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Sociologia da Comunicação

Prof. Filipa Subtil

 Principais tradições teóricas da sociologia da comunicação;


 Problematização do papel dos media da esfera pública;
 Focaliza-se o debate dos efeitos dos media no âmbito dos constrangimentos da produção e
recepção;
 Centra-se na reflexão sobre as dinâmicas actuais associadas às novas tecnologias da
informação.

A modernidade e a comunicação.

As mutações cognitivas resultantes da revolução científica: alteração nas


concepções de Homem, Natureza e Sociedade.

Século XVI: processo de transformação no mundo ocidental: liberdade político – religiosa;


colocar a verdade absoluta/religiosa acima de tudo.

Iluminismo: Após a libertação da imposição religiosa, a sociedade é livre de falar/ discutir.

Revolução científica – Revolução cognitiva: Nova concepção do mundo

O Homem pré – moderno não aceita a fatalidade; é marcado pela revolução científica.
Coloca no lugar de Deus ele próprio. Coloca o seu destino nas suas próprias mãos.

 Descartes, Newton, Galileu, Francis Bacon, Nicolas Copérnico


Primeiros protagonistas da revolução científica

-Pela primeira vez surge a explicação de fenómenos naturais através de fórmulas


matemáticas.

Objectivo: Formular leis universais; Descobrir a verdade através da ciência (e não da religião).

 O progresso científico leva a uma evolução.

O Homem Moderno já não acredita em Deus e irá materializar a felicidade terrena.  Para a
via da transformação leva o Mundo para melhor.
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A ideia que marca o Homem Moderno - de progresso - conduz-nos a uma constante


insatisfação.

“O colectivo Social está todo drogado”.

Transformação de uma sociedade arcaica para uma sociedade moderna.

Século XX: Com o aparecimento da bomba atómica  problemas ambientais

Problemas de desenvolvimento científico

Escola Politécnica de Paris: imbuídos que o desenvolvimento cientifico é positivo; primeira


defensora da ciência moderna e do conhecimento prático.

Royal Society: comunidade científica “aberta”

Immanuel Kant: definição filosófica do iluminismo: ideia de sociedade esclarecida através da


passagem de súbditos a cidadãos e de utilização pública da razão, bem como da integração do
pensamento filosófico na governação.

As ciências sociais querem acompanhar as científicas. Problema: lidam com outros


domínios que não são possíveis de serem contabilizados. Nesta área estão a
abandonar algumas práticas.

Tendência desde o Século XVII

Panorama que se altera que irá forjar linhas face à modernidade.

 Movimentos intelectuais que pensaram o novo mundo moderno:


- Edmund Burke: Movimento intelectual conservador – criticas ao mundo moderno:
contra as ideias de revolução francesa e a favor dos valores aristocráticos; acreditavam
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que a revolução francesa era um mal da sociedade e impossibilitava o progresso


moral.
- Ned Ludd (personagem): Movimento Luddista – revolução de operários em Inglaterra
que destruíam as máquinas das fábricas – contra o progresso técnico – revolução
industrial roubava-lhes trabalho.
- Alexis Tocqueville: defensor das conquistas da revolução francesa e das democracias –
promover a liberdade humana na democracia, conjugar liberdade com igualdade,
democracia é um modo de vida; devemos ser cidadãos activos.
- Hobs: contratualistas – o homem tem que dar um pouco d seu poder a algo superior.
- Jean Jaques Rousseau: denuncia os artificialismos do mundo industrial e os abusos de
poder; não acreditava que o progresso científico significasse automaticamente a
felicidade humana – concorda com o contracto social – o estado deve assegurar a
igualdade, liberdade, independentemente da raça, etc.
- August Comte, Saint Simon: Entusiastas do Mundo moderno – acreditavam que o
progresso científico corria a par do progresso moral – acreditavam nos fundamentos
da razão – revolução francesa como um meio para atingir um fim, soci
- edade perfeita (liberdade, igualdade).
- Criticos Revolucionários: a favor das conquistas da revolução industrial e da revolução
francesa, mas enquanto meio para vir a atingir a sociedade perfeita: sem classes
(Marx).

*Saint-Simon – Utópico defensor das conquistas da modernidade; Concepção da sociedade em base no


“progresso”.

*Michel Chevalier (engenheiro): crente na paz perpétua. Redes dos caminhos-de-ferro; comparação
com as redes da internet.

Defendem a manutenção dos sistemas aristocráticos, da sociedade antiga.


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Posição mais conservadora Posição mais optimista

Duas concepções de extremos

 Posição mais optimista:


 August Comte (evolução em três Estados)
 Herbert Spencer
 Evolução das sociedades: de Simples para sociedades mais complexas

Teoria da evolução de Darwin para o Mundo / Vida Social

 Não vêm nas tendências do Mundo Moderno quaisquer consequências.


 Marxismo: Por etapas também.

Modalidade de pensar o mundo moderno que se materializou nas organizações da


sociedade.

Instituições de vocação intelectual (Século XVII e XVIII):

Fenómeno dos jornais, livros, salões rococós, sociedades científicas, sociedades secretas –
maçonaria – partidos políticos, etc.  Democratização do saber (extensão a todos) e da
comunicação.

Nas classes sociais a ideia de secretismo é posta em causa – passa a haver a ideia de
transparência – tudo o que se passa no mundo é divulgado nos jornais (domínios da vida social
e a ideia de segredo eram típicas do antigo regime).

Livro: circulação do saber, possibilidade de discutir com conhecimentos.

Salões rococó: instituição constituída a partir do Século XVII; acontecem nas casa das mulheres
(primeiras participações públicas da mulher), pela primeira vez aristocracia e burguesia
funcionam em conjunto.
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Cafés em Londres: espaços da mesma natureza que os salões rococó; mais democrático que os
salões; leitura de jornais em voz alta e posterior discurso.

Sociedades científicas: mais convencida, Royal Society em Londres (1660); curiosos, cientistas
têm oportunidade de manter as suas intervenções – primeiro espaço onde cientistas
especializados se encontram e discutem.

Mercado do livro e mercado de Arte: grandes editoras; possibilidade de um escritor viver dos
frutos da sua obra. Necessidade de vender a grande escala.

 Sociedades baseadas no princípio da comunicação; difusão de ideias nas sociedades


democráticas: entram as universidades a pensar o problema da comunicação na imprensa.

Primeiras reflexões sistemáticas sobre o jornalismo surgem na economia política alemã


(economia política não marxista).

Primeiros críticos dos media na altura: descartam problemas na imprensa; viam a informação
como uma liberdade de expressão e um bem público e dizem que o mundo do jornalismo se
tornou num negócio pensado pelo mundo comercial e económico, perdendo assim a sua
função pública.

Economistas políticos alemães (não marxistas):

 Albert Schättle
 Karl K.
 Karl Büncher

Vão publicar livros com um olhar crítico sobre o jornalismo.

(papel secundário da sociologia alemã e francesa)

Propõem:

Estudo contextualizado da comunicação; Nova instituição: jornais (a imprensa terá substituído


a religião; perceber as condições políticas e sociais na qual a ideologia se forjou. Análise critica
da imprensa alemã – relação mais estreita do jornalismo com as empresas).
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 Análise do Schättle: os jornalistas são cada vez menos intelectuais; são meros transmissores
de conteúdos/informação.
- Corrupção: a imprensa controlada
- Dependência dos jornais relativamente à publicidade;
 Imprensa condicionada por estas variáveis e não pelo interesse
colectivo. (Jornalistas como operários do pensamento)
 Análise do Büncher: o jornalismo moderno foi transformado numa fábrica de notícias.
Transformou-se em operários, em escala/em série. No final têm um salário (sob o comando
de uma administração).

Entre os jornais: competições. Resultado: interesses privados publicados nos jornais.

(Influência marxista:)

Karl Marx: Liberdade de imprensa VS liberdade de propriedade:

Difusão de ideias;

Passa a ser uma indústria;

Jornais transformados numa mercadoria;

A imprensa não pode estar transformada numa indústria: concepção de comunicação pública.
Uma sociedade democrática tem que ter fluxos de informação livres.

Principal preocupação de Marx: a Economia; Jornal como produto.

Jornalismo: importância da constituição de uma sociedade mais livre, democrática

Liberdade de imprensa: o jornalismo estava orientado para a crença de que o movimento


público deveria educar a classe operária (para a revolução).

 Jornais em que Marx escreveu pequenos editoriais:


Rheinische Zeitung
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Nene Rheinische Zeitung


Die Pres

Os sociólogos europeus não vão dar importância a esta temática.

August Comte; Emile Durkheim; Max Webber; Ferdinand Tönnies; Gabriel Torde;
George Simmel; Gustave Le Bon.

Max Webber: alerta para a necessidade de intervenção dos jornalistas; relação entre
jornalistas e políticos.

Ferdinand Tönnies: teoria da opinião pública, desenvolveu o conceito de comunidade e


sociedade. - “Comunidade e Sociedade” – 2 conceitos para prever as formas de organização
social antes e depois da revolução social.

 “Comunidade e Sociedade”: forma de organização das sociedades regidas por relações


contratuais e não afectivas que podem ser rapidamente quebradas.
Dois conceitos diferentes do ponto de vista sociológico:

1. Comunidade: tipo de organização social pré-industrial. (Gemeinshaft).

Está baseada em laços de afectos, baseada no artesanato; vinculo social baseado em laços
familiares. Numa pequena comunidade o que me liga ao outro são os afectos que não
posso escolher – são naturais – são laços de sangue (não escolho a avó, a mãe, etc.)

 Vinculo ligado a uma ideia mística ou de laço de sangue.

2. Sociedade: tipo de organização social – produto da industrialização (Gesellschaft).



Como é que se formam laços entre os indivíduos?

O vínculo social estabelece-se na sociedade por via controlada (contractos); contracto de


relação com o outro que pode ser quebrada. A sociedade constrói-se sobre um querer. Entre
patrão e trabalhador (empregado); entre empresas e clientes; até o próprio casamento (do
ponto de vista do registo civil, não da religião). Quanto mais especializada é a sociedade, mais
se multiplicam as relações contratuais.
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“Como é que é possível manter uma sociedade unida no grande número?”

Gabriel Tarde: “Opinião e Multidão” – correntes de opinião; a imprensa é importante para


forjar correntes de opinião.

Reflexão americana sobre a comunicação e media:

Nova geração de sociólogos nos EUA:

 Albian Small
 Edward Ross
 William Sumner

Introduzem pela primeira vez na sociedade a temática da comunicação. Primeira análise crítica
à imprensa, aos jornais americanos – imprensa estava a ser cada vez mais pressionada
economicamente para produzir em maior quantidade e com menor qualidade – defendiam
liberdade e expressão, de opinião e de imprensa.  Se houver reforma na imprensa ainda há
salvação – Small e Ross eram reformistas, enquanto para Sumner não havia solução possível.

Escola de Chicago

Universidade mais “aberta”; Método etnográfico; Dá abrigo a temas como a prostituição,


bordéis, etc.

O comportamento que eu tenho é ditado por aquilo que os outros esperam. Como a sociedade
constrange o indivíduo; a vida social é um teatro. Jogo permanente de interacção com o outro
(forjar laços com o outro).

Concepção da Sociedade:

 Processos de intervenção Social – mais preocupados com as questões micro: interessa-


lhes compreender como é que as relações sociais se comportam, e estas só existem se
houver interacção social e comunicação; não basta que partilhemos um mesmo
espaço, não é isso que forja a sociedade ou as comunidades.
 Processo de negociação permanente – processo comunicacional para criação de laços
com os outros.
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 Objecto da sociologia é a comunicação.


 Surge da filosofia pragmatista americana – John Dewey – ideia de que o conhecimento
tem de ter utilidade prática.

*John Dewey (Teoria do Idealismo Experimental e Teoria Moral – conceito de informação


organizada)

*Charles Cooley;

*Robert Park

 Relativamente à Escola de Chicago: o que é a comunicação para estes autores? A função


social da comunicação moderna?

Para John Dewey, a definição de comunicação é: a sociedade só continua a existir pela


transmissão e comunicação. Há mais do que uma relação sonora entre os termos
comunidade, comum e comunicação – vivemos em comunidade em virtude daquilo que
temos em comum e a comunicação é o meio através do qual chegam a possuir coisas em
comum; mentalidade similar; não se podem transmitir fisicamente crenças, aspirações,
tradições. É preciso construir os laços comuns. ”Só existe comunidade porque os homens
têm algo em comum. Só temos algo em comum se comunicarmos uns com os outros”.

A comunicação é intrínseca à democracia (como ideia de comunidade), para J.D.

J.D. foi professor de C.C. e R. P.

Corrente funcionalista – principais tendências de estudos de investigação dos EUA.

+
Escola de Chicago – institucionalizou a sociologia como disciplina científica.
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Reflexões sobre a comunicação / síntese:


Escola de Chicago:

 Teoria comunicacional da sociedade;


 Conceito complexo de comunicação
 Especulação dobre os media: 1ºs estudos científicos sobre a imprensa.

A sociedade tem uma concepção comunicacional.

A sociedade para o ser não é apenas uma organização de indivíduos, é necessário interagir e
comunicar.

Só há interacção social se houver comunicação. A sociedade surge da interacção social. Para


termos algo em comum com o outro, que nos permita conviver.

Cada um de nós faz parte de um processo social de interacção.

Desvio para outras questões:

 Concepção da comunicação;
 Papel da comunicação na sociedade americana.

Potencial reformador social (melhoria da democracia).

Percepção de que o jornalismo já não era o media “ideal”; era sensacionalista.

Tradição Americana é contra a ruptura, pois acreditam na sua democracia.

Os meios técnicos não fazem tudo; é necessário contexto de valores.


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Teoria Funcionalista da comunicação de Massas

Em 1940 começam os primeiros estudos sobre as funções dos media (Laswell, etc.).

Até 1940 – estudavam-se meramente os efeitos dos media.

A partir de 1940/50: (HertaHerzog) o que é que fazemos com os media; usos dos media.

 Sociedade como um todo que possui múltiplos subsistemas, que têm uma função na
sociedade para o bom funcionamento do sistema social
Relação sistemática entre subsistemas – promove o sistema social.
Subsistemas organizam-se segundo as funções que desempenham. Saber como a acção
social contribui para a sociedade.
Analogia da sociedade ao corpo humano e dos subsistemas aos vários órgãos e elementos
para a sobrevivência humana.

Conceitos: Funcionalismo, coesão, organização

Como é que o individualismo integrado em subsistemas e os próprio subsistemas contribuem


para a coesão e para o melhor funcionamento?

Relação entre subsistemas e meios para comunicar entre sistemas, importância dos meios, dos
media, para a manutenção das normas, por exemplo.

O importante é o bom funcionamento do sistema, da sociedade. Não é o sistema um meio


para atingir os fins individuais, mas sim os contributos individuais meios para atingir os fins da
sociedade.

-coesão; - integração; - manutenção; -equilíbrio; -funcionalidade; -auto regulação; -


conformidade.

Nunca se coloca em causa o sistema social.

 Contexto de guerra (anos 20/30) impulsionou o estudo da comunicação enquanto ciência:


impulsionado pelo mundo bélico e pelo mundo económico.
 1ª Guerra Mundial: pela primeira vez a população civil sente o que
significava estar em guerra (antes a guerra era praticamente só entre
exércitos e não afectava directamente os civis); era preciso convencer
a população de que a guerra era um mal necessário para combater o
inimigo: recruta, tropas – induzir sentimentos de amor à Pátria e ódio
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ao inimigo, necessidade de congregar a população num objectivo


comum.

Governos usam os media para disseminar a mensagem: propaganda

 Fim da 1ª Guerra Mundial: Debate contra ou a favor da propaganda na imposição de


ideologias numa sociedade democrática.

J. Dewey: contra a propaganda e a favor de um plano educacional que formasse os cidadãos


cívica e intelectualmente para que pudessem pensar por si sem serem manipulados pela
propaganda.

Harold Lasswell escreve um texto sobre as funções dos media no qual afirma que o sujeito
passa a ser objecto de estudo na teoria fundamentalista, uma vez que a sociedade age como
um corpo humano no qual tudo funciona.

Escola de Frankfurt

(1923)

Max Horkheimer

Theodor Adorno
Teoria crítica da Escola de Frankfurt
Herbert Marcuse
Tópicos de Reflexão: crítica à sociedade Moderna – Indústria
Leo Lowenthal Cultural

Jünrgen Habermas

Axel Honneth

“Quais são as consequências para a transmissão cultural por esta já não ser feita pela família,
mas sim pela instrumentalização?”

Há quem defende que irá ser a destruição da cultura.


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Cultura de Massas
Difunde as ideias das classes dominantes
Indústria Cultural

Como se situam no pensamento marxista:

Trabalham com os conceitos fundamentais; relativamente às formas de dominação eles


criticam: “nós não podemos falar de dominação económica de uma classe cobre a outra,
porque vai conduzir à dominação cultural;” – Consequências: não se irão verificar
consequências apenas em termos de riqueza/pobreza, mas existiram também consequências
do ponto de vista simbólico dos valores que pautam a sociedade.  Dominação Cultural
Simbólica

É uma das críticas à Industria Cultural e à Cultura de Massas: a Infra-estrutura (vertente


económica) determina a Super – estrutura (dimensão simbólica, dos valores, concepções, etc.).

Cultura de Massas = cultura é como mercadoria = industrial cultural

Forma de dominação do poder político sobre a


população.

Distinção entre alta e baixa cultura (artes e ciência/ cultura popular):

A indústria cultural vem desvirtuar o valor crítico de cultura.

Caracterização dos produtos da indústria cultural:

Tudo é mercadoria – seriação, padronização, divisão de tarefas na linha de montagem; todos


os produtos são simples e de difícil assimilação – para chegar a todos; o valor financeiro
determina a maior ou menor produção; privilégio da quantidade (para chegar a todos) em
detrimento da qualidade; produção em detrimento da criação – despersonalização dos
objectos; fins lucrativos.
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Indústria cultural produz coisas iguais; indústria cultural marcada pela semelhança;
transformou toda a cultura em entretenimento e consumo; o modo de produção é menos
importante que o valor estético. A cultura perde o valor simbólico – vem atrofiar a criatividade
e a imaginação; expressão artística autónoma – refém da indústria cultural.

 Produz-se mais rapidamente e em maior quantidade cultura - através de meios


tecnológicos. Com a reprodução técnica da cultura perdemos a “aura” (a ideia da
experiência afectiva), mas ganhou-se um maior acesso à mesma.
 Para os autores de Frankfurt, a reprodução apenas interessa às classes dominantes.

São quem tem poder económico: possibilidade da elite


manipular o que quer, de modo a não colocar em
causa os estratos sociais.

Até 1948: Adorno e Horkheimer utilizavam o conceito de “Cultura de Massas”;

A partir de 1948: passam a utilizar o conceito “Industria Cultural”.

Na Industria Cultural, quanto mais valor de troca tiver uma peça, mas se produz.

Conceito de “alienação”: ajuda das tecnologias – modo de alcançar lucro mais rapidamente.
Mais do mesmo produto (reproduções em série).

A cultura foi reduzida ao entretenimento, a consumo efémero.

A reter / Síntese:

A visão da Escola de Frankfurt é mais radical: olhar pautado por uma ideologia marxista;
relações pautadas pelas relações económicas – dominação.

O sistema social é posto em causa: não é isso que os dominadores pretendem.  As ideias
reproduzidas são as da classe dominante (pressão cultural).

Os meios de comunicação são “acusados” da criação de padrões na vida quotidiana –


estereótipo veiculados nos media.

“A sociedade sempre vence, e o individualismo não passa de um boneco manipulado através


das relações sociais.”
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“A mudança estrutural da esfera pública”

J. Habermas (1962)

1ª Fase: definição do conceito normativo de esfera pública (ideal) – o que deveria ser a esfera
pública?

2ª Fase: trabalha o conceito histórico – sociológico de esfera pública – o que é? O que foi?
Onde se verificou?

Esfera Pública: espaço onde pessoas privadas forjam uma ideia sobre determinado assunto e
depois apresentam ao público aquilo que pensam – espaço físico de discussão

Situação ideal de discurso: exercício de discurso no qual todas as pessoas partilham – ideia de
consenso. Cada participante tem igual direito de partilhar a sua ideia (ideia do conhecimento
adquirido).

Conceito Normativo de Habermas:

 Vai escudar-se no modelo de sociedade de esclarecimento, de E. Kant: o iluminismo –


sociedade esclarecida (3 condições: o Homem tem de passar de súbdito a cidadão;
fazer uso da sua razão; os governantes deveriam promover as opiniões dos filósofos
(consciência crítica da governação).
 E no modelo da democracia grega:
“Ágora”;
“Oikos”: esfera privada (casa, família); mundo das mulheres;
“Pólis”: esfera pública (cidade) – mundo dos filósofos – praça pública/ágora;

“Espisterme”: opinião fundamentada racionalmente;


“Doxa”: opinião não fundamentada/racional – senso comum.

A esfera pública deve de estar separada da esfera privada.

Esferas públicas literárias – cariz apolítico

Século XVI: Salões rococó, cafés, etc.

 Pela primeira vez as mulheres têm um papel muito importante na vida pública;
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A partir de 1789 (Revolução Francesa): Refuncionalização das esferas públicas literárias.

 Passam a esferas públicas políticas (antecâmaras dos Parlamentos) – lidera o


modelo absolutista.

Século XIX: com os meios de comunicação de massas: Refeudalização.

Meios de Comunicação de Massas: vão modificar as esferas públicas de debate e troca de


ideias entre os cidadãos  os profissionais de comunicação vêm adquirir a função de produzir
e construir opinião (deixa de ser produzida pelos cidadãos).

Por outro lado, com a difusão das tecnologias de comunicação e dos transportes, a informação
chega a outros lados, permitindo a um maior número de cidadãos formularem opiniões e
discutirem publicamente.

Esferas públicas políticas: opinião pública mais aprumada e esclarecida.

 Mas isto, na prática, não aconteceu: na verdade, com a difusão dos meios de
comunicação, o espaço público tendeu para a refeudalização – as esferas
públicas não se alargaram: o público passou de um público leitor pensante,
para um público que consome cultura – raciocínio converte-se em consumo.

 Recepção dos meios de comunicação de massas é uma recepção individual;


 A família perde a coesão literária – deixa de haver espaço para a leitura pública, pelo
que os salões burgueses também deixam de fazer sentido.
 São os meios de comunicação social que discutem os temas: definem os temas,
definem quem os vai discutir;
 Simulam as discussões e o debate entre os cidadãos comuns;
 Jornais deixam de ser espaços de discussão livre;
 O mundo da comunicação de massas deixa de ser esfera pública (só na aparência).

Criticas a Habermas:

 Descuidou a construção social dos indivíduos – reacção passiva (mudança nos estudos
sobre os efeitos) – hipótese dos usos e gratificações que os receptores retiram face à
utilização dos media (estudos dos efeitos desenvolvem outra linha de pensamento – o
que é que as pessoas fazem com os media?)
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 Receptor activo, consciente e racional;


 Não assume a possibilidade de a recepção ser diversificada;
 Fascinado pelo modelo parlamentar – a ideia de espaço público e debate não se pode
cingir à discussão partidária.
 Valorizou o espaço burguês – esferas públicas literárias – considerou estas esferas
como modelo de democracia.

Pontos favoráveis à obra:

O espaço público não é igual a discussão política;

Concepção de sociedade baseada na comunicação – interacção social (influência da Escola de


Chicago) – para uma Sociedade se manter em harmonia tem que comunicar (optimismo na
comunicação).

 Habermas toma consciência que houve uma grande transformação devido aos meios
tecnológicos. Os fóruns perdem a importância; observa-se uma crescente
comercialização dos meios tecnológicos: sector das telecomunicações, media, etc.
Torna-se quase impossível falar em espaço público sem falarmos dos media.

“Mudança Estrutural da Esfera Pública”

- Assume que não faz sentido falar só de um público, pois há diferentes formas de
consumo cultural; diferentes públicos.
- Efeitos cognitivos /usos e gratificações: “O que é que nós fazemos com os media?” –
vai alterar a questão de forças (vai deixar de ser: “O que é que os media fazem
connosco?”)  enquadra-se na Teoria Fundamentalista da comunicação de massas.
- A fronteira entre a cultura e vulgar e a cultura erudita está cada vez mais esbatida;
- Não teve em conta os efeitos sociais da TV, pois ainda se baseava nos estudos de
Lazarsfeld.
- Para perceber os efeitos mediáticos, é necessário perceber o contexto cultural dos
receptores;
- Não é possível ignorar a acção dos mass media no espaço público;
- Interacção entre o sistema político e os media; a política faz-se por via dos media.
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Há razão para falarmos de um espaço público mediatizado: actual configuração do espaço


público é a conjugação do sistema político democrático e a acção dos media.

Dominique Wolton: “As contradições do espaço público mediatizado”

Contradições do espaço público mediatizado:

1. “A tirania do acontecimento”
2. “O expositor mediático”
3. “Uma comunicação sem tabus”
4. “A estandardização”
5. “A personalização”
6. “A identificação: acção – comunicação”
7. “O tema da transparência”
8. “O irenismo comunicacional”.

Nova interpretação da mensagem requer 3 formas de recepção:

1. Impera o imediato, o instante, o directo… o tempo da informação está reduzido ao


imediato. É possível graças aos meios técnicos saber “in loco” (aqui e agora) – p. ex:
notícias de guerra no outro lado do mundo. Triunfo da informação sobre a história.
2. Ter mais fluxo informativo podia significar que as elites estavam mais próximas das
populações. Pelo contrário, as elites passam a estar completamente separadas das
populações. Omnipresença dos media permite saber tudo sobre tudo mas a
proximidade não existe. O conhecimento dos problemas é mediatizado e não
experienciado.
3. Por via dos processos de privatização dos canais TV e rádio, isso levou à desrgulação
levando à comunicação transparente, sem limites. Passamos de uma regulação
limitativa para um sistema desregulado. Quanto menos regulação houver, mais abusos
poderão haver. (De um sistema fechado para um sistema sem regras).
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Estudos dos efeitos dos meios de comunicação de massa na audiência

1º Período (1920 – 1940) – provém do behaviorismo:

 Efeitos totais
 Propaganda
 Efeitos directos, unidireccionais e uniformes
 Estímulo – resposta
 Audiência passiva e manipulada

2º Período (1940 – 1970) – Lazersfeld

 Teorias dos efeitos limitados: tipos de variáveis que afectam a exposição aos media:
líderes de opinião…
 Teorias de percepção selectiva: persuasão
 Revisão do modelo estímulo – resposta: porque passa a ter em conta o contexto social
e individual – idades, sexo, etc. (causa – efeito)
 Audiência colectiva e não uniforme;
 Indivíduo está sujeito a outras formas de influência que não apenas aos media;
 Influência selectiva

Importância dos grupos primários e dos líderes de opinião – no campo político, na teoria dos
efeitos limitados de Lazesfeld.

Nova orientação:

 Teoria dos usos e gratificações;


 Questão central: receptores activos, conscientes e selectivos nas suas escolhas;
 Herta Herzog dedicou-se a estudar o que é que levava as pessoas a “usarem” os
media.  Expressar emoções…
 Qualquer individuo quando consome certo produto mediático sabe
perfeitamente por que o faz e que gratificação pretende ter –
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consumo racional (concebe a audiência como activa) – só somos


influenciados se quisermos.
 Os conteúdos mediáticos que temos ao nosso alcance são aquilo que queremos
 Os media competem com outras fontes de satisfação de necessidades.

Os media satisfazem:

 Necessidades cognitivas
 Necessidades afectivas
 Necessidade de interpelação
 Necessidades de realçar os contactos inter sociais
 Necessidades de evasão, de relaxamento , descontração…

 As tecnologias são neutras: temos sempre a possibilidade de desligar;


 As tecnologias não são neutras: criam ambientes sociais e transformam-nos

Críticas à hipótese dos usos e gratificações:

 Inexistência de uma definição clara sobre o que são usos, gratificações;


 Os meios criam em nós próprios necessidades que queremos ver satisfeitas
(publicidade)
 Será que nos nossos consumos somos sempre tão conscientes e racionais como a
teoria dos usos e gratificações?
 A Teoria dos usos e gratificações tem um fundo verdadeiro mas acaba por exagerar.

3º Período (1970 – 1999) – efeitos cognitivos dos media:

No imediato, ao longo prazo, afectam a percepção da realidade - influência é tanto mais


quanto maior for a nossa experiência da realidade: nunca tivemos num ambiente de guerra,
mas temos noção do que é porque obtemos dos media e acreditamos que seja assim.

Razões que levam ao regresso da ideia de efeitos fortes da comunicação de massas:

 Globalização /Planeterização
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 Transformações nos sistemas políticos – como os media modificam a política;


 Aceitação de que os media têm efeitos cognitivos

1. Planeterização: possível devido ao desenvolvimento das tecnologias de informação; o
que permite uma maior ligação entre os diferentes espaços (?) - facilita a criação de
uma economia global (mercado global); processo de interpretação dos mercados, pelo
desenvolvimento tecnológico – dependente das evoluções dos transportes e
comunicações.
2. Vídeo Política: sistema político marcado pelos efeitos mediáticos – politicas que
precisaram dos media para serem reconhecidas e passarem a sua mensagem, por isso
sujeitam-se às regras dos media.
3. Função cognitiva dos media: os media têm tanto mais impacto quando nos
apresentam algo que vai para além da nossa experiência de realidade.
 A partir dos anos 60/70 muda completamente o tipo de efeitos: deixam de ser nos
comportamentos o indivíduo e passam a ser efeitos cognitivos.

 Existem diversas teorias associadas a esta concepção dos efeitos cognitivos

Quanto mais é a informação que temos ao nosso dispor, maior é o diferencial de


conhecimento.

Factores que levam ao crescimento do diferencial do conhecimento:

- Quanto mais informados estamos, mais expostos estamos ao tema (aceitação,


retenção, selectividade do tema).
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McLuhan – Meio e Mensagem

Pensamento de McLuhan (1911 – 1980) / Escola de Toronto:

 Harold Adams Innis (1894 -1952) – importante académico da Escola Canadiana de


comunicação, anterior a McLuhan;
 Novidade do pensamento de McLuhan – relação entre os media e modos/técnicas da
comunicação e da sociedade
 Vem superar os modelos anteriores que davam mais
importância à mensagem e aos seus efeitos, sem pensar no
poder dos meios técnicos (efeitos de comunicação por via de
certos meios técnicos – efeitos sociais resultantes do facto de
nós comunicarmos por via da escrita, de tv, de cinema,
computador)

As mudanças sociais decorrem da comunicação técnica; o meio é a mensagem – a introdução


de um certo meio técnico vai induzir transformações no âmbito da mensagem.

Principais ideias de relação entre tecnologias e civilização:

1. As tecnologias são produto das civilizações

- Tecnologias alteram as formas de relacionamento numa civilização / organização


social;

- Tecnologias são fundamentais para compreender a evolução civilizacional

2. As civilizações: expandem-se e estabelecem contractos entre si através de meios


técnicos de comunicação mas também de meios naturais de comunicação – concepção
original dos meios de comunicação mais abrangentes – rios, lagos, cavalos, tudo o que
permite o contacto entre civilizações; estradas, caminhos-de-ferro; extracção de
recursos naturais (minério), porque é exportado.
Sociologia da Comunicação
Prof. Filipa Subtil

Para Innis, a sociedade é o que é por causa dos meios de comunicação. Predominantemente
através das tecnologias da informação – cada sociedade está moldada pelas tecnologias
usadas durante aquele período histórico

 As formas de convivência social são alteradas pela tecnologia

As tecnologias moldam as nossas formas de pensamento, de raciocínio e são centrais para


compreender as histórias das civilizações. Todas as civilizações se expandem e estabelecem
contratos umas com as outras através de meios técnicos de informação e comunicação
(produzidos pelo homem ou não) – tudo é “meios de comunicação”.


 Formas de comunicação nãos construídas pelo homem (rios, cavalos…)
 Meios de comunicação com origem na actividade humana (estradas, pontes, canais,
automóveis…)
 Extracções de recursos naturais – porque não são para consumo autónomo, mas sim
para trocar com outras comunidades, incitando o contrato.


 Todos eles afectam e alteram a organização das sociedades;
 Meios de comunicação criam novos ambientes – todos estes ecossistemas vão alterar a
percepção e as formas de vida dos indivíduos;
 Tecnologias permitem o comércio e o contrato com outras civilizações.

 As tecnologias quando entram em determinadas sociedades podem ser devastadoras


(ex: índios)

Ideia de que o meio é a mensagem é tratada no pensamento de Innis, mas fica célebre pelo
trabalho de McLuhan.

McLuhan tem também uma concepção vasta de meios de comunicação  meios de


comunicação são extensões/próteses/prolongamentos do Homem.
Sociologia da Comunicação
Prof. Filipa Subtil

Ponto de partida para um novo domínio de pensamento:

 Telégrafo / electricidade: - extensão do sistema nervoso central; simulação da


consciência humana na rede – inteligência colectiva; surge pela primeira vez a ideia de
aldeia global;
 Roupas: extensão da pele;
 Casas: extensão do corpo;
 Fotografia: estende e multiplica a imagem humana.

O Meio é a Mensagem: qualquer nova tecnologia (extensão técnica humana) induz


consequências psíquicas, percepcionais, sensoriais e sociais; o simples acto de introduzir um
novo meio em si – a mensagem (transformação do ambiente onde vivemos) – um meio de
comunicação é ele próprio uma mensagem porque tem um propósito e causam
consequências.

Innis: não pretende fazer um juízo de valores da tecnologia mas sim apelar a que os meios
tecnológicos não se imponham aos outros (linguagem, pinturas rupestres – meios que ligam o
tempo histórico) – opera ao paradoxo relacionado com as tecnologias de comunicação –
aspectos positivos e negativos  tem uma visão histórica das tecnologias de informação.