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RELATÓRIO TÉCNICO

PROJETO SER CRIANÇA - SANTO ANDRÉ/SP


ABRIL / 2008

INTRODUÇÃO

Nos momentos de conversas – reuniões e encontros – percebemos os avanços e as deficiências do


nosso trabalho. São boas oportunidades para trocar experiências e dimensionar o que estamos
aprendendo com as crianças. Nesse aprendizado, destacamos que estamos aprendendo a conhecer
cada menino e menina e a entender o que identifica e o que caracteriza cada grupo. Alguns se
identificam e resolvem seus conflitos a partir da música e do movimento; outros fazem isso por meio
das histórias e da criação; outros ainda descobriram pequenos espaços nas comunidades para plantar
e brincar, e assim por diante. Cada uma dessas ações vem contribuindo para o cumprimento da
proposta do trabalho. Atualmente, o Ser Criança atende a cerca de 200 crianças e tem 10
educadores.

PERFIL DA EQUIPE

Todos os encontros de equipe colaboram para a preparação do trabalho e também para a


harmonização das pessoas, que têm características comuns e já estão, de certa forma, entrosadas no
trabalho. O aprimoramento das questões metodológicas é importante para que a equipe possa dar
novos passos. Alguns aspectos acabam se tornando lugar comum e o grupo está se policiando para
não cair na mesmice.

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ATIVIDADES DESENVOLVIDAS DURANTE O PERÍODO

• Encontros de educadores, pais e coordenação

Em geral, as reuniões de pais e as atividades voltadas para o envolvimento comunitário acontecem


mensalmente. Nessas oportunidades, são feitas avaliações do trabalho com as crianças e reflexões
sobre as mudanças, mas também aproveitamos para discutir as situações conflituosas e os problemas
com as famílias das crianças.

• Atividades com o Bornal

O Bornal tem sido muito utilizado pelas crianças, que fazem questão de incluí-lo nas propostas
semanais. Primeiro, a atividade ganha um caráter lúdico e aos poucos as crianças vão percebendo
que essa brincadeira auxilia no desenvolvimento escolar.

• Atividades nas comunidades: passeios, ruas de lazer etc.

Por uma questão de necessidade pedagógica, as crianças e os educadores promovem os passeios e as


atividades em ruas, praças e espaços coletivos em geral. A partir dessa atuação, o projeto ganha
visibilidade e o respeito das pessoas, mesmo daqueles que não são pais dos participantes do projeto
Ser Criança.

• Outras atividades

- Atividades com os pais e a comunidade.


- Atividades com a Mala de História e com o ateliê.
- Brincadeiras diversas.
- Grupos de produção e atividades com as mães.
- Banco do Livro.
- Acompanhamento da coordenadora.

METODOLOGIA

O projeto Ser Criança insere-se no contexto de um projeto muito amplo nas comunidades, o Projeto
Sementinha, unidos em torno do objetivo comum de contribuir para a transformação social. Os

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princípios que orientam e norteiam nossos projetos são:

9 Lugar como ponto de partida. Tudo acontece nos lugares e em determinado espaço temporal.
Portanto, os temas sociais (alimentação, educação, saúde, solidariedade, meio ambiente, etc.), são
vivenciados como temas inter-comunicantes e complementares para potencializar as nossas ações.

9 Envolvimento comunitário. Mais do que estar conectados, a parceria com mães, vizinhos,
professores o aproveitamento de cada recursos tem como propósito levar a educação das crianças, a
todos os níveis do debate público e da participação comunitária.

9 Formação de Educadores
Todo o trabalho,está baseado em ações de mobilização comunitária e educação popular. A
metodologia consiste em fazer de cada morador um educador popular, comprometido com a
transformação social e o desenvolvimento de sua comunidade.

Neste sentido os educadores, formados e capacitados, atuarão como multiplicadores - agentes de


mudança, provocadores de novas práticas, monitores dos processos e impactos alcançados. E esse
processo de formação é continuado e permanentemente acompanhado, monitorado e sistematizado.

• Cronograma

Data Atividade realizada Numero de participantes Carga horaria


13/04 Encontro com a coordenaçao 16 8 horas
14/04 e
Visitas aos nucleos 4 turmas visitadas 12 horas
15/04
17/04 Atividade com a equipe (avaliaçao e
10 16 horas
18 /04 planejamento)

INDICADORES DE AVANÇO

- Procura das escolas por atividades realizadas em conjunto.


- Equipe mais entrosada.
- Trabalho mais organizado.
- Aprendizado das crianças.

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- Rodas alegres e divertidas.
- Participação dos pais.
- Convivência e receptividade nas comunidades atendidas pelo projeto.
- Atividades prazerosas.
- Almoço e lanches sem conflitos.
- Lanches mais gostosos e cardápios mais ricos.
- Atividades com a Mala de História.
- Atividades com o Bornal de Jogos.

INDICADORES DE DIFICULDADE

- Dificuldade de criar, em alguns locais, atividades capazes de atrair pais e comunidade.


- Mães com dificuldade de trabalhar operações de divisão e multiplicação com as crianças.
- Dificuldades de trabalhar com as crianças agitadas.
- Sobrecarga de trabalho e estresse de alguns educadores.

REFLEXÃO

No âmbito interno, ainda buscamos formas de envolver as famílias, de tal forma que a comunidade
possa se organizar e participar ativamente do projeto e abrace a causa que o trabalho busca defender:
melhor acolhimento por parte dos pais e da comunidade e busca dos direitos e de uma educação que
propicie às crianças desenvolver todas as suas potencialidades. A grande dificuldade de alcançar isso
se dá porque o que estamos tentando resgatar ou discutir são valores, sobretudo os culturais. Para
isso, o primeiro passo é entender que precisamos ouvir e aprender uns com os outros.

O trabalho tem muitos desafios, muitos pontos positivos e alguns negativos, mas a equipe tem
trabalhado com esses dois lados. Acredito no trabalho e penso que vale tentar todos os dias.

BREVE SÍNTESE

No geral, as comunidades recebem muito bem o projeto Ser Criança, embora as mudanças ainda não
tenham sido suficientes para promover uma transformação radical em nossos pontos de encontro.
Exemplo disso é que tivemos assaltos em um ponto de encontro e ainda não conseguimos melhorar as

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condições de higiene de algumas comunidades.

Percebemos também que avançamos, pois as mães já socializam mais suas dúvidas e seus medos nas
rodas, além, é claro, de participar da produção da alimentação. Os jogos, o ateliê (trabalho com
sucata) e a Mala de História são bem trabalhados nas comunidades, assim como o Banco do Livro.

Ednalda Aparecida dos Santos


Educadora - CPCD

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ANEXOS

• Depoimentos

“Eu gosto da hora da sucata: eu faço um monte de coisa legal. Aqui é divertido, pois a gente brinca o
tempo todo.”
Iara Martins, 9 anos
Lígia, educadora

“O Ser Criança é nosso, é de todo mundo. Todos os dias a gente vem para cá e nos divertimos muito.”
Rafael Alves, 8 anos
Daiane, educadora

“Ensino para os meus irmãos a fazer bateria com lata de Nescau e carrinho com caixa de leite. A
educadora cumpre os combinados, mas tem criança que não cumpre e outros cumprem.”
Thiago Wanner, 9 anos
Sônia, educadora

“Eu cumpro de vez em quando, porque tem dia que eu não faço o combinado e fico lá fora. Eu ensino
lá em casa música, brincadeira e combinado e lá na escola ensino também para os meus amigos que
não estudam aqui.”
Mikaeli, 9 anos
Suziane, educadora

“Eu ajudo no dever de casa e quando alguém não sabe mexer no computador. Eu também ajudo a
organizar o ateliê. Sinto-me bem em ajudar na limpeza do parque.”
Henrique Silva, 8 anos
Lígia, educadora

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RELATÓRIO TÉCNICO

PROJETO SER CRIANÇA - SANTO ANDRÉ/SP


MAIO / 2008

INTRODUÇÃO

Exatamente um ano após o início das atividades com o Ser Criança, é muito bom perceber como o
trabalho nos grupos se desenvolveu. As crianças estão mais felizes e falantes, os grupos se mostram
mais organizados, coesos e harmoniosos. Nas rodas, muitos dos conflitos do dia-a-dia foram
resolvidos e muitas idéias evoluíram, dando origem a novas idéias e atividades, a exemplo do Banco
do Livro, que funciona em duas comunidades, e da “Banca do livro”, que atende em outras.

PERFIL DA EQUIPE

Atualmente, dez educadores trabalham no Ser Criança, contando com a coordenação. A maioria dos
educadores já está trabalhando com a metodologia há aproximadamente seis anos, e essa experiência
tem sido fundamental para deixar a equipe mais tranqüila. Podemos dizer que é um grupo
harmonioso e bastante descontraído, todos estão preocupados com a formação, freqüentando a
faculdade ou fazendo cursos.

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ATIVIDADES DESENVOLVIDAS DURANTE O PERÍODO

• Reunião de educadores

Toda semana, as educadoras se encontram para avaliar o trabalho e planejar a próxima semana. Na
oportunidade, algumas questões são discutidas e essa reflexão gera novas propostas.

• Bornal de Jogos na praça

Semanalmente, os educadores se encontram nas praças e quadras, em horário contrário ao da escola,


para usar o Bornal de Jogos. Esse combinado é para cumprir a agenda de experimentação e
avaliação dos jogos.

• Outras atividades

- Roda de bate-papo e planejamento com crianças e educadores.


- Atividades com os pais e a comunidade.
- Passeios diversos.
- Atividades com a Mala de História.
- Brincadeiras e atividades lúdicas diárias, como o ateliê, por exemplo.
- Oficinas com os pais: cerâmica, fuxico, tricô etc.
- Banca do Livro.
- Acompanhamento da coordenadora.
- Acompanhamento do CPCD.

A partir de uma pauta estabelecida anteriormente com o grupo do Ser Criança, o acompanhamento
consiste em realizar visitas e reuniões nas quais dialogamos sobre o trabalho. Como os projetos são
complementares e trabalham junto à proposta de acolhimento às crianças de Santo André, esse
acompanhamento também atinge o Sementinha, que geralmente divide o mesmo espaço e os
equipamentos nas comunidades.

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CRONOGRAMA DE 06 A 10 DE MAIO

Dia Atividade Avaliação

Reunião com a equipe de Na reunião anterior, conversamos um pouco sobre o MDI.


coordenação. Dessa vez, infelizmente, constatamos que não houve uma
continuidade da idéia. Mesmo assim, essa tecnologia
06/05
continua sendo introduzida, sobretudo para ajudar na
discussão sobre o tema “Alimentando sonhos”, trabalho
realizado com um grupo de mães dentro do Ser Criança.

Acompanhamento do Ser Visitei duas comunidades: pela manhã, no Parque Miame,


Criança e do Sementinha – não houve a presença das crianças. Penso que o local
Parque Miame e Jardim escolhido contribuiu para o desinteresse da comunidade.
Santo André (Bornal de Já à tarde, na Vila Missionários, os grupos se mobilizaram
Jogos na praça). e cerca de 60 crianças participaram da atividade.

07/05 Foi muito bom. Embora a comunidade tenha uma fama de


violenta, as crianças freqüentam as ruas e as atividades
são respeitadas.

Quanto aos jogos, percebi a segurança dos educadores


com a sua aplicação e que as crianças dominam os jogos
e adoram a atividade.

Manhã – Jardim Irene (visita As atividades do projeto Sementinha estão totalmente


ao grupo da educadora integradas à comunidade, embora todas as pessoas ainda
Aline). não participem dos eventos. Percebemos que, para o bom
funcionamento dos grupos, assim como acontece no
Sementinha, dependemos da participação da comunidade.
Tarde – reunião de Infelizmente, esse espaço que visitamos não evoluiu muito.
educadores (Cata Preta). É um espaço sujo e pouco organizado.

Nos encontros, o MDI (Maneiras Diferentes e Inovadoras)


08/05 nos ajudou a pensar novos e velhos nós do trabalho, a
exemplo do roubo ocorrido no espaço do Sementinha, o
que nunca tinha acontecido antes. De repente, aconteceu
em dois espaços (Irene II e Toledana), exatamente na
comunidade em que percebemos pouco avanço. Na
reunião da tarde, conversamos sobre isso e a nossa
reflexão é de que precisamos dar abertura para que os
pais se apropriem do projeto (percebemos que, às vezes,
há resistência do educador nesse sentido).

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Manhã: encontro com o É a nossa segunda visita à ONG Aldeias Infantis. Por
grupo da ONG Aldeias coincidência, eu estava aqui na época da primeira visita e
Infantis (20 educadores) e dessa vez também. Depois da apresentação das pessoas e
visita aos núcleos. dos projetos, divididos em grupos, fomos às comunidades
e participamos das rodas e das atividades, conversamos
Encontro com os com as crianças e com os pais. Meu grupo foi para o Sítio
coordenadores do Ser dos Vianas (Ser Criança da educadora Conceição) e depois
Criança. fez uma breve passagem pelo grupo da Suzi, na Favelinha
do Amor. Foi muito agradável: as crianças se socializaram
com os visitantes, em um clima descontraído e ao mesmo
tempo de seriedade e compromisso.

09/05 À tarde, levantamos alguns avanços da equipe e das


crianças. Também discutimos as dificuldades, sobretudo
agora, após a saída da coordenadora Drica, que a Maria
tem acompanhado sozinha o trabalho.
Planejamos o encontro de amanhã, que acontecerá na
Toledana, no espaço da Inês. Decidimos que vamos
conversar sobre as memórias e a participação dos pais.

OBS: na quinta, também conversei brevemente com a


Gisela, que está acompanhando os grupos. Ela já esteve
em Curvelo e Araçuaí por 20 dias e agora tem um
cronograma de acompanhamento até junho. Parece que
ela está gostando.

Formação da equipe do Ser Ficamos toda a parte da manhã em reunião. O espaço


Criança utilizado foi o da educadora Inês. Dentre os temas
discutidos, pensamos no registro das histórias e na
sistematização das memórias. Depois, partilhamos alguns
avanços individuais dos grupos e dos educadores (tabela
sobre questões).

À tarde, acompanhei o grupo mais recente no Jardim Irene


Visita ao Ser Criança do (educadora Daiana). O grupo tem as características da
Jardim Irene primeira fase de trabalho: ainda está se organizando nas
10/05 (Educadora Daiana) questões do dia-a-dia, como lanche, roda e dever, mas
mostra, ao mesmo tempo, a mesma alegria e euforia, fruto
do encantamento com as novidades do projeto.

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METODOLOGIA

O “Ser Criança” tem como princípio a “educação pelo brinquedo” e como premissa metodológica a
roda, a pauta, a avaliação e a memória. Ao tomar o lúdico como base de ação este projeto foi
criando vários sub-projetos: a Mala de Histórias , a brinquedoteca, a cozinha experimental, o projeto
“Bornal de jogos, o Ateliê de artes, A Banca do Livro, O Banco do Livro, As “mães do Puff”- oficina de
reciclagem com as mães do Bairro Missionários, entre outros.

• Atividades

Todas as crianças passam por todas as áreas do projeto, em atividades diárias: horta, jogos,
confecção de brinquedos, fantoches e bonecos a partir de sucata, teatro, brincadeiras, música, leituras
de livros, organização dos espaços, etc.

As promoções coletivas, acontecem regularmente, sendo estes temas amplamente debatidos e


consensualmente aprovados pela “roda".

O educador-coordenador funciona como "provocador" e elo de ligação de idéias e propostas no grupo


e inter-grupos. As avaliações diárias com as crianças, semanais com educadores e mensais com os
pais, garantem a prática da "ação-reflexão-ação".

Numero de
Data Atividade realizada Carga horaria
participantes
06/05 Encontro com a coordenaçao 16 8 horas
07/05 e Visitas aos nucleos 4 turmas visitadas 16 horas
10/05
08/05 Atividade com a equipe (avaliaçao e 10 16 horas
planejamento)
09/05 Intercambio de educadores 30 4

INDICADORES DE AVANÇO

- Intercâmbio do projeto com as escolas.


- Desenvolvimento das crianças.
- Harmonia nas rodas.

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- Alguns grupos têm muita facilidade para envolver os pais na resolução dos problemas vivenciados
no projeto, principalmente em relação à alimentação.
- Convivência e receptividade nas comunidades atendidas pelo projeto.
- Convivência com os grupos do projeto Sementinha. Geralmente, as atividades são complementares
e as ações são desenvolvidas em conjunto, como as reuniões e ruas de lazer, por exemplo.
- Desenvolvimento dos educadores por meio de estudos.
- Mais autonomia das crianças.
- Almoço e lanches sem conflitos.
- Confecção dos lanches e manutenção dos espaços pela comunidade.
- Atividades com a Mala de História.
- Atividades com o Bornal de Jogos.
- Oficinas na comunidade: bonecos, caixas, pufes e cerâmica.
- Desenvolvimento de hortas em algumas comunidades.
- Atividades de embelezamento dos espaços com a tintura de terra.
- Muitos visitantes e interessados no projeto.

INDICADORES DE DIFICULDADE

- Saída de uma das coordenadoras.


- Como dito anteriormente, o trabalho com as crianças está se desenvolvendo, mas sentimos alguma
dificuldade de evolução em relação à equipe. Persistem ainda problemas antigos que não
conseguimos resolver, como a dificuldade de envolver os pais no dia-a-dia, por exemplo, por mero
comodismo de achar que é mais fácil fazer sem o pai do que ter o trabalho de discutir e explicar, ou
seja, de convencê-lo.
- Violência em algumas comunidades.
- Situação de péssimas condições de vida em algumas comunidades atendidas pelo projeto
(moradia, alimentação etc.).

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RESUMO

Educador/
Principal avanço Questão importante
Espaço

Lígia (Parque A parceria com a escola, que tem sido o ponto de - Como preparar a transição das
Escola). encontro da educadora, que por sua vez tem crianças dos projetos para a
acompanhado bem as dificuldades das crianças no que escola e a comunidade?
diz respeito ao nível de aprendizado.

Suzi A melhora da relação com a comunidade e os pais, - Como trabalhar a identidade


(Favelinha do que estão mais cuidadosos com seus filhos, foi o maior pessoal e cultural dessas
Amor) o maior avanço do trabalho. crianças e famílias?

Marlene A educadora, juntamente com seu grupo, assumiu o - Como trabalhar o afetivo
(Lamartine) Bornal de Jogos. Muitas atividades são desenvolvidas sexual e as relações
sobre sua coordenação, inclusive os jogos na praça, a interpessoais?
avaliação e a distribuição dos jogos nos grupos etc.

Val A educadora tem desenvolvido um trabalho bem - Como melhorar, cada vez
(Guaraciaba) próximo da escola, usando inclusive seus espaços e mais, o desenvolvimento
discutindo com as professoras as dificuldades das escolar?
crianças.

Jacinta e A cantoria e as brincadeiras são o grande destaque - Como melhorar o aspecto de


Daiana (Parque desses dois grupos. higiene e limpeza nessas
Irene) comunidades?

Inês (Toledana) A convivência com a comunidade e a relação com as - Como melhorar a alimentação
questões ambientais. Esse grupo tem uma hortinha, das crianças?
que é cuidada com carinho.

Conceição (Sitio A organização do grupo e da roda; o trabalho com os - Como ampliar o trabalho com
dos Vianas) pais; a integração com o Sementinha e com a os pais?
comunidade em geral.

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REFLEXÕES

Sabemos que é imprescindível a participação e, em algumas situações, uma mudança radical nas
relações. Enfim, uma mudança no modo de vida, tanto no nível interno como no externo. Percebemos
que as atividades e as discussões já proporcionaram maior autonomia e participação em um conjunto
de ações ambientais, educacionais e, sobretudo, nas relações interpessoais e nos cuidados com o
ambiente onde atuamos, mas isso ainda não atinge todos os envolvidos e esse processo é mais lento
exatamente onde mais precisamos.

Sinto falta de conversar mais com a equipe sobre as questões do dia-a-dia, como a relação com as
crianças, por exemplo, e de construir com elas o MDI, mas a realidade do projeto é de que existe uma
coordenação local e minha função é discutir esses pontos com essa coordenação e esperar que isso
influencie na organização e no acompanhamento feito por ela. Acho que o grupo de coordenação
desenvolve um excelente trabalho, tem conseguido avanços e principalmente tem construído um
aprendizado a partir das experiências.

Infelizmente, para mim, nossos encontros são periódicos. Sempre reunimos alguns temas para a
discussão: são encontros agradáveis e cheios de aprendizagem, mas não conseguimos fazer uma
panorâmica do trabalho.

O mais interessante nesse último encontro foi que conversamos um pouco mais sobre os registros e as
memórias do projeto. A partir de algumas dinâmicas de escrita, conseguimos levantar algumas
histórias às vezes minimizadas diante do volume de atividades do projeto. Esse material enriquece os
registros.

BREVE SÍNTESE

Conforme agenda confeccionada no início do ano, fizemos o segundo acompanhamento de 2008. Por
uma semana, visitei alguns grupos e algumas rodas com educadores e coordenadores. Percebi que
houve uma redução radical na demanda de crianças nas comunidades em que atuamos. Existem
demandas em outras comunidades, mas não há expectativa de ampliação do atendimento.

Esse período de frio e de baixa umidade é sempre muito crítico nos grupos, pois, além do mal-estar
provocado pelo frio, as crianças adoecem muito: resfriados e renites pioram a vida, sobretudo nas
comunidades mais carentes.

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ANEXOS

BREVES HISTÓRIAS

1. De onde vem a agressividade das crianças

Por muitas razões já tantas vezes discutidas na nossa roda e em todos os segmentos da sociedade, o
que mais está em voga é a violência, não só contra as crianças, mas sobretudo entre elas, pois estão
quase sempre inseridas num contexto violento, principalmente nas periferias, onde infelizmente
convivem com a guerra do tráfico de drogas, que gera morte, medo e submissão. Infelizmente, isso
também se reflete no Ser criança. Essa observação foi feita e discutida no grupo da Diana, educadora
no Jardim Irene.

A roda estava cada vez mais agitada e as crianças estavam se batendo muito. Até que os irmãos
Mauro e Maurício, que são muito assíduos, faltaram por três dias e a educadora foi à casa deles. A
mãe falou que os meninos sairiam do projeto, pois sempre chegavam machucados em casa, depois de
brigas no espaço do projeto e algumas vezes na rua. A conversa girou em torno da constatação de
que essa realidade só mudaria com a participação de todos no projeto, inclusive da mãe, pois as
crianças já estavam aprendendo a conviver. Apurando os fatos, a educadora descobriu que, na
verdade, os irmãos mais velhos e mesmo a mãe participavam de brigas na rua. A irmã, Sabrina, foi
tirar satisfação com outras crianças, porque a mãe avisa que “quem apanhar na rua, chegando em
casa, apanha dobrado”.

Felizmente, as crianças continuam na roda e a discussão prossegue, pois percebemos que, embora as
mães falem das brigas, sua atitude é sempre de incentivo a essa agressividade das crianças, o que
dificulta a mudança de paradigma.

Mas já percebemos algum avanço no trato dos pais com seus filhos, inclusive de pais (homens), que
têm participado mais das atividades. Observamos que houve mudança, principalmente no
comportamento das crianças, que estão menos agressivas. Porém, esse trabalho precisa continuar
atingindo mães como essa, pois acreditamos que, mudando seu comportamento com os filhos,
podemos transformar a sociedade, contribuindo para que a comunidade viva melhor.

“Depois do projeto, as crianças estão mais sociáveis e diminuíram as confusões nas vielas da favela.”
Ana Tereza (moradora)

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2. Grupo do Pufe

Na Vila Missionários, concentram-se as mulheres do grupo do pufe, que tem esse nome por causa da
desculpa que elas arrumaram para se encontrar: fazer pufes para as crianças do Sementinha
sentarem. Há muito tempo, porém, as atividades não se resumem mais a fazer pufes, nem o grupo é
mais composto somente de mulheres. Hoje, adolescentes, crianças e até um homem fazem parte dele.
Visitá-los é sempre uma alegria: são muitas histórias divertidas e principalmente depoimentos de
transformações pessoais a partir da convivência no projeto e entre eles. Uma mãe chamou a outra,
que chamou mais duas, a outra levou o irmão, que precisava “colocar outras coisas“ na cabeça. As
mães foram levando os filhos e aos poucos o grupo cresceu e se formalizou, buscando novos projetos
e até um espaço maior para guardar o que produz: sofás, quadros, cestos de roupa suja, pufes, mesas
de centro e tudo o mais que puderem imaginar usando papel, garrafas PET, papelão e jornal.

• Banco do Livro

A Vila Missionários tem um exemplo de ações integradas e bem aceitas pela comunidade: além dos
projetos Sementinha, Ser Criança, grupo de mães, Bornal de Jogos e Mala de História, aqui funciona
também o Banco do Livro. Num espaço improvisado, os livros foram organizados em prateleiras, onde
ficam disponíveis para leitura e troca.

Diariamente, pela manhã e pela tarde, uma educadora recebe os usuários para a troca – um livro por
outro. O espaço já é bem conhecido na comunidade e tem usuários freqüentes. Atualmente, a
coordenadora desse espaço é a Suely, que esteve afastada por mais de um ano, por motivo de saúde,
voltando agora para assumir o Banco do Livro.

• Mães avós

O conceito de família tradicional já não existe mais, sobretudo nas grandes metrópoles. Isso também
se evidencia no projeto. Nas rodas e encontros, ouvimos depoimentos os mais variados e um ficou
particularmente comum: o de avós que assumem a responsabilidade e a guarda dos netos, pelo
abandono dos pais e até mesmo pela falta de condição, por estarem presos ou trabalhando fora.

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RELATÓRIO TÉCNICO

PROJETO SER CRIANÇA - SANTO ANDRÉ/SP


JUNHO / 2008

INTRODUÇÃO

As comunidades onde o projeto Ser Criança acontece são basicamente as mesmas nas quais o projeto
Sementinha é realizado. Essa proximidade permite que a comunidade compreenda melhor a
metodologia e a filosofia do projeto, agregando as pessoas às propostas, pois elas percebem as
diversas ações que estão sendo implementadas, como Banco do Livro e Banco de Jogos, Alimentando
Sonhos, grupos de mães, Mala de História, Ateliê de Artes, além de outras atividades coletivas, como
hortas, cinemas e oficinas. É um projeto muito interessante, emocionante, agradável e prazeroso para
todos. As crianças se sentem valorizadas, estão mais responsáveis pelo lugar onde vivem, mais alegres
e bem cuidadas. Atualmente, o Ser Criança atende cerca de 200 crianças e conta com 10 educadores.

ATIVIDADES DESENVOLVIDAS DURANTE O PERÍODO DE ACOMPANHAMENTO

As atividades do projeto Ser Criança acontecem de segunda a sexta-feira, no horário contrário ao da


escola formal, em oito pontos diferentes da cidade de Santo André, sempre com o foco nas dimensões
do Plano de Trabalho e Avaliação (PTA). Elas dependem do contexto do grupo e são discutidas
semanalmente pelo grupo de crianças e de educadores. É comum uma mesma atividade contemplar
mais de uma dimensão, já que são todas interligadas dentro de uma proposta, de um objetivo. Se
observarem, além do acolhimento, uma ação contribui para outras descobertas e soluções dentro do
grupo.

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• Acolhimento

As mães contribuem para o acolhimento das crianças participando da confecção do lanche e de outras
ações dentro do grupo, juntamente com as crianças envolvidas no projeto. Hoje, essa participação não
se limita mais aos pais e parentes das crianças, pois as pessoas já perceberam que fazer o lanche e
participar da organização do ponto de encontro é algo que traz muita alegria e, dessa forma, elas
podem contribuir para que o trabalho funcione. Temos casos de mulheres cujos filhos já deixaram o
projeto ou nunca participaram e mesmo assim elas fazem questão de colaborar nas atividades.

Uma das atividades mais interessantes é a compra de alimentos e a confecção do cardápio. As mães
discutem as receitas e vão à rua adquirir os alimentos para a sua confecção. Além da Mala de
História, agora também adotamos nos espaços as algibeiras de livros, histórias e revistas. Entre os
educadores, também podemos notar uma grande diferença na leitura e principalmente na escrita das
memórias. As histórias estão cada vez mais presentes nas rodas e, gradativamente, as crianças
começam a se interessar pela leitura, o que se reflete na escola e já tem gerado boas parcerias com as
professoras.

No bairro Guaraciaba, as crianças e a educadora descobriram uma fórmula bem interessante de


trabalhar a música a partir da história da mala. Foi um “casamento” positivo, pois quem gostava de
música também passou a querer saber as histórias que seriam musicadas e vice-versa. Os meninos
com dificuldade de expressão também estão mais soltos com as atividades de sons e movimentos. Para
isso, utilizamos sucata, o corpo, objetos trazidos pelas crianças e o que mais aparecer.

Chamamos de ateliê o espaço de criação com as crianças. A atividade começa na construção e


abastecimento desse espaço com os materiais mais diversos e interessantes que crianças, pais e
educadoras encontram pela comunidade, além, é claro, de material como cola, tesoura, pincéis,
papéis diversos, recursos fornecidos pelo projeto. Com a participação de todos, a cada dia surge um
material diferente. Todo esse estímulo se reflete nas criações e atividades desenvolvidas dentro do
ateliê. No Parque Escola, espaço da educadora Lígia, as crianças contam história, desenham, pintam,
bordam, inventam mil coisas baseadas e inspiradas nas obras de Monet e de outros grandes artistas.

• Aprendizagem

Os diários de bordo, tanto da Mala quanto do Ateliê e do Bornal, ajudam no desenvolvimento da


leitura e da escrita das crianças e até dos educadores. O que ficou do dia é escrito, lido e apresentado
por todos. Nesse momento, eles podem discutir diversos aspectos dessa leitura, seja de forma subjetiva

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ou em relação aos significados das palavras e dos códigos de leitura e escrita. Isso tem gerado outras
produções: cordéis, músicas, acrósticos etc.

Os jogos se multiplicaram nos espaços do Ser Criança e automaticamente no projeto Sementinha. Esse
é um momento de integração entre esses grupos, pois, com as tardes de jogos, eles têm trabalhado
juntos de forma mais freqüente. Os educadores se encontram para confeccionar, aplicar e avaliar a
eficácia dos jogos entre si e com as crianças e também com a comunidade. Os resultados positivos
desse trabalho contribuíram para melhorar esteticamente os jogos e, é claro, a sua eficácia.

Os educadores, por sua vez, estão sempre atentos aos acontecimentos, que funcionam como
indicadores do que é preciso trabalhar com as crianças. Com isso, prestam mais atenção no
comportamento e no desenvolvimento de cada uma. Caso percebam algo diferente, isso é conversado,
primeiramente na equipe e depois com os pais, que às vezes não conseguem perceber os problemas
em casa. Esse exercício é diariamente registrado pela memória e semanalmente é avaliado e
planejado nas reuniões de equipe.

• Afetividade

Ao brincar, as crianças recriam e repensam os acontecimentos, avaliam e sugerem aos educadores, de


forma muito delicada, onde e como trabalhar para responder às perguntas do PTA. As brincadeiras
fazem bem à saúde e às relações dentro dos grupos. Rapidamente, os grupos se organizam para
brincar, recriam e inventam novas brincadeiras. Brincar é uma atividade diária em todas as rodas.

Algumas rodas utilizam a música para resolver seus conflitos e ampliar suas discussões. Com isso e
aproveitando uma idéia que já deu certo, surgiu a Mala de Música. Nela, a música vira história, a
história vira música e os educadores têm acesso a um material rico em qualidade e quantidade. As
crianças aprendem ouvindo e discutindo boas músicas, além de conhecer grandes autores e cantores.
Alguns grupos constroem instrumentos e experimentam sons.

Neste mês, para fechar essa atividade, as crianças puderam assistir ao espetáculo “Pra Nhá Terra”,
dos grupos Meninos de Araçuaí e Ponto de Partida, ambos de Minas Gerais. Foi emocionante ver a
alegria e a espontaneidade dos meninos, que já conheciam e gostavam de todas as músicas do CD.
Há algum tempo, eles trocam correspondências com o Ser Criança de Araçuaí e o encontro foi como o
de velhos amigos que já mantêm um diálogo e estão afinados pela mesma prática: a roda.

Projeto Ser Criança - Santo André/SP 3


A melhoria e o embelezamento dos espaços continuam sendo o grande desafio para o grupo,
sobretudo para os educadores, que se sentem incapacitados para tal empreitada. Algumas
comunidades realmente não oferecem a menor infra-estrutura e alguns convivem diretamente com o
lixo e com o risco de moradias inseguras e inadequadas. Isso nos desafia a pensar formas de atuar
dentro das casas e com as mães, buscando a melhoria do lugar.

Infelizmente, porém, apesar da intervenção dentro dos pontos de encontro, ainda não conseguimos
ampliar esse olhar para fora da sala do Ser Criança. Apenas quando nos sentirmos aptos para essa
transformação é que ela ocorrerá na prática. Muito tem sido feito: pintura com tinta de terra, jardins,
hortas e ornamentação, mas ainda precisamos discutir muito essa nova estética. Hortas e jardins
movimentam alguns grupos, outros se envolvem nas pinturas, outros se colocam mais nas ruas, com
jogos e brincadeiras, histórias e passeios.

• Envolvimento comunitário

Muitas atividades contribuem para estimular o envolvimento dos pais nas discussões, sejam os
encontros diários de alimentação ou as oficinas de produção (bonecas, pufes etc.), os encontros da
Banca de Livro, os jogos ou os encontros mensais de avaliação do trabalho. Tais encontros e
atividades fortalecem a relação entre educador/mãe, mas principalmente nos ajudam a refletir sobre a
importância desse trabalho em conjunto, para realmente transformar algo dentro da comunidade.
Percebemos uma maior participação e, sobretudo, maior afinidade com o projeto.

• Outras atividades do período

- Passeios com as crianças.


- Cuidado e manutenção dos espaços.
- Visita às exposições e aos eventos com as mães envolvidas nas oficinas, a exemplo da exposição
Casa Cor, em São Paulo.
- Reunião de coordenação realizada semanalmente.
- Reunião de educadores realizada semanalmente.
- Correção de relatórios e memórias.
- Festas comemorativas.
- Oficinas culinárias.
- Mala da alimentação.
- Repasse de oficinas de alimentação e outros.
- Acompanhamento pelo CPCD.

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METODOLOGIA

Dentro do PTA, estabelecemos nossos objetivos e traçamos estratégias para conquistá-los. Essas ações
são praticadas e experimentadas no nosso dia-a-dia com as crianças e as avaliações diárias, semanais
e mensais (com crianças, educadores, com os pais) garantem a prática da "ação-reflexão-ação",
vamos buscando a cada dia novas idéias e propostas para melhorar cada vez mais o projeto e atingir
nossos objetivos.

• A roda

Na roda, cada um é sujeito da aprendizagem com suas diferenças e experiências de vida, contribuindo
com sua formação e a dos demais componentes, em um espaço horizontal e igualitário. Aos poucos a
roda adquiriu seu auge no projeto primeiro como ferramenta de planejamento dos educadores,
segundo como forma de discutir e promover idéias com crianças, adolescentes e com adultos também.
Todas os dias as atividades educacionais iniciam-se com a "roda" Ali sentam-se educadores-e-
educandos para conversar e planejar, dar notícias, comentar fatos, elaborar pautas, discutir
alternativas e organizar as tarefas.

• O Envolvimento Comunitário

A apropriação do projeto pela comunidade é fundamental no nosso dia-a-dia, os pais são mais que
participantes, são protagonista do processo educacional de suas crianças e adolescentes, o que já
avaliamos, possibilitou o enraizamento e a consolidação da proposta. Percebemos com isso o
surgimento de novas perspectivas de ação para as famílias e novas propostas educativas como os
grupos que se organizam para produzir, reciclar e cooperarem com o trabalho.

Numero de
Data Atividade realizada Carga horaria
participantes
06/05 Encontro com a coordenaçao 16 8 horas
07e08/05 Visitas aos nucleos 4 turmas visitadas 12 horas
Atividade com a equipe (avaliaçao e 10 8 horas
09/05
planejamento)

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CRONOGRAMA DE ACOMPANHAMENTO

Atividade Observação

Reunião com a equipe de Planejamento do acompanhamento e discussão sobre as


coordenação. principais questões: MDI, avaliações, sistematização dos sete
30/06
anos de atividades e outras questões do cotidiano foram
tratadas em bate-papo (alimentação, roda, compromisso
ambiental etc.).

Visitas aos pontos de encontro. Visitar os pontos de encontro é uma boa oportunidade de
praça) conhecer e conviver com as crianças, apesar da rapidez. Dessa
01/07 vez, pude andar um pouco pela Vila Missionários, do outro
lado da Toledana. Quando começamos com o projeto
Sementinha aqui, em 2001, essa era a comunidade mais
violenta e desestruturada.

Conversa com as mães do Percebe-se que onde há atividades com a comunidade, nos
grupo de produção de pufes e locais onde as pessoas participam de oficinas, reuniões e
do trabalho com jornal, além outras ações do projeto, tudo é mais fácil, inclusive com as
de visita à Casa Cor, em São crianças. Embora sofram as mesmas dificuldades, as soluções
02/07 Paulo. são mais simples e as “coisas” fluem.

Tarde: reunião de educadores


(Cata Preta).

Reunião com a coordenação Os educadores no horário contrário às atividades realizadas


do projeto Ser Criança para com as crianças se encontram com a comunidade, nas praças
combinar a reunião e discutir e quadras, para usar o Bornal de Jogos, fazer oficinas de
03/07 alguns aspectos do trabalho. brinquedos, de culinária, assim como promover encontro com
os pais e atividades com a Mala de História.
Encontro com coordenadores
do Ser Criança.

Formação da equipe do Ser Na reunião, trabalhamos com o MDI, exercício que merece
Criança. muitos encontros e reuniões. Dessa vez, conseguimos fazer
uma agenda de atividades que ajudou na compreensão desse
instrumento de trabalho. No MDI, além das atividades com as
04/07
crianças, discutimos também a formação do educador e as
relações dessa equipe, para não deixar morrer o espírito de
time. Combinamos de avaliar daqui a um mês e de refazer o
trabalho.

Projeto Ser Criança - Santo André/SP 6


PERFIL DA EQUIPE

O grupo é formado por 10 educadoras com idade entre 19 e 45 anos. Cada uma delas mora em um
ponto da cidade, sendo que algumas têm origem nordestina. Todas atuaram no projeto Sementinha,
até mesmo as coordenadoras, e apenas uma tem menos de dois anos de projeto.

A equipe tem procurado formas de melhorar o relacionamento entre as pessoas do grupo. Nas sextas-
feiras, ao sentar para avaliar o trabalho, procuramos promover momentos que elevem a auto-estima,
reforçando o bem-estar das pessoas por meio de dinâmicas, textos, relaxamentos etc. As reuniões têm
se tornado mais interessantes, pois a cada semana tem novidade na roda, além de relatos e
avaliações das atividades com as crianças. A questão mais importante no trabalho é, sem dúvida, o
fato de estarmos conseguindo dar mais segurança e fazer com que elas se sintam mais valorizadas e
possam decidir mais dentro da própria casa. Muitas mulheres voltaram para a escola e estão
envaidecidas com isso.

INDICADORES DE AVANÇO

• Qualitativos

- Maior afetividade entre as crianças.


- Desenvolvimento escolar.
- Mais compromisso dos pais.
- Convite da coordenação e da direção das escolas para as atividades do Ser Criança.
- Visitas mensais de acompanhamento escolar das crianças.
- Algumas educadoras levaram os jogos para aplicar nas escolas onde as crianças estudam. Isso
contribuiu para a divulgação e o reconhecimento do projeto. A partir dessa ação, surgiu outra: “O dia
do Jogo”, que acontece nas ruas e vielas das comunidades.
- A prática do projeto de fazer roda, brincar, ouvir e falar com as crianças de forma respeitosa é hoje
comum nas comunidades e nos bairros onde o projeto acontece.
- A aprendizagem acontece espontaneamente: adultos e crianças aprendem e descobrem juntos
formas de convivência e acolhimento e acabam gerando oportunidades de aprendizagens mútuas.
- Hoje, a convivência dos filhos com os pais acontece de forma mais carinhosa e amigável, os pais
conhecem mais os seus próprios filhos, conseguem contar histórias na hora de dormir, cuidar da horta
juntos, atividades que antes não eram realizadas.

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• Quantitativo

- 13 jogos criados.
- Utilização dos jogos em todas as rodas.
- Criação de Mala de Alimentação e Mala de Música.
- Visitas a 5 escolas.
- Confecção do cardápio.
- 8 encontros com os pais.
- 2 passeios realizados.
- 4 reuniões de planejamento.

INDICADORES DE DIFICULDADE

- Problemas de saúde e estresse das educadoras são indicadores de dificuldades para lidar com as
questões conflituosas com as crianças e os adolescentes.

- Uma perda prematura foi um dos pontos mais marcantes, negativamente, do mês de junho. Uma
de nossas crianças morreu, vítima de mais uma fatalidade, ou talvez de negligência da nossa
comunidade. O barraco onde morava pegou fogo. Ela e os irmãos estavam sozinhos, foram
socorridos, mas não deu tempo de salvar sua vida. Irreparável e dolorosa situação, pois o mais triste é
pensar que não conseguimos ainda tornar a segurança da criança uma prioridade absoluta nessa
comunidade.

- Falta de estrutura em alguns pontos de encontro.

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RESUMO

Educador/espaço Principal avanço Questão importante

Lígia (Parque A alegria e a descontração das crianças é visível. - Desenvolvimento escolar.


Escola) Aos poucos, as crianças e a educadora foram se
apropriando do espaço e da roda e hoje as idéias
fluem facilmente, assim como as conversas.

Suzi Discussão sobre as questões ambientais e estéticas - Integrar a família.


(Favelinha do do ponto de encontro e da comunidade.
Amor) Criação do “Ta tudo bem”, que aproximou muito os
pais das crianças e uns dos outros.

Marlene As atividades coletivas e lúdicas têm propiciado - Aprendizado escolar.


(Lamartine) maior integração e harmonia no grupo, que
avançou muito na convivência, inclusive com o
Sementinha.

Val (Guaraciaba) A história tem feito diferença e proporcionado - Harmonia no grupo.


muitas mudanças de comportamento e avanços nas
relações interpessoais.

Jacinta e Daiana O grupo começa a discutir e a intervir no espaço - Cuidado da comunidade com a
(Irene) onde vive. Essa é uma urgência na comunidade. qualidade de vida das crianças.

Inês (Toledana) A horta é o que tem harmonizado mais o grupo e o - Desenvolvimento escolar.
educador se realiza visivelmente fazendo tal
atividade. Plantar, preparar a terra, colher, tudo
ligado à terra proporciona atividades prazerosas
para esse grupo.

Conceição (Sítio O ritual de comer junto e de inventar novas formas - Trabalho com os pais.
dos Vianas) mais agradáveis para as atividades coletivas
avançou a partir das discussões na roda e das
saídas do grupo.

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REFLEXÕES

O projeto Ser Criança conta com a participação mais ativa das crianças neste segundo ano de
atuação. Os pais já reconhecem e valorizam o trabalho e, sempre que possível, contribuem com o
lanche dos filhos, com as rodas, as brincadeiras e as conversas sobre o dia-a-dia.

As reuniões de educadoras acontecem periodicamente e permitem a elas maior disposição e abertura


às críticas para a evolução do processo educativo. As memórias, que são elaboradas semanalmente,
são instrumentos de aprendizagem da prática do trabalho e da leitura e da escrita.

Com a horta, as crianças passam a entender a vida de forma simples e se sentem mais responsáveis
por ela. Tudo é importante: o caracol, a borboleta, a lagarta, a minhoca, as plantas, a terra, o cocô
do cavalo, o cavalo, o céu, a chuva, o sol e, principalmente, as pessoas pequenas, as grandes e as
velhinhas, como dizem as crianças. O compromisso ambiental é trabalhado e vivenciado com as
crianças, que levam para casa essa prática e ajudam a reforçar as discussões da roda também com a
família.

BREVE SÍNTESE

O projeto foi indicado ao prêmio de destaque da cidade pela Livre Mercado. Recebemos, entre as
diversas visitas, a jornalista Ana Aranha, que deseja produzir, juntamente com a produtora Cara de
Cão, um documentário falando sobre a educação infantil, a partir da pedagogia da roda e do
Sementinha.

Que as crianças aprenderam e gostam de contar histórias, isso todos já perceberam, mas atualmente
os avós, os vizinhos, todo mundo tem se envolvido nessa roda. É uma forma de aprender e de
perpetuar a tradição de ouvir e contar histórias.

Ednalda Aparecida dos Santos


Educadora - CPCD

Projeto Ser Criança - Santo André/SP 10


ANEXO

• Depoimentos

“O projeto é meu toda hora, mas quando mexo no ateliê ele é mais meu ainda.”
Simone, 10 anos
Lígia, educadora

“Sempre estou perguntando se estão indo e como está lá. As crianças acham muito legal, pois podem
brincar, fazem a lição e lancham. Acho que o projeto é muito bom: é organizado, é um apoio e uma
maneira de complementação.”
Helena Maria, 38 anos
Professora da Escola Estadual Júlio Pignatari – Ed. Suzi

“No projeto, todo mundo faz tudo junto.”


Anderson Quirino, 10 ano
Jacinta, educadora

“Eu já inventei no projeto um carrinho de rolimã que foi feito com potinho de Danone e com garrafa.
Eu olhei no ateliê, fui pegando as coisas e foi aparecendo o carrinho.”
Keren, 10 anos
Valdirene, educadora

“No projeto, aprendi a fazer culinária, a fazer jogo e ensinei a fazer lampião. As crianças gostaram e
achei muito bom, porque assim a gente pode ensinar para outras pessoas.”
Andressa, 11 anos
Marlene, educadora

“A gente resolve todos os nossos problemas na roda, conversando.”


Tamires, 8 anos
Val, educadora

“Eu gosto de ajudar a enfeitar o espaço para ele ficar lindo.”


Talita da Silva, 9 anos
Inês, educadora

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“O momento que eu sou mais feliz é quando eu estou brincando.”
Rafael Alves, 8 anos
Daiane, educadora

“Eu aprendi no projeto que as pessoas se respeitam muito e todos são tratados com igualdade. É isso
que levo para as pessoas que eu conheço.”
Clécio Moreira, 35 anos
Morador do Jardim Cipreste - Ed. Jacinta

“Eu gostaria de conhecer as outras crianças do projeto Ser Criança.”


Henrique Silva, 8 anos
Lígia, educadora

“Sempre falo, dou minha opinião e sempre sou ouvida. Quando não concordo, coloco e juntos
repensamos.”
Suziane, 23 anos

“Antes eu olhava as pessoas e não as via. Hoje, eu olho, as vejo e sei que cada criança tem algo a nos
ensinar, porque antes eu pensava que elas somente aprendiam. E hoje eu sou uma prova viva de que
elas também nos ensinam.“
Lígia, 27 anos

“Hoje, todos têm mais um pouco de entendimento e responsabilidade pelo projeto Ser Criança.
Estamos caminhando para um bairro educativo.”
Inês, 38 anos

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RELATÓRIO TÉCNICO

PROJETO SER CRIANÇA - SANTO ANDRÉ/SP


JULHO/ 2008

INTRODUÇÃO

Durante o mês de julho, o projeto faz uma pausa de duas semanas, simultânea às férias escolares.
Algumas crianças, juntamente com os irmãos que não participam do projeto, viajam com as famílias,
geralmente para a casa dos avós ou parentes no interior. Alguns vão com as mães ao Nordeste rever
familiares que os pais deixaram há muito tempo. Durante esse período, os educadores fazem uma
avaliação do primeiro semestre e planejam a segunda etapa do ano.

Para encerrar as atividades, o grupo promoveu um encontro para apresentar os relatórios semestrais.
É um momento de sistematização de resultados que geralmente mobiliza todos os participantes – pais,
educadores e crianças. Além de muito educativo e de ser importante para o trabalho, esse exercício é
muito prazeroso.

O evento que marcará o início do segundo semestre será uma exposição de móveis organizada pela
equipe, juntamente com as “mães do pufe”, grupo integrado por mulheres das comunidades de
Cruzado, Vila Missionários e região que trabalha com reciclagem de jornal. Esperamos que essa
exposição mobilize e sirva de incentivo para outros grupos se organizarem em pequenas equipes de
produção. Embora isso não seja a prioridade do trabalho com as mães, as oficinas geram mais que
dinheiro: elevam também a auto-estima e promovem maior autonomia dessas mulheres. A exposição
acontecerá na primeira quinzena de agosto, no Parque Escola, lugar onde se encontra o escritório
administrativo dos projetos Sementinha e Ser Criança e onde também funciona um grupo do Ser
Criança.

Projeto Ser Criança - Santo André/SP 1


ATIVIDADES DESENVOLVIDAS DURANTE O PERÍODO DE ACOMPANHAMENTO

O planejamento das atividades é constantemente norteado de acordo com as dificuldades da equipe e


do andamento dos grupos, pois percebemos que, às vezes, uma atividade é bem-sucedida durante
uma etapa, mas depois é abandonada, gerando problemas e esquecimento de ferramentas
fundamentais. Por isso, em determinados momentos, é preciso relembrar algumas premissas
metodológicas do projeto, a exemplo da roda e do brincar.

Durante esse período, até mesmo por causa das despedidas e das férias escolares, a brincadeira, o
passeio e a festa fizeram parte das atividades de forma efetiva, resgatando algumas ações que
estavam um pouco esquecidas, como a construção de brinquedos, por exemplo.

• Acolhimento

As diversas malas de histórias são trocadas mensalmente, oportunidade em que os grupos aproveitam
para organizar algo com o intuito de mostrar ao restante do projeto. Nesses momentos, além do
talento, as crianças se mostram extremamente felizes em receber umas às outras e suas famílias.

As rodas de conversa e bate-papo são diárias e hoje não existe conflito entre as crianças que não seja
resolvido pela roda. As próprias crianças chamam para a roda, onde discutem os problemas que
surgem.

• Aprendizagem

Correspondências, cartas, bilhetes e presentes são formas prazerosas de incentivar as crianças a ler e
a escrever. As crianças trocam cartas entre si e com os participantes do projeto Ser Criança de Araçuaí,
em Minas Gerais. Algumas rodas escrevem diários e memórias, que são rituais prazerosos nos quais
as crianças buscam sanar as dificuldades de escrita, com o objetivo de mostrar aos colegas e visitantes
um trabalho que vem se desenvolvendo de forma cada vez melhor.

• Afetividade

Receber o lanchinho feito pelas mães com música e festa é um momento que se mostra muito afetivo
na roda, sobretudo quando elas “inventam moda”: levar um livro para contar uma história, por
exemplo.

Projeto Ser Criança - Santo André/SP 2


Além de promover a leitura, o Banco e a Banca do Livro têm se tornado cada vez mais um espaço de
convivência e de troca de experiências. Mesmo quem diz que não gosta de ler freqüenta o grupo,
buscando aliviar o estresse e conversar um pouco. Nesse momento, as pessoas se conhecem melhor e
a educadora aproveita para saber um pouco mais a respeito das famílias e, é claro, para falar do
projeto e de sua metodologia.

Outras atividades do período

- Mala da História
- Resgate de contação de história na comunidade
- Resgate de histórias
- Visitas de educadoras a outras rodas
- Teatro de sombras
- Atividade com instrumentos criados de sucata
- Reuniões de educadores
- Reuniões de coordenadores

METODOLOGIA

A roda: Na roda, todos são educadores e educandos, ao invés de trabalhar com idéias massificadas
de cultura, a roda fortalece as identidades culturais locais, o que se converte em mais solidariedade e
espírito comunitário. A roda gira em qualquer lugar onde haja espaço para a reflexão coletiva.

A Avaliação: Ao final de cada dia de trabalho, a roda de novo se forma por grupo para a avaliação
do que foi feito, dos resultados obtidos, das dificuldades encontradas, das questões não resolvidas, da
participação, dos avanços, dos insucessos.

Formação: A certeza de que só a existência de educadores comprometidos e bem formados é condição


essencial para o êxito de nossos projetos, levou o CPCD a investir seus esforços, energias e recursos
na capacitação destes profissionais: provocadores de mudanças, criadores de oportunidades,
construtores de cidadania e promotores de generosidade. Os educadores são moradores da própria
comunidade onde atuam, refletindo pelo desenvolvimento de seu próprio habitat, o seu lugar.

Participação: Criança, adolescente, adulto - homens e mulheres - participantes, não como meros
beneficiários ou objetos de nosso interesse, mas sujeitos e parceiros de todos os processos e etapas dos

Projeto Ser Criança - Santo André/SP 3


projetos, possibilitaram o enraizamento das propostas, a apropriação de novos conhecimentos, a
geração de novas tecnologias e a formulação de indicadores de qualidade (IQP).

Todas as ações e objetivos específicos previstos, são monitorados periodicamente usando como
instrumento de medição e acompanhamento: Monitoramento de Processos e Resultados de
Aprendizagem - MPRA

Data Atividade realizada Numero de Carga horaria


participantes
07/07 Encontro com a coordenaçao 16 8 horas
09/07 Visitas aos nucleos 2 turmas visitadas 4 horas
10/07 Atividade com a equipe (avaliaçao e 10 8 horas
planejamento)
12/07 Festividades de encerramento 20 4horas

ENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO

A roda não só enriquece e aproxima as comunidades do trabalho, mas nos ajuda a refletir sobre a
importância de ter os pais fazendo parte desse trabalho. Hoje, felizmente, percebemos maior
participação e, sobretudo, maior afinidade com o projeto. Esse envolvimento poderá tornar-se ainda
mais efetivo quando os educadores conseguirem criar mais “portas”, oportunidades de participação e
de apropriação do projeto pela comunidade. Para isso, precisamos aprender a discutir abertamente
todas as dificuldades com os pais, o que ainda não acontece.

PERFIL DA EQUIPE

Podemos dizer que a equipe do Ser Criança é um grupo empenhado e comprometido com o papel de
educar, embora algumas vezes o desgaste e as dificuldades da vida cotidiana e os conflitos pessoais
causem desânimo e falta de energia no trabalho. Em razão dessas e de outras questões que
influenciam no desempenho dos educadores, construímos um MDI, que não apenas ajuda na
discussão como melhora a harmonia e a coesão da equipe, dentro e fora do projeto. Para enfrentar o
desgaste da realidade enfrentada pelo grupo, foram propostas diversas atividades, como leitura,
correspondências, telefonemas, oficinas etc.

Projeto Ser Criança - Santo André/SP 4


INDICADORES DE AVANÇO

- Harmonia entre as crianças e os pais envolvidos no trabalho.


- A relação entre os participantes do projeto tem melhorado muito, sobretudo nos grupos que já têm
mais tempo de atuação. Mesmo a entrada de crianças mais agitadas não abala mais o grupo, que
está mais entrosado e reconhecendo a metodologia da roda como forma de resolução de problemas.
- Brincar também é algo fácil e as crianças estão se desenvolvendo mais e melhor nas escolas.
- As crianças se mostram mais carinhosas.
- Maior entrosamento das equipes dos projetos Ser Criança e Sementinha.
- Mais harmonia no trabalho.
- Melhor qualidade no atendimento e na recepção das crianças.
- Exercício do trabalho em equipe.
- A roda gera cada vez mais oportunidades de expressão.
- Discussão dos nossos “gargalos” e dificuldades de maneira aberta e proativa.

INDICADORES DE DIFICULDADE

- Ainda é difícil, para alguns educadores, coordenar as rodas diante dos conflitos de algumas
crianças, como a agressividade e a violência sofrida na família.
- Pais que não participam das atividades também representam um problema de difícil solução para
as educadoras.
- Alguns pais alcoólatras e crianças que sofrem violência.
- Espaços restritos e pequenos em algumas comunidades.
- Promover ações visando a estética e o cuidado em alguns espaços.

REFLEXÕES

Brincar, cantar e dançar são atividades que tornam as relações mais fáceis e deixam as crianças mais
dóceis e alegres. Geralmente, o clima do Ser Criança fica mais harmonioso quando o educador
investe em processos mais lúdicos de discussão dos conflitos. Aos poucos, os educadores, os pais e a
própria vizinhança do projeto vão percebendo isso. Já é muito comum ouvir comentários sobre as
mudanças das crianças e a alegria vivenciada no ponto de encontro.

Precisamos, no entanto, resgatar com os próprios educadores e com os pais o encantamento pelo

Projeto Ser Criança - Santo André/SP 5


brincar, pois isso só será efetivo no grupo no dia em que for um exercício prazeroso também para o
educador.

BREVE SÍNTESE

Que as crianças aprenderam e gostam de contar histórias todos já perceberam, mas atualmente os
avós, os vizinhos, enfim, todo mundo tem se envolvido nessa roda. É uma forma de aprender e de
perpetuar a tradição de ouvir e contar histórias.

As memórias são lidas e discutidas mensalmente e, a partir dessas conversas, podemos perceber
avanços na escrita e no contexto das mesmas. Os grupos de pais, embora não concentrem todas as
famílias, formam uma microrrede de apoio às atividades e ações do projeto, seja na confecção dos
lanches, nos acompanhamentos de passeios, eventos e festas, seja na participação em oficinas.

Quando questionadas ou quando têm a oportunidade de falar, as crianças oferecem soluções simples
para os conflitos e problemas do dia-a-dia. Muitos dos problemas são solucionados nas rodas, sem
estresse e sem drama, pelas crianças, que conseguem ter uma visão mais clara e sem vícios das
situações. Esse exercício já vem sendo praticado por alguns educadores e precisa tornar-se cada vez
mais efetivo no projeto.

Ednalda Aparecida dos Santos


Educadora - CPCD

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ANEXO

• Maneiras Diferentes e Inovadoras - MDI

Perguntas Ações Tempo Responsável Resultados

De quantas maneiras - Registro da experiência em um diário de


Todos os dias Educador
diferentes e inovadoras coisas positivas.
(MDI) pode-se promover
Educador e coordenadora
maior afetividade entre os - Confecção de um jornal
Mensalmente Márcia
envolvidos no projeto Ser do Ser Criança.
Criança?
- Ligações diárias para saber como foi o dia. Diariamente

- Cartas para as crianças mais


Semanalmente Educador
“problemáticas”.
- Visita semanal (de bate-papo) a uma
família. Semanalmente Educador

- Encontro do “grupo do jogo”. Semanalmente Educador

- Ritual da amizade.
Mensalmente Educador

- Brincadeiras nas ruas das comunidades. Semanalmente Educadores

- Espaço para discussão da leitura (livros e


Mensalmente Márcia
revistas) do educador.

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