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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA

FICHAMENTO DO ARTIGO “OBSERVAÇÕES SOBRE O CONCEITO DE CIDADE E URBANO” DE SANDRA LENCIONI

MAÍRA NEVES DE AZEVEDO

SÃO PAULO

2012

O texto se divide em cinco partes: introdução; sete observações sobre conceitos; as palavras: cidade e urbano; o conceito cidade urbano tendo como referência a

realidade brasileira e as considerações finais. A seguir encontra-se as principais ideias

de cada uma das seções.

Introdução

- A autora procura, num primeiro momento, definir o que seria a pesquisa. "Pesquisar

significa rigor nas escolhas" (LENCIONI, 2008), ou seja, é necessário optar e "separar

partes da totalidade para se proceder à análise e, posteriormente, à elaboração da reconstituição da síntese construída pelo intelecto" (LENCIONI, 2008).

- Dentro de uma pesquisa, os conceitos serviriam "para se compreender a essência dos

objetos, dos fenômenos, das leis" (LENCIONI, 2008), dessa forma, são instrumentos essenciais no ato de pesquisar. Sete observações sobre conceitos -Primeira observação: "a construção de conceitos é um exercício do pensamento sobre o real e esse real existe independentemente de pensarmos sobre ele ou de termos conceitos acerca dos objetos do real” (LENCIONI, 2008). +Não há dependência entre a existência do objeto e a existência de um conceito a cerca desse; os objetos existem independentemente de termos conceitos sobre ele. -Segunda observação: "o conceito é uma forma de reflexo dos objetos" (LENCIONI,

2008).

+O conceito não se confunde com o real, ele é um reflexo, uma representação desse. Os conceitos existem a posteriori dos objetos que representam. -Terceira observação: "os conceitos são ao mesmo tempo objetivos e subjetivos(LENCIONI, 2008). +São objetivos, pois se referem ao real. Subjetivos, pelo fato de existirem em nossa consciência. -Quarta observação: "não há identidade entre o conceito e o real ao qual ele se refere, porque nenhum conceito é capaz de conter toda a riqueza do real" (LENCIONI, 2008). +Os conceitos refletem os aspectos e relações essenciais, a essência do objeto, fenômeno ou do processo. Portanto, a construção de um conceito exige a captura do que é essencial e, consequentemente, reflete certo grau de generalização. -Quinta Observação: "o conceito existe em movimento" (LENCIONI, 2008). +O conceito se modifica, altera e renova no decorrer do tempo. Por ser reflexo do real

e esse real está sempre em mudança, "é lógico que ele também se modifique" (LENCIONI, 2008). -Sexta observação: "o conceito se encontra sempre, em nexo, em relação com outros conceitos" (LENCIONI,2008). +"Nenhum conceito é independente de outros conceitos. Seja ele oriundo de outro conceito ou inteiramente novo, guarda sempre estreita relação com outros conceitos" (LENCIONI, 2008). -Sétima observação: "o conceito não existe sem uma definição" (LENCIONI, 2008). +Para existência de um conceito é necessário defini-lo, e para isso, é necessário a linguagem. Nas ciências humanas os conceitos variam pelas distintas referências teóricas as quais estão relacionados, por isso, necessita-se clareza nos conceitos utilizados, justificativa dos sentidos empregados e das escolhas feitas.

As palavras: cidade e urbano

-Gramaticamente a palavra cidade é um substantivo, utilizado para nomear um objeto determinado. Urbano, por sua vez, é um adjetivo, caracteriza objetos ou seres nomeados pelo substantivo. Entretanto, quando o adjetivo se torna o termo principal (ex. o urbano é caótico), ele passa a ser uma substantivação do adjetivo, é nessa condição que a palavra urbano é tratada do texto. -As palavras cidade e urbano sugerem uma relação com um fato ou fenômeno que se apresenta na realidade. -A palavra cidade antecede, em muito, a palavra urbano, o que indica que a cidade precede, historicamente, à ideia de urbano.

O conceito cidade e urbano tendo como referência a realidade brasileira

-A discussão do conceito de cidade nos conduz a um objeto que evoca inúmeras ideias. Ao refletirmos sobre o urbano, por sua vez, ele é muito mais visto como um fenômeno do que como um objeto.

O conceito de cidade

-A ideia de cidade é clara para todos, o conceito que seria obscuro. A cidade, não importando sua dimensão ou característica, é um produto social da relação homem- meio, tendo como algo em comum a aglomeração. Ratzel, por sua vez, chama atenção para a sedentarização, ou seja, a cidade seria uma aglomeração durável. -A ideia de que a população que habita uma cidade não estaria vinculada à agricultura é inconsistente. O tamanho da população também não desvenda fenômenos bem como sua complexidade social. Pierre George, Max Derruaux e Manuel Castells desconsideram o tamanho da população na definição de cidade. -No Brasil a ideia de aglomeração e sedentarismo nos remete às palavras de povoado e povoação. Muitos povoados provenientes de postos militares, aldeias, pousos etc darão origem à cidade, pois deram condições de sedentarização, acrescida da função de troca e a existência de uma administração pública. Algumas cidades no Brasil colonial já surgiram com esse status, pois foram concebidos como sede do poder metropolitano.

O conceito de urbano

-Lefebvre denomina de sociedade urbana, ou urbano o desenvolvimento de uma sociedade pós-industrial, ou seja, de uma sociedade que nasce da industrialização e a sucede. Assim como Lefebvre, na maioria das vezes os autores vinculam a ideia de urbano à de capital industrial e à de sociedade capitalista industrial. -No Brasil vemos duas principais periodizações da constituição do urbano: Maria Conceição Tavares (1972) e João Manoel Cardoso de Melo (1979), de um lado, e José de Souza Marins (1979), de outro. -Para Tavares e Melo a sociedade capitalista industrial no Brasil emerge no momento em que a reprodução ampliada do capital passa a ser comandada pela atividade industrial. Dessa forma, só em 1930 foram constituídas as bases de uma sociedade industrial. -Para Martins, a gênese da industrialização brasileira está relacionada à dinâmica do complexo cafeeiro. Essa interpretação nos conduz a pensarmos no urbano a partir da constituição do complexo cafeeiro, ou seja, a partir de 1870. Essa compreensão não considera o urbano como subproduto da industrialização, mas como produto de determinadas relações sociais e de determinados condicionantes próprios do complexo cafeeiro.

LENCIONI, S. Observações sobre o conceito de cidade e urbano. GEOUSP Espaço e Tempo, São Paulo, n.24, pp. 109-123, 2008.