Prevenção da gravidez na Adolescência: Educação sexual em contexto escolar

Actualizado em Terça, 30 Novembro 1999 00:00 Escrito por Nursing nº259 Domingo, 19 Setembro 2010 17:52 Artigo cedido pela Revista Nursing "O ambiente escolar e a intervenção do enfermeiro são essenciais neste processo."

Prevenção da gravidez na Adolescência: Educação sexual em contexto escolar Prevention of Teenage Pregnancy: Sex education in school context Autores: Anabela Dias* e Isabel Pereira** Enfermeiras Licenciadas. Centro Hospitalar do Médio Tejo (Unidade de Torres Novas – Serviço de Pediatria). * anabela.indu@gmail.com ** isabelmariapereira@hotmail.com Trabalho realizado no contexto da Pós-Licenciatura de Especialização em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediatria 2008/2009. Instituto Politécnico de Leiria Escola Superior de Saúde de Leiria.

Resumo A maternidade na adolescência constitui um fenómeno bem visível em Portugal, é o segundo país da Europa com maior número de adolescentes grávidas, destacando-se também no quadro europeu do aborto voluntário. Em 2007, registaram-se 1690 gravidezes em adolescentes até aos 17 anos e, entre Julho de 2007 e Maio de 2008, abortaram na Maternidade Alfredo da Costa 90 adolescentes (REBELO, 2008). De acordo com o DECRETO LEI nº259/2000 de 17 de Outubro a educação sexual ajuda a prevenir riscos associados à vivência da sexualidade, nomeadamente as gravidezes não desejadas. O ambiente escolar e a intervenção do enfermeiro são essenciais neste processo. Com este estudo pretende-se avaliar a efectividade na aquisição de conhecimentos dos adolescentes acerca da prevenção da gravidez. Para isso desenvolvemos um estudo experimental, descritivo-correlacional. A amostra foi constituída por 36 adolescentes a frequentar o 9º ano da Escola E.B. 2,3 de Freixianda.

Habitualmente. anemia. Em 2002. registaram-se 1690 gravidezes em adolescentes até aos 17 anos. Para além dos factores acima mencionados. infecção urinária. Com a mesma idade. LOURENÇO (1998) ainda acrescenta como principais patologias obstétricas: prematuridade e baixo peso do recém-nascido. . In 2007 there were 1. Adolescence. VENTURA (1991) salienta que a gravidez na adolescência deve ser encarada como uma gravidez de alto risco. it is the second European country with largest number of pregnant teenagers. sex education helps prevent risks associated with the experience of sexuality.690 pregnancies among adolescents up to the age of 17. Gravidez. including unwanted pregnancies. maior frequência de prematuridade (6.6 por cento do total de nascimentos. por vários factores: . em 1998.A adolescente encontra-se numa fase activa do seu desenvolvimento físico e uma gravidez pode vir a alterá-lo significativamente. The sample consisted of 36 teenagers who attend the 9th year in the school “Escola EB 2. toxémia gravídica. entre os meses de Julho de 2007 e Maio de 2008. . nasceram em Portugal cerca de 9800 filhos de mães com idade igual ou inferior a 20 anos. altas taxas de morbilidade e mortalidade perinatais e risco de parto pós-maturo. disfunção uterina.Constatámos que o grupo de adolescentes sujeitos às sessões de educação sobre prevenção da gravidez na adolescência apresentou um nível de conhecimentos superior comparativamente aos adolescentes que não receberam esta formação. Adolescência. descriptive and correlational study.59 por cento versus 0. Prevenção. no filho e na família. ou seja. Pregnancy. A gravidez nesta etapa da vida constitui uma fase de profundas adaptações e mudanças. Segundo LOURENÇO (1998) as complicações na grávida adolescente são mais frequentes do que na mulher adulta. desproporção cefalo-pélvica. For this reason we developed an experimental. contribuindo para o aumento das complicações médicas. Sex Education. Caracteriza-se por um período de desequilíbrio. Constitui um problema de saúde com implicações psicossociais na adolescente.3 de Freixianda”. tudo parece incerto e duvidoso. tudo está em mudança. Estas crianças apresentaram. nega ou esconde. no maior período de tempo possível a sua gravidez. que transformam a vivência da jovem. According to the Decree Law nº 259/2000 of October 17th. existiam em Portugal 95 mães com menos de 15 anos e 7308 com idades entre os 15 e os 19 anos.8 por cento versus 5. Segundo o Instituto Nacional de Estatística. tudo se torna contraditório. destacando-se de entre eles o atraso no acesso às consultas de vigilância pré-natal. 2008). showed a higher level of knowledge compared to adolescents who did not receive this training. The school environment and the intervention of the school nurse are essential in this process. descolamento prematuro da placenta. em 2007. Introdução A Organização Mundial de Saúde considera o período da adolescência entre os 10 e os 19 anos. arrisca a sua própria vida e a do ser que traz dentro de si.4 por cento) e de mortalidade de fetos mortos em partos simples (0. Ao dissimular a sua condição. Prevention. Palavras-chave: Conhecimentos. 8. a adolescente ignora. segundo dados do mesmo instituto. 90 adolescents aborted in Alfredo da Costa Maternity (REBELO.A maioria das adolescentes não está preparada para encarar uma gravidez e suas alterações (psíquicas e físicas) devido à imaturidade psicológica característica desta faixa etária. Keywords: Knowledge. Educação Sexual. mas os factores subjacentes a tal fenómeno são essencialmente de ordem sociocultural. Summary Motherhood during adolescence is clearly a phenomenon in Portugal.48 por cento). abortaram na Maternidade Alfredo da Costa 90 adolescentes. REBELO (2008) refere que. This study is intended to evaluate the effectiveness of knowledge acquirement about the prevention of pregnancy by adolescents. especially in the European framework of voluntary abortion. We noticed that the group of adolescents subjected to education sessions about the prevention of teenage pregnancy. between July 2007 and May 2008.

MENDES (2006) faz referência a outro estudo realizado pelo Centro de Estudos da Família do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.  A informação apenas sobre a abstinência sexual não tem significado no retardar do início da actividade sexual dos adolescentes. esclarecedora. disciplinar e não disciplinar e extracurricular. a educação sexual nas escolas assume um papel fulcral na formação dos jovens adolescentes. que proporcione um real diagnóstico da situação. De acordo com os resultados de um estudo descritivo-correlacional de 2007. nos Centros de Saúde e nos Hospitais” e ainda devem ser “estabelecidas parcerias com outras instituições e sectores. 3 – Este plano deve ser elaborado por um grupo de especialistas ao nível da saúde e da educação que deve avaliar as poucas experiências já realizadas nesta área. o governo recomenda medidas no sentido de prevenir a gravidez na adolescência e pode ler-se o seguinte: “1 – A recolha e sistematização da informação considerada relevante sobre a gravidez na adolescência. à alimentação e à educação. realizado nos Estados Unidos da América de Janeiro de 2002 a Março de 2003.Os abortos foram feitos de acordo com a nova lei que entrou em vigor a 15 de Julho de 2007 e que permite a interrupção voluntária da gravidez a pedido da mulher até às 10 semanas de gestação. ter pensamento crítico e tomar decisões responsáveis acerca da sua vida sexual dando-lhes a oportunidade de adoptarem estilos de vida saudáveis.” O mesmo documento (2004:18) refere ainda que: “De acordo com a Convenção dos Direitos da Criança. serão. 7 – Promover campanhas de informação e sensibilização dirigidas a adolescentes e jovens sobre a saúde sexual e reprodutiva. Como refere MENDES (2006:43). 2008). numa lógica interdisciplinar. portanto. portanto. como um direito que todos têm de ter uma visão positiva da sua sexualidade. os autores concluíram que:  O ensino sobre a contracepção não está associado ao aumento do risco da actividade sexual e das doenças sexualmente transmissíveis nos adolescentes. a sua eficácia depende da articulação e estabelecimento de parcerias entre a escola e os serviços de saúde. mais de 40 por cento dos portugueses nem sempre usa preservativo em relações sexuais ocasionais ou quando têm mais do que um parceiro sexual e 20 por cento nunca o utiliza. que conclui que. o enfermeiro desempenha um papel importantíssimo como educador para a saúde e agente promotor de estilos de vida saudáveis. regulares e devidamente avaliadas. privilegiando o espaço turma e as diferentes necessidades de crianças e jovens”. nomeadamente a educação. Neste contexto. Seleccionada uma amostra não aleatória e dividida em dois grupos. Este estudo de investigação orientou-se para uma população de adolescentes a frequentar o 9º ano. cuja educação sexual informal e espontânea não é suficiente. com o objectivo de se determinar a efectividade desta estratégia na aquisição de conhecimentos. informação sobre métodos anticoncepcionais no controlo da natalidade e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis) têm menor risco de gravidez comparativamente aos que não receberam qualquer tipo de educação sexual ou que receberam apenas informação baseada na abstinência sexual (KOHLER. à saúde. nem eficaz. todas as crianças e jovens devem ter assegurado o direito à vida. a educação sexual ajuda a prevenir riscos associados à vivência da sexualidade. a abordagem deve ser “pedagógica sistemática de temas ligados à sexualidade humana em contexto curricular. Na RESOLUÇÃO DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA nº 27/2007 de 21 Junho. a adolescentes com idades compreendidas entre os 15 e os 19 anos. 2 – Em sequência deste estudo e em consonância com o diagnóstico deve ser elaborado um programa nacional sobre prevenção da gravidez na adolescência de acordo com as realidades concretas. de ambos os sexos. consagrado também na legislação portuguesa (DECRETO LEI nº259/2000 de 17 de Outubro). no âmbito da saúde reprodutiva e da prevenção de ITS (infecções transmitidas sexualmente). nos quais se insere a prevenção da gravidez na adolescência. Metodologia . em que um foi sujeito a sessões de educação sobre prevenção da gravidez na adolescência. para uma abordagem integrada da saúde dos adolescentes e do desenvolvimento de actividades de promoção da saúde e prestação de cuidados nos serviços oficiais de saúde.” Para além de ser um direito humano. A educação sexual pode ser entendida.  Os adolescentes sujeitos a uma educação sexual abrangente (baseada na informação sobre abstinência sexual. reforçadas as iniciativas no sentido de adequar e melhorar as condições de acesso e atendimento dos adolescentes.” O PLANO NACIONAL DE SAÚDE 2004-2010 (2004:17) preconiza que: “Os adolescentes são grupos de intervenção prioritária. nomeadamente as gravidezes não desejadas e o contágio de infecções sexualmente transmissíveis.

O 1º momento (9 de Dezembro de 2008) antes da realização das sessões de educação sexual e o 2º momento (13 de Janeiro de 2009) após a realização das sessões ao grupo experimental (turma A). atribuímos o valor 0 a resposta errada e o valor de 1 até 5 de acordo com o número de respostas correctas assinaladas. o score máximo possível é de 17 valores. “Os adolescentes sujeitos às sessões de educação sexual. o valor 1 para quem assinalou 1 resposta correcta e o valor 2 para quem assinalou 2 respostas correctas. 2. condição indispensável para ser um estudo caso-controle. A questão 11 não foi considerada para avaliação de conhecimentos. o método de amostragem não probabilístico por conveniência de acordo com a opção dos directores de turma. Elaborámos 6 questões em que se pretende avaliar o conhecimento acerca do aparelho reprodutor feminino. A nossa amostra foi constituída por 36 adolescentes. atribuímos o valor 0 para resposta incorrecta.05 pelo que as diferenças encontradas não são estatisticamente significativas. a pertinência e a interpretação das questões. Para testar a nossa hipótese. atribuímos o valor 0 para resposta incorrecta e o valor 1 para a resposta correcta. Utiliza um grupo experimental e um grupo controlo equivalentes. a frequentar o 9º ano de escolaridade no ano lectivo de 2008/2009. em que se pretende avaliar o conhecimento acerca da actuação no caso do preservativo se romper. nos dois momentos de avaliação e nos dois grupos. pretendia-se conhecer os motivos considerados importantes para os adolescentes dizerem não a uma relação sexual. clarificar e modificar algumas questões no questionário. pretende descrever a relação entre as variáveis e verificar a sua existência. O questionário foi aplicado durante o horário escolar (nas aulas de Formação Cívica). constatou-se p>0. Aplicou-se aos adolescentes um questionário. corrigir. Das 8 afirmações apresentadas pedia-se para enumerar 4. ciclo menstrual e alterações físicas e psicológicas da adolescência. Na questão 8. Na questão 7. Assumiu-se como variável dependente “Conhecimentos acerca da prevenção da gravidez na adolescência” e como variável independente a “Educação sexual na prevenção da gravidez na adolescência”. O teste de Shapiro-Wilk revelou que as variáveis não apresentam distribuição normal. rever. também a frequentar o 9º ano. quer do próprio. da Escola E.B. . foi elaborado uma versão definitiva.0. B e C). apresentam mais conhecimentos relativamente à prevenção da gravidez. com a presença de pelo menos um observador. das sete possibilidades de resposta. 1 para quem referiu 1 método. para avaliação de conhecimentos sobre a prevenção da gravidez. O tratamento estatístico dos dados foi efectuado informaticamente. pertencente à área de influência de Saúde Escolar do Centro de Saúde de Ourém. em que a partir da hipótese o pesquisador aplica um tratamento experimental. A 2ª parte para avaliação dos conhecimentos. constituída por 11 questões fechadas de resposta múltipla. foi desenhado um estudo experimental de caso controle. Posteriormente. tendo-se garantido a protecção de dados pessoais. Com o objectivo de testar o número. As unidades de amostragem as turmas A e B. Na questão 10. optando-se assim por testes não paramétricos. é um estudo de causa efeito. foi aplicado um pré-teste a 4 adolescentes. 2 para 2 métodos e 3 para 3 métodos ou mais. utilizouse o teste de Mann-Whitney. 2 estavam erradas e 5 correctas. masculino.Este estudo enquadra-se no domínio da investigação quantitativa. experimental e longitudinal. em que se pretende avaliar o conhecimento acerca do uso correcto do preservativo. Foram incluídos apenas os adolescentes dos quais se obteve consentimento informado. A análise e a avaliação destes resultados permitiu aferir.3 de Freixianda. no qual o primeiro é submetido ao experimento. Para a realização deste estudo foi feito um pedido formal ao conselho executivo da escola e prestados esclarecimentos em reunião à Presidente do Conselho Executivo e directores de turma da população alvo. A 1ª parte relacionada com as características individuais e sóciofamiliares dos adolescentes. Na questão 9. A fim de confirmar a homogeneidade das amostras. atribuímos o valor 0 para desconhecimento total. Antes de iniciar o teste de hipóteses determinou-se se as variáveis em causa tinham distribuição normal. A colheita de dados foi anónima. De acordo com FORTIN (1999). No total. em que se pretende avaliar o conhecimento acerca de aspectos e mitos da relação sexual. em que se pretende avaliar o conhecimento acerca do nº de métodos contraceptivos conhecidos. comparados aos adolescentes que não frequentaram estas sessões”. A população alvo foi constituída por 54 adolescentes (turmas A. atribuímos o valor 0 para resposta incorrecta e o valor 1 para a resposta correcta. através do programa Statistic Package for the social science (SPSS) na versão 16. em dois momentos diferentes. o impacto. quer dos respectivos encarregados de educação.

42. “por não estar preparado” e “querer dar tempo para que o namoro se desenvolva” sendo que.8 e a Moda igual a 17. . Resultados A amostra foi constituída por 36 adolescentes. 21. no 2º momento. 5 e 6 no 1º momento foi de 50 por cento. 64. referidos por 78. Em relação aos conhecimentos acerca de aspectos e mitos da relação sexual.9 por cento no grupo experimental e 72. No 2º momento.9 por cento refere ter conhecimentos anteriores e considera este conhecimento de bom (42.1 por cento assinalou a resposta incorrecta. Constata-se que existem diferenças estatisticamente significativas entre os dois momentos.3 por cento assinalou a resposta incorrecta e apenas 14. No 2º momento.9 por cento e 42. nos dois momentos de avaliação.3 por cento assinalou 2 respostas correctas.9 por cento assinalou 2 respostas correctas e não houve respostas incorrectas. “medo de uma doença sexualmente transmissível”. 71.6 por cento assinalou as 5 respostas correctas.2 por cento. Em relação à questão 11. masculino. No grupo controle. utilizou-se o teste de Wilcoxon. no 2º momento 9. relacionada com o conhecimento sobre como actuar no caso do preservativo se romper. relacionada com o conhecimento sobre os métodos contraceptivos.7 e a Moda 11. com idêntica distribuição entre sexos (50 por cento/50 por cento).Para avaliar o nível de conhecimentos sobre a prevenção da gravidez na adolescência. No grupo controle 72. Em relação ao total de conhecimentos apresentado pelos adolescentes.3 por cento assinalou 2 respostas correctas. no 2º momento.9 por cento a 100 por cento. 92.6 por cento. de acordo com o teste de Wilcoxon.5 por cento dos adolescentes.9 por cento dos adolescentes respondeu correctamente às questões 1.7 por cento assinalou a resposta incorrecta e apenas 18. Na questão 7. No 2º momento 95. mais de 50 por cento da amostra. No 2º momento. Relativamente aos conhecimentos anteriores sobre sexualidade.3 por cento de respostas correctas e no 2º momento 68. “não ser a pessoa certa” e “por não estar preparado”.4 por cento assinalou resposta incorrecta e 28. “medo de uma doença sexualmente transmissível”.9 por cento a 63. O grupo controle no 1º momento apresentou 77.2 e 3 variaram de 90.8 e a Moda 13.9 por cento na questão 4 e 6. o grupo experimental no 1º momento apresentou 64. ciclo menstrual e alterações físicas e psicológicas da adolescência. com a média de idade de 14 anos.2 por cento assinalou 2 respostas correctas. No grupo experimental. No 2º momento o grupo experimental apresenta uma média de conhecimentos superior ao grupo controle.2 e a Moda igual a 12. o grupo controle considerou os mesmos motivos enumerados no 1º momento.7 por cento no grupo controle).9 por cento) e suficiente (50 por cento). Relativamente às questões 4. no 2º momento 22. nas questões 4. nos dois grupos e nos dois momentos de avaliação.5 por cento responderam correctamente às questões 1.6 por cento assinalou a resposta incorrecta e 27. refere conhecer 3 ou mais métodos. No grupo experimental no 1º momento. apenas um adolescente (7. a Média foi de 12.4 por cento na questão 5. Nas questões 4. No grupo controle não houve respostas incorrectas no 1º momento e. acerca do aparelho reprodutor feminino. No grupo controle no 1º momento. verificou-se que no grupo experimental. 5 e 6 as respostas correctas variaram de 40. no 1º momento 13. Quanto ao conhecimento sobre o uso do preservativo. 92. A maior parte dos adolescentes vive com pais e irmãos (92.2 e 3 no 1º momento e. A questão 10.3 por cento de respostas correctas e 100 por cento no 2º momento.2 e 3 e. o grupo experimental enumerou “medo da gravidez”. uma Média de 11.1 por cento) refere não ter conhecimentos anteriores. 54. verificou-se no 1º momento no grupo experimental. a percentagem de respostas correctas variou entre 36. o “por não estar preparado” e “querer dar tempo para que o namoro se desenvolva” foram os motivos mais vezes enumerados. no 2º momento a Média foi de 11. no 1º momento no grupo experimental.3 por cento assinalou 5 respostas correctas. 100 por cento respondeu correctamente no 2º momento.4 por cento e 68.3 por cento refere ter conhecimentos anteriores e apenas um nas questões relativas ao conhecimento. 5 e 6. 92. No grupo controle as respostas correctas nas questões 1.2 por cento.5 assinalou 4 respostas correctas.9 por cento respectivamente e. a Média foi de 15. os 4 motivos enumerados pelos adolescentes para dizer não a uma relação sexual foram no 1º momento e nos dois grupos: “medo da gravidez”. 64. no 2º momento 92.

promovendo campanhas de informação e sensibilização dirigidas a adolescentes e jovens sobre a saúde sexual e reprodutiva. “querer esperar até ao casamento”. verifica-se em relação ao nível de conhecimentos no 1º momento e no grupo experimental uma Média=11. na prevenção da gravidez não desejada. são estatisticamente significativas.2.8 s=1. s=1. s=1. Também MENDES (2006:43) refere que: “Uma abordagem pedagógica sistemática de temas ligados à sexualidade humana em contexto curricular…. melhorou no 2º momento (Média=15. a educação sexual contribui para uma vivência informada.9 por cento refere ter conhecimentos anteriores e considera este conhecimento de bom e suficiente. insere-se num programa eficaz de educação sexual na escola. Conclusão Da análise dos dados podemos concluir que os adolescentes sujeitos às sessões de educação sexual apresentam mais conhecimentos relativamente à prevenção da gravidez. as diferenças são também estatisticamente significativas no que diz respeito ao nível de conhecimentos sobre prevenção da gravidez na adolescência no 1º momento e no 2º momento. nem eficaz o que está de acordo com a legislação portuguesa no DECRETO LEI nº259/2000. tanto no 1º como no 2º momento foi. privilegiando o espaço turma e as diferentes necessidades de crianças e jovens”. A informação trocada no grupo de amigos.3 por cento refere ter conhecimentos anteriores e apenas um adolescente (4. o nível de conhecimentos era superior (média=12. comparativamente aos que não receberam qualquer tipo de educação sexual ou que receberam apenas informação baseada na abstinência sexual. baseados numa educação sexual informal e espontânea não é suficiente. o enfermeiro desempenha um papel importantíssimo como educador para a saúde e agente promotor de estilos de vida saudáveis. indo de encontro às recomendações preconizadas pela RESOLUÇÃO DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA nº 27/2007 em que o governo recomenda medidas no sentido de prevenir a gravidez na adolescência. no conhecimento e uso de métodos . esclarecedora. pensamos estar a contribuir para prevenção da Gravidez na Adolescência. Neste contexto.8). No domínio dos conhecimentos. Os adolescentes apresentavam um nível de conhecimento sobre prevenção da gravidez na adolescência no 1º momento inferior (media= 11.2 que. a meios contraceptivos e a ajuda e acompanhamento especializado. assume um papel fulcral na formação dos jovens adolescentes.6) e inferior no 2º momento (média=11. No grupo de controle. Ao concluirmos a efectividade da formação sobre educação sexual. A educação sexual em meio escolar tem um papel relevante. comparados aos adolescentes que não frequentaram estas sessões. verificou-se que no grupo experimental. Discussão De acordo com a opinião dos adolescentes acerca dos conhecimentos anteriores sobre sexualidade. O estudo americano de KOHLER (2008) demonstra que os adolescentes sujeitos a uma educação sexual abrangente têm menor risco de gravidez.001 e grupo controle p=0. são ficções ou bloqueios em grande parte do país.5 por cento) considera este conhecimento insuficiente. mais gratificante. sendo a diferença estatisticamente significativa (Grupo experimental p=0. regulares e devidamente avaliadas. mais autónoma e mais responsável da sexualidade. Neste contexto. acaba por prevalecer na formação do conhecimento sobre esta matéria. da análise dos resultados. podemos concluir que a formação foi efectiva e ainda que o nível de conhecimentos sobre a prevenção da gravidez no grupo experimental em relação ao grupo controle foi superior.7. E seguramente reside aqui. a educação sexual nas escolas. s= 3. no que diz respeito ao nível de conhecimentos entre o 1º momento e o 2º momento.6). No entanto.044). a sua eficácia depende da articulação e estabelecimento de parcerias entre a escola e os serviços de saúde.8. designadamente na gravidez na adolescência.A razão menos enumerada para dizer não a uma relação sexual nos dois grupos. nos quais se insere a prevenção da gravidez na adolescência. estamos de acordo com o referido pelo GRUPO PARLAMENTAR DO PSD (2002): “O acesso à informação sobre sexualidade. ao contrário dos resultados obtidos no grupo controle.6 ). A aplicação do teste Wilcoxon permite-nos referir que as diferenças no grupo experimental. 92. no grupo controle 72. já que a maioria dos jovens passa aqui grande parte do seu tempo. mas verifica-se que no 1º momento. Conclui-se que houve efectividade na formação e que o tipo de conhecimentos anteriores percepcionados pelos adolescentes. Ou seja.0) ao apresentado no 2º momento (media = 15. com orientação e numa abordagem pedagógica e sistemática.

De acordo com GOMES (2005).1 20 90. Perante os dados obtidos no nosso estudo (embora não permita generalizar para toda a população de adolescentes) e de acordo com as justificativas apresentadas sugerimos que sessões de educação sexual sejam inseridas nos programas curriculares.9 2-Conhecimento sobre alterações físicas e psicológicas na adolescência 13 92.9 3-Conhecimento sobre o início da puberdade 4-Conhecimento sobre a ovulação 5-Conhecimento sobre o período fértil da mulher 6-Conhecimento sobre o período fértil do homem 13 92.8 4 28.5 1 7 50. nos quais se insere a prevenção da gravidez na adolescência.7 11 1.5 13 92.9 22 100.65 12.5 4.0 0 0. A legislação implementa a educação sexual em meio escolar. mas só conseguirá dar resposta com a colaboração de outros parceiros. mas os professores apresentam algumas reservas para desempenhar estas tarefas.303 0.4 36.0 14 100. na responsabilização das adolescentes… a intervenção decisiva para uma evolução mais positiva dos actuais índices de saúde pública juvenil.0 0 0. por manifestarem desconforto na abordagem destes temas.1 14 63.4 8 57.” Garantir aos jovens uma vivência sexual saudável é um dos maiores desafios da escola.1 1 7.66 . para apoiar o desenvolvimento do processo de promoção da saúde em meio escolar.6 2º M o m e n t o 1-Conhecimento sobre puberdade 2-Conhecimento sobre alterações físicas e psicológicas na adolescência 3-Conhecimento sobre o início da puberdade 4-Conhecimento sobre a ovulação 5-Conhecimento sobre o período fértil da mulher 6-Conhecimento sobre o período fértil do homem 14 100. Quadros Quadro 1 .8 13 1.4 13 92.02 -3.9 7 6 6 50. nas noções sobre doenças transmitidas sexualmente.5 21 95.8 1 1 1 4.5 8 36.8 7 31.1 21 95.9 10 71.contraceptivos.9 1 7.68 -2.0 13 59.1 1 7.044 11.014 0.0 4.1 9 40.2 12 3. Grupos Total de conhecimentos N Min Máx Me 15 17 15 14 Mo s Z p experimental 1º momento 2º momento controle 1º momento 2º momento 14 3 14 11 22 10 22 8 11.8 17 1.0 11 50. o enfermeiro tem um papel fundamental como agente educador para a saúde e promotor de estilos de vida saudáveis.1 8 36.1 0. é inegável que esta é a instituição mais adequada à transmissão de conhecimentos e integração social do adolescente.0 0 0.5 21 95.0 8 57.001 15. em particular das Equipas de Saúde Escolar.6 14 63.Distribuição das respostas do grupo experimental e grupo´controle no 1º e 2º momento de avaliação.0 14 100. O enfermeiro é o profissional competente para partilhar saberes e encontrar pontos de convergência.9 42.1 15 68.0 13 92.5 4.0 0 21 95.9 1 7.2 N-amostra Quadro 2 – Medidas descritivas do nível de conhecimentos dos adolescentes sobre prevenção da gravidez na adolescência no 1º e no 2º momento de avaliação. T e m Questões p o 1º M o m e n t o 1-Conhecimento sobre puberdade Grupo Experimental N % N % N Grupo Controle % N 2 % 9.0 42.5 14 63.9 11 50.6 8 1 7.

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