UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

CHARLES MARCONDES FIAMONCINI

ESTABILIZAÇÃO DE TALUDE ATRAVÉS DA TÉCNICA DE CORTINA ATIRANTADA – ESTUDO DE CASO

CRICIÚMA, DEZEMBRO DE 2009

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CHARLES MARCONDES FIAMONCINI

ESTABILIZAÇÃO DE TALUDE ATRAVÉS DA TÉCNICA DE CORTINA ATIRANTADA – ESTUDO DE CASO

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado para obtenção do grau de Engenheiro Civil no curso de Engenharia Civil da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC. Orientador: Prof. MSc. Adaílton Antônio dos Santos

CRICIÚMA, DEZEMBRO DE 2009

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CHARLES MARCONDES FIAMONCINI

ESTABILIZAÇÃO DE TALUDE ATRAVÉS DA TÉCNICA DE CORTINA ATIRANTADA – ESTUDO DE CASO

Trabalho de Conclusão de Curso aprovado pela Banca Examinadora para obtenção do Grau de Engenheiro Civil, no Curso de Engenharia civil da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC, com Linha de Pesquisa em Geotecnia.

Criciúma, 07 de dezembro de 2009.

BANCA EXAMINADORA

Prof. M.Sc. Adailton Antônio dos Santos – Engenheiro Civil – UNESC – Orientador

Engo Civil. M.Sc. Rodrigo André Hummes – UFSC – Banca

Engo Civil. Nicholas Alexander Müller – Diretor Técnico – Fundasul Ltda – Banca

por tudo o que eles representam em minha vida. Mazon e aos meus filhos Tainan e Charles Filho. Josete especialmente esposa.3 Aos meus pais. pelo muito que fizeram. . à a minha minha irmã Vera. Arnaldo e Dail.

Arnaldo e Dail. colaborando de alguma forma. Ao Prof. Se hoje consegui alcançar um dos meus objetivos é devido a vocês e é com muito orgulho que digo – essa conquista também é de vocês. e que nunca pouparam esforços para possibilitar a realização dos meus estudos. e meus filhos Tainan e Charles Filho. pelo incentivo e força de vontade que me transmitiram para poder alcançar meus objetivos. Msc. responsáveis por tudo que sou. Os trabalhos aos quais me dediquei foram profícuos. Aos colegas do curso de Engenharia Civil.4 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus. aos meus pais. A todos os meus familiares que sempre estiveram ao meu lado durante todas as minhas conquistas. A todos os professores do Curso de Engenharia Civil da UNESC. . por ter proporcionado determinação e coragem diante dos caminhos os quais optei seguir e enfrentar. E por fim a minha esposa Josete. por toda amizade e respeito que marcaram para sempre este período com eternas lembranças. Adailton Antônio dos Santos. Ao. em especial a Gisele Tavares. secretária do Departamento de Engenharia. e meus irmãos. graças à Tua proteção.

0. utilizando o Software computacional Slide 5. sem sobrecargas concentradas e de geometria simples. O objetivo do presente trabalho é aplicar o referido método no dimensionamento geotécnico do sistema de atirantamento a ser utilizado na estabilização de um talude de corte situado no município de Florianópolis. De posse das forças de ancoragem fornecidas pelo método Brasileiro de Atirantamento foi realizado o dimensionamento estrutural da cortina de concreto armado. . da Costa Nunes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. foi desenvolvido o projeto executivo de estabilização e o estimado custo para implantação do mesmo. A verificação da eficiência do método Brasileiro de Atirantamento (1957) na estabilização do talude foi feita através do método de Bishop Simplificado (1955). Os resultados obtidos nas análises de estabilidade realizadas através do método de Bishop Simplificado (1955) demonstraram a eficiência do método Brasileiro de Atirantamento (1957) na estabilização do talude analisado. que desenvolveu o método Brasileiro de Atirantamento (1957) na empresa Tecnosolo S. Por fim. A aplicação deste método segundo o autor é válida para taludes constituídos por solos homogêneos. J. com superfície de ruptura plana. Cortina Atirantada. Palavras-chave: Análise de Estabilidade. Método Brasileiro de Atirantamento.5 RESUMO As cortinas atirantadas tiveram um grande desenvolvimento no Brasil graças ao trabalho incansável do professor A.A.

......................... 88 Tabela 11 – Características do tricone ............. 25 Tabela 6 – Coluna estratigráfica da Ilha de Santa Catarina...................................................................................................................................................................... 76 Tabela 8 – Fatores de segurança das seções analisadas .................................................. 65 Tabela 7 – Resultados das amostras .............................................................................. 24 Tabela 5 – Recomendações para fatores de segurança admissíveis ....................................... 99 ......................................................... 21 Tabela 3 – Classificação dos escorregamentos quanto às condições de poropressão .................................................................................... 89 Tabela 13 – Tabela de custos estimados ....................................... 21 Tabela 2 – Classificação dos escorregamentos quanto às condições de amolgamento........................................................................ 22 Tabela 4 – Agentes e causas dos escorregamentos............................................................................................................................... segundo Caruso Jr.. 89 Tabela 12 – Coeficiente K . 79 Tabela 9 – Valores de θ e seus respectivos FSmin..................................................................... (1993) ...... 87 Tabela 10 – Valores de carga dos tirantes ..............6 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Tabela 1 – Classificação dos escorregamentos quanto ao tipo de movimento .....................................

............................. 48 Figura 29 – Gabiões ........................ 18 Figura 1 – Superfície de Ruptura Plana ........ 44 Figura 25 – Câmara triaxial típica .................................................................................... 31 Figura 8 – Coeficiente de segurança VS................................................... 26 Figura 2 – Superfície de Ruptura Circular ............... 37 Figura 15 – Gráfico Estado 1.......7 LISTA DE TABELAS Figura 9 – Representação gráfica da envoltória da ruptura Mohr-Coulomb ..................................................... 26 Figura 3 – Forças atuantes a fatia genérica ............................. 30 Figura 7 .......................................... 36 Figura 13 – Resistência ao cisalhamento devido à coesão ............................................................................................................... 41 Figura 22 – Ensaio de Cisalhamento direto em solos anisotrópicos .............................................................................. 38 Figura 16 – Gráfico Estado 2.. 42 Figura 23 – Deformação da amostra ............. (c) envoltória de resistência .......................................................... 29 Figura 5 – Forças atuantes em uma fatia pelo ......................Forças atuantes na cunha de solo ....... 46 Figura 28 – Solo grampeado ................... 35 Figura 12 – Atrito entre materiais granulares deslizamento .............................................................. 38 Figura 18 – Gráfico Estado 4............................................................................................................................................................................................................................................................................................... 43 Figura 24 – Magnitude e direção das tensões principais na ruptura ................................................................................... 38 Figura 17 – Gráfico Estado 3..................................................................... 49 ........................... 40 Figura 21 – (a) Curvas de tensão cisalhante por deformação.......................................... 39 Figura 19 – Caixa Metálica Bipartida do Ensaio de Cisalhamento Direto ......................... (b) curvas variação de volume por deformação...... 28 Figura 4 – Gráfico para obtenção de correção (fo) e FS calculado pelo método interativo ................................................................. 36 Figura 14 – Envoltória de resistência de Mohr-Coulomb............... segurança .................. 34 Figura 11 – Atrito entre dois corpos no instante do deslizamento .... 39 Figura 20 – Prensa de Cisalhamento Direto........... 45 Figura 27 – Diagrama de Mohr aplicado ao ensaio de compressão simples ............................................................................................................................................................ 45 Figura 26 – Curva tensão x deformação axial específica normal ................................................... 18 Figura 10 – Deslizamento de solo ocorrido em 2008 em Blumenau ............................ 29 Figura 6 – Forças atuantes em uma fatia ...............

........ 91 Figura 63 – Seção do talude analisada pelo método de Bishop Simplificado ............. 90 Figura 61 – Geometria e disposição dos tirantes....................................................................... 55 Figura 38 – Tirante auto-injetável ........................................................................... 86 Figura 60 – Detalhe do tirante ...................................... 78 Figura 51 – Seção 01 do talude natural ................................. 65 Figura 43 – Granito ilha .................................. 81 Figura 55 – Seção 04 do talude natural .......................................... detalhe da localização da área de estudo ......... 63 Figura 41 – Mapa de Santa Catarina e Florianópolis ..................... 85 Figura 59 – Gráfico de determinação do ângulo crítico em função do FSmin ............................................................... 75 Figura 49 – Laudo de análise de cisalhamento direto amostra AM-01................. 50 Figura 32 – Retaludamento ..... 90 Figura 62 – Adequação do comprimento dos tirantes......................... 62 Figura 40 – Cabeças metálicas em processo de corrosão ........... 64 Figura 42 – Foto aérea........................................... 49 Figura 31 – Aterro reforçado .........................................................8 Figura 30 – Cortina cravada ........................................... 53 Figura 36 – Detalhe das fases de execução de uma cortina atirantada ......................................... 77 Figura 50 – Laudo de análise de cisalhamento direto amostra AM-02............................................................................................. 80 Figura 52 – Seção 02 do talude natural ................................................................................................................. ......... .......................... 73 Figura 48 – Planta de localização das amostras ............................................................. 52 Figura 35 – Detalhe do dreno e da cabeça de proteção . 51 Figura 33 – Proteção de talude ..................................................................................................................................................................................................... 80 Figura 53 – Seção 03 do talude natural ..................................................... 54 Figura 37 – Esquema típico de tirante................................................................................................................... 72 Figura 47 – Furo de sondagem SP-03 ............................................................................................................................................... 51 Figura 34 – Esforço da cortina atirantada .... 70 Figura 45 – Furo de sondagem SP-01 ............................................ 83 Figura 58 – Diferença entre os mecanismos de transferência de carga do solo .......................................... ...................................................................................................... 83 Figura 57 – Definição do Ht ................... 81 Figura 54 – Seção 05 do talude natural .................................................................................... 92 ............... 61 Figura 39 – Recomendações para espaçamento de ancoragem ........................................... 82 Figura 56 – Seção do talude de projeto ............................ 67 Figura 44 – Planta de localização dos furos de sondagem.................. 71 Figura 46 – Furo de sondagem SP-02 .......................................................

........................................................... 97 Figura 68 – Modelo estrutural das lajes ....... 97 Figura 69 – Diagrama de momentos fletores ........................... 97 ..................................................................................... 93 Figura 67 – Laje modelo 6 .................................................................................... 93 Figura 65 – Diagrama de esforços cortantes...................9 Figura 64 – Modelo estrutural da viga .................................................................................... 93 Figura 66 – Diagrama dos momentos fletores............................................

Ângulo de Atrito Interno efetivo c´ .Tensão Normal τ .Poropressão ξ .Tensão de Resistência ao Cisalhamento φ´.Coesão efetiva f0 – Fator de Correção µ .Coeficiente de Poisson MPa – Mega Pascal Md – Momento de Cálculo As – Área de Aço .10 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas NSPT – Número de Golpes do Standard Penetration Test (SPT) NBR – Normas Brasileiras FS – Fator de Segurança IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas σ .

.......................... 22 2..................... 14 1...... 36 2.......................................................................... 34 2.................3 Superfície de Ruptura .....................2....4......................1 Fatores de Instabilização de Taludes ...........................................................................................................1 Objetivo Geral ...........................................4 Justificativa.............. 37 2........ 29 2............ 19 2.................. 15 2 REFERENCIAL TEÓRICO..................................3............................2............2................4 Métodos de Análise de Estabilidade de Taludes ................................2 Problema de Pesquisa ..........3 Métodos Probabilísticos ..........3 Método de Spencer (1967) ..............2................... 32 2.......6 Critério de Ruptura Mohr-Coulomb ................2 Coeficiente de Segurança..........................................3................................... 14 1..............................................................................................................1 Métodos Determinísticos .........................................................4..........................................2..................11 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................ 14 1......................................... 30 2..............4.......................................................... 14 1................4 Atrito ........4...................................1 Fatores que Influenciam os Movimentos de Massa........................2 Método de Morgenstern & Price (1965) ..........................4..................................... 20 2..............................1 Método de Janbu Simplificado (1973) .... 33 2........................................ 15 1....................................................5 Ensaios para Determinação da Resistência ao Cisalhamento dos Solos .................. 17 2.. 14 1......................................4.............4....................... 24 2............................................ 19 2............................................ 31 2.....................................................3... .3............................................1 Tema .........4.....................................................2..........3.....................2 Movimentos de Massas .............. 27 2..4..........................2 Métodos das Fatias .......... 17 2............................ 39 ..... 28 2....2 Tipos de Movimentos de Massa.....5........5 Método Brasileiro de Atirantamento (1957) ....................................................................................................................................5 Coesão ...3 Objetivos .................................................1 Taludes Supostos Planos com Forma Geométrica Simples e Sem Sobrecargas Concentradas ... 30 2............4....4................................................. 27 2.2 Objetivos Específicos .............. 23 2...............3 Análises de Estabilidade de Taludes ................................................. 27 2.........................4....2......................................................................................2........1 Resistência ao Cisalhamento do Solo ........................... ....4 Método de Bishop Simplificado (1955) .............. 25 2........

................5 Retaludamento .......... 56 2.............. 55 2..6...........................................4 Aterro Reforçado ..........................2..........2...................2............... 51 2.4 Quanto ao Sistema de Injeção ...............7..................1.............................6 Proteção de Talude ... 65 3.......3 Cortina Cravada .....................6.........2 Geologia Local ............. .......1 Quanto a Vida Útil......2 Trecho Livre (Ll) ....................................................................................6 Vantagens e Desvantagens no Uso de Tirantes ............ 50 2............6..1.................................................1 Métodos de Estabilização de Taludes .......3 Quanto a Constituição ...................................................... 59 Segue a descrição segundo Joppert Junior (2007): ...6................................1..2.......... 61 2.....5..2........................2..........................................1.................................1 Solo Grampeado .........................6.. 39 2.............1 Princípios de Funcionamento .........................................................1....................................1 Metodologia de Execução da Cortina Atirantada...............5...1 Localização da Área de Estudo............................2..............................................................3........ 66 ..............6..................3 Trecho Ancorado (Lb) .................................................................................. 66 3............. 44 2.........................2..................6...............2....1......12 2................................................1.................... 57 2............................................................... 60 2...................................2 Quanto a Forma de Trabalho ............................................. 62 3 METODOLOGIA ........................6.........................2....................................................... 47 2.................................................................................................................................6.................. 42 2........ 46 2.................5 Espaçamento de Ancoragem .....6.........2..........3.......6.....2 Caracterização Geológica................ 58 2....................... 61 2.....................6.............2 Tirantes .2............................2.................1..2. 56 2......1 Geologia Geral .............................6 Estabilização de Taludes .....2. 52 2..3......2.............................................3 Ensaio de compressão simples ................. 58 2.........5...............4 Aspecto Geométrico Quanto a Inclinação .......................................................5...6..... 59 2.......6................................. 64 3............................................. 45 2.....6. 56 2...........................................3 Tipos de Tirantes ..............................................................................2 Partes do Tirante ..6...............2 Ensaio Triaxial ................................1.............6...................................................................6......2 Gabiões .............................................. 58 2...6..................................... 48 2..1 Observações Importantes ..... 49 2..................................2............... 50 2.........................................................................................6............. 57 2..........................................1 Ensaios de Cisalhamento Direto .1 Cabeça........6............ 64 3....................................... 52 2...3.....2...................... 48 2........................................................6......................7 Cortina Atirantada ...............6.........

......................3 Estimativa de Custos . 100 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................. 108 ...............................3.......................3.6.................................................................................. 82 4..................................................................................................2 Investigações Geotécnicas ..................................................1 Definição do Fator de Segurança (FS)............................ 93 5........................3.............................................................. 74 4.......................................................................................................................... 86 4.............. 93 5..........4 Definição da Seção de Projeto . 74 4... 79 4.............. 68 4.............................00 x 10.... 97 5....... 68 4....7 Verificação dos Tirantes pelo Método de Bishop Simplificado (1955) ......................................................................................................... 106 ANEXO B – Projeto Estrutural ...........................................2 Coletas das Amostras em Campo ...5 Análise de Estabilidade Global ..............3 Análise de Estabilidade .... 76 4........................................................4 Sobrecargas Atuantes ......1 Geotecnia ..5 Definição do Tipo de Contenção.......3.. 76 4......................................................................1 Detalhamento dos Tirantes ....2 Dimensionamento das Lajes (Cortina) – Pano de 2.............. 101 ANEXOS ....00 m .......................................... 90 4................................................................................................3................................................. 85 4............ 105 ANEXO A – Perfil Estratigráfico Longitudinal.............................................................................................................................................. 74 4..............................................................13 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS ............................................. 68 4............ 91 5 DIMENSIONAMENTO DO PARAMENTO CORTINA ATIRANTADA ......3 Determinação dos parâmetros geotécnicos do solo .........1 Dimensionamento da Viga dos Tirantes (30 x 50) ...................................................... 99 6 CONCLUSÃO ......................6 Dimensionamento Geotécnico dos Tirantes pelo Método Brasileiro de Atirantamento (1957) .........

1 Tema Estabilização de Talude através da técnica de Cortina Atirantada. na cidade de Florianópolis – SC. uma vez que.1 Objetivo Geral Elaborar o projeto da estabilização de um talude situado em uma instituição de ensino. . A manutenção da estabilidade do talude de solo em áreas intensamente urbanizadas é de fundamental importância. 1.3 Objetivos 1. localizado no bairro Centro. apresentam uma grande variedade de suas propriedades físicas e resistência ao cisalhamento.14 1 INTRODUÇÃO 1. bem como para o dimensionamento geotécnico de estruturas de contenção que visem manter ou melhorar a estabilidade dos mesmos. através da técnica de cortina atirantada e avaliar a eficiência do método Brasileiro de Atirantamento (1957) no dimensionamento geotécnico do sistema de atirantamento da mesma. as rupturas destes taludes geram invariavelmente perdas materiais e/ou perdas de vidas humanas.3. devido a sua estrutura e composição.2 Problema de Pesquisa Os solos. As propriedades relativas à resistência ao cisalhamento são fundamentais para manutenção da estabilidade dos taludes de solo. 1.

• Dimensionar a cortina de concreto armado. • Verificar a eficiência do método Brasileiro de Atirantamento (1957). Para tanto a mesma decidiu utilizar a área do talude. • Analisar a estabilidade do talude antes do corte através do método de Bishop Simplificado (1955). • Determinar a estratigrafia do talude. Esta ampliação gerará um corte vertical no referido talude de até 10 m de altura. a procura por instituições de ensino que propiciem esta qualificação tem exigido a ampliação do espaço físico das mesmas. onde encontrava-se uma arquibancada de um campo de futebol.3. • Apresentar orçamento estimado para implantação do projeto de executivo de estabilização. Logo. com auxílio do software computacional Slide 5. a instituição de ensino onde encontra-se situado o talude estudado foi obrigada a ampliar o seu espaço físico. • Aplicar o método Brasileiro de atirantamento (1957) no dimensionamento geotécnico do sistema de atirantamento. A .4 Justificativa A qualificação acadêmica e técnica é uma condicionante fundamental para o sucesso de quem pretende entrar no mercado de trabalho.0. através de sondagem à percussão. 1. • Levantar os parâmetros de resistência ao cisalhamento dos solos que constituem o talude. • Desenvolver projeto executivo para estabilização do talude. Logo surge a necessidade de implantar um sistema de contenção que garanta a segurança dos usuários desse espaço.15 1. através do método de Bishop Simplificado (1955). • Estudar a geologia regional e local.2 Objetivos Específicos • Levantar dados relativos à topografia da área instabilizada. Diante desta situação.

o método de Bishop Simplificado (1955) e o método Brasileiro de Atirantamento (1957). entre eles perdas econômicas e perdas de vidas humanas.16 segurança dessa contenção só poderá ser avaliada através de um método consagrado de dimensionamento. poderá ocasionar diversos problemas. como. . por exemplo. Uma obra de contenção sem os devidos estudos geotécnicos da área a estabilizar.

trajetória das tensões e a velocidade do carregamento. tg φ = c + (σ . Como as condições de utilização são variáveis.µ). na nova conceituação. Terzaghi (1950) conseguiu conceituar essa resistência como conseqüência imediata da pressão normal ao plano de ruptura correspondente a pressão grão a grão ou pressão efetiva.µ). dependem essencialmente do teor de umidade. mas. a resistência ao cisalhamento de uma massa de solo é a resistência interna por área unitária que a massa de pode oferecer para resistir a rupturas e a deslizamentos ao longo de qualquer plano no seu interior. Isto é.µ). a expressão acima traduz a situação já afirmada de que os parâmetros c e φ não são características simples dos materiais.1 Resistência ao Cisalhamento do Solo Segundo Das (2007). mas.17 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2. (por atrito de contato grão a grão) assim escrevemos: τr = c´ + σ . concluiu que nessa situação a coesão (representada na equação por “c”) é função essencial do teor de umidade e se escreve: c = f(h) Logo temos para a máxima tensão de cisalhamento (poderá ser representado simplesmente por τr): τ´r = f(h) + (σ . conclui-se que somente as pressões efetivas mobilizam resistência ao cisalhamento. tg φ Em outras palavras. tg φ´ = c´ + (σ . partiu-se para se . tg φ´ Ao analisar argilas sedimentares saturadas. anteriormente considerava-se a pressão total o que não correspondia ao real fenômeno de desenvolvimento de resistência interna.

Figura 1 – Representação gráfica da envoltória da ruptura Mohr-Coulomb Fonte: Das. 2007 O fenômeno de cisalhamento depende do atrito e da coesão. procurando considerar o fato de a amostra ter sido retirada do todo e. logicamente perdendo algumas características originais de comportamento ao natural.(DAS. 2007). no qual a resistência ao cisalhamento dos solos depende predominantemente da tensão normal ao plano de cisalhamento. Figura 2 – Deslizamento de solo ocorrido em 2008 em Blumenau Fonte: Autor . A Figura 9 apresenta graficamente a expressão (DAS.18 sofisticar os ensaios de laboratório na tentativa de criar as situações de ocorrência/utilização. A Figura 10 mostra um deslizamento de terra ocasionado pelo excesso de chuvas ocorrido no mês de novembro na cidade de Blumenau. 2007).

) e posição das estruturas em relação ao relevo. acamamento.2. entretanto. da quantidade de água infiltrada que por sua vez depende da porosidade e permeabilidade dos materiais. Geólogos. ou seja redução das tensões efetivas. • Quantidade de água infiltrada nos materiais: A água infiltrada reduz a coesão. . Atualmente. o que é um reflexo da atuação e interesse de cada um desses profissionais 2. • Natureza do material na encosta: A estabilidade de encostas com materiais consolidados depende de outros fatores. entre as partículas da massa de solo. geógrafos e engenheiros geotécnicos são alguns dos profissionais que mais realizaram contribuições ao estudo dos movimentos de massa. etc. a estabilidade ou instabilidade de uma encosta depende da interação de um conjunto de fatores. mas também por suas conseqüências práticas e também por sua importância do ponto de vista econômico.2 Movimentos de Massas Os movimentos de massa têm sido objeto de estudo das mais diversas áreas científicas. dos quais podemos destacar: Ângulo de repouso: O valor deste ângulo varia em função do • tamanho.1 Fatores que Influenciam os Movimentos de Massa. existe um extenso acervo voltado e orientado para os mais diversos interesses em aspectos nem sempre coincidentes. como estrutura da rocha (fraturas. não apenas por sua importância como causador da evolução das formas de relevo.19 2. Esse efeito depende. De acordo com Sayão (1994). na literatura. forma e grau de seleção do material.

• Presença de vegetação: A presença de vegetação é um fator adicional que define a condição de estabilidade das encostas. direção e recorrência dos deslocamentos • Natureza do material instabilizado.2 Tipos de Movimentos de Massa. tipo de material envolvido e velocidade do movimento.2. • Textura. A adoção de um sistema único de classificação destes movimentos está longe de ser atingido. devido às inúmeras propostas de classificação. . Os tipos de movimento de massa são classificados de acordo com a geometria do movimento. estrutura e conteúdo de água dos materiais. as classificações modernas são baseadas na combinação dos seguintes critérios: • Velocidade. • Modalidade de deformação do movimento. Isso porque com o aumento da inclinação da encosta aumenta o efeito da força de gravidade em relação à força de atrito. De acordo com Augusto Filho e Virgili (1998). 2. • Geometria das massas movimentadas. Os escorregamentos apresentam as seguintes classificações segundo Georio (2000): a) Quanto à forma ou tipo do movimento.20 • Inclinação da encosta: A inclinação da encosta é um fator de estabilidade muito importante.

2000 c) Quanto às condições de drenagem. . Tabela 2 – Classificação dos escorregamentos quanto às condições de amolgamento Fonte: Georio.21 Tabela 1 – Classificação dos escorregamentos quanto ao tipo de movimento Fonte: Georio. 2000 b) Quanto ao amolgamento do solo.

devido ao peso da massa. os suecos começaram a desenvolver os métodos de análise para a estabilidade de taludes usados até hoje. Com a análise é permitido definir a geometria mais adequada ou mais econômica para garantir a segurança. a saturação aumenta o peso específico do material e diminui a . mas há a utilização de abordagens probabilísticas que quantificam essas incertezas por meio de um índice de confiabilidade (CAPUTO. decorrente de solicitações naturais ou da ação do homem (GUIDICINI & NIEBLE. em Gutemburgo. Com a presença de água.22 Tabela 3 – Classificação dos escorregamentos quanto às condições de poropressão Fonte: Georio. a percolação de água e a resistência ao cisalhamento do solo. 1984). 2000 2. A estrutura será considerada segura somente quando puder suportar as ações a elas solicitadas durante sua vida útil. ou subdividida em lamelas. Baseando-se no conceito de equilíbrio-limite. sem ser impedida de desempenhar as funções para as quais foram concebidas. A análise da estabilidade de taludes naturais ou artificiais tem como maior objetivo a verificação da condição de segurança. considerando a massa do solo como um todo em superfície de ruptura circular. 1987). determinada através de coeficiente ou fator de segurança. Em todos os casos são considerados três campos de força. depois do escorregamento de um talude no cais de Stigberg. A análise geotécnica tradicionalmente é avaliada através de métodos determinísticos que utilizam valores absolutos. 1984). linha de ruptura em forma de cunhas ou linha de ruptura plana (GUIDICINI & NIEBLE.3 Análises de Estabilidade de Taludes O estudo de análise da estabilidade de taludes iniciou-se em 1916.

1987). Segundo Terzaghi (1952) as causas são divididas em: a) Causas Internas – são as que atuam reduzindo a resistência interna do material constituinte do talude. 2.1 Fatores de Instabilização de Taludes As primeiras análises a serem realizadas nos taludes são os possíveis fatores instabilizantes que poderão atuar ao longo do tempo sobre a sua estrutura. c) Causas Intermediárias – são as que causam os efeitos de agente externos. que podem ser predisponentes e efetivos. b) Causas Externas – são provocadas pelo aumento das tensões de cisalhamento. diminuição de coesão e ângulo de atrito interno por processo de alteração). abalos sísmicos e vibrações). Já o agente efetivo. um agente pode acorrer por meio de uma ou mais causas. levam o maciço a condição de ruptura (aumento do declive do talude por processos naturais ou artificiais de decomposição de material na porção superior do talude. De acordo com Guidicini & Nieble (1984). rebaixamento rápido e erosão regressiva . sem que haja mudança no aspecto geométrico (aumento da pressão hidrostática. O agente predisponente é um conjunto de condições geológicas. gravidade.3. Os processos de instabilização são controlados por diferentes comportamentos cíclicos que tem origem na própria formação da rocha e na ação geológica e geomorfológica subseqüente (GUIDICINI & NIEBLE.piping). Associados às causas estão os agentes de instabilização. as causas de instabilidade são definidas de acordo com o modo de atuação de determinado agente. sem que haja a diminuição da resistência que igualando ou superando a resistência intrínseca do solo. provocando o escorregamento dos taludes (CAPUTO. 1984). . calor solar e tipo de vegetação original). no interior do talude (liquefação espontânea. morfológico e climáticohidrológico. geométricas e ambientais que irá fornecer adequação para que o movimento de massa ocorra (complexo geológico. ou seja.23 resistência ao cisalhamento pelo aumento da pressão neutra.

24 é o conjunto de elementos diretamente responsável pelo desencadeamento do movimento de massa (ação do homem.2 Coeficiente de Segurança O coeficiente ou fator segurança (FS) pode ser definido de varias maneiras. Sendo que S. chuva intensa. é dado por: S = c´ + σ . 1984). fusão do gelo e neve. tgφ´ De acordo com Sayão (1994). Tabela 4 – Agentes e causas dos escorregamentos Fonte: Guidicini & Nieble. 1984 2. as definições mais usuais de FS em análises de estabilidade de taludes são: .3. Estes coeficientes são definidos na relação entre resistência ao cisalhamento do solo (S) e a tensão cisalhante atuante (τ) (SAYÃO. em termos de tensões efetivas. cada uma implicando em valores diferentes. erosão por água ou vento. 1994). ondas e terremotos (GUIDICINI & NIEBLE.

1 1.25 • Fator de segurança relativo ao equilíbrio de momentos: usado em analises de movimentos rotacionais.4 1. 2000 2.2 1.4 Médio 1.5 Fonte: Georio. FS = • Fator de segurança relativo ao equilíbrio de forças: usado em analises de movimentos translacionais ou rotacionais. Este fator pode variar com o tempo.3. Tabela 5 – Recomendações para fatores de segurança admissíveis FS adm RISCO DE PERDAS ECONÔMICAS Despresível Médio Elevado RISCO DE PERDA DE VIDAS HUMANAS Despresível 1. considerando-se superfícies planas ou poligonais. implicando na perda de vidas humanas e econômicas (Tabela 5).2 1.4 1. conforme facilmente se verifica na prática. onde Mr é o somatório dos momentos resistentes e Ma é o somatório de momentos atuantes. considerando-se superfície de ruptura circular.3 1. onde Fr é o somatório de forças resistentes e Fa é o somatório de forças atuantes. 2000). FS = O valor do fator de segurança admissível (FSadm) defini-se através das possíveis conseqüências de ruptura.4 Elevado 1.3 Superfície de Ruptura A forma da superfície de ruptura do talude depende da geometria do . uma vez que um talude pode passar anos sem se destabilizar e em um determinado momento ou situação ter as suas condições de estabilidade alteradas (GEORIO.

1984). Figura 3 – Superfície de Ruptura Plana Fonte: Hoek. . das características dos materiais envolvidos e dos métodos de cálculo disponíveis para a análise. com inclinação (α) próxima a 90o. São geralmente as mais utilizadas pela facilidade de cálculo. Figura 4 – Superfície de Ruptura Circular Fonte: Hoek. da estratigrafia. após a introdução da informática. 1972 • Superfície de ruptura qualquer: maior incidência em solos que possuem plano de fraqueza e baixa resistência.(GUIDICINI & NIEBLE. Guidicini & Nieble (1984) afirmam que existem três possíveis tipos de ocorrência de superfície de rupturas que são: • Superfície de ruptura plana: desenvolve-se ao longo da fratura ou plano de acamamento.26 problema. Métodos mais rigorosos que utilizam esta superfície de ruptura tornaram-se tecnicamente e economicamente mais viáveis. 1972 • Superfície de ruptura circular: é uma superfície em forma de arco e em solos homogêneos sua provável forma é circular ou cilíndrica. sua superfície é formada por vários segmentos de reta.

2 Métodos das Fatias Consiste basicamente em dividir a massa potencial de ruptura em fatias verticais. e o fator de segurança ao longo da superfície potencial de ruptura é único. onde técnicas numéricas são empregadas com auxílio da informática.4. mostrada na figura 3. sendo ele circular ou poligonal.1 Métodos Determinísticos Os métodos determinísticos de análises de estabilidade de taludes estão divididos em dois grupos de acordo com Massad (2003) apud Fabrício (2006): • Método de análise de deslocamento: baseado no método dos elementos finitos. 2. aplica-se em cada fatia as seguintes equações de equilíbrio: Σ Forças horizontais = 0 Σ Forças verticais = 0 Σ Momentos = 0 Aplicando as equações de equilíbrio encontra-se um sistema no qual o . Este método pode ser dividido em dois subgrupos. considerando as relações tensão/deformação dos materiais. • Método do estado de equilíbrio limite: neste método estão incorporadas as seguintes hipóteses: a superfície de ruptura é bem definida. a condição de ruptura da massa de solo é generalizada (isto é. (método das fatias e método das cunhas).4.4 Métodos de Análise de Estabilidade de Taludes 2.27 2. o critério de ruptura de Mohr-Coulomb é satisfeito ao longo da superfície de ruptura. equilíbrio limite) e incipiente.

ocasionando alguns problemas para resolvê-las.2. Por este motivo o método considera apenas o equilíbrio entre forças verticais e horizontais.4. Figura 5 – Forças atuantes a fatia genérica Fonte: Adaptado de USACE. 2003 2. As maiores dificuldades da utilização de superfície não circular é encontrar um único ponto em que atuem todas as forças.1 Método de Janbu Simplificado (1973) O método de Janbu Simplificado admite superfície de ruptura qualquer. constituindo-se em um método de equilíbrio de forças. Algumas hipóteses simplificadoras são usadas diferenciando os diversos métodos. . para efetuar o equilíbrio de momentos. O valor de f0 é obtido por gráfico e depende do tipo de solo e da forma da superfície de deslizamento. considerando assim alguns mais ou menos conservadores. Assim o Método de Janbu Simplificado considera que a resultante das forças entre as fatias age na horizontal e aplica um fator de correção (f0) ao coeficiente de segurança a fim de minimizar os erros gerados pelas hipóteses adotadas.28 número de incógnitas é maior do que o número de equações.

1978 .4. que admite superfície de ruptura qualquer e satisfaz todas as condições de equilíbrio estático.2.29 Figura 6 – Gráfico para obtenção de correção (fo) e FS calculado pelo método interativo Fonte: Adaptado de Fabrício. Figura 7 – Forças atuantes em uma fatia pelo Método Morgenstern & Price Fonte: Chowdhury. a massa potencialmente instável é dividida em fatias infinitesimais e se faz necessário o uso de ferramenta computacional para execução dos cálculos. 2006 2. A Figura 5 apresenta todas as forças consideradas pelo método. inclusive a poropressão que é incluída nas forças entre as fatias. Nesse método.2 Método de Morgenstern & Price (1965) O método de Morgenstern e Price é um método rigoroso de análise de estabilidade de taludes.

3 Método de Spencer (1967) O método de Spencer foi inicialmente desenvolvido para superfícies de rupturas circulares. e em seguida adaptado para superfícies de deslizamentos com formas regulares.4 Método de Bishop Simplificado (1955) Este método considera a superfície de ruptura de forma circular e a resultante das forças entre as fatias é horizontal.2. 2003 . quando comparado com o método de Fellenius.4.4. O método de Bishop Simplificado (1955) fornece resultados mais próximos aos dos métodos mais rigorosos. o equilíbrio das forças verticais.30 2. satisfaça a mais uma condição de equilíbrio. É considerado um método rigoroso. os cálculos são repetidos por diversas vezes até atender todas as equações de equilíbrio de forças e de momentos através de procedimento de uso de ferramenta computacional. Figura 8 – Forças atuantes em uma fatia Fonte: Massad. 2.2. O equilíbrio das forças é feito na vertical o que faz com que o método além de satisfazer o equilíbrio de momentos. O esquema das forças atuantes em uma fatia qualquer é apresentado na Figura 6 e o fator de segurança pela equação 1.

4.31 eq.l H F α β α GE M (P´) R φ PL A NO AN C DE OR A i cr ´ A Figura 9 . l e R são de reação. ( 1 ) Onde: c’ e φ' = coesão e ângulo de atrito para o solo do centro da base da fatia l = comprimento da base da fatia P = peso da fatia u = poropressão no centro da base da fatia x = espessura da fatia θ = inclinação da base da fatia 2. a única força que tende instabilizar é o peso da massa de solo (cunha) e as forças c .Forças atuantes na cunha de solo Fonte: Tecnosolo.2.5 Método Brasileiro de Atirantamento (1957) Cerqueira (1978) descreve este método que baseia-se na hipótese de que a ruptura ocorre ao longo de um plano que passa pelo pé do talude (Figura 7). 1978 . l D B C P c.

5. sen ( . = i+φ 2 CR Onde: i . sen i . sen ( ’ . c .1 Taludes Supostos Planos com Forma Geométrica Simples e Sem Sobrecargas Concentradas Consiste que para uma seção genérica do talude.ângulo de atrito do material constituinte do maciço θCR .32 2. c . 1978): • Ângulo do plano de deslizamento mais provável.φ) . l . FS p = 2 . cos φ P .4. cos φ γ. pode ser determinada através das seguintes equações (CERQUEIRA.é a inclinação do talude com a horizontal φ .φ) CR FSmin = Onde: c – coesão do material constituinte do maciço I – comprimento da linha de maior declive do plano crítico de deslizamento P – peso da cunha mais provável de deslizamento com dimensão transversal unitária • Coeficiente de segurança (FSp).2. a superfície plana.ângulo formado pela horizontal com plano crítico de deslizamento (plano de menor coeficiente de segurança ao deslizamento) • Coeficiente de segurança mínimo (FSmin). H sen (i ’) .

coeficiente de segurança estimado em relação ao ângulo θ’.5 • Força de ancoragem necessária (F). CR λ cos (β . Podem ser divididos em três grupos: . 1998). Por fim os parâmetros de probabilidade são integrados para estimar o fator de segurança.é relação entre o fator de segurança obtido com as forças de pretensão e o fator de segurança mínimo relativo ao plano crítico de deslizamento β .φ) λ F = Onde: λ .≥ 1.ângulo formado pelos tirantes com plano crítico de deslizamento Pp’ – Peso da cunha obtido através do novo plano de ruptura (plano de ancoragem) 2.33 Onde: θ’ – ângulo formado pela horizontal com plano de ancoragem (estimado) FSp .4. Conforme Hachich (1998) este método permite adotar variação dos parâmetros geotécnicos envolvidos influenciando mais significativamente o problema. Sua maior vantagem é que podem ser quantificadas as incertezas inerentes (HACHICH. Através deste método é possível calcular a probabilidade de ruptura e a confiabilidade a ser usado na sua execução. sen ( . Em síntese as análises probabilísticas de rupturas de taludes primeiramente definem os dados para obtenção da função de probabilidade representativa de cada parâmetro que representa uma incerteza ou influenciam muito no resultado final. Pp’ .1 .3 Métodos Probabilísticos Os métodos de análises probabilísticos usados na engenharia geotécnica são baseados em alguns princípios dos métodos determinísticos (equilíbrio limite) para seus cálculos.φ) λ .

.. e métodos das estimativas pontuais (EP). desvio padrão de todas as variáveis de entrada e a função de performance. Figura 10 – Coeficiente de segurança VS. utilizando a distribuição de probabilidades de cada variável aleatória. segurança Fonte: Hachich. 1998 2. Constituí de uma matemática complexa e não muito pratica. • Método das estimativas pontuais: constitui de uma aproximação numérica de técnicas de integração. A parcela da resistência devido ao atrito pode ser simplificadamente . para a definição do fator de segurança. que são as variáveis de entrada (propriedade dos solos). • Método do segundo momento de 1º ordem: o objetivo deste método é expressar a função de performance (fator de segurança) como uma função de diferentes variáveis aleatórias consideradas na análise estatística. • Métodos aproximados: é baseado em versões modificadas do método do segundo momento de 1º ordem (FOSM). Nestes dois métodos é necessário o conhecimento do valor médio. É integrado analiticamente num modelo de estabilidade de talude para poder desenvolver uma expressão matemática da função de densidade do fator de segurança.34 • Métodos analíticos: a função de densidade de probabilidade das variáveis de entrada na análise é expressa matematicamente.4 Atrito O atrito é a função de interação entre duas superfícies na região de contato. com concentração de probabilidade P+ e P. representadas por dois pontos x+ e x.4.

para uma mesma areia o ângulo de atrito desta no estado compacto é maior do que no estado fofo (φ densa > φ fofa). esta relação é escrita na forma: τ = σ´ .). Figura 11 – Atrito entre dois corpos no instante do deslizamento Fonte: Feuerj. em que as forças atuantes. modificam sua compacidade e acarretam variação do ângulo de atrito “φ”. Para solos. o atrito é um misto de escorregamento (deslizamento) e de rolamento. 2009 A resistência ao deslizamento (τ) é proporcional à força normal aplicada (N). .f Onde “f” é o coeficiente de atrito entre os dois materiais. etc. forma. Assim o ângulo de atrito interno do solo depende do tipo de material.35 demonstrada pela analogia com o problema de deslizamento de um corpo sobre uma superfície plana horizontal. rugosidade. afetado fundamentalmente pela entrosamento ou embricamento dos grãos. segundo a relação: T=N. Nos materiais granulares (areias). Tal fato não invalida a aplicação da equação anterior a materiais granulares. tg φ´ Onde “φ´” é o ângulo de atrito interno do solo. Por exemplo. “σ´” é a tensão efetiva e “τ” a tensão de cisalhamento. e para um mesmo material depende de diversos fatores (densidade. o mesmo não ocorre com os materiais granulares. num mesmo solo. constituídas de grãos isolados e independentes. Enquanto no atrito simples de escorregamento entre os sólidos o ângulo de atrito “φ” é praticamente constante.

esborroam-se facilmente ao serem cortados ou escavados. principalmente no caso de estruturas floculadas e a cimentação de partículas (cimento natural.36 Medianamente fofa Compacta Figura 12 – Atrito entre materiais granulares deslizamento Fonte: Feuerj. Figura 13 – Resistência ao cisalhamento devido à coesão Fonte: Santos. hidróxidos e argilas) podem provocar a existência de uma coesão real (VARGAS. Entretanto. ou pode ser cortado em formas diversas e manter esta forma. suponha que a superfície de contato entre os corpos esteja colada. Os solos que têm essa propriedade chamam-se coesivos. 2004 . Nesta situação quando N = 0. Esta parcela é definida como coesão verdadeira. que são areias puras e pedregulhos. óxidos. Os solos nãocoesivos. conforme esquema da Figura 13. a atração química entre partículas (potencial atrativo de natureza molecular e coloidal). 1977). Segundo Vargas (1977) a coesão é aquela resistência que a fração argilosa empresta ao solo. Utilizando a mesma analogia empregada no item anterior. existe uma parcela da resistência ao cisalhamento entre as partículas que é independente da força normal aplicada.4. pelo qual ele se torna capaz de se manter coeso em forma de torrões ou blocos. 2009 2.5 Coesão A resistência ao cisalhamento dos solos granulares é essencialmente devido ao atrito.

A linha que tangência estes círculos é definida como envoltória de ruptura de Mohr. Cada círculo de Mohr representa o estado de tensões na ruptura de cada ensaio. • Relação pré adensamento. A coesão verdadeira ou real definida anteriormente deve ser distinguida de coesão aparente. No caso da saturação do solo a coesão aparente tende a zero.4. devido à tensão capilar da água (pressão neutra negativa). (1998) apresenta o estado de tensões em torno de um ponto da massa de solo. 2.6 Critério de Ruptura Mohr-Coulomb O diagrama de Mohr citado por Velloso et al. tg φ) Figura 14 – Envoltória de resistência de Mohr-Coulomb Fonte: Velloso. embora com freqüência ela seja associada a uma reta. e permite o cálculo da resistência ao cisalhamento do solo conforme a expressão já definida anteriormente: (τ = c + σ . são realizados ensaios com diferentes valores de σ3. Esta simplificação deve-se a Coulomb. elevando-se σ1 até a ruptura. Para determinar-se a resistência ao cisalhamento do solo (τ). que atrai as partículas. A envoltória de Mohr é geralmente curva. • Diminuição da umidade. 1998 . Esta última é a parcela da resistência ao cisalhamento de solos úmidos (parcialmente saturados).37 A coesão de acordo com Vargas (1977) é uma característica típica de solos muito finos (siltes plásticos e argilas) e tem-se constatado que ela aumenta com: • A quantidade de argila e atividade coloidal (Ac).

2004 Estado 3 . 2004 Estado 2 . Esta condição ocorre em um plano inclinado a um ângulo "α crítico" com o plano onde atua a tensão principal maior. Figura 15 – Gráfico Estado 1 Fonte: Santos. 2004 .A amostra de solo está submetida a uma pressão hidrostática (igual em todas as direções). Neste caso atingiu-se.O círculo de Mohr tangência a envoltória de ruptura.O círculo de Mohr está inteiramente abaixo da envoltória. A tensão cisalhante (τα) no plano de ruptura é menor que a resistência ao cisalhamento do solo (τ) para a mesma tensão normal. Figura 17 – Gráfico Estado 3 Fonte: Santos. Santos (2004) descreve quatro estados de tensões associados a um ponto.38 Para melhor compreensão do conceito de envoltória de ruptura. Figura 16 – Gráfico Estado 2 Fonte: Santos. Estado 1 . Não ocorre ruptura. O estado de tensão deste solo é representado pelo ponto σ3 e a tensão cisalhante é nula. em algum plano a resistência ao cisalhamento do solo e ocorre a ruptura.

1 Ensaios de Cisalhamento Direto O ensaio de cisalhamento direto é executado em uma caixa metálica bipartida (Figura 19). Figura 19 – Caixa Metálica Bipartida do Ensaio de Cisalhamento Direto Fonte: Marangon. . 2007). 2005 O corpo de prova é inicialmente comprimido pela forca normal “N”. pois antes de atingir-se este estado de tensões já estaria ocorrendo ruptura em vários planos. Figura 18 – Gráfico Estado 4 Fonte: Santos.5 Ensaios para Determinação da Resistência ao Cisalhamento dos Solos 2.Este círculo de Mohr é impossível de ser obtido. deslizando-se a metade superior do corpo de prova em relação à inferior (DAS. existiriam planos onde as tensões cisalhantes seriam superiores à resistência ao cisalhamento do solo. 2004 2.5.39 Estado 4 . isto é.

obtém-se um valor de tensão cisalhante de ruptura (τ = Tcis/A). mas ao longo do plano horizontal XX. A condição drenada implica na total dissipação de poropressões durante o cisalhamento. devendo ser executado lentamente para impedir o estabelecimento de excessos de pressões neutras nos poros da amostra. 2009 O ensaio de cisalhamento direto é sempre drenado. Este problema é mais complexo quando analisa-se a restrição de movimentos imposta às . itens a. 2007) O principal problema a ser apontado neste ensaio é a imposição de uma superfície de ruptura. principalmente em solos homogêneos. Figura 20 – Prensa de Cisalhamento Direto Fonte: Santos. As curvas de tensão cisalhante por deformação. A Figura 20 apresenta a prensa de cisalhamento direto. O solo não rompe segundo o plano de maior fraqueza.40 seguindo-se a aplicação da forca cisalhante “T”. Para cada tensão normal aplicada (σ = N/A). b e c. devido à alta permeabilidade isto é automático e em solos argilosos é necessário reduzir a velocidade de deformação para aumentar o tempo de ensaio (DAS. A relação entre altura e o diâmetro ou largura do corpo de prova deve ser pequena. O deslocamento horizontal é imposto a amostra a força cisalhante. Nas areias. 2007). possibilitando uma completa drenagem em menores espaços de tempo. permitindo o traçado da envoltória de resistência (DAS. variação de volume por deformação e a envoltória de resistência estão representadas na Figura 21. respectivamente.

41 extremidades da amostra no plano de ruptura. As principais vantagens do ensaio são a simplicidade de operação. 1993 Neste ensaio. crescente até a ruptura. ensaio adensado rápido e ensaio lento. 1998). (c) envoltória de resistência Fonte: Pinto. ser do tipo: ensaio rápido. Esta restrição provoca uma complexa heterogeneidade de tensões e deslocamentos no corpo de prova e uma conseqüente inclinação do plano de cisalhamento (DAS. impedindo a determinação dos outros planos. facilidade de moldagem das amostras. em principio. o ensaio de cisalhamento direto pode. as tensões normais e de cisalhamento são conhecidas somente no plano de ruptura. • Ensaio de cisalhamento direto adensado rápido: aplica-se a tensão normal (σ) e após a estabilização das deformações verticais devido a essa tensão que será mantida constante sobre o corpo de prova. Figura 21 – (a) Curvas de tensão cisalhante por deformação. aplica-se a tensão cisalhante (τ). Segundo Pinto (1998). • Ensaio de cisalhamento direto lento: a tensão normal (σ) é aplicada e. baixo custo e a possibilidade de realização de ensaios em grandes dimensões (PINTO. (b) curvas variação de volume por deformação. . 2007). • Ensaio de cisalhamento direto rápido: esse se caracteriza pela aplicação simultânea inicial da tensão normal (σ) constante e cisalhante (τ) que deverá aumentar gradativamente até a ruptura do corpo de prova.

a tensão cisalhante (τ) é aplicada. 1986 • Controle de drenagem: Uma deficiência importante do ensaio de cisalhamento direto é a impossibilidade de controle da drenagem no corpo-de-prova. com uma diferença fundamental dos ensaios rápido e adensado rápido.5. da ordem de 6. gradativamente.1 Observações Importantes De acordo com Gusmão (1986) o ensaio de cisalhamento direto apresenta como principais vantagens sua simplicidade e facilidade de execução. Esta desvantagem favorece a realização de ensaios para verificação do grau de anisotropia.42 após o adensamento da amostra. até a ruptura (permitindo dissipação das pressões neutras). seria impossível impedir a saída de água. uma vez que pode-se moldar os corpos de prova de forma que o plano de ruptura fique paralelo ou perpendicular à direção da orientação das partículas. Figura 22 – Ensaio de Cisalhamento direto em solos anisotrópicos Fonte: Gusmão. 2. Mesmo que fossem usadas placas impermeáveis no topo e no fundo da amostra. pois a caixa não tem um sistema de vedação adequado.7x10-4(%/s).1. pois logo que se inicia o ensaio o deslocamento de uma parte da caixa sobre a outra provoca . Como desvantagens têm-se: • Plano de ruptura: A ruptura ocorre em um plano pré-determinado. a velocidade de aplicação da tensão cisalhante (τ) e/ou a velocidade de deformação do corpo de prova devem ser mínimas.

Uma vez iniciado o cisalhamento não se tem qualquer informação sobre o estado de tensão ou de deformações da amostra. Isto é feito controlando-se a velocidade de ensaio (ensaio lento). a única solução é conduzir o ensaio em condições totalmente drenadas. As únicas informações obtidas são os deslocamentos no plano de ruptura. Figura 23 – Deformação da amostra Fonte: Gusmão. como mostra a Figura 23b. Assim. tornando difícil a análise dos resultados. que por definição está associada a uma variação de uma determinada dimensão em relação à dimensão original. 1986). mantendo nulas as poropressões. sendo impossível saber quais as trajetórias de tensões e deformações e obter módulos de deformação. o campo de deformação passa a ser desuniforme. as tensões efetivas seriam alteradas.43 uma abertura entre elas. como o de Young e o coeficiente de Poisson (ξ) (GUSMÃO. O modo deformação da amostra não permite a determinação da deformação axial. • Deformações não uniformes: Uma vez iniciada a aplicação da força T. As deformações específicas lineares ou distorcionais não podem ser determinadas a partir de observações na superfície da amostra. não se aplica uma condição de cisalhamento puro. o resultado do ensaio de cisalhamento direto de um corpo de prova é . Por outro lado. Com isso. Por estas razões. isto é: eq. ou seja. 1986. ( 2 ) No ensaio a dimensão horizontal da amostra permanece inalterada ( l = 0). diferente para cada ponto considerado no interior do corpo de prova. permitindo a drenagem.

44 somente um ponto no diagrama de Mohr. .(GUSMÃO. 1986). é o mais versátil ensaio para a determinação da resistência ao cisalhamento do solo. A câmara é preenchida com água. conforme mostra a Figura 24. através do qual há uma ligação com a base da célula. normal e cisalhante são determinadas exclusivamente no plano. pelo qual podem ser traçados vários círculos. 2. A determinação dos estados de tensão em outros planos só é possível após o traçado da envoltória de ruptura. Entre o pedestal e amostra utiliza-se uma pedra porosa para facilitar a drenagem. horizontal que ocorre à ruptura. Figura 24 – Magnitude e direção das tensões principais na ruptura Fonte: Gusmão. cuja finalidade e transmitir pressão à amostra (GUSMÃO. Observase que o ensaio provoca rotação das tensões principais. • Tensões em outros planos: As tensões. 1986). 1986.2 Ensaio Triaxial O ensaio triaxial. O equipamento consiste basicamente de uma câmara cilíndrica transparente e resistente assentada sobre uma base de alumínio.5. no interior da qual é colocado um corpo de prova cilíndrico revestido por uma membrana de borracha impermeável sob um pedestal.

5. Figura 26 – Curva tensão x deformação axial específica normal Fonte: Santos.3 Ensaio de compressão simples É um caso especial do ensaio triaxial. conforme está . Este ensaio é utilizado para determinar a resistência não drenada de solos argilosos (Su ou Cu). onde a tensão confinante é nula (σc = σ3 = 0). A tensão confinante é nula. e o valor da tensão que provoca a ruptura do corpo de prova é denominado de resistência à compressão simples (RCS). 2005 2. 2004 Em solos puramente coesivos. A Figura 26 apresenta a curva obtida de tensão cisalhante (carga / área da amostra) por deformação axial específica (εa).45 Figura 25 – Câmara triaxial típica Fonte: Marangon. a coesão (Su) é igual à metade da resistência à compressão simples obtida do diagrama de Mohr.

2004 Através do ensaio de compressão simples em argilas pode-se definir a sua sensibilidade. pois é fundamental que se entenda as causas do problema para se elaborar as soluções mais adequadas. A sensibilidade (St) é definida como a relação entre a resistência à compressão simples no estado indeformado e a resistência à compressão simples no estado amolgado (GUSMÃO. assim é importante avaliar cada projeto para atender suas necessidades. é necessário seguir alguns preceitos básicos: • Estudos de investigação: é uma fase que exige muita atenção.46 representado na Figura 27. a maior ou menor perda de resistência de uma argila. 2. • Execução das obras: nas condições de campo podem surgir alterações que exigem a modificação do projeto e a decisão é difícil em alguns momentos. Raramente duas obras similares admitem o mesmo projeto. para que . para que uma obra de estabilização de taludes tenha sucesso. 1986). que ocorre pelo amolgamento (perda da estrutura). Figura 27 – Diagrama de Mohr aplicado ao ensaio de compressão simples Fonte: Santos. não sendo superdimensionadas ou subdimensionadas. • Elaboração do projeto: as soluções adotadas devem tratar diretamente as causas de instabilização. recursos e prazo.6 Estabilização de Taludes Segundo Vargas (1981). isto é. assim é importante que o engenheiro de campo esteja inteirado de todos os estudos prévios e dos detalhes do projeto.

a utilização do reforço se torna viável se o mesmo for utilizado como parte integrante de um projeto de retaludamento. 2. (GUIDICINI & NIEBLE. A contenção é feita pela introdução de uma estrutura ou de elementos estruturais compostos que apresentam rigidez distinta daquela do terreno que conterá (RANZINI et al. pois é necessário aplicar-se 20% do peso total da massa instável no reforço considerado.47 tenha condições de tomar as decisões mais acertadas. corte ou aterro. como subsolos de edificações. canalizações. 1984). estabilização de encostas e etc. . De acordo com Guidicini & Nieble (1984). abertura de vala para instalações de dutos. 1998). • Reforço do maciço: A utilização de reforço em taludes rochosos é.1 Métodos de Estabilização de Taludes A realização de obras de contenção se faz necessária em diversos tipos de projetos. em geral. sendo que a forma mais simples e barata de drenagem consiste na diminuição de água que infiltra no topo e na face do talude. Geralmente. Contenção é todo elemento ou estrutura destinado a contrapor-se a empuxos ou tensões geradas em maciço cuja condição de equilíbrio foi alterada por algum tipo de escavação. economicamente viável em taludes pequenos. a mesma consiste em fazer um desmonte controlado. • Drenagem de águas subterrâneas: A drenagem de águas subterrâneas sempre melhorará a estabilidade do talude. mas uma técnica utilizada em taludes rochosos. as técnicas de melhoria da estabilidade de talude resumem-se em quatro grupos básicos: • Mudança na geometria do talude: trata-se da diminuição da altura ou do ângulo de inclinação do talude. estradas. quando no seu corte..6. • Controle de desmonte: Trata-se não exatamente de um meio para se estabilizar taludes.

1998). não se atingiu um consenso. seguido da perfuração e inserção da barra de ferro. entre 1985 e 1989.6. só atua quando o terreno movimenta-se (ABRAMENTO et al. de modo que o arranjo fique denso e a proteção da estrutura metálica pode ser feita com PVC ou por argamassamento da superfície externa (LOTURCO. .1. 1998). É aplicável apenas em solos firmes em razão de a terra escorrer por entre os grampos. É menos dispendioso que a cortina atirantada e passivo.6.2 Gabiões O muro funciona da mesma maneira que o muro de arrimo. no entanto. em que as gaiolas são preenchidas com pedra britada a fim de garantir que a estrutura seja drenada e deformável. durante o Project National Clouterre. a ancoragem é feita em toda a extensão do chumbador. Durante a execução é importante a disposição das pedras. e não apenas no nicho final (ABRAMENTO et al.48 2. ou seja. Centralizada no furo. 1983). A seqüência de etapas inicia-se com o corte parcial.1 Solo Grampeado O termo vem do inglês soil nailing e a técnica foi aprimorada na França. é fixada pela injeção de nata de cimento e diferentemente das cortinas.1. 2004 2. Figura 28 – Solo grampeado Fonte: Téchne.

em geral. 1983). utilizadas de forma provisória. Consiste de estacas ou perfis metálicos cravados no solo justapostos ou descontínuos. 2004 .1.3 Cortina Cravada Indicada para alturas menores é suscetível à flexão.49 Figura 29 – Gabiões Fonte: Autor 2.6. no segundo caso. são deformáveis e. o vão é fechado com pranchões de madeira ou placas de concreto armado (LOTURCO. Figura 30 – Cortina cravada Fonte: Téchne.

Para o retaludamento são feitos cortes no terreno de modo que a inclinação seja abrandada. elaborado pelo IPT em parceria com o DER-SP (Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo). superam alturas maiores que os muros convencionais e se valem da colocação gradual de terra para estruturar o terreno (LOTURCO.Taludes de Rodovias". O geotêxtil deve resistir aos esforços de tração desenvolvidos no maciço sendo indispensável à proteção na face externa da manta.6. "sempre existirá uma condição geométrica que oferecerá estabilidade ao maciço".5 Retaludamento Trata-se de uma solução não-estrutural. Apresenta proporção entre altura e base de 0. aplicável para qualquer tipo de solo ou rocha e adaptável a todas as situações de esforços.4 Aterro Reforçado O próprio solo reforçado com geotêxtil ou geogrelha é a base para essa estrutura. É inviável quando o espaço é escasso ou a vegetação . 2004 2.1. Entretanto. 1983). Todos os métodos tradicionais de contenção podem ser aplicados no caso de aterros.7. simples e de baixo custo.6.50 2. o aterro reforçado e a terra armada são mais usuais. Figura 31 – Aterro reforçado Fonte: Téchne. que é deteriorada pela radiação solar.4 a 0. De acordo com o "Manual de Geotecnia .1.

6 Proteção de Talude A proteção superficial de taludes é uma solução simples e eficiente para manter a estabilidade do maciço evitando a erosão e o deslizamento do mesmo por ação das águas incidentes. 2004 2. 1983). 1983).6. Figura 32 – Retaludamento Fonte: Téchne.1. Figura 33 – Proteção de talude Fonte: Téchne. 2004 .51 não pode ser retirada devendo ser previstas canaletas de coleta e escadas hidráulicas para descarte da água com recobrimento vegetal a fim de evitar a erosão (LOTURCO. A aplicação manual é de fácil execução e indicada para o revestimento de pequenas áreas ou quando o local a ser tratado for de difícil acesso para as máquinas de projeção (LOTURCO.

concreta-se “in loco” parte da cortina e executa-se posteriormente os tirantes em alguns casos a cortina pode ser totalmente pré-fabricada (JOPPERT JUNIOR. a emenda deve ser chanfrada. Com as cortinas atirantadas é possível vencer qualquer altura e situação e as desvantagens são: o alto custo.1.6. ser colocada por meio de placas pré-moldadas sustentadas pelos tirantes e providas de ferros de espera para complementação posterior da cortina com enchimento entre as placas de concreto moldado “in loco” (JOPPERT JUNIOR. 2007). Figura 34 – Esforço da cortina atirantada Fonte: Ehrlich. Em trechos de corte a execução deve sempre que possível.7. devendo-se apicoar a parte existente. Sua principal vantagem é a possibilidade de aplicação sem a necessidade de cortar nada além do necessário.7 Cortina Atirantada É um dos métodos mais modernos de contenção valendo-se de tirantes protendidos e chumbadores para dar sustentação ao terreno. 2002 . (LOTURCO. Para que haja uma boa aderência entre as partes de concreto da cortina.1. seguido da demora para a execução.6. taludes irregulares ou instáveis que exijam pronta concretagem.1 Metodologia de Execução da Cortina Atirantada.52 2. 1983). Em trechos de aterro. 2. 2007).

2007). Os tirantes são mantidos retilíneos e as cargas aos mesmos aplicadas rigorosamente axiais. 2007). As cortinas poderão ser fechadas totalmente ou com janelas. arruelas. Figura 35 – Detalhe do dreno e da cabeça de proteção Fonte: Autor No caso de protensão de encontro para estruturas pré existentes. obedecendo-se ao detalhe do projeto. calços e porcas) deve ficar protegido contra corrosão por uma cobertura de concreto moldada no local ou constituída de uma caixa pré-moldada preenchida com argamassa ou pasta de cimento. se a estrutura é capaz de resistir sem danos à força de protensão do conjunto de tirantes. deve-se verificar em cada caso. Devem ser previstas juntas de dilatação para trechos de cortina com extensão superior a 12 m. em casos especiais poderão ser necessários drenos profundos. A cortina do tipo fechada deve conter furos de drenagem. Em todas as etapas descritas acima é sempre recomendável o uso de instrumentação específica com a finalidade de avaliar o comportamento da estrutura em execução como também de construções adjacentes tais como: . Antes da execução desta proteção indica-se injeção de cimento complementar de tirante para total envolvimento do mesmo. estas últimas possíveis em terrenos muito coesivos ou reforços de muros existentes.(JOPPERT JUNIOR. após protensão (JOPPERT JUNIOR.53 O conjunto de fixação do tirante à estrutura (chapa de ancoragem. 2007). sendo previstas peças especiais de ancoragem na cortina (JOPPERT JUNIOR.

Concretagem da cortina na faixa relativa a 1° fileira. • Medições de deslocamentos e etc. colocação do tirante.Perfuração. Repetição das fases 1 e 2 com relação às placas alternadas da 2° fileira CORTE FRENTE CORTE FRENTE FASE 5 . A figura a seguir mostra as fases de chumbamento dos tirantes. ancoragem da placa com esforço de incorporação CORTE FRENTE CORTE FRENTE FASE 3 .Prosseguimento dos trabalhos da mesma maneira até a conclusão da cortina Figura 36 – Detalhe das fases de execução de uma cortina atirantada Fonte: Tecnosolo. concretagem da cortina na faixa relativa à 2° fileira FASE 6 .54 • Controle de recalque.Repetição das operações da 3 fase com relação às placas da 2° fileira. colocação da placa. • Determinação da carga residual das ancoragens. 1978 . bem como as escavações em nichos do talude e a execução da cortina em placas.Repetição das operações das 1 e 2. protensão com esforço de ensaio. com relação às placas restantes da 1° fileira FASE 4 .Escavação de nichos para colocação dos tirantes alternados (1° fileira) FASE 2 . CORTE FRENTE CORTE FRENTE FASE 1 .

Após as chuvas catastróficas neste Estado em 1966 e 1967. conforme pode ser visto na Figura 37. 2008 Sabe-se que o elemento de resistência a tração utilizada na engenharia e de sua grande eficiência é o aço. apresentam basicamente o conceito acima exposto.6. assim grande parte dos tirantes é constituído do . Ancoragens Injetadas no Terreno". 1987). O trecho que liga a cabeça ao bulbo é conhecido por trecho livre ou comprimento livre (Ll) (JOPPERT JUNIOR. Nas aplicações geotécnicas de tirantes a extremidade que fica fora do terreno é a cabeça de ancoragem e a extremidade que fica enterrada é conhecida por trecho ancorado e designada por comprimento ou bulbo de ancoragem (Lb). A Norma Brasileira "NBR-5629/77 . 2007). Tirantes são elementos lineares capazes de transmitir esforços de tração entre suas extremidades. assim como a sua revisão a "NBR-5629/96 Estruturas de Tirantes Ancorados no Terreno".55 2. esta técnica teve um grande desenvolvimento sendo os tirantes utilizados em contenções de taludes para as obras de restauração das encostas da cidade e estradas vizinhas (NUNES.Estruturas Ancoradas no Terreno.2 Tirantes No Brasil as primeiras aplicações de tirantes foram em obras de contenções realizadas nas estradas Rio-Teresópolis e Grajaú-Jacarépaguá em Copacabana no Rio de Janeiro. Figura 37 – Esquema típico de tirante Fonte: Incotep.

O atrito tolerado no trecho livre é limitado e praticamente toda a carga é transmitida para o bulbo feita através da barra de aço. Com o desenvolvimento da engenharia. cordoalhas e o mais utilizado em barra. 2007). Ela é composta pelos seguintes componentes: • Placa de apoio: tem como função distribuir as tensões sobre a estrutura e é constituída por uma ou mais chapas metálicas. 2. O aço constituinte do tirante deve suportar os esforços com uma segurança adequada em relação ao escoamento e ter uma proteção contra corrosão. mas o uso destes ainda é pouco difundido e pouco confiável (JOPPERT JUNIOR.6.6.2.2.75 e 1. outros materiais já estão sendo empregados (polímeros) com alta capacidade de carga a tração e resistente a corrosão. conforme especificados na norma brasileira.2. Sobre a estrutura de concreto a chapa deve ter um tamanho que produza sobre a mesma.5 para fluência (YASSUDA & DIAS.6.2 Partes do Tirante 2.5 com relação ao arrancamento para tirantes definitivos e provisórios respectivamente. 1998). O bulbo deve garantir os esforços por arrancamento sem deformar em demasia devido às cargas de longa duração por efeito de fluência tendo uma margem de segurança adequada. seja em fios. e de 1. Os Valores do fator de segurança da NBR5629/96 são de 1.1 Cabeça Segundo Yassuda & Dias (1998) a cabeça é a parte do tirante que suporta a estrutura. 2.2.56 mesmo. .1 Princípios de Funcionamento Yassuda & Dias (1998) descrevem que o tirante tem como função básica transmitir esforços externos de tração para o terreno através do bulbo.

2. mas resistência limitada à flexão.6.2. por porcas e contra porca.2.(YASSUDA & DIAS. 2. Apresentam características diferentes. Os aços aplicados em tirantes têm alta resistência à tração. Na transição entre os trechos livre e ancorado os tubos são vedados com massa plástica para não permitir o contato da calda de cimento com o tirante no trecho livre.3 Trecho Ancorado (Lb) Encarregado de transmitir os esforços do tirante para o terreno. 1998). Conforme a NBR 5629/96. envoltos individualmente por tubos plásticos e em algumas situações especiais o conjunto é ainda protegido no interior de um tubo adicional para garantir proteção extra.5 entre os pesos de água e cimento.2. 2.57 tensões de compressão aceitáveis.6. devem ser considerados separadamente o comprimento necessário para ancorar o aço na calda de cimento e o comprimento para ancorar a calda de cimento ao terreno (YASSUDA & DIAS. o aço deve ter proteção dupla anticorrosiva no trecho ancorado e para solos muito agressivos a mesma prevê a utilização de uma .2 Trecho Livre (Ll) É a parte do tirante onde o aço encontra-se isolado da calda de injeção. 1998). condicionando o cálculo de punção. por clavetes dentados ou cunhas e por botões. O bloco de ancoragem onde o aço é preso deve ficar próximo de 90 graus com relação ao eixo longitudinal do aço. Na prática existem 3 tipos principais. é constituído pela injeção de calda de cimento na proporção 0. tanto de dimensões como de aderência. Conforme a NBR 5629/96 denomina-se de “bloco de ancoragem” as peças que prendem o elemento tracionado na região da cabeça. Os fios ou cordoalhas são normalmente engraxados. • Cunha de grau: é um elemento empregado para dar alinhamento adequado ao eixo do tirante em relação à cabeça.

Para os tirantes provisórios que operarem com duração acima de 2 anos. destinado para obras com duração superior a 2 anos e os provisórios. 1998). a norma passa ao proprietário as providencias para resguardar a segurança da obra. 2.6.3.6.1 Quanto a Vida Útil Conforme a norma brasileira os tirantes podem ser divididos em 2 grupos quanto a sua vida útil. A carga a qual foi dimensionado o tirante só começa a atuar quando o maciço onde se ancora ou a estrutura a qual está ligado é submetido a esforços.2 Quanto a Forma de Trabalho Os tirantes podem ser classificados como ativos e passivos. resumidamente são os tirantes protendidos. destinados a obras com duração inferior a 2 anos. que mantêm cada elemento à um distanciamento mínimo com o solo. o qual varia entre 3 a 5 mm. Na prática raramente encontraremos um tirante trabalhando de forma passiva. 2.3 Tipos de Tirantes 2. Os passivos são aqueles que não são colocados sob carga no início de sua operação.2.6.58 bainha de proteção até mesmo no trecho ancorado. independente de deformações do terreno e da estrutura aos quais estão ligados.2.2.3. portanto não é protendido. ativos são aqueles que estão permanentemente sob carga. os permanentes. Para que o aço receba um envolvimento completo de calda no trecho ancorado são empregados espaçadores plásticos. ou o grampo (soil-nailing) que são instalados sem pretensão (YASSUDA & DIAS.bUma variação dos tirantes passivos é os chumbadores. .

usado freqüentemente no final da década de 60 início dos anos 70. Comercialmente encontramos fios com diâmetro de 8 mm e 9 mm. 160RN e 160RB (RN=relaxação normal e RB=relaxação baixa). aço 150RN. com tensões de escoamento de 500 MPa ou 600 MPa e com diâmetros de 3/4” e 1. • Tirante de múltiplas barras: tirante com mais de uma barra compondo a parte resistente.1/4”. o que atinge uma carga de 419 kN por tirante de trabalho permanente.7 e 15.3. como a fixação de porca junto a cabeça. instalando-o em furos suficientemente largos. normalizadas na NBR-7483 e na EB-781/90.3 Quanto a Constituição Segue a descrição segundo Joppert Junior (2007): • Tirante monobarra: barra única como elemento principal do tirante. a diferença está no bloco de ancoragem.59 2. 12. sua concepção é praticamente igual à de múltiplos fios ou cordoalhas. com barras de CA-50A ou CA-60A. ou 115 mm=diâmetro externo de um revestimento para solo). nas quais os elementos devem ter uma área mínima de 50 mm2. A quantidade limite de fios é da ordem de 12.2. e podem . 150RB. pois o tirante de barras requer um bloco auxiliar com um sistemas de roscas e porcas que permitem a pretensão e a posterior incorporação do tirante. De pouca utilização no Brasil. • Tirantes de fios: são normalizados pela NBR-5629/77. • Tirantes de Cordoalhas: tem o elemento resistente a tração formada por cordoalhas de aço. mas somente as de diâmetros 11.2 mm tem seção maior que 50 mm2. Comercialmente existem vários tipos de cordoalhas. com mossas em forma de filetes protuberantes.6. A carga de trabalho do tirante é proporcional a quantidade de fios que coloca-se montando de forma adequada. correspondente a uma barra de 8 mm. Com o passar dos anos surgiram no mercado barras de aço especial. com tensão de escoamento na ordem de 850 MPa e diâmetros de 19 a 32 mm. que funcionam como rosca e permitem tanto a emenda de luvas especiais. Na prática o diâmetro utilizado para tirantes de fios são executados em furos de diâmetros próximos a “H” (93 mm=diâmetro externo de uma coroa para rocha.

3. Em solos de compacidade e consistência medianas não é necessário mais que os . O primeiro faz-se apenas um preenchimento do furo no terreno.0 m. • Tirantes de materiais sintéticos: fabricados com novos materiais como fibras de vidro. Nos tirantes injetáveis de estágios múltiplos. bastando que o tubo seja mantido limpo. fibras de poliéster. 2. Constituído por um tubo de PVC. como as rochas ou utilizado para tirantes de barra que não sejam solicitados por cargas elevadas.2. estágio conhecido como injeção de bainha. • Injeção em estágios múltiplos: Tirantes que dispõem de um sistema auxiliar de injeção. No Brasil ela está centrada sobre a cordoalha 12.5 m e 2. são resistentes à corrosão e com elevada resistência à tração. fechando automaticamente quando a pressão cessa. cada válvula “manchete” é injetada individualmente. após a pega da bainha (cerca de 10 horas).60 ser encontradas nas categorias 175RN. com diâmetro usual entre 32 a 40 mm.6. A válvula é uma borracha flexível que recobre alguns pequenos furos abertos no tubo. com aço CP 190RB. A válvula pode ser reinjetada a qualquer tempo. 175RB. até atingir a pressão desejada ou o volume de calda máximo.4 Quanto ao Sistema de Injeção De acordo com Yassuda & Dias (1998) o sistema de injeção pode ser: • Injeção em estágio único: faz-se por ocasião do término da perfuração e instalação do tirante. É aplicada uma calda com pressão pela parte interna do tubo. 190RN. Caso a pressão não seja atingida. com válvula “manchete” a cada 0. com a injeção de calda a baixa pressão com o objetivo de expulsar a água acumulada no interior da perfuração.7 mm de diâmetro. Procedimento nos casos que o bulbo situa-se em material de boa capacidade de suporte. fibras de carbono. os estágios são repetidos com intervalos de tempo de 10 horas. 190RB. fazendo com que a válvula se abra (a borracha se levanta e deixa a calda passar). no segundo estágio. a injeção é sempre feita em pelo menos em dois estágios bem distintos.

2.6. Problemas relacionados com execução de furos e a introdução da calda de cimento tornam inconvenientes inclinações menores que 10º com a horizontal.6. 2. Pinelo (1980) utilizou o método dos elementos finitos para estudar a interação entre bulbos e recomendou utilizar espaçamentos indicados na Figura 39 para eliminar este efeito.5 Espaçamento de Ancoragem Segundo Ortigão (2000).2. . Há certos casos que a inclinação chega a ser maior. o espaçamento entre ancoragens deve ser tal que elimine a interação entre os bulbos ancorados e também em função do dimensionamento estrutural da parede de concreto armado.4 Aspecto Geométrico Quanto a Inclinação De acordo com Fernandes (1990).61 estágios primários e secundários. em relação aos tirantes. Figura 38 – Tirante auto-injetável Fonte: Incotep. na qual é a componente eficaz de ancoragem a tração. o ideal seria que fossem na horizontal. em torno de 20º a 45º devido à presença de obras nas vizinhanças da cortina que condicionam a inclinação da ancoragem. 2008 2. No Brasil a inclinação máxima para execução de tirantes é α = 30º.

e com espaçamento de 3 m.6. podemos usar o tirante aplicando-lhe uma carga ativa e todos podem ser testados individualmente (ensaios de recebimento).2. 2007). 2007). representando uma garantia .62 >5m H > 6 D (> 1 m) min 0. e conseqüentemente elevação de sua carga. apresenta uma limitação na carga imposta pela espessura da estrutura. Outra vantagem é a simplicidade construtiva. Esta vantagem da carga elevada é comprovada nas provas de cargas de alta capacidade dos tirantes. com uma tendência em aumentar o espaçamento entre tirantes. Na década de 60. ou seja. além de que ele é autoportante. inclusive com a elevação da espessura e resistência das estruturas de suporte.15 H D = diâmetro do bulbo Figura 39 – Recomendações para espaçamento de ancoragem Fonte: Pinelo. usado para suporte de escoramento. 1980 2. Quanto ao funcionamento. ou seja. um teste de 100% dos elementos construídos. Com o passar do tempo a tecnologia vem aprimorando estes itens. em placas de concreto armado de até 20 cm de espessura. é sempre possível se construir tirantes de tal forma que a estrutura atirantada não requeira detalhes complexos de fundação (JOPPERT JUNIOR.(JOPPERT JUNIOR.6 Vantagens e Desvantagens no Uso de Tirantes O grande mérito do tirante é obter elevadas cargas com peças de pequeno porte. era comum utilizar tirantes em contenções com cargas em torno de 200 kN.

Por outro lado a sua utilização dá-se na grande maioria a suporte de paredes de arrimo (cortina atirantada). tratando-se de um serviço especializado. fica claro que o tirante avançará e penetrará no terreno vizinho. podem causar deformações acumulativas. ocasionando riscos do desenvolvimento de atrito no trecho livre cujos valores podem superar os admitidos por norma. o que deve ser avaliado sob o aspecto custo-benefício (YASSUDA & DIAS. construído muito próximos à horizontal sua ancoragem é feita por trás da parede.63 de qualidade a respeito das cargas (JOPPERT JUNIOR. Considerando que o comprimento livre deve ser superior a 3 m e que os bulbos usualmente têm 5m ou mais. no trecho da ancoragem. em grande parte dos casos. 2007). ocorre o risco da corrosão. Tirantes muito longos tendem a apresentar algum desvio. 2006 . 2007). Nos casos de atirantamento com múltiplas linhas de tirantes.5 MPa. Figura 40 – Cabeças metálicas em processo de corrosão Fonte: Solotrat.1. necessita-se equipe. levantando o terreno prejudicando obras existentes (JOPPERT JUNIOR. técnica e controle especial. equipamentos. o que pode ocasionar elevadas deformações ao solo. 1998). e por ser constituídos de aço. Finalizando o aspecto técnico-econômico. Outro aspecto é que os tirantes são injetados sob pressões superiores a 1 .

556611º e latitude S -27. de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento. Figura 41 – Mapa de Santa Catarina e Florianópolis Fonte: bevilaqua.64 3 METODOLOGIA Este estudo caracterizou-se como uma pesquisa descritiva do tipo estudo de caso. que segundo Thomas e Nelson (2007). é o tipo de pesquisa que envolve estudo profundo de um ou poucos objetos.1 Localização da Área de Estudo O talude objeto de estudo está localizado no bairro Centro. 2008 .589639o. nas coordenadas geográficas: longitudinal W -48. município de Florianópolis . 3.SC.

000.2 Caracterização Geológica A caracterização geológica do município de Florianópolis foi desenvolvida com base na coluna estratigráfica adotada na elaboração do mapa geológico desenvolvido por Caruso Jr. detalhe da localização da área de estudo Fonte: Google Earth. (1993) . Tabela 6 – Coluna estratigráfica da Ilha de Santa Catarina.65 Figura 42 – Foto aérea. segundo Caruso Jr. 2009 3. conforme mostra a tabela 6. na escala 1:100. (1993).

formando um conjunto de elevações grosseiramente alinhadas na direção NE. quartzo e biotita. ocupando aproximadamente 90% das ocorrências rochosas da Ilha.2. sobrepostos por coberturas sedimentares recentes.2. Esses morros servem como anteparos para acúmulo de material sedimentar. a geologia da Ilha de Santa Catarina pode ser descrita como um conjunto de rochas cristalinas. granitóides e vulcanitos associados. As rochas cristalinas (ígneas) constituem os morros. Os modelos geomorfológicos apresentados pelo Granito Ilha são de morros altos. cortados localmente por diques de diabásio de idade Juro-Cretácia. Esses afloramentos apresentam-se intensamente alterados. o que dificulta a amostragem dessas rochas. O Granito Ilha apresenta granulação média a grosseira. fortemente dissecados. . com encostas íngremes. 3. relativas aos eventos Terciários / Quaternários.66 3. junto ao mar e nos topos dos morros. onde afloram principalmente matacões de médio a grande porte. Segundo Caruzo Jr (1993). comumente retrabalhados. k-feldespato. usualmente apresentando uma alteração superficial bastante pronunciada. muitas vezes derivados dos próprios morros. Os granitóides afloram sob a forma de matacões de médio e grande porte e lajeados. Os afloramentos mais extensos ocorrem nas encostas.2 Geologia Local A área objeto de estudo está inserida na Formação Suíte Intrusiva Pedras Grandes. A cor é sempre rosa ou cinza claro. um aspecto alongado como de uma cunha. cuja rocha predominante é o Granito Ilha (Figura 43).1 Geologia Geral Segundo Santos (1997). representando o Ciclo Tectônico Brasiliano. conferindo a esta. a maior parte das rochas da Ilha de Santa Catarina são compostas por esse granitóide. Mineralogicamente é constituído por plagioglásio. ao longo de toda a ilha.

Para a análise de estabilidade do talude em estudo. 1997 3. . foi realizado o levantamento de informações disponíveis específicos sobre a geologia e geotecnia da área em estudo.3 – Procedimento da Pesquisa Em um primeiro momento pesquisou-se todas as informações necessárias à execução de estabilização de taludes em literatura especializada para a produção do referencial teórico.67 Figura 43 – Granito ilha Fonte: Santos. Após o dimensionamento dos tirantes pelo método Brasileiro de Atirantamento (1957) realizou-se a verificação do mesmo utilizando para comparação o método de Bishop Simplificado (1955). Após ter sido feito o embasamento teórico. já descritos anteriormente. De posse dos valores de força de ancoragem dos tirantes. bem como o levantamento de custos para execução. Os materiais usados nesta pesquisa foram amostras de solo coletadas em um talude do Colégio Catarinense. onde estava localizada a arquibancada do campo de futebol. reunindo dados referentes para descrição. foram aplicados dois métodos – Método Brasileiro de Atirantamento (1957) e Método de Bishop Simplificado (1955). iniciou-se a etapa de dimensionamento da cortina atirantada e detalhamento da mesma.

C e RA. 4. desde o horizonte A ao R. São solos oriundos do Granito Ilha e de maior ocorrência na Ilha de Santa Catarina. O horizonte C apresenta cores rosadas e amareladas e espessuras que chegam a 25m. O perfil típico pode apresentar toposequência.1 Geotecnia A unidade geotécnica em que encontra-se inserida área em questão é denominada PVg1. Segundo Santos (1997). O horizonte B geralmente apresenta coloração vermelho-amarelada e espessura na ordem 1 a 3m. Os ensaios são empregados para definição das propriedades mecânicas e hidráulicas dos materiais (solos e rochas). a unidade geotécnica PVg1 é uma associação de Podzólico Vermelho-Amarelo Tb + Podzólico Vermelho-Escuro. Para definição da estratigrafia são realizadas sondagens. B/C. sob a forma de veios argilizados. 4.68 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS Serão apresentados os resultados obtidos após a comparação entre os métodos Brasileiro de Atirantamento (1957) e Bishop Simplificado (1955) para dimensionamento da cortina atirantada e a análise dos dados.2 Investigações Geotécnicas A solução de um problema geotécnico depende basicamente do conhecimento do subsolo. Tais informações são necessárias em projetos de fundações. É o tipo de solo no qual a ocupação urbana tem causado os maiores problemas de estabilidade de encostas. do conhecimento teórico e da experiência do profissional. substrato granito. relevo forte ondulado e ondulado. estabilidade . passando pelo B. mostrando os planos de falha e fraturas dela remanescentes. Exibe a estrutura da rocha.

distribuídas alongo do talude em estudo (Figura 44). tendem a serem menos estáveis do que o horizonte “C”. 46 e 47). bem como a compacidade ou consistência das camadas que o constituem. entre outros. picareta. Este solo apresenta uma coloração variegada. O desmonte deste horizonte pode ser efetuado à pá. mas é menos sensível à erosão (por conter mais finos). Com base nos resultados das sondagens à percussão. A investigação geotécnica realizada no presente trabalho teve por objetivo determinar a estratigrafia do talude. Quanto aos valores do número de golpes standard penetration test (NSPT). o nível freático. Os taludes situados no horizonte “B” do Granito Ilha” como é o presente caso. Nos furos de sondagens não houve a presença de lençol freático. lâmina de trator (1ª categoria). estruturas de contenção. devido à disseminação dos óxidos de ferro liberados pela biotita. com predominância da cor vermelha. como no presente trabalho. cada furo com 17. não mais preservando as características texturais e estruturais da rocha matriz (granitóide). constatou-se que o solo predominante na constituição do talude é o solo silto-arenoso (horizonte B).69 de taludes. Com o intuito de atingir os objetivos citados. 45m (Figuras 45. foram realizadas três sondagem de simples reconhecimento (sondagem à percussão). a análise dos boletins de sondagem permite concluir que a resistência à penetração do solo aumenta com a profundidade. . dimensionamento de pavimentos. no qual a maioria dos minerais instáveis (feldspato e biotita) está totalmente alterado. 2000). conforme mostra o perfil estratigráfico no Anexo A. (SCHNAID. infra-estrutura de meio ambiente.

70 Figura 44 – Planta de localização dos furos de sondagem. 2009 . Fonte: Corona Engenharia Ltda.

2009 .71 Figura 45 – Furo de sondagem SP-01 Fonte: Corona Engenharia Ltda.

2009 .72 Figura 46 – Furo de sondagem SP-02 Fonte: Corona Engenharia Ltda.

73 Figura 47 – Furo de sondagem SP-03 Fonte: Corona Engenharia Ltda. 2009 .

A obra a ser executada no local em estudo será constituída de salas de estudos.74 4. A mesma foi realizada através do método de Bishop Simplificado (1955) e do método Brasileiro de Atirantamento (1957) desenvolvido pelo Prof. 4.3.5. foram realizadas análises de estabilidade do talude. 4. da Costa Nunes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. com superfície de ruptura plana. na qual abrigará pessoas no seu interior.A.1 Definição do Fator de Segurança (FS) A Georio (2000) estipula coeficientes de segurança de acordo com o grau de risco de perdas econômicas e de vidas humanas. J.2 Coletas das Amostras em Campo As amostras indeformadas foram retiradas de dois locais de amostragem localizadas no topo. A aplicação deste método segundo o autor é valida para taludes constituídos por solos homogêneos. como mostra a Figura 48 e o anexo A.3 Análise de Estabilidade Para implantação das obras de ampliação da Instituição. e no nível intermediário do talude. . sem sobrecargas concentradas e de geometria simples. laboratórios e biblioteca. A.3. Em virtude deste fato adotou-se um fator de segurança admissível (FSadm) ≥ 1. na empresa Tecnosolo S.

75 Figura 48 – Planta de localização das amostras Fonte: Corona Engenharia Ltda. 2009 .

2 16.68 29.3 Determinação dos parâmetros geotécnicos do solo A determinação dos parâmetros de resistência ao cisalhamento das amostras de solo coletadas foi realizada no Laboratório Mecânica dos Solos da Universidade Federal de Santa Catarina. A Tabela 7 apresenta os valores médios dos parâmetros geotécnicos adotados nas análises de estabilidade do talude em estudo.3.84 8.36 6.3 Média das amostras 16.70 18.76 4.1 Fonte: Autor 4.80 31.81 19.02 16.74 30.4 Sobrecargas Atuantes A sobrecarga considerada no dimensionamento do talude é de 20 kN/m2.10 7. ângulo de atrito e peso específico das referidas amostras.01 Peso Específico Natural (kN/m ) Peso Específico Saturado (kN/m 3 ) Coesão (kN/m ) Angulo de atrito (°) 2 3 Amostra . Os laudos (Figuras 49 e 50) apresentam os valores de coesão.3. . Tabela 7 – Resultados das amostras Amostra .93 19. referente as edificações existentes no local da obra.

77 Figura 49 – Laudo de análise de cisalhamento direto amostra AM-01 Fonte: UFSC. 2009 .

78 Figura 50 – Laudo de análise de cisalhamento direto amostra AM-02 Fonte: UFSC. 2009 .

apresentam FSmin inferior ao FSadm para o presente trabalho (FSadm ≥ 1. do grupo RocScience.5). . 04 e 05. Foram selecionadas para análise de estabilidade global.3.257 1. 04 e 05. devido à geometria do talude (Figura 48). sendo que as seções 03. 02.5 1.5 1. as seções críticas 01. As Figuras 51 a 55 apresentam as superfícies de ruptura críticas e os coeficientes de segurança das seções determinadas pelo método de Bishop Simplificado (1955). A Tabela 8 apresenta os fatores de segurança mínimos (FSmin) obtidos na análise de estabilidade.5 1. Na determinação dos fatores de segurança das seções analisadas.578 1.356 1.5 Fonte: Autor A análise dos resultados da Tabela 8 permite concluir que o talude encontra-se estável.522 1. utilizou-se o programa computacional Slide. Tabela 8 – Fatores de segurança das seções analisadas SEÇÔES Seção 01 Seção 02 Seção 03 Seção 04 Seção 05 FS Mínimo (FSmin) Bishop Simplificado 1.79 4.406 FS Admissível (Fsadm) 1. 03.5 Análise de Estabilidade Global Para análise de estabilidade global do talude em estudo. foi utilizado o método de Bishop Simplificado (1955) baseado no princípio de equilíbrio limite.5 1. cedido pela empresa GN Consult.

2009 .0.80 Nas seções 01 a 03 e 05 (Figuras 51 a 54). 2009 Figura 52 – Seção 02 do talude natural Fonte: Slide 5. Figura 51 – Seção 01 do talude natural Fonte: Slide 5.0.1:1). podemos observar que a superfície de ruptura crítica obtida na análise de estabilidade ocorre na parte superior do talude onde a inclinação é mais acentuada (V:H.

0.0. 2009 .81 Figura 53 – Seção 03 do talude natural Fonte: Slide 5. 2009 Figura 54 – Seção 05 do talude natural Fonte: Slide 5.

Devido à geometria do corte e a presença de edificações no topo do talude. .8.0. como demonstra a Figura 56.1:0. para verificar se o mesmo permaneceria estável após o corte. 2009 4.82 Na seção 05 (Figura 55). onde a inclinação é V:H. realizou-se uma análise de estabilidade através do método Brasileiro de Atirantamento (1957).4 Definição da Seção de Projeto Com o intuito de obter um melhor aproveitamento da área optou-se pelo corte vertical do talude. Figura 55 – Seção 04 do talude natural Fonte: Slide 5. observa-se que a superfície de ruptura crítica ocorre ao longo do perfil.

h0 = 1. através da fórmula da altura equivalente de solo (h0).peso específico aparente do material constituinte do maciço h = 10 m q γ .19 m Figura 57 – Definição do Ht Fonte: Autor h0 = h0 = 20 = 1.81 Onde: h0 – altura equivalente de solo q – valor da carga distribuída na parte superior do talude γ .19 m 16.83 20 kN/m 2 +20 m 10 m +10 m 90 0 Figura 56 – Seção do talude de projeto Fonte: Autor A partir da seção de projeto definimos o valor da altura total do talude (Ht).19 m Ht = 11.

74 . a altura total do talude (Ht).84 Logo.19 + 10. O ângulo do plano de deslizamento mais provável calcula-se através da seguinte equação: = = = i+φ 2 90 + 30. cos φ P .19 m Onde: h – altura inicial do talude Ht – altura total do talude Através do método Brasileiro de Atirantamento (1957). cos (30.286 Onde: c – coesão do material constituinte do maciço φ .φ) CR 7.ângulo de atrito do material constituinte do maciço O coeficiente de segurança mínimo (FSmin) será dado pela equação a seguir: FSmin = FSmin = c . h0 + h = Ht 1.ângulo de atrito do material constituinte do maciço l – comprimento da linha de maior declive do plano crítico de deslizamento P – peso da cunha mais provável de deslizamento de dimensão transversal unitária .91 .2 2 60. Figura 7(a) localizou-se as forças aplicadas.2) FSmin = 0. l . sen ( .00 = 11.1 CR CR CR Onde: θCR – ângulo formado pela horizontal com plano crítico de deslizamento (plano de menor coeficiente de segurança ao deslizamento) i – inclinação do talude com a horizontal φ . 12.

Logo. conclui-se que para atingir o coeficiente de segurança exigido para obra e garantir a estabilização do talude. Logo necessitando de uma movimentação inicial do talude para passar do estado passivo para o ativo.de gravidades. será necessário conter o talude através de uma contenção. As contenções mais indicadas para solucionar o problema ficaram entre cortina atirantada e solo grampeado. enquanto o solo grampeado possui os chumbadores com intervenção inicial de trabalho passiva. eliminou-se vários tipos de contenção. Por este motivo foi adotado como sistema de contenção a cortina atirantada.85 Com base no FSmin obtido (0.286). de flexão. não necessita de movimentação para começarem atuar efetivamente. Segundo Abramento (1998) os dois métodos apresentam diferenças marcantes.5 Definição do Tipo de Contenção Devido à altura do talude (10 m) e o aproveitamento máximo da área. 4. como: muros de arrimo. 1998 . Fato este que poderá gerar danos nas estruturas situadas no topo do talude. gabiões e etc. Já os tirantes da cortina começam a trabalhar ativamente. Figura 58 – Diferença entre os mecanismos de transferência de carga do solo Fonte: Abramento.

1 55. A fim de confirmarmos que o ângulo crítico é de 60..295 FSmin CR 70.86 4. FS 0.6 Dimensionamento Geotécnico dos Tirantes pelo Método Brasileiro de Atirantamento (1957) Conforme o processo brasileiro de estabilidade de ruptura externa. desenvolvido pela Tecnosolo S.1 60. a Figura 59 expressa o gráfico de FSmin e a Tabela 9 os valores de FSmin calculados. a força de ancoragem (F) necessária pode ser calculada através do “método dos taludes supostos planos com forma geométrica simples e sem sobrecargas concentradas”.1 65.A.325 0.1 Figura 59 – Gráfico de determinação do ângulo crítico em função do FSmin Fonte: Autor .1 50.1o. com seus respectivos ângulos.

87

Tabela 9 – Valores de θ e seus respectivos FSmin

Comprimento da linha plano de deslizamento 70,1 65,1 60,1 55,1 50,1 11,90 12,34 12,91 13,64 14,58

Peso da cunha de deslizamento 380,91 488,49 605,16 734,26 879,83

FSmin 0,325 0,295 0,286 0,295 0,325

Fonte: Autor

Mediante ao valor do ângulo crítico, o coeficiente de segurança do perfil de projeto do talude resultou um valor inferior ao FSadm ≥ 1,5. O coeficiente de segurança pode ser estimado, impondo um plano de deslizamento menos inclinado em relação à horizontal, por meio de tirantes ancorados no solo. Ancorando os tirantes no plano P’, teremos um coeficiente de segurança superior ao mínimo, expresso pela equação abaixo:

FS

p

=

2 . c . sen i . cos φ γ.H sen (i ’) . sen ( ’ - φ) . sen (90) . cos (30,2) 2 . 7,74

FS

p p

=

16,81 . 11,19 sen (90 - 33,4) . sen (33,4 - 30,2)

FS

= 1,526

Onde: θ’ – ângulo formado pela horizontal com plano de ancoragem (estimado). FSp - coeficiente de segurança estimado em relação ao ângulo θ’, ≥ a 1,5. O comprimento dos tirantes foi definido pelo plano de ancoragem (p’) e pelo comprimento de ancoragem na zona estável. A força de ancoragem (F) necessária é dada pela seguinte expressão:

88

λ= λ= λ=
Onde:

FS

p mín

FS

F = F =

sen ( - φ) λ - 1 . Pp’ . CR λ cos (β - φ) 5,336 - 1 . 1595,11 . sen (60,1 - 30,2) 5,336 cos (70,1 - 30,2)

1,526 0,286 5,336

F = 842,58 kN

λ - é relação entre o fator de segurança obtido com as forças de pretensão e o fator de segurança mínimo relativo ao plano crítico de deslizamento β - ângulo formado pelos tirantes com plano crítico de deslizamento Pp’ – Peso da cunha obtido através do novo plano de ruptura O número de tirantes (Nt) é determinado dividindo-se a força de ancoragem multiplicada pelo espaçamento horizontal entre tirantes e pela carga de trabalho permanente dos tirantes. Para o dimensionamento foram adotados os valores dos tirantes em barras, da Dywidag, tipo st 85/105 diâmetro de 32 mm com carga de trabalho permanente de 350 kN, conforme tabela 10.

Tabela 10 – Valores de carga dos tirantes

Tipo Barra

Escoamento Fe= e⋅ Sf
2

Ruptura Fr= r⋅ Sf

Limite de Ensaio

Trabalho t. provisório t. permanente

τe/ τ r
Kgf/mm st 85/105

τ

τ

Flim=0,9.Fe Ft.prov=Flim/1,50 Ft.perm=Flim/1,75 tf tf 41 35

tf 68 84

DYWIDAG 32

62

τe - tensão de escoamento do aço τr - tensão de ruptura do aço
Fonte: Dywidag, 2009

Fe - carga de escoamento Ft.prov - carga de trabalho p/ tirante provisório Fr - carga de ruptura Ft.perm - carga de trabalho p/ tirante permanente

Nt = Nt = Nt =

F.e Ft .perm 842,58 . 2 4,82

adota-se 5 tirantes

89

Onde: F – força de ancoragem e – espaçamento entre tirantes Ft.perm - Força de trabalho permanente do tirante adotado Definido o número de tirantes, verificamos o comprimento necessário do bulbo de ancoragem, através do método proposto por Joppert Jr. (2007), o qual é dado pela seguinte expressão:
R rup = 9,2 . N spt . O . L . K

Onde: Rrup – carga de ruptura do tirante Nspt – número médio de SPT na região de implantação do bulbo de ancoragem ∅ - diâmetro do tricone em metros – Tabela 11 L – comprimento do bulbo de ancoragem do tirante em metros K - coeficiente que depende do tipo de solo (t/m2) – Tabela 12

Tabela 11 – Características do tricone

Tipo de solo Argila Silte Areia

Ø Tricone (mm) 110 a 150 130 a 150 130 a 180

Ø bits (mm) 4-5 5-6 6-8

β 90° 90° 45°

Fonte: Joppert Jr., 2007

Tabela 12 – Coeficiente K
Tipo de solo Argila / Silte Argila pouco arenosa / Siltosa Areia muito argilosa / Siltosa Areia K (t/m ) 1,00 0,60 0,40 0,30
2

Fonte: Joppert Jr., 2007

R rup = 9,2 . Nspt . O . L . K 84 = 9,2 . 7 . 0,15 . L . 1,0 L = 8,70 m

70 m 8.6.90 4. podemos verificar os comprimentos dos tirantes (trecho livre (Ll) + trecho ancorado (Lb). 20 kN/m 2 +20 m m ge ora nc 10 o 11. Figura 60 – Detalhe do tirante Fonte: Ostermayer.95 m 6.55 m 4.09 m A de 8. 1976 De acordo com Ostermayer (1976) o comprimento do trecho livre (Ll) não deverá ser inferior a 5m.1 Detalhamento dos Tirantes De posse dos cálculos.70 m 8.70 m Figura 61 – Geometria e disposição dos tirantes. Fonte: Autor .70 m +10 m 1. de modo que as tensões transmitidas ao solo através do bulbo de ancoragem não ocasionem aumento da pressão de contato sobre a cortina.38 m no Pla 8. A Figura 61 demonstra o comprimento de cada tirante localizado após o plano de ancoragem.

00 m 8. atendendo as especificações de Ostemayer (1976).91 A Figura 62 mostra a alteração do comprimento dos tirantes. Fonte: Autor 4.70 m .79 m 7.38 m 10 o 8.70 m +10 m 6.70m.50 m o lan 10.10 m P de 8.7 Verificação dos Tirantes pelo Método de Bishop Simplificado (1955) De posse dos dados geométricos e dos parâmetros específicos obtidos através do dimensionamento geotécnico dos tirantes pelo método Brasileiro de Atirantamento (1957) realizou-se verificação fator de segurança do talude em estudo com a implantação dos tirantes.70 m Figura 62 – Adequação do comprimento dos tirantes.50 m 8. 1 . Sendo que a altura inicial de aplicação dos bulbos de tensões adotada é de 2. como recomenda Pinelo (1980). não há a necessidade de adotar uma altura de 5 m para o inicio da aplicação do bulbo. cedido pela empresa GN Consult. Com o controle da aplicação da injeção a pressão da calda de cimento. através do método Bishop Simplificado (1955) com auxílio do software computacional Slide. do grupo RocScience. 2 20 kN/m +20 m em rag co An 11.70 m 2.

92 Figura 63 – Seção do talude analisada pelo método de Bishop Simplificado Fonte: Slide 5. . no entanto apresenta fatores de segurança conservadores. Fato este que irá influenciar decisivamente no custo final do sistema de contenção.0. obtido pelo método de Bishop Simplificado (1955). 2009 Com base no FSmin (2.816). verificamos que o método Brasileiro de Atirantamento (1957) é eficiente.

sendo que o fck do concreto empregado será de 20 MPa. 2005 Figura 65 – Diagrama de esforços cortantes Fonte: ftool 2. usinado.93 5 DIMENSIONAMENTO DO PARAMENTO CORTINA ATIRANTADA Para o dimensionamento da cortina atirantada foi adotado o sistema vigas – lajes.12. 2005 Figura 66 – Diagrama dos momentos fletores Fonte: ftool 2.12. Para efeito de calculo considerou-se uma carga distribuída de 35 tonelas (tirantes). 5. 2005 .12.1 Dimensionamento da Viga dos Tirantes (30 x 50) Figura 64 – Modelo estrutural da viga Fonte: ftool 2.

30.m Md = 17.500 2000000 0. logo kz = 0.500 kgf.3198.4 0.75 cm2.8515 .m Md = 24.215.500 kgf. 5000 1.50cm2) Calculo da altura Kmd-2: Kmd-2 = 17.423 adotar 50cm (seção da viga 30 x 50 cm) Calculo da altura Kmd-1: Kmd-1 = 24.0. 1 .0.500 kgf.30.m Mk-2 = 12.7712.7712 As-1 = 0.15 16.500 2000000 0.0.500 = 0.4 Calculo da altura As-1: 24.436.436 2 1.94 Viga dos Tirantes: Calculo do Md negativo da viga (-): Mk-1 = 17. logo adotar 8#16.500 kgf.436 2 1.30.0 + 1#12. logo kz = 0.30.4 = 0.0.500 2000000 0.5 (17.m Calculo da altura mínima (dmin): dmin = 24.

0 (12.048.m Md = 8.15 3. 5000 1.436 2 1 .0.436. 5000 1.436.30.076.950 As+2 = 0.84 cm2 logo adotar 6#16.950 2000000 0.436.9697.75cm2) Calculo da altura Kmd +2: Kmd+2 = 3.m Md = 5.4 = 0.50cm2) .500 As-2 = 0.00cm2) Calculo do Md positivo da viga (+): Mk+1 = 6.5 (3.95 Calculo da altura As-2: 17.5 (2.8515.530 kgf.14 cm2 logo adotar 2#12. 5000 1.15 2.0.m Mk+2 = 3.30. logo adotar 3#12.9537. logo kz = 0.0.436 2 1.779 kgf.4 Calculo da altura As +1: 6.0.270 kgf.270 = 0.0. logo kz = 0.47 cm2.9537 As+1 = 0.9697 Calculo da altura As +2: 3.m Calculo da altura Kmd +1: Kmd+1 = 6270 2000000 0.15 10.950 kgf.

6. fyd 0.0. d Vsd(1) = Vco1 + Vsw1 0.47. fctd .9.107 .45 = 89. 0.9. 1.47.61 cm2/m s 0. bw .5 # 8.34 kN Vsw2 = 308.5 Kn Vs1 = 220.0 Kn Calculo de Vco1: V co1 = 0.66 kn Vsw2 = 218.9.84 kN Vsw1 = 542.0 Kn Vsd1 = 387.107 . 1.66 kn Vsw1 = 452.4 542.66 Vsw 218. fyd 0.43.0 – 89.66 Vsw 452.350 kgf/cm2 Vs1 = 387.34 Asw = = = 11. 1. fctd .0 .84 Asw = = = 24.43.0 c/12. bw . 0.85 cm2/m s 0.3 . 0. 1.6.5 – 89.45 = 89.6.5 .0.3 . 0.4 Vsd1 = 220.0 c/6 a 1. .5 (ver detalhe folha EST 02/02) Projeto Estrutural ver Anexo B.d .96 Estribos: fck = 20 MPa fcd = 4.9.d .5 Kn 308.5 # 8.00 metros para cada lado do eixo (ver detalhe folha EST 02/02) Calculo de Vco2: V co2 = 0.6. d Vsd(2) = Vco2 + Vsw2 0.

00 m Laje tipo unidirecional: Figura 67 – Laje modelo 6 Fonte: Autor Figura 68 – Modelo estrutural das lajes Fonte: ftool 2.12.00 x 10. 2005 . 200 Figura 69 – Diagrama de momentos fletores Fonte: ftool 2.12.2 Dimensionamento das Lajes (Cortina) – Pano de 2.97 5.

9372.0.m Md = 3822 kgf.m Calculo da altura Kmd+: Kmd+ = 3822 2000000 1.15 10.15 5.098.165 2 1.175.72 cm2.4 = 0.9372 Calculo da altura As +: 3822 As+ = 0.0.= 6790 2000000 1.m Calculo da altura Kmd -: Kmd.0.0.165 2 1.730 kgf.8835 Calculo da altura As -: 6790 As.0.98 Calculo do Md positivo da laje (+): Mk+ = 2.4 = 0. 5000 1. logo adotar # 12.8835. 5000 1. logo adotar # 10. logo kz = 0.436.5 c/11 .m Md = 6790 kgf.436. logo kz = 0.0.= 0.68 cm2.0 c/14 Calculo do Md negativo da laje (-): Mk.= 4850 kgf.

000 20. DE MAT.99 Estribos armadura mínima considerada # 6.Florianópolis CÓDIGO I TERRAPLENAGEM DISCRIMINAÇÃO UNID QUANTIDADE TABELA 07/2005 TABELA 01/2009 TRANSP TOTAL TOTAL 50001 4.750 DESMATAMENTO E LIMPEZA DO TERRENO . DOBR.742.65 6.73 Fonte: Autor .00 37.3 c/20 e armadura de pele interna da cortina # 6.565.109.69 1. – Projeto Estrutural ver Anexo B.194 319 220 220 300 48. CARGA E TRANSP.62 138.920.83 27.45 37.CONDICAO 2 ESC.800 1.72 32.60 SUBTOTAL DRENAGEM TOTAL Mobilização e Desmobilização ( 2.52 196.92 710.196. AÇO ST 80/105 D=32MM PERFURAÇÃO EM SOLO NX ESCORAMENTO E ANDAIMES M2 KG M3 M M M3 1.65 227.164.267.04 30.99 165.20 8.173.45 145.58 147.20 33.60 158.56 90.36 60.13 724. 1A CAT 9000<DMT<=10000 M M2 M3 39.872.73.79 79.40 25.000 4.001.79 0.65 73.23 SUBTOTAL TERRAPLENAGEM II 90210 90230 90050 CORTINA DE CONCRETO FORMAS DE MADEIRA ARMADURA DE ACO CA-50/CA-60 .06 449.45 SUBTOTAL CORTINA DE CONCRETO III 55150 DRENAGEM ESCAVACAO DE VALETAS DE PROTECAO PERFURAÇÃO PARA DRENO SUB-HORIZONTAL EM SOLO M3 M 50 220 30.3 Estimativa de Custos Com base no tipo de paramento utilizado para estabilização da área.3 c/25.61 294. E COLOCACAO CONCRETO FCK 20 MPA .00 ) % TOTAL GERAL 14.27 37.PREPARO LANCAMENTO E CURA TIRANTES PASSIVOS P/ CORT. 5.920.20 8.03 60.27 171.873.36 60.42 43.FORNEC.466.214.179.46 1.36 2.68 30. CLAS. estima-se um custo no total de R$ 724.56 90.27 171.18 364.15 116.800. Tabela 13 – Tabela de custos estimados Instituição de Ensino Local: Centro .706.18 364.52 196.

Fato este que irá influenciar decisivamente no custo final do sistema de contenção.100 6 CONCLUSÃO A avaliação dos resultados permitiu concluir que para viabilizar a ampliação da instituição de ensino na área do talude situado próximo ao campo de futebol. dentre os tipos analisados.526) quando comparado com FSmin (2. Logo. o único que não provocaria deslocamentos horizontais danosos as estruturas situadas no topo talude seria a cortina atirantada.816) obtido pelo método de Bishop Simplificado (1955). Por tanto. . Uma vez que. Uma das desvantagens da utilização da técnica de cortina atirantada na estabilização de taludes é o custo elevado para sua implantação. A análise comparativa entre os diversos tipos de contenção que poderiam ser adotadas na estabilização do talude de corte deixou claro que.5) adotado para obra. o corte vertical deixará o mesmo com um FSmin = 0. não se recomenda a utilização do método Brasileiro de Atirantamento (1957) a nível de dimensionamento de projeto executivo e sim a nível de anteprojeto. valor este inferior ao FSadm (≥1. No entanto apresenta um FSmin conservador (1. Por tanto os métodos utilizados no seu dimensionamento não podem apresentar fatores de segurança conservadores. A análise comparativa entre o método de Bishop Simplificado (1955) e o método Brasileiro de Atirantamento (1957). optou-se pela mesma. Sugestões para trabalhos futuros: análise comparativa do talude em estudo entre solo grampeado e cortina atirantada. será necessário conter o talude. fato este que irá destacar mais ainda esta desvantagem. quando utilizados no dimensionamento do sistema de atirantamento do talude objeto de estudo.286. permite concluir que o método Brasileiro de Atirantamento (1957) é eficiente.

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105 ANEXOS .

106 ANEXO A – Perfil Estratigráfico Longitudinal .

107 .

108 ANEXO B – Projeto Estrutural .

109 .

110 .

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