1- Direito Internacional Público e Privado-conceitos fundamentais Conceito O Direito Internacional Público trata das relações entre os sujeitos

de Direito Internacional (Estados), aplicando regras, princípios e costumes internacionais outras entidade são modernamente admitidas como pessoas internacionais, ou seja,como capazes de ter direitos e assumir obrigações na ordem internacional (organismos internacionais). Desenvolvimentos histórico Para os povos antigos em regra, a guerra era tida como meio de dirimir controvérsias, sendo a paz a exceção. O primeiro tratado de que se tem documentação é datado de 3100 a.C. Na Grécia na de antiga eram aplicados institutos jurídicos que até a presente data são empregados no Direito Internacional Público tais como: arbitragem, como meio de solução de controvérsias; o princípio da necessidade de declaração de guerra; o direito de asilo; a neutralização de certos lugares; a prática do resgate e a troca de prisioneiros de guerra. A criação do ius gentium no Império Romano foi marco inicial que afirmava pelo direito universalmente aplicável a todas as gentes (livres) do império, idéia de lei universal. Francisco de Vitória viveu entre 1480 e 1546, para o autor, o Direito das Gentes é um direito de todos os povos, como um direito cultural comum aos povos, bem diverso do ius civitates de Hugo Grócio, fundamentado no princípio da pacta sunt servanda, idéia que ascendeu ao chamado Direito Internacional Público clássico. O Direito Internacional Público, recente ramo, surge para alguns autores em 1648 a partir dos tratados de Münster e Osnabrücke, também ditos de Paz de Vestfália (1648). Hugo Grócio, viveu entre 1583 e 1645, considerado fundador do Direito Internacional Público. A denominada Paz de Vestfália consagraria a regra “na região dele, a religião dele”, que quer significar na região (leia-se território) sob o império de um príncipe esteja vigente unicamente uma ordem jurídica, a sua ordem jurídica -a territorialidade do direito, situações de aplicar-se leis estranhas ao sistema jurídico nacional devem ser reguladas por este. O princípio da igualdade jurídica dos Estados. A Paz de Vestfália predominou até a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) denominada de “Direito Internacional Clássico”. Congresso de Viena (1815), tentativa de organizar a ordem internacional, partindo da idéia de que toda mudança deveria se processar pelo consenso. O Direito Internacional Público, a partir de 1919, com o Tratado de Versalhes, passou a ser marcado por uma característica que perdura até hoje, a descoberta de que para a consecução de qualquer objetivo, em âmbito internacional, o Direito Internacional deveria ser concebido como um corpo de regras para o aperfeiçoamento desejável nas suas relações recíprocas, pela via da cooperação.

1) Costumes O costume é a fonte mais antiga do Direito Internacional Público. como prova de uma prática geral aceita como sendo o direito. o Tribunal decidirá de acordo com os princípios gerais do Direito e da equidade”. 4. quer especiais. art. Pela extraordinária proliferação de organizações intergovernamentais especializadas. Estatuto da Corte Internacional de Justiça. O grande desafio do séc. XX do Direito Internacional Público foi a ampliação de seu âmbito de atuação. mas uniformes. reconhecidos pelas nações civilizadas. Sob ressalva do art. por meio da diplomacia multilateral institucionalizada: Pela abertura do Direito internacional. os princípios gerais do direito. A presente disposição não prejudicará a faculdade da Corte de decidir uma questão ex aequo et bono. formado por atos autônomos e isolado. Após a Segunda Guerra Mundial o mundo se reorganiza buscando a regulamentação da paz. XVII (com os Tratados de Paz de Vestfália). se as partes com isso concordarem. cuja função é decidir de acordo com o direito internacional as controvérsias que lhe forem submetidas. . XXI. que assim estabelece: “A corte. 59 (a decisão daCorte só será obrigatória para as partes litigantes e a respeito do caso em questão) as decisões judiciárias e a doutrina dos juristas mais qualificados das diferentes nações. como meio auxiliar para determinação das regras de direito. quer gerais. Se não existirem regras internacionalmente reconhecidas. pois marca a passagem de Direito internacional estritamente de coexistência e inicia o Direito Internacional Público de cooperação. Para o séc. ou cujo nacional for parte dele. a luta será a busca dos correspondentes mecanismos para a implementação das conquistas anteriores. mas com Tratado de Versalhes inaugura uma nova etapa para as relações internacionais. aplicará: as convenções internacionais. a Organização das nações Unidas. 38. o Tribunal aplicará regras do Direito Internacional”. o Tribunal decidirá conforme as estipulações da mencionada convenção.O Direito Internacional Público surge efetivamente após o séc. Pela instituição de uma organização cimeira. o costume internacional. aberta a todos os estados. que estabeleçam regras expressamente reconhecidas pelos Estados litigantes. Na falta dessas estipulações.Fontes do Direito Internacional Público “Se a questão de direito a resolver estiver prevista por uma convenção em vigor entre o beligerante captor e a Potência que for parte do litígio.

a regra consuetudinária é o resultado de atos seguidos que constituem precedentes. com ênfase no elemento material “constituído pela repetição durante um período bastante prolongado de certos atos”. pode o costume derrogar a norma expressa em tratado: nesse caso. a certeza de que tais comportamentos são obrigatórios. para aqueles Estados que se retiraram do mesmo instrumento para denúncia unilateral. a consuetudo. O costume mesmo positivado em tratado internacional continuará a existir para aqueles Estados que desses tratados não são partes. Da mesma forma. Princípios próprios do Direito Internacional Público. Em todos os ramos do Direito podem ser encontrados princípios que. ou ainda. que. a exemplo dos princípios da boa-fé e do respeito à coisa julgada. não contidos nos tratados ou que não necessitariam ser consagrados pelo costume. ou subjetivo. ou seja. entre as partes contratantes. “aceitos por todas as nações in foro doméstico”. vão transpondo-se para o plano internacional. e b) um elemento psicológico. Um tratado é idôneo para derrogar. A parte que alega determinada norma costumeira deve provar a sua existência e sua oponibilidade à parte diversa perante a Corte Internacional de Justiça. refere-se aos princípios gerais do Direito como aqueles reconhecidos pelas nações civilizadas.O costume era fruto de usos tradicionais aceitos durante longo período. é uma prática reiterada de comportamentos. até a sua efetiva aplicação dentro do quadro das fontes do Direito Internacional Público¹. Princípios que derivam das considerações do direito e da humanidade. Os princípios gerais são caracterizados como aqueles que nascem de convicção jurídica generalizada. 38. pouco a pouco. No Direito Internacional Público inexiste hierarquia entre as normas costumeiras e as normas convencionais. pode ser um simples uso ou prática. no início de sua formação. do direito adquirido e do pacto sunt servanda. a opinio júris vel necessitatis. certa norma costumeira. . 2) Princípios Gerais do Direito O Estatuto da Corte Internacional de Justiça. III do art. ou seja. As tipificações de princípios gerais podem ser múltiplas: Princípios gerais do Direito Interno. Para que um comportamento comissivo ou omissivo seja considerado como um costume jurídico internacional torna-se necessária a presença de dois elementos constitutivos: a) um elemento material. no inc. Princípio da boa-fé Princípio do respeito a coisa julgada Princípio do direito adquirido Princípio da pacta sunt servanda Princípio da não agressão Princípio da solução pacífica dos litígios entre os Estados Princípio da auto-determinação dos povos Princípio da coexistência pacífica Princípio do desarmamento Princípio da proibição da propaganda de guerra. é comum dizer que o tratado quedou extinto pelo desuso.

embora controvertida. é a doutrina dos autores mais qualificados. invocando-a como princípio geral. importância bem maior do que no direito nacional de qualquer Estado. do Estatuto da Corte Internacional de Justiça. mas como a equidade é um princípio geral. poderia decidir de acordo com ela. no plano internacional. a equidade tem tido aceitação cada vez maior. e seu uso encontra certas limitações no Direito Internacional. 38. conforme estipula o art. mas como eventual manifestação do costume podem ser invocadas. 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça. como meio auxiliar. Equidade É meio suplementar que visa o preenchimento de lacunas do direito positivo. da Corte. 38. a disposição pela qual se outorga ao juiz a faculdade de decidir de acordo com a equidade quando as partes assim solicitarem. provenientes da manifestação volitiva de um único sujeito de Direito Internacional e aptos à produção de efeitos jurídicos.Jurisprudência O art. embora não constem do rol do art. O método é compensação integrativa. Essa qualidade é atribuída aos atos unilaterais essencialmente normativos com reflexos na comunidade internacional. porque ela não cria. O art. Se forma do conjunto das decisões arbitrais proferidas na solução de controvérsias entre Estados nas cortes internacionais Não existe obrigatoriedade do precedente. Analogia O uso da analogia consiste no uso de norma já concebida para aplicar-se a uma situação semelhante. 38. As Resoluções emanadas das Organizações Internacionais Intergovernamentais Não estão expressamente enumeradas no art. mas somente interpreta mediante a reiteração de decisões no mesmo sentido. A jurisprudência tem. A analogia e equidade são métodos de raciocínio jurídico. 38 menciona a expressão ex aequo et bono. estipula que em suas decisões a Corte poderá recorrer como meio auxiliar “as decisões judiciária e a doutrina dos publicistas mais qualificados das diferentes nações. do Estatuto da Corte Internacional de Justiça. se trata de meio auxiliar não é fonte do direito. como meio auxiliar para a determinação das regras de direito”. Doutrina A doutrina a ser seguida. . com o objetivo de garantir decisões pautadas nos conceitos de justiça e ética. A autorização das partes é imprescindível. Atos unilaterais são considerados fontes do Direito Internacional por alguns autores. que se ajuste ao exato contorno do caso posto ante ao intérprete. Entende-se por atos unilaterais os atos jurídicos de cunho internacional. O recurso à equidade depende da aquiescência das partes em litígio. O papel e o alcance dos atos unilaterais e a possível obrigatoriedade destes em Direito Internacional Público.

Os Tratados Conceito: Definimos tratado como acordo internacional celebrado por escrito entre Estados ou outros sujeitos de Direito Internacional regido pelo Direito Internacional.1. são acordos necessariamente decorrentes de outro acordo já existente. na sua forma. na alínea “a”. Renovar. 2º. quer de dois ou mais instrumentos conexos. pois necessitam de maior celeridade e dispensam a apreciação legislativa. A Convenção de Viena de 1969 assim define a expressão plenos poderes. do art. devem ser escritos e podem apresentar-se num único documento.. firmada em 23 de maio de 1969. Eles estabelecem regras de interesse geral as quais os Estados se obrigam a observância do disposto na convenção desde que se transforme numa lei interna.1) Capacidade das partes Todo Estado tem capacidade para concluir tratados. 6º da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados (1969).O ato jurídico não está entre as fontes capazes de criar normas. Celso D. 204. b. mas o importante é examinar o contido no ato. p. Condições de Validade b. qualquer que seja sua denominação particular”. para manifestar o consentimento do Estado ou da . a Santa Sé e os territórios internacionalizados também podem celebrar tratados. nos termos do art. os Estados. entrando em vigência no ano de 1980. sem êxito. ou em vários. alínea c: “Plenos poderes significa um documento expedido pela autoridade competente de um Estado ou pelo órgão competente de uma organização internacional e pelo qual são designadas uma ou várias pessoas para representar o Estado ou a organização na negociação. Não obedecem a todas as fases do procedimento (solene). A Constituição Federal de 1988 prescreve que a União. cujo teor é o regime jurídico da instalação física daquela no território deste. art. mediante aprovação prévia do Senado Federal. Acordos de forma simplificada: ou acordos executivos são aqueles que não são submetidos ao Poder Legislativo para a aprovação. que preveja expressamente. 212) detalha alguns aqui transcritos: Concordata: são os assinados pela Santa Sé sobre assuntos religiosos ou em um tratado bilateral em que uma das partes. Rio de Janeiro. é a Santa Se. v. A Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados. Há divergências quanto à extensão dos acordos celebrados pelas organizações insurgentes e beligerantes. em Viena. São concluídos pelo Poder Executivo. de Albuquerque Mello (Curso de Direito Internacional Público 15 ed. Para a sua validade basta a negociação e a assinatura.2) Habilitação dos agentes A habilitação consiste na concessão de plenos poderes aos representantes dos entes internacionais (plenipotenciários) para negociar e concluir tratados. V). realizar operações externas de natureza financeira (art. o Distrito Federal e os municípios podem. Acordo de sede: significa um tratado bilateral em que uma das partes é uma Organização Internacional e a outra um Estado. Algumas tentativas têm sido feitas no sentido de vincular os termos ao tipo de tratado. Além das Organizações Internacionais Intergovernamentais. 52. quer conste de um instrumento único. conceitua tratado como sendo¹: “um acordo internacional celebrado por escrito entre Estados e regido pelo Direito Internacional. através de cláusula especifica a celebração de um novo tratado. Quanto aos Estados soberanos é ilimitada. os beligerantes. adoção ou autenticação do texto de um tratado. 2º.

previne controvérsias acerca de um eventual abuso ou excesso de poder. Os demais plenipotenciários demonstram semelhante qualidade por meio da apresentação de carta de plenos poderes cuja expedição é feita pelo Chefe de Estado e tem com destinatário o governo copactuante. b. à ocasião da assinatura e reduz ao mínimo a perspectiva da arguição cuida-se do desenvolvimento da participação do Poder Legislativo na formação da vontade do Estado sobre o comprometimento exterior.4) Objeto lícito e possível O objeto capaz de validar um tratado deve ser lícito. Chefes de missões permanentes: não necessitam de carta de plenos poderes nos tratados bilaterais realizados apenas entre o Estado acreditante e acreditados. se necessário. Eles dispõem de representatividade originária. por parte do plenipotenciário.3) Consentimento mútuo A importância da matéria versada nos tratados: reclama o pronunciamento pessoal do Chefe de Estado. A manifestação de vontade dos participantes deve estar isenta de qualqualquer espécie de vício do consentimento. possui a carta de plenos poderes. Chefes de Missões Diplomáticas. junto aos Estados em que estão acreditados. A Carta de Plenos Poderes.2) Quanto ao procedimento: Solenes ou em devida forma: . Plenipotenciários (plenos poderes aos negociadores): essa qualidade representativa poderá ser ampla como no caso de ministro de Estado responsável pelas Relações Exteriores. O documento é dispensado aos Chefes de Estado e de Governo. Delegações nacionais: ligada à fase negogocial de um tratado. Em ambas as situações não é necessária a apresentação de carta de plenos poderes. Ministro das Relações Exteriores. Todos os requisitos de validade elencados devem estar presentes no Tratado.organização em obrigar-se por um tratado ou para praticar qualquer outro ato relativo a um tratado”. possível. enquanto os demais possuem representatividade derivada. ficando os demais membros incumbidos de dar-lhes suporte.o embaixador ou encarregado – cuja representação se dá apenas para a negociação de tratados bilaterais entre o Estado acreditante e o Estado acreditado.1) Quanto ao número de participantes: Bilateral: Multilateral ou coletivo c. O chefe. expedida pelo Chefe de Estado. e somente ele. ou restritas –no caso do chefe de missão diplomática. Chefes de Estado e de Governo: nada lhe é exigido de semelhante à apresentação de uma carta de plenos poderes. Classificação c. em qualquer sistema de governo. moral e estar em consonância com as normas imperativas de Direito Internacional geral (jus cognes). b. deve ser apresentada em momento anterior ao início da negociação ou após a habilitação do plenipotenciário.

como uma cessão territorial. ser uma norma nacional. 4. . de forma direta. Organizações internacionais c.negociação.5) Quanto a execução no tempo Transitórios: o tratado se desfaz a partir do momento em que seus efeitos se operam Permanente: a execução se prolonga no tempo. “Teoria da incorporação”. imprescindível a internalização da norma. Necessitam da troca de instrumentos de ratificação ou da prática pelos Estados signatários. O princípio geral é que um tratado não cria Direito nem obrigação para um terceiro. de outro ato solene posterior a sua assinatura. aprovação legislativa estatal. 3. 2. c. assinatura ou adoção. sem aprovação parlamentar. efeito aparente: ocorre quando o tratado estabelecer que as partes gozarão de vantagens e privilégios que uma delas vier a conceder a outros Estados. diferente daquela dos Estados que contribuíram para a sua formação”. Efeito de direito a terceiros: essa possibilidade gera o direito de adesão ao tratado aos Estados que não fazem parte dele. O tratado não rege situações acontecidas anteriores à sua celebração. Efeito de obrigação à terceiros: ocorre quando terceiro anuir à obrigação. A regra é a da territorialidade que se refere à aplicação do tratado em todo o território do Estado que o ratificou. ou no momento em que seu texto dispuser. c. Incorporação dos Tratados ao Direito Interno As ordens jurídicas internas e externas são diferentes e não se comunicam. Acordos em forma simplificada. Somente a edição de uma nova norma interna contemplando o conteúdo da norma internacional. regra é a irretroatividade dos tratados. mas também institucionalizaria um processo internacional com órgãos e poderes próprios e.Apresentam o seguinte rito: 1. acima de tudo com uma vontade própria. Tratados normativos ou tratados-lei: são acordos definidores de normas gerais que disciplinam direitos e deveres entre os sujeitos de Direito Internacional participantes. Tratados contratuais: caracterizam os acordos negociais em que as partes concretizam uma operação jurídica. Exceções: efeito difuso: atinge todos os Estados. Quanto a matéria ou quanto a natureza jurídica.4) Quanto a qualidade das partes: Estados . para assim.6) Efeito e execução dos Tratados entre as partes Segue o princípio do pacta sunt servanda: todo tratado em vigor obriga as partes e deve ser cumprido de boa-fé. acordos executivos são os tratados concluídos pelo chefe do Poder Executivo. Tratados constituição: este se caracterizaria “por não se limitar à criação de normas gerais de validade do Direito Internacional. Entram em vigor no momento de sua assinatura. o tratado produz efeitos apenas em relação às partes contratantes. ratificação ou adesão. por outro tratado. Em virtude do princípio da relatividade.

A Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados (CV/69) adota a tese do monismo internacionalista. o conflito entre eles deve ser resolvido pela aplicação dos critérios cronológico e da especialidade. que considera que diante de um conflito aparente entre norma internacional e a norma interna deverá prevalecer o diploma internacional. 27: “uma parte não pode invocar as disposições de seu direito interno para justificar o inadimplemento de um tratado”. O monismo se desdobra em duas vertentes: 2. O tratado é uma norma hierarquicamente superior a norma interna. os tratados internacionais de direitos humanos que não forem aprovados pelo procedimento próprio terão status supralegal.343-1/SP. o Supremo Tribunal Federal (STF) considerava que os tratados internacionais sempre prevaleciam sobre o direito interno Julgado o RE 80. Já que os tratados internacionais somente possuem validade no plano interno após sua regular internalização. O primeiro momento seria o relativo à incorporação das normas internacionais ao ordenamento jurídico interno. O STF adotou o denominado “monismo moderado” de Alfred von Verdross.a) Monismo internacionalista Maior representante Hans Kelsen. Considera que o direito internacional e o direito interno integram uma ordem jurídica única. Prevalece a norma interna. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. O segundo diria respeito à posição hierárquica no ordenamento jurídico. 5º. o direito internacional atribui validade ao direito interno. Qual é a posição adotada pelo Brasil? Falta na Constituição Federal de 1988 clareza sobre a hierarquia entre tratados e normas internas. porque se trata de faculdade. o STF manifestou seu entendimento sobre o assunto. representada por Mazzuoli e Flávia Piovesan. a partir do momento da ratificação. não estaria então o Brasil adotando o dualismo? Trata-se de momentos distintos na discussão relativa à relação entre norma internacional e norma interna.” Parte da doutrina internacionalista. Todavia. por três quintos dos votos dos respectivos membros. A EC nº 45/2004 introduziu ao texto da Carta Magna a regra do art. § 3º. considera que o conflito entre norma internacional e norma interna resolve-se em favor da norma nacional. Dessa maneira. . que trouxe novo entendimento jurisprudencial da Corte. as manifestações doutrinárias não ecoaram no STF.b) Monismo nacionalista Seu maior expoente foi Hegel. 2. em cada Casa do Congresso Nacional. o Brasil adotaria “certa forma de dualismo. § 2º: “os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. Monismo. Em 2008. Art. pois condiciona a vigência dos tratados internacionais à promulgação de norma jurídica interna. em seu art.004.paridade normativa. para Hildebrando Accioly. Não haveria necessidade de internalização pois os tratados já possuiriam eficácia automática no plano interno. serão equivalentes às emendas constitucionais”. assevera que o dispositivo já era suficiente para permitir o ingresso dos tratados internacionais de direitos humanos no ordenamento jurídico com status de norma constitucional. O direito interno integra o internacional e dele retira a sua validade. “os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados. logo não se faria necessária a edição de uma norma interna.Os tratados já ratificados devem ser incorporados à legislação interna através da promulgação ou publicação. 5º. no RE 466. em dois turnos. na modalidade moderada”. Até 1977.

não devem estar em contradição com as regras ou princípios estabelecidos pelos tratados. A Constituição brasileira deixa claro. Disso dependem 2 regras: Os tratados internacionais não podem contrariar dispositivos constitucionais. não há uma revogação e sim a não aplicabilidade de determinado preceito conflitante com as normas oriundas dos tratados de direitos humanos. Princípio da vedação ao retrocesso do rol dos direitos humanos adquiridos pela sociedade. esses atos serão publicados no DOU¹. f) Eficácia Só haverá perda eficácia quando houver termo prefixado. o STF firmou o entendimento majoritário (8 votos) de que é inconstitucional a prisão civil do depositário infiel. Em 03/12/2008. O Brasil pode excluir ou modificar o efeito jurídico de certas disposições do tratado mediante uma declaração unilateral. As normas supralegais teriam o efeito de paralisar a eficácia jurídica de toda e qualquer norma infraconstitucional que com o tratado conflite. Extinção . Responsabilidade internacional para o Estado infrator do tratado. Todas as leis posteriores –diz claramente Accioly.essa é a roupagem do Tratado Internacional. no direito internacional continua em vigor. A doutrina majoritária prega a prevalência do Direito Internacional sobre o Direito Interno. Os tratados de Direito Humanos que não forem aprovados com o quorum ingressam no ordenamento jurídico com status de norma supralegal. Há prevalência da lei interna sobre o tratado? Diverge-se ainda. no julgamento do Recurso Extraordinário nº 466. I da Constituição Federal tratam da adoção de tratados no meio interno brasileiro. Os tratados internacionais. Porque não podem ser revogados como leis ordinárias comuns. o mandamento do tratado deixa de vigorar no ordenamento só interno. Lei posterior incompatível com o tratado tem prevalência sobre este. os tratados são sujeitos ao controle de constitucionalidade. ocorre quando a compatibilização for com tratados de direitos humanos em vigor no país e de controle de supralegalidade. Novo modelo proposto por Valério Mazzuoli por ele denominado de controle de convencionalidade. sem qualquer reserva. de 25/09/1992 e promulgado pelo Decreto Presidencial nº 678. ou for denunciado. Regra geral: os tratados são inseridos no ordenamento jurídico brasileiro como lei ordinária. aprovado pelo Decreto Legislativo nº 27. de 6/11/1992.343/SP. trata-se de uma nova categoria intermediária de normas localizadas entre as normas constitucionais e as infraconstitucionais.. que é a reserva. O tratado passa a ter vigência a partir de sua ratificação. Art. O Brasil exige a aprovação do legislativo (Congresso) por meio de um decreto legislativo e a promulgação do executivo por meio de um decreto. serão observados pela que lhes sobrevenha”. Lei posterior revoga lei anterior. 98 do CTN: “Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna. Paridade entre o tratado e a lei nacional. que a Constituição Federal não previu. A Convenção Americana de Direitos Humanos. Os artigos 84. se o próprio tratado a tolerar. foi ratificado pelo Brasil. neste o tratado é revogado tacitamente. quando se tratar de instrumentos internacionais comuns.O STF inovou a pirâmide jurídica kelseniana. Supralegalidade quer dizer que os Tratados de Direitos Humanos não devem ser equiparados a normas constitucionais. O STF no caso de tratados sobre direitos humanos atribui a esses (status) de supralegalidade. Duas são as hipóteses: Prevalência dos tratados sobre o Direito Interna. VIII e 49. também chamada de Pacto de San José da Costa Rica. O mesmo procedimento abrange as emendas ou reforma de um tratado em vigor no País. e nem tampouco as leis ordinárias. no Brasil dependem da promulgação e publicação para a sua vigência.

quando as partes assim o convencionam. O art. formalizados por um convite Uma vez fixado definitivamente o texto. aprovação e aceitação. quando os poderes dos plenipotenciários que assinaram estabeleçam limites à ratificação ou se assina sobre reserva de ratificação.18). A Convenção estabelece outros mecanismos de manifestação de vontade quais são: adesão. nos modus vivendi. prescreve em que casos são necessários a ratificação: quando o tratado assim estabelece. nos acordos celebrados para cumprimento ou interpretação de tratado devidamente ratificado. execução integral inviabilidade da execução: impossibilidade jurídica ou física. pelo consentimento de todas as partes. 60 da Convenção de Viena sobre os Direitos dos Tratados. 54 que a extinção de um tratado ou retirada de uma das partes pode ter lugar: de conformidade com as disposições do tratado. após consulta aos outros Estados e organizações internacionais. Ratificação (Congresso Nacional) Em geral só ocorre a ratificação após a aprovação pelo Parlamento do Estado. Pode ocorrer a dispensa de ratificação quando: o próprio tratado assim o disponha. Processo de celebração dos Tratados. Os tratados podem ser extintos por diversas formas: término do prazo de vigência consentimento mútuo denúncia: Os tratados bilaterais não admitem denúncia unilateral. que tem por finalidade deixar as coisas no estado em que se acham ou estabelecer simples bases para negociações futuras. 14. a menos que as relações diplomáticas sejam indispensáveis à aplicação do tratado. que prevêem eventuais modificações. impossibilidade da execução superveniente: ocorre quando se perde um elemento essencial para a execução do tratado. . Nos tratados sobre meio ambiente tem surgido a prática de assinar tratados-base (umbrella treaties).A Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados prescreve em seu art. ou a qualquer momento. Assinatura (Presidente da República) A assinatura põe fim a fase internacional da celebração.Fases Negociação Identificação dos plenipotenciários Os tratados internacionais se originam de propostas de negociações de um ou mais Estados. nos acordos sobre assuntos puramente administrativos. todo o Estado deve abster-se da prática de qualquer ato capaz de frustrar o seu objeto e finalidade (art. as partes devem concluir o que é o texto final. Condição resolutória Caducidade Renúncia do beneficiário Inexecução por uma das partes: a violação do tratado por uma das partes autoriza a sua suspensão ou execução. Embora o tratado só entre em vigor após a sua ratificação. essa é a etapa de adoção do texto. A Convenção de Viena dispõe que a ruptura entre relações diplomáticas NÃO gera a extinção do tratado. nos termos do art. da Convenção de Viena sobre os Direitos dos Tratados.

Fala-se em ratificação apenas para aqueles países que originariamente firmaram o tratado. . 49. O que torna o tratado perfeito e acabado é a troca de carta de ratificação. 3 . Reserva é uma declaração unilateral de um Estado (somente em tratados multilaterais e não bilaterais) no momento de assinar. 2 . O conceito de “reserva” está no artigo 2º da Convenção de Viena (CV) sobre o Direito dos Tratados: “d) «Reserva» designa uma declaração unilateral. assinar. nunca inserindo-as. caberá a ele somente o depósito ou não da documentação.Art. qualquer que seja o seu conteúdo ou a sua denominação.A reserva. aceita ou aprova um tratado ou a ele adere. ratificar. Vigência Um tratado internacional entra em vigor internacional na forma e na data previstas no tratado. Para as Convenções se requer um número mínimo de 35 Estados que aderirem para que a Convenção entre em vigor. Convenção sobre Direito dos Tratados de 1969 em seu art. No caso de adesão a vigência se dá a partir do momento em que o Estado o ratifica. Se o tratado nada diz. a única forma que o legislativo tem de alterar o tratado é retirando as emendas e as reservas. aceitar. emendas só valem para os países que concordam com elas. ratificar ou aprovar um tratado. A ratificação é concedida por meio de um documento –a Carta de Ratificação – assinada pelo Chefe de Estado e referendado pelo ministro das Relações Exteriores. Alterações –Reservas e emendas Ambas são realizadas na fase de negociação pelo Chefe de Estado. formular uma reserva.Procedimento relativo às reservas 1 . 19: “Um Estado pode. volta o tratado para o Presidente da República para promulgar por decreto o tratado internacional. ratifica. cujo fim é excluir ou modificar os efeitos jurídicos de alguma disposição do tratado na aplicação ao Estado que fez a reserva. A emenda significa alteração no texto com valor. O que o torna perfeito e acabado é a troca de cartas de ratificação. VIII da CF Ocorrida a aprovação do tratado internacional pelo Congresso Nacional mediante decreto legislativo. se entende que entram em vigência no momento em que todas as partes o hajam ratificado. a não ser que: 1 . pela qual visa excluir ou modificar o efeito jurídico de certas disposições do tratado nasua aplicação a esse Estado. feita por um Estado quando assina.a reserva seja proibida pelo tratado. entre as quais não se inclui a reserva em pauta. em princípio para todos os Estados-partes. Se os Estados não aceitam a reserva. a aceitação expressa de uma reserva e a objeção a uma reserva devem ser formuladas por escrito e comunicadas aos Estados Contratantes e aos outros Es tados que possam vir a ser Partes no tratado. esta não se aplica entre esses Estados. aprovar um tratado ou a ele aderir. Na fase de ratificação. 84. não poderá mais o Presidente da República alterá-las. I da CF Art. ou o seu depósito no lugar para isso indicado no próprio tratado¹.o tratado disponha que só possam ser formuladas determinadas reservas.” O procedimento relativo às reservas aparece no artigo 23 da CV: “Artigo 23 . Se o Congresso Nacional retira as emendas/reservas.nos casos que sejam previstos nas alíneas a) e b) a reserva seja incompatível com o objeto e a finalidade do tratado”.

após a denuncia. O Congresso pode resolver definitivamente rejeitando o tratado.Depósito (Presidente) Depositário concentra confirmações. Aqui é obrigado que seja dado início aos atos de execução do tratado. Alguns tratados determinam que após a denuncia há um prazo de cumprimento das normas do tratado. A regra geral é pela possibilidade de denuncia. o Presidente resolve pela celebração definitiva. Denúncia. . Só o Presidente pode depositar o Tratado e torná-lo parte do ordenamento jurídico. mas se aprovado.

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