Geomorfologia Fluvial e Hidrografia

Aracy Losano Fontes

São Cristóvão/SE 2010

Geomorfologia Fluvial e Hidrografia
Elaboração de Conteúdo Aracy Losano Fontes

Projeto Gráfico e Capa Hermeson Alves de Menezes Diagramação Neverton Correia da Silva Ilustração Lucas Barros Oliveira

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FICHA CATALOGRÁFICA PRODUZIDA PELA BIBLIOTECA CENTRAL UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE
F683g Fontes. Aracy Losano Geomorfologia fluvial e hidrografia / Aracy Losano Fontes -- São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe, CESAD, 2010. 1. Geomorfologia hidrográfica. I. Título. CDU 551.435.1

“José Aloísio de Campos” Av.6600 .Jardim Rosa Elze CEP 49100-000 .SE Fone(79) 2105 . P. S.6474 . s/n .Fax(79) 2105. de Sant’ana (Ciências Biológicas) Vanessa Santos Góes (Letras Português) Lívia Carvalho Santos (Presencial) NÚCLEO DE MATERIAL DIDÁTICO Hermeson Menezes (Coordenador) Arthur Pinto R. M. Marechal Rondon. Almeida Carolina Faccioli dos Santos Cássio Pitter Silva Vasconcelos Isabela Pinheiro Ewerton Lucas Barros Oliveira Neverton Correia da Silva Nycolas Menezes Melo UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE Cidade Universitária Prof.Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva Ministro da Educação Fernando Haddad Secretário de Educação a Distância Carlos Eduardo Bielschowsky Reitor Josué Modesto dos Passos Subrinho Vice-Reitor Angelo Roberto Antoniolli Diretoria Pedagógica Clotildes Farias de Sousa (Diretora) Diretoria Administrativa e Financeira Edélzio Alves Costa Júnior (Diretor) Sylvia Helena de Almeida Soares Valter Siqueira Alves Coordenação de Cursos Djalma Andrade (Coordenadora) Núcleo de Formação Continuada Rosemeire Marcedo Costa (Coordenadora) Núcleo de Avaliação Hérica dos Santos Matos (Coordenadora) Carlos Alberto Vasconcelos Coordenadores de Curso Denis Menezes (Letras Português) Eduardo Farias (Administração) Haroldo Dorea (Química) Hassan Sherafat (Matemática) Hélio Mario Araújo (Geografia) Lourival Santana (História) Marcelo Macedo (Física) Silmara Pantaleão (Ciências Biológicas) Chefe de Gabinete Ednalva Freire Caetano Coordenador Geral da UAB/UFS Diretor do CESAD Antônio Ponciano Bezerra Vice-coordenador da UAB/UFS Vice-diretor do CESAD Fábio Alves dos Santos Núcleo de Serviços Gráficos e Audiovisuais Giselda Barros Núcleo de Tecnologia da Informação João Eduardo Batista de Deus Anselmo Marcel da Conceição Souza Raimundo Araujo de Almeida Júnior Assessoria de Comunicação Edvar Freire Caetano Guilherme Borba Gouy Coordenadores de Tutoria Edvan dos Santos Sousa (Física) Geraldo Ferreira Souza Júnior (Matemática) Janaína Couvo T. de Aguiar (Administração) Priscila Viana Cardozo (História) Rafael de Jesus Santana (Química) Ítala Santana Souza (Geografia) Trícia C.São Cristóvão .

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................... 95 AULA 7 Ambiente deltaico .................. 125 AULA 9 Análise morfométrica de bacias hidrográficas .................. 29 AULA 3 As redes de drenagem ........................................................................................... 07 AULA 2 A dinâmica do escoamento fluvial e o transporte de sedimentos ................................. 153 ........................................................................... 47 AULA 4 Perfil longitudinal de cursos de água........................................................Sumário AULA 1 Introdução ao estudo da Geomorfologia ................................................................... 79 AULA 6 Leques aluviais ....................................... 67 AULA 5 Formas topográficas nas planícies de inundação e terraços aluviais............................. 109 AULA 8 Vales fluviais ........................................ 137 AULA 10 Ambientes lacustres ...............................................................................................................

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entender o objeto de estudo da Geomorfologia. evolução no tempo.110mb. suas relações processuais pretéritas e atuais no espaço e as formas de relevo derivadas. analisar os modelos de evolução da paisagem. microbacia.com) . saber aplicar a classificação taxonômica do relevo. o aluno deverá: entender a natureza da ciência geomorfológica e da Geomorfologia Fluvial e suas relações com a Geografia e Geologia.geografo.Aula INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA 1 META Apresentar uma visão geral da ciência geomorfológica e da Geomorfologia Fluvial visando o entendimento de sua natureza. bacia hidrográfica. (Fonte: http://www. OBJETIVOS Ao final desta aula. explicar os conceitos de Geomorfologia Fluvial. hierarquia fluvial e rio.

es) 8 .Geomorfologia Fluvial e Hidrografia INTRODUÇÃO A partir deste momento. na atualidade. o qual sistematizou a ciência geomorfologia. vamos começar? William Morris Davis foi um grande geógrafo norte americano. entre os setores mais dinâmicos no campo da geomorfologia. a Geomorfologia Fluvial coloca-se. você dará início aos estudos sobre a ciência geomorfológica. Então. sistemas de referência. Foi um representante da tendência anglo-americana. procurando compreender a dinâmica do modelado terrestre.ieg. Englobando o estudo dos rios e das bacias hidrográficas. com noções fundamentais sobre o seu desenvolvimento.csic. objeto de estudo e classificação taxonômica. (Fonte: http://age. constituindo a primeira interpretação dinâmica da evolução geral do relevo com o ciclo de erosão geográfico.

Disso resulta considerar também. na superfície terrestre. que é a superfície terrestre. portanto. da Geomorfologia ainda é o inventário explicativo das formas de relevo terrestre que se estende a todas as regiões do globo e a todos os objetos topográficos. como todo objeto concreto do espaço geográfico. que constituem o seu objeto de estudo. As formas de relevo. 2001). na medida em que depende dos conhecimentos da Figura 1. A Geomorfologia Climatologia. O objetivo último.1 – Posicionamento da Geomorfologia. permanência). mas também no tempo (duração. a Geomorfologia é uma ciência históricogeográfica. ao mesmo tempo. devem. Por seu objeto-conhecimento da superfície de contato entre fenômenos de natureza diferente – a Geomorfologia pertence à categoria de ciências-ponte. também. situa-se na interseção da Geologia com a Geografia. e um lado objetivo e científico. A existência e o funcionamento desses processos. essencialmente geográfica. Por estas razões a observação e a medição devem ser priorizadas na coleta de dados geomorfológicos. Ela situa seu objeto simultaneamente no tempo e no espaço. Mas o situa. sua evolução no tempo buscando compreender suas relações processuais pretéritas e atuais no espaço. (Fonte: Jatobá e Lins. Assim. sua gênese. a Geomorfologia.1). está no âmago do problema das relações do homem com o seu meio. ser estudadas não só espacialmente. Daí a necessidade de completar o trabalho de campo com o exame destas formas através de imagens orbitais de satélite. fotografias aéreas verticais e com manipulações laboratoriais. Paleogeografia. Essa Ciência mantém profundos vínculos com a Geologia Estrutural e Histórica. 9 . situa-se na interface existente entre as Ciências Geológicas e as Ciências Geográficas (Figura 1. As formas. sejam quais forem suas dimensões. no quadro geral das Ciências da Terra. em suas relações com os outros componentes do meio natural. têm suas origens mais amplas em forças oriundas do interior do planeta (forças endógenas) e externas. os processos responsáveis pelas ações capazes de criar e destruir as formas de relevo. desde as estruturas mais extensas e antigas até as mais elementares. vindas a partir da atmosfera (forças exógenas). Como ciência-de-contato. como integrantes de seu objeto de estudo. mas é. Fitogeografia. um lado empírico e subjetivo no qual elas são apreendidas por uma operação sensorial individual.Introdução ao estudo da Geomorfologia Aula NATUREZA DA GEOMORFOLOGIA 1 A Geomorfologia ou Morfologia é uma ciência que estuda as formas de relevo terrestre. essencial. também. no qual elas são mensuradas e explicadas da mesma forma por observadores diferentes. apresentam. Dentro do campo do saber.

constituindo o ponto mais baixo a que o rio pode chegar. conduziria à peneplanização do relevo. sobre o relevo então formado. Warner. citados por Christofoletti. no entanto. que fornecem informações necessárias ao entendimento da produção do espaço geográfico. muitas vezes chamado de “pai da geografia americana” não só pelo seu trabalho e esforços no estabelecimento da geografia como uma disciplina acadêmica. A ideia de ciclo de erosão resume-se numa superfície plana deformada bruscamente por uma ação tectônica e. ponto de partida para novo ciclo. o conceito de ação catastrófica passou a ser refutado. obteve o mestrado em engenharia. persistia o conceito de que os vales fluviais fossem o resultado de uma ação catastrófica. na fase final. os rios teriam passado a drenar vales anteriormente formados. é. citado por Christofoletti (1981) preocupou-se com o estudo das formas de leito. sem prejudicar o escoamento de suas águas. DESENVOLVIMENTO DA CIÊNCIA GEOMORFOLÓGICA O desenvolvimento da ciência geomorfológica. (1981). A idéia da esculturação do relevo ligada à ação dos rios foi desenvolvida pelos pesquisadores do século XVIII porém. no início. e um ano mais tarde. inicia-se com os estudos geológicos da crosta terrestre em meados do século XVIII. fundamentada no conceito de ciclo de erosão. a partir do qual formulou a idéia de ciclo de erosão que. principalmente na França. Trabalhou então em Córdoba. No final do século XIX. embora seja um ponto instável no perfil longitudinal dos rios. maturidade e senilidade. em 1879. Sorby (1859). isto é. Na Europa. enquanto que Powell (1876) foi um dos primeiros a demonstrar as leis fundamentais da ação fluvial. O nível de base. Mott Davis e Mary Davis. durante três anos e tormou-se um instrutor de geologia na Universidade de Harvard. a Geomorfologia esteve ligada à Geografia enquanto que nos Estados Unidos a situação equivalente foi atingida através da Geologia. Nível de base de um rio é o ponto-limite abaixo do qual a erosão das águas correntes não pode trabalhar.Geomorfologia Fluvial e Hidrografia Pedologia e Hidrografia. William Morris Davis Filho de Edward M. Davis (1899) inicia a sistematização da ciência geomorfológica. Massachusetts. até nova superfície plana. (Pensilvânia) em 12 de fevereiro de 1850 e faleceu em 05 de fevereiro de 1934. com base nos estudos de Gilbert (1877) e Powell (1876). de tendência naturalista. Peneplanização: conjunto de processos ou sistema de erosão que degrada. No mesmo ano casou-se com Ellen B. mais estável. lenta e progressivamente. 10 . ou melhor. Evolução normal dos processos de erosão que tendem à construção de um peneplano. em Springfield. vinculada à geologia e à geografia. estabelecendose o princípio de que os rios erodem para formar os seus próprios vales. Formou-se na Universidade de Harvard com 19 anos de idade. No fim daquele século. através das fases de juventude. Foi um geógrafo norte-americano. comparando-se com a fragilidade da instabilidade de outros pontos. nasceu na Filadélfia. Argentina. mas também por seu progresso na geografia e no desenvolvimento da geomorfologia. Este autor estabeleceu o conceito de nível de base de erosão fluvial. age a erosão que o reduz. regulariza as asperezas de uma superfície topográfica. a peneplanície.

1982). Diante do elevado gradiente produzido pelo soerguimento em relação ao nível de base geral. 1994). a sistematização da ciência geomorfológica surge com William Morris Davis (1899). O trabalho comandado pela incisão vertical do sistema fluvial desaparece com o estabelecimento do perfil de equilíbrio. O processo denudacional que individualiza a ma. representante da tendência angloamericana. Fonte: Casseti. Lester King e John Hack. 11 . constituindo a primeira interpretação dinâmica da evolução geral do relevo com o ciclo de erosão geográfico (CASSETI. desenvolvido com base nas áreas úmidas e fundamentado no conceito de nível de base de erosão fluvial. o sistema fluvial produz forte entalhamento dos talvegues. 2006). Entretanto. O SISTEMA DE WILLIAM MORRIS DAVIS O sistema de Davis (1899). do século XX. quando a denudação inicia o rebaixamento dos interflúvios. no decorrer da década de 50. Rice. que caracterizam o estado antropomórfico denominado de juventude em que a capacidade de transporte do rio excede a carga recebida das vertentes (Figura 1. 2 – Ciclo ideal com um relevo real moderado (Cfr. sugere que o processo de denudação se inicia a partir de um rápido soerguimento da massa continental. outros pesquisadores reconheciam a influência climática sobre o modelado..2). 1994. Com o intuito de resgatar a construção do processo histórico do pensamento geomorfológico. Walter Penck. marcando o fim da juventude e o começo da maturidade. nos Estados Unidos. Assim. originando verdadeiros canhões. tais como William Morris Davis. a especular sobre suas causas (PRESS et al.Figura 1. 1 SISTEMAS DE REFERÊNCIA EM GEOMORFOLOGIA – OS MODELOS DE EVOLUÇÃO DA PAISAGEM Os fortes contrastes na morfologia das paisagens estimularam os primeiros geólogos. a contribuição mais substancial foi a de Jean Tricart e André Cailleux. serão apresentadas as primeiras teorias ou sistemas que contribuíram para a compreensão dos modelos de evolução da paisagem.Introdução ao estudo da Geomorfologia Aula Enquanto dominava o pensamento davisiano.

Canhões – vales de paredes abruptas. Nesse instante haveria praticamente um único nível altimétrico entre interflúvios e os antigos fundos de vales. estágio denominado de senilidade. Figura 1.3). às vezes interrompidos por elevações residuais determinadas por resistência litológica. isto é. da bacia de Paris. o que torna necessário admitir a continuidade da estabilidade tectônica. Perfil de equilíbrio – curva descrita por um curso d’água quando se verifica a existência de uma estabilidade nas condições hidrodinâmicas. caracteriza-se pelo rebaixamento do relevo de cima para baixo. sendo o nível de base em relação ao qual funciona a erosão subaérea normal”. A evolução considerada tende a atingir total horizontalização topográfica. os rios passariam a meandrar sobre uma superfície quase plana. Num estágio avançado da evolução do ciclo normal.3 – Evolução do relevo. Denundação ou Desnudação – arrasamento das formas de relevo mais salientes. os quais estariam representados 12 . até atingir a peneplanização. Nível de base geral ou grande nível de base é a superfície plana formada como prolongamento do nível do mar sobre as terras continentais.Geomorfologia Fluvial e Hidrografia turidade. o rio não escava e nem deposita sedimentos. da bacia do Prata. para Davis. Os terrenos sedimentares formados de detritos são a melhor prova da destruição das rochas preexistentes. quando a morfologia seria representada por extensos peneplanos. 1994). Davis (1902) considera-a como “a superfície imaginária. bem como dos processos de erosão (Figura 1. pelo efeito conjugado dos agentes erosivos. etc. (Fonte: Casseti. como a da Amazônia. referidas como monadnocks. vales encaixados. Esta estimativa pode ser bem compreendida se observarmos o grande volume de detritos que foram necessários para construir as grandes planícies. isto é. de cima para baixo.

(Fonte: Press. passando pelas formas arredondadas da maturidade e chegando até as planícies desgastadas. à semelhança dos monadnocks. devidos à peneplanação em regiões de clima úmido. conforme as proposições de William Morris Davis (a). Meandrar – rio que descreve curvas sinuosas. Davis propôs um ciclo de erosão que progride desde as montanhas altas e íngremes. formada pela coalescência de pedimentos. Walter Penck (b) e John Hack (c). O tempo necessário ao desenvolvimento desse ciclo foi calculado entre 20 e 200 milhões de anos. Resulta da intersecção dos planos das vertentes com dois sistemas de declives convergentes.4).Introdução ao estudo da Geomorfologia Aula por cursos meandrantes. resultante de um ciclo geomorfológico. amplos semicírculos. Inselbergs: são como resíduos da pediplanação. denominado rejuvenescimento. com calhas aluviais assoreadas pela redução da capacidade de transporte fluvial. 13 . Após atingir certo estágio de senilidade. em climas áridos quentes e semi-áridos. formando. Peneplano ou Peneplanície – superfície plana ou levemente ondulada. – a necessidade de um rápido soerguimento do relevo. por vezes.4 – Os modelos clássicos de evolução da paisagem resultantes do soerguimento tectônico e da erosão. em zona de terrenos planos. dando seqüência ao ciclo evolutivo da morfologia. e 1 Figura 1. típicas da estabilidade tectônica e do estágio senil (Figura 1. Talvegue – linha de maior profundidade no leito fluvial. seguido por um período muito longo de estabilidade tectônica. dentre elas destacam-se: – o modelo ser concebido em áreas de clima temperado. formadas tectonicamente na juventude. modelada nos climas áridos quentes e semi-áridos. o relevo seria submetido a novo soerguimento rápido. O modelo teórico concebido por Davis tinha alguns pontos que originaram críticas. cujo trabalho se realizou até a extrema senilidade. Pediplano: superfície inclinada. Monadnocks – elevações residuais que resistem mais à erosão em áreas peneplanizadas. 2006).

durante a Segunda Guerra Mundial. as vertentes côncavas dominam. A proposta penckiana foi um dos principais argumentos responsáveis pela ruptura epistemológica registrada na linhagem anglo-americana.Geomorfologia Fluvial e Hidrografia – as condições de equilíbrio como resultado a ser obtido no final do ciclo. O SISTEMA DE LESTER C. até então fielmente adepta das idéias consagradas de Davis. com formas residuais denominadas inselbergs. quando a intensidade do entalhamento é igual à da denudação. mas admite o ajustamento por compensação isostática e considera o recuo paralelo das vertentes como forma de evolução morfológica. dos processos e do tempo. correspondente ao oceano. sobretudo ao afirmar que a denudação é concomitante ao soerguimento. de acordo com a proposta de Penck (1924). A evolução do recuo por um período de tempo de relativa estabilidade tectônica permitiria o desenvolvimento de extensos pediplanos. Chama as grandes extensões horizontalizadas na senilidade de pediplanos. atribuindo desse modo a devida importância aos efeitos processuais. emersão e denudação acontecem simultaneamente e quando o processo de entalhamento dos vales é superior ao da denudação. à desagregação mecânica. predominam as vertentes retilíneas e quando o entalhamento é menos intenso do que a denudação. sobretudo. O SISTEMA DE WALTHER PENCK (1924) Walther Penck foi um dos principais críticos do sistema de Davis. 14 . O material resultante da erosão decorrente do recuo promove o entulhamento das áreas depressionárias. ocorrendo extraordinário desenvolvimento da Geomorfologia Estrutural. Assim. KING Esse sistema procura restabelecer o conceito de estabilidade tectônica considerado por Davis. De acordo com essa concepção. originando os denominados pedimentos e bajadas. a concepção do ciclo geográfico estava em função da estrutura. com intensidade diferenciada pela ação da tectônica. Os estudos procuravam relacionar as formas topográficas oriundas do controle estrutural. desenvolvendo o conceito de depósitos correlativos e a articulação com a Climatologia e a Biogeografia. King (1955) argumenta que o recuo paralelo das vertentes ocorre devido. a partir de determinado nível de base. iniciado pelo geral. razão pela qual a referida teoria ficou conhecida como pediplanação. as vertentes convexas dominam na superfície terrestre.

(Fonte: Casseti. desaparecem gradativamente as marcas relacionadas às fases anteriores que estavam presentes na paisagem. As montanhas na ausência de erosão. 1994). entrariam em colapso devido ao seu próprio peso. HACK (1960) Na década de 60. a ruptura conceitual ocorreu. mesmo com declives fortes. as mudanças climáticas ou eventos tectônicos produzem alterações no fluxo da matéria. Desse modo.5). até a obtenção de novo reajustamento dos componentes do sistema. Qualquer alteração no fluxo de energia incidente tende a responder por manifestações no comportamento da matéria. Na teoria do equilíbrio dinâmico as formas não são estáticas.5 – Equilibrio dinâmico mantido nos diferentes panoramas topográficos. um volume de material correspondente. 1 Figura 1. Como exemplo. evidenciando alterações morfológicas. O enfoque acíclico do conceito de “equilíbrio dinâmico” é de Hack (1960). quando o sistema readquire o equilíbrio dinâmico. Algo intrínseco ao argumento de Hack é que o modelado se adapta rapidamente às variações dos fatores de controle ambiental. mesmo que operasse por longos períodos de tempo. quando John Hack reconheceu que o soerguimento não poderia aumentar a elevação acima de um limite crítico. devido à resistência finita das rochas. que proporciona. que se fundamenta na teoria geral dos sistemas.Introdução ao estudo da Geomorfologia Aula O SISTEMA DE JOHN T. mantendo constante troca de energia e matéria com os demais sistemas terrestres. determinado pela resistência diferencial litológica. 15 . O princípio básico da teoria é de que o relevo é um sistema aberto. vinculada à linhagem anglo-americana pós-davisiana. estando vinculado à competição entre a resistência dos materiais da crosta terrestre e o potencial das forças de denudação (Figura 1.

Fisiologia da paisagem – analisa os processos atuais e a morfodinâmica. inserindo o homem como agente desses processos. muito mais importante. 2. Estrutura superficial da paisagem – relaciona os depósitos correlativos com as condições climáticas. pelo preenchimento do espaço formado por um novo material crustal. responsáveis pelas formas de relevo da superfície terrestre. sísmicas e tectônicas. convergentes e conservativos ou transformantes – são áreas onde ocorrem atividades vulcânicas. com conseqüências que dependerão das diferenças de densidade entre as placas. Nos referidos níveis de abordagens as relações processuais evoluem.Geomorfologia Fluvial e Hidrografia As concepções modernas sobre a evolução das paisagens incorporam partes de todas essas idéias pioneiras e advogam a existência de uma progressão da forma da paisagem como sendo dependente da escala de tempo na qual ocorreram mudanças geomorfológicas. enfatizando a morfogênese. contribuiu efetivamente para o entendimento das formas de relevo. Ab’Saber (1969) deu a maior contribuição à teoria Geomorfológica com o estabelecimento de três níveis de abordagem: 1. Os limites entre as placas – divergentes. de uma escala geológica de tempo para a histórica ou humana. do primeiro ao terceiro nível. O surgimento da Teoria Geológica da Tectônica de Placas. destacando a morfologia. que integram o conjunto de processos denominados endógenos. mas representam apenas um fator minoritário em escalas de tempo de 100 milhões de anos em que o soerguimento tectônico é provavelmente. Assim. exigindo maior controle de campo. Compartimentação topográfica regional e caracterização morfológica – analisa os diferentes níveis topográficos e as características do relevo. Limites Divergentes ou Construtivos – são caracterizados pelo afastamento de uma placa tectônica em relação à outra. Limites Convergentes ou Destrutivos – ocorrem onde as placas litosféricas colidem frontalmente. Limites Transformantes ou Conservativos – marcam o contato entre placas de densidades semelhantes que colidem obliquamente de modo que elas deslizam lateralmente entre si ao longo de falhas transformantes. 16 . as variações no clima foram um fator muito importante na evolução da paisagem durante os últimos 100 anos. e 3. na década de 1960. sem destruição das placas ou geração de crosta nova.

MORFOLOGIA A morfologia ponto de partida para o entendimento dos demais aspectos do relevo. 1 OBJETO DE ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA Neste tópico são descritas as variáveis referentes à morfologia. representados pela sua forma e aparência como. 2008). planaltos e montanhas (Figura 1. 17 . engloba a morfografia e a morfometria da superfície terrestre.Introdução ao estudo da Geomorfologia Aula Depósitos correlativos – correspondem ao acúmulo de material detrítico. plano. colinoso montanhoso. Nos estudos geomorfológicos atuais. As macroformas são descritas por denominações convencionais como depressões. Figura 1.6). morfogênese. planícies. Representam um importante elemento na interpretação das condições paleoambientais. A morfografia refere-se aos aspectos descritivos (ou qualitativos) do relevo. em espaços rebaixados. por exemplo. (Fonte: Florenzano. morfodinâmica e morfocronologia. Morfogênese – origem e desenvolvimento das formas de relevo resultantes da atuação dos processos endógenos e exógenos. resultante de fases erosivas de formas de relevo. a morfologia e a morfodinâmica têm uma aplicação mais direta no planejamento e gestão ambiental. 2001). que são o objeto de estudo da Geomorfologia (FLORENZANO.6 – As grandes unidades do relevo. particularmente os paleoclimas (JATOBÁ e LINS. Pedogênese – estudo da origem dos solos. 2008).

freqüência de rios e a amplitude interfluvial. glacial e eólica. do magmatismo intrusivo e do tectonismo. Os processos endógenos têm origem no interior da Terra e manifestamse por meio dos movimentos sísmicos. marinha. Entre as variáveis mais utilizadas para estudos geomorfológicos. expostas à energia solar. Os processos exógenos são movimentos externos que atuam na superfície da Terra destruindo elevações. Montanhas – grandes elevações naturais do terreno com altitudes superiores a 300m e constituídas por um agrupamento de morros. e à acumulação. O intemperismo ocorre quando as rochas. Intemperismo ou Meteorização – processo de alteração das rochas por fragmentação (intemperismo físico) e decomposição (intemperismo químico e biológico). Planícies – são terrenos baixos e planos. são submetidas a novas condições de pressão. agronômicos. MORFOGÊNESE A morfogênese refere-se à origem e ao desenvolvimento das formas de relevo. geológicos. densidade de drenagem. às ondas. A erosão ou denudação.Geomorfologia Fluvial e Hidrografia Depressões – são terrenos situados abaixo do nível do mar (depressões absolutas. à água pluvial e fluvial. resultantes da atuação dos processos endógenos e exógenos. como o mar Morto) ou abaixo do nível altimétrico das regiões adjacentes (depressões relativas) como a depressão periférica paulista. pedológicos. temperatura e umidade. declividade. Planaltos – superfícies elevadas mais ou menos planas delimitadas por escarpas íngremes onde o processo de degradação supera o de agradação. Eles englobam o intemperismo ou meteorização. ao gelo e ao vento. geotécnicos e integrados do meio ambiente. lacustre. formados por acumulação de material. A morfometria refere-se aos aspectos quantitativos do relevo. que podem ser de origem aluvial ou fluvial. bem como na avaliação da fragilidade e vulnerabilidade dos ambientes têm-se: altitude (hipsometria). 18 . em que o material removido e transportado pela erosão é depositado. construindo formas e preenchendo depressões. extensão de vertente. amplitude altimétrica (altura do relevo). refere-se à remoção e ao transporte do material intemperizado. do vulcanismo.

1 MORFOCRONOLOGIA Refere-se à idade. de diferentes idades e processos genéticos distintos. Refere-se aos compartimentos que foram gerados pela ação climática ao longo do tempo geológico sobre uma determinada estrutura.Introdução ao estudo da Geomorfologia Aula MORFODINÂMICA A morfodinâmica refere-se aos processos atuais (ativos). Toma-se como exemplo a bacia sedimentar intracratônica (Figura 1. Figura 1. quando diferentes condições climáticas prevaleciam. relacionados com os processos endógenos. através de datação com carbono 14 (14C) de fósseis ou de evidências arqueológicas. Reflete as condições geológicas (litologia e estrutura) e principalmente. cuja escala permite a identificação dos efeitos da estrutura no relevo. não são necessariamente os mesmos que ocorrem nos dias atuais. Os tipos de processos que definem as formas de relevo. endógenos e exógenos. das formas de relevo e dos processos a elas relacionados. Ross (1992). (Fonte: Novo. é essencial distinguir a idade das formas. 2º táxon – refere-se às Unidades Morfoesculturais contidas em cada Unidade Morfoestrutural. diferenciando as recentes daquelas herdadas de períodos anteriores. pois todas as formas de relevo caracterizam-se pelo período de sua formação e sua evolução. propõe seis níveis para a representação geomorfológica (Figura 1. CLASSIFICAÇÃO TAXONÔMICA DAS FORMAS DE RELEVO A superfície terrestre é dinâmica e está constituída por formas de relevo de diferentes tamanhos ou táxons. absoluta e relativa. 2008). Assim. que atuam nas formas de relevo. classificadas de acordo com a sua gênese. 1º táxon – representado pelas Unidades Morfoestruturais. 19 . Para melhor compreensão da compartimentação do relevo.7 – Representação esquemática das Unidades Taxonômicas.8).7).

localizada nas suas áreas mais centrais. as serras. 2003). as depressões periféricas.Geomorfologia Fluvial e Hidrografia Figura 1. os tipos climáticos que atuaram no passado e os que atuam no presente. (Fonte: Suertegaray. Figura 1.8 – Bacia Sedimentar Intracratônica: depressão da superfície do cráton ou plataforma.. Incluem-se neste táxon os planaltos.9 – Seção esquemática mostrando a estrutura do relevo do Estado do Paraná. 2005). 20 . (Fonte: Melo et al. chapadas.9). entre outros (Figura 1.

Pequenos depósitos aluvi- 21 . entre outras. ao longo das vertentes. 5º táxon – são as vertentes ou setores das vertentes pertencentes a cada forma de relevo quer sejam convexos. planos. 1 Figura 1. tamanho e idade (Figura 1. ravinas. deslizamentos. onde os processos morfoclimáticos atuais começam a ser mais facilmente notados (Figura 1. como as planícies fluviais ou marinhas. como sulcos. morros e cristas. voçorocas. formato.10). terraços fluviais ou marinhos e planícies costeiras.11).Introdução ao estudo da Geomorfologia Aula 3º táxon – representa as Unidades Morfológicas ou Padrões de Formas Semelhantes que se encontram contidas nas Unidades Morfoesculturais. retilíneos. 2005). aguçados. resultantes do desgaste erosivo como colinas. 4º táxon – refere-se às formas de relevo individualizadas em cada Unidade de Padrão de Formas Semelhantes. 6º táxon – corresponde às pequenas formas de relevo que se desenvolvem por interferência antrópica. abruptos e côncavos. direta ou indireta. no vale do Paraíba do Sul. em função da rugosidade topográfica e do índice de dissecação do relevo. São dimensões menores do relevo sendo.12). Assim. entre outros. portanto. de gênese e idade mais recentes (Figura 1. São formas geradas pelos processos erosivos e deposicionais. uma Unidade de Padrão de Formas Semelhantes constitui-se por formas de relevo semelhantes entre si na morfologia. (Fonte: Melo et al. Estas formas.10 – Paisagens multiconvexas de colinas associadas a uma superfície de aplainamento na área de Bananal.. ou de denudação. São conjuntos de formas que apresentam distinções entre si. quanto à gênese podem ser: agradação.

Geomorfologia Fluvial e Hidrografia onares na base das vertentes e bancos de assoreamento nos leitos fluviais enquadram-se nesse táxon (Figura 1. Figura 1.12 – Escarpa do Platô de Vila Velha. (Fonte: Suertegaray et al..13).11 – A depressão constitui uma superfície aplainada por longos processos erosivos onde predominam formas planas ou levemente onduladas. 2006). 2003. 22 .) Figura 1. (Fonte: Melo.

(Fonte: Press et al.. às formas de relevo. e o muro de contenção é muito delgado para poder suportá-lo. com ênfase nos processos observados no canal fluvial. 2008). envolvendo outras áreas do conhecimento como a Hidrologia. atua como lubrificante. Engloba o estudo dos cursos de água. aos processos geomorfológicos. Esta encosta é instável porque sua declividade é paralela ao mergulho das camadas do substrato. que. cujo volume depende do regime hidrológico da bacia hidrográfica onde os canais estão inseridos. O talude atrás da casa foi verticalizado demais. 1998). quando saturada de água. As suas contribuições têm adotado uma perspectiva temporal para as mudanças do fluxo e da carga sedimentar como também de elementos que interferem na 23 . as quais se dispõem sobre uma camada de argila. e o das bacias hidrográficas. a biota e à ocupação do solo (CUNHA.Introdução ao estudo da Geomorfologia Aula 1 Figura 1. 2006). que considera as suas principais características que condicionam o regime hidrológico.13 – Construir em algumas encostas é favorecer a ocorrência de um desastre. que se detém nos processos fluviais e nas formas resultantes do escoamento das águas. A esse escoamento dá-se o nome de vazão. a Pedologia e a Ecologia. Representa um setor de destaque na ciência geomorfológica e a partir da década de 70 os seus estudos foram intensificados. Essas características ligam-se aos aspectos geológicos. A GEOMORFOLOGIA FLUVIAL NO CONTEXTO DAS CIÊNCIAS GEOMORFOLÓGICAS A Geomorfologia Fluvial é o campo da Geomorfologia que se dedica a estabelecer relações entre os processos de erosão e deposição resultantes do escoamento da água em canais fluviais e as formas de relevo dele derivadas (FLORENZIANO. aos condicionantes hidrológicos e climáticos.

Figura 1. 24 .15). É delimitada pelos divisores de água.14). terras altas com relevo suave ou cadeias de montanhas. rio principal. 2006).. ainda. 1995). (Fonte: Press. dentre outros (Figura 1. que podem ser cristas. A bacia hidrográfica ou de drenagem na perspectiva hidrológica é a área da superfície terrestre drenada por um rio principal e seus tributários. Representa a área de captação natural da água da precipitação que faz convergir o escoamento para um único ponto de saída. como as obras de engenharia na bacia hidrográfica. que marcam o limite topográfico da zona de abastecimento originada pela precipitação. o exutório (Figura 1. Percebe-se. médio e inferior. cursos superior.14 – Os vales fluviais e as bacias de drenagem são separados pelos divisores de águas.Geomorfologia Fluvial e Hidrografia dinâmica e funcionamento do sistema fluvial. (Fonte: Antunes. na bacia hidrográfica a existência de diferentes elementos como: nascente ou cabeceira. subafluentes. Figura 1. afluentes. foz ou desembocadura.15 – Elementos de uma bacia hidrográfica. et al.

perdem água para a zona de saturação porque o seu leito situa-se acima do nível freático. de 5 de março de 1987. permanecendo secos a maior parte do ano. De modo geral é mais profundo nos divisores topográficos e mais raso nos fundos de vales (KARMANN. ou seja. que são alimentados pela água subterrânea. De acordo com o fornecimento de água os rios podem ser: • efêmeros – não são alimentados pelo lençol subterrâneo e possuem água somente durante e após as chuvas. • intermitentes ou temporários – contêm água em certa época do ano e apresentam-se secos noutra. No Brasil. 1 COMO DEFINIR UM RIO? Geomorfologicamente o termo rio aplica-se exclusivamente a qualquer fluxo canalizado ou confinado. definidas operacionalmente em função das aplicações a que se destinam. 2001). que criou o Programa Nacional de Microbacias Hidrográficas – PNMH. isto é.Introdução ao estudo da Geomorfologia Aula Pode ser dividida em sub-bacias e microbacias.076. situação típica de regiões úmidas. • perenes – drenam água no decorrer de todo o ano e a vazão aumenta para jusante. Em áreas úmidas. sendo comum em regiões semi-áridas e áridas. o DecretoLei nº 94. 25 . Geralmente correspondem aos rios efluentes. Recebem fluxo d’água a partir do nível freático quando este encontra-se suficiente alto. As precipitações e o fluxo do lençol subterrâneo influenciam as características do deflúvio dos rios. com elevada pluviosidade. tende a ser mais raso. Em geral correspondem a rios influentes. definida pelos canais fluviais de primeira ordem. considera a microbacia como uma unidade espacial mínima. O nível freático acompanha aproximadamente as irregularidades da superfície do terreno e sua profundidade é função da quantidade de recarga e dos materiais terrestres do subsolo. enquanto em ambientes áridos tende a ser profundo.

da idade geológica. em suas bordas. divergentes e convergentes. principalmente. de um modo geral. podemos concluir que a Geomorfologia é uma ciência geológica nos Estados Unidos. A Geomorfologia Fluvial destaca-se no contexto da ciência geomorfológica. onde os processos suaves evoluem do primeiro ao terceiro nível. A idéia da esculturação do relevo ligada à ação dos rios foi desenvolvida no século XVIII e no século seguinte inicia-se a sistematização da ciência geomorfológica. na Europa. onde se inclui a dinâmica do escoamento fluvial. enquanto que. fundamentada no conceito de ciclo de erosão de Davis. as pesquisas estavam calcadas na estrutura geológica estando a morfologia da paisagem dependente. no passado. AUTOAVALIAÇÃO 1. que obscureceu a hipótese de Penck. A visão de Davis foi tão predominante no início do século XX. o qual propôs que o soerguimento tectônico compete com a erosão para controlar a morfologia da paisagem. Quais são os principais componentes das paisagens? 2. A classificação taxonômica das formas de relevo elaborada por Ross (1992) permite a compreensão da compartimentação do relevo em seis níveis para a representação geomorfológica. A Geomorfologia Fluvial representa um setor de destaque na ciência geomorfológica e a partir da década de 1970 os seus estudos deram mais ênfase aos processos observados nos canais fluviais. que definem diferentes tipos de limites-transformantes. é uma ciência geográfica. Como os sistemas climáticos e da tectônica de placas interagem para controlar a paisagem? 26 . Os modelos clássicos de evolução das paisagens sucederam-se e são resultantes do soerguimento tectônico e da erosão conforme as proposições de Davis. principalmente. Os diferentes fenômenos de superfície estão relacionados com os três níveis de abordagem: compartimentação topográfica. que constituem o objeto de estudo da Geomorfologia. dando ênfase aos processos que ocorrem no canal fluvial principal e de seus tributários. O desenvolvimento dos estudos geomorfológicos mostra que. RESUMO As formas de relevo. Penck e Hack. devem ser estudadas espacialmente e temporalmente e os processos responsáveis têm suas origens nas forças endógenas e exógenas. estrutura superficial da paisagem e fisiologia da paisagem. A análise sobre a atuação dos grandes processos tectônicos passa pelo entendimento dos eventos que se desenvolvem no interior das placas tectônicas e.Geomorfologia Fluvial e Hidrografia CONCLUSÃO Ao final da Aula 1.

Sandra Baptista da. Porto Alegre: Bookman. 7. FLORENZANO. 1876. 14. Tradução. 18). N. 17-29. Descreva os sistemas de referência em Geomorfologia. v. John T. Revista do Departamento de Geografia. 1969 (Série Geomorfologia. Amer. John. Geomorfologia Fluvial. Um conceito de Geomorfologia a serviço das pesquisas sobre o Quaternário.. n. Para entender a Terra. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. ed. v. Exploration of the Colorado Riner of the west and its tributaries. Lucivânio. 1992. Geogr. 1960. Interpretation of erosional topography in humid – temperate regions. 721-732. 258-A. p. GUERRA Antonio José Teixeira e CUNHA. Bull. 4. Teresa Gallotti. Tópicos especiais de Geografia Física. 80-97. 5. 481-504. 1998. Soc. Journal. Lester. Geomorfologia: conceitos e tecnologias atuais. 27 . The geographical cycle. n. Assiz. FFLCH-USP. PRESS. SIEVER. Am. Geol. Raymond. Diferencie morfogênese de morfodinâmica. GROTZINGER. Goiânia: Editora da UFG. POWELL. São Paulo: IGEOG-USP. p. São Paulo: Oficina de Textos. JATOBÁ. William Morris. C. Elementos de Geomorfologia. 1981. São Paulo: Edgard Blucher. Canons of landscape evolution. Walter. 1899. como pode ser classificado esse rio? 1 PRÓXIMA AULA Dando continuidade ao estudo de Geomorfologia Fluvial. JORDAN. REFERÊNCIAS AB’SABER. Em qual setor do rio que banha o município onde você reside espera encontrar uma pequena forma de relevo que corresponda ao 6º táxon? De acordo com o fornecimento de água. J. 3. Jurandy L. Recife: Bagaço. Washington. CASSETI. Journal Sci. 5. Rachel Caldas. Antonio. Thomas H. 6 p. CHRISTOFOLETTI. São Paulo. London. ed. LINS. Washington: Smithsonian Institution. v. 2001. na próxima Aula os assuntos a serem tratados referem-se à dinâmica do escoamento fluvial e o transporte de sedimentos pelos rios. 64. DAVIS. 1994. O registro cartográfico dos fatos geomórficos e a questão da taxonomia do relevo. Frank.Introdução ao estudo da Geomorfologia Aula 3. HACK. KING. W. p. 4. Sanches. v. New Haven. 2008. ROSS. (orgs) Geomorfologia: uma atualização de bases e conceitos. 2006.

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