... oras, está tão claro agora.
- É e justo agora podemos retomar o fio da meada do seu livro, quer
dizer, dos Homens Livros! Aliás, falando em agora, você sempre achou

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.16


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 17 de 109

que seu amor por mármores brancos fosse da sua suposta vida na
Grécia antiga... nem sempre se explica algum gosto curioso por meio
das inúmeras vidas que uma alma teve sobre um planeta...
- ...mas também de vidas que ela teve em outros planos??
Complementei sorrindo!
- Certo, mas... e aqui vai a primeira revelação razão deste encontro:
você vive aqui neste plano agora! Não em outra vida.
- Espera... então a história da sueca que aparecia... que Thera me
contou poderia ser real?? Não, acho que isto é demais mesmo para
quem já leu tanta coisa estranha como eu.
- É e não é Dayka. É verdade que você tem uma parte de você que vive
aqui. Esta é sua pátria da alma, vamos definir assim para não
complicar. O resto vai se revelando aos poucos. Então, seu gosto e amor
por esta região do Planeta, seu amor pelo Cerrado, pelo mármore
branco, tudo vem daqui... pois exatamente nesta região e em outras
também, existe um portal dimensional. Acho que agora já podemos falar
claramente usando os termos mais exatos possíveis, concorda?
- Claro. Aliás, é um alívio começar a falar sobre isto de forma clara, sem
misticismos, sem rodeios. É quase como um banho de chuva de verão...
aliás, falando nisso, porque as vezes não chove quando Thera vem
acampar aqui e em volta quase ocorre um dilúvio?
- Primeiro porque Thera não deixar de ser uma das guardiãs deste local
e, portanto, tem certas proteções. Segundo porque perto de um portal
dimensional mesmo a natureza funciona de forma diferente e escapa às
leis terrenas.
- Vamos retomar o assunto do projeto Homens Livros Dayka. É este o
nosso tema central, todo o mais é parte dele, mas não é o motivo de sua
estadia. Está claro isto?
- Claro, digo, sim. Muito claro, e, além disto, estou curiosa sobre sua
versão ou sua parte neste projeto.
- E é disto que vamos falar. Aqui neste plano as intuições são tão
naturais como pensar na Terra, por isto você comenta de antemão algo

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.17


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 18 de 109

do qual vamos tratar entende? Embora nem tudo possa ser registrado
por tua mente, afinal, ela não está acostumada a estar consciente neste
plano. Ainda não.
O projeto Homens Livros surgiu de algumas coletas que fizemos de
pessoas como você que sem aparentar nada de extraordinário em
termos de estudos e experiências de vida, no entanto, são como mini-
laboratórios mentais. Já lhe foi dito por um astrólogo que você tem a
peculiaridade de transformar conhecimento em sabedoria, aliás, por
duas vezes, de forma diferente (leio isto em seu registro neste
momento): uma vez na Suíça e outra vez no Brasil, certo?
- Confere.
- Então, de suas conclusões e altos questionamentos, aliás, alguns
feitos em voz bem alta, eu diria... disse Athlan quase sorrindo.
(De fato, justo quando vivi aqui no Cerrado em 1987, questionei por
meses a fio a quem chamamos de Deus, porque havia criado a dor como
forma de aprendizado. Sim, porque cheguei a elaborar a teoria de que a
dor só era necessária porque a personalidade sempre queria fazer tudo
de seu jeito e não dava espaço para Deus – a divindade no interior do
ser humano - de dar sua sugestão. Pois bem, então decidi ficar aberta,
atenta, vigilante... mas na prática isto funcionava em alguns casos,
porém não em todos, por isto cheguei a falar em voz alta com Deus,
aliás, revoltada, afirmando que raio de método é este? Senão tinha nada
melhor? Que enfim, achava um absurdo isto para uma Divindade que é
para ser sinônimo de Amor! Melhor não contar tudo que me atrevi a
dizer na época, porque hoje entendo que tal revolta e questionamento
fazem parte do processo de amadurecimento da alma. Toda alma
quando chega num xis momento, efetua de forma menos ou mais
profunda – e menos ou mais revoltada!! - um questionamento
específico ou geral ou ambos).
- Exato Dayka. Seu parêntesis (literalmente) foi bem oportuno. Aliás, os
parêntesis no seu vocabulário, simbolizam os parêntesis que a Vida
embute no plano evolutivo de uma pessoa. Percebe que são raros? Pois

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.18


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 19 de 109

bem: são raros os momentos em que é permitida uma explicação, uma


revelação para o plano de vida de uma alma encarnada na Terra, pois
faz parte do processo não saber, não ter consciência completa e sim
apenas pressentir.
- Aha! Eureca, diria melhor! Então é isto? Esta estadia é um mega de
um parêntesis interdimensional?
- Muito bem captado Dayka. Que parêntesis! E sabe por quê? Por que
ele será um parêntesis na vida de muitas pessoas que lerão o seu livro.
Nem todos os livros têm o poder de fornecer um parêntesis. Esperamos
que o seu possa ser um destes. Este é um dos propósitos.
- Não sei mais o que dizer. Faltam-me palavras para expressar meu
deslumbramento diante de afirmações assim. Isto me deslumbra tanto
quanto estar aqui.
- E deve ser assim Dayka. As revelações são incríveis chances para a
alma e para as almas que podem se servir delas via um livro ou uma
palestra, enfim, o meio não importa. E antes que você pergunte, vou
explicar que o motivo pelo qual as revelações são sempre exceções e
nunca são dadas sem terem sido solicitadas, é por que a vida na Terra é
totalmente baseada no livre arbítrio. Ou seja: ninguém, nem Deus, nem
nós, nem os ditos anjos, podem dar qualquer coisa a alguém sem que
este alguém peça por aquilo e de forma bem sincera e clara. E isto,
porque o Planeta Terra tem sido palco de um dos mais ousados
experimentos em termos de evolução de consciência ou da alma se
preferir.
Além de existirem no planeta todas as faixas de consciência, do estado
primitivo ao mais alto nível de espiritualidade possível neste denso
planeta, coexistem ainda seres de ordem invisível, que participam de
forma ativa em todo o processo, interferindo nele, parcialmente de
forma “livre”, para serem canais de provas, de lições e de aprendizados
extremamente sutis.
Imagine a riqueza desta experiência. É algo não possível de ser avaliado
por um terráqueo de consciência mediana, ou seja, que já não tenha

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.19


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 20 de 109

questionado profundamente o sentido da dor, da diversidade de níveis


evolutivos e de elementos equivalentes.

E agora vamos fazer uma pausa maior disse Athlan repentinamente,


talvez sentindo ou vendo meu cansaço, mesmo que mínimo.
- Vamos dar uma volta, sem veículo, para você sentir este plano de
forma mais concreta.
- Que maravilha, disse eu, de fato bem animada e curiosa.
Queria ver as construções, algumas em especial, que pareciam ser
iguais e sempre no final de um destes raios que saiam do sol central,
digo, da praça.

A cidade templo

Quando nos deslocamos comecei a perceber espaços, algo como ruas


entre as fatias de um raio que, pela lógica se alargava no final,
formando uma quadra de aprox. 500 metros de largura diria.
Estávamos próximos a uma e no final havia aquela construção da qual
comentei.
- Dayka, estas construções que sei chamaram sua atenção já lá do alto,
são nossos templos por assim dizer, ou para encontrar uma palavra
equivalente terrena.
- Imaginei algo assim, mas o que não entendi, por quê tantos? Em cada
final de raio um deles!
- Sim, é porque não são templos comuns, ou como na Terra. São 12
raios e cada templo simboliza um aspecto do raio da alma, um espectro.
Este, por exemplo, é o templo da sabedoria. Aqui são realizadas algo
como cerimônias diárias para agilizar a sabedoria na Terra.
- Espera Athlan, porque só na Terra?
- Porque esta cidade não é bem uma cidade. É uma espécie de
monastério ou cidade santa, como vocês também a definiriam. Ela tem

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.20


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 21 de 109

como propósito servir e ajudar o planeta Terra em todas as áreas da


vida. Portanto, neste plano onde nos encontramos, vibra dentro de uma
faixa que permite realizar um trabalho livre de interferências mentais
ou sutis em geral vindos da Terra, principalmente porque esta região é
pouco habitada. No passado totalmente inabitada. Somente agora
começamos a ter alguns problemas visto que o movimento tem
aumentado não só em termos de tráfego, mas de visitas ao cerrado e
enfim. Precisamos nos proteger, coisa que no passado não era
necessário.
Então, cada templo simboliza um aspecto que tem uma certa
semelhança com as palavras chaves de cada um dos signos. Mas, como
atuamos a nível de alma, as qualidades tem outra freqüência aqui e não
tem valia para a personalidade, a não ser no sentido de amadurecê-la
para ser melhor canal para a Alma e o Espírito como vocês chamariam
a Mônada, a Centelha Divina, o Lótus Sagrado, a Rosa Mística, enfim.
Portanto, temos templos para aprimorar a ação, a vontade, a
comunicação, o zelo, a beleza, a prestabilidade, a harmonia, a
profundidade, a sabedoria, o poder, a fraternidade e o sentido do
sacrifício, sempre no sentido supra-humano, ou da alma, como já disse.
Portanto, vejamos o 12: o sentido do sacrifício não tem nada a ver com
suportar dores físicas ou morais para uma personalidade envolvida em
algum dilema, mas para uma alma que necessita acessar o sentido do
sacrifício em uma escala bem mais sutil ou subjetiva.
- Entendo claramente sua linguagem, mas e o sol central? Perguntei
curiosa.
- Vamos até lá.
Caminhamos e pude ver que a harmonia era um elemento central deste
monastério. Ela exalava em cada planta, em cada estátua... sim, agora
pude ver, que cada raio possuía uma estátua-símbolo do que ele
expressa. Dignas do melhor escultor grego, que conseguiram expressar
o máximo da simetria da beleza supra-humana.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.21


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 22 de 109

Chegamos na praça central rapidamente. Em meio a cada espécie de


rua havia uma harmonia de plantas exóticas, mais pareciam coleções
de vários planetas, tal exoticidade.
- De fato, seu pensamento está correto, Dayka. Aqui trouxemos várias
sementes e as adaptamos inclusive como forma de honrar a natureza
em suas diversas expressões. Não pense que foi por acaso que o pé de
pequi lhe serviu de portal.
- Ah é mesmo! Como foi possível isto? Digo, como um pé de pequi pode
servir de portal?
- Não é exatamente a pergunta certa. O correto seria perguntar: qual a
função do pé de pequi? Esclarecendo: existem passagens
interdimensionais em vários locais do Planeta, alguns ultra-secretos,
outros conhecidos, porque são ou foram portais coletivos, tal como
cavernas, lagos, rios, quedas de água.
- Isto me faz lembrar a Lagoa Sagrada existente neste Cerrado, na qual
tive a singular oportunidade de nadar um dia antes de completar 27
anos. Curioso Athlan... você me levou para passear naquele estranho
sonho “acordado” um dia antes de eu completar 21 anos. Why?
Warum? Por quê? – disse eu em três idiomas sem pensar, acho que
para sensibilizar Athlan de me revelar mais algo, afinal, ele havia dito e
eu sabia desta lei, que somente pedindo que podemos receber...então,
pedido feito!
- Mas... o que eu não disse e você sabe e eu vou apenas verbalizar, é
que não se pude “usar” ou abusar de uma lei só porque se tomou
consciência dela minha cara, disse Athlan rindo da minha ingênua
forma de querer “alçar os céus com a força”...
- Tudo bem, você venceu esta, mas por que eu não poderia saber que
tive duas experiências curiosas um dia antes de dois aniversários?
- Experiências assim são como que ritos ou consagrações para haver
uma espécie de salto quântico na vida da pessoa. Na época você não
freqüentava nada, então o “universo” servia de templo e se valia de
elementos oportunos para dar-lhe uma consagração. Respondo agora já

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.22


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 23 de 109

a outra pergunta sua: por isso você não teve mais experiências assim
tão singulares, digo, perto de seu aniversário, onde se comemora a
encarnação de uma alma na Terra e com ela, sua, por vezes, complexa
meta, porque você, logo depois, adentrou a uma escola espiritual e
então ela automaticamente fez este papel. E lá não preciso lhe
relembrar suas consagrações e suas igualmente importantes
experiências equivalentes, certo?
- Aha! Faz sentido... enfim, nada como perguntar...aliás, esta pergunta
e sua resposta, mais uma vez comprovaram o que captei intuitivamente
um dia vivendo ainda na Suíça:
Perguntas são chaves para abrir Portas! Aliás, isto me faz lembrar do
tema do qual me desviei, sobre o Portal do Pequi!
- De fato Dayka, vamos concluir a questão de um pé de pequi poder
servir de portal interdimensional.
O pé de pequi está por acaso numa área de passagem interdimensional.
Ou não; talvez não esteja por acaso, afinal não existem acasos. Mas fato
é que não é ele que gera a passagem, mas a favorece e por ser uma
árvore de relativo porte acaba fazendo o papel de portal. Facilita a
passagem, pois árvores também tem seu lado etérico e rudimentos de
sentimentos ou do famoso corpo astral, sideral, sentimental. Os
cientistas de vocês já provaram que plantas reagem à música e a
sentimentos. Fora as experiências que quase todos já tiveram com
relação a ameaçar alguma árvore ou flor que não quer dar frutos ou
florescer. Basta ameaçar de verdade e elas frutificam em tempo e
quantidade recorde geralmente. Registramos vários casos destes.
Portanto, o pé de pequi vive com facilidade como planta no plano etérico
básico e isto favorece a passagem. Por isso nós também temos certo
carinho especial por esta espécie e esta árvore. Em função dela, a sua
espécie acabará evoluindo mais rapidamente, porque está prestando
um serviço muito peculiar.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.23


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 24 de 109

- É impressionante como sempre de novo ouço o serviço relacionado à


aceleração da evolução: das abelhas ao pé de pequi, sem falar nas
inúmeras fontes religiosas do mundo todo.
- De fato Dayka. Mesmo o grande avatar Jesus, enfatizou o serviço
como fator acelerador, pois quem presta serviço, esquece de si, e
diminui assim, sem o perceber, e sem se esforçar, o entrave da evolução
da alma a partir de um determinado momento da espiral dela: a
personalidade ou apenas o eu egoísta.
Os métodos orientais visam muito diretamente e, acabam às vezes,
sutilmente reforçando o ego ou o eu, ao invés de vencê-lo. Todos os
métodos, aliás, sejam orientais ou ocidentais que atacam o eu ou o ego
de frente, acabam tendo como efeito colateral inesperado, o reforço dele.
Antevendo isto, visto que Jesus se preparou não só no Egito, mas na
Grécia e Índia, ele percebeu que o serviço seria a maneira mais simples
de resolver esta questão, além de ajudar tantos irmãos em necessidade,
seja esta de qual tipo for. E já que estamos falando nele, mas não como
líder do cristianismo enquanto religião formal – no qual alguns
elementos da sociedade antiga o transformaram sem pedir por sua
autorização pessoal e direta, mas garantem que o representam
legitimamente e acusam outros de não terem este direito!! - mas sim
como líder de um novo método e de uma nova etapa da humanidade,
vamos ao templo central.

Chegando próximo senti que algo diferente pairava neste lugar. Algo
realmente sagrado ou muito especial. Não religioso. Nem tampouco
místico. Uma atmosfera plena de paz, mais ainda do que o próprio
plano oferecia naturalmente se comparado com a vida na Terra, mesmo
em meio a nossa gentil natureza, no caso, do cerrado.
O templo era circular, imaculadamente branco. Em volta colunas e um
amplo pátio com lugares para sentar e apreciar as águas que envolviam
o templo, reforçando o sentimento de paz e serenidade.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.24


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 25 de 109

Ao entrar contive a respiração ou seja lá o que me mantinha viva


naquele plano:
- De um imenso coração de uma pedra vermelha jorrava água de todos
os lados. Sim, o coração parecia quadridimensional. De todos os lados
se via a forma do coração. Dentro do salão não havia cadeiras, mas três
degraus e num deles, no central, podia-se se sentar, no inferior apoiar
os pés e no superior a cabeça. Destacavam-se do ambiente, porque
pareciam forrados com um veludo vermelho quente, profundo e intenso.
A parte que ficava o coração com a fonte, era mais profunda, e a volta,
colunas, acho que eram doze; não senti vontade contá-las, parecia algo
tão banal diante do que via e sentia.
Eu tinha a impressão de respirar o amor dentro deste templo, mas um
amor diferente, algo que ultrapassa todas as barreiras. Por um
momento silenciei. Não consegui mais pensar. Sentei-me sem pensar e
Athlan fez o mesmo para me acompanhar penso eu.
De repente ouvi um som, algo como uma voz, mais parecia de dentro de
mim, tocando dentro do meu cérebro. Acho que jamais esquecerei
aquelas frases. Parece que foram gravadas a fogo em meu coração.

Quando terminou a citação, olhei para Athlan que mantinha o olhar


fixo na fonte, mas parou e me olhou de modo a confirmar que eu ouvira
corretamente.

Segundos bastaram para que entendesse uma série de fatos da vida.


E o valor e o mistério da misericórdia!
Sim, ela era a chave. O verdadeiro e sagrado Portal para a Alma
conectar-se com sua Mônada, representação microcósmica de Deus
depois de sua singular ancoragem na Terra por meio do avatar Krestos
Jhesu! Cada novo avatar fornece uma nova chave!
Não mais exercícios, nem respirações, nem mantrans, nem rituais...
sem o aval da misericórdia agora como grande mestra final e afinal. Ela

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.25


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 26 de 109

simboliza desde então a grande prova final, o último guardião do


umbral do Portal para acessar a Divindade no Centro de cada Ser.
E se tivésseis asas de anjo e voz de profeta... mas não tivésseis o amor,
de nada serviria. Algo assim diz na Bíblia, que embora extremamente
adulterada, contém trechos originais e este creio ser um deles.

- Dayka! Vamos sair agora, disse-me Athlan pela primeira vez


mentalmente. Até então tinha a impressão que ouvia sua voz. Agora eu
o ouvia sem voz... eu já tinha tido experiências com a Voz do Silêncio e
era similar, por isto não estranhei.

Saímos em silêncio e sentamos de frente ao lago sereno sobre o qual se


erguia o Templo Branco.
Se algo modificaria minha vida para sempre, seria a visita a este
Templo.
Seus três anéis circundando a fonte com o coração de rubi vermelho
como a jorrar eterna misericórdia!
O amor pleno de graça. O amor em sua plenitude máxima. Sim, a
misericórdia é a coroação plena do amor divino!
Lá dentro eu havia compreendido num segundo que o amor tem vários
níveis de expressão e este era de uma nota singular.
Compreendi que a misericórdia é o amor em estado sublimado, em
estado de fogo, que queima sem doer, que lava todas as culpas, os
medos, todos os anseios sem razão de ser. Lava com fogo que não
queima. E quando a Alma floresce tendo por água a misericórdia, só
então ela é digna de receber os raios do Amor Divino do Espírito Divino,
nosso mini e particular Sol Central e assim transfigurar-lhe e torná-la
uma Flor Celeste, pois que de tanto viver na Terra, havia adquirido a
densidade terrena.
Quanto aroma tem esta áurea flor! Quanta doçura! Seu perfume
impregna as sete grandes regiões cósmicas e chega às portas da
Eternidade, lar do Espírito Divino.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.26


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 27 de 109

Vi toda a sutileza da evolução da alma. A princípio ela apenas entende


que precisa se conectar a algo e inicia uma longa jornada enquanto
Alma pelo planeta Terra, no caso. Desde a prática do mais puro
humanismo, a se perder em magias que são apenas degenerações de
práticas – o que lhe rouba precioso tempo na escada da evolução, pois
magias prendem a alma no seu nível, como que por correntes. Já o
humanismo, bem do contrário, desata nós cármicos e permite à alma
um dia perceber a diferença de um caminho horizontal de um caminho
vertical, de caminhos diretos de indiretos, já explicados pelo avatar
Krishna a seu discípulo Arjuna na Bhavagad-Gita. Ele também disse,
tal qual Jhesu Krestos: ninguém vem ao Pai senão por mim... pelo
caminho direto mostrado por eles. Não com esta frase, mas com este
exato sentido. Sendo que Krishna entrou em detalhes a respeito, visto
que Arjuna, simbolizando a Alma Buscadora, lhe fazia um monte de
perguntas. E, já sabemos, que quem pergunta, a este é respondido,
porque uma pergunta é uma chave que abre uma porta até então
fechada! “Batei e abrir-se-vos-á”.

Não sei quanto tempo ficamos sentados olhando o lago sereno e aves
exóticas voando no céu, naquele céu que parecia feito de brisa etérea.
Sei que jamais vou esquecer este dia.
Por toda a eternidade que há de viver minha mônada ou espírito.
Por um momento senti a grandeza deste ser que na Terra chamamos de
Jesus e entendi o que ele trouxe de tão diferente dos outros, sendo que
todos os grandes mestres e profetas tiveram um enorme peso para a
evolução das almas na Terra, mas agora entendi porque de fato posso
aclamá-lo como o último grande e o maior de todos. Ninguém
expressou o amor nestas alturas e de forma tão plena: por meio da
misericórdia! Não apenas do perdão e da compaixão. Isto foi possível
por vários motivos: a grande desolação na Terra, em que valia apenas o
“olho por olho” aqui no ocidente, e no oriente, de que tudo é carma (lei
da ação e reação), e, portanto, ninguém pode mudar seu destino... salvo

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.27


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 28 de 109

desatando cada nó cármico... enquanto que Jhesu trouxe a


misericórdia que lava todas as culpas, os carmas... por vezes, num
segundo! Tal sua magnitude, tal seu poder, se conferido por alguém em
quem o Pai atua através do Filho. O Espírito por meio da Alma-
Personalidade! Christus por meio de Jhesu!
O outro motivo é algo ainda pouco revelado às massas, mas trata-se do
grande mistério que foi a expressão de um ser da altura de um Cristo
Cósmico, num planeta denso como a Terra, por meio de uma
personalidade humana chamada de Jesus!
Portanto, Cristo é ao mesmo tempo símbolo do espírito, e também uma
consciência altamente singular que pôde se expressar parcialmente na
Terra e assim derramar graças celestes para libertar a Terra do grande
jugo e jogo de forças involutivas que a mantinha cativa, para uma
aceleração espiritual.

- Dayka! Vamos agora? Disse Athlan com muita suavidade, depois de


sentir que eu havia feito a devida assimilação de grandes insights que a
presença no templo havia despertado em minha alma. Como códigos
que foram acessados e revelados. Sim, era isto.
Muitos conhecimentos foram liberados instantaneamente dentro
daquele ambiente magnânimo, também graças às variadas experiências
e leituras desta alma peregrina. Sempre é assim: façamos nossa parte
na Terra, que os Céus, a seu tempo e a sua maneira, farão a sua parte.
Mas a nossa parte é a base, é o Vaso, onde então pode jorrar a Água
Pura. Precisamos nos tornar um Vaso Vazio para que o alento Divino
possa preenchê-lo com a Água da Vida, que é Fogo Divino!

Andamos em silêncio até a sua moradia. Não havia mais o que dizer.
Era como se o silêncio pudesse conter toda a importância do momento e
só ele o pudesse registrar fielmente. Qualquer palavra iria causar uma
desarmonia. A experiência era para ser assimilada pela alma, mesmo
que compreendida pelo intelecto humano, meu no caso, mas sem

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.28


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 29 de 109

dissecá-la demais, nem comigo, nem com Athlan. Só decodificá-la para


uma assimilação digna de um ser que não ganhou por acaso
inteligência, mente e autoconsciência!

Entendi o amor dos que amam em silêncio.


Dos que não ofendem e não se defendem.
Da mansidão plena.
Este amor cura almas.
Ele parece ingênuo visto de fora.
Mas visto por dentro ele é pleno de graça.
São estes que não deixam rastros de suas pegadas,
como diz no Tao Te King de Lao Tse.

De volta a realidade física

- Dayka...ouvi de longe uma voz familiar. Onde você se meteu mulher?


- Acordei meio que a contragosto, ouvindo Thera me chamar? Sim.
- Aqui, debaixo do pé de pequi, gritei finalmente, quando consegui
articular um som. A garganta parecia entravada.

- Que aconteceu contigo? Dormiu esta noite aqui, perguntou Thera


preocupada?
- Não, vim ver o sol nascer. Aliás, que horas são?
- Oras, o sol acabou de nascer. Você deve ter deitado e adormecido feito
princesa do cerrado sem se incomodar com pedras, insetos e cobras,
muito menos com uma ervilha, disse Thera rindo.
- Estranho. Parece que dormi séculos. E tenho certeza que vim aqui
pouco antes do sol nascer.
- Bem, se tem um lugar onde ocorrem coisas estranhas, é aqui, disse
Thera tentando me ajudar a entender o que nem eu sabia. Tinha

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.29


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 30 de 109

apenas comigo um sentimento vago de ter dormido muito tempo e vivido


neste tempo intensamente, mas não lembrava de sonho algum.

- Sabe, vamos andar um pouco? Disse Thera.


- Boa idéia, preciso digerir... bem, não sei o quê, mas parece que andar
vai fazer bem.
- Comeu muito pequi no teu sonho, foi isso? Disse Thera de novo
achando graça de meu estado estranho.

Andamos e encontramos uma caverna que mesmo Thera nunca havia


visto até então. A entrada era bem discreta e imperceptível de qualquer
ângulo. Por acaso esbarramos nela.
Entramos e constatamos que era aconchegante, cabendo duas pessoas
com bastante folga. Decidimos buscar as coisas e ficar deste lado,
mesmo porque daqui se via o sol nascer com mais clareza, a mata era
menor, havia quase mesmo uma clareira.

Fizemos um chá preto em troca do café e comemos uns bolinhos de


milho que eu havia feito.
Depois alçamos nossas redes em árvores à esquerda da caverna e
ficamos apenas relaxando e sentindo o ambiente de paz e serenidade
que o lugar parecia emanar em abundância.

- Sabe Dayka, acho que este é o lugar certo para te contar algo que sei
há muito tempo, mas como nossos encontros sempre foram bem
rápidos, nunca lembrei de contar.
- Hmm, mistérios, adoro-os! Pena que não se vendem prontos ou feito
bolo para comer... desculpe, pode contar Thera!

- Contou-me um motorista antigo da viação Xavante, esta que você


tanto gosta pelos seus ônibus confortáveis e modernos, que no passado,
acho que há uns 40 anos, no tempo das jardineiras, uma moça muito

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.30


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 31 de 109

loira, a quem ele apelidou de Sueca, às vezes embarcava em algum


ponto da estrada e sempre descia neste lugar.
Imagine: se agora tem apenas umas casinhas espalhadas, na época não
havia nada a não ser cerrado.
O curioso é que ela nunca embarcava daqui. Um dia o motorista criou
coragem e na hora de descer, perguntou:
- Dona, não é perigoso a senhora descer num lugar onde não tem nada
e ninguém?
Ao que a Sueca respondeu:
- É o senhor que não está vendo, mas aqui existe uma grande cidade!

Quase pulei da rede. Algo acordou em mim. Como uma lembrança que
logo perdeu a força. Thera riu da minha reação e disse:
- Sim, imaginei que você teria alguma reação similar, pois, sempre
relaciono esta moça a você, quando penso nesta história.
- A mim? Como assim? Perguntei mais curiosa do que nunca.
- Porque hoje nós sabemos que cada um dos nossos corpos vive na sua
dimensão ou plano. E será que aquela moça não era você em outro
plano?
De repente lembrei. Lembrei de ter estado na cidade sagrada. E
emudeci. Comecei a lembrar dos detalhes e do templo central. Da
misericórdia. E imaginei ver Athlan, isto mesmo, até o nome me veio
claramente à mente, ao meu lado. Sim, na imaginação, porque não
tenho vidência.

- Dayka, que foi? Ficou chocada com minha hipótese, perguntou Thera.
- Não, pelo contrário, algo me diz que pode ser real... e novamente me
perdi em meus pensamentos.
Thera ficou quieta imaginando que eu queria digerir o assunto. Sim,
ela só não imaginava o quanto!! Não sabia se devia contar agora, ou
depois ou nunca. Simplesmente não sabia.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.31


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 32 de 109

E por não sentir o impulso e contar, me calei. Olhei de longe o pé de


pequi e sorri. Sim, eu haveria de voltar a deitar-me sob suas asas, e
convidaria Thera, pois caso ela devesse ter sua experiência, ela teria
que ter a chance.

Acabamos adormecendo e acordamos com o barulho de um casal de


araras azuis. Acordei feliz, lembrando do casal que vira voar.
Thera saiu animada atrás de lenha e para o almoço fizemos um angu de
milho com óleo de pequi e uns ovos cozidos. Ficou muito bom.
Mas eu me sentia estranha, sem saber se devia contar ou não, quando
Thera saiu em direção do pé de pequi. Achei aquele ato curioso, afinal,
estávamos com a rede ainda montada.
Era como se ela estivesse pressentindo algo. Parou embaixo dele e olhou
para mim dizendo:
- Por um momento tive a clara impressão de ter visto alguém parado
aqui. Aliás, desde que você acordou, algo aconteceu por aqui. Eu senti.
E sinto. E decidi ver o que teria este lugar. Seria este o portal?
- Sim, disse eu caminhando na direção dela. Lembrei-me o que
aconteceu quando você contou o caso da Sueca, mas eu fiquei confusa
em te contar. Poderia soar pretensioso. Ou afinal porque eu pude ter a
experiência e você não, mas agora eu quero te dizer, inclusive para ver
se você consegue acessar o portal.
- Dayka. Acho que cumpri com minha função de lhe trazer aqui. Eu
pressenti que você poderia ter acesso ao portal e saberia identificá-lo,
justo pela história da Sueca. Um dia senti que se te trouxesse aqui com
tempo, você acharia o portal. Quando você acordou hoje cedo de um
estranho sono, eu deduzi que você havia tido um contato e o que pé de
pequi poderia ser o portal. Você sabe que eu não considero nada
estranho. Também entendo tua dúvida, pois muitas vezes estive em
situação semelhante. Mas não pretendo por isto forçar algo. Se eu tiver
que ter minha experiência eu a terei, seja hoje ou daqui a um ano.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.32


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 33 de 109

- Que alívio em ouvir estas tuas palavras, disse eu. Agora eu sei que
posso contar contigo, caso ocorra algo estranho, ou mais estranho.
Digo, contar em termos de poder trocar, pois quem mais me
compreenderia?
E dizendo isto uma brisa do nada soprou e acariciou nossas frontes
fazendo os cabelos arrepiarem.
- Uui, disse eu. Que foi isso?
- Uma brisa etérea, disse Thera. Um aviso que estamos bem protegidos
e aceitos. Esta linguagem eu aprendi. A linguagem da brisa.
- Ah! Esta eu também conheço, desde os 19 anos! Que interessante,
disse eu, mais algo que temos em comum.
- Diga uma coisa: você acha que precisa voltar para o plano?
- Sim. Sinto que terei mais uma etapa, ou apenas terei que relembrá-la,
pois não sei se lembrei tudo.
Enquanto isto do lado etéreo Athlan observava Dayka, tornando-a
receptiva a sua presença. Ela precisava aprender a se deslocar de
qualquer parte e não apenas de um portal dimensional.
Dayka pressentiu a proximidade de Athlan, como um cego pressente a
presença de alguém. Ficou quieta, buscando por algum sinal ou
imagem que pudesse comprovar sua intuição, quando uma nova brisa
soprou suave em seu rosto. Instintivamente Dayka sorriu deste lado e
Athlan do outro lado. Foi um progresso.
- Vamos buscar mais lenha, falou Thera tirando Dayka de seu estado.
- Sim, disse alegre Dayka, sentindo que aquela experiência fazia parte
de seu futuro preparo.

A noite chegou rapidamente.


O céu estrelado estava novamente tão próximo, que parecia poder se
tocá-lo com as mãos. Este céu do cerrado sempre me encantara.
Adormeci olhando para o céu, e Thera também. Acordamos no meio da
madrugada por um vento qualquer. Fomos até a caverna onde já

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.33


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 34 de 109

havíamos preparado nossas “camas” improvisadas. Estava mesmo


ficando fresco lá fora, embora não frio. Coisa rara naquele Cerrado.

O estranho arbusto

Acordamos e repetimos o ritual do dia anterior. Inclusive fui deitar-me


sob a sombra do pequi após tomar meu mate e percebi um arbusto do
lado, que no dia anterior não havia despertado minha atenção. Era um
arbusto muito bonito. Parecia uma roseira silvestre ou algo similar.
Sentada sob o pé de pequi fiquei observando fascinada o arbusto, foi
quando me vi do outro lado... admirando o arbusto exótico.
- Ah! Então desta vez o truque foi o arbusto, disse eu em pensamento.
- Exato Dayka, disse Athlan que surgiu do nada. Era preciso te distrair
da idéia de ter que fazer a passagem. Foi uma maneira.
- Muito boa por sinal. Afinal, é muito agradável não perceber como
acontece. Aliás, eu entendo que acontece assim como quando busco
ouvir a voz do silêncio: de repente “eu” desapareço da tela mental e
entra em cena alguém que não é este eu que conheço como Dayka.
- Muito bem ilustrado. Desta forma, no futuro, você poderá acessar este
plano. Exatamente desta maneira.
Hoje vamos aprofundar a etapa iniciada, disse Athlan desta vez bem
prontamente.
- E isto implica em? Perguntei.
- Em você acessar a plataforma de cristal!
- Descrita no livro sobre Homens Livros?
- Exatamente esta.
- Então ela existe?
- Sim. Mas o acesso a ela é feita por um corredor e eu preciso te levar
em segurança para Você não sofrer nenhuma disfunção em teu corpo
etérico, entende?
- Claro. Aquela vez, no sonho, você já me alertou, lembra?

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.34


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 35 de 109

- Sim, mas agora é bem mais delicado. Porém, isto é necessário e faz
parte o plano. Não temos escolha desta vez como aquela. Temos a
escolha de fazer bem feito.
- Bem, como posso cooperar neste processo?
- Relaxando completamente, sem ansiedade e sem curiosidade. Deixe
acontecer.
- Acho que isto eu consigo, disse decidida.
- Sim, sei que sim Dayka. Tanto assim te conheço.
Entramos no mesmo aparelho, mas desta vez Athlan acionou um
comando que fez um zunido a princípio. Depois se criou algo como um
campo vibratório intenso.
Relaxei totalmente tanto quanto pude. Senti que teríamos uma
alteração de freqüência. Uma viagem interdimensional mais sutil.
- Lembre-se Dayka! Lá não serei Atlhan e nem Você Dayka. Vamos
vivenciar um nível mais sutil ainda. Não sei como você será e como se
chamará.
- E como voltaremos?
- Teremos ajuda competente. Quanto a isto, não se preocupe. Pode
confiar. Nada nestes planos é deixado ao acaso. Tudo é minuciosamente
planejado e preparado.
- Então, vois lá, disse eu para relaxar! (Voalá, em francês! Significa algo
como, que assim seja penso eu, mas neste caso, em português, dá para
interpretar dupla e literalmente: voa lá!!).

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.35


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 36 de 109

PARTE II

Os Homens-Livros

A reunião na plataforma de cristal

Numa sala imensa muitas pessoas conversavam calmamente. A


impressão, porém, era falsa, pois por dentro a ansiedade crescia de
segundo a segundo no imenso relógio de quartzo que pairava sobre a
cúpula daquele espaço oval, feito do mais puro cristal.
Algumas estavam quietas e contemplavam a aurora cósmica: via-se
daquele ponto do espaço vários sóis nascendo e isso era algo fantástico,
quase inconcebível para seres mais acostumados com sistemas solares
de um sol, como alguns do planeta Terra.

A hora aguardada estava se aproximando e alguns seres vindos de


lugares distantes, estavam aproveitando o salão dourado para se
recompor.
Distante, porém não fisicamente, se encontrava uma alma solitária, que
divagava sobre os mistérios da existência. Tinha sido uma grande

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.36


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 37 de 109

batalha estar ali presente e sentia que um grande momento de sua vida
havia se aproximado.
Olhou em volta como para medir o espaço, o tempo e a profundidade.
No fundo de sua alma mesclada de várias experiências terrestres e em
outros planetas, se amalgamava uma substância nova, estranha, e ela
era uma estranha para si e para os outros.
Sem o perceber, alguém se aproximava dela, lentamente, mas de forma
clara e precisa.
- Syahne, ouviu dentro de sua mente!
Olhou e viu alguém familiar, mas desconhecido.
- Sou eu, sua tutora e futura editora.
- Iuhanna, exclamou! Que bom te conhecer.
- Sim, algum dia dentro do tempo cósmico isto teria que acontecer e
hoje é o dia X, o dia X do grande ano cósmico que nasceu do ventre do
tempo. A Grande Mensagem está se aproximando e precisamos todos
cooperar para terminar de compor seu conteúdo.
Venha comigo, por favor, alguns instantes antes do início da
consagração dos Livros.

Syahne seguiu rapidamente aquele Ser que de tão distinto lhe causava
uma espécie de lucidez mental jamais alcançado na Terra, em meio à
matéria densa e mesclada a tantas energias sutis diferentes. Neste
sentido único o Planeta Terra era visto de uma maneira absolutamente
diferente e superior: por representar um verdadeiro laboratório para
diferentes experimentos existenciais. De fato, dentro da grande Teia da
Vida, ele representava um caso singular: um planeta onde tudo era
possível ao mesmo tempo para diferentes estágios de consciência
humana, solar, galáctica.

Entraram num imenso salão. Syahnne teve um momento de pleno


êxtase: o salão era oval e continha no centro uma espécie de mesa
igualmente oval, representando em miniatura as proporções da sala;

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.37


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 38 de 109

isto ela intuiu e teve tanta certeza que nem foi preciso perguntar para
sua tutora se era de fato isto.
- Syahne, contemple este espaço dentro de outro gigante espaço no qual
nos encontramos em estado veicular não físico, como outra miniatura,
mas desta vez de uma matrix maior: deste universo onde vivemos.

Sim, ela entendeu, porque a plataforma espacial onde se encontravam,


estava estacionada no centro galáctico do universo de onde provinham
todos os seres ali presentes e também tinha uma belíssima forma oval.
Foi incrivelmente fácil deduzir que aquela mesa oval, solitária, no centro
daquela sala de cristal, representava o micro no macro e vice-versa.

Em volta da sala oval se encontravam espécies de poltronas com o fim


de proporcionar momentos de reflexão sobre a soberania e sabedoria do
Arquiteto da Vida. E no centro do que parecia ser uma mesa, pousava
sereno, uma espécie de vaso oval. A volta da mesa havia cadeiras que se
expressas numa linguagem terrestre, tinham um formato futurista, de
formas ovais, leves e delicadas. Pareciam tronos estilizados.

- Sua presença aqui é para estimular sua função cerebral terrestre,


tornando-a mais abstrata. Sabemos da dificuldade de abstrair dentro de
um plano tão denso, por isso, aguarde aqui alguns instantes enquanto
não se inicia a grande cerimônia da coroação dos livros vivos.

Syahne sentiu-se em casa naquele ambiente altamente sofisticado e


simples ao mesmo tempo. Os paradoxos sempre foram sinônimos de
verdades universais, por isso continham em si os elementos
conflitantes, a dualidade, para expressar o que não é dual.

Sentiu vontade de andar a volta daquela mesa que lembrava na Terra a


Távola de Arthur, o grande homem mito da atualidade terrena. Não
fossem alguns registros esparsos e muitos o teriam como mero mito.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.38


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 39 de 109

Mal sabem os homens da Terra que mitos são frutos de uma árvore que
já não existe, mas que existiu.

Sem notar incursou em profundas reflexões sobre o mistério da criação,


da razão de tantos porquês sem respostas, da razão de tantos
mistérios... sim ela sabia que a mente humana não tinha capacidade de
abarcar nem um décimo de uma realidade cósmica abstrata, e que era
preciso explorar o espaço interno da mente subjetiva para entender
alguns conceitos universais.
Mas, além da fronteira do espaço, havia a fronteira do tempo, muito
mais sutil e difícil de ser transcendida. O tempo, ela haveria de
entender um dia, não era um elemento material, mas a alma do espaço.

- Syahne, venha, vamos iniciar a cerimônia da consagração.

Todos estavam se sentando nas poltronas macias e líquidas daquele


imenso salão oval, que ficava abaixo da cúpula onde ela se encontrava.
A estação tinha 7 plataformas ou andares. Na 1ª plataforma havia a
recepção geral, inclusive espaço para pousos; na 2ª uma ala para
serviços e na 3ª o espaço para a cerimônia.

O ambiente exalava um perfume delicado e se tivesse que encontrar


palavras, o mais próximo que vinha à mente de Syahne, era algo como
aroma das estrelas.
Em cada poltrona havia de fato uma estrela impressa em forma
transparente e dentro havia uma espécie de numeração. Ao sentar-se, a
numeração, ou o símbolo, transformava-se em um halo de luz sobre a
pessoa para identificá-la de longe.

Em números, talvez estivessem ali presentes três mil seres, vindos de


todas as partes do universo. Uma curiosa mistura de genes e formas e

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.39


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 40 de 109

conteúdos. Era difícil encontrar um denominador comum, a não ser a


forma humana básica como molde de vida.
Assim como uma cadeira pode ter infinitas formas, mas em todas elas
se reconhece a cadeira como forma básica, assim aqueles seres tinham
todos formas humanas básicas. Ou seja: humanos baseado no conceito
terreno, pois também o homem da Terra possui a forma humana como
forma básica, mas sua forma humana de longe é a mais perfeita, nem,
tampouco a menos perfeita. Uma etapa mediana se tivesse que definir.
Portanto, distinguiam-se ali formas quase que supremas. De uma
simetria que faria inveja aos gregos, que, com certeza, tentaram
encontrar a simetria perfeita da forma humana.
Sim, a simetria grega foi criada para inspirar a alma por meio da
Beleza. O Bom viria a ser vivido em carne e sangues humanos, por
aquele ser que chamamos de Jesus, não por ter sido mais tarde
vinculado a conceitos cristãos, mas pela magnitude de sua missão bem
independente dos dogmas que foram criados em torno de sua pessoa e
profissão (no sentido do que acreditava e viveu). Já a Verdade (da
trilogia grega: o bom, o belo e o verdadeiro), tinha sido a alma de todos
os grandes seres que passaram por esta Terra, ora encarnando num
povo, ora em outro, com diferentes nomes (Krishna, Buddha, Lao-Tsé,
Platão, Maomé, Hércules, Hermes, Wiracocha, Quetzacoal, etc.), mas
com a mesma têmpera, lembrando que cada um deles revelou um
aspecto mais profundo da grande Verdade. Assim, o Mestre dos Mestres
revelou um aspecto que até então ninguém tinha podido revelar sobre a
Terra, pois a alma dos homens não estava preparada para tal potência:
a Sabedoria do Amor.
Num futuro a semente de outra Verdade será revelada pela humanidade
terrestre: a Beleza da Vontade Divina. O ser chamado na Terra de Jesus
Cristo, viveu plenamente o Amor e o ancorou no Planeta a Semente da
Vontade para ser germinada mais tarde, em outro ciclo, de forma plena.
Somente grandes Almas Amorosas podem expressar a Vontade do Pai
sem ferir Leis Cósmicas, por isso, individualmente existem e sempre

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.40


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 41 de 109

existiram Seres que souberam Fazer a Vontade do Pai! Mas o Mestre


dos Mestres a expressou num nível jamais possível até então. Algo
incompreensível para uma mente concreta, normal. E com a Semente
implantada na Terra pelo Mestre dos Mestres, o Cristo Cósmico, a
Vontade tem sido objeto de muitos problemas, pois a plantinha está
começando a crescer dentro de um solo pouco amoroso. O Amor que
deveria ter florescido plenamente sobre a Terra, foi envenenado pelo
poder dos que não querem ver a Terra transformada num belo Jardim
Cósmico.

As três grandes Artes sempre se fundem uma na outra:


A Beleza da Verdade e do Bom.
A Verdade do Bom e da Beleza.
E o Bom da Beleza e da Verdade.

São atributos abstratos que contém a essência da Criação. São como


matrizes que possuem em si todo o Mistério da Criação.

A Beleza deve revelar o aspecto Material, seja denso ou sutil.


A Bondade deve revelar o aspecto abstrato, é a Alma de tudo.
A Verdade deve revelar o aspecto divino, o Espírito que a tudo anima.

Algo somente é perfeito quando encerra os Três em Um.


A Trindade existe em todo o Cosmo com diferentes nomes, sinônimos e
graduações, mas também existem outros módulos, a Trindade é um
módulo ou uma matriz, para determinadas ondas de vida, da qual a
humana faz parte.

Depois desta exposição foi feito uma pausa e todos receberam um


líquido delicioso, de sabor delicadamente adocicado, em química
terrena. Talvez para outros fosse diferente.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.41


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 42 de 109

A palestra tinha sido proferida pelo que presidia aquela reunião


singular.

- Talvez alguns de Vocês já tenham intuído o motivo deste evento e mais


do que isso: o motivo que representa a vida de cada um no planeta que
se encontra. Porém, estamos aqui tanto para confirmar algumas
intuições de fato corretas e desmistificar outras.
O projeto Livros-Vivos foi fruto de um longo processo de observação,
análise e reflexão. A evolução, seja em que nível for, todos Vocês, sim,
principalmente Vocês, já perceberam e sabem, que não se trata de algo
simples, que basta obedecer a certas leis e com isso se garante o
sucesso. Não. Existem sim as leis cósmicas objetivas e subjetivas, como
as do Livre Arbítrio, a grande Lei Síntese da Evolução Dinâmica, pois
sem elas não existiria uma evolução dinâmica no exato sentido da
palavra e sim, simplesmente uma evolução óbvia, previsível, e sem
espaço para experimentos.
O grande problema dos grandes projetos baseados ou implantados em
mundos sujeitos ao livre arbítrio, é sua igualmente grande margem a
erros, principalmente em planetas mais densos. Constatamos que elevar
consciências nestes mundos, não é uma tarefa fácil, talvez a mais
complexa de todas e, no entanto, dela depende todo o fio da evolução.
Portanto, tivemos que reformular inúmeras vezes os projetos, mas,
imaginem uma situação destas numa escala planetária:
- Leva-se um tempo para implantar um projeto e um Xis tempo para
constatar se vale ou não à pena, e mais um Xis tempo para criar outro
quando o resultado não foi esperado, mas o mais difícil é implantar nas
consciências que o tal projeto teve falhas e que, não seria conveniente
continuar a prática dele. Repito, principalmente em planetas mais
densos, os seres se apegam imediatamente a tudo e não querem alterar
rotas conhecidas e insistem em usar métodos que já se revelaram no
decorrer de anos ou séculos, como desastres ou pouco frutíferos. Nestes
casos, o que nos têm restado fazer, é tentar vivificar tais projetos,

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.42


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 43 de 109

tentar consertá-los, tentar fazer o melhor com eles, mas, todos vão
compreender que esta é uma solução emergencial, mas não efetiva. Tais
árvores nunca mais vão gerar frutos sadios. E isto meus caros, se aplica
a todos os aspectos da vida: ao religioso, científico, moral, psicológico e
filosófico. Ou como quer que cada um se denomine em seu planeta de
origem atual!

O projeto Livros-Vivos foi uma idéia que surgiu da observação de


experiências voluntárias e se mostrou altamente competente para
detectar as pequenas falhas invisíveis a partir de um Xis estado de
consciência.
Imaginem se de uma determinada distância qualquer, seriam capazes
de ver detalhes de uma pessoa! O Conselho Evolutivo Intergaláctico
constatou que dificilmente existirão projetos realmente eficazes, sem se
levar em conta as reais dificuldades que todos os seres enfrentam em
seu dia-a-dia, com suas variadas nuances que não são mais
perceptíveis a partir de um estado de consciência muito elevado.
Outro exemplo: quanto mais adulto um ser se torna, mais difícil de
entender a infância ou a adolescência. Para um recém adolescente, fica
fácil de lembrar a infância com suas ingênuas alegrias e fantasias,
assim também é mais fácil para um ser humano comum repassar o que
ele sofre, onde estão suas fraquezas ou seus obstáculos.
Porém, sabemos também, que todos os modelos têm pontos fracos, pois
a matéria densa possibilita e facilita o erro e não o acerto. Mesmo
assim, existem modelos que tem mais brechas para erros e outros menos.

Tivemos casos isolados que foram parcialmente infrutíferos, pois os


seres em questão se envolveram demais na trama da vida e isto impediu
que o registro de suas experiências se repassasse de forma clara. O
sucesso deste projeto singular é a capacidade que os envolvidos devem
ter em inconscientemente nunca se envolverem totalmente nas tramas
de sua vida familiar, profissional, conjugal e mesmo a dita vida

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.43


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 44 de 109

espiritual. Devem sempre manter uma distância mínima, para que o


material obtido, não se cole aos seus tecidos sutis, impedindo uma
observação objetiva.
Vamos explicar melhor:
- Ao se colar uma folha na outra, podem ainda ler um livro? Certamente
que não. Assim não podemos ler os registros do ser. Uma pequeníssima
mínima folga é a única exigência para o progresso desta experiência.
Por outro lado, houve casos isolados, que devido a densidade do planeta
em questão, não captaram o valor de viverem suas vidas. Abdicaram da
existência comum tentando viver algo elevado, impossibilitando com
isto o registro de experiências valiosas para nossa avaliação, pois, de
fato, esta seria a outra ponta do ponto fraco deste projeto: um
envolvimento total ou parcial demais!

Porém, os que hoje estão aqui nesta reunião de avaliação geral, é


porque conseguiram manter um status quo mínimo, proporcionando
material para uma análise ainda que não completa, no entanto
suficiente para poder-se deduzir o restante. Contentamo-nos com tais
experiências, pois, o que está claro há milênios para o Conselho
Evolutivo Intergaláctico, é que nunca houve um projeto que realmente
fosse um sucesso total, sem falhas, ou sem grandes falhas. Claro que
houve alguns que nos surpreenderam, porque apesar de tomarem
rumos diferentes, acabaram revelando uma nova gama; isto também
aconteceu com alguns de Vocês aqui, ao nível individual.

Depois desta exposição houve uma pausa e a segunda etapa da reunião


teve início em tempos galácticos dali à uma hora, em tempo terrestre,
dali a 100 horas!
Neste período pudemos passear pela bela plataforma, toda revestida de
cristal transparente, de onde pudemos apreciar as cores em um
espectro jamais imaginado pela visão humana, sim, porque o relato
aqui retrata a visão de um ser humano objeto de tal experiência.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.44


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 45 de 109

Syahne viu que alguém se aproximava dela, parecia um gênero


masculino, ou positivo da criação.
A passos largos ele se aproximou e num sorriso franco e direto disse:
- Já nos conhecemos, mas não desta forma! Meu nome é Jahnion e
venho de um planeta bem distante da Terra.
- Prazer em conhecê-lo Jahnion. De fato, de algum modo algo me soa
familiar algo em Você, mas não saberia dizer o quê. Meu nome é Syahne
traduzido em linguagem intergaláctica.
- Percebi que Você já intuiu a resposta, mas não se atreve a formulá-la.
É isto?
- Sim, disse Syahne sorrindo... de fato, logo me ocorreu um planeta
distante, que visitou a Terra recentemente, claro que contados em anos
terrestres.
- Está correto. Nossa visita se deu devido ao incidente e se transformou
num projeto de ajuda e de coleta de dados ao mesmo tempo, pois, a
Terra proporciona experiências incríveis em todos os sentidos: tanto
belos quanto aberrantes.
- Venha comigo um instante: vou lhe mostrar algo de outro ângulo!
disse Jahnion de repente.

Quase correndo fomos a outro extremo mais longo da elipse e chegando


na ponta, subimos vários degraus que terminavam numa espécie de
varanda de inverno. Várias poltronas confortáveis estimulavam a idéia
de sentar e apreciar a beleza da natureza de um andar inteiro cheio de
plantas exóticas.
- Que fantástico Jahnion! Eu nem imaginava algo assim... aqui, neste
fim do universo, eu disse meio rindo!
- De fato, imaginei que não conhecia este jardim dos deuses. Na verdade
são plantas de todos os planetas envolvidos neste projeto. Foi uma
maneira simbólica e real de homenagear estes planetas e também de
sentir a vibração de suas formas e cores.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.45


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 46 de 109

- Achei a idéia realmente genial, porque além de enfeitar, fornece a cada


algo familiar.
- Mas vamos voltar ao assunto sobre minha origem. Eu percebi que
você não me estranhou, tampouco se importou em vir comigo, como se
me conhecesse e eu sei que você sabe de onde venho, portanto, imagino
que você queira saber de sua ligação comigo ou do meu planeta de
origem.
- Bem, resumindo, sua conclusão está correta. De minha parte imagino
que em meus átomos cósmicos esteja registrada a experiência no seu
planeta, por isso tive aquela singular intuição que se mostrou correta
anos depois, ao me ocorrer a idéia de verificá-la com mais detalhes.
- Sim Syahne, mas o mais importante na época não ficou claro!
- E isto seria?
- Que sua estadia na Terra não apenas recolhe informações para a
Biblioteca Central do Conselho Intergaláctico, mas também para nós!
- Ah é? respondi surpresa e um pouco confusa!
- Sim, e não só isso, muitos daqui fazem papel duplo, pela...
- ...lei da economia! completou Syahne.
- Exatamente! Sabe como na Terra se escreve um e-mail com cópia?
É mais ou menos isso num sentido cósmico e de caráter evolutivo.
Sua estadia é para nós fonte de grandes conclusões e avaliações. Este é
um dos motivos de sua insaciável curiosidade acerca de tudo que ocorre
no planeta e que tantas vezes a incomodou por achar que não deveria
ser tão curiosa em função de seu caminho espiritual escolhido na
época.
- Bem, isso me conforta de certo modo, mas como eu me sinto
compelida a viver a vida na Terra de forma tão...
- ...terrena, completou Jahnion...
- ...é, eu acabei me conformando com quase tudo e agora sinto amor
pela Terra e já não consigo me imaginar viver em outro lugar, porque
além de ter aprendido muito, quero ensinar!

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.46


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 47 de 109

- Sim, notamos isto em teus registros e ficamos surpresos como a Terra


cria algo de enigmático nos seres.
- Como assim? quis Syahne saber.
- Só posso explicar isto lendo seus registros, digo, tentando interpretá-
los, pois ler nos registros terráqueos é como querer decifrar uma
complicada fórmula que inclui física, química, matemática, e também
elementos filosóficos.
- Ora, que coisa louca, respondeu Syahne!
- De fato, mas vou tentar explicar, pois esta tentativa vai me ajudar a
encontrar o significado mais próximo dentro de minhas possibilidades e
assim amadurecer minha capacidade de interpretar realidades
altamente complexas de outros planetas.
- Isto soa tudo muito interessante, aliás, acabei de ter uma imagem: eu
vi Você se especializando nesta área, como um doutorado na Terra, você
me entende?
- Claro, graças a sua vida na Terra! E é isso mesmo. Estou me
especializando em traduzir em linguagens cósmicas, experiências de
vidas em diversos planetas, mas meu doutorado vai se basear
totalmente na Terra e por isso você é minha grande fonte de consulta e
de material.
- Wow! Sou literalmente sua tese, ao vivo e em cores! disse Syahne
quase achando graça.
- De fato Syahne, preciso muito da sua colaboração, mas não por mim e
sim pela aproximação da Grande Mensagem.
- O que é isto? É a segunda vez que ouço este nome, disse Syahne um
tanto perplexa.
- A Grande Mensagem é um acontecimento de caráter macrocósmico.
Trata-se de um evento em linguagem terrena e humana, mas no caso de
um evento singular. Ele é uma espécie de conclusão de todos os
experimentos que foram feitos em todos os planetas de um universo,
sobre a melhor forma de instigar a consciência dos seres que vivem em
planetas com direito a livre arbítrio, vamos definir assim, ou seja, aonde

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.47


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 48 de 109

a evolução não ocorre por decorrência de se seguir um sistema


previsível!
- Que interessante, ponderou Syahne, imaginando que prazer teria em
um dia, melhor, em um momento dentro do tempo cósmico, participar
de um evento deste tipo.
- Isto não é impossível para todos os que se propuseram a servir de
laboratórios viventes Syahne, disse Jahnion, lendo seus pensamentos,
algo que era normal naquele estado veicular. Na verdade, este congresso
é uma parte do outro, no qual participarão todos os universos, neste
apenas o nosso, entende? Trata-se de uma semi-final em certo sentido.
- Sim e já que você me respondeu a esta pergunta, volto a perguntar: o
que preciso fazer para me aperfeiçoar ou para seguir esta via?
- Antes de tudo concluir seu atual trabalho de pesquisar ao máximo,
principalmente constatando, como você vem fazendo instintivamente,
aonde ocorrem os maiores entraves de um sistema de ampliação da
consciência absoluta. A consciência relativa, ou de que tudo é relativo
foi um marco recém conquistado, mas esta consciência é apenas uma
antecâmara da consciência absoluta, entende?
- Sim, isto é o que mais me tem perturbado: constatar que pelo menos
na Terra, todos os sistemas sofrem com entraves. E eles se dividem em
alguns aspectos bem claros.
- Cite alguns, por favor Syahne, pois por mais que eu possa ler seus
registros, suas citações são para mim e para nosso planeta, como um
tradutor automático, visto que seu cérebro possui um diferencial que
permite com que acessemos seu conteúdo e o recebamos traduzido para
nossa linguagem, entende?
- Sim, consigo entender tudo isto sem dificuldade e isto me faz supor
que seja verdade.
Bem, o maior entrave é a tendência de querer eternizar o relativo!
Poucos seres humanos conseguem atualmente compreender que algo
eterno não existe nem na eternidade. A própria eternidade tem seus

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.48


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 49 de 109

ciclos de renovação! É como a semente da planta que germina em outra


árvore. Já o absoluto é diferente. Ele é a semente.
- Bravo Syahne! Agora senti sua parte Hummo se revelar.
- Bravo Jahnion! Você ousou citar o nome de nosso planeta de origem!
- Mas, continue por favor Syahne. Eu fico altamente curioso e ansioso
pelas suas experiências na Terra, pois este planeta tem de fato uma
característica quase única em todo o universo.
- Sim, também constatei isto com surpresa, confesso, pois até então só
queria voltar ao meu planeta de origem, mesmo sem saber qual era,
pois imaginava a Terra como o “fim do mundo” onde ninguém quer
morar ou imaginar fazer algo de útil por lá.
Mas os anos passaram e percebi que o louco e o precioso daqui, é
conviver diariamente com inúmeras pessoas, cada uma tendo sua
verdade, sua forma de ver o mundo e, no entanto, conseguir conviver.
Isto beira ao miraculoso, quer dizer, de não ser pior o resultado, pelo
contrário, ele tem sido cada vez melhor.

Mas também longe da Terra as horas passam... e assim foi preciso


retornarem ao grande salão.
Jahnion tentou sentar ao lado de Syahne, mas alguém o chamou e
acabou perdendo a oportunidade. Syahne até preferiu, pois precisava
elaborar um pouco este encontro tão inesperado e direto. Tudo que no
passado lhe pareceu misterioso e que ela foi desatando em etapas
longas e frutos de muitos acontecimentos, Jahnion, como contrapeso,
pareceu querer finalizar com um golpe só. A velha teoria do equilíbrio.
Yin e Yang. E onde estaria o fator neutro, o fator que faz com que
possamos nos libertar da grande dualidade, no sentido de não sermos
joguetes inconscientes nas mãos dela?

- Atenção, vamos dar prosseguimento ao nosso congresso – avisou em


voz forte e segura, o superior do conselho reunido à mesa ovalar.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.49


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 50 de 109

Syahne sentiu que deste encontro ela teria condições de avaliar melhor
sua estadia na Terra, bem como em fazer um trabalho mais objetivo,
ou, quem sabe, outro trabalho. Ela estava curiosa. Aliás, palavra que
ela mais associaria a sua vida na Terra.

- Tivemos que dividir os grupos em dez grandes temas, e isto foi algo
que facilitou não apenas as nossas conclusões, mas também as nossas
futuras ações nestes planetas e em outros.
Cada grupo, portanto, trouxe um material precioso em relação a um
aspecto da vida do planeta no qual o ser está integrado. Vamos aos
resultados:

Grupo 2: vida a dois


- as polaridades homem e mulher como são chamadas em alguns
planetas, apresentaram a maior complexidade nesta temática. No
entanto, por mais primitivo que seja o povo ou o planeta, constatamos
que a vida a dois é um laboratório sem precedentes, porém, em alguns
planetas as raízes culturais são o mal maior e não a relação em si, bem
como as religiões ultrapassadas e os sistemas sociais altamente
hierarquizados.
As relações do elemento feminino e masculino são algo belo por si,
apenas é preciso que elas não paguem pelos erros da sociedade e é isto
que principalmente no planeta Terra vem ocorrendo. Ambos são
confrontados com limites e problemas que não são seus
originariamente. De fato, uma grande ferramenta evolutiva e tão mal
aproveitada devido aos muitos limites.

Grupo 3: vida familiar


- a novidade deste grupo, foi constatar que a célula familiar tem seu
valor positivo e negativo, pois em planetas aonde não existe uma
estrutura familiar tradicional, os seres igualmente se desenvolvem, e de

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.50


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 51 de 109

forma mais livre e plena, sem vínculos de sangue ou de raça. Notamos


que uma estrutura tradicional impede a formação de uma
individualidade no sentido pleno da palavra, pois são incutidos muito
cedo todos os vícios e problemas daquela teia familiar. Geralmente o
filho ou a filha levam anos apenas para superar as raízes da família,
alguns nunca superam e nunca se tornam indivíduos plenos.
Não estamos propondo uma anarquia como ocorre em alguns planetas,
mas repensar o vínculo tradicional familiar também em planetas
inferiores.

Grupo 4: vida grupal


- notamos que o problema dos grupos é sua incapacidade de preservar
o direito pessoal e a autonomia! Todos querem se sentir iguais e acabam
perdendo a noção de individualidade. Acabam se igualando em excesso,
com o agravante que um controla o outro para ninguém ser diferente,
um indivíduo. Muitos planetas que optaram por esta forma de evolução
e convívio perderam totalmente a beleza da individualidade. Com receio
de fomentar o egoísmo, fomentaram o generalismo; ambos extremos de
uma mesma moeda.

Grupo 5: raças
- o sistema por raças tem suas belezas, aliás, é um panorama colorido,
como um tapete social altamente complexo. No entanto, como fator
evolutivo se mostrou mais um empecilho do que uma ferramenta, visto
que todos querem apenas valorizar e prestigiar a sua raça, ao invés de
cada um ter notado o óbvio: cada uma tem suas fraquezas e seus
pontos fortes e eram para aprender um do outro, mas, devido a baixa
vibração da mente, a maioria combate o outro. E por quê? Porque
ambos usam as fraquezas do outro para sua avaliação. O que se julga
melhor, vê o pior no outro e o outro vice-versa. Conclusão: não há
cooperação e sim apenas confronto. Claro que isto se repete em todos os
outros grupos, mas de forma bem evidente neste. O plano original era

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.51


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 52 de 109

cada raça simbolizar um estado de consciência, portanto, quanto mais


atual a raça, mais elevada seu estado de consciência. Isto de fato
ocorre, mas não o intercâmbio que havia se planejado e sim prevalece o
orgulho, que acaba depreciando a própria superioridade da dita raça
superior!

Grupo 6: sistemas sociais e políticos


- refletem imediatamente o estado de consciência da raça e da alma
dela, e, portanto, estão diretamente vinculados a ela. Mas o pior
desastre foi constatar que ao tentar importar, melhor dizer impor um
modelo social de uma raça X numa raça Y, o resultado foi dramático,
pois ninguém aprende por imposição, mas por respeito. Ou seja: se
respeito seus costumes e vocês os meus, posso, sem me sentir coagido,
perceber em liberdade o que da sua cultura me agrada e me parece
melhor do que na minha, mas se ocorre imposição, deve
necessariamente ocorrer a defesa! Porém, mesclado a isso se soma o
fator religioso, e torna a questão social e moral algo altamente complexo
e difícil de unificar.
Grupo7: filosofia, psicologia
- a filosofia foi uma espécie de mãe solteira da psicologia em alguns
planetas e, por isto, durante muito tempo, ambas foram vistas com
ceticismo, com preconceito e com menosprezo quanto a sua
contribuição para planetas cujo objetivo maior de vida é apenas o
consumo e os prazeres materiais. No momento a psicologia ganhou
novos aliados e até a ciência tem sido sua amiga confidente atrás de
portas de difícil acesso. De qualquer forma, mãe e filhas, a filosofia e a
psicologia, são as que ainda tem a maior chance de serem usadas
sempre mais dentro do modelo básico de elevação de consciências. São
ferramentas neutras, sem um pai que reclame de sua paternidade e,
portanto livres! Se alguma delas se permite ser aprisionada, então
apenas por indivíduos e nunca pelas idéias que são capazes de
expressar de forma tão independente e sem vínculos.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.52


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 53 de 109

Grupo8: religiões
- tem sido um desastre em grande parte o uso de religiões como fator
motivador de formar consciências! A maioria foi usada por seres de
pouca elevação e se tornaram modelos perfeitos para praticar a
escravidão mental e emocional. As que foram projetadas como
ferramentas modelos, converteram-se no contrário. Constatar isto foi
um choque para muitos membros deste conselho e quanto mais para os
planetas que praticam tais modelos. Fato é que as religiões têm sido
ajudadas por todos os demais conselhos em salvar o que há de bom,
dado ao grande poder que conquistaram, poder este óbvio, visto que
foram projetadas para serem as estrelas da elevação das consciências.
Porém, repetimos que vamos repensar o futuro delas como fonte de
elevação de consciência, dado ao fanatismo que fomentam, a escravidão
de idéias fixas por não admitirem que tudo evolui, inclusive o próprio
modelo religioso! Este fanatismo impediu que pudessem avaliar de
forma sóbria e soberana os resultados de suas façanhas desumanas, a
maioria, fruto de barganhas políticas, sociais ou então materiais!
Grupo 9: escolas iniciáticas
- para alguns presentes este nome não diz muito, por isto vamos definir
este grupo por meio de um conceito resumido: uma escola iniciática é
onde inicia o estágio de um ser que ingressa no caminho evolutivo
consciente e por livre e espontânea vontade. Todos os demais estágios
foram altamente necessários e importantes, mas é neste que ele se
consagra autoconsciente. Ela representa o pico ou o topo da pirâmide
da evolução em alguns planetas. O símbolo da pirâmide é uma matriz
cósmica e por isso podemos usá-lo para exemplificar este grupo. E,
mesmo assim, este grupo igualmente constatou grandes dificuldades
em cumprir com seu papel de mestre das artes da evolução. A maioria
deixou se corromper pelo poder de sua missão, outros pelo próprio
perigo de lidarem com forças e modelos mais sutis, subjetivos e
complexos. Escolas iniciáticas equivalem a mestrados e doutorados da

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.53


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 54 de 109

consciência de um indivíduo, sendo que religiões existem de todas as


classes: do pré-primário ao nível universitário.
Uma verdadeira escola iniciática sempre adapta seus métodos ao corpo
racial do momento, mesmo porque, ela trabalha com os egos mais
maduros de cada grupo social e religioso. Ela, portanto, não pode ficar
parada no tempo e vestir em plena atualidade, modelos do passado,
pois o resultado seria algo estranho. Tal como se no século XXI, no
planeta Terra, voltassem os trajes do século XVIII. Seria, no mínimo,
algo curioso. Mas, como é justo e sábio, usa-se o extrato de todas as
escolas do passado para compor a receita do presente. Do passado
tempos a aprender, sempre e aprender significa integrar. E isso vale em
especial para este grupo. O grande ponto fraco deste grupo é se
considerar muito especial e o orgulho não só invalidar boa parte do
trabalho individual, mas do grupo! Esquecem eles, que também eles
sofrem com a dualidade e o lado sombra que tudo tem. E esquecem
principalmente, que alguém somente é superior na medida em que
respeita tudo e todos e vê em todos os seus irmãos, independente de
tudo!

Grupos 1 e 10:
- São o Alfa e o Omega! Estes apenas existem como modelos de start e
de chegada. Não são grupos, mas são matrizes. O um que faz o start da
vida de uma alma sobre um planeta e o dez, do final de sua trajetória
sobre aquele planeta ou nível de consciência, sim, pois por mais que
possa parecer incrível, cada planeta representa cada um dos grupos de
forma genérica, sendo a Terra o único planeta onde se vivem todos os
grupos ao mesmo tempo.

Diante do resumo apresentado, percebemos que os diversos grupos se


revelam com resultados diferentes em diferentes planetas. E o grupo
que num planeta se mostrou um fracasso, no outro se revela como

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.54


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 55 de 109

sucesso. Mas os pontos fracos e fortes de cada um existem, a questão é


com qual dos pontos vai se trabalhar.
Se temos um copo cheio pela metade, podemos nos fixar na metade
cheia ou na metade vazia. E isto faz toda a diferença.
Portanto, não pudemos concluir, dizendo que um modelo não é bom,
mas apenas pudemos concluir quais modelos não são bons para
determinados planetas e níveis de consciência.

Considerado o exposto, vamos partir para a 3ª etapa deste congresso de


3 dias. Pelos próximos 3 dias todos poderão interagir, trocar
experiências, realizar pequenas viagens e aproveitar esta estadia como
umas merecidas férias cósmicas.

O diretor do conselho encerrou o discurso, convidando a mais famosa


cantora do planeta Argus, para cantar uma canção de seu planeta.
Por alguns momentos tivemos a impressão de termos sido tocados em
cada célula de nossos corpos, tal foi o efeito desta canção. Supus que
foi este o propósito.
Absorta nestes pensamentos ouço a voz de Jahnion.
- Syahne!
- Sim!
- Precisamos conversar mais, aliás, agora teremos mais tempo, disse
sorrindo satisfeito.

- De fato Jahnion, e confesso que estou precisando, pois não me senti


bem com os resultados obtidos. Quer dizer, estou curiosa de saber o
que vão concluir.
- Sim, igualmente anseio ouvir a conclusão geral, porém, penso que
nossa interação vai ajudar a formulá-la.
- Como assim?
- Ou você acha que os 3 dias de férias são sem valor? Digo, não são
parte de todo o processo?

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.55


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 56 de 109

- Não havia pensado nisso... e me parece bem claro se avalio a maneira


como avaliam as experiências de cada grupo. Oras, espera: nós também
formamos um grupo!! Aliás, Jahnion, nós somos um novo grupo, que
apenas não sabia que existia até recentemente!

Jahnion sorriu, aliás, quase riu da minha conclusão, mas não no


sentido negativo, mas pelo fato de eu não ter percebido isto antes.

- Sim, Syahne, somos um grupo bem distinto, uma nova experiência,


um novo modelo. E por isto temos condições de ter uma noção
universal, coisa que a maioria dos seres não tem, a não ser os que
estudam e se aplicam a entender por conta tais modelos. Porém nós
nascemos com este objetivo e não podemos e nem devemos ficar presos
a um modelo, e, por isso, geralmente, não seguimos nada em especial,
mas apenas provamos de todos os conhecimentos o suficiente para
formarmos uma idéia, para ...
... misturá-la às demais e fazermos um bolo bem individual no final,
completei como uma típica mulher da Terra!

Jahnion agora sim riu gostosamente da minha receita caseira, digo, do


meu exemplo digno de uma habitante da Terra.

- Seu exemplo é altamente simples e por isto tão claro: cada um de nós
realmente criou uma nova receita de um bolo cósmico, contendo todos
os elementos usados para fomentar a evolução da consciência! E como
todos temos por tendência subjetiva ver a metade do copo cheio, nosso
bolo é a síntese do melhor de cada sistema, mesmo que os membros
possam avaliar os aspectos negativos. Aliás, eles sim precisam e devem
fazê-lo, mas nós não, pois os aspectos positivos contém os negativos
como experiência que não deu certo, mas o negativo não pode conter o
positivo. E esta é a grande diferença entre a luz e as trevas, ou entre o
Criador e a Criatura.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.56


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 57 de 109

- Entendo, mas mesmo assim, fico pensando se existe algum modelo


perfeito! Aliás, talvez por este laboratório vivente ambulante ou esta
biblioteca biológica humana, percebi que esta é a grande ilusão em se
tratando de seres com livre arbítrio! Nunca existirá um modelo perfeito,
apenas um modelo melhor a cada geração, a cada seqüência evolutiva
de um planeta.
- Veja só que rica esta experiência Syahne. Tínhamos suposto isto em
Hummo, mas precisávamos de provas concretas, pois nenhuma teoria
deve ficar sem provas, e no âmbito subjetivo, as provas também são
possíveis, mas claro que de forma mais subjetiva ainda, ou seja, sua
experiência é somente sua, mas ela é uma prova concreta para você e
uma abstrata para nós, porém, o fato dela ter sido vivenciada por você é
prova o suficiente para nós, entendeu?
- Sim. Parece um pouco paradoxal, mas bem por isto soa tão real.
- Aliás Jahnion, posso saber agora um pouco mais sobre minha estadia
no planeta Terra e meu vínculo contigo e, enfim, algumas revelações
que cada um de nós buscou tanto?
- Sabe Syahne, só agora Você está entendendo que o segredo tanto do
sucesso deste trabalho como da sua participação, estava na completa
ignorância deste grupo. Estes grupos especiais ou o Grupo 13 como
também são chamados, são conhecidos apenas pelos dirigentes
supremos de cada Planeta, mas os seres que se decidem a participar da
epopéia são selecionados dos mais diversos grupos e, via de regra, sem
tomarem consciência da amplitude do trabalho. Isto também é parte do
projeto, pois se tivessem uma noção real, sua experiência nos planetas
seria parcial, pois no âmago de suas almas saberiam que são
laboratórios viventes e os resultados seriam influenciados por este
conhecimento. Assim como a física quântica já constatou, que o
observador influencia o objeto observado. Portanto, este grupo é
duplamente secreto e somente no final da etapa, é revelado a cada um,
como agora.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.57


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 58 de 109

Você, por exemplo, teve seu primeiro insight por meio de uma poesia há
alguns anos e o outro, recentemente.
- Momento Jahnion, porque nos chamam de Grupo 13?
- Porque o 13 quebra os paradigmas dos demais. E isto é fundamental
para o sucesso deste Grupo. Sem a energia do 13 eles não conseguiriam
realizar a quebra dos modelos e assim fornecer o material.
- Entendo, mas e o Grupo 11 e 12, quais são?
- Bem, o 11 são os profetas e mestres de cada planeta. O 12 são os
mestres líderes de cada planeta e o 13 representa o Mestre Cósmico, do
qual este Grupo recebe a energia impulsionadora.
- Entendo... disse Syahne pensativa. O numero 13 a vinha perseguindo
há tempo e cada vez se sentia mais à vontade com o número. Como se
ele fosse sua mais íntima vibração: o não vínculo com nada e com tudo!
Um paradoxo pleno!
- Um paradoxo perfeito! disse Jahnion interrompendo meus
pensamentos. Você captou a essência do Treze como poucos o
conseguiram Syahne e isto porque a vida na Terra instiga a isto. Claro
que teve seu mérito também, mas o planeta proporciona experiências
fantásticas, também a nível de alma ou de consciência. Mas voltando ao
13:
Cada número precisa ser vivido para se tornar um símbolo cósmico
vivente e potente. Com a criação do Grupo 13, este número vem
ganhando forma e poder e posso dizer com bastante orgulho, que Você
tem dado uma nota muito especial ao 13. Cada pessoa o vive dentro de
sua capacidade e Você conseguiu transcender o próprio 13 e isto
sempre é o estágio pleno.
- Explique melhor isto Jahnion, afinal se fiz algo tão especial, gostaria
de sabê-lo com mais detalhes!
- De fato, este congresso é também uma espécie de formatura de cada
um de nós, cada um de um modo diferente. Transcender o treze é quase
como que transcender a transcendência, entende? Isto é algo tão
misterioso, que poucos conseguem intuir o salto que isto representa

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.58


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 59 de 109

para um planeta. Desta semente vão nascer novos sistemas filosóficos,


sociais, científicos e religiosos, pois o 13 não está vinculado a nenhum e
a todos. Você o fez, no momento em que se sentiu o nr. 13, e, no
entanto, não se apegou a ele. Claro que você tentou. Você quis que ele o
levasse à liberdade sem limites, e percebeu que a liberdade apenas tem
limites mais amplos, mais profundos, mais exigentes. E por isso, a
liberdade verdadeira é sempre um profundo compromisso com a
consciência do que se julga certo, seja no estágio mais primitivo ao mais
elevado. Ou seja: ouvir a voz da sua consciência, que é uma intérprete
imperfeita mas válida da “Voz do Silêncio”.
Quando Você se sentiu livre e poderosa para voar feito águia, e até
voou, Você interrompeu o vôo e voltou para a Terra e ficou. E se tornou
terrena sem ser da Terra e sem se sentir uma terráquea, mas apenas
por amor aos terráqueos. E nesta descida Você transformou a águia em
uma fênix.
- Jahnion... que surpresa estou em ouvir isto. Na verdade eu sabia
disso, mas não com esta simbologia, com esta visão, com esta
numerologia. Mas e Você? Será o nr. 14?
- Não é bem assim, disse rindo! Sou sua outra metade do Treze. A que
ficou em Hummo e registrava suas experiências, tornando-as um bem
comum ao planeta Terra e ao planeta Hummo em primeiro plano, e
depois como fórmula vivida para outros.
- Impressionante tudo isto, exclamou Syahne. Faz sentido também.
Claro. Sempre tem os dois lados, a dualidade eterna, seja externa, seja
interna! Seja na fase horizontal, seja na fase vertical.
- Exatamente isto. Só que nos casos superiores, a dualidade se chama
polaridade! Não há mais antagonismo e sim apenas opostos
complementares!
- Puxa...E agora? Digo, depois desta conclusão, o que cada um fará com
sua parte?
- Isto depende de nós. Podemos usar nosso know how cósmico em
ambos planetas ao mesmo tempo e assim aperfeiçoar o modelo.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.59


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 60 de 109

Syahne teve que rir do termo know how cósmico.


- Aliás, acho que esta é a seqüência natural de todo aprendizado, isto
inclui o nosso: de praticar o mais breve possível o aprendido!
- Exato, mas, de qualquer modo, estamos vinculados ao Grupo 13 e
embora a quebra de paradigmas seja nosso lema, temos ainda alguns
conceitos que precisamos seguir, tal como, aguardar a conclusão do
congresso. Nesta conclusão deve estar implícita a nova etapa.

O encontro com o futuro

Depois deste diálogo intenso e revelador, Syahne sentiu necessidade de


se recompor e por isto sugeriu a Jahnion que fossem passear. Jahnion
por sua vez, sugeriu usarem os serviços da plataforma espacial e
conhecerem alguns pontos desta região cósmica. O planeta mais
próximo ficava distante o suficiente em termos dimensionais materiais,
mas facilmente acessível via corredores interdimensionais.

- Vamos verificarmos as sugestões elaboradas ? disse Jahnion.


- Isto mesmo. Estou curiosa para saber quais são.

Desceram até a plataforma de embarque e desembarque e na sala de


despolarização havia dois painéis contendo algumas sugestões. Logo
um chamou a atenção de Syahne: o planeta Música! Jahnion nem
precisou perguntar. A próxima partida seria dali a pouco, pois era
sabido que este programa era bem procurado.
Desceram mais um degrau e se apresentaram na sala de configuração
molecular. Não havia muito mistério. Todos eram alinhados de modo a
suportarem a desmaterialização durante o percurso sem nenhum desvio
atômico, o que poderia resultar num grave distúrbio de todas as ordens.
A pequena nave estava pronta para seu vôo e Syahne se sentiu como se
sempre tivesse feito viagens do gênero. Nem medo, nem curiosidade,

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.60


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 61 de 109

apenas interesse em relembrar. A viagem que durou horas em anos


terrestres, neste plano eram apenas segundos. A chegada foi
literalmente uma materialização no nível quinto daquela dimensão,
dentro de uma gigante plataforma de formato redondo, com uma cúpula
central. Os diversos raios permitiam um grande número de naves. O
salão central servia de sala de espera, não para aguardar o próximo vôo,
mas para a alinhagem dos corpos.
Syahne se sentiu bem e Jahnion estava mais do que acostumado.
Ambos foram então ao próximo salão de onde partiam as pequenas
naves para os diversos eventos musicais que aconteciam o tempo todo
no Planeta Música.
Chegando ao Evento Nove, constataram se tratar de um amplo modelo
de criação musical por escalas indefinidas. O grande desafio nesta ala,
era criar algo sem ter um parâmetro exato ou fixo e com isto criar novas
estruturas musicais.
Um grupo se apresentou tocando instrumentos curiosos, mais
lembravam microfones do que instrumentos, ou flautas curtas, mas de
uma sonoridade impressionantes. Provinham de uma região distante,
do lado oposto da Terra. Por alguma curiosa coincidência, Syahne
percebeu que este Grupo tinha algo a ver com seu Grupo e por isto
decidiu ver como poderia usá-los como instrumentos de inspiração.
Os instrumentos eram monitorados com uma espécie de fios que saiam
do tal do microfone. Um segurava o aparelho e outros dois, um em cada
ponta, manipulavam os fios à distância, enquanto o do meio tinha uma
função de regular ou sincronizar os fios.
Era algo curioso e muito harmonioso. A musica era extremamente
suave e aguda, mas sem ferir os ouvidos. Uma profunda harmonia se
desdobrava em cada célula do corpo . Parecia mesmo que ela tinha uma
função de unificar forças, de reunir o elemento forma com o elemento
informe.
O espaço também propiciava um estado contemplativo: o salão de um
azul raro na Terra, algo como o azul do Nilo, parecia respirar! E as

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.61


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 62 de 109

poltronas de um veludo intenso, ajustavam o corpo sem produzir


cansaço ou sonolência, mas uma intensificada concentração.

Syahne, sussurou Jahnion, olha aquele Ser bem nos fundos, a sua
direita? Ele não lhe soa conhecido?
Syahne olhou e de repente teve um salto de memória. Não para o
passado, mas sim para o futuro. Foi isto que lhe veio à mente.
Jahnion intuiu esta revelação e ambos ficaram olhando o ser, tentando
entender o que teria a ver com eles.
De repente Jahnion teve uma visão intra-sistêmica, ou seja, viu-se
projetado em um sistema solar binário, no qual apenas viviam seres
binários, polarizados inversamente.
- Isto mesmo, pensou tão alto que Syahne saiu de seu estado de
concentração para saber o que Jahnion tinha descoberto.
Este Ser Syahne, somos nós dois no futuro.
- Tem certeza Jahnion? Achei que eram parentes de outros sistemas,
parentes de alma, de mônada ou algo similar.
- Mas isto não descarta o que intuiu Syahne. Pelo contrário,
complementa. Pois se no futuro podemos ser um Ser, então é porque
nossas Almas ou Mônadas tem algo em comum de uma maneira
incomum.
- Até faz sentido. Mas porque isto teria alguma importância neste
momento?
- Boa pergunta. E se fôssemos até ele e perguntássemos?
- Boa idéia, disse Syahne animada.

Mas as circunstâncias foram melhores: um pequeno intervalo tinha sido


anunciado e todos se dirigiram para um amplo pátio, contendo uma
espécie de esteiras para se deitar e apreciar o céu de um tom safira
extasiante.
- Vamos Syahne, ele está indo naquela direção.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.62


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 63 de 109

Chegaram perto e o Ser se virou e sorriu. Um sorriso enigmático,


profundo. Tinha a pele azulada e os olhos intensamente profundos,
azuis, mais enigmáticos que o sorriso. Trajava uma espécie de túnica
curta, um cinto e uma calça extremamente alinhada, de corte, reto, sem
dobras, e tudo em tons dourados muito discretos. Os cabelos, de um
tom dourado escuro, caiam sobre os ombros, sóbrios, perfeitos.

- Sou Lyohan! Disse mental e nitidamente.


- Prazer, sou Jahnion e esta é...
- Syahne, suponho, disse Lyohan sorrindo.
- Sim, perfeito... mas como sabia?
- Assim como vocês sabem quem sou, eu sei quem são vocês. Como
poderia ser diferente?
- Bom, isto facilita tudo, disse aliviada Syahne.
- Foi providencial este encontro na ala da música, pois nosso futuro
terá algo a ver com a música, por isto fui convocado a vir do futuro para
este presente deslocado, disse Lyohan com naturalidade.
- Explique um pouco mais a questão da música, pediu Jahnion. Syahne
e eu temos ambos um certo bloqueio em relação a este aspecto e isto
parece contraditório.
- De fato, a contradição é apenas aparente e justo em função do futuro.
Teremos que criar um organismo biológico que se comunicará via
musica, mas não só por meio da fala, mas ele todo vibrará música em
cada um dos diferentes níveis: físico, extrafísico, suprafísico.
- Parece incrível, disse Syahne. Seres-Instrumentos? E não mais Seres-
Bibliotecas?
- De fato Syahne é exatamente isto. Por que você acha que a música
sempre lhe despertou êxtases quase que cósmicos, a ponto disto se
tornar seu bloqueio para expressá-la em um objeto musical?
- Então é isto? Agora eu entendi: por pressentir que um objeto material
sem consciência jamais poderia reproduzir escalas altamente sutis que

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.63


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 64 de 109

eu conseguia pressentir, eu tinha o sentimento de impotência perante


um instrumento musical, ou então de algo limitador.
- Exato Syahne. Veja, o mesmo sentia Jahnion, mas ele não deu tanta
importância ao fato e por isso não tem sofrido como você. Tem sido um
sofrimento bem orgânico, algo como uma dor distante, estou certo?
- Totalmente. Que impressionante. E como vamos poder nos
transformar em instrumentos vivos? E o quê este congresso
intergaláctico tem a ver com isto?
- Acho que entendi, interrompeu Jahnion seu silêncio. Seres musicais
terão que ter uma grande experiência de vida, a ponto de não unirem
apenas seus opostos em um só ser, mas todos os opostos da vida. E
então serão capazes de expressar a Harmonia.
- Perfeito Jahnion, disse Lyohan. Só tem um detalhe a completar: estes
seres musicais terão a delicada tarefa de harmonizar freqüências em
certos planos, contribuindo para a Harmonia Cósmica. Este evento
intergaláctico é a conclusão de uma grande experiência e alguns seres
alcançaram tal nível de harmonia que podem optar por usar esta
harmonia, transformando-se na Harmonia expressa em sons. Existem
outros meios de expressar a harmonia, mas os sons têm um poder
especial no sentido de atacar ou atingir a essência, outros métodos
lidam mais com aspectos externos.
- E agora que nos conhecemos e sabemos de nosso futuro próximo, o
que faremos “conosco”?
- Agora vamos iniciar uma etapa de unificação subjetiva. Primeiro via
mente, acostumando-nos com a idéia de virarmos Um, ou Três em um,
sendo que sempre predomina um pólo no aspecto físico, mesmo que
este físico seja bem menos físico que o da 3ª dimensão.
- Acabo de entender mais uma coisa, disse de repente Syahne: neste
intervalo de três dias, cada um se dirigiu ao local onde vai poder usar
de sua experiência de acordo com sua vibração, certo?

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.64


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 65 de 109

- Sim, exatamente isto. Poucos tiveram dúvidas, a maioria foi como com
vocês. Logo sabiam para onde queriam ir. E lá se encontram fazendo
suas experiências.
- Bem, mas aonde, digo, em que plano ou nível Você... digo nós...via
você vivemos no futuro? perguntou Syahne bastante confusa com a
situação um tanto incomum, mas nem tanto, para quem viveu, leu e
sabe que nada do que se imagina é impossível. O fato de se poder
imaginar algo é porque isto é possível.
- Trata-se do 7º subplano do 6º nível ou dimensão se preferir. Quando
nos unirmos, vamos viver no 1º subplano do 7º nível. A matemática
cósmica não permite desperdícios e isto significa que cada número tem
seu valor e sua qualidade dentro de cada plano. O 5 no plano terreno
tem um valor, aqui bem outro, e onde que vivo outro ainda. Isto não é
novidade, o novo é a forma de interpretar ou a capacidade de
interpretar cada número de forma plena em cada uma de suas
dimensões, ou capacidade de expressão. Na verdade os números de 1 a
9 expressam todo o compêndio cósmico. As adições, subtrações e
multiplicações são apenas ferramentas para dinamizar cada um deles,
de forma quase que infinita! Por isto, são loucos os que consideram fácil
interpretar a dimensionalidade dos números matrizes, ou seja de 1 a 9.
E para entender a complexidade de qualquer fórmula, é preciso saber
reduzí-la a um número. Na Terra, de onde vem Syahne, calcula-se o
caráter de uma pessoa baseada no número. Isto faz sentido. É preciso
reduzir tudo a um número e saber interpretá-lo à luz da consciência
daquele indivíduo. Oras, só posso interpretar algo dentro do meu nível
de consciência, portanto, numerologia na Terra é algo bastante parcial.
Somente um iniciado pleno saberia interpretar o número de um ser
humano de forma plena, mas de que adiantaria isto, se o tal do ser
humano vive seu número, digamos numa faixa 3? O que ele faria com
informações da faixa 6 ou 7? Nada.
- O que é um iniciado pleno em seus conceitos? perguntou Syahne
curiosa.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.65


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 66 de 109

- Bem, se isto fosse tão simples de explicar, não haveria mais mistérios.
Mas vou expor o suficiente para Você poder supor o resto. Um iniciado
pleno é para o planeta Terra uma coisa, e para o Hummo bem outra.
Sendo que o planeta Terra possui a curiosa variável, de conter muitas
variáveis em sua fórmula de expressão humana. Ou seja, via Terra
podem-se alcançar diversos níveis de compreensão sobre o Criador, a
Criação e a Criatura. Em outros planetas, tal compreensão é bem mais
limitada devido a sua linha evolutiva escolhida.
Portanto, um 5 na linguagem da Terra, é algo muito complexo e
somente um iniciado pleno saberia definir na Terra e para a Terra, a
complexidade dele. E neste caso, este iniciado pleno, seria um ser
integrado em suas modalidades de consciência. Ou seja: ele teria
subjugado a razão humana natural à razão divina e isto é mais do que
um treino, isto requer um preparo veicular de muitas existências. Pode-
se adquirir poderes extrassensoriais, mas isto é brincar de escolinha de
mistério. E é o que a maioria na Terra ainda prefere, pois são almas em
plena maturação. Uma verdadeira escola de mistérios sempre antecipa
num ser em uma vida, um estado de plenificação alcançado via
existência natural em muitos milênios. Não se pode forçar, no entanto
um estado de ser, mas pode-se antecipar sua maturação, intensificando
sobre seu átomo divino, luz divina. Mas onde encontrar um campo que
concentre a luz divina? Poucas almas estão maduras para atrair luz
divina suficiente, para ocorrer uma auto-iluminação, tal como
aconteceu com Buddha no Planeta Terra, ou mesmo do recente Ramana
Maharshi, ou de Meister Eckhart, entre outros. Foram almas maduras,
prontas. As demais terão de buscar o apoio de um verdadeiro iluminado
ou de uma escola iniciática que realmente concentra parcelas de luz
divina em seus templos consagrados. E isto na Terra é raro.
- Desculpe te interromper de novo, mas me chamou atenção sua ênfase
nas palavras “verdadeiro iluminado”. Podem existir falsos iluminados
então?

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.66


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 67 de 109

- Sim Syahne, sendo bem simples e objetivo. Veja, uma personalidade


se esvai com a morte, mas não o extrato da experiência dela que fica
registrado em um corpo veicular extremamente complexo, pois este deve
conter não somente as experiências de cada personalidade que ele
adotar, como também ter espaço para abrigar o átomo divino, o tão
difamado espírito, que é o fator aglutinador. O que ocorreu com o que
muitos designam de queda? Num segundo plano, esta foi nada mais do
que o extrato das experiências vividas se transformarem numa espécie
de eu superior, resultado das inúmeras personalidades, conforme relata
a sabedoria universal. Este eu superior (também sinônimo de alma
humana ou terrena), numa alma bem vivida, é bem sábio, forte,
luminoso, e muitos místicos e misticóides e demais casos que denotam
algum desvio, experenciaram uma união do atual eu (inferior) com seu
eu superior, e se dizem iluminados! Porém, para quem possui um
mínimo de conhecimento espiritual real, sabe diferenciar. Pelos frutos
conhecereis a árvore! O mal entendido maior tem ocorrido, porque
muitos sábios do planeta Terra utilizam para átomo ou centelha divina,
também o termo eu superior. E muitos praticam a entrega para o eu
superior e não para a centelha divina. São vítimas inconscientes.

A verdadeira iluminação, portanto, é algo muito raro ainda sobre a


Terra, devido a densidade do planeta que sempre vai considerar a
matéria como a parte mais importante da Vida. E isto densifica a
consciência e com ela a personalidade, que ao invés de servir de veículo
de expressão do espírito, tornou-se a servil prestadora de serviços de
seu eu atual, com seus genes de raças, crenças e demais dados
culturais, e do seu eu superior, sempre disposta a realizar o próximo
desejo dos seus amos!

Falando em amo, isto me lembra de Jahnion e do seu planeta de


origem, Hummo. Lá a dificuldade reside em se desligar do enorme
conhecimento acumulado! São mestres cósmicos na arte de entender as

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.67


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 68 de 109

leis que regem os universos criados! Assim cada planeta possui sua
prova, sua dificuldade de libertar as asas presas em algum sistema e
voar. Porém, à parte disto, a Terra possui o agravante (que é, ao mesmo
tempo, fator positivo para muitos processos inimagináveis à mente
terrena comum), de ser parte dos “mundos de queda”. Hummo não faz
parte e muitos outros não. Eles não são por isto mundos perfeitos,
apenas não possuem a dualidade expressa em dissonância, porém,
possuem suas provas e seus processos iniciáticos. Na Terra, muitos
tentam criar asas artificiais via exercícios e mil e umas artes místicas
ou ocultas. Mas estas asas não alcançam os etéreos mundos eternos, e
sim somente mundos etéreos, sutis, de dimensões variadas. Somente as
asas do espírito imortal, do átomo divino, podem voar nas etéreas
regiões eternas e respirar o hálito original. E somente o divino pode
tocar o divino. Somente o divino pode acordar o divino. Somente o
divino pode entender o divino, portanto, uma verdadeira escola
iniciática é fruto de mãos humanas sim, mas de almas que pela sua
pureza, puderam servir de antena para ancorar a energia divina e
concentrá-la em seus templos e mantê-la! Estes templos são
verdadeiros berçários aquecidos pela energia-luz-divina, onde nascem
homens-anjos! Não sem luta, não sem esforço consciente por parte da
personalidade terrestre no caso, mas impossível sem a força divina
concentrada! Nos últimos anos, contudo, devido a aproximação da
Grande Mensagem, houve uma intensa liberação de energias divinas
para todos os recantos do Universo e, por, isto, mais do que nunca, está
ocorrendo um grande salto na evolução espiritual de modo geral,
independente se o ser está vinculado a um grupo, religião ou escola.
Basta a alma estar madura e aberta! E isto é fruto da Grande Graça que
foi concedida neste final de uma Era e o início de uma outra.

Syahne e Jahnion sentiram um imenso desejo de ficarem junto desse


Ser que personifica ambos no futuro. Entenderam que no universo,
regido por uma inteligência divina, as matrizes existem sempre antes do

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.68


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 69 de 109

corpo ou da concepção. Entenderam, que aquele ser era um projeto


vivo, uma matriz de algo que ainda iria se materializar. Como a planta
de uma casa, mas no caso, em imagem holográfica real!

- Vamos andar um pouco! Sugeriu Lyohan com seu porte naturalmente


majestoso. Era difícil permanecer ao seu lado sem querer se fundir nele.
A atração era quase que irresistível, tal magnetismo exalava desta
Unidade de polaridades vivente.
Lyohan igualmente sentia saudades de suas futuras matrizes e num
gesto de afeição genuína, abraçou a ambos e assim andaram, como
uma espécie de ensaio, mas também para uma interação molecular
mais direta, pois as energias se fundiam com mais facilidade e
intensidade pela aproximação veicular dos seus corpos sutis. Um
veículo é sempre um meio de interagir em algum campo ou estado
material. A mente humana, portanto, é um veículo ainda em fase de
construção final, para servir um dia de expressão perfeita para o
espírito eterno.

De repente Lyohan teve uma idéia:


- Sei de uma plataforma que não fica longe daqui, onde poderíamos
fazer uma espécie de experiência de nosso futuro estágio existencial.
Vocês concordam em perder o próximo evento e fazermos a experiência?
- Sim, responderam Syahne e Jahnion como que combinados, em uma
só voz. Se dependesse deles, não queriam mais se afastar de Lyohan.

Apressaram-se, mas sem afobação, pois pressentiam que teriam, como


sempre, o justo tempo disponível.
Chegando na plataforma de alinhamento molecular, entraram os três
mas não sem antes monitorar um pequeno módulo, onde estava
simbolizado o destino.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.69


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 70 de 109

Em poucos segundos se encontraram os três dentro de um imenso


laboratório espacial. Era tão evidente que nem foi preciso questionar.
- Mas onde fica este laboratório Lyohan? Perguntou a sua curiosa
contraparte Syahne.
- Dentro de um corredor intercósmico, pois só nesta área existe uma
faixa de freqüência necessária às experiências aqui realizadas.
E agora vamos nos dirigir a recepção e fazer uma solicitação para uso
das cabines dinamizantes.
Após terem feito uma espécie de raio X de suas estruturas atômicas, os
três foram rumo às cabines.
Mais pareciam tubos holográficos. Não tinham paredes físicas, mesmo
para este plano extrafísico a nível terreno, pois é sabido que cada plano,
por mais sutil que seja, confere sentido de corporeidade aos que nele
habitam. Exemplo bem simples:
- Quando se sonha na Terra, os sonhos parecem reais não é assim? O
sabor é real, a cor, o medo, a felicidade, os objetos. Bem, assim é de fato
tudo. Todas as dimensões, por mais imateriais que sejam se
comparadas com a 3ª dimensão, a mais densa, em todas pode-se
sentir o nível material daquela dimensão e por isto, tudo parecer real,
por isto se diz com justa na razão, que após a morte terrena, ainda se
sentem cheiros, toques, na dimensão em que agora se encontra o ser.

A cabine para a experiência estava no final do corredor e era maior que


as outras. Os três entraram e Lyohan concentrou todo seu pensamento
na unificação! O Um tinha que ser sentido profundamente por ele.
Syahne e Jahnion tinham que sentir o vazio. Se sentirem vazios.
Quando foi iniciada uma espécie de contagem regressiva por meio de
luzes, foi como se o espaço tivesse engolido as formas sutis do presente
e as integrado na matriz pronta do futuro. Foi uma aquisição e não uma
corporificação.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.70


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 71 de 109

Lyohan sentiu-se pleno de consciência UM. Não mais distinguia quem


era quem. Tinha apenas a consciência do que havia ocorrido. Podia se
recordar de Syahne e Jahnion, mas era como lembrar de um sonho.
Não parecia mais real depois de acordado.
Syahne e Jahnion tinham perdido toda a consciência de si como
individualidades. Apenas sentiam uma grande plenitude em seu novo
estado de ser.

Aos poucos o efeito parou e os três voltaram a se sentirem


independentes, embora, agora, bem mais unidos.

- O que acharam? Perguntou Lyohan a ambos.


- Acho que vai ser mais fácil perguntarmos o inverso - disse rindo
Syahne - pois perdemos a noção de individualidade; digo isto com tanta
certeza, porque Jahnion igualmente não se lembra de nada, apenas que
deve ter sido algo maravilhoso, pois sinto em nós dois um novo hálito,
como se tivéssemos recebido um elemento eletroquímico a mais.
- Concordo com Syahne, a diferença é que por ter polaridade positiva,
pude preservar em algum centro, um foco, que não gerou consciência
de individualidade, mas como se fosse uma capacidade de ver o que
acontecia... acho que é como os animais: eles vêem, mas não podem
expressar idéias, pensamentos ou terem consciência sobre o que vêem.
Apenas podem reagir.
- Perfeito, disse Lyohan. É isto mesmo. Acho que fizemos um grande
progresso com nosso experimento.
- Mas, e Você Lyohan? Como foi a sensação?
Ele olhou ambos nos olhos, queria ter a certeza que desejavam saber
por que desejavam viver tal estado. Então repassou tudo que sentiu via
descargas eletromentais para ambos ao mesmo tempo.
Syahne suspirou como se tivesse recebido um choque elétrico e Jahnion
dilatou as pupilas como se tivesse visto algo incrível.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.71


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 72 de 109

- Entenderam agora porque não posso falar sobre a experiência e sim


apenas repassar para Vocês sentirem?
- Sim, sim, disse Syahne. Tão claro como a luz do sol, eu entendi que
isto seria como Você querer nos explicar o sabor do amor, ou de uma
fruta diferente. Só sentindo para saber, a fruta pelo paladar da língua e
o amor pelo paladar do coração, disse Syahne inspirada.
- Exatamente Syahne. A comparação é perfeita. Na verdade o amor é o
sentimento de união, de unidade. Este estado é uma maneira ainda
rudimentar de viver a unidade, mas se aproxima mais do que vivendo
em dualidade em termos de polaridade, entendem?
- Sim, perfeitamente. Homem e mulher são símbolos das polaridades.
Quanto mais evoluído o planeta e a alma-mônada, mais próximo da
união dos pólos. Claro que há almas-mônadas perfeitamente integradas
antes de completarem esta etapa, mas isto não é a grande regra.
- Explique melhor, pediu Lyohan a Jahnion, pois que para ele Jahnion
era sua parte pensante.
- Cada planeta evolui dentro de certos modelos. A união da alma com a
mônada é um grande salto na vida de seres como os da terra. Neste
exemplo a alma seria a contraparte feminina e a mônada ou o espírito a
contraparte masculina. O masculino absorve o feminino e o integra. O
conflito cessa, a harmonia torna-se vivente. Você é a casa onde a
Unidade vai viver. Como a personalidade terrena é a casa da alma e do
espírito. Porém, uma casa autoconsciente sempre corre o risco de não
cooperar com o plano. Ela se vale dos atributos da alma e os usa para
viver a vida como se fosse ela a razão da existência, e não apenas um
instrumento inteligente.
Isto não poderia ocorrer contigo, pois que sua autoconsciência vibra em
planos superiores. Seu sonho não é viver a individualidade, mas a
unidade! E hoje realizamos seu sonho por alguns momentos. Nós somos
seu sonho.
- Muito bem explicado, Jahnion. Depois desta exposição acho que
podemos retornar ao nosso congresso. Vocês vão ficar surpresos com a

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.72


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 73 de 109

variedade de experiências que cada um trará para a conclusão do


evento. Nós somos apenas um grupo deles.

Syahne sentiu-se segura e protegida em meio a este clima de profunda


comunhão e sugeriu regressarem via módulo sul, pois por este canal,
poderiam avançar no tempo e presenciar o nascer do sol do sistema
solar de Allyante.
Todos concordaram e iniciaram o deslizamento até a plataforma sul.
Em alguns instantes encontravam-se reunidos sobre algo que lembrava
um grande platô de pedras. Embaixo um vale imenso, com um lago que
refletia o nascer do sol como que num gigante espelho natural.
O grandioso espetáculo estava tendo início. Uma imensa esfera
cintilando cores variadas quebrou a noite cósmica e pintou o espaço
com as luzes mais incríveis já vistas.
Os três não disseram uma palavra. Deixaram-se iluminar por aquele ser
cósmico de luz no mais profundo silêncio interior.
Foram talvez minutos terrestres ou horas, a sensação, porém, foi de
eternidade.
Revigorados e como que abençoados por este momento, os três
sincronicamente retornaram ao pequeno aparelho que os tinha levado
até este lugar e este os conduziu até o hangar central do planeta Ollvya.
De lá tinham condições de regressarem via corredor para a estação
central.

Lyohan olhou a volta para ver se reconhecia seres que também tinham
se proposto a tornar instrumentos vivos. De longe viu um pequeno
grupo e pelas vibrações, pode sentir que eram afins. Todos se voltaram
para ver de onde vinha o elemento harmônico. E então vieram ao
encontro de Lyohan.
- Salve, disse um dos seres. Somos do sistema solar de Allyante e vamos
integrar a equipe dos seres-instrumentos.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.73


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 74 de 109

- Oras, e isto não nos surpreende, porque acabamos de visitar seu


sistema solar.
Todos sorriram porque compreenderam que a sincronia não existia por
acaso e nem por caprichos pessoais, mas por ressonâncias cósmicas
inteligentes, para garantir a harmonia do todo.

A segunda etapa do Congresso Cósmico

Tinha sido difícil a despedida de Lyohan. No entanto, algo agora os


mantinha mais unidos, e este algo inexplicável dava-lhes forças para
continuar e ver no que daria este singular evento cósmico.

Voltarem pelo mesmo modo como foram e chegaram em tempo de se


refazerem com um coquetel verde, altamente revigorante; supunham ser
o extrato das várias plantas dos vários planetas. Syahne só conseguia
imaginar o nome mágico e mítico de Almíscar para definir um sabor tão
incomum e, no entanto, tão saboroso.
- Claro, disse Jahnion rindo. Deve ser a bebida da alma este almíscar!!
Syahne riu muito da feliz comparação e achou que tinha que ter até um
fundo de verdade nisto, afinal, estar numa plataforma de cristal puro,
acabava revelando mais do que jamais seria possível em outro ambiente
quanto a sua força, tanto em relação aos seus elementos, como quanto
a sua forma.

Aos poucos todos retornaram ao grande Salão Ovalar.


Syahne e Jahnion conseguiram sentar juntos sem problemas e isto os
alegrou, porque agora se sentiam parte inseparável do grande Treze.

Uma música altamente sonora em termos de escalas harmônicas,


ressoou no ambiente e um jogo de cores transformou a música em um
espetáculo visual e auditivo de extrema beleza. É como se cada nota

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.74


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 75 de 109

ressoasse no cristal puro e o devolvesse em uma gama de cor. Foi algo


único!
Todos estavam novamente presentes, com as mentes, e isto foi mesmo
a intenção do som aliado à cor. Um casamento bem harmônico.

- Salve a todos!
Esperamos poder concluir a segunda etapa deste gigante evento.
Com suas experiências registradas em suas moléculas, vamos poder
extrair o material para formatar os moldes do que vai ser a terceira
etapa do Grupo Treze, disse o Relator, abrindo a segunda parte do
congresso, relembrando que a primeira foi a experiência pessoal de
cada, a segunda foram as conclusões gerais já apresentadas e agora
vamos à terceira.
Solicitamos as presenças dos grupos conforme sua experiência nestes
três dias.

O primeiro grupo, os Seres Músicas se apresentaram perante o


conselho presente.
Eram quatorze ao todo. Um número que facilitou enormemente a
plenificação do trabalho.

- Percebemos que todos Vocês entenderam nestes três dias a que grupo
pertencem em relação a um futuro bem próximo.
No entanto, a cada evento como este, temos como meta e como exemplo
um planeta como start. Este evento escolheu o distante e parcialmente
desconhecido planeta Terra como o deflagrador da nova etapa.

Syahne olhou surpresa para Jahnion e este sorriu satisfeito, pois


antevira tal fato, em função da grande complexidade deste pequeno e
curioso planeta.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.75


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 76 de 109

- Solicitamos a presença da representante da Terra para efetuarmos


uma singela homenagem!

Syahne olhou em volta como que buscando mais alguém, mas, para sua
nova surpresa, ela era a única presente. Era sua esperança encontrar
mais alguém, mas de fato, não cruzara com ninguém que lhe inspirasse
ser da Terra até então.
Um tanto decepcionada foi até o espaço central e receber das mãos do
Dirigente um Halo Azul que vibrava uma luz intensa.
- Syahne do Planeta Terra. Receba este Halo Azul como símbolo do belo
Planeta Azul do qual procedes!
Saiba que honramos muito os seres que decidem viver na Terra, seja
qual for sua procedência, pois a Terra exige um tributo muito alto, justo
para seres que optam por nascer neste planeta de forma livre e
espontânea, e mais ainda, se é com o intuito de ajudar.
Desejamos aproveitar este momento para expor algo aos presentes, que
guardamos como uma espécie de surpresa, se é que todos entendem
esta palavra tal como é entendida na Terra.

Syahne há muito vinha notando em sua vida caótica, uma ordem


subjetiva peculiar.
No início não queria acreditar, justo por ter sido obrigada a perder toda
e qualquer noção de sua vocação, ela demorou mais que o normal para
reconhecer o que vinha pressentindo.

A Terra é mais do que um simples Planeta como muitos o são e isto é


algo novo para muitos. Syahne recentemente vem sendo confrontada
com tal revelação de diversas fontes, inclusive de livros antigos e de
fatos bem atuais, justo para poder compreender o grande valor de suas
inúmeras reflexões acerca da melhor forma de uma consciência adquirir
status de liberta.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.76


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 77 de 109

Absorta em seus pensamentos, Syahne previu o que vinha sentindo


desde que chegara à Plataforma de Cristal:
- que Cristo tinha sido mais do que um mestre de alta categoria, mas
sua passagem na Terra tinha uma função ainda desconhecida para a
maioria dos terráqueos e de outros planetas e sistemas, mesmo porque,
poucos ou nenhum outro planeta tem a curiosa função do planeta
Terra: reunir todos os estágios de consciência! Faz um tempo que isto
vinha sendo motivo de reflexão em relação aos métodos de plenificação
do ser.

- Ressaltamos que o Planeta Terra está em vias de liberar seus


resultados. A princípio parecem de má qualidade, pois que a Vida vivida
na Terra se assemelha a viver num hospício cósmico. (Todos sorriram,
pois entenderam de forma holográfica esta idéia).
De fato, não existe experiência mais chocante do que a viver na Terra
em termos
a) da violência física
b) da violência moral
c) da violência intelectual
d) da violência científica
e) da violência religiosa
f) da violência familiar/social
g) da violência como casal

Enfim, poderíamos usar o adjetivo violência para tudo que ocorre no


Planeta Terra.
Há planetas em que opera dois, no máximo três gêneros de violência,
mas na Terra a gama é total e isto se explica porque neste Planeta se
permitiu viver qualquer experiência de forma plena! Sem
interferências cósmicas a princípio, justo para observar os limites da
liberdade das almas; quer dizer, para observar sua falta de limites.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.77


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 78 de 109

Syahne , como muitas almas, tem sofrido terrivelmente justamente


por constatar este absurdo:
- na Terra, tudo é possível! Não há limites. É como um hospício
mesmo. E cada um se sente dono da verdade.
E de fato: cada consciência possui sua visão quanto a verdades
morais, sociais, espirituais, etc.
E como dizer que estão errados se no planeta Terra toda forma de
consciência deve viver sua verdade? Nasce-se com o direito de vivê-la
impressa em suas bio-lógicas células-chips!!!

Syahne respirou fundo. Pela primeira vez se sentiu compreendida e


compreendeu suas crescentes angústias na Terra e a de muitos
terráqueos sensíveis.

- Podemos sentir o alívio de Syahne diante do revelado e a surpresa


da maioria aqui presente. Não fazia mesmo parte da vida de cada um
de vocês terem noção da singularidade do Planeta Terra. O grande
sucesso do Experimento-Terra se deve exatamente por ter sido
velado seu propósito último.
Digamos que ele representa para este Universo o laboratório
alquímico por excelência. Aliás, para vários Universos. Por isto tanto
interesse neste pequeno Planeta. É como se para ganhar um status
quo melhor no Universo, é preciso ter feito pelo menos um estágio no
Planeta Terra.
Por isto tanta disparidade, tanta controvérsia, de um lado encarna o
Regente do Universo na Terra, de outro lado ocorrem violências
absurdas... Imaginem que num laboratório cósmico tudo é
permitido, até o momento em que os próprios habitantes do
Laboratório não concordem mais com a experiência. Ou que se
extraiu o experimento tão desejado.
E qual foi este experimento para o qual a Terra tem sido usado?
- Antes de prosseguir, vamos a uma pequena pausa.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.78


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 79 de 109

Iuhanne veio ao encontro de Jahnion e Syahne e os cumprimentou


com um ar de satisfação.
- Jahnion! Como tem passado? Disse em tom familiar!
- Conforme as ocorrências cósmicas o permitem minha fiel
confidente! Disse Jahnion sorrindo enigmaticamente.
- Vejo que nossa Syahne está um pouco atordoada com esta nossa
familiaridade... mas neste contexto também isto deve ser revelado,
por isto a minha aproximação.
- Oras, quantos mistérios que de repente aqui, neste centro convexo,
se revelam sem mesmo serem solicitados. No passado tanto
supliquei... disse Syahne e parou porque sentiu que todos podiam
ver, ler ou sentir sua busca intensa por respostas às tantas
perguntas! Mas também ela não queria mais explicar.

- Syahne, sabemos de fato sobre tua busca, pois ela foi a tua chave!
Mais do que uma chave, foi o teu propósito de vida. As pessoas na
Terra, por ser um planeta denso, classificam de propósito de vida
saber lidar com a matéria. De fato a Terra, por sua natureza densa,
exige tal, mas por que isto é algo natural, pela sua materialidade.
Esta energia arrasta milhões cegamente em sua corrente magnética
natural, mas nem por isto ela faz algum sentido maior ou melhor,
matéria pela matéria. Porém, ela como suporte, como veículo, é um
bem precioso e altamente indispensável para o desvelar de várias
etapas de seres como os humanos.
Jahnion tem sido seu registrador, seu tutor e seu grande e secreto
amigo! Talvez isto não sirva mais de consolo agora, mas ambos
temos acompanhado a sua luta por respostas. Você foi igual uma
pioneira num sentido bem diferente e simbólico em relação a sua
grande pergunta:
- qual o sentido último do ser humano ter sido criado?
ou:

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.79


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 80 de 109

- qual o sentido máximo?


Sim, Você percebeu muitas coisas e aprendeu outras tantas e nós,
mais perplexos do que Você, sentíamos nos maravilhados ante a
complexidade que um ser humano tem que se submeter para poder
entender a chave de sua existência.
Sentimo-nos, tantas vezes, como pais impotentes, como professores
absolutamente ineficientes para poder lhe dar uma orientação em
algum momento de fortes confrontos internos, os quais passaram a
ser rotina em sua Alma Peregrina. E então Você nos surpreendia,
pois tal qual uma Fênix de fato, Você se erguia de sua marcha,
tomava um banho, ouvia uma bela música e voltava ao campo de
batalha. Jamais foi registrada a luta de uma mulher deste quilate,
sem ter nenhum apoio, nenhum amparo, nenhuma âncora, sempre
disposta a largar e recomeçar e rever, e repensar. Sentimos vertigens
com a intensidade de sua busca. Sentimos gratidão, quase
veneração, pois percebemos a vastidão de sua alma; parecia ser
infinita. Mas mais do que sua busca que nos impressionou, foi sua
conduta nesta busca.
Sempre acompanhada pela ética, pela estética, pela alegria! Suas
fiéis companheiras. Mesmo em meio a situações de desespero, de
grande dor, de grande tristeza, nas situações mais absurdas e
incomuns, onde qualquer outro teria perdido seu porte. Isto Syahne,
moldou no universo de Anahlya, um novo tipo de ser humano. Esta
foi sua contribuição.
E se revelo a ti esta majestosa trajetória aqui e agora, é porque no
grande salão Áureo o seu resultado será medido em termos gerais,
sem considerar sua pessoa diretamente, mas todos terão noção de
que Você foi a grande protagonista. Todos sentirão sua forte aura
magnética de cor de um azul intenso e profundo... tão intenso e
profundo quanto as noites...na verdade Syahne, seu manto aural é
bordado por milhares de diminutas estrelas cintilantes...sua alma é

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.80


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 81 de 109

percebida em várias dimensões neste universo e em outros, porque


registra uma experiência praticamente única.
Sua força atrai magneticamente muitos buscadores cósmicos por
respostas altamente complexas em relação a vida. Não no sentido
científico, nem metafísico, mas em relação às lutas travadas no
coração, este misterioso órgão com tantas facetas quantas as de um
diamante.
A sua vida aparentemente caótica, sem nexo, com muitos empregos,
em diferentes países, sentindo-se estrangeira em todos os lugares –
esta dor de sentir que não pertence a lugar nenhum sobre a Terra e
não sentir ninguém do imo como parente de verdade. Esta dor de
não sentir desejo algum por nada, a não ser pela busca da razão da
existência. Mas de ter que parecer normal, trabalhar, cozinhar, se
relacionar... esta vida tão comum e que vista de fora parecia mais de
alguém absolutamente incapaz de viver de forma harmoniosa no
sentido humano, foi justo esta vida sua assinatura e sua prova de
sua busca. Você nunca vendeu sua alma para nada da Terra, e, o
que mais nos causou surpresa:
- Seu amor pelos terráqueos e pela própria Terra, que nem é seu
planeta de origem! Isto não apenas nos surpreendeu, mas nos deu a
dimensão de seu coração. Medimos as freqüências dele e nos
prostramos em adoração secreta por tua alma.
Sim, Syahne, na Terra você passou completamente despercebida,
mas no Universo sua trajetória está plenamente registrada e mais:
servirá de protótipo para uma nova raça de almas! Sim, eu disse de
almas, porque toda esta sua força vem de sua alma, que tem se
submetido, tal como na Terra, no Universo a algumas experiências
singulares.
Veja Syahne, talvez tudo isto lhe cause assombro e espanto, afinal,
aquilo que se é, se vive naturalmente. Sua vida para ti foi óbvia... e
não lhe pareceu tão especial, antes uma grande dor de não descobrir
plenamente sua resposta a sua última pergunta.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.81


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 82 de 109

Uma águia não se surpreende com suas habilidades, nem um leão


com as suas e a maioria dos seres humanos possuem algumas
qualidades específicas e estas então em algum momento se
sobressaem no planeta gerando a tal da popularidade. Mas não é
seu caso, nem era sua meta se sobressair desta forma.
Pois de fato, seu projeto de alma era altamente secreto e só poderia
permanecer como tal, se você nunca viesse a ter algum tipo de
popularidade, pois isto denotaria que você estaria altamente
envolvida em algum aspecto humano, a ponto de não podermos mais
ler no livro de sua vida, tal como foi dito no início. Estas páginas se
colariam, pois a matéria é altamente densa e colante.
O seu maravilhoso caos pessoal, foi um grande mini laboratório
alquímico para sua alma. Foi tão fértil que ultrapassou as nossas
expectativas. Você se envolveu de tal forma com seu próprio
mistério, sua própria complexidade, sim, você quase se apaixonou
pela sua própria profundidade! E isto gerou um húmus que ninguém
podia prever e fecundou inúmeras facetas em sua alma que
brotaram prontamente e refletiram um jardim tão variado que não
imaginávamos possível. Um dia Você querendo explicar sua
complexidade para si mesma, definiu-se como a mulher de Treze
Almas... treze foi modesto, foi apenas simbólico. Em sua alma estão
registradas vivências terrestres e extraterrestres e intraterrestres que
se fossem somadas, dariam um compêndio. Uma enciclopédia. Por
isto Syahne Você inclusive adora ler enciclopédias... enfim tudo que
de alguma forma alimenta tua ...complexidade. Tão óbvio! Você não
lia para decorar, para ampliar seus conhecimentos... você lia para se
alimentar... livros sempre foram tua fonte de nutrição e poucos
entenderam isso! E poucos entenderão que no futuro existirá uma
raça de Homens-Livros, dos quais vocês todos foram os protótipos.
Mas isto agora não é mais minha área. E vejam, a pausa acabou.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.82


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 83 de 109

Syahne silenciou com tantas informações. Suas deduções, intuições


e demais reflexões finalmente fizeram sentido: formaram um vestido!
Uma forma. Algo palpável. Agora ela podia ver sua vida como uma
escultura a sua frente e viu que esculpira algo inusitado. Uma nova
forma de ser e viver. Que arte surpreendente! Esculpir novas almas!!

O grande e majestoso salão estava repleto de artistas do gênero de


Syahne, mas poucos tiveram um laboratório tão variado quanto
Syahne em relação ao planeta Terra. Este era o diferencial...

- Antes de retomarmos o tema desta grande reunião interestelar,


agradecemos a presença de todos. Já o fizemos de modo formal no
início, mas agora a intenção é outra: sabemos que nem todos
tiveram condições de estar aqui de modo tão singular, ou seja, em
seu veículo atômico, alguns tiveram que se adaptar de forma bem
traumática. Syahne, da Terra foi uma delas, porque seu planeta é
denso demais, ainda. Mas seu desejo e sua têmpera provaram que a
um terráqueo decidido nada é impossível. E aqui vamos retomar o
tema.
Escolhemos justo o planeta Terra para representar o êxito deste
experimento, por suas singularidades já mencionadas, mas
queremos resumi-las novamente:
- sua densidade física
- sua complexidade natural, incluindo os vários reinos visíveis e
invisíveis aos olhos comuns terrenos
- sua ambivalência em termos de propósitos:
- uma vez um laboratório por excelência, onde quase tudo é
permitido
- ao mesmo tempo, um planeta onde ocorre uma história cósmica,
como em muitos outros!

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.83


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 84 de 109

Syahne representa esta complexidade em toda sua possível


expressão. Sua vida na Terra refletiu praticamente todas as
nuances; as poucas não refletidas foram suficientemente registradas
por outras almas de têmpera similar, mas não em relação à gama, e
sim de intensidade. Ou seja, Syahne se destacou pela variedade. Foi
como se a maioria escolhesse uma cor para viver ou duas, máximo
três e Syahne sempre incluía novas cores em sua vida. Acabou
gerando um quadro de alta singularidade. Este quadro nos
interessa, pois ele expressa a grande amplitude a que uma alma
pode chegar... aliás, percebemos por Syahne, que existe a
possibilidade de despertar numa alma uma complexidade infinita!
Isto nos fascinou. Por isto o Planeta Terra foi escolhido para
representar uma nova forma de têmpera – o protótipo de um novo
Ser!

Sentiu-se um grande silêncio pairando sobre as mentes presentes.


Sim, éramos mentes em estado veicular sutilizado, mas como já
tinha sido dito, cada dimensão, por mais sutil que seja, sente-se
corpórea em relação a si mesma. Os pensamentos são tão reais, que
com eles movimentamos a vida. E os sentimentos de forma similar.
Aceitamos isto de forma natural, mas na hora de definir que a mente
também é um corpo, achamos estranho. E mais ainda quando
dizemos que este corpo é sentido como “real” em sua dimensão
natural, na 5ª no caso. Para a 3ª dimensão a mente é algo abstrato,
não visível e, portanto, não existente. Mas isto são conceitos
terrenos, densos. Não expressam a totalidade.

Depois de uma curta pausa que parecia conter a respiração de todos


presentes, o relator desse congresso foi até a parte extrema da sala
ovalar, e com a ajuda de Iuhanne, trouxeram algo para o centro,
como que deslizando sobre um piso invisível.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.84


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 85 de 109

Lembrava na Terra o ato de se apresentar uma estátua, tirando-lhe o


véu, geralmente um lençol branco. Aliás, parecia mesmo um lençol
etéreo de um tom azul transparente, claro, brilhante.
- Solicitamos a presença de Syahne para o ato simbólico que vamos
encenar perante os representantes dos respectivos planetas deste
universo de Anahlya!
Syahne foi andando como que em câmara lenta. Toda sua vida
desfilava entre cada passo; parecia mesmo um desfile sincrônico e
real. Numa grande tela via os momentos mais inquietantes e
difíceis...mas então parou: pois de fato uma grande tela nos fundos
registrava etapas chaves de sua vida, em que poderia ter desistido,
nos quais recebeu altas somas para adentrar em mundos cheios de
glórias terrenas, ou então para se vender a famílias, a empresas, a
grupos místicos. Ela parou sem mesmo perceber e ficou vendo sua
vida desfilar em tela.
Olhou e buscou os olhos de Jahnion e Iuhanne. Ambos sorriam em
uma suave vibração rosa-púrpura! O sorriso da compaixão! A cor da
compaixão. A cor das almas provadas!
Aproximou-se hesitante do relator, cujo nome tinha esquecido,
quando Iuhanne tomou a palavra e disse:

- Syahne, solicitamos retirar o véu que encobre o que está oculto,


para que o relator Dauhal possa continuar com a cerimônia.

Ao retirar o singular véu que parecia feito de substância etérea pura,


ouviu-se um “ah” geral nos fundos. Os olhos de Syahne, porém se
encheram de lágrimas etéreas neste plano dimensional.
Como descrever a expressão de um ser que não parecia nem
feminino nem masculino, mas antes feminino, que olhava para o
infinito, com as mãos erguidas como se oferecesse algo?
A expressão do olhar era algo tão peculiar, que causou arrepios em
Syahne, arrepios de alma!

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.85


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 86 de 109

Iuhanne estava como que hipnotizada pela estátua!

- O silêncio foi a melhor homenagem que puderam prestar. A


respiração presa. Os olhos fixos. Temos a certeza que a beleza deste
momento ficará registrado nos anais secretos do universo de
Anahlya e conta com a presença discreta de outros representantes
de outros universos, que desejam repassar parte desta experiência
em seus planetas, na medida do possível, disse o relator Dauhal,
interrompendo o silêncio que se cristalizara no ambiente.

- A beleza desta estátua feita de elétrons de alta freqüência cósmica


vai ser um símbolo na grande biblioteca de Anahlya, localizada em
sua sede central, neste complexo, no último andar!
Poderá ser visitado por diferentes ondas e expressões de vida, para
se inspirarem.
O projeto Homens-Livros foi um sucesso e o grande vence-dor –
realmente fruto de muita dor – foi o Planeta Terra. A ele rendemos
nosso tributo com profunda gratidão. Um novo Universo será
concebido nos moldes de seres de têmpera castanha! Castanha no
sentido que serão seres de alma delicada e nutritiva como uma noz,
mas de têmpera da casca da noz. Syahne não tinha casca quando
encarnou na Terra. Só tinha a noz nutritiva e saborosa. E achava
que isto era o suficiente. Demorou para perceber que sem a casca,
uma noz não tem condições de sobreviver, de vir-a-ser. A vida então
teve que lhe infligir inúmeros golpes para produzir uma casca, mas
isto não foi o singular. Singular foi Syahne não se tornar amarga,
cruel e desumana em função disto. Pelo contrário: tornou a castanha
de um suave sabor. E quando achou que poderia pender
eternamente nos altos galhos da árvore da castanheira, ela foi
derrubada ao chão terreno, e foi pisada e foi desejada por inúmeros
que sentiam seu aroma especial. Foi então outra luta: a de preservar

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.86


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 87 de 109

sua doçura, seu aroma, e intensificar sua casca, com a têmpera dos
que são lapidados com fogo, água, terra e água.

Este ser que ora simboliza esta nova raça de seres, traz em seus
genes esta conquista. Serão seres de almas diamantinas, cristalinas
e quase divinas. Terão capacidade de transbordar o cálice da
experiência cósmica, pois contém em si o registro de experiências
variadas, em diferentes dimensões, de diferentes linhas evolutivas e
processos evolucionários.
Somos imensamente gratos ao Planeta Terra por esta singular
experiência que ultrapassou nossas expectativas.
Somos gratos a Syahne que ao concluir seu mestrado em Sistemas
Evolutivos, fez-se laboratório para comprovar suas próprias teses!

Neste instante Syahne compreendeu sua trajetória! Foi um Eureca


cósmico. Então era isso? Ela própria quisera comprovar suas teses?
Era uma estudante de uma universidade dos laboratórios
cósmicos?? Então por isto toda sua sede de ler, viver, aprender,
refletir, colher, analisar, sintetizar...

O relator a olhou e percebeu que de fato lançara uma chave no ar;


fazia parte da cerimônia! E todos compreenderam com isto sua
própria trajetória. Todos tinham sido em seus planetas alunos e
professores, cobaias de suas próprias teses... que loucura! Todos se
entreolharam para dizer que tinham entendido. Havia agora um
silêncio compacto na atmosfera.

- Vejam, todos vocês são alunos de uma universidade muito especial,


que forma doutores em Almas! Doutores em relação a novas formas
de expressão de Almas. E cada um de Vocês se prontificou a viver
suas teses. Isto antes nunca havia sido tentado. Foi uma idéia
magnífica que nasceu de um conjunto de fatores e culminou na

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.87


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 88 de 109

exposição de uma brilhante aluna, que recebeu o prêmio de


Escultora de Almas!
Vamos encerrar esta cerimônia com um singelo gesto vindo de
Iuhanne, a tutora desta experiência, em conjunto com seu aluno-
aprendiz, do sistema de Hummo, Jahnion.

Iuhanne e Jahnion que já vinham ao encontro da estátua, se


juntaram perto do relator e lhe entregaram um objeto.
Ao abrir o pequeno embrulho, Dauhal soltou um leve suspiro de
surpresa! Logo se refez e apresentou o pequeno objeto via painel,
depositando-o sobre um monitor a sua frente. Todos viram uma
medalha com um símbolo muito revelador impresso na grande tela.

O símbolo:

Uma harpa em forma de coração!


Algo inusitado.
Parecia pulsar, dada sua cor uma mescla de um azul e vermelhos
profundos... um coração sonoro!

E então veio o clímax da cerimônia.


Jahnion saiu às pressas e na volta trouxe algo de seu tamanho com
a ajuda de Iuhanne.
Olhou para Syahne, que sem entender nada, apenas ficou curiosa,
mal sabia o que lhe esperava.

- Desejo expressar em poucas palavras o que foi nossa experiência


nestes três dias ausentes. Pelo que soubemos, cada um contatou seu
futuro próximo. Sua meta. E Syahne e eu, sem o sabermos, sem
mesmo o antevermos, tivemos nossa experiência. Tivemos a
maravilhosa experiência de sabermos que ambos éramos parte de
um Ser. Tivemos a oportunidade de vivenciar isto. Seremos seres de

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.88


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 89 de 109

expressão musical. Tivemos a oportunidade de conhecer nossa


trindade cósmica. Três em Um. O terceiro como o elemento
aglutinador da dualidade.
Lyohan me presenteou com esta medalha na hora de ir embora e em
segredo pediu que apenas a revelasse no momento oportuno. Disse
também que ela conteria uma semente, uma contraparte em
tamanho natural. Para isto bastaria deixar a medalha em uma sala
especial, sobre a qual refletisse uma luz equivalente à luz solar, mas
em escala microcósmica. Ela revelaria em poucas horas a semente
embutida na medalha.
De fato, quando voltei à sala Nove, eu vi o que vou expor agora aos
olhos de todos.
E tirando o tênue véu descobria-se uma belíssima harpa em formato
de coração, feita da cor de safira, um diamante azul, cujos átomos
não existem na densa Terra. As cordas vibravam ao som das
palavras e emitiam música... a música da intenção das palavras.
Syahne estava com os olhos fixos, magnetizados. Dirigiu-se a harpa
como sonâmbula, sem questionar. Ela parecia chamá-la... Jahnion
esperava por ela do outro lado e sentindo sua falta de entendimento
do que estava se passando, foi ao seu encontro e sussurrou algumas
palavras em sua mente. Ela sorriu. Um sorriso de cor carmin.
Então ambos se posicionaram ao lado da Harpa Coração. Cada um
de um lado e começaram a tocar uma canção. Syahne recordou sua
maestria num instrumento que sempre a fascinara. Tal como a Lyra.
Recordara em seus átomos momentos de grande beleza junto a
música. A canção parecia mesmo nascer das entranhas de ambos.
Parecia ter esperado por ambos para nascer. Nascia ali um novo ser:
o Ser Som! Feito de um coração, formado por duas partes e uma
terceira, central que os unia.
Tocaram uma canção que transcendeu os espaços e dimensões e
tocou no âmago do Átomo Divino latente em cada presente.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.89


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 90 de 109

E deste toque surgiu uma Alma! Uma nova raça de Seres Musicais
de têmpera andina havia sido criada.
Seres que tinham em seus genes todas as dores e alegrias da Terra e
de vários planetas deste universo de Anahlya. Seres que tinham a
doçura do mel e a dureza do diamante!
Tinham a percepção da águia andina, e a profundidade do diamante
incrustado na terra.
Estes seres poderiam expressar a intenção do Criador de forma
plena! Todas as dores vividas na Terra tinham sido exploradas, todas
as dualidades tinham sido desvendadas. A Terra nunca mais
precisaria ser palco de tantas disparidades. Os códigos haviam se
esgotado para as dimensões das dores. A Terra apresentou em
lendas vivas todas as matrizes e facetas que a dualidade poderia
oferecer: o máximo em misericórdia, simbolizado pelo Regente do
Universo, ao encarnar no planeta e expressar de forma plena a nível
material o aspecto de Filho do Pai, e o máximo da crueza e da
perversidade expressa por tantos seres, que tomaram toda a taça do
fel.
Por isto a Terra foi consagrada como a grande matriz. A grande Mãe,
que gerou em seu ventre todos os filhos possíveis, em todas as
gamas de consciência. Um caso único registrado nos anais dos
diversos universos. Ela serviu de laboratório geratriz cósmico. Aqui
foram testadas todas as idéias que alguma mente engendrou em
algum ponto do universo. Ela acolheu a todos! Sofreu, se contorceu
inúmeras vezes e chegou a desfazer-se de si, qual Pelicano Sagrado,
para alimentar seus filhos famintos por amor, por violência, por
compaixão, por riquezas, por aventuras, por desventuras, por
loucuras, por prazeres estranhos, por toda a sorte de finalidades!
Esta Terra encerra agora suas atividades como acolhedora de todas
as dualidades possíveis de serem expressas em uma terceira
dimensão. E parte para sua próxima missão.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.90


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 91 de 109

Quando Syahne e Jahnion tinham terminado de tocar a canção-


matriz, Lyohan se verticalizou dentro da Harpa e pegando ambos
pelas mãos, sugou-os em seu peito, bem no centro, e imediatamente
sua forma corpórea sutil neste plano dimensional, se converteu na
própria Harpa! Havia sido criada a semente-matriz dos novos seres-
música.
Iuhanna perplexa ante a situação inusitada, olhou para o relator,
que igualmente surpreso, mas sem demonstrar tensão, dirigiu-se à
platéia, que esperava por alguma explicação:

- Isto foi uma prova viva para todos nós, de que experimentos
sempre causam surpresa, quando chega o momento de finalizar a
obra. Nunca podemos antever o resultado, apenas supor, baseado
nas premissas usadas. Esta é a maravilha da criação, em qualquer
dimensão e estado de consciência. Oras, sabem Vocês na Terra como
serão os vossos filhos? Sua forma? A cor de seus olhos, os cabelos e
a vibração de seu caráter? A sua forma conhecem em segundos
depois de nascer. E seu caráter, quando a vida o provar.
E a fecundação que produz em 9 meses um novo ser num ventre
humano? Isto por acaso é menos miraculoso do que acabaram de
ver? Um Ser ser engendrado ao vivo e em cores em uma imensa
geratriz cósmica feita do mais puro cristal? Afinal, este espaço
ovalar, como o próprio nome sugeria, tem uma função de gerar!
Portanto, somente aqui poderia se gerar um ser da amplitude
proposta por todos vocês em suas teses e doutorados.
Agora sim, está encerrado este Congresso Cósmico! E está agendada
a nova meta da maioria de Vocês: acompanhar esta Raça de Seres ou
então de engendrar seus modelos vivenciados em seus Três dias,
onde cada um pôde experienciar seu futuro próximo.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.91


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 92 de 109

Lyohan, agora completo, e revigorado pelas palavras do relator,


queria testar seu novo estado de Ser e decidiu falar aos presentes
algo para coroar o momento.
Quando iniciou o que poderia se dizer de uma “fala”, ressoou música
no ar. Algo indescritível. Somente entendeu a mensagem do que ele
dizia via notas musicais, quem tinha noções de música cósmica, com
suas variadas gamas de oitavas e intervalos.
Foi um encerramento digno diante da magnitude do evento.
Lyohan era música!
Um Homem-Harpa!
Um Homem-Harmonia!

O inesperado retorno a Pahiti

- Dayka, chamou mentalmente Athlan. Estamos de volta.


Dayka parecia estar dormente. Não tinha noção do que havia ocorrido e
quando finalmente percebeu que estava novamente no Templo da
Misericórdia – como o apelidou, ela exclamou:
- Devo ter sonhado, digo, adormecido. Faz tempo que você está me
chamando?
- Não. Então você não lembra do que houve? Lembra que sofremos uma
transformação especial para viver uma experiência num nível superior?
- ... parece que lembro disto, mas é como se fosse distante... não fosse
eu, não sei explicar. Mas você pelo jeito voltou consciente de tudo?
- Sim e não. Como posso saber que lembro de tudo? Sei de algumas
coisas e suponho que seja tudo, pelo menos que me foi a dado a
recordar.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.92


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 93 de 109

- Já sei, disse repentinamente Athlan, vamos buscar ajuda junto ao


Conselho dos Sábios de Pahiti! Eles que coordenam esta cidade-
monastério e será a oportunidade de você rever... sim, sua antiga
pátria.
- Ah! Então eu tinha razão quando queria ver uma tal de cidade...
etérea, atlante, neste Cerrado amado?
- Sim, mas não foi o objetivo de sua vinda, por isto não pude dar ênfase
a um fato meramente curioso de sua personalidade terrestre, entende?
Porém, graças à misericórdia (e sorriu! sabendo do quanto estas
palavras me tocaram e tocam), podemos literalmente unir o útil ao
agradável.

Pahiti se localizada numa região mais densa do Cerrado, não por


motivos especiais, apenas por se manter no local original, porém não
mais na matéria densa.
Não foram precisos mais do que dez minutos terrestres para chegar com
o pequeno aparelho de cristal.

Do alto ela lembrava uma cidade da Mesopotâmia, com muitos edifícios


circulares, muitos terraços e águas. Era simplesmente bela!
Dayka nem se atrevia a falar, e Athlan ficou sobrevoando a cidade até
ela ver detalhes que só destas alturas seria possível.
Pahiti ficava localizada numa colina ampla e gentil. Terraços verdes
formando verdadeiros desenhos declinavam suavemente e todas as ruas
pareciam alamedas entrecortadas por canais de água e margens
exuberantes, onde passeavam alguns animais sem a menor cerimônia.

- Lindo é pouco. Bela é razoável, mas acho que a palavra certa é


deslumbrante, disse finalmente Dayka, após Athlan iniciar o que
parecia um pouso no topo da colina, onde se via uma construção

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.93


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 94 de 109

curiosa, que lembrava um templo grego, mas em forma de cruz grega,


com muitas colunas, e terraços.
- Este é o Templo dos Sábios. Aqui podemos receber algumas
informações chaves, em todos os sentidos, disse Athlan visivelmente
eufórico e curioso, dois estados que Dayka ainda não tinha visto nele.
Devia ser mesmo muito especial estar aqui, ponderou.

Entraram pela ala sul, onde todos os visitantes se registravam em


espécie de monitores, solicitando entrevistas de acordo com a área.
Athlan conhecia o procedimento e, portanto, foi direto com Dayka para
uma ampla sala, onde alguns esperavam tranqüilos, enquanto uma
música suave tocava.
Dayka olhou e todos pareciam humanos, mas possuíam formas
simétricas quase perfeitas em relação aos terráqueos e tinham um ar
muito distinto, quase majestoso, porém sem arrogância.
No centro da sala havia uma estátua que parecia de luz... lembrava um
ser em estado de intensa autocontemplação. Não como um Buddha
terrestre, mas quase isto.
De repente Athlan se levantou e com um gesto pediu a Dayka fazer o
mesmo.
O caminho foi curto, e logo adentraram a um grande salão, mas
parcialmente vazio. No lado direito havia um espaço com livros?? Sim,
era o que parecia. E à esquerda, havia alguns assentos bastante
confortáveis pela forma. Da parte frontal saiu um homem, ou... ser, que
lembrava um antigo sábio grego. Uma túnica com detalhes em um
vermelho profundo cobria seu corpo e de seus olhos claros e vivos,
emanava uma força magnética intensa.

- Seja bem vindo Atlhan e Syahne, digo, Dayka, disse o Sábio sorrindo.
- Gratos por nos receber tão prontamente disse Athlan, que percebeu o
detalhe do nome, mas Dayka, talvez muito nervosa, não considerou o
engano algo especial.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.94


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 95 de 109

- Suas questões foram avaliadas por nosso conselho e foi deliberado que
podemos esclarecer alguns aspectos da experiência vivida, no sentido de
que eles possam viabilizar algumas informações para o plano denso da
Terra. Queremos colaborar com a experiência de Dayka, no sentido dela
poder ser portadora de algumas mensagens altamente emergentes e
urgentes para o Planeta.

Foram convidados a se sentar e prontamente receberam um líquido


saboroso, rosado, com gosto que lembrava néctar de rosas. Era
delicioso.

- Nenhuma experiência individual é para seu uso pessoal em termos


espirituais genuínos. Sempre servem a todos, portanto, a experiência
vivida num plano mais sutil, foi uma espécie de coroação sim, mas
como ficou claro, para um bem geral. Toda alma quando adquire noção
de si dentro de seu nível ou de seu plano de existência, sabe que a
partir desta etapa termina a fase do “eu”, para ser vivida a fase do
“nós”.
Dayka não deve e não precisa lembrar da experiência, pois ainda tem
alguns temas para finalizar, visto que o evento ocorrido num plano mais
sutil que este, foi parte do presente naquele plano, mas em termos
terráqueos, ainda não está finalizado, por isto só Você pode lembrar de
praticamente tudo, Athlan, pois neste plano a consciência está muito
mais próxima, e não só isso, neste plano não temos a dualidade
expressa de forma tão devastadora como no plano material terreno.

- Entendo melhor agora. Sim. Faz sentido, disse Athlan aliviado e


constrangido por Dayka não poder lembrar do ocorrido.
- Não se preocupe Athlan, disse Dayka, percebendo a leve aflição de
Athlan. Eu entendi perfeitamente o sentido de ainda me ser velada a
informação e só posso concordar, afinal, que graça tem saber de algo

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.95


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 96 de 109

que ainda preciso fazer, efetivamente? Só vai me roubar o encanto ou a


força. E preciso de ambos.
- Bem colocado Dayka, disse o Sábio, cujo nome ainda não havia sido
mencionado. Talvez propositalmente. Nem Dayka percebera o detalhe,
normalmente curiosa em relação a nomes.

- Dayka apenas precisa guardar minuciosamente o que vai lhe ser


revelado para ser repassado para o plano material, via algum canal
razoável. Aliás, parece que o canal já está viabilizado. Portanto, quando
estiver finalizado o projeto, Dayka lembrará do que for importante em
relação ao vivido e o repassará.

E levantando-se inesperadamente, convidou Athlan e Dayka para


acompanhá-lo.
- Vamos ao Salão das Memórias para Dayka não apenas ouvir, mas
também ver o que lhe será repassado.

Subiram alguns degraus e lá havia um salão de cor azul, todo revestido


de mármore e o que parecia ser uma tela, era um enorme bloco de
cristal lapidado. Pelo menos esta era a impressão.

Em silêncio sentaram-se e logo se iniciou algo similar a uma


apresentação de filme.
Dayka sentiu que deveria se concentrar ao máximo e agradeceu pelo
tom de azul, que parecia mesmo propiciar a concentração, sim, este
azul profundo, parecia perfeito.

“Não é a luz que projeta sombras. São as formas densas que não
permitem a absorção plena da luz!
Não é a verdade que é parcial na Terra, e sim as mentes que não
conseguem ser livres o bastante, para recebê-las de forma plena!

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.96


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 97 de 109

Não é o amor que é falho, e sim o coração humano que ainda não está
devidamente purificado para conter a essência pura do amor divino.

Humanos,
Somos mais do que irmãos, somos vós mesmos em outro estado.
Temos a certeza de que cada um de Vocês pode alcançar a nossa escala
evolutiva em pouco tempo, se apenas seguissem o que já foi lhes
repassado de forma tão contundente, que nem dois mil anos
conseguiram apagar da memória dos homens.
Sim, referimo-nos ao último dos grandes avatares cósmicos, Cristo
Jesus.
- Ame teu próximo como a ti mesmo!
Toda religião, toda organização que não viver de forma plena este
axioma cósmico, não poderá ultrapassar o estágio da forma!
Onde houver sentimento de superioridade por orgulho, o amor divino
não pode florescer e um processo espiritual genuíno não será possível.
Sabemos que existem no orbe denso do planeta, inúmeras raças e
estados de consciência, mas na essência são todos divinos e na imagem
são todos humanos!
Claro que uns são mais desenvolvidos em umas áreas que outras, mas
nada disso conta para um Pai Amoroso. Cada filho é seu filho!
É assim que o Criador vos olha e se quereis ser dignos do amor Dele,
se quereis fazer do vosso coração uma taça para abrigar este amor, é
assim que deveis olhar o vosso próximo:
- Com os olhos da alma, ou do coração!

Nenhum resultado real é obtido se uma alma não consegue ver no


próximo outra alma seguindo seus rumos, sua escalada, em seu tempo,
sem discriminá-la. Se não puderdes ajudá-la, não a atrapalhes com
vossas críticas e maus pensamentos.
“O que fazeis ao menor de vossos irmãos, o fazeis a mim”, disse Ele e
isto é real!

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.97


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 98 de 109

Isto foi um conselho e uma advertência!


E o que a princípio é feito por um esforço da personalidade, se converte
algum dia em ganho para alma, porque nenhum esforço fica em vão.
E só existe um esforço que é medido e pesado:
- O esforço de amar vosso próximo como a vós mesmos!
Se tiverdes a cabeça cheia de conhecimento, mas o coração pesado de
críticas, o conhecimento será chumbo na balança divina!
Se fordes um pobre ignorante, mas o coração leve e transbordante, a
falta de conhecimento imediatamente será preenchida com sabedoria!

Portanto, não pensem vós humanos, que bastam orar, meditar e


praticar rituais para merecer a graça celeste e atingir o propósito da
vida:
- Sem amor, nada vale!
- Somente o amor faz valer tudo!
Não se iludam com conhecimentos, com profundos êxtases, com jejuns
e penitências. É o amor que é medido e pesado!
Afinal, se o planeta Terra mereceu a graça da encarnação do Amor,
certamente não foi por acaso, nem tampouco para servir de estudo, mas
para que cada humano seguisse seu exemplo de amor e misericórdia!
Para um Ser da categoria de um Cristo expressar sua consciência na
Terra, isto foi um mais do que um sacrifício, isto foi um sagrado ofício
sem precedentes!
E é por isto que sua trajetória tem sido fonte de tantas histórias, de
tantas reflexões, e, infelizmente de tantas deturpações, pois que ele não
fundou uma nova religião, ele apenas sedimentou uma nova
consciência:
- A consciência do amor sobre o planeta!
E o amor é compreensivo, paciente e pacífico!
Ele foi o exemplo do mais puro sentimento de fraternalismo, não
excluindo ninguém, apenas os duros de coração! A estes ensinava com
igual dureza, mas não por maldade, e sim por necessidade. Todos os

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.98


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 99 de 109

pais sabem quando um filho merece uma palmada, sem raiva, sem ódio,
muito menos sem violência, mas para ter noção de limites.
Assim o Pai Celeste age com seus filhos, seja por meio de Seu Filho,
seja por meio da vida e seus acontecimentos, para que cada um
reconheça quando está indo longe demais.

Esta mensagem tão simples, tão antiga, na verdade precisa


urgentemente ser finalmente vivida por cada um. Passaram-se dois mil
anos e uma minoria está conseguindo seguir os primeiros passos deste
Ser Luminoso, ao praticar a bondade, a boa vontade, mesmo que de
forma totalmente parcial e via personalidade.
Se todos estivessem nesse estágio, considerado por alguns místicos tão
elementar, a Terra imediatamente passaria ao estado sutil, sem ter
necessidade de ter convulsões para purificá-la. Um novo céu e uma
nova terra já seriam realidades neste plano onde vivemos.

E agora vamos repassar a palavra para o Mestre dos Mestres!

(Dayka quase caiu do que parecia ser uma poltrona, quando viu
projetada uma imagem que parecia um ser de extrema
compassividade!).

- Ninguém vem ao Pai senão por Mim!


Quando eu disse isto há dois mil anos atrás, eu quis dizer, que todos
devem seguir meu exemplo no sentido de amar o seu próximo, de não
combater a violência humana com violência, mas com não-reação.
Estão implícitos mais sentidos nesta frase, m a s sem a compreensão
deste e a vivência pura, todos os demais não terão valor.

- E se te baterem na face direita, oferece a esquerda, e se pedirem tua


bolsa, dê-lhes também seu manto!

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.99


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 100 de 109

Isto significa um estado de aceitação plena de estardes colhendo o que


semeastes em algum momento de sua vida, seja nesta vida ou em
outra. A alma troca de corpo como a personalidade terrena troca de
roupa.
E quanto menos reação demonstrardes, mais rapidamente e
plenamente saldareis as dívidas. E se não tiverdes culpa alguma, ainda
assim, a não reação garantirá que não se criem vínculos negativos com
as almas que venham a infligir alguma dor a vós.
Portanto, sede mansos!
Se todos pudessem compreender o milagre que a mansidão por si
provoca na alma, jamais alguém reagiria à ofensa alguma!

- Eu não vim para trazer a paz e sim a espada!


Isto parece contradizer o que foi dito acima, mas apenas se refere a
outro aspecto da então humanidade. Trouxe a espada do conhecimento
que sem amor, não haverá paz, e para tal, tive que ir contra todo um
sistema religioso e de castas. Tive que cortar o mal pela raiz, de expor a
todos que sem o amor, nada floresce. Nada vale à pena.
Foi necessário extirpar a noção de “olho por olho”, para que a idéia do
amor germinasse em algumas almas pelo menos.
Outros significados não terão sentido, se o primordial não for vivido por
cada um! Cada um no seu tempo devido, mas devidamente vivido!

Nenhum amor humano jamais poderá ser invalidado, por mais simples,
mais banal que seja, pois o amor precisa ser vivido, precisa ser tentado,
precisa ser experimentado, não apenas o amor entre parentes, mas o
amor por todos os humanos.
Sem a experiência do amor, nada vale à pena.
Com a experiência do amor, tudo vale á pena.
É preciso amar, perdoar, amar, perdoar, esquecer, perdoar 70 x 7, para
sentir o poder do amor, para poder ativar o amor latente.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.100


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 101 de 109

Depois então, não haverá mais necessidade de perdoar, pois o amor é


naturalmente compassivo e misericordioso.

- Passarão céus e terras, mas as minhas palavras não passarão!


Sim, porque não foram apenas palavras que lhes trouxe, mas um novo
estado de ser baseado no amor! Sem a prática da mansidão, do perdão
e do amor humano, não haverá libertação da dualidade, não haverá a
conclusão da escola desta humanidade!
Todas as matérias humanas serão medidas com a medida do amor!
Portanto, sábios, doutores, professores, teólogos, cientistas, artistas,
pais, mães, marido e mulher:
- Se não houver o amor ativando vossas vidas, ou vós ativando o amor,
será estéril vossa alma, e o espírito não poderá se expressar
plenamente, pois que necessita de um novo veículo tecido pelo amor
para expressar sua luz!”

Permanecemos todos em longo silêncio.


Finalmente o Sábio se levantou e nos conduziu novamente a sua sala,
suponho.
Entramos e então me entregou um rolo, tal como se fosse um
documento.

- Dayka,
Aqui está gravado o que ouviste no Templo da Misericórdia, erigido em
símbolo ao Amor.
É urgente que os seres humanos acordem para o amor, em todos os
momentos do dia, que busquem amar a seu próximo, a princípio com o
esforço da personalidade, não há outro meio, pois é assim que ela vai se
purificando para então a alma poder voltar a se expressar com o poder
do amor. Mas se a personalidade resiste, a alma desiste! Ela se encolhe

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.101


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 102 de 109

ou na pior das hipóteses, a personalidade muito forte, acaba arrastando


e usando devidamente a força da alma. Isto se torna trágico para
ambos.
Lembre-se o amor não coage, não se impõe com força, o amor resiste,
ele é manso, por isso a personalidade pode interferir e ferir a alma! O
contrário nunca!

- Caro Sábio, disse Dayka finalmente!


Em primeiro lugar grata por todas estas oportunidades ímpares, e
apesar de ter muita consciência de que o que parece tão simples e banal
quanto amar o próximo, sei que isto é a base de qualquer evolução, e
sei o quanto é difícil viver isto no dia à dia, mas o quanto cada pequena
vitória alegra o coração. Sinto-o em festa quando ao invés de criticar e
combater, eu silencio meus pensamentos e sentimentos. Não os dou
chance. Simplesmente vou fazer algo para me ocupar. Ou então sei
como ficar neutra por dentro. Aprendi isto em algum outra existência,
pois nasci com esta capacidade e sou muito grata, pois entendi que só
quem consegue ficar neutro, ou silenciar, consegue purificar ambos os
santuários simultaneamente:
- o do coração e o da cabeça!
- Exatamente Dayka, e justo por Você ter tanta experiência e
consciência que se torna o veículo certo para repassar a mensagem,
entende o óbvio? Não porque é tão especial, nem por ser uma missão,
as pessoas na Terra logo se deixam arrastar por absurdos pensamentos
e imagens repletas de vaidades, mas apenas por que Você é uma alma
lutadora, e sabe do valor de cada palavra proferida pelo Mestre dos
Mestres, aliás, sei que quer me perguntar como foi feita esta projeção
na tela. Hoje é mais fácil explicar isto para os terráqueos, seria
equivalente a uma “entrevista holográfica” e visto que o Mestre pode
estar em mil lugares ao mesmo tempo, foi possível receber uma
informação atualizada de suas palavras proferidas há dois mil anos
terrestres, mas no nível que Ele vive, isto foi há um mês atrás talvez.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.102


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 103 de 109

Porém, na Terra os anos passam e contam, e, portanto, aqui se


passaram efetivamente dois mil anos terrestres e o amor ainda
engatinha. Muitos nem sabem do sacrifício imenso que representou um
ser da magnitude do Mestre Cristo se projetar na Terra via Jesus.

De volta ao Vale do Araguaia

- E agora? Voltarei ao Vale do Araguaia? Ou devo ficar aqui?


- Em breve você voltará. Toda esta vivência ocorreu no período noturno,
enquanto seu corpo físico dormia profundamente na caverna da Serra
de Araés.
- Que simbólico meu corpo estar deitado numa caverna... num lugar
bastante protegido, no Vale dos Sonhos!
- Sim, nada é por acaso.

- E Pahiti, o que mais pode me falar dela?


- Ela foi uma das poucas cidades atlantes que pode ser preservada
etericamente em quase sua totalidade, porque não sucumbiu ao
poderio mágico que destruiu o reino dos Atlantes.
Quando a Terra tiver sido purificada e uma nova natureza e um novo
sol iluminar a sua face, Pahiti vai se materializar no nível da então
Terra, que será menos denso do que o de agora, e por isto, na
verdade, Pahiti se materializará naturalmente. É como colocar água
no refrigerador: ela naturalmente vira gelo! Se densifica. Agora Pahiti
está no estado gasoso para os habitantes terrenos e por isto poucos
a conseguem ver. Somente a quem é permitido ou por algum
descuido, o que também ocorre, aliás, o que ocorreu com alguns
bandeirantes em seu tempo. Em vão buscam os exploradores de
ouro e templos misteriosos a cidade Z ou o El Dorado. Estas cidades
há tempos vivem na dimensão sutil da matéria.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.103


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 104 de 109

Aliás, no final do livro você poderá contar sua experiência com o dito
corpo etérico para as pessoas entenderem que a verdadeira matéria é
etérica, é ela que dá o sentido de corporeidade e não o físico visível.
Isto somente é possível de entender e crer, se vivido, como foi seu
caso. Alguns acreditam, mas não tiveram a experiência para sentir a
realidade disto. E isto também não ajuda em nada então. Por isto,
relate suas duas experiências e mesmo o sonho, digo os sonhos
havidos comigo. Assim muitos saberão que a vida na Terra é uma
mescla curiosa de muitos níveis e planos que se complementam. A
água ora está em estado líquido, ora em gasoso, ora em sólido. Nada
tem de misterioso nisso, mas não é o estado sólido que é o elemento
natural da água, nem ele confere sensação a ela. No estado líquido
ela igualmente é sensível (sentível seria melhor!) e no gasoso
também. Assim nosso corpo não é a matrix. Ele é água que virou
gelo.
A água é a matrix e ninguém sabe qual o estado original dela!
Vocês, na Terra sentem o corpo sólido, como o gelo.
Nós, gasoso, porém, se necessário, podemos nos solidificar, para isso
precisamos de algo parecido com um refrigerador, só que ao inverso.
Uns conseguem fazer isto com a mente, outros ainda necessitam de
aparelhos. Assim é. Enquanto não temos um determinado estado de
evolução, precisamos de algo externo. Assim, eu preciso te levar e
trazer com um veículo plasmado de cristais. Eu mesmo poderia me
deslocar sem o mesmo. É você quem precisa dele, entende?
- Ah! Agora entendi muitas coisas. Sim, eu já vinha deduzindo isto,
por outros conhecimentos e vias. Só não sabia se seria o seu caso,
digo, nosso.
- Assim, todos os seres que querem ajudar na matéria o planeta
Terra, precisam “encarnar” de algum modo, se tornar visíveis, senão
ninguém os veria. A 3ª dimensão é literalmente a vestimenta das
demais dimensões. Ela porém não é a essência, o corpo, seja este
menos ou mais físico.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.104


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 105 de 109

- Bonita esta idéia. Acho então que agora entendi a sua tesoura do
sonho: você realmente prepara vestimentas em algum sentido
figurado, aliás, isto me faz lembrar que você disse ser de Marte??
Que salada russa: afinal você é de Marte, Pahiti ou de Hummo?
- E porque não dos três?
- Como assim? Em Marte temos uma espécie de filial, ou plataforma
se preferir, pois é complicado vir diretamente à Terra. Na nossa
primeira vinda tivemos sérios agravantes. Em Marte existem mundos
subterrâneos e paradimensionais, ambos propícios para diversos
seres. Pessoalmente não optei por viver na Terra fisicamente como
alguns de nós.
Esta opção implica em alguns ajustes bem complexos, tanto em
relação ao planeta Terra como ao Hummo.
Mas nem tudo ainda pode ser revelado. Vamos por etapas. Pahiti
tornou-se meu habitat natural por propiciar uma vida próxima da
qual provenho e, sobretudo para realizar nosso propósito.
E agora vou te levar de volta ao pé de pequi. Mas não precisa venerá-
lo por isto, apenas agradecer-lhe e sentir-lhe amor são o suficiente.
Adorar, de fato, só devemos ao Criador em nós e acima de nós. Nem
Jesus, expressão máxima do Pai via Filho, permitiu que o
venerassem e sim o Pai Nele e em Tudo e em Todos.

Ainda ouvi suas últimas palavras quando me vi ao lado do pé de


pequi.
Ali permaneci algum tempo. O sol estava querendo nascer. Foi
quando percebi que eu não estava ali em estão físico. Caminhei
então até a caverna e me vi deitada no chão. Apreciei algum tempo a
cena e daí mentalizei voltando ao corpo. Foi imediato o retorno.
Acordei e permaneci algum tempo quieta organizando mentalmente a
experiência, foi quando senti claramente que deveria sair e andar,
sem racionalizar o que havia ocorrido para não azedar a massa.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.105


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 106 de 109

Foi o que fiz. Saí e andei até o pé pequi, lhe agradeci por ter me
servido de portal e por seus frutos saborosos que eu tanto amava.
Andei mais, até o final daquele vale entre as montanhas, para me
sentir na matéria, ancorar o corpo feito navio, e enfim, sentir o
aroma do cerrado amado.

Voltei pelas 7 da manhã e vi Thera preparando o chá preto e umas


torradas com mel.

- Imaginei que estivesse andando... absorvendo a experiência, disse


Thera sem a menor cerimônia, bem do jeito dela.
- Sim, e agora posso terminar meu livro, disse eu e Você poderá lê-lo,
porque daí não preciso te contar tudo... disse rindo, como que
cansada com a idéia de ter que contar tudo.
- E isto é apenas o começo, penso eu. Disse ela como se soubesse ou
pressentisse fatos.
- Pode ser..., digo, acho que é isso mesmo.
- Só me diga uma coisa: o que mais lhe impressionou em tudo que
viveu?

- Muito boa esta pergunta! E a primeira coisa que me vem à mente é


o Templo da Misericórdia. Aliás, eu esqueci de transcrever o que ouvi
lá dentro! Acho que vou finalizar o livro com a mensagem e estas
palavras faço questão de também lhe recitar, bem como em
relembrar o que me ocorreu na hora que ouvi estas frases:

Compreendi que a misericórdia é o amor em estado sublimado, em


estado de fogo, que queima sem doer, que lava todas as culpas, os
medos, todos os anseios sem razão de ser. Lava com fogo que não
queima.
Compreendi que a misericórdia é a filha mais preciosa do amor.
Compreendi que por isto o Filho é considerado o príncipe da paz.

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.106


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 107 de 109

Compreendi que perdoar é algo que requer que consideremos alguém


culpado e por isto o perdão é ainda distante da misericórdia.
Compreendi que mesmo a compaixão pode ser fruto de mero sentimento
de pena por alguém que consideramos inferior em algum nível.

Mas a misericórdia, como a que o Filho do Pai viveu na Terra e a


expressou plenamente, tornando-se por isto Símbolo Vivo no Universo
desta qualidade, é algo supremo:
- Misericórdia em seu sentido original e puro é o supremo amor por
todas as criaturas, que abre os canais da Graça Divina e permite que
um coração pesado de culpas, de medos, de anseios, possa ser lavado
instantaneamente pelo jorro da graça!

- A misericórdia vê em todos o Divino e por isso evoca a força divina!


Ela não vê o culpado, o pecador, ela não vê a cor, nem a posição social.
Ela vê o ser divino oculto em todos: no ladrão, na prostituta, no policial,
na mãe, no filho, no pai, enfim, em todos.

Entendi que a misericórdia é o amor da Alma iluminada pelo Espírito.


Nenhuma personalidade, ou um eu humano pode amar assim! Sim, se
ela servir de canal, de veículo para expressar este amor infinito e para
tal, um preparo é necessário, e o serviço ao próximo, é com certeza um
meio simples, o mais simples de todos, para purificar a personalidade
das tendências egoístas, mas claro que na Terra onde a dualidade ainda
domina, também o eu pode ficar orgulhoso de ser “bom” e afinal
endurecer sutilmente seu coração, sua vaidade! Por isso, não existem
métodos e caminhos isentos de perigos neste plano denso e em todos é
preciso pedir por ajuda e orientação, pois em todos – sem exceção – a
personalidade vai tentar garantir sua posição, ainda que muito
sutilmente. Por isto, que cada um fique atento, mas não em demasia,
porque isto denotaria de antemão o mais óbvio:
- que quem está querendo se iluminar é a personalidade!

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.107


O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 108 de 109

Portanto, sede simples! Em tudo e com todos!

Sede mansos de coração!

É a mansidão que abre as portas, os Portais de todos os reinos!

E a misericórdia é sua suprema moldura! É sua coroa!

O que mais salva almas? perguntou o Anjo a Deus!


- A misericórdia!

O que mais eleva almas? perguntou o Anjo a Deus!


- A misericórdia!

O que mais cura almas? perguntou o Anjo a Deus!


- A misericórdia!

O que mais coopera com a paz? perguntou o Anjo a


Deus!
- A misericórdia!

O que mais se aproxima de Ti? perguntou o Anjo a


Deus!
- A misericórdia!

Qual é a criatura que mais tem condições de


expressar a misericórdia?
- O ser humano!

Por que? perguntou surpreso o Anjo.


- Por que poucos Planetas receberam como Hóspede a
<<>> www.scribd.com/helenaschaffner
Misericórdia personificada num Homem! <<>> pág.108
O projeto homens-livros <<>> helena schaffner <<>> pág. 109 de 109

Helena Schaffner

Jarinu, SP, 10.06 a 27.09.2008 – 9h27 e 28.08.2009 – 21h18

<<>> www.scribd.com/helenaschaffner <<>> pág.109