INSTITUTO BÍBLICO DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS – IBAD CURSO DE BACHAREL EM TEOLOGIA Deise Lucia Barreto Espindola Silvestre Homero

Alexandre da Silva Silvestre

ADULTIZAÇÃO INFANTIL NA LITURGIA DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS E SEUS EFEITOS COLATERAIS

Pindamonhangaba - SP 2011

Deise Lucia Barreto Espindola Silvestre Homero Alexandre da Silva Silvestre

ADULTIZAÇÃO INFANTIL NA LITURGIA DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS E SEUS EFEITOS COLATERAIS

Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Teologia, pelo Instituto Bíblico das Assembleias de Deus - IBAD. Orientadora: Professora Marta Suana

Pindamonhangaba – SP 2011

Dedicamos este trabalho a todas as crianças que, vítimas da adultização infantil no meio pentecostal, são privadas de desfrutar

plenamente da simplicidade de sua infância.

AGRADECIMENTOS

A Deus, por sua infinita bondade e misericórdia que teve por nós em todo tempo. Por ter nos concedido a oportunidade de estudarmos sua palavra e nos sustentado em todos os momentos em que passamos longe de nossos familiares e amigos. Ao nosso filho, Vinícius Barreto Espindola, que durante esse período aqui no seminário, teve que suportar muitas vezes a nossa ausência, principalmente em tempos de entregar trabalhos e em períodos de provas. Ao nosso pastor Enéas Fagundes, que em obediência a uma revelação dada por Deus, aceitou o desafio de nos enviar ao IBAD, com o propósito de nos preparar para exercer o ministério. À professora Marta Suana que aceitou o desafio de caminhar conosco, nos orientando na produção deste trabalho. A esses nossos sinceros agradecimentos.

Culto. e a exagerada admiração a um perfil de pregador eloquente e carismático tem levado algumas crianças a um fenômeno conhecido por adultização infantil. Isso se dá quando infantes adotam comportamentos e estereótipos próprios de adultos. Infante. Infantil. Assembleia de Deus. Criança.RESUMO A influência da mídia. Finalmente se preocupou em propor para a denominação a criação de um ministério pastoral para atender as crianças e um roteiro litúrgico para o público infantil. Ela acontece porque a liturgia da denominação é adultocêntrica e para que as crianças possam participar dela precisam usar a linguagem e o estilo dos adultos. Ministério pastoral. Liturgia. . Neste trabalho queremos mostrar que a adultização infantil está presente em algumas igrejas Assembleia de Deus. procurou trazer uma visão bíblica e sociológica da criança. Palavras-chave: Adultização. O presente trabalho utilizando pesquisa bibliográfica. estudar a adultização infantil na liturgia assembleiana. bem como os seus efeitos colaterais.

............ 1........................................ REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: CRIANÇA TRABALHANDO COMO ADULTO........ Uso bíblico: Septuaginta e Novo Testamento........... 2.................................................................... Participação das crianças na liturgia assembleiana.................................................. 4 PASTOREANDO O CORAÇÃO DAS CRIANÇAS: PROPOSTA DE UM MINISTÉRIO PASTORAL QUE ATENDA AS CRIANÇAS DA IGREJA E DE UM ROTEIRO PARA O CULTO INFANTIL. Cuidado pastoral: a necessidade de pastorear a vida das crianças............... 23 23 24 24 3.. A criança sob o olhar do Novo Testamento ................................. 2 2... 2 3................................................1 4.... 1 2....... 11 Antigo Testamento: a criança no costume judaico.............. 1 3....... 3........ 2 PROPOSTA DE UM MODELO DE CULTO INFANTIL PARA AS ASSEMBLEIAS DE DEUS...... 1...... 1 3....................................................... 3 11 A CRIANÇA NA NARRATIVA BÍBLICA.... 3 LITURGIA: ORIGEM DO TERMO.......................................................................... LITURGIA DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS....................................... 2 Etapas do desenvolvimento cognitivo da criança........................ 35 4.. 1 3..................................................... 2................. 2.......... 3....................... IDADE MÉDIA: AS CRIANÇAS REPRESENTADAS NA ARTE................ 27 ADULTIZAÇÃO INFANTIL NA LITURGIA ASSEMBLEIANA E SEUS EFEITOS COLATERAIS.. 1............................... 2 2........................... 1 3................................................... 18 11 13 14 16 2..................... 19 3 ADULTIZAÇÃO INFANTIL NA LITURGIA ASSEMBLEIANA E SUAS CONSEQUÊNCIAS...............................................................SUMÁRIO 1 2 INTRODUÇÃO................ 1 2............................................................ 27 30 3....... 1 2.......................... O traje das crianças medievais. 37 ... 1 MINISTÉRIO PASTORAL INFANTIL................................... 1............. 34 34 4........................ UMA VISÃO BÍBLICA E SOCIOLÓGICA SOBRE A 09 CRIANÇA.................................................................... 4 AS CRIANÇAS DO SÉCULO XXI: RETRATOS DE UMA GERAÇÃO QUE CRESCE ASSUSTADORAMENTE....... Efeitos colaterais que ocorrem quando se pula as etapas do 31 desenvolvimento da criança..........

...................... 4 4..... 2................... 40 40 42 44 45 REFERÊNCIAS......... 2 4................................................ 40 Quanto tempo falar................................... Como se comportar................................................. SITES CONSULTADOS...................... 1................................................ 2.... 2............ 39 39 39 O que usar........... 1 4.................4...... O que cantar.... 3 4................. 1.................. .......................................... Como falar............................. 2...................................................................................... 1...................... 1....................................... 1 4.......... 1............ 2............................................ CONSIDERAÇÕES FINAIS......... 2............................... 5 5 Cuidados a serem observados pelo dirigente do culto infantil.......................................

.......................... Menino vestido como adulto......... Crianças trabalhando na indústria têxtil......................................................................................... 15 16 17 19 29 ......................................................... Missionário e pregador mirim Matheus Moraes..................................................... Os filhos da família Harbert...........................LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 FIGURA 2 FIGURA 3 FIGURA 4 FIGURA 5 - Evangeliário de Oto III.

por não existir uma prática litúrgica regular nas Assembleias de Deus voltada para o público infantil. são os oradores oficiais em cultos. Essa pesquisa tem como objetivo mostrar os efeitos colaterais na vida das crianças que são vítimas de uma liturgia adultocêntrica nas igrejas Assembleias de Deus e propor um ministério pastoral e uma liturgia que atenda ao público infantil. . Ela acontece porque a liturgia da denominação é adultocêntrica e que para alguma criança possa participar dela precisa usar linguagem e estilo dos adultos. No primeiro capitulo será dado uma visão bíblica e sociológica da criança. Neste trabalho queremos mostrar que a adultização infantil está presente em algumas igrejas Assembleia de Deus. Procurará responder as seguintes perguntas: Como acontece a liturgia nas Assembleias de Deus? Qual a participação da criança nessa liturgia? Qual a contribuição que a liturgia assembleiana oferece para o crescimento espiritual das crianças: Quais são os efeitos colaterais? O que pode ser feito para amenizar essa situação? A metodologia utilizada para essa pesquisa foi inteiramente bibliográfica. Essa pesquisa é importante porque se preocupa com o bom desenvolvimento psíquico. Na perspectiva bíblica será mostrado como a criança era vista no Antigo Testamento. Um detalhe que deve ser destacado. que vestidas como adultas. Esse fenômeno. social e espiritual da criança. Por isso nos delimitamos no seguinte tema: Adultização infantil na liturgia das Assembleias de Deus e seus efeitos colaterais. desde muito pequenas até o início da adolescência. Pois. que aqui chamaremos de “adultização infantil” na liturgia. São crianças. no cuidado dos cordeirinhos (crianças) do rebanho de Cristo. tem atraído a atenção da mídia secular que desconfia serem essas crianças manipuladas por seus responsáveis para levantamento de recursos financeiros por meio da pregação. as crianças são pressionadas a adaptarem-se a um modelo de culto próprio para os adultos. congressos e outras aglomerações de fiéis.8 1 INTRODUÇÃO Nos últimos anos tem proliferado no meio pentecostal a presença de pregadores mirins. contribuir para a denominação. é que essas crianças falam como se adultos fossem e suas mensagens são dirigidas a um público adulto bem ao gosto carismático pentecostal. podendo assim.

Ver-se-á também. No terceiro e último capítulo. será proposto para as igrejas Assembleias de Deus a criação de um ministério pastoral infantil.9 em especial na cultura judaica. Além disso. . refletir-se-á sobre a adultização infantil na liturgia assembleiana e suas consequências. No segundo capítulo. que terá o propósito de acompanhar e cuidar espiritualmente das crianças da igreja. será visto como acontece o roteiro litúrgico das Assembleias de Deus. Revolução Industrial e no século XXI. e como se dá a adultização infantil nessa liturgia e quais são seus efeitos colaterais. Será observada qual a origem do termo liturgia e seu significado no contexto religioso. Será proposto também um modelo de culto para o público infantil e alguns cuidados que o dirigente deve tomar ao estar na direção do mesmo. e como ela era considerada no Novo Testamento. numa ótica sociológica. o infante em três momentos da história: Na Idade Média.

onde a criança era vista como um adulto em miniatura. 2. Durante esse espaço de tempo a criança sofre transformações. cujas características físicas. Por meio da leitura. emocionais. onde as crianças são expostas a uma rotina mais apropriada a adultos 2. ele desempenha funções sacerdotais oferecendo sacrifícios e fazendo orações pela . e mesmo sendo.10 2 UMA VISÃO BÍBLICA E SOCIOLÓGICA SOBRE A CRIANÇA Infância é uma referência aos primeiros anos do ser humano onde ele passa por desenvolvimentos importantíssimos para sua formação para vida adulta. considerando as limitações próprias de cada fase. nem sempre foi respeitado. No Novo Testamento Jesus deu importância as crianças. na Idade Média. Como líder da casa. finalmente. o conceito de infância nem sempre foi entendido desta forma. Na família israelita o marido tem o papel de liderança no lar. de acordo com Ariés (2006). 1. pois eram considerados como benção de Deus (Salmos 127. 1. A CRIANÇA NA NARRATIVA BÍBLICA Na Bíblia Sagrada encontram-se várias menções feitas às crianças e muitas histórias onde elas foram personagens importantes no desenrolar da narrativa bíblica. tempo em que os infantes eram explorados no trabalho e que se cobravam deles o mesmo desempenho de um trabalhador adulto. mentais e espirituais precisam ser respeitadas. usando-as como exemplo para ensinar seus discípulos. Contudo. 3. e. No Antigo Testamento os judeus tinham todo o cuidado na criação de seus filhos. o período da Revolução Industrial. VRC). O apóstolo Paulo também mostrou sua preocupação para com os infantes ao escrever algumas recomendações aos pais a respeito de seus filhos. é possível observar como a infância era considerada nos tempos bíblicos. 1 Antigo Testamento: A criança no costume judaico No Antigo Testamento pode-se observar a criança que nasce e cresce em uma família de cultura judaica cuja instrução era de acordo com a Lei de Deus. no século XXI. Neste capítulo verificaremos a criança sob uma ótica bíblica e depois em três momentos específicos na história: O primeiro. depois no século XVIII.

Os hebreus criam que a vida ― do homem e da mulher ―vinha de Deus. Os rapazes demoravam um pouco mais.11 esposa e filhos. Os homens permaneciam na família e aumentavam assim seu tamanho e riqueza com esposas e mais filhos. o nascimento de uma menina era bem vindo à família judaica. pois a vida era dada por Deus. Tanto meninos quanto meninas eram alvos da educação dos pais. sendo chamado pela própria esposa de senhor. Por outro lado. Por esta razão. TENNEY. As instruções nos tempos veterotestamentário eram informais. 2002 p. quando o profeta Nata procurou descrever o relacionamento íntimo de um pai com o filho. No entanto. apesar de haver uma preferência por crianças do sexo masculino. “Quando a mulher não podia ter filhos. por outro lado. pois para os judeus ter filhos significa ser abençoados por Deus. enquanto vivessem debaixo de seu teto. 9). podendo ser dadas ao noivado e depois de casadas seus cuidados eram transferidos aos maridos e a família deles. Seus filhos. 2002 p. p. As meninas após completarem doze de anos de vida eram consideradas de maior idade. os meninos eram a verdadeira benção. Apesar de o nascimento de uma criança ser considerado uma benção de Deus. existia uma expectativa de terem filhos do sexo masculino para darem continuidade à genealogia da família e também poderem ajudar os pais depois que crescessem. Os pais eram os principais responsáveis por instruir . Os filhos eram tidos como propriedades do pai até ao período do casamento. casavam-se aproximadamente com dezoito anos de idade. isso era uma maldição de Deus porque significava praticamente a extinção da família” (GOWER. O marido era considerado a suprema autoridade da família. 1988. só eram valiosas pelo trabalho que faziam enquanto jovens e pelo dote que seria pago como uma forma de compensação quando elas se mudavam para outra família (GOWER. ele retratou uma filha nos braços do pai com a cabeça reclinada no seu regaço (2 Samuel 12:3) (PACKER. 61). Em realidade. o não ter filhos era considerado maldição. As meninas. WHITE. 61). deveriam ser sujeitos à autoridade paterna. não havia salas de aulas e nem currículos para os alunos. Embora todas as crianças fossem causa de alegria. nunca considerariam matar um de seus filhinhos. Depois de casados o casal ficava na expectativa de terem filhos.

13 – 16. em especial nos evangelhos. No Novo Testamento a criança recebe enfoque maior nos Evangelhos. O Senhor deu importância aos pequeninos e usou as virtudes próprias da infância como exemplo a ser seguido pelos seus discípulos. Neste texto Jesus usa a criança como um modelo de humildade a ser seguido por aqueles que querem ser os maiores no reino dos céus. 1 – 7. Certa vez.12 os filhos acerca da vida religiosa e também da cotidiana (Deuteronômio 6. Os relatos de Mateus e Lucas registram o nascimento do menino Jesus. A infância era vista como um tempo de formação e instrução para a vida adulta. briga por poder e se tornar humilde como criança. esse é o maior no reino dos céus (Mateus 18. 2. de modo algum entrareis no reino dos céus. 15. 3. Portanto. VRC). aquele que se tornar humilde como este menino. ela é humana. Ele abençoou e curou as crianças. A criança descrita no Velho Testamento não é um ser perfeito. não atendeu somente . no decorrer de seu ministério. E disse: Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não fizerdes como meninos. Provérbios 22. e as tomou em seu braço e abençoou-as (Marcos 10. quando levaram algumas crianças para serem tocadas pelo Senhor. Desta forma. 6. 2 A criança sob o olhar do Novo Testamento Nos tempo do Novo Testamento. teve tempo para passar alguns momentos com as crianças. VRC). Jesus no exercício de seu ministério. comete travessuras e às vezes precisa da correção dos pais (Provérbios 22. os discípulos impediam que elas chegassem até ao Mestre. Marcos registra em seu Evangelho que Jesus ficou indignado ao ver essa cena e mandou deixar as crianças chegarem até Ele. Em outro momento quando os discípulos queriam saber qual deles seria o maior no reino dos céus. a criança é colocada em lugar de destaque por Jesus. Jesus. Elas faziam parte da multidão que seguia o Salvador. eles informam aos seus leitores que Deus entrou na história da humanidade na figura de uma criança. Jesus pegou uma criancinha e colocou-a no meio deles. VRC). 1. 4 VRC). Para entrar no reino dos céus é necessário se despojar de todo o orgulho.

Ele tinha tempo para as crianças. p. logo que. 15 VRC). 3.13 aos adultos. como um bebê. 19) “até por volta século XII. a importância da instrução que Timóteo recebeu durante a infância (2Timóteo 1. . conseguissem enfrentar sozinhos os perigos da infância. a preocupação pelos pequeninos no Novo Testamento não está restrito apenas aos Evangelhos. frequentando os mesmos lugares e compartilhando as mesmas conversas. 2. Aos líderes Paulo ensina que um dos itens para qualificação ministerial é instruir seus filhos na fé e na obediência (Tito 1. Ariès afirma que (2006. É mais provável que não houvesse lugar para a infância neste mundo. VRC). 6. Paulo diz que os filhos dos que servem ao Senhor são santos (1Corintios 7. o Deus Todo Poderoso.” Percebe-se isso na figura 1. VRC). em sua encarnação. a arte medieval desconhecia a infância ou não tentava representá-la. uma miniatura do século XI do Evangeliário de Oto III. Paulo em suas orientações às igrejas e líderes lembrou-se das crianças. por exemplo.2 IDADE MÉDIA: AS CRIANÇAS REPRESENTADAS NA ARTE A moderna concepção da infância se difere muito da que se tinha na Idade Média. valorizou a infância entrando na história da humanidade. 14. para implantar seu Reino. Elas foram curadas. Para os cristãos ortodoxos. VRC). Ao orientar os crentes de Corinto com relação ao casamento. ressuscitadas e alimentadas pelo Senhor. suas particularidades não eram levadas em conta. representando a passagem do Evangelho em que Jesus fala para seus discípulos deixarem as crianças ir até Ele. Neste período da história ainda que houvesse afeição pelas crianças. eram paparicados. Para a igreja de Éfeso o apóstolo da graça ensina aos filhos a obedecerem e a honrarem aos pais e que estes não provoquem a ira em seus filhos (Efésios 6. sendo retratadas sem suas características próprias e parecendo adultos em miniaturas. Considerou. Por meio das Sagradas Escrituras é possível perceber o cuidado e a apreciação que Deus tem pelas crianças. Os infantes. eram inseridos no mundo dos adultos. No entanto. Observa-se nas obras de arte desse período crianças como adultos em miniatura. nos seus primeiros anos. 5. serviam como objeto de diversão para os adultos e. 1 – 4.

Jesus em pé veste uma camisa leve. enquanto as crianças (homenzinhos) que os cercam estendem a mão para mãe.Evangeliário de Oto III Fonte: http://www. representado nas pinturas do século XII. p. mãe de Jesus. A evolução em direção a uma representação mais realística e mais sentimental da criança começaria muito cedo na pintura: numa miniatura da segunda metade do século XII. por exemplo. alguns artistas já desenhavam os pequeninos recebendo carinho por parte dos seus familiares.com/dic. 2006. O pintor medieval retratava o conceito que a sociedade daquela época tinha da criança e a forma sem afeto como as pessoas mais velhas tratavam-na.nsf/eswiki/700105 A figura mostra literalmente dois homens em miniaturas representando duas crianças. com o rosto colado ao dela (ARIÉS.14 Figura 1 . quase transparente. o marido e a mulher dão as mãos. . Em torno do século XIII.esacademic. essa evolução foi possível graças ao sentimento materno de Maria. p. “Apenas seu tamanho os distingue dos adultos” ARIÉS (2006. tem os dois braços em torno do pescoço de sua mãe e se aninha em seu colo. Nas pinturas desse século. Porém. o retrato das crianças evoluiu e se aproximou mais do sentimento moderno. com os mesmos acento de ternura do jubé de Chartres. encontramos cenas de famílias em que os pais estão cercados por seus filhos. Segundo Ariés (2006. p. num retrato da família de Moisés.19): Na Bíblia Moralizada de São Luís. 17). 19).

Contudo. Somente a partir do século XIV ela foi desenvolvida e expandida pela contribuição da arte italiana. é um retrato de como a sociedade desconsiderava a infância. separava a criança do adulto” (ARIÉS. Entretanto. a criança não era vista como adulta unicamente pelas representações artísticas. e.com/2010/09/imagem-semanal-maca. 2. no traje medieval. O recém nascido ficava com o corpo enrolado em uma faixa de tecido. já começava a se preparar para a maturidade.blogspot. chamada cueiro.html Somente no século XVII. só que em tamanho reduzido. a afeição nas paisagens limitava-se apenas ao menino Jesus. a criança que pertencia à nobreza passaria a usar vestes diferentes dos adultos. as que eram pobres ainda continuariam a usar as mesmas roupas que seus pais usavam. pois “nada. Figura 2: menino vestido como adulto Fonte: http://arteseanp. 2. 1 O traje das crianças medievais A indiferença para com as crianças não era notada somente nas imagens que as retravam como um adulto em miniatura. 32). . logo que parasse de usá-la. as demonstrações de afetividades para com as crianças eram raras.15 No entanto. por exemplo. as vestes que elas usavam. 2006 p. O modo que se vestiam mostra como a infância era considerada.

as de dez anos em diante. Ao descrever a figura 3.org/The-Habert-de-Montmort-Children. envolto em sua capa: na aparência. já se veste como um homenzinho. A adultização precoce também ocorreu durante a Revolução Industrial na Inglaterra. têm apenas quatro anos e nove meses: eles não estão mais vestidos com adultos. pertence ao mundo do adulto. em todos os sentidos. que estão afetuosamente de mãos dadas e ombros colados. A falta de sentimento da infância não ficou restrita apenas à Idade Média.16 Figura 3: Os filhos da família Harbert Fonte: http://www. como adultas. ainda continuavam a viver. tinham a infância considerada. Ariés (2006. de dez anos..html Mesmo assim.] Mas os dois gêmeos. porém. . as diferenças que existiam nas roupas de uma criança de classe nobre para a de um adulto da mesma classe social.. As crianças abaixo de dez anos.-1649. [. eram mínimas. p.philippedechampaigne. 32 e 33) diz que: O mais velho. em relação às vestes.

a fim de ajudarem nas despesas da casa. 3 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: CRIANÇA TRABALHANDO COMO ADULTO A Revolução Industrial teve início na Inglaterra no século XVIII e depois se espalhou para outros países da Europa. 62). perdiam partes da mão e do braço. Caracterizou-se pelo avanço da tecnologia que possibilitou a criação de vários tipos de máquinas e como resultado “[. A princípio só as que viviam nos orfanatos eram entregues aos patrões para trabalharem como aprendizes nas fábricas e nas minas. pelo patrão (MELANI. trabalhando mais hora por dia a uma velocidade cada vez maior. bancos e fábricas e o proletariado era a classe social compostas pelos cidadãos pobres. os burgueses passaram a contratar as crianças para trabalharem nas fábricas. o homem teve de ajustar sua vida a esse novo ritmo. As crianças contratadas passaram a ter as mesmas responsabilidades de um adulto. marcado pela produção em massa. Porém. Duas classes sociais se destacaram durante a Revolução Industrial: a burguesia e o proletariado. Com isso.17 2. Como a produção devia ser cada vez mais rápida. resp. os serviços do homem foram sendo substituídos pelos das máquinas.. os ricos. por sua vez. De produtor. . mesmo as que tinham famílias eram empregadas.] um novo modo de vida surgiu. p. Muitas sofriam acidentes. era controlada pelos empregados mais graduados da fábrica e. pela expansão das cidades e pela divisão da sociedade em burgueses e proletários” (MELANI. devido à pressão que eram submetidas. o homem passou a ser um operador de máquinas. Devido aos avanços tecnológicos. A burguesia era formada pela classe social dominante.. 2006. acima destes. ed. Um novo tempo havia chegado: o tempo das fábricas. donos dos comércios. que trabalhavam para a burguesia. que. Quem definia o ritmo do trabalho era a máquina. p. ed. Cumpriam uma longa jornada de trabalho e operavam máquinas brutas que ofereciam perigo. com o passar dos tempos. 2006. o trabalhador teve que se adaptar a uma nova realidade. 63). Em busca de mão-de-obra barata. resp.

desafiando pais e especialistas.html As crianças que eram encontradas descansando no horário de serviço eram severamente agredidas por seus supervisores. fugiam.blogspot. Antes a turma reunia-se para brincar de pique-esconde. Foram trocadas pelas atividades extracurriculares. 4 A CRIANÇA DO SÉCULO XXI: RETRATOS DE UMA GERAÇÃO QUE EVOLUI ASSUSTADORAMENTE A criança da primeira década do século XXI é bem diferente do século anterior. Após o período escolar. para que. Quando caía o rendimento de seus trabalhos. levavam socos e outros tipos de punições. eram presas e fichadas na polícia. as crianças têm compromisso . pular cordas e outros passatempos próprios para crianças. Quando elas não aguentavam mais o sofrimento. Essa adultização precoce que ocorreu na Idade Média e na Revolução Industrial surge no século XXI com outra roupagem. continuasse a manter a produtividade necessária. essas brincadeiras ficaram no passado.com/2009/05/as-muitas-faces-da-revolucao-industrial. No entanto. rodar pião. 2. amarelinha. As meninas se divertiam com o jogo queimado. por meio da correção. bola de gude.18 Figura 4: Crianças trabalhando na indústria têxtil Fonte: http://profvalquiriahistoria.

1998. 83). (ALVAREZ. possam estar prontos a disputar as vagas oferecidas pelas empresas. A identidade da criança passa a ser formada a partir dos referenciais que a mídia apresenta: a atriz principal da novela que se veste de forma sensual. Por isso. 3). Desse percentual. o jogador de futebol. curso de informática. 3) A criança do século XXI trocou as brincadeiras próprias da infância por hábitos e costumes de adultos. matriculam-nos em vários cursos. que por motivo de trabalho. o tempo fica todo preenchido sem poder desfrutar das coisas próprias da infância. treino de futebol e com isso. De acordo com um levantamento realizado com 400 estudantes de 7 a 12 anos pela Universidade São Marcos de São Paulo. 40% dos alunos apresentavam sintomas de estresse. deixam a criança passar a maior parte do tempo sob o cuidado de outras pessoas. Em relação à realidade em que as crianças se encontram. quando chegarem à idade de trabalhar. aluna de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo. vão-se enfraquecendo os referenciais de identidade das crianças” (AMORESE. “Com isso. p. trazendo uma perda significativa na estruturação da personalidade do futuro jovem” (SAKAMOTO apud ALVAREZ. p. 51% das crianças sofriam de insônia e 76% apresentavam alterações de comportamento. mas não quer nenhum compromisso com a mãe do bebê. a psicóloga Cleusa Sakamoto disse que “A infância é um período de desenvolvimento que se tornou menor.19 com a aula de balé. Adultos não são os únicos que sofrem com esses problemas. está formando no entendimento da criança a ideia de que os valores morais seguidos pelas celebridades são corretos. Elas se vestem semelhante às pessoas mais velhas. 2009. elas acabam adquirindo problemas de saúde por não terem estrutura para suportar tal carga. preocupados com o futuro de seus filhos. Devido aos muitos compromissos impostos sobre as crianças e a cobrança dos pais e educadores. Um dos fatores que favorece essa adultização é a ausência dos pais ou dos responsáveis. os responsáveis. que engravida uma adolescente e diz que vai assumir o filho. em entrevista a Paloma Alvarez. p. Estresse e compromissos. para que. 2009. . Todas essas ocupações são para preparar as crianças para o mercado de trabalho que cada dia fica mais exigente e competitivo. Quando a televisão exalta essas pessoas sem analisar suas ações. comem os mesmos alimentos e assistem programas indicados ao público adulto como se fosse normal.

se vestem. terno e gravata e a imitarem os gestos e a voz dos famosos pregadores e cantores. Por esse motivo os responsáveis deveriam monitorar o que seus filhos estão assistindo na televisão e selecionar quais os programas que eles podem ver. que não estão preparados para suportar tais emoções. estão. jogar bola com elas. de mais influência na igreja. prejudicando a infância e a formação psicológica delas. o modo com que os adultos. Silva (2010. Quando as lideranças permitem que as crianças assumam personalidades de adultos. O fenômeno da adultização precoce tem prejudicado seus sentimentos. isso não é tudo. assassinato e muitas outras que mexem com os seus sentimentos. não só o comportamento dos astros influencia em sua adultização precoce. praticar esportes e mostrar o quanto vale a pena desfrutar os momentos da infância. Nas mensagens comunicadas por estes pregadores mirins. falar e agir semelhantes aos obreiros são convidados para pregarem em várias igrejas e até em congressos. a enxurrada de cenas fortes que aparecem nos filmes e nas novelas. 9). São situações que envolvem traição. p. só que. Porém. a adultização precoce chegou aos arraiais evangélicos. Existem crianças que imitam.20 Quando ela passa muito tempo assistindo televisão.7) diz que: Devemos levar em consideração que a influência da mídia televisiva tem atingido nossas crianças dentro de casa. Os questionamentos são diversos. A mente delas é bombardeada de informações. mas também. nesse período. divórcio. às vezes de maneira imperceptível. p. Em outros casos os próprios responsáveis incentivam seus filhos a usarem colete. As crianças que conseguem falar e agir semelhantes aos adultos são taxadas de espirituais. . quando. ou são incentivadas a imitarem. Infelizmente. na verdade. Os infantes que conseguem se destacar no vestir. comprometendo sua personalidade com sérias conseqüências psicológicas (SILVA. 2010. nota-se claramente como eles copiam os jargões das pessoas que eles admiram. nos dias de folga do trabalho. enquanto as que têm atitudes infantis são severamente repreendidas no culto. podem levar as crianças para passear. o desenvolvimento de seus papéis infantis é invadido pelas necessidades de assumir papéis de adulto. homossexualismo. e não são poucos os casos de crianças perturbadas e perdidas nas suas emoções. formando confusão no seu desenvolvimento psicológico.

21 A infância é uma etapa da vida que precisa do acompanhamento e cuidado dos pais. . A criança precisa ser tratada tal como ela é. educadores. tanto física como mental. precisam ser respeitada. suas fragilidades. pastores e lideres de crianças. É nessa fase que o caráter é formado de modo positivo ou negativo. para que tenham um desenvolvimento sadio e construa uma boa personalidade para vida adulta.

3. A palavra “liturgia” é a transliteração aportuguesada do termo grego “leitourgía”. de onde surgiu o termo. pois eles não entendem a linguagem que é usada pelos líderes. Nas liturgias que são realizadas para adorar e servir a Deus. que pode significar o “serviço público ou particular feito por um cidadão”. a linguagem. percebe-se a desconsideração pelo público infantil. recebem oportunidades nos cultos para cantar. 1 LITURGIA: ORIGEM DO TERMO A palavra “liturgia” tem sido empregada de forma errada por muitos líderes e crentes evangélicos. 14) diz que. As variantes da palavra são: “leitourgós”. cânticos e parâmetros usados no culto público e nas reuniões de adoração e exposição da Palavra de Deus. p. (ação). seu desenvolvimento e como passou a ser usado no meio religioso.22 3 ADULTIZAÇÃO INFANTIL NA LITURGIA ASSEMBLEIANA E SUAS CONSEQUÊNCIAS Em muitas igrejas pentecostais os cultos são adultocêntricos. impedindo assim a operação do Espírito Santo no culto. Leiturgia. Normalmente entende-se que liturgia é a programação do culto. A definição do termo liturgia de acordo com Andrade (2000. Quando não. serviço divino] Culto público oficializado por uma igreja. A palavra liturgia significava. gestos. originalmente. A palavra liturgia tem sua origem entre o povo grego. Com a evolução dos séculos passou a designar. [grifo do autor]. a sua . Assim sendo. serviço ou dever público. no Cristianismo. orar e até pregar. frio e controlado pelo homem. Neste capítulo será falaremos sobre a Adultização da Criança na liturgia das igrejas Assembleias de Deus. formada por duas palavras: “leitos” (Público) e “ergos” (Serviço). Será visto também o uso da liturgia no contexto assembleiano e como as crianças participam dela. Será explicado o que é liturgia. Costa (1984. as crianças que se comportam de modo incompatível às suas idades agindo como adultas. Forma pela qual um culto público é dirigido. Ritual. Comentaremos sobre os estágios do desenvolvimento cognitivo da criança e seus efeitos colaterais. p. 206) é: [Do Gr. e frequentemente o termo é usado associando-se a um culto engessado.

no terceiro século antes de Cristo” (BOYER 1998. 2: 17. II Cor. a prestação de serviço era obrigatória. depois passou a significar a realização de um serviço que o Estado impunha sobre o cidadão. 2 LITURGIA NAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL A igreja Assembleia de Deus no Brasil foi fundada no ano de 1911 pelos missionários suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren. Heb. no período do Novo Testamento e também no primeiro século da Era Cristã (COSTA 1984. pode-se dizer que. assim como na Septuaginta. Então. prestado à Pátria. Em Luc. 864): o Novo Testamento utiliza-se dela (leitourgía) por seis vezes: Luc. “Leitourgéõ” (Eu ministro. prestado por Zacarias. voluntário ou obrigatório. De acordo com Champlin (2008. 9: 12. 1: 23. em Alexandria. normalmente recebe a tradução de “artífice”.23 tradução literal seria: “Servidor Público”. 14). são eles: Primeiro significava o serviço. “leitourgikós” (Ministrante). 3. em várias situações. 864). sirvo) e. 8: 6 e 9: 21. O Novo Testamento foi escrito em grego e seus escritores também empregaram. Em outras passagens está em foco o serviço prestado por cristãos. Fil. p. preparada por um grupo de setenta e dois eruditos. 575). ao ponto de descrever qualquer tipo de serviço. Ao traduzi-las os tradutores usaram o termo “leitourgía” (Serviço Público) no contexto religioso para descrever o serviço prestado pelos sacerdotes e levitas (CHAMPLIN 2008. 1: 23 referindo-se aos dias de ministração ou serviço. Ambos desembarcaram no porto de Belém do Pará no dia 19 de novembro de 1910. e por último. descrevendo os serviços prestados pelos sacerdotes e pelos servos que serviam os deuses nos templos. 30. neste caso. o termo “leitourgia” para se referir aos serviços religiosos. A palavra “leitourgía” passou por quatro estágios diferentes. 1 Uso bíblico – Septuaginta e Novo Testamento Essa tradução ficou conhecida como “Septuaginta” “versão grega do Antigo Testamento. em obediência a uma . 3. em seguida o termo tornou-se amplo. Esta palavra é pouco encontrada no grego secular e. p. passou a ser utilizado no sentido religioso. p. 1. P. liturgia significa “serviço”.

aos membros da igreja. com fins de adorar a Deus mediante a liturgia. os de línguas estranhas e os de profecia... em média. um é assembleiano. as Assembleias de Deus alcançaram o número de 8. 2006 p. 617. aproximadamente. esta reunião formou a base de uma igreja denominada Missão da Fé Apostólica. os cultos das Assembleias de Deus caracterizam-se por orações. 2001 p. 155). considerada. sendo um o Culto de Doutrina. 184. 2010 p. o chamamos de culto evangelístico [. podemos afirmar. 147). que é o ofício sagrado que permite a todas as pessoas participarem.] Segundo os dados do IBGE no Censo de 2000. “Assim. em junho de 1911. poderia ser definido como: O ajuntamento solene da Igreja.]” (OLIVEIRA. aberto a livre manifestação da ação e dos dons do Espírito com decência e ordem (1 Co 14. três cultos por semana. 12) e os outros dois são chamados de Culto Público. isto é.altairgermano.24 chamada de Deus para esse local com a missão de pregar o Evangelho e a propagar a doutrina do batismo no Espírito Santo. por exemplo. 40) (GERMANO.26. esposo de Celina Albuquerque. pois serve para “ensinar de forma dogmática. O “culto cristão”. . em um total de 17. 2010 p. que posteriormente viria a ser chamar Assembleia de Deus” (PAULA. restrito. que de cada dois evangélicos pentecostais.html) As assembleias de Deus realizam. sob uma perspectiva pentecostal. em sua maioria. pregações empolgantes e por manifestações de dons espirituais como. Como é comum nas igrejas pentecostais. 418.. 2011 http://www. pela denominação. 307 evangélicos pentecostais e de 26. aquilo que se ensina é fixado na igreja como padrão de conduta para todos os crentes. associada aos elementos comuns de cada cultura popular ou denominacional. Suas primeiras reuniões eram realizadas na casa de Henrique Albuquerque. 941 protestantes na sua totalidade. [. 8). a primeira pessoa a ser batizada pelo Espírito Santo no Brasil.net/2011/05/o-genuino-culto-pentecostalsubsidio. “Consideraremos em primeiro lugar o que é conhecido por todos nós como o CULTO PÚBLICO. Desde então a denominação Assembleia de Deus cresceu e se espalhou por diversos Estados brasileiros.. 140 adeptos.]” (OLIVEIRA. ou seja. Normalmente. testemunhos (comuns nas reuniões de oração). e de cada três evangélicos existente no Brasil.. são as doutrinas bíblicas [. um é das Assembleias de Deus (PAULA..

. 8). servem de orientação para os obreiros prepararem e dirigirem o culto. far-se-á a leitura bíblica oficial. “A música não pode ser esquecida durante o culto. 2001 p. 2007 p. O pregador precisa de tempo suficiente para transmitir a mensagem de Deus. hinário das igrejas Assembleias de Deus. e também há os louvores cantados em grupo ou individualmente. Um culto sem oferta é um culto antibíblico. “Quando nada se oferta a Deus. p. bem como se dará graças ao Senhor por seus favores” (OLIVEIRA. 22). Essa oração é organizada pelo dirigente e.  Pregação – É a última parte do culto. publicados pela Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD). seja compreendida pelos ouvintes. 8) instrui o seguinte: Após a oração inicial e a entoação de um hino pela Congregação.  Contribuição – Segundo Kessler (2007.. de plano.].  Oração – Geralmente antes do início do culto ora-se de joelhos.25 O livro “O Culto e suas Formas” do pastor Nemuel Kessler e o livro “Manual de Cerimônias” do pastor Temóteo Ramos de Oliveira. . A liturgia do Culto Público proposta por ambos os autores contém as seguintes partes:  Hinos – Os hinos entoados são os da Harpa Cristã.  Leitura Bíblica – Oliveira (2001 p. Essa programação litúrgica é seguida por quase todas Assembeias de Deus existente no Brasil. Esta leitura geralmente é feita pelo dirigente do culto ou por alguém por ele designado. 39). e a sua execução não pode ser desequilibrada ao ponto do culto ser afetado em seu conteúdo” (KESSLER. pois as ofertas representam a expressão de gratidão do cultuador”. “Feita a leitura. pedindo sempre a ajuda do Senhor para trazer um texto que contenha no seu bojo uma mensagem clara que. far-se-á outra oração na qual todos os pedidos serão apresentados. e produza efeitos espirituais imediatos em seus corações. um obreiro assume a responsabilidade de orar. o culto não pode ser perfeito [. na falta deste.

em vez de apartar as crianças. Kessler (2007 p. Portanto. Elas são postas num canto. a participação da criança no culto fica restrita à apresentação do grupo infantil. 52) orienta o seguinte: “Se o teu filinho inquietar-se. Elas conseguem oportunidades para participar da liturgia. Fora isso. Nenhuma outra oportunidade é dada. é preferível que te retires com ele a permitires que ele perturbe o culto enquanto procuras aquietá-lo dentro do santuário”. Quem pensa dessa forma não compreende que o verdadeiro louvor vem da boca de pequeninos. 3. As crianças parecem que são invisíveis na liturgia. deveríamos ficar de joelhos e aprender com elas. afinal. Muitos programas para crianças na verdade são uma forma de elas não “atrapalharem” os adultos. fazer uma oração ou até mesmo ajudar a recolher as ofertas. Na verdade. daí o desejo dos infantes ficarem correndo dentro do templo ou no pátio da igreja. porque. o que acontece nas Assembleias de Deus relacionado às crianças no culto tem ocorrido também em outras denominações. 2. seja cantando. Como não tem participação direta nos cultos. 78) declara: É preciso reconhecer que a igreja evangélica não tem dado o devido lugar à criança. 1 Participação das crianças na liturgia assembleiana Nos manuais que orientam os obreiros das Assembleias de Deus a prepararem a liturgia. não há a preocupação em falar de um culto que permita a participação das crianças de forma mais efetiva. 3 ADULTIZAÇÃO INFANTIL NA LITURGIA ASSEMBLEIANA E SEUS EFEITOS COLATERAIS As crianças que geralmente tem oportunidade e visibilidade para se apresentarem nos cultos são aquelas que agem como adultos. Ariovaldo Ramos (2010 p.26 3. A única preocupação para com os infantes é em programação onde há apresentação de crianças. para ler um versículo da Bíblia. a liturgia passa a ser algo cansativo e chato. seja pregando. a citação feita é para orientar que os pequenos não atrapalhem a ordem do culto. quem vai prestar culto a Deus são os adultos. Não importa . A participação que elas possuem é a de cantar um louvor e depois tem que ficar quietas durante o culto para não impedirem os adultos de adorarem a Deus. Sendo assim.

o missionário mirim que prega desde os seis anos de idade. http://www. o pastor Walter Luz. e sim. posturas e outros de adultos. Em 2006.gideoeszinhos. realizando capacitações. E me sinto incomodado com os chamados pregadores mirins. [. pasmem. Estou preocupado com a nova geração de pregadores.com. diferentes da maioria das outras crianças) para “ministrarem” a palavra. orar pelo pai que está doente. já pregou em várias partes do Brasil e no exterior.] O sonho dos gideoeszinhos [sic] foi motivar e apoiar esta geração de pregadores mirins considerando que não é necessário que elas se tornem adultas para tal chamado. 2010 p.br/tag/pregadores-mirins-2/). “Quem nunca viu um com menos de dez anos vestido de terno e gravata. meninos de 8. Deus pode usá-las. fazerem uma ação social e promoverem a mudança da sociedade. pregando ou dirigindo um culto?” (TULER. De acordo com o pastor Walter Luz (2010. E. se ela tem alguma habilidade para se comunicar.asp?noticia=368) declara: Encontramos também algumas igrejas que estão se valendo das “crianças pródigos” (que se destaca por habilidades especiais. cantado. realizou em fevereiro de 2008 o primeiro encontro de missionários mirins do Brasil. líder da Assembleia de Deus Ministério Planalto em São Paulo. 44).. Desde então o congresso acontece anualmente. já existe até bebê avivalista! (ZIBORDI.creio. levando-as a serem meras repetidoras de termos. que são. na verdade. ministério Madureira. O pastor metodista Ronan Boechat (2010... Não é necessário que cresçam para que façam a obra de Deus. 10.com. conhecido como os “Gideõeszinhos Missionários o Maior Encontro de Pregadores Mirins do Brasil”.27 a idade que a criança tenha. Com o objetivo de reunir os cantores e pregadores mirins. Uma das personalidades que participa do encontro “Gideõeszinhos” é o missionário e pregador mirim Matheus Moraes..com.br/historia. Ele é considerado por seus seguidores como um pregador avivalista. Membro da Assembleia de Deus. no 3º Seminário de Crescimento Espiritual [Matheus Moraes] foi intitulado Missionário Mirim pela Presidente Nacional da Cibe Missª Marvi .] É preciso acreditar no potencial dessas crianças.html): [. 2011 http://teologiadaprosperidade. Elas podem levar o colega de escola a Cristo. http://www. 12 anos que estão imitando famosos animadores de auditório.br /2008 /mensagens01.

não têm a compreensão e a experiência das pessoas adultas. a participação das crianças na Igreja. 6. portanto. renovou dons e o de mais precioso. http://www. Batizou com Espírito Santo.. sem que ela precise se comportar como adulta. 10. é importante para que ela sinta-se aceita e aprenda a viver em comunhão.28 Ferreira esposa do nosso então Pr. fez cerca de 250 ministrações no Brasil.creio. ou 12 anos. valorizada e discipulada. na família..matheusmoraes. Criança que não aprende a participar vai crescer sem saber participar coletivamente e muito possivelmente vai ser uma pessoa que repete a exclusão das crianças do processo de participação na Igreja. é contribuir para que elas antecipem as experiências da vida adulta e somar para que tornem-se pessoas individualistas. Abner de Cássio Ferreira (presidente da Catedral da Assembléia de Deus em Madureira-RJ). etc.com.matheusmoraes. (http://www. ou seja. mas elas têm compreensão e experiência próprias de uma criança de 4.br/biografia/). 5. almas se renderam aos pés de Jesus. . onde o Senhor operou maravilhas.com.asp?noticia=368) em uma reflexão sobre a participação da criança no culto disse o seguinte: As crianças. Criança que não participa não se sente parte. No mesmo ano. e essa experiência precisa ser reconhecida.br/2008/ mensagens01. tornada parte da vida da Igreja através da participação da criança. curou enfermo.br/biografia/ Adultizar as crianças ou impedir sua participação na liturgia. O pastor Ronan Boechat (2011. E quem não aprende a participar (fazer junto) dificilmente será alguém que saiba trabalhar em equipe. A participação da criança no culto. Figura 5: Missionário e pregador mirim Matheus Moraes Fonte: http://www.com. Dr. Assim.

é um tipo de educação onde a criança aprende a ter uma participação correta e alegre.br /historia/pratica-pedagogica/jean-piaget-428139. Os quatros estágios do desenvolvimento cognitivo infantil são:  Estágio sensório motor (0 aos 2 anos) – Nesse período o comportamento da criança é basicamente motor. 3. onde a criança aprende a ter responsabilidades e prazer com o culto e com as coisas da Igreja e de Deus. para que a criança atinja uma maturidade saudável em todos os aspectos. motor. ou seja. onde a criança aprende muito mais sobre a relação com Deus e sobre o grande amor de Deus. Esse processo precisa ser respeitado. Os líderes e responsáveis devem orientar os infantes sobre o valor de ser criança. 2010 p. Ocorre a organização do desenvolvimento da criança.abril. 19) declara que: . 1 Etapas do desenvolvimento cognitivo da criança Jean Piaget. É um dos períodos mais complexos.29 e particularmente no culto. desde o nascimento até o início da adolescência. 3. a respeitar as etapas de desenvolvimento e a repelir comportamentos adultos inadequados para eles.shtml). Jesus (2010 p. Nesta fase a criança fica egocêntrica sem querer dividir suas coisas com o outro. é importante não queimar as etapas. quando a capacidade plena de raciocínio é atingida” (http://revistaescola. A criança passa pela fase dos reflexos e até ao desenvolvimento das primeiras palavras. “o pensamento infantil passa por quatro estágios. um dos nomes que mais influenciou a educação durante a segunda metade do século XX. a desconsideração pela criança e também a adultização infantil é algo presente na liturgia das igrejas Assembleias de Deus. Como foi visto. afetivo e social. 11). nos aspectos perceptivos.  Estágio pré-operatório (2 aos 7 anos) – Durante esse período ocorre o desenvolve o domínio da linguagem e o da representação de símbolos para se comunicar. Para Piaget. dedicou-se à observações científicas a respeito do desenvolvimento cognitivo da criança. Começa com reflexos que aos poucos vão se transformando em senso-motores (JESUS. intelectual.com.

consegue enxergar a totalidade por diversos ângulos e solucionar problemas concretos por meio da lógica. aprendendo a compartilhar e fazer parte de um grupo. que. é necessário a companhia dos amigos para que a brincadeira seja realmente interessante. passando a ouvir melhor os outros e se tornando capaz de emprestar aquilo que é seu. desenvolvendo melhor a comunicação. Um educador ou líder de crianças deverá respeitar cada uma dessas fases. Jesus (2010 p. Ela já é capaz de julgar entre hipóteses e ideias abstratas. . 21) segue dizendo o que: É a partir daí que a criança começa a demonstrar a necessidade de um espaço para encontrar amigos e brincar. 21). A teoria de Piaget nos mostra.  Estágio operatório concreto (7 aos 12 anos) – Nesse período a criança começa a ter a capacidade de raciocino. É a fase em que começa a tomar consciência do mundo que está à sua volta. 2.  Estágio formal (após os 12 anos) – A criança quando chega nesse período já não precisa de objetos concretos para raciocinar.30 Essa característica só será amenizada aos cinco ou seis anos de aproximadamente. ao estudar os períodos das operações concretas. Nessa fase a criança torna-se capaz de organizar as sua ideias em sequência. Para que a criança tenha um futuro feliz. 2010 p. e que possa atender as necessidades de cada estágio do desenvolvimento cognitivo da criança. Não é mais tão divertido a diversão apenas com os seus brinquedos. 3. o primeiro interesse de pertencer a um grupo. 2 Os efeitos colaterais que ocorrem quando se pula as etapas do desenvolvimento da criança As etapas do desenvolvimento do ser humano precisam ser respeitadas. a sua origem está sempre em processo que evoluem progressivamente de motores para perceptivos ou intuitivos (JESUS. Quando o período infantil é negligenciado os reflexos são vistos na adolescência e durante toda a vida adulta. quando a criança passará a construir novos conceitos e aprender a se relacionar melhor com os outros. além de o período ser bastante diversificado. ela precisa aproveitar cada momento da infância. É o surgimento das relações sociais na sua vida. trazendo ensino adequado para a capacidade de entendimento do infante.

como brincadeiras. Ela vai sentir falta disso quando for adolescente ou adulto. serão adultos com problemas de relacionamentos e desprovidos de prazer naquilo que fazem. Existem pessoas que enaltecem as crianças que amadurecem mais rápido do que outras. os responsáveis ocupam o tempo vago que elas têm deixando-as sobrecarregadas com muitas atividades.31 A educadora infantil Cris Poli em seu livro “Viva a Infância” conscientiza a pais e responsáveis que quando a criança tem uma infância saudável.. isto é. “[. mas gerará uma inadequação em seu comportamento. 33. família e amigos. vive como criança. quando as crianças são transformadas em miniadultas terão sérios problemas na formação de sua personalidade. tornando-se um adulto inadequado. No entanto. pois é preciso saber quais fatores externos tem estimulado tal amadurecimento e porque. de afazeres impróprios para suas idades. 2009 p. Sobrecarregar seus filhos com compromissos e cobrar demais deles tem como consequência sua transformação em adultos totalmente despreparados para a vida e para relacionamentos. possivelmente. 35). Poli (2009. incapazes de sentir prazer no que fazem e de se entusiasmar com sua profissão e com a própria vida – efeitos totalmente contrário aos planos dos pais que agem com intenção de preparar as crianças para um futuro melhor (Poli. relacionamentos com pais. p. além de . pelos responsáveis ou líderes. O amadurecimento precoce da criança interfere no ciclo natural de seu desenvolvimento e não faz bem à formação de sua personalidade. Com o objetivo de prepara melhor as crianças para a vida profissional. Muitas crianças estão perdendo a infância por viverem sobrecarregadas de compromissos. Pelo contrário.. 1) declara que: O maior risco para uma criança que não vive a infância plenamente é não usufruir de coisas próprias dessa fase. Isso não ficará claro em sua mente. As crianças que frequentam às igrejas Assembleias de Deus e que são sobrecarregadas.] essa boa intenção acaba tendo efeitos colaterais muito sérios: uma perda da auto estima e do prazer da infância” (Poli. será um adulto que saberá lidar com a vida de modo equilibrado. 34). nem sempre isso é saudável. Essa inadequação pode vir em forma de insegurança ou até mesmo de falta de sociabilidade. 2009 p. conversas.

pais omissos e líderes sofríveis. . falas ou posturas de adultos. E sobre os efeitos colaterais deste amadurecimento precoce Poli (2009. ou seja. p. mas empobrecemos seu lado emocional e restringimos sua sociabilidade. como crianças. impedindo que ela tenha uma infância feliz (Poli. Na vida adulta. a unidade entre os membros da denominação será prejudicada. pouco feliz e desnorteada. que gera adolescentes desajustados e adultos frustrados e dependentes. Mesmo as crianças que já têm facilidade de falar para grupo de pessoas. anti-sociais e pessoas solitárias.32 gerar ansiedade e estresse na criança. 72). é necessário que façam isso à maneira dela. os infantes do presente serão adultos dependentes. Estimulamos o desenvolvimento intelectual precoce de nossos filhos. No próximo capítulo será apresentada uma proposta de um ministério pastoral infantil e de um culto onde as crianças possam participar usando suas habilidades e dons sem precisarem agir como adultos. isso se traduzirá em uma dificuldade de relacionar-se com o mundo. Se isso não for combatido pelos responsáveis e líderes das Assembleias de Deus. 105) declara que: Essa realidade implica em uma infância pobre. parceiros egoístas. 2009 p. o que resultará em maus profissionais. e consequentemente. sem imitar vestes.

através do ministério da Palavra de Deus” (ANDRADE. que tenha como alvo acompanhar e assistir a criança nas suas necessidades. a varão perfeito. De acordo com Guimarães (2007... Será apresentado também um modelo de roteiro de culto infantil e os devidos cuidados que o dirigente deve tomar. 4. Para o ministério pastoral. Deus disponibilizou à Sua igreja um “dom cuja função básica é capacitar o obreiro a conduzir o rebanho. 39). visando o aperfeiçoamento de cada um em particular. o ministério pastoral é um dos dons ministeriais que Jesus concedeu à Sua Igreja para promover a edificação dos membros do Seu corpo.33 4 PASTOREANDO O CORAÇÃO DAS CRIANÇAS: PROPOSTA DE UM MINISTÉRIO PASTORAL QUE ATENDA AS CRIANÇAS DA IGREJA E DE UM ROTEIRO PARA O CULTO INFANTIL As dificuldades que contribuem para que as crianças comportem-se como adultas são: a falta de pessoas preparadas para desenvolver um bom ministério infantil e a falta de uma programação litúrgica apropriada para as crianças que permita suas participações e que elas sintam-se desejosas de estar na igreja. querendo o aperfeiçoamento dos santos para o ministério. 11 . No entanto. outros para evangelistas e outros para pastores e doutores. [Grifo nosso].13 VRC). Esperamos que tais propostas possam servir de ajuda para a denominação. Com o objetivo de amenizar tal situação. até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus. 2000 p.] a igreja tropeça ao não valorizar o ministério infantil e seus obreiros. Claudia Guimarães em seu livro “Pastoreando as crianças desta geração” (2007) defende a ideia de que as crianças da igreja também precisam receber cuidados pastorais. Em sua epistola aos Efésios o apóstolo Paulo diz que: Ele mesmo [Jesus] deu uns para apóstolos. A pastora e evangelista de crianças. “[. outros para profetas. será proposto para a denominação a criação de um ministério pastoral infantil. à medida da estatura completa de Cristo (Efésios 4. Convocar pessoas para “ajudar a cuidar” das . p. 1 MINISTÉRIO PASTORAL INFANTIL A visão que geralmente se tem de pastor é a do líder responsável pela administração da igreja local. 234). para a edificação do corpo de Cristo.

p. Azevedo (2004) afirma que há diferença dos sintomas. 13) define estresse da seguinte maneira: O estresse pode ser definido mais facilmente como o conjunto de reações orgânicas e psíquicas de adaptação que o organismo emite quando é exposto a qualquer estímulo que o excite. também vivem seus momentos de crises. Essas crianças participam dos cultos e dificilmente a mensagem. seja ela transmitida por um louvor ou pela exposição da Palavra. Quem consegue lidar de forma positiva com os estímulos do estresse. atinge suas necessidades. Pode. devido a dificuldade de comunicação. dependendo da faixa etária. p. ou são proibidas de expressar seus sentimentos. O Dr. . assim como os adultos.se perceber se alguma criança está estressada por meio dos sintomas. Rubens Barros de Azevedo (2004. as crianças até cinco anos de idade. 1. 4. ele exerce atividade semelhante a de um. irrite. quem não tiver estrutura para enfrentar tais estímulos terá grandes chances de desenvolver alterações no organismo e doenças (AZEVEDO. quem se interessa por suas carências.] embora o líder e o professor de criança nem sempre seja pastor por formação. São meninos e meninas que enfrentam várias diversidades no lar e na escola e que muitas vezes não sabem. Tais problemas enfrentados pelas crianças podem deixá-las com estresse. 15.. 2007 p. O estresse pode ser profundo quando esses estímulos são fortes demais ou se prolongam em excesso. pois “[. É ele quem zela pelos pequenos. cause medo ou o faça muito feliz.34 crianças mostra apenas a falta de visão relativamente ao trabalho com esse ministério”. pelo desenvolvimento de sua vida espiritual” (GUIMARÃES. O Dr. podem apresentar os seguintes sintomas:  irritabilidade fácil. conseguirá passar por ele sem ser danificado. Apesar de o estresse não ser considerado doença. Para ele. com o propósito de contribuir para a formação espiritual da criança. 2004. No entanto. O ministério pastoral infantil deve ser desenvolvido por pessoas vocacionadas por Deus. 82). o desenvolvimento de uma patologia depende muito da pessoa que está lidando com ele. 3 Cuidado pastoral: A necessidade de pastorear a vida das crianças As crianças. 16)..

é formada de todos os que foram regenerados pelo sangue de Jesus. A criança convertida está inserida nesse contexto. 43) diz que: “A Universidade de São Paulo (USP). tendo em mente que. Também é relevante lembrar que elas enfrentam um mundo bem diferente do de nossos pais. Caba a nós. Já nas crianças de cinco aos onze ou doze anos. entre seis e quatorze anos apresentam alguma forma ou sintoma de estresse”. que as tornam “fracas e mirradas” (GUIMARÃES. [Grifo do autor]. constatou em pesquisa em que dois terços das crianças. desafiar a igreja a amar as crianças com o coração de Deus.. além das possíveis perdas. elas sofrem intempéries emocionais. p. separações e traumas.].  recusa em se alimentar. . é preciso que a criança seja discipulada. mas também pelos líderes das igrejas que não estão preparados para lidar com elas. 2007 p. do rebanho e como tal também precisa ser pastoreada. A criança deve ser vista como alvo do cuidado pastoral para que elas tenham um crescimento espiritual saudável que possa refletir na comunidade e contribuir para seu futuro. 74). os sintomas são mais fáceis de serem percebidos. dúvidas e medos que geram nelas estresse crônico.35  choro sem razão justificável. incluindo a criança.  brigas com outras crianças sem razão. Eles se manifestam da seguinte maneira:  irritação fácil e descontrolada. Muitas crianças que frequentam os cultos nas igrejas evangélicas também podem estar sofrendo com devido ao estresse. assim como os adultos.  dificuldade para dormir. pois só assim poderá crescer e se desenvolver espiritualmente [. Rubens Azevedo (2004.  adoção de maus hábitos. espirituais e econômicas. como chupar o dedo. líderes. O trabalho pastoral infantil é fundamental para que as crianças sejam acolhidas e discipuladas.  perda acentuada e continuada do apetite.  pesadelos constantes. São bombardeadas por tensões.. E muitas vezes essas crianças são ignoradas. A igreja. não só pela família. Uma vez alcançada para Jesus.  falta de interesse na escola e como consequência queda de rendimento escolar. Ela faz parte da igreja. o corpo de Cristo.

Em muitas igrejas Assembleias de Deus não existe um programa para culto infantil realizado semanalmente.php?option=com_content&view=article &id=148:o-planejamento-do-culto-infantil&catid=44:infantil&Itemid=70). 2 PROPOSTA DE CULTO INFANTIL PARA AS ASSEMBLEIAS DE DEUS Considera-se culto infantil aquele que é realizado com a presença de adultos e crianças sob a direção do líder do departamento infantil.com. p. momento do culto em que na hora da pregação as crianças são retiradas do templo e levadas para uma salinha a fim de realizarem o chamado “cultinho infantil”. tanto os louvores quanto a mensagem bíblica são transmitidos. inferior. mais do que nunca. O correto mesmo é usar o termo culto infantil e não cultinho. 4. 3). desde seja dirigido para esse fim. recebendo oportunidade para prestar culto a Deus. “Hoje. 16). O culto a Deus é um grande momento e culto das crianças não é cultinho. O roteiro para segue da seguinte maneira: . o que não na realidade”. 27). sugere-se aqui o modelo disponível no site Seara de Cristo: fazendo missões on line (http://www.36 Contudo.] cultinho também dá uma impressão de culto menor. como próprio Cristo afirmou [Pela boca dos meninos e das crianças de peito tiraste o perfeito louvor] (Mt 21. igreja e pais que vise a estimular o crescimento espiritual de nossas crianças”. (RANGEL e XAVIER. p. 2007 p.searadecristo. 3). tendo em perspectiva atingir as crianças... O problema de usar esse termo é que “[. de maneira que elas entendam e participem. independente da idade daqueles que ali estão (RANGEL e XAVIER. Para a pastora de crianças Claudia Guimarães (2007. precisamos de uma parceria entre líderes. pois. Pelo fato do culto infantil ser um trabalho realizado com as crianças. o cuidado pastoral deve acontecer em parceria com os responsáveis das crianças.br/novo/index. os líderes de algumas igrejas chamam-no de “cultinho”. O que existe é o culto mensal e aos domingos. Como proposta para realização de um culto voltado para o público infantil. é o mais sublime momento de louvor que o ser humano pode entregar ao Senhor Criador. Nesse culto.

deverá recepcionar as crianças. . Testemunhar no culto infantil irá glorificar ao Senhor. pode-se perguntar a elas se querem aceitar a Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas.  Convite para decisão – Ao falar da obra salvadora de Jesus para as crianças. destacar um versículo para que as crianças possam memorizar.  Testemunho – Os testemunhos são formas de gratidão a Deus pelos Seus feitos.  Perguntas bíblicas – As perguntas feitas deverão ser relacionadas à história bíblica contada. Oferecer às crianças uma lembrança ou lanche é uma forma de incentivá-las a retornar no próximo culto. de forma agradável. É preciso ensinar as crianças que ofertar é uma forma de adorar a Deus e de contribuir para a manutenção da igreja.  Oração – Antes de orar.  História bíblica – É preciso que a pessoa convidada para contar a história bíblica seja alguém capacitada para falar de forma que a criança entenda a mensagem a ser transmitida. de modo que elas sintam-se bem no ambiente onde será realizado o culto.  Distribuição de lembrancinhas e lanches – Crianças gostam de receber presente.  Oferta – A oferta faz parte do culto. desenvolver nelas a confiança em Deus e motivá-Ias a caminhar na estrada da fé. edificar as crianças.  Leitura bíblica – Selecionar textos de fácil compreensão para ser lido. pode-se ensinar as crianças sobre o valor da oração e incentivá-las a apresentar a Deus suas necessidades e a confiar que Ele estará ouvindo seus pedidos.37  Abertura – Na abertura do culto o dirigente juntamente com sua equipe.  Louvor – O culto deve ser iniciado com louvor.  Memorização de versículos – Após a leitura.  Especial – O especial é um momento do culto que o dirigente separa para realizar uma breve dramatização com o objetivo de descontrair e alegrar as crianças. É preciso tomar o cuidado para que as músicas entoadas sejam voltadas para o público infantil. O dirigente conscientizará as crianças sobre os motivos que existem para louvar a Deus.

escrito pelos pastores Rawderson Rangel e Manoel José. 1 Cuidados a serem observados pelo dirigente do culto infantil Como orientação para os dirigentes sobre os cuidados a serem observados na direção do culto infantil.. Segundo Rangel e Xavier (2007).. 4. 2007 p. Considere os seguintes cuidados: . “[. 2 Como falar Devem-se evitar muitos termos no diminutivo..] está tudo mudado. [. o jarrinho de flores que enfeita a mesinha da ceia [. As crianças não gostam quando os adultos fazem muitas palhaçadas para chamarem a atenção delas.. 1 Como se comportar O dirigente deverá tomar cuidado para não ser engraçado em demasia. cabe aqui algumas dicas que constam no livro “Manual Prático para o Culto Infantil” (2007). mas por lhe darem atenção e respeito. normalmente. 4). Basta olharmos o tipo de programação infantil que há na televisão. 2. 2..]” (RANGEL e XAVIER. 4. as músicas e mensagens é que são comuns às crianças. dificilmente terá o respeito delas. 2007 p.] é a biblinha que está na mão do papai. os banquinhos onde os irmãozinhos da igreja estão sentados. O que os infantes da igreja precisam não é de um líder palhaço.. o líder que só vive fazendo palhaçada para as crianças. se destaca pela a alegria e dinamismo das crianças e também dos adultos. criança não é mais tão criança assim. A criança gosta dos adultos não por fazerem coisas engraçadas. na hora que precisar falar sério com elas. 1.38 O Culto infantil. 4. os adultos podem servir como exemplo. 1. . No culto infantil tem crianças de várias idades (1 – 12). deve-se observar para que o mesmo seja feito com ordem. Contudo. O culto é o momento de serviço e adoração a Deus. 2. Para Rangel e Xavier (2007) usar palavras em tamanho reduzido para se referir aos objetos é muito comum para a linguagem de crianças de um a três anos de idade. “Nos dias de hoje. 5). e para isso. A criança tem amadurecido com muita rapidez” (RANGEL e XAVIER.

mas também para quem tem a incumbência de transmitir a mensagem da bíblica. 4. cadeira [. 4. 2. 14). pode-se adquirir os CDs de cantores mirins e adultos que cantam músicas voltadas para o público infantil. 10). um objeto ilustrativo como vaso. dificilmente a criança entenderá os que as letras querem dizer [. 2. serve não só para o dirigente.] não é o seu visual em questão [a do dirigente ou pregador] e sim um cartaz. 4. Por exemplo. 1. poderá fazer com que os pequeninos tenham uma ideia contrária em relação à palavra de Deus. Para facilitar.39 Outro cuidado que precisa ser tomado é em relação ao uso de sinônimos que podem confundir a mente da criança. 15). 2007 p. De acordo com Rangel e Xavier (2007. 4 Quanto tempo falar Para Rangel e Xavier (2007. “[. 3 O que usar Esse cuidado a ser tomado. Por isso. 1. 2. ouvindo uma pessoa falar. A criança não consegue ficar muito tempo parada. cabe ao dirigente do culto.] precisa ser breve e dinâmico” (RANGEL e XAVIER. ouvir as músicas antes. se não houver uma explicação... o dirigente deve ser bem objetivo na direção do culto. No entanto. Por isso.. Ela localiza-se tanto nos grandes centros ...]” (RANGEL e XAVIER..]”. 5 O que cantar Para que as crianças possam acompanhar os louvores e entenderem a mensagem que eles querem passar.. p... se referir-se a Bíblia como espada do Espírito. pois “[. 2007 p. 1. O sermão infantil [. ao convidar o pregador. A igreja evangélica Assembleia de Deus é uma denominação que está espalhada em várias partes do Brasil. como os adultos. “A própria mensagem deve ser de 10 a 15 minutos. pode combinar antes o tempo da mensagem. p..] às vezes os cânticos que cantamos são extremamente abstratos e alegóricos e. é preciso usar algo que chame a atenção dos pequeninos para o que está sendo dito. 14) “O Culto Infantil tem a característica de ser breve e objetivo [...]”.

As muitas crianças. de classes e desafios diferentes. e não serem tratadas como adultas em miniatura. preparando-se para a adolescência e para a vida adulta. que pertencem à denominação. . precisam de cuidados pastorais e de ser vistas como um alguém que está em fase de transformação.40 urbanos quanto nos morros e favelas.

por que se tornam o modelo de criança verdadeiramente espiritual – “aquilo que todas deveriam ser”. sem precisarem se comportar como adultas. Os louvores e as mensagens são transmitidos para o público adulto. as crianças que agem de acordo com sua faixa etária são ignoradas na liturgia. Na liturgia das Assembleias de Deus ocorrem dois extremos. Primeiro. Por fim. poderá amenizar o fenômeno da adultização infantil na . mas nesse tempo não se tinha estudos sobre as fases e necessidades específicas da infância. as crianças são obrigas a ficarem quietas. recebem oportunidade para cantar e pregar. sentadas perto dos responsáveis ou no espaço reservado para o grupo infantil. gerando assim. concluímos que a criação de um ministério pastoral infantil e de uma liturgia. o fenômeno conhecido por adultização infantil. onde as crianças tenham a liberdade de adorar a Deus. A liturgia das Assembleias de Deus é adultocêntrica. dificultando um crescimento espiritual do infante. Por outro lado. já que geralmente. até o término do culto. porque é possível que nem mesmo elas entendam plenamente o significado de suas palavras. Depois que o grupo infantil canta. que são crianças que normalmente copiam o jeito carismático e eloquente de certos pregadores pentecostais. Esse fato tem feito proliferar os chamados “pregadores mirins”. Na história já houve tempo em que das crianças se pedia um comportamento de adulto. de maneira que as crianças presentes não conseguem entender quase nada do que é falado. salvo quando são levadas para o “cultinho” na hora da pregação. segundo.41 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao término desta pesquisa chegamos às seguintes conclusões: A Bíblia valoriza a infância tal qual ela é: fase onde deve receber orientação e ensino adequado para vida adulta. Nosso tempo é marcado por um ativismo que pressiona as crianças a uma rotina de adulto. Entendemos que essa adultização infantil na liturgia é prejudicial ao desenvolvimento das crianças em geral. As crianças que conseguem se expressar de maneira que os adultos entendam. A participação da criança na liturgia assembleiana restringe-se apenas a oportunidade dada ao grupo de louvor infantil. são cópias de pregadores adultos.

. se trate de um trabalho inacabado tendo em vista a amplitude do campo de pesquisa. este se presta ao importante papel de instigar o interesse da igreja pelo assunto.42 igreja e contribuir para que os infantes da igreja tenham um saudável crescimento espiritual. Portanto. esse trabalho torna-se relevante para a comunidade assembleiana no que diz respeito à adultização infantil. Embora.

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