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AUMENTO DA ATIVIDADE DA GLUTATIONA PEROXIDASE EM RATOS INFECTADOS COM TRYPANOSOMA EVANSI.

INCREASE GLUTATHIONE PEROXIDASE ACTIVITY IN INFECTED RATS WITH TRYPANOSOMA EVANSI.

ANSCHAU, Valesca 1 ; TIZATTO, Mayara Vieira 2 ; FLORIANI, Maiara Anschau 3 ; PERIN, Ana Paula 4 ; MILETTI, Luiz Cláudio 5 .

Resumo O objetivo desse estudo foi avaliar a capacidade antioxidante da glutationa peroxidase (GPx) de ratos infectados experimentalmente com Trypanosoma evansi utilizando métodos parasitológicos estabelecidos e bioquímicos. Os resultados indicaram que a infecção no grupo infectado (INF), resultou em uma parasitemia fulminante. A atividade da GPx no sangue de ratos infectados foram significativamente maiores (P<0.001, respectivamente) comparado com o grupo controle (CONT). Resultados obtidos indicaram que a tripanossomíase causa estresse oxidativo e indução da atividade da GPx. Palavras-chave: T. evansi; glutationa peroxidase; estresse oxidativo.

Trypanosoma evansi que é um protozoário hemoflagelado da família Trypanosomatidae, cujo principal hospedeiro varia de acordo com a região geográfica, sendo comumente cavalos, camelos, burros, bovinos, zebuínos, caprinos, suínos, cães, búfalos, elefantes, capivaras, pequenos roedores silvestres e até o homem (JOSHI, 2005; OMER, 2007). Os tripanosomas são parasitas que se reproduzem por fissão binária longitudinal quando estão no sangue de seu hospedeiro (BRUN, 1998). A forma aguda da doença conhecida popularmente como “Mal das cadeiras” é o desenvolvimento da anemia seguida por febre alta, anorexia, e em alguns casos, morte (OMER, 2007). A eritrofagocitose ocorre devido à ação traumática direta dos protozoários sobre as hemácias, aumentam a fragilidade celular, mas o mecanismo exato da anemia provocada por T. evansi ainda não é totalmente conhecido (SALEH, 2009). Durante a infecção há elevação na produção das Espécies Reativas de Oxigênio (EROs), desencadeando um processo chamado de peroxidação lipídica que é um dos indicadores de danos oxidativos em eritrócitos em ratos infectados com T. evansi (WOLKMER, 2009). Um alvo importante das EROs, são as membranas fosfolipídicas que causam reações de oxidação em cadeia, aumentando a permeabilidade a íons, promovendo inativação de receptores de membrana e a produção de metábólitos tóxicos (MACNEE, 2001). O processo de peroxidação lipídica está ligado a uma série de processos patológicos envolvendo EROs, como inflamação (MIDDLETON, et al., 2000). Para evitar a formação e reparar os danos oxidativos em tecidos e macromoléculas, todos os organismos de metabolismo aeróbico possuem um complexo de defesas antioxidantes que atuam para a eliminação de peróxidos. Esse mecanismo é governado por uma das principais enzimas antioxidantes chamada glutationa peroxidase (GPx). A GPx está distribuída em diferentes regiões celulares, e varia

1: Autora: Valesca Anschau (estudante de mestrado) Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). End residencial: Rua São Pedro nº 147, Bairro: Vila Rica – Herval d’ Oeste (SC), CEP: 89610-000. E-mail para contato: valesca_jba@yahoo.com.br. 2: Mayara Vieira Tizzatto (estudante graduação) – UDESC 3: Maiara Anschau Floriani (estudante graduação) – Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC) 4: Ana Paula Perin (estudante graduação) – UDESC 5: Dr. Luiz Cláudio Miletti (professor responsável) – UDESC.

sua expressão em diferentes tecidos (MATÉS, et al., 1999). A GPx também catalisa a redução de hidroperóxidos, gerando o dissulfeto da glutationa ou glutationa oxidada (GSSG), estando relacionado contra a atividade peroxidásica contra o peróxido de hidrogênio e peróxidos orgânicos (HALLIWELL & GUTTERIDGE, 2007). A infecção por um tripanossomatídeo provoca elevação do estresse oxidativo, o que contribui para o dano celular. Foram utilizados 40 ratos Wistar machos de aproximadamente 220 ± 10g, os ratos foram separados aleatoriamente em 02 grupos de 20 animais/grupo, assim denominados:

Grupo CONT- ratos não infectados com o parasita - grupo controle; Grupo INF - ratos infectados com o parasita na concentração de 10 4 tripomastigotas. Aproximadamente 8 mililitros foram coletados de cada animal de todos os grupos. Amostras de sangue foram centrifugadas por 1000 g por 15 min à 4 ºC. O pellet contendo as células vermelhas foram lavadas 3x com tampão fosfato salino (pH 7,4). A atividade da GPx nos eritrócitos foi determinada usando peróxido de terc-butil como substrato através do método de Paglia e Valentine (1967). Os dados são expressos como média ± e.p.m, e submetidos à análise de variância seguida de pós teste de t, com nível de significância para P < 0,001. Nossos resultados mostraram um aumento progressivo da parasitemia no grupo infectado (INF) dois dias pós-infecção. Os animais foram mantidos até 15 dias pós-infecção, quando o experimento foi encerrado. A Fig. 1 mostra um aumento significativo na atividade da GPx (Fig. 1) nos eritrócitos do grupo infectado (1367±154.2 um/gHb) comparado ao grupo controle (244.90±41.64 um/gHb). T. evansi causou uma infecção aguda em ratos. A detecção de parasitemia em ratos (entre 48h) ocorreu mais cedo do que relatado anteriormente em ratos infectados anteriormente (OMER, 2007), provavelmente devido a alta patogenecidade da espécie. Durante a infecção com T. evansi, eritrócitos produziram espécies reativas de oxigênio (EROs) e peróxido de hidrogênio (H 2 O 2 ), o que poderia explicar o aumento da atividade da GPx. Finalmente podemos concluir que a infecção causada pelo T. evansi em ratos está associado ao elevado estresse oxidativo, podendo ser uma das causas da anemia em tripanossomíase aguda.

REFERÊNCIAS

BRUN R. et al. Trypansosoma evansi and T. equiperdum: distribution, biology, treatment and phylogenetic relationship (a review). Veterinary Parasitology, v.79, p.95-107, 1998. HALLIWELL, B.; GUTTERIDGE, J. Free Radicals in Biology and Medicine. Nova York:

Oxford University Press, v.1, 2007. 851p. JOSHI, P. P. et al. Human trypanosomosis caused by Trypanosoma evansi in India: The first case report. American Journal of Tropical Medicine and Hygiene. v. 73, n. 3, p. 491-495,

2005.

OMER, O.H.; MOUSA, H. M.; AL-WABEL, N. Study on the antioxidant status of rats experimentally infected with Trypanosoma evansi. Veterinary Parasitology. n. 145, p. 142- 145, 2007. MACNEE, W. Oxidative stress and lug inflammation in airways disease. Eur. J. Pharmacol. n. 429, p. 195-207, 2001. MATÉS, J. M.; PERES-GOMES, C.; NUNES DE CASTRO, I. Antioxidant enzymes and human diseases. Clin. Biochem. n. 32, p. 595-603, 1999. PAGLIA, D. E.; VALENTINE, W. N. Studies on the quantitative and qualitative

characterization of erythrocyte glutathione peroxidase. J. Lab. Clin. Med. n.70, p.158–169,

1967.

SALEH, Mostafa A.; AL- SALAHY, M. Bassam; SANOUSI, Samera A. Oxidative stress in blood of camels (Camelus dromedaries) naturally infected with Trypanosoma evansi. Veterinary Parasitology. n. 162, p. 192-199, 2009. WOLKMER, Patrícia, et. al. Lipid peroxidation associated with anemia in rats experimentally infected with Trypanosoma evansi. Veterinary Parasitology. p.01-06, 2009.

Atividade GPx

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2000 1500 1000 500 0 CONT INF mU/g Hb
2000
1500
1000
500
0
CONT
INF
mU/g Hb

Fig 1: Atividade da glutationa peroxidase (GPx) eritrocitária do grupo controle (CONT) e grupo infectado (INF) com T.evansi. (n= 20 ratos). * P<0.001 quando comparado ao grupo controle.