LEVANTAMENTO HISTÓRICO SOBRE A LEITURA E OS DESAFIOS DA FORMAÇÃO DO LEITOR CONTEMPORÂNEO

Itamar Ramos Sodré

Goiânia 2010

texto e discurso .1 TÍTULO Levantamento histórico sobre a leitura e os desafios da formação do leitor contemporâneo. ÁREA DE CONCENTRAÇÃO Área de Estudos Linguísticos LINHA DE PESQUISA Língua.

recursos tecnológicos possibilitam a leitura em diversos formatos e com acesso a acervo ilimitado. Alliende. Lajolo e Zilberman (1996. com suas infinitas possibilidades está repleta de textos em blogs. A Internet. Mesmo tratando-se de contexto literário. não deixa de ser curioso que as histórias literárias só muito raramente. Como formar um leitor crítico e um escritor de qualidade diante de tamanha exposição a conteúdos de má qualidade? Mas como determinar se um texto é ou não de qualidade? A utilização de textos publicados na Internet para pesquisa acadêmico-científica pode resultar em um trabalho confiável. tanto quanto as entrelinhas que a crítica investiga e interpreta e cujo valor se assinala ao longo de um eixo que não só sacramenta certos textos como maiores ou menores. se ocupem das condições de produção e circulação dos livros. Micotti entre outros que se fizerem necessário durante o trabalho.2 JUSTIFICATIVA E FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O homem tem se utilizado da leitura ao longo dos tempos como o principal recurso para aquisição de conhecimento e esse processo tem passado por inúmeros avanços desde que a escrita foi inventada. Zilberman. que se mostra uma importante ferramenta de armazenamento e disseminação de conteúdos. páginas de relacionamentos pessoais. ou seja. p. tão incipiente. programas de mensagens instantâneas. 117) expõem: Num país de tradição escrita tão recente e precária como o Brasil. Freire. nos recursos tecnológicos como a Internet. Lajolo. . artigos entre outros. tendo como referência obras de autores como Jouve. periódicos. Hoje. mas também lhes outorga ou denega estatuto de literariedade. Esta mal-amada faceta da literatura também faz parte dela. e sempre em surdina. O problema é que esses recursos não estão imunes a conteúdos de má qualidade que estão à disposição desses leitores. Val. Cavalcanti. Koch. enquanto prática social. e consequentemente com uma história de leitura. hoje. é possível verificar a veracidade das informações apresentadas? Para responder a esses questionamentos é que se propõe a elaboração deste estudo. O contexto social é representado nos diversos escritos que podem ser acessados por meio de pesquisas em livros. sites de conteúdo. revistas e.

A crítica da autora refere-se à proliferação de recursos tecnológicos que podem ser utilizados para produção e disseminação de informações. No entanto.3 A classificação de textos como maiores ou menores exige que o crítico tenha em mente a subjetividade do escritor e do leitor. Sobre essa questão. 1989. O leitor é influenciado pelas condições sócio-históricas. o aparecimento de inúmeros meios de comunicação não significou necessariamente a criação de espaços que veiculem dados confiáveis ou que contemplem diferentes pontos de vista. Além dos erros crassos de digitação. Dar-se conta disso é muito importante. p. as possibilidades de acesso às informações se multiplicam. p. portanto. pois que a Internet é um espaço público e livre para todas as finalidades. 2010. o que implica interpretações semelhantes por leitores diferentes [. Neste início de século.] a tarefa do leitor é buscar o equilíbrio entre as exigências do procedimento de comunicação e a liberdade para criatividade. tendo a Internet como um dos principais motores dessa nova forma de leitura. Os sentidos influenciam o seu processo de leitura. entretanto. a concepção de que a leitura é um processo puramente individual. No entanto. do próprio indivíduo.. pois aquilo que pode ser considerado inferior para uns. Normalmente se atribuem sentidos altamente positivos à “revolução tecnológica” que possibilitou a emergência de diferentes mídias. não procede. afirmando-se que elas seriam responsáveis pela democratização de informações.. 15). de gramática e de falta de referencial que comprove a veracidade daquilo que está sendo divulgado. mas que não recebem o devido cuidado quanto à confiabilidade dessas informações. ou seja. por ser considerado superior para outros. visto que ele é influenciado pelo que já vivenciou anteriormente à leitura. De um lado. Cavalcanti afirma que: O processo de leitura é. portanto. o desenvolvimento de novas redes de comunicação provocou um aumento expressivo do fluxo de informações. Em se tratando de leitura contemporânea. um paradoxo entre as semelhanças e diferenças na interpretação. já é um primeiro passo em direção a uma interação menos ingênua com os textos que circulam em nosso cotidiano (RODRIGUES CAVALCANTI. Essa tensão caracteriza o processo como primariamente reducionista (CAVALCANTI. não há que se impor limites ou regramentos para que tudo seja feito seguindo as normas padrões de escrita. no que se refere a . isto é. 35). permitiriam a um número enorme de pessoas – o que antes era privilégio de poucos – o acesso ao “conhecimento”. pressupõe comunicação. encontram-se entre os textos erros de ortografia.

cabendo aos professores e aos pais o papel de contribuir para que as leituras sejam realizadas de forma a produzir um resultado. que tenha uma moral. E o contexto geral em que ele atua. portanto. independente de sua qualidade. afirmam Kaufman e Rodríguez (1995. seduzir. manifestam diferentes intenções do emissor: procuram informar.4 conteúdos de cunho jornalístico e acadêmico-científicos. deixa de ser mero decodificador ou receptor passivo. entreter. seja ele meramente do prazer da leitura ou para despertar a imaginação. que enriqueça os conceitos preexistentes e contribua para que o leitor torne-se cada vez mais crítico quanto às informações que têm acesso. e o leitor é quem dá sentido a esse texto e o utiliza de acordo com sua capacidade. um sentido.”. Os textos possuem um objetivo fim. com sua criticidade e necessidade. O leitor assume um papel atuante. 32): A leitura vai. p. A leitura não pode ser um mero reproduzir de conteúdos publicados. . 13). ela deve contribuir para a aquisição de novos conhecimentos. as pessoas com quem convive passam a ter influência apreciável em seu desempenho na leitura. por isso a sua formação crítica deve ser iniciada ainda nos seus primeiros passos de aprendizagem da leitura. há que se exigir certa qualidade. pois “enquanto unidades comunicativas. os conteúdos disponibilizados na Internet também possuem sua intencionalidade. Essas intenções são evidenciadas nos textos de todos os gêneros. p. um significado. Para Martins (1994. além do texto (seja ele qual for) e começa antes do contato com ele. portanto. convencer. Não há que se pensar em um leitor contemporâneo passivo. etc. bem como para aprimorar os conhecimentos nas mais diversas áreas. sugerir estados de ânimo.

Identificar a influência dos conteúdos disponíveis na internet na formação dos leitores contemporâneos. mas com conteúdos de má qualidade. Realizar a comparação entre conteúdos disponíveis na Internet. .5 OBJETIVOS Objetivo Geral Identificar como o leitor contemporâneo é formado. tendo em vista o maior acesso às informações. Objetivos Específicos Historiar a leitura no Brasil.

2010. Professor. Maria da Graça Costa. MARTINS. .6 REFERÊNCIAS CAVALCANTI. KOCH. Marilda do Couto. Vincent. 1996. São Paulo: Ática. LAJOLO. JOUVE. Campinas: UNICAMP. 19. Regina. Redação e textualidade. ZILBERMAN. (Série Temas). Brigitte Hervor). Interação leitor-texto: aspectos de interpretação pragmática. (Série Pesquisas). (Trad. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto. 5. A formação da leitura no Brasil. Marisa. Juaranice. 2001. São Paulo: Contexto. Maria Helena. 1991. leitura e escrita. ed. 2002. 1989. 1994. (Coleção primeiros Passos). Ingedore Villaça. A leitura. São Paulo: UNESP. São Paulo: Martins Fontes. (Caminhos da Linguística). ed. São Paulo: Brasiliense. RODRIGUES CAVALCANTI. O que é leitura. VAL.

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