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III ENCONTRO NACIONAL SOBRE HIPERTEXTO Belo Horizonte, MG – 29 a 31 de outubro de

III ENCONTRO NACIONAL SOBRE HIPERTEXTO

Belo Horizonte, MG – 29 a 31 de outubro de 2009

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: A LINGUAGEM COMO FACILITADORA DA APRENDIZAGEM 1

Sandra Beatriz KOELLING e Joice Nunes LANZARINI (UNIVERSIDADE DE SANTA CRUZ DO SUL – UNISC-RS) 2

Resumo em português

Na modalidade de Educação a Distância, a linguagem é o maior elo entre alunos, professores e tutores. Nesse sentido, a comunicação constitui-se grande peça do processo educativo em modelos baseados na interação por meio de Ambientes Virtuais de Aprendizagem. Assim, é preciso consolidar entre os diversos atores da EaD o papel social da linguagem, bem como seu diferencial em relação a outros tipos de escrita. Escrever um livro didático, por exemplo, difere de escrever um artigo científico, fato inúmeras vezes desconsiderado pelo professor-autor ou conteudista. A pesquisa apresentada vai analisar elementos da linguagem escrita utilizados em dois livros-texto produzidos para cursos de graduação na modalidade, apontando características que propiciam a participação, a interação dos envolvidos e a dialogicidade, a partir da Teoria do Texto.

Palavras-chave: linguagem dialógica, educação a distância, materiais didáticos, estratégias de comunicação escrita.

Introdução

Professores costumam imaginar que redigir textos para materiais didáticos de cursos a

distância seja uma tarefa simples, por supor que essa atividade envolva apenas a transmissão

de conteúdos. No entanto, escrever um Livro-texto ou um Guia para a modalidade difere, por

exemplo, de escrever um artigo científico, fato inúmeras vezes desconsiderado. Além disso,

as mudanças socioculturais observadas na sociedade e os novos paradigmas educacionais

tiveram reflexos no sistema de ensino. Esse passou a adaptar-se às novas teorias e tecnologias

desenvolvidas, o que favoreceu a democratização do processo e a comunicação dos

envolvidos.

Nesse contexto, o conteúdo passa a não mais exercer importância exclusiva, pois o

conhecimento do professor alia-se a outras competências em cursos que fazem uso de

ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs). Essas competências não são inatas e precisam

1 Trabalho apresentado ao Grupo de Discussão Edição e Novas Tecnologias, no III Encontro Nacional sobre Hipertexto, Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2009.

2 Mestre em Linguística Aplicada pela PUC - RS, sandrak@unisc.br. Especialista em Gestão das Tecnologias da Informação e da Comunicação em Educação pela PUC – RS, joice@unisc.br .

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ser desenvolvidas para que o material didático constitua-se em componente facilitador da aprendizagem e permita a interlocução dos agentes do processo educativo.

Assim, redigir para esse espaço interativo impõe a necessidade de repensar a formação docente, bem como as relações estabelecidas com a linguagem, seja ela audiovisual ou especificamente escrita. Além disso, a atividade requer dois elementos fundamentais:

planejamento e orientação quanto ao uso da linguagem.

Neste artigo, iniciaremos contextualizando a função da linguagem nos cursos a distância, bem como sua importância para o sucesso dos alunos em seus respectivos cursos. Em seguida, enfocaremos características da linguagem utilizada em dois livros-texto, ou livros-referência, elaborados por professores para cursos de graduação a distância. Por fim, apresentaremos considerações que, apesar de finais, não enceram os debates sobre o assunto, pois este artigo pretende apenas dar breves esclarecimentos sobre como a linguagem pode se constituir em um elemento facilitador da interação na modalidade a distância.

Da linguagem unilateral à comunicação dialógica nos cursos a distância

As descobertas tecnológicas levaram a Educação a Distância a ampliar seus espaços de atuação no cenário mundial, bem como exigir implementações e qualificação profissional. Muitas inovações ocorreram desde que, em 1883, o estado de Nova Yorque autorizou a expedição de diplomas para um instituto de ensino na modalidade.

No Brasil, as primeiras experiências de Educação a Distância foram os cursos por correspondência. Nessa metodologia, o ensino se dava a partir de guias de estudo com exercícios enviados pelo correio. A comunicação era exclusivamente feita pelo material impresso, no qual a linguagem caracterizava-se pela unilateralidade, pois os alunos recebiam textos impressos e tinham o dever de, após leitura e assimilação, devolver conteúdos apreendidos.

O mesmo observa-se com a chamada tele-educação ou tele/videoconferência. Altera-se o material, que de impresso passa visual, com o advento da televisão, mas o aluno permanece em seu papel de assistente, ou passivo, frente às palavras (agora orais) do professor. Mesmo com possibilidade de retorno, a interação é mínima, pois o número de envolvidos e os

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instrumentos utilizados não favorecem a troca de informações.

Assim, nas três primeiras gerações de EaD o processo educativo dava-se quase que exclusivamente pela transmissão de conteúdos. Esse modelo de aprendizagem, em que se acredita na transferência do conhecimento do professor ao aluno, foi denominado por Paulo Freire (1987) de “educação bancária” e sofreu intensas críticas por parte do autor.

Já a partir da denominada “quarta geração da EaD”, com utilização dos ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs), os programas voltam-se à democratização da aprendizagem, promovendo a interlocução entre professores-estudantes-tutores num processo horizontal de construção do conhecimento.

Os AVAs começam a ser utilizados por instituições de ensino superior em 1997, conforme Vianney et al (2003), o que estimula a comunicação dos grupos por meio de ferramentas como fóruns e chats, por exemplo. Esses dispositivos, síncronos e assíncronos, possibilitam que a ação pedagógica venha a suprir a necessidade de interação anteriormente verificada na modalidade a distância. Além disso, rompe com a hierarquia entre os agentes do processo educativo, pois permite que a emissão de conhecimentos não seja tarefa exclusiva do professor.

Em sentido inverso à chamada educação bancária, a modalidade a distância, baseada na interação, permite que a aprendizagem assuma o que Freire chamava de educação libertária, pois os ambientes virtuais, através das ferramentas de comunicação, permitem a interlocução entre os envolvidos. Esse fato, conforme o autor, possibilita que o aluno exerça um papel ativo no processo a partir de sua manifestação e envolvimento do estudante na (re)construção do conhecimento.

Nesse sentido, a linguagem utilizada nos materiais produzidos para cursos a distância não pode divergir da concepção apresentada, devendo contemplar essas características. Assim, para motivar a participação dos estudantes, favorecendo a interação, os textos para a modalidade devem apresentar mais do que habilidades técnico-científicas. Segundo Sartori e Roesler (2005, p.64):

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o material didático tem dinâmicas internas específicas de redação e de estrutura, pois

pressupõe os leitores e deles necessita para adquirir significação. Sua estrutura e linguagem têm função de quebra da característica monológica do livro que separa produtores de leitores. Em EaD, a interação entre esses dois sujeitos é insistentemente perseguida, seja por mediação tecnológica (materiais didáticos, fax, e-mail, telefone, FAQs etc.) ou humana (sistema tutorial).

Para conhecer as propriedades desses materiais, a partir de um caso concreto, faremos uma análise da experiência da Universidade de Santa Cruz do Sul. Apresentamos a seguir uma breve contextualização da EaD UNISC e alguns procedimentos em relação à produção de materiais para cursos a distância.

Materiais produzidos para a modalidade a distância: o caso da EaD UNISC

Em sintonia com o desenvolvimento tecnológico e as teorias de aprendizagem, no ano de 1998 a Universidade de Santa Cruz do Sul iniciou sua caminhada na modalidade a distância, por meio de pesquisas na área e, posteriormente, oferecimento de cursos de extensão. Em 2008, após receber credenciamento do Ministério da Educação, passa a oferecer os primeiros cursos de especialização.

Hoje, na Assessoria para Educação a Distância da Universidade atuam 28 profissionais, os quais atendem alunos dos cursos presenciais da Universidade e também mais de 400 estudantes de especializações a distância, distribuídos em quatro cursos de Pós-graduação lato sensu., além de serem responsáveis pela preparação dos materiais a serem disponibilizados nos cursos.

A equipe de gestão dos cursos, com base em pesquisas realizadas entre os usuários da Sala Virtual, constatou que a grande maioria tem acesso à banda larga, o que proporcionou uma revisão de formatos e planejamento de recursos mais complexos. Além disso, a entrega dos materiais (CDs e DVDs) via correio foi substituída pela disponibilização de videoaulas e textos na Sala Virtual, com possibilidade de download e impressão.

Para tanto, após a entrega do planejamento do professor, a equipe EAD UNISC realiza um detalhado processo de revisão e adaptação, a fim de tornar o material didático atraente em relação ao aspecto visual e dialógico do ponto de vista linguístico. É um processo de co- autoria em que se envolvem as equipes tecno-pedagógicas, de diagramação, de revisão e,

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inclusive, de gestão dos cursos.

Ou seja, a aprendizagem da EAD UNISC, por basear-se na interação, pressupõe cuidadosa preparação, com o objetivo de contemplar todas as possibilidades, sejam elas tecnológicas, linguísticas e midiáticas. Esse fato demonstra a preocupação da Universidade com as mudanças culturais e, ainda, o reconhecimento de que a elaboração de materiais para a educação a distância pressupõe o (des)envolvimento de inúmeras competências, entre elas a comunicativa.

Nesse sentido, o professor tem papel fundamental, visto ser o arquiteto dos percursos a serem traçados pelos estudantes e tutores. Além de mobilizador de inteligências múltiplas e coletivas, conforme citam Sartori e Roesler (2005), ele deve ser formulador de problemas e provocador de situações, pois, segundo as autoras:

A escola dos tempos da cibercultura precisa se preparar para a superação de práticas vinculadas à concepção do conhecimento como algo que pode ser transmitido para práticas proponentes e viabilizadoras de sua construção, na problematização de situações instigadoras, que mobilizem para a elaboração de projetos de intervenção na realidade e que possibilitem a construção do conhecimento pertinente à solução de problemas reais, que envolvam a vida em sua dinâmica (SARTORI E ROESLER, 2005, p. 30).

Surge, nesse momento, a dúvida: será que o docente, amplo conhecedor do conteúdo de sua disciplina, está preparado para a atividade de redigir livros ou guias para a modalidade a distância, tendo em vista as concepções pedagógicas atuais e questões relativas à linguagem? Ou serão necessárias orientações e preparação/revisão dos textos elaborados para esta finalidade? A seguir, algumas análises para refletir sobre tais questões.

Os livros-texto para cursos a distância: algumas análises sobre a linguagem

Ramo da Linguística Moderna que começou a desenvolver-se na década de 60, a Teoria do Texto ou Análise do Discurso investiga o texto do ponto de vista do contexto de produção e recepção. Por essa razão, como na EaD o texto (ou discurso) é o elemento de mediação entre o escritor-professor e seu leitor-aluno, essa foi a concepção teórico-metodológica eleita para as análises.

Para este estudo, foram selecionados dois textos redigidos por professores universitários com

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o propósito de servirem como material de referência aos estudos a distância em cursos da

Instituição. Os cursos para os quais se destinam tais textos, bem como o nome dos professores

não serão revelados, a fim de que se mantenha a ética junto aos profissionais envolvidos.

Ambos os materiais produzidos eram estruturados em capítulos ou unidades de estudo, conforme orientação da equipe de Produção de Materiais Didáticos para EaD da UNISC. Além dessa organização, percebe-se que a equipe solicitou ao professor uma apresentação da disciplina, o que, conforme a gestora dos projetos, deve motivar os estudantes para a aprendizagem a distância, bem como servir de parâmetro para o conhecimento prévio da temática a ser desenvolvida.

O

primeiro livro-texto, conforme observações realizadas, apresenta uma linguagem dialógica

e

favorece a participação do aluno nas atividades. O fato pode ser percebido por diversos

elementos presentes na comunicação escrita do professor.

Entre elas, podemos citar o uso das interrogações em todas as unidades do material. Os questionamentos feitos pelo professor são usados para chamar os alunos para a interação com

o texto e, simultaneamente, fazê-los refletir sobre a questão proposta. Essa estratégia foi mencionada por Sartori e Roesler (2005), como recurso a ser empregado na modalidade com

o objetivo de buscar a participação nos AVAs. Na página 19, por exemplo, o professor-autor pergunta: “Ficou clara a diferença?”. Nesse período, o texto tem a função primordial de diálogo com o leitor, não repassando nenhum conhecimento específico da disciplina.

Em outro exemplo (“Por que será que essas críticas são tão comuns? Bem, entendemos

o autor utiliza o questionamento para introduzir a temática. Isso é feito de maneira

que

coloquial, fato percebido pela utilização do conectivo “bem”, indicador da oralidade.

”),

Vários outros elementos coesivos são empregados, com o intuito de estabelecerem uma ordenação das ideias expostas, bem como relações entre parágrafos e frases. Alguns deles são:

“dessa forma”, “assim”, “enfim”, “também”, “mas”, “em seguida” e demonstrativos como “esse” e “isso”.

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O

no emprego de pronomes de tratamento: “Você deve estar lembrado

uso de elementos dêiticos 3 , como é o caso dos pronomes demonstrativos, constata-se ainda ”

(p. 19), “Você já havia

(p.5). Tal emprego garante uma proximidade do professor com o aluno, por

precebido

utilizar a pessoalidade na construção do discurso.

A pessoalidade do autor no texto é estabalecida igualmente quando este faz uso da primeira

pessoa do plural. Exemplos desse recurso são: “Também podemos nos perguntar quais desses ”

objetivos

(p.2) e “Perguntemo-nos, agora, quais seriam os

problemas podem ser resolvidos ”

( p. 4).

Além da organização do material de forma bastante compreensível e lógica, passando de

assuntos amplos para os mais específicos e complexos, o professor- autor do material didático analisado usa um estilo democrático, não se posicionando como “dono da verdade” ou detentor do conhecimento. A linguagem não autoritária, mas dialógica, é encontrada, por ”

(p. 6). Nesse

exemplo, em “Talvez a conclusão mais importante seja a constatação de que

trecho, a utilização do advérbio destacado denota que a conclusão do professor está aberta a outras opiniões.

Por fim, o professor-autor utiliza-se de variados exemplos, a fim de facilitar a compreensão dos conteúdos e realiza um fechamento de cada unidade temática, com as considerações mais importantes sob sua ótica. Além disso, como parágrafo conclusivo do capítulo, apresenta uma frase introdutória do tema que será abordado na unidade seguinte, antecipando o conteúdo ao aluno e o motivando para a continuidade dos estudos.

Já o segundo livro-texto analisado utiliza alguns recursos que favorecem a interação e participação dos estudantes. Contudo, a presença de estratégias de produção escrita que provoquem o diálogo entre professor-autor e alunos não é tão perceptível. Assim, o uso de frases interrogativas é bastante reduzido. No primeiro capítulo, por exemplo, um questionamento abre a unidade, o que só será feito novamente no final da página 10.

3 Elementos dêiticos são aqueles que adquirem sentido em virtude de sua relação com o contexto de fala que se manifesta em torno do enunciador. Ou seja, fora da enunciação ou sem algum tipo de ancoragem, são termos vazios de significado.

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Percebe-se ainda a presença de períodos longos e uso de orações subordinadas que dificultam

a compreensão da ideia referida. Como exemplo, temos:

“ são acontecimentos com atividades cuja finalidade é melhorar e/ou demonstrar os

desempenhos físicos, num conjunto de exercícios que se desenvolvem sob a forma individual ou coletiva, praticadas sobre regras preestabelecidas, envolvendo atividades recreativas, desportivas e/ou competitivas nas modalidades de esporte com bola, esportes de combate, esportes de inverno, esportes eqüestres (praticado com cavalo), esportes mecanizados, esporte motorizado, como por exemplo o automobilismo e o motociclismo, entre outros, esporte náutico com exemplos de remo, iatismo, canoagem etc; esporte aquático com o esqui e o pólo aquático, o surf e outras modalidades; esporte de pontaria, esporte atlético ou atletismo” (p.

09).

Além disso, nem todos os capítulos analisados apresentam uma síntese do conteúdo abordado. Esse elemento só foi reconhecido em algumas unidades, não sendo apresentado de maneira clara pelo professor-autor.

Como ponto positivo, pode-se destacar a presença de esquemas e figuras, o que praticamente não foi identificado no primeiro material analisado. Tal estratégia facilita a compreensão de algumas temáticas e constitui-se como recurso visual para entendimento do assunto abordado. Também foi observado um estímulo ao prosseguimento do curso no fechamento do livro, motivando os leitores à busca por novos conhecimentos.

Considerações finais

A educação a distância, mesmo apresentando um longa trajetória, começa a alcançar neste momento histórico amadurecimento teórico-metodológico que acarreta, entre outros aspectos,

a melhoria da qualidade de materiais didáticos e ferramentas de interação. Tal característica é fruto de avanços tecnológicos aliados a intenso trabalho de pesquisa em relação aos materiais didáticos disponibilizados para os estudantes da modalidade.

Nesse sentido, as equipes de gestão dos cursos em EAD e de produção de materiais, bem como o professor-autor, estão buscando analisar os “produtos” que auxiliam no ato de aprender, avaliando resultados, a fim de propor melhorias. Outro ponto a ser destacado, como se percebeu através da análise de livros-texto, é a necessidade de se orientar o docente quanto ao planejamento de seu material e o uso que faz da linguagem, com o objetivo de aliar

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qualidade textual aos diversos elementos audiovisuais existentes (imagens, gráficos,

tipografias e designs).

É preciso capacitar o professor e as equipes envolvidas na produção de materiais didáticos, a

fim de que tomem conhecimento das diversas estratégias que podem contribuir para o

processo de aprendizagem. Tais estratégias facilitam a interlocução dos participantes de

cursos na modalidade, motivando o respeito entre os diversos saberes e a ressignificação dos

conhecimentos das mais diversas áreas.

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