Pesquisa PIE:
Pobreza rural no Brasil:
Introdução:
A origem da pobreza rural no Brasil ocorre devido ao desenvolvimento do capitalismo
agropecuário, que gerou exclusão social por concentração fundiária e marginalização da
agricultura familiar. Entre 1950 e 1970, a modernização conservadora da agricultura teve
como prioridade a agricultura empresarial, tecnificação e valorização da propriedade
privada,privando as terras e valores produzidos pelos pequenos agricultores e
intensificando a exclusão produtiva e precarização das condições de trabalho no campo,
tornando cada vez mais desumano.
Características da pobreza rural:
A principal característica da pobreza rural é sua multidimensionalidade, porque acaba
afetando na renda, acesso a educação, saúde, saneamento, infraestrutura e mercado de
trabalho. Os indicadores mostram que 17,4% da população rural estava abaixo da linha de
pobreza internacional em 2019. Acaba se tornando mais grave devido a elevada
informalidade do trabalho, a baixa escolaridade, infraestrutura precária (como falta de água
potável e saneamento), e acesso limitado a serviços básicos, tornando a “ascensão” cada
vez mais difícil.
Possíveis impactos sociais e econômicos:
A escassez de conhecimento, a precariedade do mercado de trabalho, a concentração
de quantidade de terra limitam o desenvolvimento rural sustentável, contribuindo para
desigualdades regionais profundas e aumentando a vulnerabilidade social e econômica. A
população rural pobre enfrenta barreiras sociais e econômicas para integração aos
mercados produtivos e acesso a direitos sociais por falta de conhecimento e oportunidade.
As políticas públicas e estratégias já existente:
Apesar de avanços em políticas de proteção social (exemplo: Bolsa Família, Fome Zero,
Mais Médicos, Auxílio Emergencial e Auxílio Inclusão Produtiva Rural), nota-se um
retrocesso em aspectos da redução da pobreza rural devido a crises econômicas e políticas
recentes. Os esforços para preencher as metas da Agenda 2030 apontam para a
necessidade de ações multissetoriais que envolvam fomento à agricultura familiar,
agroecologia, economia solidária, ampliação da assistência técnica, investimentos em
infraestrutura social (educação, saúde, saneamento) e políticas de reforma agrária.
O combate a pobreza deve ultrapassar a dimensão monetária, incorporando o acesso a
capacidades, serviços e participação social, coerente com a noção de pobreza
multidimensional. Estratégias sustentáveis para o campo passam pelo fortalecimento da
agricultura familiar com base em práticas agroecológicas, promoção da economia solidária
e inclusão produtiva que respeitem os limites ambientais e promovam justiça social.
Alternativas:
- Relevância da agricultura familiar e economia solidária:
A agricultura familiar é vista como um setor-chave para garantir segurança alimentar,
geração de renda e manutenção da diversidade cultural e ambiental no meio rural. A
economia solidária funciona como alternativa para inclusão produtiva, combate à
desigualdade e fortalecimento do protagonismo social, por meio de associação, cooperação
e práticas econômicas sustentáveis.
Conclusão:
O Brasil possui grandes desafios estruturais para erradicar a pobreza rural,
especialmente em cenário pós-pandemia e com políticas públicas fragilizadas. O alcance
dos objetivo de desenvolvimento sustentável, a erradicação da pobreza, depende da
articulação institucional efetiva e políticas públicas integradas que considerem as
especificidades regionais, o fortalecimento dos mercados locais, a sustentabilidade
ambiental e o desenvolvimento social e econômico inclusivo. O combate contra a pobreza
rural no Brasil exige compreender suas múltiplas dimensões históricas, sociais, econômicas
e ambientais para formular políticas que promovam o desenvolvimento sustentável efetivo e
equitativo no meio rural [