LEVANTAMENTO HISTÓRICO SOBRE A LEITURA E OS DESAFIOS DA FORMAÇÃO DO LEITOR CONTEMPORÂNEO

Itamar Ramos Sodré

Goiânia 2010

1 TÍTULO Levantamento histórico sobre a leitura e os desafios da formação do leitor contemporâneo. texto e discurso . ÁREA DE CONCENTRAÇÃO Área de Estudos Linguísticos LINHA DE PESQUISA Língua.

A Internet. tão incipiente. nos recursos tecnológicos como a Internet. Mesmo tratando-se de contexto literário. programas de mensagens instantâneas. ou seja. mas também lhes outorga ou denega estatuto de literariedade. páginas de relacionamentos pessoais. tanto quanto as entrelinhas que a crítica investiga e interpreta e cujo valor se assinala ao longo de um eixo que não só sacramenta certos textos como maiores ou menores. . Micotti entre outros que se fizerem necessário durante o trabalho. periódicos. Esta mal-amada faceta da literatura também faz parte dela. Cavalcanti.2 JUSTIFICATIVA E FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O homem tem se utilizado da leitura ao longo dos tempos como o principal recurso para aquisição de conhecimento e esse processo tem passado por inúmeros avanços desde que a escrita foi inventada. hoje. Lajolo. tendo como referência obras de autores como Jouve. não deixa de ser curioso que as histórias literárias só muito raramente. Zilberman. artigos entre outros. com suas infinitas possibilidades está repleta de textos em blogs. que se mostra uma importante ferramenta de armazenamento e disseminação de conteúdos. Como formar um leitor crítico e um escritor de qualidade diante de tamanha exposição a conteúdos de má qualidade? Mas como determinar se um texto é ou não de qualidade? A utilização de textos publicados na Internet para pesquisa acadêmico-científica pode resultar em um trabalho confiável. se ocupem das condições de produção e circulação dos livros. recursos tecnológicos possibilitam a leitura em diversos formatos e com acesso a acervo ilimitado. sites de conteúdo. Hoje. Koch. Val. e consequentemente com uma história de leitura. O contexto social é representado nos diversos escritos que podem ser acessados por meio de pesquisas em livros. é possível verificar a veracidade das informações apresentadas? Para responder a esses questionamentos é que se propõe a elaboração deste estudo. Alliende. e sempre em surdina. p. O problema é que esses recursos não estão imunes a conteúdos de má qualidade que estão à disposição desses leitores. Freire. 117) expõem: Num país de tradição escrita tão recente e precária como o Brasil. enquanto prática social. Lajolo e Zilberman (1996. revistas e.

pois que a Internet é um espaço público e livre para todas as finalidades. visto que ele é influenciado pelo que já vivenciou anteriormente à leitura. 2010. já é um primeiro passo em direção a uma interação menos ingênua com os textos que circulam em nosso cotidiano (RODRIGUES CAVALCANTI.. o desenvolvimento de novas redes de comunicação provocou um aumento expressivo do fluxo de informações. Essa tensão caracteriza o processo como primariamente reducionista (CAVALCANTI. No entanto. tendo a Internet como um dos principais motores dessa nova forma de leitura.3 A classificação de textos como maiores ou menores exige que o crítico tenha em mente a subjetividade do escritor e do leitor. isto é.. No entanto. Neste início de século. 1989. portanto. o aparecimento de inúmeros meios de comunicação não significou necessariamente a criação de espaços que veiculem dados confiáveis ou que contemplem diferentes pontos de vista. 15).] a tarefa do leitor é buscar o equilíbrio entre as exigências do procedimento de comunicação e a liberdade para criatividade. Cavalcanti afirma que: O processo de leitura é. A crítica da autora refere-se à proliferação de recursos tecnológicos que podem ser utilizados para produção e disseminação de informações. pressupõe comunicação. p. ou seja. a concepção de que a leitura é um processo puramente individual. do próprio indivíduo. no que se refere a . pois aquilo que pode ser considerado inferior para uns. as possibilidades de acesso às informações se multiplicam. permitiriam a um número enorme de pessoas – o que antes era privilégio de poucos – o acesso ao “conhecimento”. um paradoxo entre as semelhanças e diferenças na interpretação. não há que se impor limites ou regramentos para que tudo seja feito seguindo as normas padrões de escrita. 35). não procede. Os sentidos influenciam o seu processo de leitura. O leitor é influenciado pelas condições sócio-históricas. encontram-se entre os textos erros de ortografia. mas que não recebem o devido cuidado quanto à confiabilidade dessas informações. p. portanto. Normalmente se atribuem sentidos altamente positivos à “revolução tecnológica” que possibilitou a emergência de diferentes mídias. entretanto. Além dos erros crassos de digitação. o que implica interpretações semelhantes por leitores diferentes [. Em se tratando de leitura contemporânea. De um lado. de gramática e de falta de referencial que comprove a veracidade daquilo que está sendo divulgado. Dar-se conta disso é muito importante. afirmando-se que elas seriam responsáveis pela democratização de informações. Sobre essa questão. por ser considerado superior para outros.

32): A leitura vai. manifestam diferentes intenções do emissor: procuram informar. deixa de ser mero decodificador ou receptor passivo. as pessoas com quem convive passam a ter influência apreciável em seu desempenho na leitura. ela deve contribuir para a aquisição de novos conhecimentos. A leitura não pode ser um mero reproduzir de conteúdos publicados. independente de sua qualidade. Para Martins (1994.”. que tenha uma moral. Essas intenções são evidenciadas nos textos de todos os gêneros. e o leitor é quem dá sentido a esse texto e o utiliza de acordo com sua capacidade. com sua criticidade e necessidade. cabendo aos professores e aos pais o papel de contribuir para que as leituras sejam realizadas de forma a produzir um resultado. . bem como para aprimorar os conhecimentos nas mais diversas áreas. que enriqueça os conceitos preexistentes e contribua para que o leitor torne-se cada vez mais crítico quanto às informações que têm acesso. Os textos possuem um objetivo fim. p. além do texto (seja ele qual for) e começa antes do contato com ele. 13). Não há que se pensar em um leitor contemporâneo passivo. afirmam Kaufman e Rodríguez (1995. E o contexto geral em que ele atua. um significado. entreter. portanto. sugerir estados de ânimo. os conteúdos disponibilizados na Internet também possuem sua intencionalidade. por isso a sua formação crítica deve ser iniciada ainda nos seus primeiros passos de aprendizagem da leitura. O leitor assume um papel atuante. p. há que se exigir certa qualidade. portanto.4 conteúdos de cunho jornalístico e acadêmico-científicos. seduzir. pois “enquanto unidades comunicativas. etc. um sentido. seja ele meramente do prazer da leitura ou para despertar a imaginação. convencer.

Objetivos Específicos Historiar a leitura no Brasil. Realizar a comparação entre conteúdos disponíveis na Internet.5 OBJETIVOS Objetivo Geral Identificar como o leitor contemporâneo é formado. tendo em vista o maior acesso às informações. . mas com conteúdos de má qualidade. Identificar a influência dos conteúdos disponíveis na internet na formação dos leitores contemporâneos.

ed. (Série Pesquisas). Redação e textualidade. 1989.6 REFERÊNCIAS CAVALCANTI. 2010. Campinas: UNICAMP. 5. VAL. Juaranice. Ingedore Villaça. (Coleção primeiros Passos). São Paulo: Ática. ed. A formação da leitura no Brasil. Regina. ZILBERMAN. O texto e a construção dos sentidos. . São Paulo: Contexto. Marilda do Couto. 2002. MARTINS. Maria Helena. (Caminhos da Linguística). KOCH. Marisa. RODRIGUES CAVALCANTI. leitura e escrita. 1994. 1996. Interação leitor-texto: aspectos de interpretação pragmática. (Trad. Professor. JOUVE. 19. Vincent. 1991. São Paulo: Martins Fontes. São Paulo: Brasiliense. São Paulo: UNESP. A leitura. Brigitte Hervor). (Série Temas). 2001. São Paulo: Contexto. O que é leitura. Maria da Graça Costa. LAJOLO.

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