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Data Junho de 2012 Assunto Encerramento do Tribunal de Sabrosa Responsável Comissão Coordenadora

Data

Junho de 2012

Assunto

Encerramento do Tribunal de Sabrosa

Responsável

Comissão Coordenadora Distrital do BE de Vila Real

Comunicado:

Encerramento dos Tribunais de Boticas, Mesão Frio, Murça, Mondim de Basto Sabrosa e Valpaços.

Em defesa dos Tribunais e da proximidade dos serviços públicos e do acesso à justiça por todos os cidadãos, e pelo despertar cívico dos transmontanos.

O encerramento de sete tribunais do Distrito de Vila Real, constitui um dos maiores

ataques por parte da Administração Central às populações do interior do país.

O acesso à justiça, à educação e à saúde são um direito fundamental do povo, que

deposita no “Estado” a garantia e acesso a esses bens sociais e que sustentam os pilares da sociedade. O Estado não pode dizer que esse acordo não existe, e não pode vender esses direitos a empresas privadas, ou no caso da Justiça desresponsabilizar-se pela paz pública, como pretendem os partidos da Troika com estas ações, assim se irá tornar a vida dos portugueses um calvário.

Estes três princípios têm sido sucessiva e insistentemente subtraídos às populações do interior. Em Portugal, até muito antes da existência do Estado de Direito e da existência de Estado, sempre se verificou um esforço por levar a "justiça" para próximo das populações.

O que se ensina na história é hoje negado e escondido e acrescentam os nossos

governantes que devemos ter juízo e aceitar as amarguras.

É por isto que o Bloco de Esquerda considera que o actual modelo de reorganização

judicial é um claro retrocesso civilizacional, e insuportável, principalmente para os

concelhos localizados em regiões económica e socialmente deprimidas.

Os pressupostos em que assenta esta reorganização, são mera contabilidade. Para além disso, serão sempre injustas e perigosas, pois anunciam mais desinvestimento público, mais abandono e mais desestruturação do território, mais desemprego. Além disso os tribunais a encerrar não apresentam uma grande morosidade de processos, ao encerra-los iremos entupir os restantes tribunais. A colocação de competências, como o direito do trabalho, família, direito comercial, nos dois grandes pólos urbanos do distrito, como Chaves e Vila Real, vão onerar brutalmente os interessados nos processos. Se a justiça é agora um luxo, amanhã será uma regalia para alguns.

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Contatos Bloco de Esquerda Tv. da Portela 12 - 1º 5000-516 vilareal@bloco.org vilareal.bloco.org

É inadmissível que as populações tenham que se deslocar dezenas e até centenas de

quilómetros para ir ao encontro das instituições judicias, numa região onde os transportes públicos praticamente não existem e com uma população envelhecida e pobre. As populações tenderão a fazer justiça pelas próprias mãos e a quebrar laços de confiança com o Estado.

É preciso que as populações da nossa região saibam que esta proposta, que se traduz

no encerramento de tribunais, não resulta de uma real necessidade, mas sim de uma imposição ilegítima da Troika, que no ponto 7 do seu memorando informa da necessidade de “acelerar a implementação da reforma do mapa judiciário”. O memorando não diz quais os tribunais a fechar, no entanto os documentos que acompanham as decisões de aplicar o programa nas mais diversas áreas seleccionam os elos mais fracos. Não podem os partidos da troika esquecer que são responsáveis em várias comissões e entidades por colocar esses planos em marcha.

Sobre a conduta dos autarcas. Os senhores presidentes de Câmara dos concelhos abrangidos por esta medida, há muito sabiam da existência da reforma do mapa

judiciário e da eventualidade de encerramento de mais serviços públicos. As reacções

e medidas agora por si anunciadas são hipócritas e ridículas, pois durante todo este tempo não fizeram mais do que obedecer aos seus directórios partidários, e todos o sabem. Ainda em 2011 os autarcas andaram em campanha eleitoral pelos seus partidos e, já então, sabiam bem das intenções e da programação da intervenção da Troika.

Transmontanos; vocês também o sabiam mas não foram levados ao debate nas eleições do ano passado, ficamos colectivamente entretidos com o concurso de popularidade protagonizado pelos partidos da troika, hoje não existe nenhum

concurso de popularidade que vos alegre o apertar do cinto, e as suas consequências,

é preciso ripostar.

As vossas liberdades devem estar em primeiro lugar que a contabilidade do Vítor Gaspar.

A defesa do interesse das nossas populações faz-se também na afirmação clara,

concertada e radical de que somos contra o encerramento de qualquer tribunal na região transmontana.

A Comissão Coordenadora Distrital do Bloco de Vila Real Vila Real, 21 de Junho de 2012

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