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Desenvolvimento e Instalação de uma Materiotheca A Materiotheca, Development and Installation CAMPOS, Maria Alice

Desenvolvimento e Instalação de uma Materiotheca

A Materiotheca, Development and Installation

CAMPOS, Maria Alice Figueira. Estagiária PIBIC, FATEA licite@msn.com

SIQUEIRA, Carolina Marcondes de. Estagiária PIBIC-EM, FATEA. cah.marcondes@bol.co.br

PRUDENTE, Pâmela Cabral. Programa “Quero ser FATEA”, FATEA

MATIAS, Nelson Tavares. Coordenador do projeto. FATEA/UERJ. nelson.matias@pq.cnpq.br

RIBEIRO, Rosinei Batista. Coordenador Ispic. FATEA/UERJ. ispic@fatea.br

Resumo

O trabalho apresenta o desenvolvimento e a implantação de um sistema integrado de pesquisa, unindo informações online e um espaço físico, contendo acervo de diferentes materiais. A Materiotheca, assim denominada, oferece maior possibilidade de experimentação tátil e visual, permitindo que o visitante tenha a percepção do material pesquisado, além de obter informações técnicas em catálogo impresso. O espaço destina-se a atender a sociedade, bem como, aos alunos dos cursos de Design, e Arquitetura.

Palavras Chave: informação; materiais; design.

Abstract

The paper presents the development and implementation of an integrated system of research, linking information online and a physical space, containing collection of different materials. The Materiotheca, so called, offers greater chances of tactile and visual experimentation, allowing the visitor has the perception of research material, and technical information in printed form. The space is intended to serve society as well as to students of Design, and Architecture.

Keywords: information, materials, design.

Introdução

O ser humano, ao longo do tempo, tem aprendido a armazenar informações que julga serem importantes. A forma e os locais empregados para catalogar e armazenar dados estão cada vez mais inovadores, facilitando o acesso aos conteúdos descritivos dos materiais expostos. Como exemplo, pode-se dizer que a internet é um desses espaços, demonstrando grande eficiência e interesse dos usuários, o sucesso supostamente pode ser atribuído a dinâmica e variedade das formas de se apresentar as informações. Outros espaços como museus têm procurado dinamizar seus acervos explorando o lado lúdico nas exposições, assemelhando-se a verdadeiros espaços criativos e facilitadores da absorção do conhecimento, como exemplo disso podemos citar o Museu da Língua Portuguesa, São Paulo. A atividade de desenvolvimento de produtos possui diversos métodos e ferramentas capazes de organizar e colaborar na definição das etapas projetuais. Um dos momentos mais complexos é a escolha dos materiais a serem empregados, principalmente pela grande variedade oferecida pelo mercado. Nos ambientes acadêmicos, muitas das vezes, o discente define sua escolha apenas pelas informações obtidas nas bibliografias sem, contudo, conhecer de forma concreta as características que o material pode assumir. Segundo Rodrigues, Demarchi, Bacchi (2008, p. 11), a materioteca é um ambiente que abriga diversos materiais além de ser um espaço para ser utilizado durante um projeto, por tanto a forma mais adequada de obter uma materioteca seria a criação de um espaço onde o pesquisador possa pesquisar os diversos materiais deforma mais fácil, organizada e agradável. Marques e Tarouco (2008, p. 15), a partir das análises feitas em diversas Materiotecas, identificaram que os objetivos da construção da Materioteca da Escola de Design Unisinos (EDU) seriam inovação, internacionalização e integração, ou seja, permitindo a elaboração um espaço educacional. De acordo com Marques e Tarouco (2008, p. 5) das diversas Materiotecas do Brasil a que pertence ao Laboratório de Design e Seleção de Materiais (LdSM) é a primeira no Brasil aberta à comunidade em geral, com acesso tátil e visual, permitindo o acesso a base de dados, bem como os catálogos de produtos das empresas. Foi criado um mobiliário específico para organização dos materiais e catálogos acrescida de uma base de dados provisória contendo, por exemplo:

tipo de Material;

processo de transformação utilizado na confecção;

data de recebimento;

dados das empresas;

nome do material;

fotografia do material.

E as demais características, como: físicas, químicas e mecânicas.

Segundo Ribeiro, Rodrigues e Azevedo (2008, p. 12), sendo a Materiotheca um ambiente construído há necessidade de um projeto de sinalização que permita realizar a utilização do sistema e consequentemente encontrar o que se deseja. A materioteca deverá possuir um sistema de sinalização que contemple informações claras em suas etiquetas, placas e documentos em geral, como pictogramas, fontes de fácil compreensão e leitura, alinhamento adequado as distâncias e cores, adequando assim os conteúdos de uma forma eficaz.

Objetivo Geral

Elaborar um acervo de amostras de materiais.

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Objetivos Específicos

Identificar e registrar, através catálogo, as informações de cada matéria prima;

Disponibilizar os conteúdos, através do endereço eletrônico <www.fatea.phl-net.com.br> alocado na base de dados da Biblioteca Conde Moreira Lima.

Destacar as características técnicas dos materiais catalogados;

Permitir a interação sensorial do pesquisador em contato com os diferentes materiais.

Métodos

A implantação da Materiotheca - Glauco José Rodrigues de Azevedo utilizou o mind map como ferramenta para elaboração das principais características da materiotheca. (Figura

1).

Produção de Expertise (troca de conhecimento) Experiência do Elaboração de um acervo de amostras de
Produção de Expertise
(troca de conhecimento)
Experiência do
Elaboração de um acervo de amostras de materiais
que permita o contato táctil e visual do pesquisador.
usuário
Inserção no mercado
Busca, análise e
catalogação de materiais
OBJETIVOS
Pós-graduação
Solicitação de amostra
ACADEMIA
ATUAÇÕES
Interação entre
ensino e mercado
Auxílio no
desenvolvimento
Materiotheca
de pesquisa
MERCADO
Análise do Produto
Design
FOMENTO
Investimento em P&D
Novos materiais para
pesquisa
Ampliação da capacidade
de inovação de materiais
ACESSO
Interação com outras
instituições que
possuam Materioteca
Catálogo Impresso
CNPq e FATEA
Site da Materiotheca (em processo
de elaboração)
Disponibilizar os conteúdos no endereço eletrônico online
<www.fatea.phl-net.com.br> Biblioteca Conde Moreira
Lima

Figura 1 Mind map Materiotheca

A pesquisa contou com a participação de uma equipe formada por docentes e discentes, a saber:

2 Doutores;

1 Bolsista, Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC/CNPq), graduando em Design;

1 Bolsista, Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica Ensino Médio (PIBIC-ME/CNPq), discente pertencente a rede pública de ensino;

1 voluntário, bolsista Quero Ser Fatea, graduando em Design.

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Referencial Teórico

A partir da pesquisa dos sítios eletrônicos que oferecem informações sobre materiais identificaram-se os potenciais fornecedores de amostras. Paralelamente, foram pesquisados catálogos de divulgação técnica, impressos, fornecidos pelas empresas. Para ampliar a busca por amostras, foram realizadas visitas as empresas e feiras técnicas especializadas em materiais e máquinas. Quanto às amostras físicas existem diversas maneiras de organizá-las, Jermann e Oliveira (2008, p. 9) propõem que sejam utilizadas fichas padronizadas, permitindo posteriormente a elaboração de pranchas, na dimensão A3, contendo todas as informações necessárias como: dados técnicos, imagens, amostras dos materiais e aplicação. O armazenamento dos documentos, em forma de pastas, protegidos por caixas de papel forrado possibilitam uma melhor organização e padronização do expositor. (JERMANN; OLIVEIRA, 2008, p. 9). A organização dos materiais catalogados obedeceu a classificação proposta por Ferrante e Walter (2010).

Segundo Prudente (2008) 1 “O auxílio à pesquisa de novos materiais proporciona um novo olhar sobre a formação do profissional da área de Design e interação entre os conhecimentos da Engenharia, Arquitetura e áreas afins”.

Desenvolvimento

Após o recebimento das amostras foi iniciado o registro, destas, em um catálogo próprio, obedecendo a classe dos materiais, além de serem registradas digitalmente e identificadas com um código previamente definido. (Quadro 1). As informações obtidas foram inseridas em formato eletrônico, no programa de gerenciamento de banco de dados, PHL, disponível em: <www.fatea.phl-net.com.br>. A partir disso, as amostras foram separadas por categorias e alocadas em caixas, similares as utilizadas em arquivo morto 2 . Cada caixa recebeu uma etiqueta contendo as seguintes informações:

indicação da classe a qual pertence a amostra;

identificação da caixa;

número de amostras armazenadas por caixa.

Etapas

Atividades de cadastramento e registro fotográfico

Adoção da abreviação do nome do produto. Por exemplo: Mediun Density Fiberboard (MDF) + ordem de catalogação, composta por números com 4 dígitos e identificação da cor da amostra, assim temos: MDF 0001 Branco.

Identificação do fornecedor segundo os dados recebidos, por exemplo: Nome, endereço, telefone, fax e e-mail.

Identificação das características técnicas dos materiais, como: propriedades de resistência física, mecânica, térmica, composição, dimensão (espessura largura e comprimento) e aplicações.

Quadro 1

1 Prudente (2008) foi a primeira bolsista, voluntária, a atuar na elaboração da Materiotheca da FATEA.

2 Segundo Hollanda (2012) Arquivo Morto refere-se a: caixa de papelão ou material de resistência similar que é comumente utilizada para armazenar documentos.

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Foi elaborado um Catálogo de Amostras de Materiais (CAM) impresso, obedecendo a formatação do padrão A4, produzido em papel alta alvura 73g e encadernado. (Figuras 2 e 3). As informações registradas no sistema online da Biblioteca Conde de Moreira Lima estão disponíveis para consulta remota. (Figura 4).

Lima estão disponíveis para consulta remota. (Figura 4). Figura 2 Apresentação do primeiro CAM proposto Figura

Figura 2 Apresentação do primeiro CAM proposto

(Figura 4). Figura 2 Apresentação do primeiro CAM proposto Figura 3 Miolo do primeiro CAM Figuras

Figura 3 Miolo do primeiro CAM

do primeiro CAM proposto Figura 3 Miolo do primeiro CAM Figuras 4 Exemplo do resultado de

Figuras 4 Exemplo do resultado de busca utilizando o sistema PHL

Considerações Finais

A Materiotheca - Glauco José Rodrigues de Azevedo 3 iniciou seu processo de elaboração em meados de 2008, de forma ainda embrionária, com o apoio de uma aluna voluntária associada ao projeto “Quero ser FATEA” e de um professor do Curso de Design. O projeto permaneceu inoperante até o segundo semestre de 2010, a partir daí, com o apoio do Instituto Superior de Pesquisas (ISPIC) FATEA, e o engajamento de uma aluna bolsista PIBIC/ CNPq foi reiniciado o projeto. Em 2011 o projeto acolheu uma aluna do Ensino Médio, oriunda da Escola Estadual Profº Luiz de Castro Pinto - Lorena/SP, através da bolsa PIBIC-EM / CNPq, tornando a equipe mais robusta. Contudo, algumas etapas foram reorganizadas para melhor atender as expectativas do objeto final, bem como no sentido de que o desenvolvimento pudesse servir de aprendizado aos envolvidos. A formação da equipe manteve-se a mesma até o fim de 2011,

3 Doutor em Engenharia Mecânica e Designer Honorário, atualmente professor da Universidade Federal de Minas Gerais UNIFEI, Itajubá MG. Foi agraciado pela dedicação com a qual conduziu as disciplinas de Desenho Técnico e Cálculo, enquanto professor do Curso de Design da FATEA.

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neste momento a equipe conta com uma bolsista PIBIC/CNPq e 2 professores doutores - com linhas de pesquisa em materiais e ergonomia. A Materiotheca encontra-se parcialmente funcional, sendo possível aos visitantes acessarem as amostras e a base de dados, via sistema online. O catálogo, a ser impresso, encontra-se em fase final de diagramação. Considera-se que a Materiotheca, permitirá um avanço sistemático na atividade de projetos, pois facilitará o pronto acesso a diversas informações, dentre elas podem-se destacar: particularidades físico-químicas, fabricantes e dados sobre os fornecedores.

Agradecimentos

Os autores agradecem ao CNPq pela concessão das bolsas PIBIC, processos 138560/2010-2 e

800099/2010-9.

Referências

FERRANTE, Maurizio; WALTER, Yuri. Materialização da Ideia: noções de materiais para design de produto. São Paulo: LTC, 2010.

JERMANN, Victor Moura; OLIVEIRA, Alfredo Jefferson de. Aplicação de materiais orgânicos em bens de consumo. PUC Rio, 2006.

MARQUES, André Canal; TAROUCO, Fabrício Farias. Materioteca: Projeto da biblioteca de materiais da Escola de Design UNISINOS. Associação de Ensino e Pesquisa de Nível Superior de Design do Brasil AEND. São Paulo, 2008.

PRUDENTE, Pamela Cabral. Materiotheca: biblioteca de materiais. Lorena, 2008.

Desenho Industrial.

RIBEIRO, Renan S.; RODRIGUES, Lilia Paula S.; AZEVEDO, Evelyn Rodrigues de. Análise de variáveis gráficas dos modos de linguagem presentes em projetos de sinalização: subsídio na concepção do projeto similar para Materioteca. Associação de Ensino e Pesquisa de Nível Superior de Design do Brasil AEND. São Paulo, 2008.

RODRIGUES, Lília P. S.; DEMARCHI, Carlos A.; BACCHI, Juliana G. Diretrizes para o desenvolvimento do sistema de mobiliário de uma Materioteca. Associação de Ensino e Pesquisa de Nível Superior de Design do Brasil AEND. São Paulo, 2008.

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