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\~\"\\~\\, .---r ,~ ~ Ernst Cassirer Nio ~ como negar que todo o mundo moderno viveu
\~\"\\~\\,
.---r
,~
~
Ernst Cassirer
Nio
~
como
negar
que todo
o
mundo
moderno viveu e vive , ainda ho}t, sob o Impacto
do Século da. Luzes.
A Fbsofa do lIunimmo é
uma obrl de um
grande filósofo que procura compreender o
pensamento iluminista na eua profundidade, "na
unidade de sua fonte Int.lectual a do prlncfplo
que a rege", trazendo-nos, assm , seu fescfnlo e
um valor sistemático próprio .
Para Isto , o a~
C.sal,
..
(1874-1945) toma
a
história da fl~fll não como •
d lscus'" de
reaul1ados ,
fnN
como
a
busca
de.
forças
crtadoras
que
"vam
tais
reauftados .
procurando fornecer uma " fenorMnoktgla do
.apfrito filosófico" .
O. estudos de
sobre • história dos
conceHos
clentff lcos
e
sobre
as fonnas
s imbólicas na arte, na linguagem, no mito visam
mos_ como se dê • esb'uhnção do mundo
humano. Para
ele, o homem pode ser defi nido
como um animai criador de ,rmbolo • .
2! eDIC'ÃO
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UN lCAMP

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ij j EDITORA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS UN ICAMP Rtilor. J ~ MIII'tins Filho COflSt!/hoR.drizz .ni " id="pdf-obj-2-19" src="pdf-obj-2-19.jpg">
  • EDITORA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS UN ICAMP

Rtilor. J~

MIII'tins Filho

  • COflSt!/ho Editorial A l fredo M igue l Ororio de Alme ida, AntOnio Carlos Bannwart, C6!ar FI'J.DCbço Ciaoco

Coor<knadorGeralda U~

A.od.rt Vülalobori

(PruIiú"u),

Eduardo

Guimarães, GeraJdo Severo de

SOUUl Ávila, Hcrm6gcne3 de Freitas Leltlo Filho, Ja yme

Anamos Maciel 14n:ior, Luiz CeMT Marques Filho, Paulo J0s6 Samenho MornD DinI<JrE:m: utivo: &luardo Guimar.
Anamos Maciel 14n:ior, Luiz CeMT Marques Filho, Paulo
J0s6 Samenho MornD
DinI<JrE:m: utivo: &luardo Guimar.

ERNST CASSIRER

1 93

G.~~gt

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J~~1j

A FILOSOFIA DO ILUMINISMO

Tradução :

Á L V ARO C ABRA L

~

BIBLIOTECA

M ·bo'é

P• . Inocente

F I C H A CATALOGR ÁFI CA E L ABORADA PELA BI6L I OTEC A
F I C H A CATALOGR ÁFI CA E L ABORADA PELA BI6L I OTEC A

F I C H A CATALOGR ÁFI CA E L ABORADA PELA BI6L I OTEC A CENTRAL _ UNICAt-lP

eas.iru. HmM C273r A fiJoeofll. do iluminiSClo I Erasl C-ira; 2.cd. ttaduçio: Álvaro Cal",.!. -­ 2
eas.iru. HmM
C273r
A
fiJoeofll.
do
iluminiSClo I
Erasl C-ira;
2.cd.
ttaduçio: Álvaro Cal",.!. -­ 2 .cd. •• Ca.mpi:w,
SP: Edi"nI ciro UNlCAMP, 1994
(Colcçlo Rcpert6ri Oll)
Tn.duçlo de: me PhHo90phie der aufltlbung.
1. numiDi5DlO - Filosofill.l. TItulo.
SBN 85·l6ll-0232- 1
2O.CDD- 142.1

( odiee pua CIllUogo sisl c

....

:;rieo:

  • I . lIu ro.inismo-Fi loao f lll

142.7

Coleção Repert6n03

E.~edição 6 publicada por aco:rdo com a Imprensa da UW VC1'Iidade de Yale.

Todos 0$ d i re i tos reservados.

Projeto Grífico CamiJa C"'sorino Crum

Eliana KQ~nboum

CoonSenaçio EditoriaJ

C~"SiMaP. Trix&a

Editoraçlo

Sondm VIdro ANa

""'­

Marco Antonio Slomni

Revido Korio ih Abn.rido ROSJini

Rosa DaIva V. do~lIfO

1994

Ed i to ra da UWClU1lp

Cai )!;a Pos tal 607 4

A

Max C assu e r por .~eu 75 . 0 anf ve r sár i o

F I C H A CATALOGR ÁFI CA E L ABORADA PELA BI6L I OTEC A
Cidade Univ c rsitárill _ Dario GeraldO CEP 13083-970 - Camp inas - SP _ Bras.il
Cidade Univ c rsitárill _ Dario GeraldO
CEP 13083-970 - Camp inas - SP _ Bras.il
Te].: (0 192) 39.8-412
(18 de UUfub r o
como prova de
de
/9J2 J
amor e resr;(·i/ <J .
Fax :(OI92) 39.3U7
• PREFAcIO A p r e.se n te ob ra pretende se r simulta neamente roenos

PREFAcIO A p r e.se n te ob ra pretende se r simulta neamente roenos e
PREFAcIO
A
p r e.se n te
ob ra
pretende se r
simulta neamente roenos e
mais d o q ue uma mo nogr afi a sob re
a fil osofia do ILumini smo.
Em primeiro lugar , menos: tal monografia
te ri a
toda
que
se
im
po r
co mo
tarefa, expor ante
os olhos
do
leitor
a
riqu eza dos
deta
lh es, acompanhar em
suas múltiplas
ramificaçôes
o
na sci­
me n
to e o d esenvo lvime nt o do s diverso s
pec uli ares da
filo so fia
do Ilum inismo. A pr ópria forma da coleção "Grundrisses d e r
ph ilo sophisc hen Wissenschaften" [Elementos de Ciências Filo só­
ficas 1 e os objetivos a que ela se pro põe imped e m semelhante
e mpr een diment
o. No
pl a no geral dos "G ru ndrisses" [ e leme nt os],
não se pode te r em vista o exame e a aprese ntação exaus tiv a,
em toda a sua amplitude, dos problemas propostos pela filo so­
fia do Il um in ismo. Em vez desse programa
ex tens ivo, req uer-se
um outro d e n atureza puram en te i nt e ns i va. Trata-se de co mpr e­
ender O pe n samen to ilum inista menos em sua am plitude do que
em sua profundidade. de a pre sentá- lo nã o
na to talidade dos seus
res ult ados e de suas man ifes tações hi stóricas, mas na unidade
de su a fon te int elec tu a l e d o princípio que a rege. Não me
parec.:
necessário nem possível empreender u m relato épico d e curso,
des env olvimento e des1ino da Filcsofia das Luzes; o que se pre­
 

1

I

1 I ten d e, so br e tud o, é t orna r perco!ptível se

ten d e, so br e tud o, é torna r perco!ptível

se

rea

li

zo u

nela

e

a

<.I(,~ão d ra mática

o movimento i merior que

em

que,

d e

cert o

mo d o .

Sl" l pe n same nto esteve e n volvi do. todo o va1 nr s iSlemát )::C' próprio

Tod o o f ascíni o caraclcrí~l ico, do Ilu mi ni s mo re s idem

nesse

movi me nto

.

., '0en e r g ia d" pe n same nto que O SUSci ta e na paixão

com qu e os seus problemas são equacionado s . Nessa perspectiva.

num erosos elementos se integram à sua un idade, os qu ai s.

para

um Outro método que expusesse pu r a e simplesmente os resul.

t a d os . p od er i am passar por co ntradiç õcs in sol ú veis, por uma mis t u ra e c/ é tic a d e tem as hete rogê neos . Para desvend ar s ua s ig­

n ifi cação hi s tór ica própri a, c umpre

int er pr e ta r desde um cent ro

único de perspec ti va a

suas te n sões

e

di s te

n sões, suas

d ú vi da s e

decisõcs, s eu ceticismo e sua fé i nq!.lebra m áv e l.

 
 

ES~<J é

a i:ue rpre l ação

que

esta obr a

vai

tentar oferecer.

E l a

situ a

a

filo so fi s. d o

Ibmínismo no quad ro de um mai s vusto

encadelUTlento

his t6rico,

o

qua l

não pode,

evi d ente mente,

Se r

aqui dese n volvido mas apenas esboçado e m

suas linh as geruis.

O

ce

mo

vimcmo que

nos pr opo mo s descre ver,

longe

n tra

d o

e

f ec h

ado s obre

si

e ncontra -se,

d e

es t ar muito

co n ­ pelo

co

mesmo, nt rário, Jigado po r múl tipl os n cu lo s

ta nt o

 

ao

f uturo quanto

ao pa ssa d o. Ele cons t itui apenas um a to , um

a

fase s in gu lar

do

imenso movi men to d e idéias graças ao q u a l O moderno pensll­

men t a filosófico adquiriu ti cer teza, a segurança d e si mcsm {) ,

o

se ntim ento especifico de si

e

sua

autoc onsciência especlfica_

Expus em ou tros livros, em espec ial em Indilliduum UM Kosmos

in der I' hilosophie der RClloissunce (1927) e em Die Plu/onisclle

Renuissallcl! in Englund (1 93 2), OUlras

fases

de sse vasto

movi­

mento, pr ocurand o s u blin h ar a i mportâ nc ia d as mcsmas. A pr

se nte ob ra

faz pélrl C

j n t egnmte dess a sér ie, t ant o

por se u

ob j

t i vo quanto por s u as perspectiva s metodo lóg icas. A filosofia do J(umini smo , à se melhança das obras a cimêl c ilUda s. pr ocu r u co n ­

si derar

a

his

t6rill

da

fil osof ia

so b

uma

l uz

qu

não

tem

pO r

única

finaJid

<ldc

e~tabelcccr e desc rev er 05

r

e es ultad os.

mas,

ademais, revelar a s forças

cria dora s por

meio das quais

C~M:~

resu lt ados são intimamente e labo rados. Tal método quer forn e ·

ce r,

co m o

d esenvo lv im en to da s d Outrinas e dos s iste m as

filosó­

fic

os

, lõma " f e nom eno logia

do espí rit o

ril osó rico";

quer

aoom­

pa

nh ll r . passo a

pa sso, a c onsciê ncia cadll ve z mai s cida e

mai s

profunda q u e ~sse espiri

to, mesmo tra t ando d e prob le mas obje­

tivos,

adquire

de

si

m es

mo ,

d e.

s ua

nature

za

e

d e

se u

des t ino_

de seu ca ráter

e

de sua

missã o. Que

me

se

ja permit ido reali zar

uma recapitul ação geral, uma síntese comp leta d e m ~u..

um dia es t udos

a nt e riores

é

aigo

que

não me atrevo ma is a espera r e

ainda menos ouso prome t e r .

Ne s te meio t e m po, ess es es tudo s

perma nece rão co mo meros seg mentO s separa d os, cujo curâter

f ragme nl ár io o

de sc on heço ma s qu e , seg und o

espe ro , ~ rvirão

u m di a para a co n s

lru ção d o gra nd e edifíc io quand o

chegar o

momento o portuno .

Quanto à

fi losofia

do

Ilumi.nism o. cumpre diz er que el a

orerece co ndições bas t a nt e favoráveis a esse

ne ro

de a nálisc.

Os resultados d ecisi v os, ve rdadeiramente du radouros, que ela produziu o consis t em num conteúdo doutrinai que ela teriu

rentado e laborar e rixnr dogmaticamente_ E mais do que

isso:

a ind a que não te nha to mado plena consciência de sse rato, a

~poca d as

Lu zes

perm a nece u

, no tocuntc ao conteúdo d e se u

pensame nt o. muito d e pen d e nt e d os séc ul os pr eceden t es. Apro­ prjou-se da heran ça d esses séc ulo s c ordeno u , exa mi nou , s is tema ­

tizou , desenvolveu e esc l areceu mu i lO mai s do q ue, na verdade, contribuiu com idéias originah:i e sua dem onstração. Entretlmto, a fi losofia do Ilumini smo, apesar de t er ado t ado a muioria dos seus mate ri a is de o ulr as fontes e de t er desempenhado, nesse

sen ti do, um

um a

papel 5ub ahern o, nem

pen samento filo fi co

por pcrfeitumente nova c

isso deixou de instituir

or i­

fo rma d e

g i ml !. AJXXIcra-se de r iq ucZits in telectua is e",iste n

lcs? Co n ten­

t à- se

-

!.:Orno é

vis iv

elm en te

o

ca so

no

t oca nt e

à

im agem d o

uni

físico -

cm

J ar pro sseg u ime n tu li cons tru

ção so br e os

1

 

menla devI!. sem vida, ana li sa r , eXé

minar , mas também

pro.

t uante, em

pe nno nen le

rluxo ,

n ão

pod e ria

red uzi

r-se

a

lima

   
 

vocar, fazer

na~cer a o rdem

cu ja neces sid ade

ela

co n o.:ebc u , q ue

sim pl e s soma de opiniões individuai s.

A "f ilosofi a "

do

il um i­

mai s o

Cos se

para pro var,

rea Ji s mo e verdade próprio s.

no própr io a la

de realizar -se, o se u

n

ismo p rop ri

am e nt e d ila

é

al go

muit o

d i w rso

do

co nj unlo do

q ue

fOi

pe ns ado C e nsi nado

pe los gr andes

mest rc s do pe riodo,

e impossível encontrar um acesso ti essa camada profund<l

por

Vo ltai re e

Montesquieu. Hu me

ou OiderQ t , Wol ff ou Lamber \. E la

o u

Cond illac ,

não

da

O'Alembcrt

da

fil osofi A do

Ilumi n is mo

se

nos ali vermos. com o

a

g ra nde

se destaca

$Orna

e

maiori a das ohras

nist ó ri cas

de dic!ldilS a esse

período ,

ao

seu

d a

s u ce ss ão

c ro no lóg ica dcssIl s opin iões

porqu e , d c um modo

Cor t e

longitudinal,

se

nos

coment arm os

em

fazer

d es filar

ao

ge ral,

el

n ão res ide

nurna dox o Jo g ia. mas

n a

afie

e

n

a

forma

oorrer do tempo a dive~jdade d os fe nôme nos

intel ec t ua is e dei.

d e

co n d

a u z ir

os

debate s d e

id é

illS.

As

fo rça s espiritu ai s que

a

xar ,

por assim

di zer.

que eles

se

des e nrol e m . T a l método

de

gove r na m

são pe rcept íve is n a pr6 p ria açÃo e no movi me n to

trabalho é, em

todo o

caso, defi cien te , ma s

Os

se u s defeitos

in .

con

trn uo do ,k bate:

somente aí s erá

po ss i vel cap tar a pulsação

 

tri n se cos ta l ve z

em

parl e a lg uma se ma ni fe s tem mai s clara me n te

d a

v ida

interior do pensamemo

ilumi ni s ta .

Es se

faz

q ue

les teél l'e$ espir

ituai s

o n de

as lum;a deira s vão

" de

m il

fio s

são

I

O s fios co rre m sem ser

partc da­

do qu e numa ap resc ma ção

século

XV II ,

a ind a

se

pode

da

fi losofi a

d

o

século

conservar li es pera nç a

XV III .

No

dt! descrever

d o s /

e vêm,

u m peda l

mo v i­ v is tos"

a e acompanhando esse desenvolv im e nt o d e sis t em a em

a

e acompanhando esse desenvolv im e nt o d e sis tem a em sis tema , de

tota li dade

do

come údo

do

d ese n vo lvi mento

da

fil oso fia

Descartes a Ma leb ranchc, de Spinoza a leibn iz. de Bacon e

IEi/l Trill /a u selld Fiid ell reg t. I Die Schifll e in Ilf!rüber . hi"über sC'hiessen , I Die Faden ullgesehen Jliessen ] .

Trazer

a

l uz

e sses fios

invi sí vei s

d ev e

se r

tarefa

Hob be s 1.1 Loc ke.

Mas

esse fio co nd utor a band o n a -nos no li mi a r

esse n c ial

da

para reconstru ção e da

medit ação h istó

ricas.

a P u ra

co

do cu lo

XV HI ,

porqu an to é

o

s is tema

ril osóf ic o c o mo

carece então de fon;a de lei e de re pre se ntativida

d e.

Wo lff . qu e queria obst in a dament e malH e r -se

fie l

à

tal

qu e

E

C hri s ti an

fo r ma

s iste­

se guir rc a li za r

essa ta refa,

pr ocuram os

ap resen

ta r

no

present e

li

vr o não

uma pe ssoai s, Ill

a s

h ist ór ia de diversos pens ad ores e sua s doutrina s

uma

hist 6 ria da s idéias na

I:.poca do

Ilumini smo .

mática , acredit a n do q ue e la c om portava toda a ve rd a d e especi fi ­

a fim

de qu e se pos sa apreende r e ssas iia s mai s em s u a e fi ci a

ca menle fiJo s6fica , t ambé m

tent

ou

e m

vão

qu e

o s

ou Iras

e le.

ime di a t a du

mos q ue

q ue

em sua

gênese

n:tturalmente,

teór ico-a b stra ul. Por isso tínha­

gesse m

esse

meio

par a

resolv e

r

a

to

ta li d a de

d os

probl e mas

d ecidi r,

deixar em seg un do plan o uma

  • m o sMicos

do

sCu

tempo

.

O

pensame

nto

il um in is ta

co n seg u e

pro fu são d e d e ta lhes

mas cui da n do de

n ão o m it ir ncnhUln U d as

sem pr e cx tr avaS !lr d o quadr o rígjdo do s istema

e libert ar -s e , jus­

tamente nos e s rit o s

ma is

e

mais

o riginais,

da

s u a

for çus esscnciili~ qu c

mina ra m s ua vis~o

e da na tu rCZH, d a hi stó ri a, da sociedade c dH

model aram o

ros to d o

Il u mi ni smo

d et er­

es trita di seiplin a.

o é

nus

re c undos d out ri nas

part icu lares, no s a xi o ma

s

ar te .

Gr as a

e ss e

mé todo. ê possíve l de~obri r

q ue

do sécu lo

XV IIJ . qu e

a inda

h á

q u e m

se

o b s tine e m

oomo

mi s tul'u

de

in te lecluais

a

n a

verdad c . por

um

red uz id o

número

d e

fil os ofi a

u(span: s,

é

  • c teorcmas em

qu c

ele

acaba

lllanirC i> ta

co m

maior clareza

por fixar-se que esse pen samento

ti

est rutur a

11

sua

or i.: n taçã o

u ma

ecl é tica.

temas

a pr es cnlar

car <H.a e s li ca, mas quan d o se

s ua d c ix

e lI e mpo lga r

n o

p róp ri o

d cv ir

do m ina d a ,

g rande s

  • d e su a e laboração , quando duvidA e averigua, ql1!mdo d erruba

idéias fu nd a me nt ais qu e nos são pr opos ta s numa s ín te se

   

e con Strói. A tOtaJi dad~ de sse mov i mento in ca nsa velmente riu -

e seg undo

um

a

rigorosa

art iculação . T odo

O es t udo

coeren tc hi s tóri co

   

deve pa rtir

dessa

ba se , ou

seja,

ado tar por

ponto

de

noss o obj e t ivo.

Al é m disso , ta mpou co

nece ss ida de d e , a póS

fio

condut o r que nos po de g uiar co m segu ran ç a atra vés

pa rtid a o do l abi.

a o bra

d e Kant

e

a

" r ev o lu ç.ão

do

pe nsa me nto "

realiza d a

pe la

rint o dos dog mas e das doutrinas individ uai s.

Ctic a d a raz ào

pura , reve rt e rm os aos

p ro ble mas

e

às

co nclu­

 

No que

se

refer e à críti c a

tri ca do

Iluminismo , es t á fo ra

sões

d a

fil o sofi a

do Ilumini smo. Mas se

lgu ma vez

ti ve sse de

dá-I a no âmbito de ste

li vro .

Ma s

va le co locar

se

r e scrita essa

'; hi stó ri a

da

a r azão pur a ", d

a qu a l

Ka n t

no s

de cog it ação abor nos so tr ab alh o

o

so b

a

ég id e

do

le ma spin oz is t a:

/l on ,

ri d er e,

re

ce u u m esboç o na

últim a seç ão da

C r1tica da razão. ela

o fe ­ n ão

n O/l lli gere, /leque det es t or ;, sed ímelU ge re.

A Epoca

da s

Lu zes

pode r ia deix a r de

reserv a r um

a

lu ga r

de de s taq

ue

d esc o b rir e

a afirm

pa ra aq uel a

r a r ament e ben efi c io u-se de se

me lh a nte fa vor.

O

mai

s g r av e 'd

época

qu e

fo i

a

pri me ir a

a r apaillon ada·

feit o

qu e

se

lhe

apo nta com

u me nte

é

o

de

nad a

e nl en de r

a

men te a au to no mia

da

Razã o , e

a ir:t p6-l a e m tod os o s do míni os

res peito d e

tudo o

q ue es tá h is tor ic a ment e lo nge

d e la ,

de

lud o

da vida

do

e sp íril o .

Ali á s,

é

de

um a

ev idê ncia

c r is ta li",1 q

ue

o q ue, de

um

p r6

pri a e scala

modo ge ra l , l he é

es tr anho;

de

ler

e lev

a do

a

s ua

de val ore s, co m

u ma

ingê nua s ufi c iê nc ia , à c ate ­

ne nhu ma o br a de

liza d a numa

hi s tó ri a

pe rs pec tiva

da

fil osoiia

po de se r pensada

a

e \'o ll a

rea ­

ao

pu ra me n te h is r ica : toda

go ri a

de

de a ferir

no r mll po r e sse

u ni ve r sal ,

pa d

rão

a

únic a vá

lid a

todo

o

pa ss

a do

ú n ica

poss hi s tórico . Se

e

a

a

íve l,

e

Epoca

do Ilumini smo não pod e ser int e irame nt e a bsolvida ne sse po nto,

não se rá de mais

acre sce ntar

qu e

e

la

e x pi o u com

so

br as

se u

p assa do d a f ilo sofi a co nst it ui

um

a la de consc i,e nli z açã o e de

autoc r

íl jca fil osó fica . Ora,

ma is

do qu e

n unca

, p arece- me

ser

te mp o de qu e a no ss a ép oca r ealize esse r eto rn o a u toc rítico

so bre s i mes ma

e

se

veja

00 lím pid o

es pelho

qu e

a

époc a

do

o de q ue se c a n sa

e r ro . Ess a sufi ciê nc ia do "e u se i ma is " ( " Bess er wissen s" ,

rec rimin a m o

Séc ulo d

a s Lu ze s e so

bre

a qu al ni nguém

de ac umular provas ge rou inú meros

p re co nce itos q ue ainda ho je

im pede m u m j u lga me n to ise n to do Il umi nismo.

À

Ilum ini smo lh e ofer ec e. ser fru to do " p rogre sso"

es pel ho ; muit as co isas

Muitas coisas que per de r ão se u brilh

hoj e co n sideramos

o , sem

d úvida , nesse

de que

nos

va ng lo ri

a mos pa rec er ão insó­

nos mant e mos à margem d e toda a po lê mica d ire ta

me did a que a bstem o- nos

lit as

e ca ricaturai s .

E

seria

julgar apre ss adament e e il udir- nos

de submet e r ess es p reconceitos a uma cr ít ica explí c ita, de

pre­

pe rigo same n te a trib uir toda s e ss a s de fo rm ida des

a de feit os

do

ceder, em s um a, a um " resgate" d a é poca

il umir.i sta.

O que nos

e spe lho , em vez de ir proc urar- lhe s a c a u sa em outro l ug a r . O

de tud o, fo i desen vo lve r e e sclar ece r , h ist ó rica

S aper e aude l, que é , se gundo Ka nt , a "divi sa do Il umini smo",

importou , acim a e racio na lme n te ,

o co nte úd o do seu

pe n samento

má tic a fil osó fi cu ce ntral.

Esse esc la rec

ime nto

a s ua con st itui

e

a

p ro b le­ pri.

também v al e para

peito. Cu mpr e deixar

a

nossa própria a t itud e his tórica

a

de la do os

ins ult os e a s atitu des de

se u so b ra n­

re s­

meira e a ma is indi~pcnsável c ondiç ão pa r a u ma

rev isão d o

ceri a. T en ha mos a cor agem de DOS medi r p o r e sse pe nsame nto,

fam oso processo Que O Roma nti sm o int e n tou contra a fil oso fia

de nos e x pli

car in ti ma me nt e co m e le.

O

sécu lo

q ue

 

viu e