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Índice

Origem.......................................................................................................................2
Profeta Maomé...........................................................................................................2
Conversão..................................................................................................................2
Crenças......................................................................................................................3
Cinco pilares..............................................................................................................3
O Corão......................................................................................................................4
Sharia.........................................................................................................................4
Mesquitas...................................................................................................................5
Festas e datas............................................................................................................5
Grupos.......................................................................................................................5
Origem
O islamismo foi fundado no ano de 622, na região da Arábia, atual Arábia Saudita. Seu
fundador, o profeta Maomé, reuniu a base da fé islâmica num conjunto de versos
conhecido como Corão - segundo ele, as escrituras foram reveladas a ele por Deus por
intermédio do Anjo Gabriel.

Assim como as duas outras grandes religiões monoteístas, o cristianismo e do


judaísmo, as raízes de Maomé estão ligadas ao profeta e patriarca Abraão. Maomé
seria seu descendente. Abraão construiu a Caaba, em Meca, principal local sagrado do
islamismo. Para os muçulmanos, o islamismo é a restauração da fé de Abraão.

Ainda no início da formação do Corão, Maomé e um ainda pequeno grupo de


seguidores foram perseguidos por grupos rivais e deixaram a cidade de Meca rumo a
Medina. A migração, conhecida como Hégira, dá início ao calendário muçulmano. Em
Medina, a palavra de Deus revelada a Maomé conquistou adeptos em ritmo acelerado.

O profeta retornou a Meca anos depois, perdoou os inimigos e iniciou a consolidação da


religião islâmica. Quando ele morreu, aos 63 anos, a maior parte da Arábia já era
muçulmana. Um século depois, o islamismo era praticado da Espanha até a China. Na
virada do segundo milênio, a religião tornou-se a mais praticada do mundo, com 1,3
bilhão de adeptos.

Profeta Maomé
Maomé nasceu em Meca, no ano de 570. Órfão de pai e mãe, foi criado pelo tio,
membro da tribo dos coraixitas. De acordo com historiadores, tornou-se conhecido
pela sabedoria e compreensão, tanto que servia de mediador em disputas tribais.
Adepto da meditação, ele realizava um retiro quando afirmou ter recebido a primeira
revelação de Deus através do anjo Gabriel. Na época, ele tinha 40 anos. As revelações
prosseguiram pelos 23 anos restantes da vida do profeta.

Contrário à guerra entre tribos na Arábia, Maomé foi alvo de terroristas e escapou de
várias tentativas de assassinato. Enquanto conquistava fiéis, empregava as escrituras
na tentativa de pacificar sua terra - tarefa que cumpriu antes de morrer, aos 63 anos,
depois de retornar a Meca. Para os muçulmanos, Maomé é uma figura digna de
extrema admiração e respeito, mas não é o alvo de sua adoração. Ele foi o último dos
profetas a trazer a mensagem divina, mas só Deus é adorado.

Conversão
Não é preciso ter nascido muçulmano ou ser casado com um praticante da religião.
Também não é necessário estudar ou se preparar especialmente para a conversão.
Uma pessoa se torna muçulmana quando proferir, em árabe e diante de uma
testemunha, que "não há divindade além de Deus, e Mohammad é o Mensageiro de
Deus". O processo de conversão extremamente simples é apontado como um dos
motivos para a rápida expansão do islamismo pelo mundo. A jornada para a prática
completa da fé, contudo, é muito mais complexa. Nessa tarefa, outros muçulmanos
devem ajudar no ensinamento.

Crenças
A base da fé islâmica é o cumprimento dos desejos de Deus, que é único e
incomparável. A própria palavra Islã quer dizer "rendição", ou "submissão". Assim, o
seguidor da religião islâmica deve obedecer às escrituras, orar e glorificar apenas seu
Deus e ser fiel à mensagem que Maomé trouxe.

Os muçulmanos enxergam nas escrituras divulgadas por Maomé a continuação de uma


grande linhagem de profecias, trazidas por figuras que fazem parte dos livros sagrados
dos judeus e cristãos - como Adão, Noé, Abraão, Moisés, Davi e Jesus. Os cristãos e
judeus, aliás, são chamados no Corão Povos das Escrituras, com garantia de respeito e
tolerância.

O seguidor do islamismo tem como algumas de suas obrigações "promover o bem e


reprimir o mal", evitar a usúria e o jogo e não consumir o álcool e a carne de porco.
Um dos principais desafios do muçulmano é obter êxito na jihad - que, ao contrário do
que muitos acreditam no Ocidente, não significa exatamente "guerra santa", mas sim o
esforço e a luta do muçulmano para agir corretamente e cumprir o caminho indicado
por Deus.

Os muçulmanos acreditam no dia do juízo final e na vida após a morte, quando o


praticante da religião recebe sua recompensa ou sua punição pelo que fez na Terra.
Acreditam também na unidade da "nação" do Islã - uma crença simbolizada pela
gigantesca peregrinação anual a Meca, que reune muçulmanos do mundo todo, lado a
lado.

Cinco pilares
Os cinco pilares do islamismo formam a estrutura de vida do seguidor da religião.
São eles:

1. • Pronunciar a declaração de fé intitulada "chahada": "Não há outra divindade


além de Deus e Mohammad é seu Mensageiro".
2. • Realizar as cinco orações obrigatórias durante cada dia, no ritual chamado
"salat". As orações servem como uma ligação direta entre o muçulmano e Deus.
Como não há autoridades hierárquicas, como padres ou pastores, um membro
da comunidade com grande conhecimento do Corão dirige as orações. Os
versos são recitados em árabe, e as súplicas pessoas são feitas no idioma de
escolha do muçulmano. As orações são feitas no amanhecer, ao meio-dia, no
meio da tarde, no cair da noite e à noite. Não é obrigatório orar na mesquita - o
ritual pode ser cumprido em qualquer lugar.
3. • Fazer o que puder para ajudar quem precisa, no chamado "zakat". A
caridade é uma obrigação do muçulmano, mas deve ser voluntária e, de
preferência, em segredo. O muçulmano deve doar uma parte de sua riqueza
anualmente, uma forma de mostrar que a prosperidade não é da pessoa - a
riqueza é originária de Deus e retorna para Deus.
4. • Jejuar durante o mês sagrado do Ramadã, todos os anos. Nesse período,
todos os muçulmanos devem permanecer em jejum do amanhecer ao anoitecer,
abstendo-se também de bebida e sexo. As exceções são os doentes, idosos,
mulheres grávidas ou pessoas com algum tipo de incapacidade física - eles
podem fazer o jejum em outra época do ano ou alimentar uma pessoa
necessitada para cada dia que o jejum foi quebrado. O muçulmano que cumpre
o jejum se purifica ao vivenciar a experiência de quem passa fome. No fim do
Ramadã, o muçulmano celebra o Eid-al-Fith, uma das duas principais festas do
calendário islâmico.
5. • Realizar a peregrinação a Meca, o "haj". Todos os muçulmanos com saúde e
condição financeira favorável deve realizar a peregrinação pelo menos uma vez
na vida. Todos os anos, cerca de 2 milhões de pessoas de todas as partes do
mundo se reúnem em Meca, sempre com vestimentas simples - para eliminar
as diferenças de classe e cultura. No fim da peregrinação, há o festival de Eid-
Al-Adha, com orações e troca de presentes - a segunda festa mais importante.

O Corão
O livro sagrado dos muçulmanos reúne todas as revelações de Deus feitas ao profeta
Maomé através do anjo Gabriel. No Corão estão instruções para a crença e a conduta
do seguidor da religião - não fala apenas de fé, mas também de aspectos sociais e
políticos. Dividido em 114 "suratas" (capítulos), com vários versículos cada (o
número varia de 3 a 286 versículos), o Corão foi escrito em árabe formal e, com o
tempo, tornou-se de difícil entendimento.

O complemento para sua leitura é a Sunna, coletânea de registros de discursos do


profeta Maomé, geralmente em linguagem mais clara e fluente. Cada uma dessas
mensagens tiradas dos discursos é conhecida como "hadith". Como os relatos foram de
pessoas diferentes, há muitas divergências entre os registros de ensinamentos do
profeta: cada um contava a mensagem da forma que o interessava. Além de
contradições, as "hadith" provocaram também uma expansão dos conceitos do Islã, ao
incorporar tradições e doutrinas sobre sociedade e justiça - aspecto importante na
formação da cultura islâmica em geral, que não ficou restrita à religião.

Sharia
É a lei religiosa do islamismo. Como o muçulmano não vê distinção entre o aspecto
religioso e o resto da sua conduta pessoal, a lei islâmica não trata só de rituais e
crenças, mas de todos os aspectos da vida cotidiana. Apesar de ter passado por um
detalhado processo de formatação, a lei islâmica ainda é aplicada de formas variadas
ao redor do mundo - os países adotam a sharia têm interpretações mais ou menos
rigorosas dela.

Na Arábia Saudita, por exemplo, vigora uma das mais conservadoras versões da lei
islâmica. O Afeganistão da época da milícia Talibã teve a mais dura e radical aplicação
da sharia nos tempos modernos - proibia música e outras expressões culturais e
esportivas, restringia gravemente todos os direitos das mulheres e ordenava punições
bárbaras. A sharia, porém, é adotada formalmente numa minoria de países com
grandes populações islâmicas.

Mesquitas
As construções reservadas para as orações dos muçulmanos são chamadas mesquitas,
ou "masjids". Os prédios, contudo, não precisam ser especialmente construídos com
esse fim - qualquer local onde a comunidade muçulmana se reúne para orar é uma
mesquita.

Há dezenas de milhares de mesquitas no mundo, e elas vão desde as construções mais


esplendorosas, com arquitetura riquíssima, às mais modestas, adaptadas dentro de
outras estruturas.

A mesquita de Caaba, em Meca, é uma das mais famosas, pois é o centro da


peregrinação do "haj". A mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, também é um local
muito visitado pelos muçulmanos de todo o mundo - ela abrigaria a pedra de onde
Maomé "ascendeu ao céu".

Festas e datas
As duas principais festividades do islamismo são o Eid-Al-Adha, que coincide com a
peregrinação anual a Meca, e o Eid-al-Fith, quando se quebra o jejum do mês do
Ramadã. O mês sagrado, aliás, é o principal período do calendário islâmico.

Os muçulmanos xiitas também comemoram o Eid-al-Ghadir - aniversário da declaração


de Maomé indicando Ali1 como seu sucessor. Outras festas islâmicas são o aniversário
de Maomé (Al-Mawlid Al-Nabawwi) e o aniversário de sua jornada a Jerusalém (Al-Isra
Wa-l-Miraj).

Grupos
Os muçulmanos estão divididos entre sunitas, o grupo majoritário, e xiitas, a minoria
dentro da religião. Os sunitas formam o tronco principal da religião, ligado à
interpretação mais aceita da história islâmica, e reúnem cerca de 90% dos
muçulmanos no mundo. A diferença em relação ao Islã xiita é a aceitação à seqüência
de califas da história islâmica. Sem características comuns entre si, os muçulmanos
sunitas incluem praticantes da religião em todas as partes do mundo e de todas as
tendências, dos mais conservadores até os moderados e seculares.

Os xiitas, que reúnem cerca de 10% dos muçulmanos, surgiram como movimento
político de apoio a Ali e acabaram formando uma ramificação da religião islâmica. A
dissidência surgiu quando os xiitas se uniram para apoiar Ali, primo de Maomé, como o
herdeiro legítimo do poder no Islã após a morte do profeta, com base na suposta
declaração de que ele era seu sucessor ideal.

A evolução para uma fórmula religiosa diferente teria começado com o martírio de
Husain, o filho mais novo de ali, no ano de 680, em Karbala (no atual Iraque). Os

1
Ali, primo de Maomé
clérigos xiitas são os mulás e mujtahids, mas o clero não tem uma hierarquia formal.
Os xiitas foram os responsáveis pela revolução islâmica do Irã, em 1979, e têm graves
divergências com setores do islamismo sunita.

OS PAÍSES COM MAIORIA ISLÂMICA

Oriente Médio

Arábia Saudita
95% de muçulmanos sunitas, 5% de muçulmanos xiitas

Berço do Islã, abriga as cidades sagradas de Meca e Medina e adota uma interpretação
conservadora da lei islâmica. País natal de Osama bin Laden e de quinze dos 19
seqüestradores dos aviões de 11 de setembro de 2001. Em função de sua boa relação
com os EUA, a família real sofre a oposição de vários grupos radicais, incluindo a rede
Al Qaeda. Sabe-se, porém, que muitas figuras importantes ajudam a financiar os
terroristas muçulmanos.

Irã
89% de muçulmanos xiitas, 10% de muçulmanos sunitas

O país se tornou uma República Islâmica depois da revolução de 1979. Desde então,
os aiatolás são a autoridade política máxima, cujo poder se sobrepõe ao do presidente
e do parlamento, eleitos em votação popular. Desde o fim da década de 90, o Irã vive
uma luta entre os clérigos conservadores e os reformistas, que defendem a
flexibilização do regime islâmico.

Iraque
60% de muçulmanos xiitas, 32% de muçulmanos sunitas

No regime de Saddam Hussein (um sunita), o estado era secular, e manifestações


religiosas eram proibidas dentro da estrutura do governo. Com a queda do ditador, a
maioria xiita pretende ter um papel mais influente no comando do país. A guerra teve
um efeito contrário ao esperado pelos EUA: o fanatismo religioso e o terrorismo ligado
à religião estão mais fortes que na época de Saddam.

Egito
94% de muçulmanos sunitas

O governo e o sistema judicial são seculares, mas as leis familiares são baseadas na
religião e a atuação de grupos radicais ainda é grande. O Egito é o local de origem da
primeira facção radical do Islã, a Irmandade Muçulmana, e deu origem também ao
grupo Jihad Islâmica. Depois da execução do presidente Anuar Sadat pelos radicais,
em 1981, o governo prendeu e matou milhares de pessoas na repressão ao
extremismo religioso.

Territórios palestinos
90% de muçulmanos

A sociedade e a política palestinas têm fortes tradições seculares. A revolta contra


Israel, no entanto, deu força a grupos religiosos radicais (Hamas, Jihad Islâmica,
Brigadas de Mártires de Al Aqsa) e a influência do islamismo na política tornou-se
dominante.

Líbano
41% de muçulmanos xiitas e 27% de muçulmanos sunitas

Com uma formação de governo que reflete a distribuição religiosa da população


(primeiro-ministro é sempre sunita e o presidente do parlamento, xiita), é a terra do
grupo radical Hezbolá. Para os EUA, o Hezbolá é uma organização terrorista; para o
Líbano, um movimento legítimo de resistência contra os israelenses e uma organização
política legalizada.

Jordânia
92% de muçulmanos sunitas

A família real está no poder desde a independência, em 1946 - e sua aceitação se


baseia no fato de que os príncipes seriam descendentes diretos do profeta Maomé. A
sociedade é conservadora e a interpretação do Islã é rigorosa - costumes de séculos
atrás são mantidos graças à religião.

Outros países de maioria muçulmana: Iêmen, Omã, Emirados Árabes Unidos,


Catar, Bahrein, Kuwait, Síria

Ásia

Indonésia
88% de muçulmanos

Apesar de abrigar a maior população muçulmana do planeta, o país tem uma


constituição secular. Há dezenas de facções radicais que defendem a adoção da lei
islâmica e a formação de um estado com governo religioso, mas os muçulmanos
moderados são contra. É a terra do Jemaah Islamiah, grupo ligado à Al Qaeda culpado
pelo atentado que matou 200 pessoas em Bali, em 2002.

Afeganistão
84% de muçulmanos sunitas, 15% de muçulmanos xiitas

País onde surgiu a mais radical forma de interpretação do islamismo, através da milícia
Talibã, que governo o país do fim da década de 90 até depois do 11 de setembro de
2001. Serviu de campo de treinamento para terroristas islâmicos do mundo todo, até
que a ação militar americana atacou essas instalações e colocou no poder um líder
muçulmano moderado.

Paquistão
77% de muçulmanos sunitas, 20% de muçulmanos xiitas

Formado como um estado muçulmano resultante da partilha do subcontinente indiano,


em 1947, trava uma tensa disputa com a vizinha Índia pela posse da Caxemira. Os
extremistas islâmicos atacam os soldados indianos, que controlam o território, por
julgar que a área é dos muçulmanos. Além disso o país sofre com conflitos entre
sunitas e xiitas e entre muçulmanos radicais e cristãos.

Malásia
53% de muçulmanos

O governo diz ser tolerante com todas as religiões, mas o islamismo é a fé oficial do
país. Não-muçulmanos dizem ser vítimas de discriminação das autoridades. Os radicais
muçulmanos dizem que não é o bastante: querem oficializar a adoção da lei islâmica
tradicional em toda a Malásia.

Outros países de maioria muçulmana: Brunei, Bangladesh

África

Nigéria
50% de muçulmanos

Tensões com os cristãos provocaram milhares de mortes no país. A adoção da lei


islâmica em doze estados do norte provocou um êxodo entre os seguidores do
cristianismo. O governo tem dificuldade para controlar os grupos radicais de ambos os
lados.

Argélia
99% de muçulmanos

Em 1991, a vitória de um partido islâmico nas eleições gerais foi impedida por um
golpe político. Desde então, governo e exército combatem os extremistas muçulmanos
numa disputa que já provocou dezenas de milhares de mortes.

Sudão
70% de muçulmanos

Governado por um partido islâmico desde 1989, quando um golpe militar teve apoio
dos extremistas, o país foi devastado por uma guerra de duas décadas entre rebeldes
muçulmanos do norte e cristãos do sul. Osama bin Laden permaneceu no país por
alguns anos antes de ir para o Afeganistão.

Somália
100% de muçulmanos

A religião da população é a mesma, mas conflitos entre tribos inimigas alimentaram


uma guerra que se arrasta desde os anos 90. Há grupos radicais em atividade no país -
e um deles é ligado à Al Qaeda. A maior empresa do país foi fechada pelos EUA por
suas ligações com Osama bin Laden.
Outros países de maioria muçulmana: Senegal, Gâmbia, Guiné, Serra Leone, Costa
do Marfim, Mauritânia, Mali, Níger, Chade, Líbia, Tunísia, Eritréia, Djibouti, Ilhas
Comoros

Europa

Turquia
99,8% de muçulmanos

Estado secular, a Turquia garante liberdade religiosa à população. Na prática, porém,


os costumes e crenças do islamismo têm grande influência sobre o comando do país. O
partido que conquistou o poder em 2002, por exemplo, tem raízes islâmicas, apesar de
se descrever como "conservador".

Kosovo
92% de muçulmanos

Palco de uma violenta campanha de perseguição pelos sérvios, o território foi ocupado
pela Otan e teve seu controle assumido pela ONU em 1999. Isso não impediu a morte
de 10.000 pessoas e a fuga de cerca de 1,5 milhão para a Albânia ou para a região da
fronteira.

Albânia
70% de muçulmanos

O governo comunista do país fechou todos os templos religiosos - incluindo igrejas e


mesquitas - em 1967. A prática religiosa só voltou a ser permitida em 1991.

Chechênia
maioria de muçulmanos

Desde o fim da União Soviética, a república russa vem sendo palco de violentos
confrontos entre o governo de Moscou e as forças separatistas formadas pelos radicais
islâmicos. No período em que a Rússia retirou suas forças do território, o islamismo
tornou-se religião oficial.

Usbequistão
88% de muçulmanos

Estado secular, viu o islamismo ganhar força nos anos 90. Junto com esse crescimento,
surgiram os grupos radicais contrários ao governo. Depois de uma série de atentados,
as forças do governo reprimiram os radicais. Os grupos, porém, continuam em
atividade.

Outros países de maioria muçulmana: Azerbaijão, Turcomenistão, Quirgistão,


Tadjiquistão, Cazaquistão
Estados Unidos
O palco do maior ato de terrorismo islâmico da História tem mais de 6 milhões de
muçulmanos e em torno de 2.000 mesquitas. Entre os seguidores da religião nos EUA,
77,6% são imigrantes, e 22,4%, americanos natos. Apesar do 11 de setembro de
2001, o islamismo está crescendo: estima-se que, no ano de 2010, a população
muçulmana supere a judaica - apenas o cristianismo terá mais seguidores.

Índia
Cerca de 12% dos indianos são muçulmanos, formando uma população total de 120
milhões de pessoas. A constituição do país garante a liberdade religiosa. Na prática,
contudo, os muçulmanos da Índia são alvos freqüentes de atos de violência - e as
facções radicais revidam as agressões. Na última onda de conflitos entre muçulmanos
e os hindus radicais, cerca de 2.000 pessoas morreram.

China
O país mais populoso do mundo tem cerca de 20 milhões de muçulmanos, cerca de
1,5% da população. A religião está no país desde o século VII. É oficialmente
reconhecida e tolerada no país, que tem mais de 30.000 mesquitas, e os chineses
muçulmanos estão concentrados no extremo oeste do país. Há facções extremistas -
uma delas listada como grupo terrorista pela ONU e pelos EUA.

Brasil
Um dos maiores países católicos do mundo tem uma comunidade islâmica
relativamente grande - e seus números vêm crescendo. Há quarenta anos a
comunidade árabe brasileira tinha uma única mesquita. Atualmente são mais de 50
templos, espalhados por todo o país e freqüentados por entre 1,5 e 2 milhões de fiéis.
Não há atuação de grupos extremistas armados no território brasileiro.

Perguntas e respostas

O que é islamismo, Islã e muçulmano?


O islamismo é a religião fundada pelo profeta Maomé no início do século VII, na região
da Arábia. O Islã é o conjunto dos povos de civilização islâmica, que professam o
islamismo; em resumo, é o mundo dos seguidores dessa religião. O muçulmano é o
seguidor da fé islâmica, também chamado por alguns de islamita. O termo maometano
às vezes é usado para se referir ao muçulmano, mas muitos rejeitam essa expressão -
afinal, a religião seria de devoção a Deus, e não ao profeta Maomé.

De onde vem o termo Islã?


Em árabe, Islã significa "rendição" ou "submissão" e se refere à obrigação do
muçulmano de seguir a vontade de Deus. O termo está ligado a outra palavra árabe,
salam, que significa "paz" - o que reforça o caráter pacífico e tolerante da fé islâmica.
O termo surgiu por obra do fundador do islamismo, o profeta Maomé, que dedicou a
vida à tentativa de promover a paz em sua Arábia natal.

Todos os muçulmanos são árabes?


Esta é uma das mais famosas distorções a respeito do Islã. Na verdade, o Oriente
Médio reúne somente cerca de 18% da população muçulmana no mundo - sendo que
turcos, afegãos e iranianos (persas) não são sequer árabes. Outros 30% de
muçulmanos estão no subcontinente indiano (Índia e Paquistão), 20% no norte da
África, 17% no sudeste da Ásia e 10% na Rússia e na China. Há minorias muçulmanas
em quase todas as partes do mundo, inclusive nos EUA (cerca de 6 milhões) e no
Brasil (entre 1,5 milhão e 2 milhões). A maior comunidade islâmica do mundo vive na
Indonésia.

As raízes do islamismo são conflitantes com as origens do cristianismo e


judaísmo?
Não. Assim como as duas outras grandes religiões monoteístas, as raízes do islamismo
vêm do profeta Abraão. O profeta Maomé, fundador do islamismo, seria descendente
do primeiro filho de Abraão, Ismael. Moisés e Jesus seriam descendentes do filho mais
novo de Abraão, Isaac. Abraão, o patriarca do judaísmo, estabeleceu as bases do que
hoje é a cidade de Meca e construiu a Caaba - todos os muçulmanos se voltam a ela
quando realizam suas orações.

Os muçulmanos acreditam num Deus diferente?


Não, pois Alá é simplesmente a palavra árabe para "Deus". A aceitação de um Deus
único é idêntica à de judeus e cristãos. Deus tem o mesmo nome no judaísmo, no
cristianismo e no islamismo, e Alá é o mesmo Deus adorado pelos judeus, cristãos e
muçulmanos.

Como alguém se torna muçulmano?


Não é preciso ter nascido muçulmano ou ser casado com um praticante da religião.
Também não é necessário estudar ou se preparar especialmente para a conversão.
Uma pessoa se torna muçulmana quando proferir, em árabe e diante de uma
testemunha, que "não há divindade além de Deus, e Mohammad é o Mensageiro de
Deus". O processo de conversão extremamente simples é apontado como um dos
motivos para a rápida expansão do islamismo pelo mundo. A jornada para a prática
completa da fé, contudo, é muito mais complexa. Nessa tarefa, outros muçulmanos
devem ajudar no ensinamento.

Os muçulmanos praticam uma religião violenta ou extremista?


Uma minoria entre os cerca de 1,3 bilhão de praticantes da religião é adepta de
interpretações radicais dos ensinamentos de Maomé. Entre eles, a violência contra
outros povos e religiões é considerada uma forma de garantir a sobrevivência do Islã
em seu estado puro. Para a maioria dos seguidores do islamismo, contudo, a religião
muçulmana é de paz e tolerância.

O Islã oprime a mulher?


A base da religião muçulmana não determina qualquer tipo de discriminação grave
contra a mulher. No entanto, as interpretações radicais das escrituras deram origem a
casos brutais. A opressão contra a mulher é comum nos países que seguem com rigor
a Sharia, a lei islâmica, e têm tradições contrárias à libertação da mulher. Assim, o
problema da opressão à mulher muçulmana não é causado pela crença islâmica em si -
ele surgiu em culturas que incorporaram tradições prejudiciais às mulheres. Um ótimo
exemplo disso é o fato de que o uso de véus e a adoção de outros costumes que
causam estranheza no Ocidente muitas vezes são mantidos por mulheres mesmo
quando não há nenhuma obrigação. Ou seja: os hábitos estão integrados às culturas,
não necessariamente à religião.

Os muçulmanos são mais atrasados do que os povos ocidentais?


Durante séculos, as civilizações do Islã foram muito superiores às ocidentais. A
combinação de idéias orientais e ocidentais provocou grandes avanços na Medicina,
Matemática, Física, Arquitetura e Artes, entre outras áreas. Muitos elementos
importantes para o avanço do homem, como os instrumentos de navegação marítima e
os sistemas algébricos, surgiram no Islã. Nos últimos séculos, contudo, os povos do
ocidente conquistaram a supremacia das novas descobertas. A religião islâmica não
pode ser apontada como origem do abismo crescente entre algumas potências do
Ocidente e alguns países subdesenvolvidos do Islã. O fundamentalismo muçulmano,
contudo, é visto por muitos especialistas como enorme barreira ao avanço destes
povos orientais.

O Islã é um obstáculo para a democracia?


Os especialistas se dividem em relação a esse assunto. Para muitos, a religião e cultura
islâmica formou sociedades em que os princípios democráticos não ganham espaço
nem atraem as pessoas. Quem acredita nessa linha de pensamento consideram que é
inútil tentar impor regimes democráticos no Islã - a própria população não estaria
disposta a abraçar a mudança. Mas outros analistas dizem que o islamismo não
impede o florescimento da democracia, e que os países muçulmanos têm ditaduras e
monarquias por causa de outros fatores. Seja qual for a explicação, o fato é que as
democracias são raras no Islã: só a Indonésia, a Turquia e Bangladesh têm esse tipo
de regime.

Guia

• Akhirah: Crença na vida após a morte, parte importante da fé islâmica


• Alá Akbar: "Deus é grande"
• Alá: Palavra que significa "Deus" em árabe (não é o nome de um deus diferente dos
outros)
• Azan: Convocação à oração dos muçulmanos
• Bismillah: "Em nome de Deus", verso usado pelos muçulmanos para pedir a bênção
divina. Aparece no início de quase todas as suratas do Corão
• Caaba: Construção rochosa localizada no centro da grande mesquita de Meca e
ponto focal das orações muçulmanas. Teria sido erguida por Abraão
• Cinco pilares do Islã: As obrigações que o muçulmano deve cumprir para seguir
sua fé
• Corão: O livro sagrado do Islã, com as revelações de Deus ao profeta Maomé
• Din: A religião e o estilo de vida do Islã
• Eid-Al-Adha: Festa que coincide com a peregrinação anual a Meca
• Eid-al-Fith: Festa celebrada no fim do mês do Ramadã, a principal da religião
• Eid-al-Ghadir: Aniversário da declaração de Maomé indicando Ali como seu
sucessor, comemorado apenas pelos xiitas
• Fard: Obrigação, algo que deve ser feito em nome da fé
• Hadith: Um discurso, mensagem, ação ou história do profeta Maomé, relatado pelos
seus contemporâneos
• Hafiz: Pessoa que sabe todos os versos do Corão
• Haj: A peregrinação anual a Meca, um dos cinco pilares do Islã. O muçulmano
saudável e com condições financeiras deve fazer o haj pelo menos uma vez na vida
• Halal: Algo que o muçulmano pode fazer ou comer
• Haram: Algo que o muçulmano não deve fazer ou comer
• Hégira: A migração de Maomé e seus seguidores de Meca para Medina, para escapar
da perseguição às suas crenças. A migração inaugura o islamismo é marca o início de
seu calendário
• Hijab: Traje típico islâmico usado pelas mulheres para "proteger sua modéstia",
como manda o Corão. Seu tamanho varia de acordo com as tradições regionais
• Iftar: Desjejum
• Ihram: Estado de pureza espiritual exigido dos muçulmanos que desejam fazer a
peregrinação a Meca
• Imã: Professor, clérigo ou figura que lidera uma oração muçulmana
• Islã: Conjunto dos povos de civilização islâmica, que professam o islamismo.
Significa "rendição" ou "submissão" em árabe
• Islamismo: A religião dos muçulmanos
• Jihad: A luta e o esforço de um seguidor da religião para viver a fé islâmica da
melhor forma possível e defender o Islã, mesmo que isso signifique o uso da força
• Madraçal: Escola dedicada a formar e doutrinar meninos muçulmanos
• Masjid: Sinônimo para mesquita
• Mawlid Al-Nabi: Festa do aniversário de nascimento de Maomé
• Meca: Cidade sagrada do islamismo, onde Maomé nasceu e para onde retornou
depois de fundar o islamismo
• Medina: A segunda cidade sagrada do islamismo, para onde Maomé fugiu quando foi
perseguido
• Mesquita: Local onde os muçulmanos fazem suas orações em conjunto
• Mihrab: Nicho aberto em todas as mesquitas para apontar a direção de Meca
• Minaret: A torre da mesquita, de onde é feita a convocação para as orações
• Minbar: Púlpito de uma mesquita
• Muçulmano: Seguidor da fé islâmica
• Muezzin: O religioso que convoca os muçulmanos para as orações
• Niyya: Declaração sincera da intenção de glorificar Deus, feita em silêncio
• Quiblah: A direção de Meca
• Rakah: Conjunto de movimentos do ritual de orações, ou salah
• Ramadã: Mês sagrado dos muçulmanos
• Sadaquah: Fazer doações voluntárias para caridade
• Salah: Ritual obrigatório de cinco orações por dia
• Salat-ul-Juma: As orações de sexta-feira, dia sagrado dos muçulmanos, nas
mesquitas
• Saum: Jejuar durante o dia
• Shahadah: A declaração de fé ("Não há outra divindade além de Deus e Mohammad
é seu Mensageiro")
• Sharia: Conjunto de leis islâmicas, tratando de costumes e da vida em sociedade
• Sufismo: Movimento místico dentro do islamismo
• Sujud: Posição de oração em que testa, nariz, mãos, joelhos e dedos do pé devem
tocar o chão
• Sunita: O principal tronco da religião, concentrando 90% dos muçulmanos
• Surata: Capítulo do Corão
• Takbir: O processo de se concentrar numa oração e ignorar o que está ao redor
• Tawaf: Dar sete voltas na Caaba durante o haj
• Wudu: O ritual de lavar as mãos antes das orações diárias
• Xiita: O segundo maior grupo dentro da religião, concentrando 10% dos
muçulmanos
• Zakat: Doação anual de parte das riquezas acumuladas por um muçulmano

Cronologia

Origens (570-632)

• 570: nasce, em Meca, o profeta Maomé


• 595: Maomé se casa com Khadija
• 611: o profeta começa a receber a revelação do Corão
• 622: Maomé e seus seguidores migram para Medina; começa o calendário islâmico
• 630: os discípulos do profeta conquistam Meca e Maomé retorna à sua terra
• 632: Maomé morre

Formação e expansão (632-661)

• 632-634: califado de Abu Bakr, sucessor de Maomé; o Islã se expande rumo ao


Egito, Síria e Irã
• 634-644: califado de Umar, o segundo sucessor; o texto do Corão é lançado
• 644-656: califado de Uthman, o terceiro sucessor
• 656-661: califado de Ali, o quarto sucessor

Islã Clássico (661-1258)

• 661-750: dinastia Umayyad; o Islã cruza os mares e chega à Espanha e Índia


• 680: fundação do xiismo
• 750-1258: dinastia Abbasid
• 800-900: texto das Hadith é compilado
• 909-1171: dinastia Fatimid no Egito
• 1095-1270: cruzadas cristãs na terra santa

Últimos impérios (1258-1918)

• 1200-1526: sultanato de Dehli no norte da Índia


• 1350-1680: estados muçulmanos no sul da Índia
• 1380-1918: Império Otomano
• 1453: otomanos conquistam a cristã Constantinopla, que passa a se chamar
Istambul
• 1492: cristãos expulsam os últimos muçulmanos da Espanha
• 1501-1799: dinastia Safavid no Irã
• 1526-1857: dinastia Mughal na Índia
• 1654: concluída a construção do Taj Mahal
• 1798: Napoleão invade o Egito
• 1815-1900: cristãos colonizam o norte da África e o Oriente Médio

Período moderno (1918-)


• 1918: Império Otomano é dividido entre potências européias
• 1919-1984: países muçulmanos deixam de ser colônias do Ocidente
• 1928: fundada a Irmandade Muçulmana, primeiro grupo extremista
• 1948: guerra entre árabes e israelenses
• 1964: fundação da Organização para Libertação da Palestina
• 1979: Revolução Islâmica do Irã
• 1996: milícia Talibã toma o poder no Afeganistão e cria regime islâmico mais
rigoroso da Terra
• 2001: ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 contra os EUA; guerra no
Afeganistão
• 2003: EUA atacam o Iraque e derrubam o ditador Saddam Hussein; começa ofensiva
para democratizar o mundo islâmico

Links
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Sites estrangeiros

Muslim Heritage

Window on Islam

Masud.co.uk

Islam for Today

Islamia

IslamiCity

Council on American Islamic Relations

Islam World

Islaam.com

Notícias sobre o Islã na BBC

Sites brasileiros

Liga Islâmica

Associação Beneficente Islâmica do Brasil


Centros islâmicos e mesquitas

Al-Ikhlas

Centro Cultural Beneficente Árabe Islâmico

Islã e Islamismo

Portal do Islã

Tenda Árabe

Imagens do Islã

Islam BR

A mulher muçulmana

AFP

SEM A BURCA: mulher afegã nos CHICOTEADAS: iranianas punidas por ferir lei islâmica
MODA: modelo malaia exibe
exames da Universidade de
vestido de costureira saudita
Cabul
A fé e as tradições

RAMADÃ: orações na mesquita de Meca NO OCIDENTE: muçulmanos em mesquita de Chicago, nos EUA

NAZARÉ, ISRAEL: local de construção de nova mesquita


Festas e costumes

A: fiéis chegam a mesquita para orações de sexta-feira JACARTA: dançarinos se apresentam em festa no Ramadã

COMPRAS: paquistanês escolhe chapéu usado durante orações DESPERTAR NO RAMADÃ: iraquiano acorda os fiéis para oração
SOB O VÉU: iraquianas compram tecidos em mercado de Bagdá SOBREMESA: mulher egípcia espera nova fornada de kunafeh

BANGLADESH: vendedor seca porções de shemai, doce típico NA PALESTINA: primeiro-ministro Qorei no desjejum no Ramada
CORÃO FEITO DE CHOCOLATE: chef indonésio apresenta criação AFEGÃOS EM NOVA YORK: muçulmanos dividem arroz com carneiro