Filósofo nascido na Alemanha, Friedrich Sc

Filósofo e ideólogo alemão nascido em Stuttgart, Württemberg, um dos mais influentes da filosofia alemã e considerado o último dos grandes criadores de sistemas filosóficos dos tempos modernos, o pensamento Hegeliano, cuja obra serviu de base para a maior parte das tendências filosóficas e ideológicas posteriores, como o marxismo, o existencialismo e a fenomenologia. Filho de um funcionário público entrou para a Universidade de Tübingen (1788), onde se dedicou ao estudo de teologia e de literatura e filosofia gregas e fez amizade com o poeta Friedrich Hölderlin e o filósofo Friedrich Schelling este, junto com Hegel, se tornaria uma das maiores figuras do idealismo alemão no início do século XIX. Após o curso, deu aulas como professor particular, viveu depois em Berna, na Suíça. Fixou-se em Frankfurt (1796), onde Hölderlin lhe conseguira um lugar de preceptor e, depois (1801), tornou-se livre-docente na Universidade de Jena, passando a estudar o idealismo de Johann Gottlieb Fichte e de Schelling, o que originou sua publicação Differenz des Fichte’schen und Schelling’schen Systems der Philosophie (1801) e foi nomeado professor-visitante (1805). Na Universidade deu início ao desenvolvimento dos conceitos que viria a aprofundar na Fenomenologia do espírito (1808) e sistematizar na Ciência da lógica (1812), duas monumentais obras do pensamento ocidental. Com a ocupação da cidade e o fechamento da universidade pelas tropas de Napoleão, Hegel foi para Bamberg trabalhar como editor. Mais tarde passou a ocupar a cátedra de filosofia da Universidade de Heildelberg. Fascinado pelas obras de Spinoza e Kant, Hegel é considerado por muitos o maior representante do idealismo alemão do século XIX, e teve impacto profundo no materialismo histórico de Karl Marx e em toda filosofia do século XX. Em Berlim publicou seu mais importante trabalho de filosofia política, Elementos da filosofia do direito (1821), marcando profundamente o pensamento político europeu durante todo o século XIX e XX. Assumiu a direção de um jornal, o Bamberger Zeitung, mas depois de um ano foi forçado a partir por causas das guerras napoleônicas, voltando à filosofia, como reitor do Aegidiengymnasium, em Nuremberg. Casou-se (1811) com Marie von Tucher e começou a trabalhar em sua obra Science of Logic (1812-1816). Com ela teve dois filhos, sendo que o mais velho tornou-se um excelente historiador. O sucesso desse trabalho deu-lhe um contrato como professor pela Universidade de Heidelberg (1816-1818) que deixou para substituir Fichte na

Somente através da experiência pode a identidade do pensamento e o objeto do pensamento serem alcançados. conhece a si mesmo como espírito somente por contraste com a natureza. A necessidade. direito. Na religião cristã. O espírito. tornando seus cursos uma referência em todas as partes da Europa. a natureza e a história não são mais do que instrumentos da revelação do Espírito. uma identidade na qual o pensar alcança a inteligibilidade progressiva que é seu objetivo. como Um com o próprio Espírito Absoluto. Frases O homem não é mais do que a série dos seus atos. continua sempre a ser a mesma. entidade variável. mas na filosofia o véu se rasga. A necessidade geral da arte é a necessidade racional que leva o homem a tomar consciência do mundo interior e exterior e a lazer um objeto no qual se reconheça a si próprio. e (3) através dos espíritos finitos e suas auto-expressões na história e sua auto-descoberta. Similarmente. Grandeza. história. e morreu em Berlim. depois de sua morte. Como espírito. estética e história da filosofia. Nada existe de grandioso sem paixão.Site Doutor em Geologia e bacharel em Filosofia A filosofia de Hegel é a tentativa de considerar todo o universo como um todo sistemático. Assim. artes e religião e. foram publicadas várias coletâneas de aulas sobre religião. a queda do homem era necessária se ele devia atingir a bondade moral. O sistema de Hegel é assim um monismo espiritual mas um monismo no qual a diferenciação é essencial. . Pensamento de Hegel Rubem Queiroz Cobra . (2) através da natureza. os dois tomos de Wissenschaft der logik (1812/1816). Nada de grande se realizou no mundo sem paixão. a verdade é conhecida somente porque o erro foi experimentado e a verdade triunfou. vítima de uma epidemia de cólera.Universidade de Berlim (1818). O sistema de Hegel é monista pelo fato de ter um tema único: o que faz o universo inteligível é vê-lo como o eterno processo cíclico pelo qual o Espírito Absoluto vem a conhecer a si próprio como espírito (1) através de seu próprio pensamento. Na religião a verdade está oculta na imagem. Deus foi revelado como verdade e como espírito. o homem pode receber esta revelação. e Deus é infinito apenas porque ele assumiu os limitações de finitude e triunfou sobre elas. e na filosofia. incluindo o Espírito infinito. Também escreveu sobre psicologia. O sistema é baseado na fé. de modo que o homem pode conhecer o infinito e ver todas as coisas em Deus. Encyklopädie der philosophischen Wissenschaften in Grundrisse (1817) e Grundlinien der Philosophie des Rechts (1821). onde lecionou pelo resto da vida. na religião. na arte. apesar da sua variação. Entre suas publicações citam-se Phänomenologie des Geistes (1807). mas que.

isto é. com o espírito pensando sua própria essência. Hegel acreditava que o pensamento sempre procede deste modo: começa por lançar uma tese positiva que é negada imediatamente pela sua antítese. parte e parcela do infinito mesmo. elas nascem umas das outras. e estas são ligadas juntas em um processo dialético que avança do abstrato para o concreto. é circular: ao final. como o reino da “externalidade”. O método de exposição é dialético. afirmar a noção do vir a ser. então um pensamento seguinte produz a síntese. Mas esta síntese. o nada “é”. uma vez que o que ambas vem a ser é e não é ao mesmo tempo. As categorias aparecem nela como sua estrutura essencial e é tarefa da filosofia da natureza detectar essa estrutura e sua dialética. isto é. tudo que estava oculto no ponto inicial foi revelado. Se um homem tenta pensar a noção de um ser puro (a mais abstrata categoria de todas). Assim o pensamento propriamente. passa imediatamente para a outra. é uma esfera de relações externas. Hegel está lidando com essencialidades puras. . A natureza. o pensamento alcança uma síntese que é igual ao ponto de partida. Natureza e Espírito. de modo que a racionalidade prefigurada nela tornase gradualmente explícita quando o homem aparece. como a auto-manifestação de Deus. Todo o tempo. a “Enciclopédia das Ciências Filosóficas”. ou com o espírito como objetivo para si mesmo. com as categorias ou formas puras de pensamento. ele encontra que ela é apenas o vazio. mas a natureza. que são a estrutura de toda vida física e intelectual. e aceitar uma visão nova e mais ampla que faz justiça à substância de cada uma das precedentes. por sua vez. e no entanto cada uma. No entanto. gera outra antítese. No homem a natureza alcança a autoconsciência. como processo. O processo dialético avança através de categoria de crescente complexidade e culmina com a idéia absoluta.O compêndio do sistema de Hegel. O sistema de Hegel dá conta desse processo dialético em três fases: O sistema começa dando conta do pensamento de Deus “antes da criação da natureza e do espírito finito”. Mas o caminho para sair dessa contradição é de imediato rejeitar ambas as noções separadamente e afirmá-las juntas. A noção de ser puro e a noção de nada são opostas. nada. duas pessoas que a princípio apresentam pontos de vista diametralmente opostos depois concordam em rejeitar suas visões parciais próprias. tem a negatividade como um de seus momentos constituintes. Lógica: Natureza: A natureza é o oposto do espírito. isto é. O processo. quando alguém tenta pensá-la. no entanto. e tudo na natureza está em espaço e tempo e assim é finito. As categorias estudadas na Lógica eram todas internamente relacionadas umas às outras. e o finito é. e o mesmo processo continua uma vez mais. não pode ser racional seqüencialmente. Acontece com freqüência que em uma discussão. é dividida em três partes: Lógica. Partes do espaço e momentos do tempo excluem-se uns aos outros. no entanto. Mas a natureza é criada pelo espírito e traz a marca de seu criador. exceto pelo fato de que tudo que estava implícito ali foi agora tornado explícito.

A atitude de Hegel. muito independentemente de seu caráter individual) são o sujeito dos direitos. Ele finalmente voltou ao ponto de partida do sistema. O Direito assim é um abstrato universal e portando faz justiça somente ao elemento universal na vontade humana. e espírito é pura atividade”. Assim. julgamento por um júri. através das instituições humanas e da história da humanidade como a incorporação e objetivação da vontade. nenhuma ordem política pode satisfazer os anseios da razão a menos que seja organizada de modo a evitar. no entanto. Alguns historiadores encontraram sua chave na operação das leis naturais de vários tipos. Nos trabalhos políticos e históricos de Hegel. está então aberto para ele pensar sua própria essência. não importa que motivos de obediência possam ser. com governo parlamentarista. consciente e vontade racional. na qual finalmente o homem conhece a si mesmo como espírito. O Estado que alcançasse essa síntese. A Filosofia do Direito cai em três divisões principais. O indivíduo. E assim também. apoiou-se na fé de que a história é a representação do propósito de Deus e que o homem tinha agora avançado longe bastante para descobrir o que esse propósito era: ele é a gradual realização da liberdade humana. Em muitos pontos o pensamento de Hegel serviu aos fundamentos do marxismo. e seria diferente de qualquer estado existente nos dias de Hegel. por uma parte. o espírito humano objetiva a si próprio no seu esforço para encontrar um objeto idêntico a si mesmo. no entanto. Na Filosofia da História Hegel pressupôs que a historia da humanidade é um processo através do qual a humanidade tem feito progresso espiritual e moral e avançado seu auto-conhecimento. isto é. o problema no mundo moderno é construir uma ordem política e social que satisfaça os anseios de ambos. A história tem um propósito e cabe ao filósofo descobrir qual é. não pode ser satisfeito a menos que o ato que ele faz concorde não meramente com a lei mas também com suas próprias convicções conscientes. Assim. como Um com Deus e possuído da verdade absoluta. e o que é requerido delas é meramente obediência. Seria talvez uma forma de monarquia limitada.Espírito: Aqui Hegel segue o desenvolvimento do espírito humano através do subconsciente. haveria de apoiar-se na família e na culpa. o homem como homem. a religião e filosofia. os pensamentos expostos na Lógica. e finalmente para a arte. um antinomianismo (argumentação que se desenvolve por meio de antinomias: as proposições mutuamente excludentes) que iria permitir a liberdade de convicção para qualquer indivíduo (liberalismo) e assim produzir uma licenciosidade que faria impossível a ordem política e social. A primeira trata da lei e dos direitos como tais: pessoas (isto é. e tolerância para judeus e dissidentes. a centralização que faria os homens escravos ou ignorar a consciência e. Depois. por outra parte. O primeiro passo era fazer uma transição da vida selvagem para um estado de ordem e lei é a revolução. e um deles é sua concepção de que os . mas no roteiro fez explícito tudo que estava implícito nele e descobriu que “nada senão o espírito é.

O broto desaparece na eclosão da flor e poder-se-ia dizer que aquele é refutado por esta. Mas o todo não é senão a essência que se conclui por seu desenvolvimento. do que parece se combater e se contradizer. o espírito que apreende a contradição habitualmente não sabe liberála ou conservá-la livre de sua unilateralidade. Só então é que ela é concebida e exprimida como atual. Não concebe a diferença entre os sistemas filosóficos como o desenvolvimento progressivo da verdade. numa explicação sobre tal sistema. se se quiser. momentos mutuamente necessários. Essas formas não só se distinguem.Estados têm que ser encontrados por força e violência pois não há outro caminho para fazer o homem curvar-se à Lei antes dele ter avançado mentalmente tão longe suficiente para aceitar a racionalidade da vida ordenada. Texto sobre Hegel Fonte: Mundo Filosófico Dialética Hegeliana: A Contradição é o Motor do Pensamento Para o senso comum. em-si. No entanto. o fruto declara que a flor é uma falsa existência da planta e a substitui enquanto verdade da planta. então. se lhe retirarmos a seriedade. para ele. são livres em essência. É inexato crer. e. como espíritos. Precisamente porque a forma é tão essencial à essência quanto a essência a si própria. O Absoluto Por Fim Não é Senão Aquilo Que Ele é na Realidade A vida e o reconhecimento divinos podem. criar instituições sob as quais eles serão livres de fato. não se deve apreendê-la ou exprimi-la apenas como essência. a oposição entre verdadeiro e falso é algo de fixo. ao declarar a forma como igual à essência. Há que dizer do . enquanto outros permanecerão escravos. por isso. assim. mas também como forma e em toda riqueza da forma desenvolvida. e essa igual necessidade faz a vida do conjunto. a dor. sua natureza cambiante faz delas momentos da unidade orgânica em que não só não estão em conflito mas onde tanto um quanto outro é necessário. é a serena igualdade e a unidade consigo que nada têm a fazer com o ser-outro e a alienação. e reconhecer na forma. diversidade significa unicamente contradição. habitualmente ele espera que se aprove ou se rejeite em bloco um sistema filosófico existente. mas se suplantam como incompatíveis. o movimento espontâneo da forma. do mesmo modo. e sua tarefa é. a paciência e o trabalho do negativo. Alguns homens aceitarão as leis e se tornarão livres. ser definidos como um jogo de amor para consigo mesmo. No mundo moderno o homem passou a crer que todos os homens. e. ademais. A verdade é o todo. essa idéia cai no nível da edificação e mesmo da insipidez. Mas comumente não é assim que se compreende a contradição entre sistemas filosóficos. ele só admite uma ou outra dessas atitudes. isto é. que o conhecimento possa se satisfazer com o em-si ou a intuição absoluta da primeira dispensam o acabamento da primeira e o desenvolvimento da segunda. Mas esse em-si é universalidade abstrata caso negligenciemos sua natureza de ser para-si e. como substância imediata ou pura intuição de si do divino. nem com a superação dessa alienação. Essa vida.

absoluto que ele é essencialmente resultado. Essa luta prova que nada existe na consciência que não seja perecível para ela. mas o senhor. que ele não é senão por fim o que ele é em verdade. pois provou na luta que o considera como puramente negativo. enquanto consciência de si. em outras palavras. domina a coisa e se satisfaz na fruição. é relação imediata do ser para-si. objeto do apetite. mas (b) é simultaneamente mediação. só entra em contato com o aspecto . não é sua imersão no oceano da vida. sua certeza de existir para si. relaciona-se negativamente com a coisa e a ultrapassa. mas não atingiu a verdade desse reconhecimento como consciência de si independente. o senhor também o domina. ele se relaciona (a) imediatamente com os dois e (b) imediatamente com cada um por intermédio do outro. por meio de sua negação. pois são forçadas a elevar ao nível da verdade sua certeza de si. prova que ela. ele é a potência que domina esse ser externo. Em compensação. uma relação mediata em virtude da existência independente. ele o consegue. e é nisto precisamente que consiste sua natureza de ser sujeito atual ou Devir de si. com o escravo. este último. Desse modo o senhor se relaciona com a coisa por mediação do escravo. ela é sua cadeia e da qual não pode se desprender na luta. uma vez que ele domina esse ser e que esse ser domina o escravo. está além de seu puro conceito: ela é consciência para-si que é mediada consigo mesma por uma outra consciência (²). O senhor está em relação com esses dois momentos: com a coisa enquanto tal. a luta entre duas consciências de si é determinada do seguinte modo: elas se experimentam a elas próprias e entre si por meio de uma luta de morte. O indivíduo que não arriscou sua vida pode certamente ser reconhecido como pessoa. Quanto ao senhor. mas ao mesmo tempo a coisa é para ele independente e o escravo não pode. posto que possuía sua independência numa coisa externa. o que o levou a mostrar-se dependente. notadamente por uma consciência cuja natureza implica no fato de ela estar unida a um ser independente ou às coisas em geral. Só assim é que alguém se assegura de que a natureza da consciência de si não é o ser puro. a relação imediata torna-se a pura negação da coisa ou o seu gozo. não é a forma imediata de sua manifestação. O apetite não chega a isso por causa da independência da coisa. graças a essa mediação. não é senão puro ser para-si. mas essa consciência. enquanto conceito da consciência de si. aqui. portanto. Uma vez que o senhor (a). Só arriscando a própria vida é que se conquista a liberdade. Por conseguinte. O Senhor e o Escravo Buscar a morte do outro implica em arriscar a própria vida. para o senhor. um ser para-si que só o é por meio do outro. chegar a suprimi-la. ao colocar o escravo contra ela e si próprio. pois é precisamente a ela que o escravo está preso. aquilo que o apetite não conseguiu. O senhor tem. ele só faz trabalhar. cada uma deve experimentar essa certeza em si mesma e na outra. (¹) O senhor é a consciência que é por si mesma. Não podem evitar essa luta. e com a consciência cujo caráter essencial é a coisa externa.

Cada filosofia é “o espírito da época existente como espírito que se pensa”. fruindo-a puramente. a uma etapa na conquista do espírito absoluto. Entretanto. cada filosofia corresponde a um momento da história. assim como a noção geral de fruto só se explicita quando efetivamente se trata de “cerejas. “nós” em que vêm se reconciliar dialeticamente os contraditórios. Por conseguinte. As filosofias sucessivas não se refutam. nenhuma ultrapassou seu tempo” (¹). Concepção Dialética da História da Filosofia Em suas lições sobre a história da filosofia. de início. mas as novas filosofias mostram as anteriores como verdades parciais passíveis de serem integradas numa síntese mais ampla que se elabora com o tempo. a fim de se fazer reconhecer como consciência. o eterno. “a filosofia quer conhecer o imperecível. como diz Hegel. aquele que se rendeu. “ela não penetra na esfera do que passa e não tem história”. ele é. Hegel assinalava que a noção de História da Filosofia “envolve uma contradição interna”. O “senhor”. por sua coragem colocou-se acima dos objetos comuns da necessidade e da existência empírica. posto que no campo de batalha ele se mostrou corajoso. aceitou arriscar a vida. Pensamos nos versos de Valéry: Como o fruto se funde em fruição Como em delícias ele muda sua ausência Numa boca em que sua forma se extingue. o senhor domina os objetos por mediação do escravo que trabalha. seu fim é a verdade. Se a verdade é eterna. tem medo de perder a vida. (³) (¹) Este difícil texto de é característico do método hegeliano. a filosofia encontra-se toda nos sistemas dos filósofos. ela própria. Ela surge “no devido momento. Secundariamente. portanto. uma relação. isto é. substituído por outra coisa”. Na realidade. (²) Hegel quer dizer que o senhor não é senhor “em-si”. o senhor domina os objetos da necessidade. que transforma os objetos materiais em objetos de consumo e de fruição para o senhor. aquele que é vitorioso no combate. Na luta de duas consciências. A idéia geral de filosofia permanece abstrata se não se confunde com os diversos sistemas dos filósofos no decurso da história. superior à sua vida. ameixas ou uvas”.dependente da coisa. mas por meio de uma mediação. Ele inspirou amplamente as análises de nossos contemporâneos sobre as relações do eu com o outro. A . a relação do senhor com a coisa é uma relação de simples gozo que equivale à negação da coisa. Com efeito. ele é mais do que ela. Mas a história conta o que foi numa época e que desapareceu em outra. escravo da vida e de seus objetos empíricos. isto é. Torna-se tembém escravo do senhor que o conserva (servus = conservado) a fim de ler em seu olhar temeroso e submisso o reflexo de sua vitória. No ponto de partida. deixa o aspecto independente da coisa para o escravo que a trabalha. (³) Graças ao trabalho do escravo. O senhor se define por sua relação com o escravo (e por sua relação com os objetos que depende. aos objetos das necessidades. A história da filosofia oferece momentos privilegiados ou. da relação com o escravo). Por conseguinte. O vencido. Hegel examina simultaneamente a relação de dois “eu” e a relação de cada eu com sua própria vida.

por assim dizer. um sistema e. uma união em uma viva unidade do pensamento… É importante. são o modo de existência mais elevado da planta. o princípio das concepções subseqüentes é superior ou. Desse modo. para a categoria de um momento. Assim. de início. é assim que o primeiro elemento é colocado numa categoria inferior pelo seguinte. é afirmativo. portanto. é o geral e para outro o particular. todos os princípios são conservados. ele se apresenta em sua época como superior. do pensamento e da sensibilidade. num nó. supera-se-o sem que . aquilo que se desenvolve na razão progride na unidade dessa razão… Conhecer verdadeiramente um sistema é tê-lo justificado em-si. pois ambos são necessários. A posição dos precedentes é determinada pelo que se segue. a essência da história da filosofia consiste em que princípios exclusivos transformam-se em momentos. a evolução das determinações do pensamento é igualmente racional. em elementos concretos e se conservam. do que ver em alguma parte o caráter negativo. Somente sua reunião constitui a totalidade da noção e o homem. se transformam em envoltório a serviço do fruto. em seguida. do geral e do particular. Limitar-se a refutar uma filosofia é não compreendê-la. ele sim.filosofia de Platão. a determinação precedente torna-se apenas um ingrediente da nova. ela é assumida sem ser rejeitada. Nada mais fácil do que criticar. mas uma reunião das filosofias precedentes que então formam um todo vivo. conhecer os princípios dos sistemas filosóficos e em seguida reconhecer cada um deles como necessário. ignora-se o conteúdo que. Nesse sentido. mais profundo… A história de Platão não é um ecletismo. uma após outra. Não se refuta uma filosofia. por exemplo. o Uno. citaremos um excerto das lições sobre a História da Filosofia: A razão é una e essa racionalidade una. Sua união é a verdade. isto é sobretudo gosto característico dos jovens. para o segundo. a unidade. As filosofias são as formas do Uno. o homem sensível. na seguinte. compõe-se dos dois elementos. aliás. é o homem pensante. Mas ambas se manifestam. de maneira que o seguinte é uma nova determinação do precedente… O estoicismo faz do pensamento um princípio. por isso. sendo necessário. Um estudo mais avançado mostrar-nos-á como progridem seus princípios. o prazer para um. mas engana-se quando acredita os ter eliminado. Os princípios gerais surgem segundo a necessidade da noção fundamental. mas o epicurismo proclama vedadeiro o princípio diretamente oposto: o sentimento. O princípio de uma filosofia passa. ele afasta o caráter exclusivo de um e outro. antes de tudo. Se se for mais adiante. apenas sua posição é que é refutada. é a síntese do imóvel ser parmenídico com a mobilidade heracliteana. mas se só se vê a negação. Desse modo. opondo-se. As folhas. o que dá no mesmo. é o fundamento de tudo. é preciso ver a verdade que ela contém. O ceticismo é o princípio negativo que se eleva contra os dois precedentes. depois é o botão e o cálice que. o individual: para o primeiro.

O mesmo espírito fabrica as teorias filosóficas na mente dos filósofos e constrói as estradas de ferro com as mãos dos operários. num contexto materialista: “Os filósofos não brotam da terra como cogumelos. A dificuldade consiste em ver o que os sistemas filosóficos contêm de verdadeiro. só quando são justificados em si próprios é que se pode falar de seu limites. A filosofia não é exterior ao mundo”. eles são os frutos de seu tempo.se encontre no interior. (¹) Encontramos essa idéia em Marx. de seu povo. cujas forças mais sutis e mais ocultas se traduzem em idéias filosóficas. . de suas deficiências.

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