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Prática 2 - EXTRAÇÃO DO PARACETAMOL E PONTO DE FUSÃO

1- Introdução - Paracetamol

NHCOCH 3 OH
NHCOCH 3
OH

Paracetamol (Acetato de p-aminofenol)

Paracetamol As primeiras observações sobre as propriedades analgésicas e antipiréticas do paracetamol foram feitas ainda no século passado, quando muitas drogas alternativas estavam sendo testadas no combate à febre e no tratamento de infecções. Das folhas da Cinchona eram extraídos as quininas; os salicilatos eram extraídos do Willow. Como as fontes naturais começaram a ser pequenas para a grande demanda de medicamentos, novos substitutos sintéticos começaram a ser experimentados.

Em 1886 a acetanilida e em 1887 a fenacetina: duas novas drogas foram introduzidas no mercado, com vantagens sobre a quinina, pois possuíam atividades piréticas juntamente com atividades analgésicas. Em 1893 um novo composto, paracetamol, foi sintetizado: este também tinha notáveis propriedades antipiréticas e analgésicas.

Tanto a acetanilida, a fenacetina, e o paracetamol pareciam ter exatamente o mesmo efeito sobre o organismo. Em 1895 foi constatada a presença de paracetamol em pacientes, que haviam ingerido fenacetina em 1889, em pacientes que haviam ingerido acetanilida. Somente em 1948, entretanto, foi que Brodie e Axelrod constataram que paracetamol era o maior metabólito da fenacetina e da acetanilida; este trabalho levou a conclusão de que tanto a acetanilida e a fenacetina são convertidas ao paracetamol, no organismo, sendo que esta é uma substância com efeitos analgésico e antipirético. Mais tarde verificou-se que a fenacetina também exerce efeito farmacológico, mas, como praticamente toda a fenacetina é convertida ao paracetamol na primeira passagem pelo fígado, o efeito farmacológico da fenacetina só é obtido com doses extremamente altas.

O trabalho de Brodie e Axerold levaram o paracetamol ao comércio: tabletes de 500mg de paracetamol começaram a ser vendidos na Inglaterra, em 1956. Seu

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uso logo se tornou extremamente popular, puro ou combinado com outros fármacos, como descongestionantes, e, hoje, o paracetamol é o analgésico e antipirético mais usado atualmente.

Vantagens do Paracetamol Seus efeitos analgésicos (combate à dor) e antipiréticos (combate à febre) são comparados aqueles da aspirina: -Não existem grupos de pessoas que não possam usar o paracetamol; 1-Não apresenta interações indesejáveis com outros fármacos; 2-Não existem efeitos colaterais quando a dose for a recomendada; 3- Pode ser indicado para crianças e bebês, ao contrário da aspirina; 4-Pode ser indicado para pacientes alérgicos à aspirina; 5-É muito bem tolerável para pacientes com úlcera péptica.

Overdose de Paracetamol O paracetamol é vendido sob a forma de tabletes com 500mg ou sob a forma de emulsão líquida, para crianças. Para uma dose de 1000mg, o pico do nível de paracetamol no sangue é de 20mg/litro, e ocorre entre 30 minutos a 2 horas após a ingestão. O tempo de meia vida no organismo é de cerca de 2 horas.

Paracetamol é metabolizado pelo fígado, sendo que 90% é metabolizado para glucoronídeos e sulfatos, 5% é eliminado sem metabolização, e apenas 5% é oxidado para benzoquinoneimina. O produto da oxidação, a benzoquinoneimina é uma substância altamente reativa e normalmente se combina com glutationas, presentes no fígado. Se a dose de benzoquinoneimina for muito alta, toda as glutationas são consumidas e, neste ponto, a benzoquinoneimina reage com a proteína do fígado, levando a injúrias no órgão. O tempo requerido para o consumo total das glutationas e o posterior ataque à proteína do fígado é de 3 a 4 dias. A dose letal de paracetamol é superior a 15 gramas!

O tratamento da overdose consiste no tratamento sintomático seguido da administraçao de um antídoto. Existem dois antídotos eficazes: metionina (ingestão oral) e acetilcisteína (aplicação intravenosa). Ambos restauram a capacidade do fígado em produzir glutationas para combinação com a benzoquinoneimina. O antídoto pode ser aplicado até 24 horas após a overdose, com total recuperação do fígado!

Técnicas de Extração

A extração é uma técnica para purificação e separação de sólidos. Baseia-se no fato de que a solubilidade dos sólidos varia em função do solvente. Compostos orgânicos, por exemplo, são, em geral, mais solúveis em solventes orgânicos e pouco solúveis em água.

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Coeficiente de Distribuição (K D ) Coeficiente de Distribuição é a constante de equilíbrio para a solubilidade de um composto em um solvente A e solvente B. Neste caso, K D =C A /C B , onde C A e C B são as solubilidades do composto nos solventes A e B, respectivamente. Um número alto de K D indica que grande parte do soluto irá ser transferida para o solvente A. Mesmo em casos onde K D é bastante alto, é conveniente se realizar sucessivas extrações (extrações múltiplas), em vez de uma simples extração.

Sistemas Unifásicos Líquidos Quando um composto orgânico é solúvel em um solvente, por exemplo, a água e em outro solvente neste caso solvente orgânico. Ao agitar um solvente orgânico insolúvel em água com a mistura aquosa é possível remover o composto orgânico dessa fase aquosa através da extração liquido-liquido descontínua ou contínua.

Extração Líquido-Líquido - Descontínua (Fig. 1) ou Contínua (Fig. 2).

Extração descontínua (Fig. 1) utiliza-se um funil de separação, onde ambos os solventes são adicionados. Com a agitação do funil de separação, o soluto passa a fase na qual está o solvente com maior afinidade. A separação é feita, então, sendo que a fase mais densa é recolhida antes. A extração líquido-líquido descontínua é indicada quando existe uma grande diferença de solubilidade do soluto nos dois solventes (grande K D ).

solubilidade do soluto nos dois solventes (grande K D ). Figura 1 Extração descontinua NHCOCH 3

Figura 1 Extração descontinua

solventes (grande K D ). Figura 1 Extração descontinua NHCOCH 3 OH Paracetamol (Acetato de p-aminofenol)
NHCOCH 3 OH
NHCOCH 3
OH

Paracetamol (Acetato de p-aminofenol)

Figura 2 Extração continua

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Extração líquido-líquido continua (Fig. 2), o solvente orgânico passa continuamente sobre a solução contendo o soluto, levando parte deste consigo, até o balão de aquecimento. Como o solvente está sendo destilado, o soluto vai se concentrando no balão de aquecimento.

2 – Procedimento

1-Pesar 2 comprimidos de tilenol e dissolver em 10 ml de acetato de etila, deixar em repouso por 5 min (Fig. 3 A). Filtrar o precipitado em funil simples com papel de filtro.

2 -Colocar o filtrado em um funil de separação (Fig. 3B) e adicionar 10 mL de NaOH 5% e agitar lentamente (Fig. 3B), para evita formação de emulsão.

3-Durante a agitação, abra a torneira ocasionalmente para a liberação dos vapores pressurizados (Fig. 3C).

4-Deixar decantar e separar a fase aquosa da fase. 5-Na fase aquosa adicionar, lentamente, gotas de HCl 6M até pH neutro (teste o pH com papel de tornassol para certificar-se da neutralização). 6-Retornar a fase aquosa, após neutralização, para o funil de separação e extrair com 2 x (10 mL) CH 2 Cl 2 . Repetir as etapas do item 2, deixar decantar e separar as fases.

as etapas do item 2, deixar decantar e separar as fases. A B C D Figura
as etapas do item 2, deixar decantar e separar as fases. A B C D Figura

A

B

as etapas do item 2, deixar decantar e separar as fases. A B C D Figura

C

etapas do item 2, deixar decantar e separar as fases. A B C D Figura 1

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Figura 1 Aparelhagem citada no procedimento

3 – Referências

BAPTISTELLA, L. H. B.; GIACOMINI, R. A.; IMAMURA, P. M. – Química nova – 2003. Vol. 26, Nº. 2, págs.: 284-286. www.qmc.ufsc.br, 2005.

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