O Pedagogo Empresarial Myrian Glória Greco Rio de Janeiro, 2005.

"Nosso sistema de educação dá a faca e o queijo, mas não desperta a fome nas crianças". (Rubem Alves)

RESUMO A Pedagogia conta com o pedagogo empresarial dentro da empresa, visando sempre melhorar a qualidade de prestação de serviços. Na atualidade, a empresa tem aberto espaço para que este profissional possa, de maneira consciente e competente, solucionar problemas, formular hipóteses, e elaborar projetos, demonstrando que a sua atuação visa à melhoria dos processos instituídos na empresa, como garantia da qualidade do atendimento aos seus clientes e ao funcionário, contribuir para a instalação da cultura institucional da formação continuada dos empregados, orientar na gestão do melhoramento dos processos. De que maneira o Pedagogo poderá trabalhar seus projetos numa empresa visando sempre a sua melhoria? Esta pesquisa visa a compreender os novos rumos que a Pedagogia Empresarial tem assumido frente aos novos cenários organizacionais delimitados pela globalização. A implementação de treinamentos e desenvolvimento de projetos pressupõe uma nova base para a gestão de pessoas, desenvolvimento e capacidade de renovação da empresa e dos funcionários, a busca do conhecimento, de promover atitudes transformadoras e mobilizadoras, visando a direcionar os negócios da empresa para obtenção da excelência no atendimento às exigências do mercado e da sociedade. Para enfrentar os novos desafios impostos pelo mundo dos negócios nesta virada do milênio, as empresas precisam gerar novas capacidades organizacionais que devem ser decorrentes da redefinição e redistribuição das práticas e funções. Gerentes de linha e profissionais precisam juntos, criar essas novas capacidades, estabelecendo ligações com funcionários, fornecedores e clientes, fortalecendo a capacidade de competir, tendo, como objetivo, analisar a importância do pedagogo e que contribuições poderá acrescentar dentro da empresa. O trabalho será desenvolvido através de pesquisas em artigos, livros e publicações on-line.

ABSTRACT The Pedagogia always counts on pedagogo enterprise inside of the company, aiming at to improve the quality of rendering of services. In the present time, the company has opened space so that this professional can, in conscientious and competent way, to solve problems, to formulate hypotheses, and to elaborate projects, demonstrating that its performance aims at to the improvement of the processes instituted in the company, as guarantee of the quality of the attendance to its customers and the employee, to contribute for the installation of the institucional culture of the continued formation of the employed, to guide the gestures in the improvement of processos. Do that way the Pedagogo will be able to always work its projects in a company aiming at its improvement? This research aims at to understand the new routes that the Enterprise Pedagogia has assumed front to the new organizacionais scenes delimited by the globalization and mundialização. The implementation of training and development of projects estimates a new base for the management of people, development and capacity of renewal of the company and the employees, the search of the knowledge, to promote transforming and mobilizadoras attitudes, aiming at to direct the businesses of the company for attainment of the excellency in the attendance to the requirements of the market and the society. To face the new challenges taxes for the world of the businesses in this turn of the milênio, the companies need to generate new organizacionais capacities that must be decurrent of the redefinition and redistribution of the practical ones and functions. Controlling of line and professionals need together, to create these new capacities, being established linkings with employees, suppliers and customers, fortifying the capacity to compete, having, as objective, to analyze the importance of pedagogo and that contributions will be able to add inside of the company. The work will be developed through research in articles, books and publications on-line.

INTRODUÇÃO

1. A PEDAGOGIA

A Pedagogia é um tema muito rico, e por ser muito extenso requer muito estudo e pesquisa. Depende não só das gerações passadas, dos desbravadores deste campo, mas também das novas gerações de profissionais ousarem e produzirem trabalhos e pesquisa com qualidades científicas para dar continuidade ao trabalho já começado. Atualmente, além da Instituição Escolar, notamos grande interesse nas áreas hospitalar e empresarial, além da clínica clássica.Surgida no século XVII, pedagogia tende para um objetivo prático definido, através de meios (processos e técnicas de ensino) eficientes para alcançá-los. Komensky, considerado Pai da Pedagogia cujo sobrenome foi latinizado para Comenius, recebeu esse título pela descoberta de que o estudante merece cuidados especiais para efetivação de uma aprendizagem mais produtiva e deleitosa. Os sentidos e à experiência eram de extrema importância para Comenius. Em Janua linguarum reservata (1631; A porta das línguas reaberta), manual para o ensino de línguas, utilizou desenhos com fins didáticos. Na Didática magna, propõe um sistema educativo a ser aplicado da infância aos estudos pósuniversitários. A doutrina filosófica de Comenius, a qual ele deu o nome de pansophia, propõe a universalização do saber e a supressão dos conflitos religiosos e políticos. As inovações introduzidas por Comenius nos métodos de ensino influenciaram em grande medida as reformas educativas e as teorias de eminentes pedagogos de séculos posteriores. Constantemente Comenius era chamado a vários países europeus para pôr em prática suas teorias pedagógicas e

emancipando-se na Europa e nos Estados Unidos. se por acaso. sempre no intuito de apresentar ao aluno uma aprendizagem de acordo com a sua faixa etária. de um lado. Desde então. a didática. mais próximos de nós. No decorrer do tempo. é mais ou menos consensual entre os autores que discutem a temática da educação. auxiliados pela eclosão da Psicologia que confirmou os acertos dos mestres pioneiros. Aqueles que os gregos antigos chamavam de "pedagogo" era o escravo que levava a criança para o local da relação ensino-aprendizagem. A concepção que diz que a pedagogia é a parte normativa do conjunto de saberes que precisamos adquirir e manter se quisermos desenvolver uma boa educação. conduzia a criança até lugares específicos. Os métodos de ensino sucederam-se uns aos outros. encontramos a seguinte definição para pedagogia: Trata-se da pedagogia como o campo de conhecimentos que abriga o chamamos de "saberes da área da educação" . ao contrario. e que instrumentos didáticos devemos usar. O termo "pedagogia" designa a norma em relação à educação. os lugares próprios para o "ensino de idiomas. onde morreu em 15 de novembro de 1670. retroalimentado por novas propostas educativas iluminadas. não era exclusivamente um instrutor. a educação e a própria pedagogia. sempre direcionada à eficiência e eficácia do ensino. Ao consultar o que diz o Diretor Cientifico do CEFA. precisasse de especialistas para a instrução. Estabeleceu-se finalmente em Amsterdã. a Pedagogia. o escravo pedagogo tinha a norma para a boa educação. Ou seja. e para a "educação corporal" de outro. em destaque a do francês Jean Jacques Rousseau no século XVIII.filosóficas. o ensino transformou-se paulatinamente. de gramática e calculo". tomando por fim forma de curso. de seus seguidores e de numerosos educadores. era um condutor alguém responsável pela melhoria da conduta geral do estudante. "Que é que devemos fazer. A pedagogia está ligada às suas origens na Grécia antiga. moral e intelectual. para a . Paulo Ghiraldelli Junior.como a filosofia da educação. com seus objetivos e currículo pertinentes progredia.

de educação da criança à continua formação do adulto. paidós. criança -. No final do período imperial houve uma intensa expansão das escolas elementares. Desenvolveram também a aritmética. 1. valorizam a figura do professor e ao exigir remuneração. preparar a criança para a vida adulta. astronomia e música.nossa educação?" . o conceito de paidéia não designa unicamente a técnica própria para. com o tempo adquire nuances que a tornam intraduzível. ampliam a noção de Paidéia . muito para além dos anos escolares. retórica e dialética. Para abranger o campo total do conceito grego. teríamos de empregá-los todos de uma só vez. Conforme Werner Jaeger diz que não se podem evitar expressões modernas como civilização. Na sua abrangência. Formaram um currículo de estudos composto por gramática. A ampliação do conceito fez com que ele passasse também a designar o resultado do processo educativo que se prolonga por toda vida.1 PAIDÉIA A palavra Paidéia. Essa expansão exigia que o ensino fosse de qualidade e para . Os sofistas são os criadores da educação intelectual.esta é a pergunta que norteia toda e qualquer corrente pedagógica. sem antes traçar um panorama histórico sobre a educação no Brasil nos anos que antecederam à sua criação. de início significa apenas criação dos meninos .pais. desde cedo. literatura ou educação. 1. Cada um daqueles termos se limita a exprimir um aspecto daquele conceito global. tradição. porém nenhuma delas coincide com o que os gregos entendiam por Paidéia.2 PEDAGOGIA NO BRASIL E SUA IDENTIDADE É difícil falar sobre o curso de pedagogia no Brasil. dão destaque ao aspecto profissional dessa função. geometria. é o que deve estar na mente do pedagogo. cultura.

por ocasião da guerra. no Município da Corte (Rio de Janeiro). No entanto. Em 1901 a Ordem dos Beneditinos de São Paulo criou a Faculdade de Filosofia Ciências e Letras que tinha como anexo um Instituto de Educação. sem exigir uma formação mínima. a primeira escola normal destinada tanto a professoras quanto a professores. Em 1908 é criada a Universidade Católica . em 1880 é criada. fazia-se necessário que a formação de professores para esse nível se desse em cursos de nível médio nas ditas escolas normais.alcançar a qualidade pretendida. Por quase meio século a escola normal foi o lócus formal e obrigatório para a formação de professores que atuariam nas escolas fundamentais. sob a direção de Benjamim Constant e cujo funcionamento incluía o horário noturno. a primeira iniciativa de transferir a formação pedagógica para o nível superior foi de caráter privado. visto que as escolas destinadas a esse segmento de formação ou eram particulares ou estavam agregadas aos Liceus e. sujeitas aos interesses de seus donos ou administradores em mantê-las. Embora as escolas oficiais fossem consideradas como escolas-modelos. Leôncio de Carvalho sugeriu em 1878 que o exercício do magistério fosse facultativo a todos que se julgassem habilitados para tal. viria a se transformar nos anos 30. tendo como objetivo o aperfeiçoamento no magistério. criada em 1890 para formar professores primários. Tentando amenizar esse problema. ela é fechada. até que. a instabilidade no fluxo de escolas normais abertas e fechadas durante esse período prejudicava a formação para esse fim.tidos como gérmen dos cursos superiores de pedagogia . em Centro de Referência Nacional de Estudos Pedagógicos. . complementares e na própria escola normal. do século XX. com outra organização.impulsionados pela expansão das Escolas Normais ocorridas em todo Brasil por causa da República. por isso. Essa teria sido a primeira iniciativa do governo de transferir para as instâncias superiores a formação pedagógica.a sua Faculdade de Filosofia Ciências e Letras funcionou por seis anos tendo suas aulas ministradas por professores estrangeiros. Contudo. devido ao esvaziamento de seu quadro de professores. Somente no século XX é que se instalam nas escolas normais os cursos pós-normais . A Escola Normal do Distrito Federal (RJ).

a Faculdade de Educação Ciências e Letras da Universidade do Rio de Janeiro. Comprometendo todo o desenvolvimento do curso no Brasil. o destino de seus egressos. é criada. tanto em relação ao campo de trabalho do pedagogo. a expansão das empresas e o ingresso competitivo do Brasil na economia internacional.º 19851 e 19852. A pedagogia só passa a ser um curso superior quando. que foi reformulada em 1939 e denominada Faculdade de Filosofia Ciências e Letras (FFCL). Após várias reformulações. pelos decretos n. a Escola Normal da capital foi transformada em Instituto Pedagógico de São Paulo no qual era oferecido o curso de aperfeiçoamento e preparo de técnicos. que realmente se efetivou. inspetores. . Esse caráter híbrido permaneceu mesmo quando o instituto foi anexado à USP em 1933. O curso já foi instituído com a marca que o acompanharia em todo o seu desenvolvimento: a dificuldade em se definir a função do curso e. questiona-se sempre se o curso de pedagogia teria um conteúdo próprio e exclusivo que pudesse justificar sua existência.3 NECESSIDADE DE MUDANÇA A revolução pós-industrial e a globalização trouxeram grandes benefícios à humanidade. 1. passando a ter uma seção específica para a pedagogia. delegados de ensino. qualidade e competitividade para a sobrevivência. conseqüentemente. As inovações tecnológicas e as novas formas de organização trouxeram mudanças radicais no mundo do trabalho. Somente em 1938 quando ele é reduzido e transformado em uma seção da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras é que essa situação muda. mas com eles vieram também grandes problemas sociais. É necessário um aumento dos níveis de produtividade. quanto à organização curricular do curso. em 1931.A primeira iniciativa de uma instituição pública para o estudo superior em educação. diretores e de professores para as escolas normais. na estrutura da produção de bens e serviços e nos mecanismos de mercado: uma progressiva desregulamentação da atividade econômica. contudo esse instituto mantinha um caráter híbrido de normal e pós-normal. foi em São Paulo.

sim. em busca de condições para o desenvolvimento humano de todas os sujeitos que nascem. de trabalho. de sobrevivência. de elaboração da lei. Nesse sentido. novas culturas. ao mesmo tempo. Tornar-se humano significa tornar-se partícipe do processo civilizatório. de produzir-se novos conhecimentos. se quisermos uma nação competitiva. dos bens que historicamente foram produzidos pelos homens em sociedade e dos problemas gerados por esse mesmo processo. é processo de humanização. produto de grupos de interesses dominantes nas sociedades. a educação é.4 EDUCAÇÃO NO TRABALHO . Isso significa que. característica dos seres humanos. A educação tem por finalidade possibilitar o crescimento das pessoas como seres humanos. mas da análise crítica dos resultados desse processo civilizatório. É preciso modificar profundamente a nossa postura em relação à educação. a partir não apenas do avanço do conhecimento. a um novo paradigma de organização da economia e da sociedade: uma economia do saber. de ruptura. Estamos diante da famosa e complicada sociedade do conhecimento. 1. de participação social. e realizada por todo e qualquer cidadão. a terra ou a mão-de-obra. Nesse sentido. ou seja.Todas essas transformações estão nos levando a um novo modelo. na qual o recurso controlador não é mais o capital. novos valores. garantido-lhes o usufruto dos bens da civilização e dotando-os de uma perspectiva analítica e crítica a fim de que se coloquem como construtores de novos modos de se processar a civilização. Uma civilização que garanta as condições humanas de vida a todos. e. a capacidade e experiência dos indivíduos. A educação é inerente ao processo de . Ou seja. de construção da democracia etc. de alimentação. a educação tem uma dimensão de continuidade que se traduz na transmissão dos conhecimentos. permanência e transformação. da cultura e dos valores. mas. ao mesmo tempo. teremos que mudar nosso modo de entender e de agir em relação à educação.IMPORTÂNCIA A educação é uma prática social humana. que assegure os direitos humanos para todos. em todas as instituições sociais.

Diferente dos demais que não têm a educação como objeto específico de análise. a matemática. Nesse sentido.5 O PEDAGOGO . a biologia. Essas disciplinas quando voltadas ao campo da educação. a história e outras ciências que se voltam à educação. por se voltarem aos estudos dos fundamentos dos métodos do ensino. focando nos resultados do ensino e da educação e dos sistemas escolares. Estudá-la. a história. sintetizando os aportes das disciplinas anteriores. constituem nos cursos de pedagogia os fundamentos da educação. em geral. quando estudam as teorias e as idéias pedagógicas. 1. e propor outros modos e processos de ser realizada com vistas à construção de sociedade justa e igualitária. por exemplo. a geografia. se valendo dos aportes da ciência sociológica para estudar dimensões da práxis educativa. alguns hão de temer a pedagogia. Curiosamente não há dentre eles uma disciplina denominada pedagogia que se voltaria ao estudo do campo do pedagógico. A sociologia. Essa perspectiva. uma das atividades profissionais do pedagogo. A pedagogia é um campo de conhecimento específico da práxis educativa que ocorre na sociedade. afirmamos que a educação é uma prática social. dentre os quais o da pedagogia.humanização que ocorre na sociedade em geral. analisá-la. a psicologia. compreendê-la. Por sua vez. ciências como a física. mas há sociólogos que se voltam a ela. na sua raiz não tem a educação como objeto de estudo. O mesmo ocorre com a filosofia. é coberta pela didática e por estudos do campo curricular. Talvez por isso. têm possibilitado que o curso de pedagogia se constitua no único curso de graduação no qual se realiza a análise crítica e contextualizada da educação e do ensino enquanto práxis social. têm-se constituído também como campo da pedagogia. histórica e situada em determinados contextos. interpretá-la em sua complexidade. em geral. as letras. supõe a contribuição de vários campos disciplinares. A natureza dessas áreas de conhecimento de análise crítica dos modos de produção do humano e o desenvolvimento da pesquisa na própria formação dos pedagogos. Por isso. é que podemos afirmar que a educação é uma práxis social. mas que a ela podem se voltar.

assim como na produção e difusão do conhecimento do campo educacional (cf. na Educação Infantil e nas disciplinas pedagógicas dos cursos de formação de professores e na gestão dos processos educativos escolares e não-escolares. dizer que enquanto pedagogo ele pode também ser docente das séries iniciais (para o que ele tem que ser formado e preparado. significa garantir o único espaço adequado na universidade para a formação dos professores e pesquisadores para esse nível de escolarização (lembrando que o curso normal médio está em extinção e lembrando que onde se faz pesquisa é na universidade). definir o pedagogo como professor (e das séries iniciais) é reduzir a potencialidade de sua inserção na práxis educativa. em situação. assegura a dimensão ética dos saberes que dão suporte à sua práxis no cotidiano do seu trabalho. orientadas por docentes de várias áreas que tenham a educação e o ensino como objeto de estudo). ForumDir. da proposta de Diretrizes. através do conjunto das disciplinas e atividades que compõem o curso. Essas considerações apontam caminhos que poderão orientar a elaboração de diretrizes curriculares nacionais para os cursos de pedagogia que retirem o pedagogo do limbo profissional e identitário em que se encontra. enfrenta. o ensino é uma das manifestações da práxis educativa. 2004). item 2. essa proposta de diretrizes. que. Entendendo que o pedagogo é um profissional que domina determinados saberes. estrategicamente. e entendendo que essa formação não se reduz a . a docência é uma profissão com identidade e estatuto epistemológico próprios. e que a Pedagogia se aplica ao campo teórico-investigativo da educação e ao campo do trabalho pedagógico que se realiza na práxis social. Por outro lado. o curso de graduação em Pedagogia forma (deva formar) o Pedagogo com uma formação integrada para atuar na docência nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. transforma e dá novas configurações a estes saberes e. e que em si. além de avanços construídos pela Comissão de Especialistas . A nossa visão. ao mesmo tempo. a importância da formação dos professores das séries iniciais no curso de pedagogia. entendo que.Segundo Franco (2002). entendendo-a como uma das inserções profissionais possíveis dos pedagogos. único espaço em nível superior para se proceder sua formação com a qualidade desejada.

como aprofundamentos. Mas assumir que as áreas e demandas específicas. que supere a visão fragmentada dos espaços escolares e não-escolares. dificilmente. ainda que esse trabalho refira-se à educação. e não no curso em que atualmente se apregoa em preparar o pedagogo em três anos. mas inclui a gestão das políticas e dos espaços de ensino e aprendizagem. . o que o identifica epistemológica e profissionalmente em todo o território nacional. Mas vamos também assumir que sua formação se dá com pesquisa que confronta o real e o produzido sobre o real. Portanto. para a inserção nas mídias. que aponta possibilidades e perspectivas de transformação da realidade existente. encontra-se o profissional da educação desvinculado da escola propriamente dita. Podemos dizer que. e inserido em outras atividades do mundo do trabalho. mas em uma perspectiva extra-escolar. entre outras atividades específicas da escola. se faça fora do curso de pedagogia. o pedagogo tem-se caracterizado como profissional responsável pela docência e especialidades da educação. Coordenação e Orientação Educacional. sejam eles escolares ou não.sala de aula. como educação de pessoas com necessidades. educação no campo. especialização.. Considerando a complexidade dessa educação. Supervisão. Daí se assumir com tranqüilidade o que seria o essencial da formação do pedagogo. 2. Um curso de pedagogia não dá conta de formar pedagogos para se inserirem em inúmeras áreas de atuação como hoje se constata com as várias modalidades de currículo existente nas universidades e nas demais instituições de ensino superior. como: Direção. de indígenas. tendo a pedagogia como base para a formação docente. implica a formação de um pedagogo da educação infantil (da criança de 0 a 10 anos). etc. Portanto. etc. admite-se áreas de aprofundamento para uma formação mais voltada para a criança de 0 a 06 anos (Educação Infantil) e para a criança de 07 a 10 anos (séries iniciais do Ensino Fundamental). como em empresas. O PEDAGOGO E A QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL Geralmente. enriquecimento curricular.

a implementação do trabalho nos moldes tayloristas tem como objetivo a racionalização e contenção de desperdícios nos locais de produção. Nesse momento. ao avanço tecnológico. assim como o tempo destinado a essa realização. em que o curso de pedagogia passa por um processo de reestruturação com propostas divergentes de diretrizes curriculares e. controlando e cronometrando até mesmos os movimentos exigidos para a realização de tarefas específicas. o pedagogo pode contribuir. Por essa razão e. por um lado.1 AS MODIFICAÇÕES E REFLEXOS NA QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL Na atual sociedade capitalista. porque a escola constitui-se um local de trabalho bastante conhecido dos pedagogos. fato esse que dificulta a inserção e conhecimento das possibilidades de atuação desse profissional nos processos produtivos. na qualificação do trabalhador. também. esses profissionais limitam sua procura a essas instituições. As exigências do mercado de trabalho apontam para uma maior qualificação e. considerando as modificações ocorridas no processo produtivo. sobretudo. Na denominada Segunda Revolução Industrial. A qualificação profissional inserida nesse contexto de transformação. também. então Taylor desenvolveu técnicas que parcelarizam ao máximo a produção e as atividades exercidas pelos trabalhadores. bem como a própria necessidade de manutenção do capitalismo. nesse processo. é alterada e ampliada havendo maior valorização do componente intelectual em detrimento do manual. devido. Esses métodos e técnicas intensificaram o ritmo do trabalho e aumentaram a . os processos produtivos têm sofrido profundas transformações no que se refere ao modo como está organizada a produção. 2.Ao analisar a estrutura de organização das disciplinas do curso de Pedagogia notamos que não há direcionamento específico para a atuação do pedagogo em empresas. para tanto. A qualificação profissional tem sofrido evoluções históricas delineadas pelas diferentes concepções e modos de organizar a produção. faz-se importante contemplar a possibilidade de atuação desses profissionais em outros setores do mundo do trabalho.

repetitivas e monótonas. Nesse modelo o processo de elaboração é realizado por um quadro de especialistas.rigidez do produto (produto . apesar de não ter sido excluído da sociedade mundial sua incapacidade de articulação com a sociedade do trabalho deu margem ao aparecimento de um novo modelo denominado por Harvey (1992) de acumulação flexível. Uma grande aplicação de Ford na indústria automobilística foi a utilização da esteira rolante que aliada às operações parceladas. 1987. executando tarefas possíveis de serem executadas por máquinas. provém das necessidades competitivas e das próprias lutas operárias por melhores condições de trabalho. A rigidez do fordismo diante a crise do Estado de bem-estar-social emperrou sua hegemonia enquanto sistema de organização do trabalho. antes necessário no processo de montagem era eliminado.padrão) e da mão . desprovidos de qualquer conhecimento profissional.24). O fenômeno que Harvey denomina de acumulação flexível tem abrangência mais geral na sociedade. a estética do produto e a mercadificação da cultura. as quais existiam desde a manufatura. que para Ford nada tem de desagradável. A tecnologia e o avanço informacional tornam-se . nas últimas décadas.de . (VARGAS. como também por conceber o trabalhador como extensão da máquina aquele trabalhador. Gerência científica enquanto os trabalhadores apenas executam da produção em massa o que significa consumo em massa. seja por não exigir e inibir qualquer capacidade de pensar.obra destinada a realizar tarefas fixas. Em seu lugar surgia um novo homem cuja função era repetir indefinidamente movimentos padronizados. p. geralmente. (HARVEY. mas também. Tanto no modelo fordista como no taylorista de produção a falta de autonomia para realizar tarefas parcelarizadas e a utilização preponderante do componente manual faz com que se aprofunde a situação na qual o trabalhador encontra-se expropriado do saber na produção e plenamente desqualificado. 1992. modificando a forma de reprodução da força de trabalho . O acelerado avanço tecnológico.123). as quais são controladas por uma rígida supervisão. contribuiu significativamente na desqualificação do trabalhador. utilizando maquinários com tecnologia avançada. p. no interior das fábricas configurando novas formas de organizar a produção.

de modo a racionalizar a produção eliminando os estoques e proporcionando linearidade e continuidade sem quebras no processo. principalmente no que se refere a capacidade de trabalhar em equipe. Em ambos os modelos passa-se a requerer do trabalhador um maior potencial intelectual e comportamental. conhecer a totalidade do processo produtivo. (RIFIKIN. capacidade para resolução de problemas.29).condições essenciais para a sobrevivência das empresas. geralmente temporários e sub-contratados. 99). uma vez que ela traz vantagens significativas à produção integrando as modificações na organização de um trabalho menos hierarquizado e voltado para a integração tanto da máquina como dos trabalhadores. 1996. Diferentemente do tipo de força de trabalho que se requer na organização taylorista-fordista. O Just-in-time envolve a produção como um todo: trabalhadores. Mesmo que a flexibilização do trabalho se refira a um número mínimo de trabalhadores. entre outros geralmente não conta com tecnologias ultramodernas como robôs e controle por central de computadores. os modelos organizacionais como o Just-intime/Kamban e o Toyotismo. já que se produz somente o que for solicitado pelo departamento de vendas. criatividade para propor inovações. inovam modificando a disposição dos meios de produção e a utilização da mão-de-obra. no qual os engenheiros do chão de fábrica deixam de ter um papel estratégico e a produção é controlada por grupos de trabalho. aperfeiçoando a exploração do trabalhador e a diminuição da hierarquia na fábrica. conhecimentos gerais e de idioma. A experiência da indústria automobilística Toyota. pois o fracasso ao não atingir ganhos de produtividade deve ser atribuído às antiquadas estruturas organizacionais incapazes de acomodar as novas tecnologias não adianta gastar dinheiro com as novas tecnologias e utilizá-la de maneira antiga. entre outros. comunicação e expressão. embora não se apresente em oposição ao Just-in-time tem-se caracterizado pela implementação de alta tecnologia. a empresa investe muito em treinamento. gerência e fornecedores em uma política de redução de estoques. 1995. p. participação e sugestão para melhorar a qualidade e produtividade (ANTUNES. além de possuir uma elevada tendência de socialização no trabalho. controlados por . Os maquinários encontram-se dispostos em linhas de produção. p.

Entre aqueles profissionais desprovidos do mínimo de escolaridade e aqueles que possuem nível de formação institucional e técnico. Ao mesmo tempo que a implementação tecnológica altera a prática produtiva tanto na diminuição da hierarquia. como na necessidade de um profissional mais polivalente.horas extras como demonstra Antunes (1995). Essa tendência de focalizar o cliente ou regular a produção da empresa pelo departamento de vendas exige uma organização diferenciada da empresa. como demonstra Market (1999. as quais são responsáveis por estudarem melhores procedimentos e elaborarem programas de execução juntamente com o engenheiro no chão de fábrica. interferir e articular essas novas tecnologias dentro das situações concretas de produção. obtendo qualificação basicamente nos moldes da organização taylorista/fordista. ou seja. as empresas para garantir a competitividade no mercado global. a fim de que eles captem e implementem as modificações rapidamente. os quais necessitam de maior qualificação para controlar. têm implementado modelos de produção que permitem maior flexibilização na produção de bens.149). ela também funciona como divisor de águas. em geral. . como cita Market (1999). administrativo e de vendas. há o investimento em equipes de funcionários. daquela que possui baixa escolaridade e pouco conhecimento técnico. A implementação tecnológica possui uma dimensão perversa principalmente nos países pobres e a exclusão recai sobre uma considerável parcela dos trabalhadores. As relações que se estabelecem no âmbito da sociedade capitalista são marcadas pela contradição. além de executar a produção respondendo a imprevisibilidades e opinando sobre o produto final. Podemos perceber que. além da flexibilização nas relações de trabalho. Sendo assim. para se atingir uma produção mais flexível e voltada para a clientela há a exigência de uma estruturação realizada de maneira mais integrada. baseado na demanda pelos clientes. como ocorre com o fenômeno da reestruturação produtiva. p. estabelecendo comunicações entre o departamento de planejamento da produção. as necessidades organizacionais da empresa voltam-se para a qualificação dos seus quadros profissionais .

3) há um progressivo desaparecimento do trabalho manual. Essa cooperação entendida enquanto troca de conhecimentos teórico e prático dá-se no estreitamento entre engenheiro e os demais quadros de profissionais (os técnicos) e ambos têm de dialogar entre . contudo a controlando em todo seu percurso. fazendo com que o homem cada vez mais incumba-se da realização de um trabalho com um potencial criativo. da concepção ao produto final. 1990. deixando de executar tarefas possíveis de serem executadas por máquinas. não apenas alimentando a máquina. mas a capacidade de elaboração. p. 1990. SHAFF.Ainda que a qualificação mais ampla dos trabalhadores não ocorra de forma homogênea. À medida que para trabalhar o trabalhador precisa de mais conhecimento. Nessa diluição. Na perspectiva de Lojkine e Shaff (LOJKINE. trocar idéias sobre o trabalho para estabelecer diretrizes conjuntas para aplicar na produção. agora.17. Os profissionais com maior autonomia favorecem a cooperação entre categorias profissionais no interior da fábrica já que necessitam discutir. o homem passa a exercer o papel de protagonista do trabalho que realiza. está propensa a diluir-se. p. podemos dizer que uma categoria dos profissionais parece ser privilegiada com as modificações tecnológicas. especialmente no que se refere a aproximação dos técnicos aos quadros como podemos observar na abordagem de Lojkine (1990) ao dizer que a ruptura brutal existente entre a gerência que pensa e planeja e o operário que simplesmente executa tarefas. então a secular diferença entre trabalho manual e intelectual. sem poder de interferência. conseqüentemente ele se torna capaz de compreender o processo produtivo como um todo. No momento em que o componente intelectual do profissional é mais valorizado. aproxima-se de um trabalho de certa forma mais cooperativo e criativo. esse profissional adquire maior autonomia na realização do seu trabalho que não se limita à execução.

ouvir. mesmo porque o processo pelo qual consolida-se o conhecimento pressupõe a interação entre sujeito estruturante e objeto a ser estruturado. até agora pouco explorado. As novas formas de organização do trabalho parecem requerer o trabalhador com potencial mais criativo e participativo. Nesse sentido. 1999. faz-se imprescindível notar que a função essencial do educador está em oferecer além dos conteúdos. sendo eles: a interação com o sujeito. trocar experiência da prática do trabalho subsidiada de conhecimento teórico das atividades que realizam. 200) 2. elegemos três aspectos constitutivos da especificidade do trabalho desse profissional que nos parece interessantes serem aproveitados nos locais de produção.) o trabalhador criativo deve nutrir-se contínua e ferozmente de sensações e noções para implementá-las na produção. viajar. p. os instrumentos que possibilitem e estimulem a busca do conhecimento por parte do sujeito. já que as equipes de trabalho propõem inovações. Para que o conhecimento aconteça por parte do sujeito. o educador tem um papel fundamental que é o de oferecer subsídios de cunho teórico-prático para que a partir da ação o sujeito interfira na realidade. (. a reflexão sobre a prática do trabalho e a elaboração de programas instrucionais que priorizem a totalidade do processo de trabalho O trabalho costumeiramente desenvolvido pelo profissional da educação (o pedagogo) refere-se a oferecer instrumentos para que o sujeito aprenda a desvendar a realidade.si. para isso deve ler. aguçar alimentar e aguçar de todas as formas possíveis a sua capacidade de conhecer (DE MASI.. ou seja.. MENICONI. assim. soluções aos problemas que surgem e a tendência é se incumbir cada vez mais de responsabilidades que requerem um certo desenvolvimento intelectual. Para discutirmos a presença do pedagogo nos processos produtivos. mesmo porque ele não possui competência técnica para esse tipo de conteúdo . sendo assim. Nos processos produtivos o não pretende ensinar a fazer o trabalho. o educador não é um mero transmissor de conhecimento.2 O TRABALHO DO PEDAGOGO Todos esses aspectos leva-nos a refletir sobre a possibilidade de um novo campo de atuação para o pedagogo.

Essa interação conjuga a troca recíproca de conhecimento. Como mencionamos anteriormente. por isso os treinamentos realizados simplesmente com suporte técnico não são mais suficientes. 1999. perdendo a contribuição prática dos trabalhadores e emperrando a organização da empresa de acordo com as novas formas de organização do trabalho. A afirmação de que a forma pode ser ensinada só pode parecer verdadeira a um intelecto grosseiro. p. o qual requer do profissional maior responsabilidade e conhecimento. mas que muitas vezes se encontram desprovido de condições para socializar esse conhecimento com os demais. já que terá de dominar além de seu trabalho específico todo o processo de produção. Esse tipo de programa requer do profissional outras habilidades como capacidade de compreensão e exposição de idéias. então a interação entre os profissionais responsáveis pela produção demonstra ser essencial. os engenheiros e outros profissionais com formação de nível mais elevado.específico e. ainda. 249). esses últimos acabam por centralizar em si a escolha dos procedimentos a serem utilizados na produção. capacidade de oratória entre outros. Para trabalhar nas novas formas de organização do trabalho. os técnicos. de outro. Os meios de representação não podem ser ensinados. com o saber adquirido pelos anos de experiência na profissão e alguma formação institucional. essa concepção contradiz com a formação do sujeito criativo e ativo. (CARISTI. . Assim. Pudemos observar que em uma das empresas pesquisadas utiliza como estratégia para a qualificação de seus quadros profissionais o programa de multiplicadores de treinamento. se há no mundo do trabalho a necessidade de um conhecimento de caráter mais criativo e ativo. parece ser necessário o desenvolvimento intelectual e comportamental visando o trabalho conjunto. de um lado. Tudo parece indicar que a necessidade do mercado não se encontra mais fundamentada na divisão entre planejar e executar. utilização e seleção de materiais didáticos para atingir fins determinados. assim como não se pode ensinar a forma ensinar e aprender significa ter compreendido e compreender.

proporcionam a elaboração conjunta dos significados em situações. 1996. p. para despertar a capacidade criativa e de compreensão profissional. parece possível dizer que o diálogo visando a troca de experiência e. o interesse das empresas capitalista com a formação profissional seja a acumulação de capital. Therrien julga oportuno. Como parte de uma equipe interdisciplinar. a capacidade de olhar para a produção extraindo dessa mesma realidade as necessidades práticas para encontrar novos caminhos constitui-se em um elemento importante para a empresa. contraditoriamente. a práxis é bastante discutida como elemento essencial na prática cotidiana da sala de aula. Um outro aspecto da formação do pedagogo refere-se à reflexão sobre a prática. desvelando a natureza parcial e completa do saber construído. No âmbito da escola. juntamente com a tendência a uma maior proximidade entre categorias profissionais na produção. o pedagogo por compreender o processo cognoscente pode contribuir na aprendizagem do profissional aguçando o desenvolvimento das potencialidades individuais através da interação entre os profissionais na seleção de metodologias adequadas proporcionando. condições para que ocorra a aprendizagem por meio do trabalho. 67). como também. esse mesmo saber faz com que o docente se relacione mais profundamente com o conhecimento. (THERRIEN. canalizando essa união em benefício da qualificação profissional. As interações sociais como processo de socialização e de linguagem. Ao falar sobre a valorização do saber produzido nas relações sociais. Como mencionamos. sobretudo. assim. 67). aliando teoria e prática.Para que se consiga avanço na formação do trabalhador. Encontramos em Carvalho (1993). Nesse momento da sociedade capitalista tudo indica que seja oportuno para os setores produtivos estreitarem as relações existentes entre teoria e prática. 1996. Therrien menciona que o pedagogo como profissional que faz das situações concretas que vive o seu instrumento de reflexão e elabora saber. (THERRIEN. uma situação proveniente de levantamento de dados empíricos bastante relevante para compreendermos a . ainda que. p.

objetivos que são orientados no processo total da produção incluindo planejamento. o componente intelectual demonstra ser indispensável. 1999. Essa articulação compreende a interação com a realidade através do questionamento constante das práticas empregadas na produção. Podemos encontrar em estudos como o de Market (1999). aprendizagem direcionada às experiências surgidas no trabalho. Estudos como o de Market demonstram a necessidade de desenvolver um conceito de qualificação profissional com base na nova forma e organizar a produção.importância da reflexão sobre a prática que quanto maior é a complexidade do processo (planta) maior o período de experiência necessário para adquirir tais qualificações de operações. Nesse sentido. p. é oportuno que as experiências práticas estejam ligadas a instrumentos educacionais que. execução e avaliação. .157). já que os pedagogos do trabalho nas indústria metalmecânica na Alemanha têm desenvolvido e aplicado o conceito de qualificação profissional com base na capacidade e conhecimento para compreender o processo de produção. execução e controle do trabalho em cooperação. não apenas em uma perspectiva de execução. alienando o trabalhador da compreensão do processo produtivo. de modo a incorporar ou rejeitar as experiências que surgem. e também. além de proporcionarem a participação dos trabalhadores no planejamento. Para que se preconize inovações na produção. levem o sujeito a perceber as situações provenientes da prática e as alternativas cabíveis para solucionar os problemas que surgem e propor inovações. a importância de subsidiar as experiências provenientes da prática de suporte educacional. troquem experiências e interajam entre si. os novos modelos organizacionais parecem requerer que as experiências adquiridas na prática do trabalho estejam subsidiada de suporte educacional a fim de traduzir o momento no qual o trabalhador despende sua força de trabalho em ganhos individuais e que as equipes de trabalho inovem. Esse trecho evidencia que o ato de executar encontra-se dissociado do ato de planejar. em seguida são desenvolvidas diretrizes didáticas que contemplam esses conceitos. mas de concepção do trabalho. pois tudo parece indicar que somente com uma articulação de nível intelectual poderemos avançar no âmbito da qualificação profissional. (MARKET.

o conteúdo. A prática educativa pressupõe a superação dos elementos formais do programa de aprendizagem. a qual exige profissionais cada vez mais qualificados e preparados para atuarem neste cenário competitivo. a metodologia e a avaliação são vistos interligados. em geral. técnicas (lê-se metodologia) e avaliação. ainda que o objetivo seja a qualificação dos trabalhadores. Segundo Maria Edna Sabina de Oliveira a educação em espaços não escolares vem confirmar esta discussão que vivenciamos. porém esse planejamento é realizado sem suporte educacional. ainda. que por mais restrito que se entenda esse conceito. o pedagogo sai então do espaço escolar. refere-se a aquisição de conhecimentos do processo produtivo e desenvolvimento de capacidades intelectuais e comportamentais no sujeito que aprende determinado conteúdo. a seleção de metodologia apropriada para conduzir a execução do treinamento. não os excluindo. O PEDAGOGO EM ESPAÇOS NÃO ESCOLARES O novo cenário da educação se abre no século XXI com novas perspectivas para o profissional que se insere no mercado de trabalho. instrumentalização didática dos profissionais e. Nas empresas podemos constatar que todas elas fazem um planejamento prévio das etapas de treinamento contendo conteúdos. objetivos. que até pouco tempo. neoliberalismo. uma nova estrutura se firma na sociedade. A organização sistemática das atividades a serem aplicadas no treinamento demanda um tipo de conhecimento específico da prática educativa. enfim. que vive um momento particular discussões sobre globalização. sofrendo modificação. mas ultrapassando a simples organização formal para uma organização educativa. 3. como nos mostra a própria sociedade. educação on-line.Um outro aspecto do trabalho que o pedagogo pode vir realizar na empresa se refere à elaboração de programas instrucionais ou diretrizes didáticas. terceiro setor. na qual o objetivo. era seu espaço (restrito) de . como a elaboração e seleção de materiais didáticos. seleção e adaptação de modo a interferir na organização intelectual do sujeito. sob diversas abrangências.

para prestar seu serviço nestes locais que são espaços até então restritos a outros profissionais. promovendo acesso à sociedade daqueles que são vistos como os excluídos." Diante da atual realidade em que se encontra a sociedade. que já não se limita à categoria das camadas populares.trabalho. e outros formam hoje o novo cenário de atuação deste profissional. quebrando preconceitos e idéias de que o pedagogo está apto para exercer suas funções na sala de aula. (GOHN. tanto intelectual quanto econômica. Possibilitando assim a transformação da sociedade numa sociedade mais justa e igualitária. é o responsável pela formação intelectual das crianças. para enfrentar os desafios que se articulam dentro dela e em todos os seus segmentos. ONGs. mas deixa de ser o único. emissoras de transmissão (rádio e Tv). 09). p. eventos. propriamente dita. desafios gerados pela globalização e pelo avanço tecnológico na atual era. a tão inovadora e desafiadora era da informação. igrejas. Onde houver uma prática educativa. 2001. Dessa forma a educação sofre mudanças em seu conceito. Os efeitos da crise econômica globalizada e a rapidez das mudanças na era da informação levaram a questão social para o primeiro plano. a educação tem se transformado na mola mestra. sempre se envolvendo no cotidiano escolar. não deixa de ser um foco importante para o Pedagogo. com os problemas relacionados à educação formal. A vida escolar. na sala de aula. "Convivemos até bem pouco tempo com a visão de uma pedagogia inserida no ambiente escolar. do profissional da educação envolvido com os problemas da educação formal. para se inserir neste novo espaço de atuação com uma visão redefinida da atuação deste profissional. hospitais. E esta atual realidade vem com certeza. A educação é também a mola mestra para transformar a situação de miséria. associações. que transpõe os muros da escola. pois deixa de ser . existe aí uma ação pedagógica. e com ela o processo da exclusão social. Empresas. a educação formal. política e social do povo. uma idéia falsa de que o pedagogo é o profissional capacitado e devidamente treinado para atuar somente em espaços escolares.

restrita ao processo ensino-aprendizagem em espaços escolares formais. mas buscar novas fontes de formação e de informação para adequar este profissional no mundo globalizado e competitivo. neste novo contexto. Dessa forma. trabalho. clubes etc. e sim para atuar nas diferentes áreas existentes no mercado de trabalho. Não sendo comum um profissional ser qualificado apenas para exercer uma determinada função. para diferentes e diversos segmentos como: ONGs. não podemos mais nos deter somente no universo da educação formal. XIX e até mesmo século XX. o profissional Pedagogo também se transforma. O Pedagogo deixa de ser. suas habilidades e . porque a sociedade atual. Toda transformação relacionada à atuação do Pedagogo se dá ao fato de que. Apresentando-se agora como agente de transformação para atuar nesta nova realidade. sindicatos. como a cultura de seu povo. seja ele qual for. As linhas de pensamento relacionadas ao profissional Pedagogo possibilitam uma reflexão mais aprofundada sobre a sua atuação. dando uma estrutura interessante à educação não formal. Ou seja. o mesmo Pedagogo do século XVIII. Hoje. pois hoje. exige cada vez mais profissionais capacitados e treinados para atuarem nas diversas áreas. lazer. se pensa muito mais detalhadamente a dinâmica do conhecimento e as novas funções do educador como mediador deste processo. igreja. a cultura hoje tem o seu papel melhor definido e mais importante para a sociedade do que situação econômica. Nesta perspectiva de mudança e viabilizando uma atuação deste profissional é que abrimos espaço para esta discussão. Abre-se aqui um novo espaço para a educação. Com toda esta nova proposta e possibilidade de atuação. se transpondo aos muros da escola. valor diferente daquele que até pouco tempo se primava pelo valor econômico. hoje vivemos o processo que reflete a transformação de valores e pensamentos de uma sociedade voltada para valores mais específicos. o profissional pedagogo está sendo inserido em um mercado de trabalho mais amplo e diversificado possível. se posicionando como profissional capacitado para caminhar junto a esta transformação da sociedade. pautando nosso estudo na atuação do Pedagogo em espaços não escolares. propriamente dita. se adequando a esta nova realidade. família.

mesa redonda. Assim. este profissional que atravessa séculos. percebendo a sua relação em diferentes espaços. não formal e informal. seja ele qual for. O pedagógico perpassa toda a sociedade. o nosso estudo se justifica pela necessidade de compreender a dinâmica. E também como o Pedagogo se insere neste novo contexto social. visualizamos um horizonte se abrindo para esta área do conhecimento. o leque de possibilidades que hoje se abre deixando para trás a idéia primária de que este profissional está preparado somente para atuar em espaços escolares. . através de leituras compartilhadas. no entanto. para projetos de pesquisas. e que. Verifica-se hoje. com um discurso voltado para a inclusão social. com uma nova proposta. para educação formal. 2002. executando o seu papel de preceptor. e que pouco ou quase nada podendo aproveitar de suas habilidades para atuar em outros espaços. observando o processo de ensino-aprendizagem não somente como processo para dentro da escola. Conforme Ribeiro (2003). tanto quanto dentro da educação formal. discussão que até bem pouco tempo era desconhecida para a maioria de nossas escolas de formação. extrapolando o âmbito escolar formal. Em seu trabalho. discussões que estão fundamentadas em teóricos conceituados e pela própria sociedade que chega ao século XXI com novas perspectivas para a educação formal e também para a educação não formal. que levou a sociedade a chegar onde estamos hoje. este assunto tornou-se desafiador a partir do momento em que verificamos através de discussões realizadas em sala de aula. diz ainda que como hoje o Pedagogo está sendo inserido num mercado de trabalho cada vez mais diversificado e amplo.28). p. visam a aprendizagem e a transformação do comportamento humano. abrangendo esferas mais amplas da educação informal e não-formal. uma ação pedagógica múltipla na sociedade. (LIBÂNEO. mas um processo que acontece em todo e qualquer segmento da sociedade. Maria Edna Sabina de Oliveira. sua efetiva atuação em espaços também não escolares.competências para atuação nestes espaços. da sala de aula ou do cotidiano escolar. chegando ao século XXI. de transformador do conhecimento e do comportamento humano. para o voluntariado. e também dos profissionais. seminários.

Este tem se tornado um assunto desafiador para tantos quanto se interam do mesmo. docente da Universidade Estácio de Sá em Pedagogia e Mestre em Educação e consultora em T&D. é uma tarefa extremamente difícil e especializada. etc. à origem cultural. sua qualificação vem filtrando cada vez mais. Este assunto tornou-se relevante para este projeto. ministrado nas escolas. Segundo Marta Teixeira do Amaral. no modo de produção e nas relações humanas. como os conhecimentos relativos às motivações. Administrar a quantidade de informações veiculadas e estar atualizado. mitos e comportamentos derrubados e o conhecimento tem ultrapassado os limites geográficos. à situação social. Por isto. já não se enquadra nos moldes da nova construção sócio-econômica e educacional do país. esta nova perspectiva de atuação do Pedagogo. O mundo transforma-se a cada momento e o resultado mais visível desse processo é a obsolescência do conhecimento que impele-nos à . atualmente. a necessidade de agregar ao ensino formal. conteúdos da educação não-formal. O PEDAGOGO EMPRESARIAL O desenfreado desenvolvimento científico e tecnológico das últimas décadas tem marcado a sociedade contemporânea com profundas mudanças nas organizações. portanto. o velho esquema escolar da memorização.É importante ressaltar aqui como a educação formal e a não formal caminham paralelamente e. Verdades e conceitos têm sido questionados. 4. buscando uma relação estreita entre as diferentes propostas de educação existentes na sociedade. à medida que foi se descortinando as grandes possibilidades de pesquisas durante as discussões realizadas e também por apresentar um assunto que vem transformando a idéia de uma educação restrita em uma educação ampla e sem fronteiras. da erudição pela erudição oriundos da ação pedagógica da Companhia de Jesus na implantação do sistema educacional brasileiro. As novas tendências sociais e os novos rumos impostos pela Era da Informação influenciam diretamente a educação e o conhecimento. sociais e educacionais com uma vertiginosa velocidade.

Mas como conseguir isso? Como conseguir desenvolver competências nos alunos de nossas escolas atuais? Como contribuir para a construção de colaboradores autônomos. pró-ativo. ONGS. . sobretudo. Os reflexos mutatórios na escola explicitam a exigência urgente do mercado de trabalho que não abriga mais o trabalhador mecanizado. Cada vez mais as empresas descobrem a importância da educação no trabalho e desvendam a influência da ação educativa do Pedagogo na empresa. BENCINI. analisar. editoras. mero executor de tarefas. O ambiente organizacional contemporâneo requer o trabalhador pensante. Ao contrário. estar atualizado e. tais como: empresas de diversos setores. criativo. a de ser o mediador e o articulador de ações educacionais na administração de informações dentro do processo contínuo de mudanças e de gestão do conhecimento. aprender a aprender. sites. analítico.atualização constante e contínua. O documento descreve as novas competências do educador e as novas características das suas aulas. (GENTILI. entre outras. O Pedagogo não é mais só o profissional que atua no ambiente escolar. personificado na figura robotizada do personagem do filme Tempos Modernos de Charles Chaplin. com habilidade para resolução de problemas e tomada de decisões. características fundamentais para empresas que pretendem manter-se ativas e competitivas no mercado. e com espírito de aprendizes? Como manter as organizações atualizadas no mundo que vive a transformação num ritmo frenético? Como transformar o ambiente de trabalho em um ambiente de aprendizagem permanente? Diante dessas indagações surge a figura do Pedagogo Empresarial. dispõe de uma imensa área de atuação. capacidade de trabalho em equipe e em total contato com a rapidez de transformação e a flexibilização dos tempos atuais. Gerenciar processos de mudança exige novas posturas e novos valores organizacionais. consultorias especializadas em T&D e em todas as áreas que requeiram um trabalho educativo. O MEC evidenciou a intensidade do impacto desse novo formato social ao publicar os Referenciais para Formação de Professores. capaz de estabelecer relações com o mundo que o cerca. 2000). pesquisar. A tarefa do Pedagogo Empresarial é. que devem priorizar a formação do aluno cidadão.

Contribuem para a aquisição dos conhecimentos dos novos processos de produção e valores organizacionais consoantes com a missão da empresa. Os indicadores propulsores da aprendizagem organizacional são a criatividade e a inovação.. Outra modalidade para a capacitação e treinamento dos recursos humanos no mercado empresarial é a Universidade Corporativa. Brahma. p. Dentro dessa interdependência e do novo paradigma de competitividade em mercados globais. seleciona e planeja cursos de aperfeiçoamento e capacitação. Algar. tomam decisões. As organizações são formadas por pessoas: são elas que atendem ao público. avalia desempenho e desenvolve projetos para o treinamento dos funcionários. realiza palestras. pesquisa a utilização e a implantação de novos processos.. Motorola. representa a empresa em negociações. (Revista Tema. Esse novo nicho educacional tem crescido e tende a intensificar-se nos próximos anos gerando uma demanda social de Pedagogos Empresariais. Accor. Por esse motivo o investimento . Hoje. o profissional da educação atua na área de Recursos Humanos direcionando seus conhecimentos para os colaboradores da empresa com o objetivo da melhoria de resultados coletivos. algumas empresas que possuem Universidades Corporativas podem ser citadas: Embratel.empresa pública da área de Tecnologia da Informação e Comunicações. Essas Universidades desenvolvem um sistema de aprendizado contínuo voltado para as necessidades específicas das empresas e de seus colaboradores. fazem pagamentos. desenvolve projetos educacionais. os gerentes devem estimular e conduzir a mudança para criar organizações que aprendam. o treinamento e o aprendizado são imprescindíveis para o aproveitamento das oportunidades pessoais e organizacionais e para a neutralização das ameaças ambientais. McDonald´s. qualidade e lucratividade. A aprendizagem e o treinamento nas empresas são os diferenciais de competitividade. despacham documentos. Segundo Peter Senge (1999. simpósios. autor do livro A Quinta Disciplina. (SENGE apud CHIAVENATO. aporta novas tecnologias. recebem recados.Dessa forma. A mais nova inauguração é de responsabilidade do SERPRO . 320). convenções. 1999). Há uma mútua simbiose entre pessoas e organizações: pessoas dependem das organizações e organizações dependem das pessoas. 2004).

para usá-las no seu cotidiano.no conhecimento contínuo e coletivo do capital intelectual das empresas tende ao crescimento progressivo..1 EDUCAÇÃO NO TRABALHO . É necessário separar o que é escolar do que é educativo. contribuindo para a construção de pessoas que se antecipem aos acontecimentos. onde quer que elas estejam. A inexorabilidade da reestruturação sócio-econômica obriga que as escolas desenvolvam competências nos alunos para atender às exigências do mercado de trabalho e que as organizações reestruturem-se e transforme o ambiente de trabalho num ambiente de aprendizagem. fadadas ao fracasso ou ao desaparecimento. além de capacitar o indivíduo na busca de informações. Escolas e empresas que não repensarem seus modelos e agarrarem-se aos velhos paradigmas do aprendizado e das relações humanas. estarão. (Revista Nova Escola. além de instituições de ensino.IMPORTÂNCIA Já passou a época em que o pedagogo ocupava-se somente da educação infantil. O pedagogo pode atuar em todas as áreas que requerem um trabalho educativo. ao novo conceito educacional de escola e da sua função social: formar cidadãos autônomos. 4. Esse conceito administrativo assemelha-se. sejam atualizadas e saibam aprender a aprender. . Torna-se evidente que a palavra de ordem hoje é Gestão do Conhecimento. Segundo a Pedagoga Maria Inês Fini coordenadora do Enem. que inclui. deve ser usada para aprimorar valores e atitudes.) o espaço das relações humanas moldadas. certamente.. empresas dos mais diversos setores. integralmente. A pedagogia hoje dispõe de uma vasta área de atuação. ressalta Neide Noffs. a escola não é mais o lugar de simples transmissão do conhecimento. professora da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). 2000). é: (.

o papel do pedagogo é fundamental. "O curso de pedagogia ainda está muito voltado para a escola. Hoje. O pedagogo empresarial pode focar seus conhecimentos em duas direções: no funcionário ou no produto da empresa. de modificação de valores organizacionais. já que são influenciadas por diversos fatores. pedagoga especialista em treinamento e desenvolvimento de pessoas em empresas. ainda é preciso analisar quais conhecimentos e habilidades específicas serão exigidas no curso para que não surjam problemas no exercício da profissão. realizando atividades relacionadas ao treinamento e desenvolvimento do trabalhador. As faculdades já estão revisando seus currículos." Como não poderia deixar de ser. Nesse contexto. a competitividade e as exigências de mercado. explica Vera Martins. mas isso está mudando. Hoje. Este assunto requer muito estudo para evitar que o trabalho do pedagogo empresarial colida com o de outros profissionais.por meio de cursos de especialização. mestrados e doutorados. pois todo processo de mudança exige uma ação educacional e gerir o conhecimento é uma tarefa. como o desenvolvimento tecnológico. os alunos freqüentam estágios focados no trabalho em empresas. mas não saem da faculdade especialistas nesta área. o curso será mais específico e passará a adotar a nomenclatura de pedagogia com ênfase em empresas. Para tanto.Mas apenas formar-se pedagogo não é suficiente para conquistar um cargo em uma companhia. realiza pesquisas para verificar quais as necessidades de aprimoramento de cada um e qual método . De acordo com ela. as funções desempenhadas pelo pedagogo dentro de uma companhia estão em constante movimento. Futuramente. No primeiro caso. explica a professora da PUC. É necessário buscar outros conhecimentos relacionados à educação corporativa e à andragogia educação de adultos . de modo que a formação de profissionais seja melhor direcionada. como assistente social ou psicólogo organizacional. trata-se da atuação no departamento de Recursos Humanos (RH). afirma Robson Borges que tem formação e certificação internacional em coaching integrado. antes de tudo. O pedagogo é o responsável pela criação de projetos educacionais que visam facilitar o aprendizado dos funcionários. as palavras-de-ordem dentro das organizações são: mudança e gestão do conhecimento.

algumas pessoas ainda acham que a Pedagogia está estritamente relacionada à área educativa ou docente. revistas. criando projetos educacionais que visem facilitar o aprendizado por parte dos funcionários. vídeos e DVDs. desenvolvo projetos pedagógicos e estratégias de divulgação de livros. pois atêm-se muito à escola. este profissional atuará em empresas que . o pedagogo pode focar seu trabalho em duas direções: no funcionário ou no produto/serviço. Já no segundo caso. consultora de RH do Bank Boston. Hoje. contudo. este conceito amplia-se mais ainda com a noção do pedagogo empresarial. A partir daí. está habilitado a militar no campo da andragogia – educação de adultos. por isso é importante cursar uma pós-graduação mais voltada para a empresa ou para os recursos humanos. trabalha em conjunto com outros profissionais de RH na aplicação e coordenação desses projetos.pedagógico é mais adequado. orientação e em projetos de recursos humanos. que em geral são professores. o pedagogo deve iniciar suas atividade conjuntamente com o departamento de RH. Uma das minhas funções dentro da editora é apresentar o produto ou serviço da maneira mais atraente possível ao cliente. professora da Faculdade de Educação da PUC-SP o pedagogo pode atuar em todas as áreas que requerem um trabalho educativo. pedagoga responsável pelo departamento de divulgação da Editora Paulus. o pedagogo irá atuar em empresas que trabalham com educação. CDs. CONCLUSÃO Em primeiro momento. Para isso. No segundo caso. Atuando com o funcionário. explica Cláudia Onofre. portanto. como editoras. O curso de Pedagogia ainda não está devidamente voltado a educação empresarial. explica a pedagoga Leslie dos Santos. No ambiente empresarial. Segundo Neide Noffs. sabe-se que esta graduação habilita o profissional a atuar também me supervisão. sites e organizações nãogovernamentais (ONGs).

Além disso.vendem serviço/produtos educacionais como editoras. avaliando a viabilidade de cursos e programas educacionais. Pode-se ainda. No entanto. Embora esses dirigentes alegassem haver possibilidade de contratação de estagiários do curso de pedagogia. o pedagogo irá adequar a linguagem comercial ao tipo de produto oferecido. o pedagogo é o responsável pela elaboração de projetos de implantação de universidades corporativas. Por outro lado. desta forma. para expor de maneira satisfatória. sejam eles de recursos humanos ou administrativos. como em qualquer profissão. pudemos constatar que a maior parte dos dirigentes. os pedagogos são os responsáveis por treinamentos de comportamento para as lideranças.fordista. Ë válido salientar que à medida que o profissional pretende oferecer um serviço mais elaborado. a concepção restrita do trabalho do pedagogo dificulta o acesso desse profissional à industria. Desta forma. ou seja. Eles são os mais indicados para transmitir aos líderes. sites. A maior parte dos diretores e dirigentes demonstra indicar o pedagogo como docente. Nas grandes organizações. manifestam desconhecimento do trabalho que o pedagogo possa realizar dentro da indústria. é necessário especializar-se com cursos e pós-graduações. para que os programas de qualificação profissional não contemplem a separação entre planejamento e execução. prestar consultoria ou assessoria para organizações. ONGs. De acordo com as reflexões acima tudo indica que há nos setores produtivos que implementam as novas formas de organização do trabalho a possibilidade de atuação do pedagogo. pesquisar e . contatando profissionais e confeccionado material didático. pois dificilmente a empresa contratará um profissional desconhecendo sua área de atuação. o pedagogo deve oferecer instrumentos que capacitem os demais agentes do processo produtivo a discutir. em função de uma experiência adquirida em outras instituições. sem saber que conhecimento técnico esse profissional possui e em que ele poderia ser útil na empresa. a maneira correta de como lidar com subordinados e como ensiná-los a realizar tarefas. restringindo seu trabalho à sala de aula. chega um momento em que a graduação inicial foi apenas um ponto de partida. questionar. como no modelo taylorista .

Programable automation and employmente pratices in brasilian industry. n. A criatividade racional de Bauhaus. 1998. Para Compreender a Ciência: uma perspectiva histórica. p. ed. E. 17. 54-777. podemos dizer que a especificidade do trabalho do pedagogo pode contribuir significativamente com os processos produtivos e a tendência é ampliar-se à medida que se desenvolvam as transformações produtivas em curso e se passe a requerer maior potencial intelectual. Alguns questionamentos sobre a hipótese de requalificação para o trabalho Educação & Sociedade. In: CASTILLO. 2. BENJAMIN CONSTANT (1836-1891) Enciclopédia Ilustrada do Conhecimento Essencial. São Paulo: Nova Cultural. In: DE MASI. Rio de Janeiro: Cortez. In: Revista Brasileira de Tecnologia . Um Novo Espírito Científico. Fabrizio. jul. 1993. REFERÊNCIAS ANDERY. Campinas. BACHELAR. 1998. ANDRADE FILHO. São Paulo/Rio de Janeiro: EDUC. Brigton. C. Rio de janeiro: José Olympio.RBT./fev. bem como auxiliar na escolha das metodologias mais apropriadas e materiais a serem utilizados. A emoção e a regra: os grupos criativos na Europa de 1850 a 1950. ANTUNES. Maria Amália (org. Discurso Ideológico em Ciência e Tecnologia. CARVALHO. Tese (Doutorado) . jan. CARISTI.). Brasília: v.propor objetivos a serem alcançados. 1986. Rio de janeiro: Reader's Digest Brasil. Domenico. CHAVES. 1996. 1999. ano 1. In: Cadernos CEDES. 13. 1. p. n. 01. p. 17. 1981.229-257. do CNPq. v. 1997. O. p. Ricardo.University of Sussex. Ruy quadros. Assim. 58. 2. O curso de pedagogia: um breve histórico e um resumo da situação atual. n. Adeus ao trabalho. Gaston. Francisco Antônio de. 1995. Noela Invernizzi.. São Paulo: Cortez. .

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