Apresentação do livro "Espelhos" de Galeano

0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações2 páginas
Eduardo Galeano apresentou seu último livro, 'Espelhos, uma história quase universal', destacando a 'ditadura mundial do medo' que permeia a sociedade atual. A obra, composta por 600 mini relatos, reflete sobre a condição humana e a migração, questionando as fronteiras e a história da humanidade. Galeano também critica a indiferença do Ocidente frente a novos muros que surgem, enquanto celebra a capacidade humana de sonhar e transformar a realidade.

Traduzido por

ScribdTranslations
Licença
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

:: capa:: Cultura ::

30-05-2008

Eduardo Galeano apresenta seu último livro, "Espelhos, uma história


caseu ununiversal
EunSur Gente
InSurGente

"Espelhos, uma história quase universal", foi o pretexto do escritor e jornalista para
oferecer uma atualização de sua perspectiva da sociedade, 37 anos depois de abalar consciências
com "As veias abertas da América Latina". No meio de aplausos e risadas dos
aproximadamente 600 personas que llenaron la Casa de América de Madrid, Galeano explicó que la
a sociedade de hoje em dia está dominada por uma "ditadura mundial do medo", e se
perguntou se "somos obras-primas de Deus ou piadas ruins do diabo". Por décadas
O Ocidente denunciou o Muro de Berlim entre exigências para sua demolição, mas agora "outros
muros siguen surgiendo y, aunque son más grandes, no se dice nada", expuso.

O escritor uruguaio Eduardo Galeano disse hoje que a sociedade atual está submetida a uma
'ditadura mundial do medo' pelo que se perguntou se 'somos obras-primas de Deus ou piadas
malos do diabo

Durante a apresentação de seu último livro 'Espelhos, uma história quase universal', em uma lotada
Casa de América de Madrid, Galeano considerou que esta obra está cheia 'de espantos' que lhe
fizeram pensar que 'o mundo está grávido de outros mundos' que se traduzem em 600 mini
relatos baseados em fatos e acontecimentos reais que ele recria.

La obra, publicada en marzo, es un conjunto de 'cuentos' de los que ya se han vendido más de
15.000 exemplares. Esses relatos ajudam o leitor a pensar sobre as circunstâncias do
mundo atual, mas também o faz voltar até Adão e Eva, sobre os quais o autor se
questiona se 'eram negros'.

Nesse sentido, Galeano lembrou que se o homem branco também procede da África, então
somos todos africanos, e todos 'somos negros', o que 'não vem mal lembrar nesses tempos'.
'De allí emprendieron nuestros abuelos la conquista del planeta... Ahora las mujeres y los hombres,
temos mais cores do que o arco-íris do céu; mas somos todos emigrantes. Até os brancos
blanquíssimos vêm da África', indicou.

Em aqueles tempos remotos, o mundo inteiro era nosso reino, um imenso mapa sem fronteiras, e
nossas pernas eram o único passaporte exigido', acrescentou o autor uruguaio, que também estimou
que as pateras de hoje 'são netas dos navios negreiros'. Quem vai nas pateras 'não se
van, los empujan, porque nadie emigra porque quiere' reflexionó, al denunciar que 'la venda de
a carne humana continua sendo o negócio mais bem-sucedido do sul' e os que chegam ao norte 'serão usados
enquanto servirem e depois serão lançados.

Por outro lado, lamentou que durante décadas o Ocidente se queixasse do Muro de Berlim e exigisse sua
caída, enquanto 'outros muros continuam surgindo e, embora sejam maiores, não se diz nada'.
Estes, disse, são por exemplo o muro quilométrico que os Estados Unidos constroem em sua fronteira com
México, pelo qual 'podem passar o dinheiro e as mercadorias, mas não as pessoas, pois esta não é
digna de confiança'; ou as cercas de Ceuta e Melilla; ou a da Cisjordânia, ou a existente entre
Marrocos e o Saara Ocidental.

‘Este é o livro dos esquecidos... das histórias não vistas’, comentou Galeano que se declarou ‘unido a
a causa saharaui porque é um povo ao qual roubaram a pátria.

página 1 / 2
No entanto, o escritor confortou o público ao apontar que os humanos podem 'ser compatriotas de
gente nascida em outros países e sentir-se contemporâneas de pessoas que viveram em outras épocas,
e que, além de serem 'os exterminadores de tudo', 'os criadores da bomba atômica', 'os únicos
que torturam ou violentam ou matam por prazer, também os 'humanitos', precisou, são 'os únicos que
sonham acordados, os que transformam o lixo em beleza, os que descobrem cores que o
arco-íris não conhece, os que dão novas músicas às vozes do mundo e criam palavras, para que
não sejam mudas a realidade nem sua memória.

Eduardo Galeano provocou em incontáveis ocasiões os aplausos de um auditório que lotava


mais de 600 pessoas, a maioria jovens e de meia-idade. O autor de 'O livro dos abraços' e
'Bocas del tiempo' assistirá este sábado e domingo à Feira do Livro de Madrid e na segunda-feira viajará para
América Latina donde iniciará la gira de presentación de 'Espejos', su último texto.

página 2 / 2

Você também pode gostar