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CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL DA BACIA DO RIO PARACATU

Vitor Vieira Vasconcelos1 Paulo Pereira Martins Junior2 Renato Moreira Hadad3
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Assembleia Legislativa de Minas Gerais (Consultor Legislativo de Meio Ambiente e Recursos Naturais).

Universidade Federal de Ouro Preto (Doutorando). Doutorando em Geologia, Mestre em Geografia, Especialista em Solos e Meio Ambiente, Bacharel em Filosofia, Técnico em Meio Ambiente, Técnico em Informática. Financiador: Fapemig. E-mail: vitor.vasconcelos@almg.gov.br. Endereço: Rua Goitacazes, 201/1402, Centro, Belo Horizonte, Minas Gerais, CEP 30.190-050.
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Universidade Federal de Ouro Preto (Professor). Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais - CETEC-MG

(Pesquisador Pleno). Geólogo. Doutor em Ciências da Terra. paulo.martins@cetec.br
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Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (Pró-Reitor) – Programa de Pós-Graduação em Geografia –

Tratamento da Informação Espacial (Professor). Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais – CETEC-MG (Pesquisador Pleno). Doutor em Ciência da Computação, Mestre em Ciência da Computação, Bacharel em Engenharia Mecânica. rhadad@pucminas.br

Universidade Federal de Ouro Preto e Fundação CETEC Projeto: SISTEMAS de ARQUITETURA de CONHECIMENTOS e de AUXÍLIO à DECISÃO na GESTÃO GEO-AMBIENTAL e ECONÔMICA de BACIAS HIDROGRÁFICAS e PROPRIEDADES RURAIS Junho de 2012
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INTRODUÇÃO
Este estudo empreende uma análise dos estudos existentes sobre a Bacia Hidrográfica do Rio Paracatu. Após apresentar a localização e os limites espaciais da Bacia, avalia-se o conhecimento existente no tocante à Litoestratigrafia, Geologia Estrutural, Geomorfologia, Pedologia, Clima e Cobertura Vegetal. São delineadas correlações e interações entre as diversas caracterizações espaciais das temáticas apresentadas. Atenta-se em cada tema, sobretudo, às características que podem ter papel significativo aos processos hidrogeológicos. Por fim, são apresentadas considerações preliminares sobre os processos hidrogeológicos associados a cada sistema de rochas portadoras de aquíferos da bacia.

1 – LOCALIZAÇÃO

A Bacia Hidrográfica do Rio Paracatu localiza-se entre os paralelos 15º30’ e 19º30’ de latitude sul e os meridianos 45º10’ e 47º30’ de longitude oeste. Encontra-se quase totalmente dento do Estado de Minas Gerais (Região Noroeste), com pequenas áreas de topo adentrando no Estado de Goiás e no Distrito Federal (mapa da Figura 1). A bacia limita-se, ao sul, com a bacia do Rio Paranaíba; a oeste, com a Bacia do Rio São Marcos, afluente do Rio Paranaíba; a leste, com as bacias dos Rios Formoso e Jatobá, afluentes do São Francisco; e, a norte, com a Bacia do Rio Urucuia, também afluente do São Francisco. Os municípios integrantes da Bacia do Rio Paracatu são apresentados no mapa da Figura 2.

Figura 1 - Localização da Bacia do Rio Paracatu.

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Figura 2 – Municípios integrantes da Bacia do Rio Paracatu. Fonte: Pruski et al. (2007, p. 201).

A Bacia do Rio Paracatu possui 45.154 km2, sendo a maior bacia dentre os afluentes diretos do Rio São Francisco. As principais sub-bacias do Rio Paracatu são, pela margem direita, a
do Rio da Prata, com 3.750 km2, e a do Rio do Sono, com 5.969 km2; pela margem esquerda, as bacias do Rio Escuro, com 4.347 km2, do Rio Preto, com 10.459 km2 e a do Ribeirão Entre Ribeiros, com 3.973 km2. A hidrografia principal da bacia é apresentada nos mapas das Figuras 3 e 4.

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Figura 3 – Mapa de drenagem baseado nas aerofotos do voo de 1964 realizado pela USAF derivado na escala de 1:60.000. Fonte: Martins Junior (2006).

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40) 2 – LITOESTRATIGRAFIA A área da bacia do Paracatu é constituída por um conjunto de rochas pré-cambrianas e por uma sequência de depósitos sedimentares de idade cretácea.Figura 4 – Principais cursos de água da Bacia do Rio Paracatu. Diversos autores propuseram classificações. além de sedimentos e coberturas detríticas do Terciário-Quaternário (CETEC-MG 1981). colunas estratigráficas e mapas litoestratigráfico para regiões dentro da Bacia do Paracatu. os quais foram agrupados no Anexo. Fonte: Novaes (2005. p. 5 .

2004). O mapa litoestratigráfico da Figura 6. 6 . proposto pelo CETEC-MG (1981). no mapa disposto da Figura 5. Comig 1994). apresenta a delimitação das duas formações.Na Figura 5. na Bacia do Paracatu. na faixa proximal entre o Grupo Canastra e o Grupo Bambuí. a correlação cronológica entre o Grupo Bambuí e as Formações Vazante e Paracatu ainda não é assunto consensuado na literatura acadêmica. compostas por camadas de filitos carbonosos (Formação Paracatu). as formações Paracatu e Vazante.000. seguido da respectiva coluna geológica. 1992) e Comig (1994) individualizam. pelas suas litofácies e pela espessura dos sedimentos observados. não deixam de ser critérios para sua separação (Dardenne 1978.000. consistido por Martins Junior (2006). que cedem lugar a pacotes de quartzitos e filitos cloríticos e sericíticos no topo (Fuck et al. O Grupo Canastra é constituído. Essas formações não haviam sido individualizadas pelo CETEC-MG (1981). Ressalta-se que Freitas-Silva e Dardenne (1991. formados por um alto paleogeográfico regional (Misi 2001. as litoestratigrafias completamente distintas. 1994). com escala de detalhe original em 1:1. por rochas metassedimentares siliciclásticas. De acordo com Endo (2006). enquanto o Quadro 1 relaciona o respectivo mapa aos tipos de rocha. na escala de detalhe original em 1:250. apresenta-se o mapa de litoestratigrafia. ainda.000. Todavia. Os metassedimentos do Grupo Vazante consistem em uma sequência argilosa e argilo-dolomítica com estromatólitos de barreira recifal (Valeriano et al. Figura 43 do Anexo).

Fonte: Martins Junior (2006).Figura 5 – Mapa litoestratigráfico da Bacia do Paracatu .000. 7 .escala de detalhe do levantamento em 1:250.

localmente calcíferos. Formação Mata da Corda Kmc – Tufos. Conglomerados e Arenitos Cineríticos EO-CAMBRIANO Super Grupo São Francisco Grupo Bambuí Formação Três Marias EoCtm – Arcósios e siltitos arcosianos. com intercalações de siltitos e argilitos fossilíferos. Formação Paraopeba EoCp – margas. siltitos argilitos.  – Mais antigo CRETÁCEO Formação Urucuia Ku – Arenitos avermelhados ou róseo claros. filitos e siltitos PROTEROZÓICO Grupo Canastra PCc – quartzitos. EoCpc – margas. Formação Areado Ka – Arenitos finos médios. siltitos argilitos. calcários grafitosos e piríticos e xistos 8 . Tufitos. siltitos argilitos. calcários e ardósias com predominância de dolomitos. EoCpd – margas. filitos. arenitos avermelhados com estratificação cruzada e conglomerados. calcários e ardósias com predominância de calcários e margas. micáceos. com horizontes argilosos. Cascalhos e Areia TERCIÁRIO/QUATERNÁRIO TQd – Sedimentos Detríticos Laterizados ou não ou TQd – Sedimentos Detríticos Laterizados ou não mais antigos.COLUNA ESTRATIGRÁFICA do MAPA LITOESTRATIGRÁFICO (Figura 5) QUATERNÁRIO Qa – Sedimentos Inconsolidados – Argilas. Formação Paranoá EoCpa – Quartzitos. calcários e ardósias. cores variegadas do vermelho claro ao verde. localmente silicificados. cores verde a marrom arroxeado.

9 .Figura 6 – Mapa litoestratigráfico conforme as bases cartográficas da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (2003).

Siltito Arenito. Mármore Siltito Dolomito.Conglomerática Rítmica Quartzítica inferior Paranoá 3 . Argilito. quartzito Paranoá 4 . Siltito Folhelho síltico Dolomito Pelito Depósitos de silte Depósitos de silte. Depósitos de cascalho Folhelho. Laterita. Siltito Quartzito Marga. Argila. Metarritmito Siltito argiloso. calcário Paraopeba. Depósitos de cascalho Depósitos de areia. arenito Paraopeba. Metamórfica. Arenito. quartzito Lagoa do Jacaré. Arcóseo.Rítmica Quartzítica Intermediária Paranoá 3. Siltito. Arenito Filito. Sedimentar química (ou Sedimentos inconsolidados) Sedimentar (ou Sedimentos inconsolidados) Sedimentar (ou Sedimentos inconsolidados) Material superficial (Sedimentos inconsolidados) Material superficial (Sedimentos inconsolidados) Rocha vulcânica Conglomerado Metasiltito. Chert. Sericita xisto. Marga Arenito Calcarenito Quartztito Calcário Siltito Metapelito Arenito. Depósitos de areia. Metassiltito Quartzito Metargilito. Depósitos de argila Argila. Rocha pelítica. Siltito Arcóseo. Depósitos de areia. Dolomito. Diamictito Laterita. Sedimentar química (ou Sedimentos) Sedimentar clasto-química (ou Sedimentos) Sedimentar clástica (ou Sedimentos) Sedimentar clasto-química (ou Sedimentos) Metamórfica Sedimentar clasto-química (ou Sedimentos) Sedimentar clástica Metamórfica Sedimentar clástica Sedimentar (ou Sedimentos) Clástica Ígnea vulcânica.Rítmica Pelito-carbonatada Serra do Landim Vazante . Argilito.Unidade B Paraopeba Paraopeba. Depósitos de argila. Metassiltito Filito. Cascalho. Fonte: Companhia Brasileira de Recursos Minerais (2003) Sigla CPsf ENdl K1a K2mc K2u MPci MPp MPpa MPpa1 MPpa3 MPpa3qt MPpa4 MPsl MPva MPvb NP2bp NP2bpa NP2bpc NP2bpqt NP2ljc NP2sh NP2sl NP2ss NP3tm NQdl Q1a Q2a Q2a Qdi Nome da Unidade Santa Fé Coberturas detrito-lateríticas com concreções ferruginosas Areado Mata da Corda Urucuia Canastra Indiviso Paracatu Paranoá Paranoá 1 . Metarenito Sericita filito carbonoso Metarenito arcoseano. Sedimentar Clástica Metamórfica Metamórfica Metamórfica Ígnea. Tufo lapíli Arenito conglomerático. calcário Serra de Santa Helena Sete Lagoas Serra da Saudade Três Marias Coberturas detrito-lateríticas ferruginosas Depósitos aluvionares antigos Depósitos aluvionares Depósitos aluvionares Coberturas detríticas indiferenciadas Litotipo Primário Arenito. Cascalho Litotipo Secundário Classe das Rochas Sedimentar clástica (ou Sedimentos) Sedimentar químico (ou Sedimentos inconsolidados) Sedimentar clástico (ou Sedimentos) Sedimentar vulcanoclástica (ou Sedimentos) Sedimentar clástica (ou Sedimentos) Metamórfica Metamórfica Metamórfica e sedimentar química Metamórfica. Metassiltito Metargilito Ardósia. Depósitos de cascalho Areia Areia. Siltito Aglomerado. Ritmito. Silte 10 . Grafita xisto. Rocha metapelítica Calcarenito. Metargilito. Argilito. Folhelho. Foscorito Calcário dolomito.Unidade A Vazante . Rocha metapelítica Conglomerado oligomítico.Quadro 1 – Litologia da Bacia do Rio Paracatu. Depósitos de argila Depósitos de argila. Marga. Sericita filito carbonoso Ardósia. Metamórfica Ígnea. Ardósia Calcário Filito. Xisto. Foscorito. Rocha pelítica. Depósitos de areia. Conglomerado. Sedimentar Clástica Metamórfica.

por sua vez apresentam dobras e falhas inversas. com direções (strike) aproximadamente paralelas aos limites sul e oeste do Cráton do São Francisco. A parte meridional da Faixa Brasília compreende. As coberturas detríticas terciário-quaternárias depositam-se em discordância erosiva sobre as demais coberturas estratigráficas (Ruralminas 1996). a nível regional. 11 . siltitos e ardósias calcíferas. À oeste. desenvolvido no Neoproterozóico em eventos de colisão continental entre os Crátons Amazônico e São Francisco (Mulholland 2009). Canastra e Vazante e das formações Ibiá e Paracatu (Mulholland 2009). coincide com as zonas marginais de deformação que encerram características de um ambiente litorâneo e sublitorâneo (Mulholland 2009). O Cráton do São Francisco estabilizou-se no final do ciclo Transamazônico e atuou como antepaís para as faixas orogênicas que o delimitam (Mulholland 2009). Anexo). calcários coolíticos e pisolíticos. típicos desse ambiente de deposição (Mulholland 2009). as unidades litoestratigráficas dos grupos Araxá. Em alguns locais dessa plataforma. a região de Paracatu se insere na faixa de dobramentos Brasília e abrange uma pequena porção de uma unidade geotectônica maior. São coberturas alóctones e autóctones (Ruralminas 1996) com diferentes graus de laterização (Barbosa. turbiditos. no contexto geotectônico. 1994). Destarte. tais rochas refletem reativações de falhamentos do embasamento cristalino. denominada Cráton São Francisco. Os metassedimentos do Grupo Vazante devem-se à sedimentação de margem passiva neoproterozóica na borda oeste do Cráton do São Francisco (Fuck 1994). meso e neoproterozóicas exibem deformação e metamorfismo com polaridade dirigida para leste (Fuck et al. prébrasiliana. Rochas supracrustais. A Bacia do Paracatu caracteriza-se em sua porção central como parte da plataforma estável do Cráton do São Francisco. de um modo geral. sub-horizontais e com leves evidências de metamorfismo (Andrade 2007).3 – GEOLOGIA ESTRUTURAL Para Almeida (1977). A faixa proximal oeste do Subgrupo Paraopeba. As zonas de deformações marginais. o qual representa um fragmento crustal arqueano retrabalhado pela orogênese Brasiliana. pertencente ao Grupo Bambuí. apresenta composição litológica formada por calcários silicosos e dolomíticos com estromatólitos. o Grupo Vazante é cavalgado pelo grupo Canastra ou pela sequência de filitos e quartzitos da Formação Paracatu – e a leste cavalga os sedimentos da porção superior do Grupo Bambuí (Souza 1997). A infraestrutura da Faixa Brasília é formada por terrenos do Maciço de Goiás (Província de Tocantins). limitada a leste pela Zona de Deformações Marginais (CETEC-MG 1981 – Ver Figura 47. onde as rochas précambrianas (Grupo Bambuí) apresentam-se. A plataforma estável corresponde a uma área cratônica. 1970).

São resultantes de uma fase de aplainamento do cretáceo superior/terciário inferior. evidenciadas pelas linhas de drenagem. embora controlem estruturalmente as redes de drenagem. Ao passo que na metade leste da bacia (plataforma estável) os lineamentos. Essas cristas apresentam uma sequência de falhas inversas de direção N10ºW e alto grau de mergulho (Mourão 2001). reativação de falhas anteriores. respectivamente. sobre as expressões principais de forma da bacia do Paracatu e de seus lineamentos estruturais podem ser observadas nas Figuras 9 e 10. em nada condizem com relevo arrasado e aplainado. De acordo com Endo (2006). O evento E2.As coberturas detríticas mais antigas estão sobre os planaltos de 800 a 1000 metros de altitude. o qual se encontra na Bacia de São Marcos (vizinha oeste da Bacia do Paracatu). por sua vez. 12 . desenvolvendo-se predominantemente sobre os Grupos Mata da Corda e Aerado e Formação Urucuia (Ruralminas 1996). As consequências do Evento E 1. os dois principais eventos deformacionais que moldaram a Bacia do Paracatu são de idade brasiliana (600 a 560 Ma). divididas aproximadamente no meridiano 46º30’. Como resultados desse evento. A porção da bacia ao Norte de Brasilândia de Minas (Paralelo 17ºS) apresenta feições estruturais dúcteis dirigidas no sentido NW-SE – equivalendo à Bacia do Rio Preto e ao Norte da Bacia de Entre-Ribeiros. observam-se dobras de tipo kink. a Serra de São Domingos serviu de anteparo aos vetores compressivos. A análise das estruturas dúcteis e rúpteis da Bacia do Paracatu traz informações relevantes sobre sua tectônica recente. O evento E1. movimentos transcorrentes e estruturas em flor (Endo 2006). Ao passo que a porção sul da bacia apresenta estruturas no sentido NE-SW. por sua vez. são mais recentes. As coberturas na depressão da bacia (400 a 600 metros de altitude). mas também originados de detritos de formações cretáceas de matriz arenítica. no Estado de Goiás. Na metade oeste da Bacia do Paracatu (zona de deformações marginais). associado ao Domo de Cristalina. sem variações topográficas de expressão regional (Ruralminas 1996). Os mapas das Figuras 7 e 8 apresentam a distribuição de estruturas rúpteis e dúcteis da bacia. de forte natureza dúctil. teve seu vetor compressivo orientado no vetor NS e teve características dúctil-frágeis. Na porção Norte (Bacia do Rio Preto). os lineamentos rúpteis e dúcteis são bastante relacionados às estruturas de relevo (cristas e vales). formando dobras de descolamento (detachement folds) (Endo 2006). necessita ser contextualizado com a formação do Domo de Cristalina (identificável na Figura 29 do Anexo). A bacia também pode ser analisada de acordo com os atributos de sua metade leste e oeste. gerando os dobramentos mais expressivos: as Cristas de Unaí. A formação do domo se deve a um dobramento drapeado crustal (drape fold) que gerou um campo de esforços compressivos de direção EW com vergência e transporte de massas dirigidas para leste. nas cabeceiras da bacia. dobras com assimetria do eixo axial em S.

Figura 7 – Estruturas rúpteis na Bacia do Paracatu. 13 .

14 .Figura 8 – Estruturas Dúcteis da Bacia do Rio Paracatu.

B – Complementa a Figura A indicando o modus operandi e os dobramentos como resultantes das compressões de oeste para leste do Domo de Cristalina sobre os metassedimentos do Paracatu. As estruturas de primeira ordem desse sistema interceptam-se próximas a Brasilândia de Minas. portanto com expressão mórfica de uma serra. com os mais expressivos anticlinais nucleados por calcários cinza-escuros. no domínio norte. Figura 10 – O Domo de Cristalina foi objeto de um processo de compressão de direção oeste-leste sobre os metassedimentos do Paracatu. O sistema de dobramento da cobertura é delimitado na base por uma superfície de descolamento. A Serra de São Domingos. sendo que D1 e D2 correspondem. Os resultados tridimensionais desses eventos deformacionais foram estudados por Rostirolla et al. (2002) também propõem que as falhas de empurrão do 15 . e desses sobre os metassedimentos da faixa de dobramentos na porção oeste da Bacia do Paracatu. Rostirolla et al. NW-SE. parece ter sido uma área de maior resistência – daí oferecer um sistema mais plissado. analisando a Formação Vazante. Gerou na área-volume do atual vale dos rios Paracatu e Preto um sistema de dobras isomófricas que. pertencentes a faixa de dobramentos Brasília. Foram propostos 5 eventos de deformação (Figura 11). ao evento E1 de Endo (2006). As dobras são "dobras de descolamento" ( detachement folds). têm a direção NE-SW e. no domínio sul. em termos gerais. Fonte: Endo (2006). Fonte: Endo (2006). (2002). enquanto D3 a D5 correspondem ao evento E2.Figura 9 – A – Relação de compressão do bloco do Domo de Cristalina e do bloco do embasamento a leste.

16 . Abaixo. à direita: feições planares que controlam a percolação das águas subterrâneas.evento D2. D2: Falhas de Empurrão. associadas ao descolamento dos acamamentos dobrados em D1. na Bacia do Rio Paracatu. Figura 11 – Eventos deformacionais sobre a Formação Vazante. D3: Movimentação transcorrente e bandas de tipo kink. Adaptado de Rostirolla et al. D4: reativação e falhas distencionais. com abatimento de blocos para NW. D1: vergência das dobras e cisalhamentos na direção E-SE. (2002). são as mais importantes em termos de controle do fluxo hidrogeológico. D 5: Falhas transcorrentes dextrais EW e deformação distencional condicionada pelas falhas NW.

entre as cotas de 600 a 800 metros (Ruralminas 1996). o que coincide com os baixos resultados de potencial erosivo determinados por Ruralminas (1996) por meio da equação universal de perda de solos. Essas áreas 17 . Os resultados condizem com uma bacia de máxima estabilidade. com escoamento superficial pouco denso e bastante reduzido que converge para vales rasos de fundo plano com surgências em veredas (Mulholland 2009). Depressão São Franciscana e Cristas de Unaí (Figura 12). com topos de cotas de 800 a 1000 metros. A Bacia do Rio Paracatu pode ser compartimentada entre três unidades geomorfológicas: Planaltos do São Francisco. Os limites desses planaltos são definidos pelos rebordos erosivos em escarpas. provocadas pelo aprofundamento da drenagem da Bacia do Paracatu. O retrabalhamento erosivo remontante dessas superfícies tabulares. que ocorrem em geral em altitudes intermediárias. Figura 12 – Unidades Geomorfológicas da Bacia do Rio Paracatu. Litoestratigraficamente. O topo das chapadas é constituído por latossolos bem desenvolvidos e permeáveis. Fonte: IGAM (2006). remetem-se a coberturas detrito-lateríticas terciário-quaternárias sobrepostas a formações do Proterozóico Médio. avaliando sua correlação com índices de drenagem de Horton e Strahler. a partir das bases cartográficas de Ruralminas (1996). Os planaltos do São Francisco correspondem a capeamentos sedimentares amplos.4 – GEOMORFOLOGIA Ferreira et al. (2005) analisaram a evolução do perfil de equilíbrio topográfico da bacia do Paracatu. deu origem a formas identificadas como superfícies tabulares reelaboradas e superfícies tabulares onduladas.

grutas.retrabalhadas evidenciam as estruturas dúcteis e rúpteis da zona de deformação ocidental da bacia. No trabalhamento erosivo das estruturas dúcteis. 18 . atingiu o substrato representado pelas rochas do Grupo Bambuí (IGAM 2006). O mapa geomorfológico detalhado da Bacia do Paracatu pode ser conferido na Figura 15. dissecando as formações cretáceas. enquanto seus afluentes desenvolvem-se seguindo os lineamentos de sinclinais escavadas (Ruralminas 1996). quartzitos e calcários dos Grupos Vazante. Há também formações kársticas. A evolução horizontal dessa depressão teve início a partir do momento em que o progressivo entalhamento das drenagens principais. em que se remarca a presença de lagoas e veredas. Suas áreas rebaixadas são geralmente cobertas por colúvios e constituem prolongamento da Depressão Franciscana (Mulholland 2009). com presença de sumidouros. São constituídas de formas erosivas desenvolvidas sobre sinclinais e anticlinais. com cotas entre 400 e 600 metros. Os vales dos cursos de água principais cortam as estruturas transversalmente. cavernas e dolinas. Os mapas de altimetria e de declividade estão nas Figuras 13 e 14. As cristas de Unaí estendem-se do Município de Vazante até o Vale do Rio Preto. respectivamente. siltitos. por sua vez. entre as quais se intercalam zonas rebaixadas e aplainadas (IGAM 2006). A Depressão São Franciscana. é constituída por extensas áreas rebaixadas e aplainadas ao longo do leito do Rio Paracatu. com direção NNW-SSE. com um agrupamento esquemático apresentado na Figura 16. afloram ardósias. truncando os núcleos de anticlinais em gargantas e boqueirões. Paranoá e Bambuí (Mulholland 2009).

Figura 13 – Altimetria da Bacia do Rio Paracatu 19 .

Gerada pelo método de cálculo do momento de derivação sobre superfície quadrática obtida por meio de regressão polinomial a partir das bases de altimetria SRTM.7. no software Envi 4.Figura 14 – Declividade da Bacia do Rio Paracatu. 20 .

000.Figura 15 – Mapa geomorfológico da Bacia do Paracatu escala disponível 1:250. baseado no Planoroeste do CETEC-MG (1981). Fonte: Martins Junior (2006). 21 .

str . it .superfície tabular aplainada – superfície de aplainamento em área de depressão.cristas e formas tabulares.patamares rochosos com vertentes ravinadas.cristas – formas erosivas e/ou estruturais.vertentes ravinadas e vales encaixados – vertentes íngremes dissecadas pelo escoamento fluvial. rc . rede de drenagem constituída por veredas e vales pouco aprofundados.interflúvios tabulares com vertentes ravinadas e vales encaixados.formas evoluídas por processo de dissecação fluvial. crv .cristas estruturais com vertentes ravinadas e vales encaixados. Áreas de escoamento superficial difuso intenso. constituídas por alinhamento de topos com vertentes abruptas. pt . Áreas com escoamento superficial difuso. com predomínio de escoamento superficial difuso.pedimentos – vertentes de declividade inferior a 8% elaboradas sobre rochas expostas ou cobertas por formações superficiais que se integram com os depósitos colúvio-aluviais das superfícies de aplainamento.vertentes em chevron – vertentes litólicas ravinadas e/ou com vales encaixados.cristas com vertentes ravinadas e vales encaixados. ptpdr . sa . constituída por veredas. kr . sobre formações arenosas. sor . ker .interflúvios tabulares e cristas.patamares ondulados – superfícies exumadas em degradação pelo escoamento superficial concentrado.colinas com vertentes ravinadas e vales encaixados. krvit . stot . rcd . gf2 . Áreas de escoamento superficial concentrado e difuso intenso.vertentes ravinadas. áreas de escoamento superficial difuso.colinas de topo aplainado com vertentes ravinadas e vales encaixados.vertentes ravinadas – vertentes dissecadas pelo escoamento fluvial concentrado. Área de escoamento superficial concentrado. carv .patamares pedimentados – superfícies de aplainamento exumadas reelaboradas por processos de pedimentação. vales encaixados e cristas esparsas. Predomínio de escoamento superficial concentrado. crvk . ptpd .colinas com vertentes ravinadas. rvk . kv .superfície tabular – superfície de aplainamento em área de planalto. pdrv .cristas com vales encaixados. kerv .patamares rochosos.colinas e cristas com vertentes ravinadas e vales encaixados. c . vales encaixados e cristas esparsas. krv .superfície de aplainamento degradada em área de planalto.pedimentos ravinados com vales encaixados. cristas com vertentes ravinadas e vales encaixados. cv . FORMAS EVOLUÍDAS por PROCESSOS de DISSECAÇÃO FLUVIAL r . com vertentes ravinadas e vales encaixados. pd . rede de drenagem constituída por veredas em densidade relativamente elevada. itrv .LEGENDA do MAPA GEOMORFOLÓGICO (Figura 15) FORMAS EVOLUÍDAS por PROCESSOS de PEDIMENTAÇÃO st .patamares rochosos – superfícies de aplainamento exumadas resultantes da atuação de processos de erosão diferencial entre formações cretáceas e rochas do Grupo Bambuí.Cristas elaboradas sobre estruturas dobradas. ckerv.colinas e cristas estruturais com vertentes ravinadas e vales encaixados.superfície ondulada com vertentes ravinadas.rampas de colúvio – vertentes recobertas por depósitos de origem coluvial.vertentes ravinadas e cones de detritos. com depósitos superficiais pouco espessos. formas tabulares esparsas. ch . Ocorrência de áreas de infiltração acentuada. itk . elaboradas sobre flancos de estruturas dobradas. interflúvios tabulares esparsos. kit . krv . kcrv .cristas com vertentes ravinadas. concentrado em talvegues profundos.cristas estruturais com vertentes ravinadas . pdr . cr . com depósitos de cobertura de textura variada.pedimentos ravinados.superfície tabular reelaborada – superfície de aplainamento em área de planalto. rv .cristas com vertentes ravinadas e vales encaixados. com ocorrências de cascalheiras remobilizadas. ptrv . kt .patamares rochosos com vertentes ravinadas e vales encaixados. truncadas e posteriormente ressaltadas por processos erosivos.patamares rochosos e pedimentos ravinados. elaboradas predominantemente sobre rochas de baixa permeabilidade.superfície tabular ondulada com formas tabulares esparsas. k .cristas com vertentes ravinadas e vales encaixados. EVOLUÍDAS por PROCESSOS de PEDIMENTAÇÃO e de DISSECAÇÃO FLUVIAL sto . 22 . ptr .colinas com vales encaixados. ckrv . com depósitos de cobertura predominantemente arenosos.cristas e interflúvios tabulares. ptkrv .colinas – formas côncavo-convexas elaboradas pelo escoamento superficial concentrado.interflúvios tabulares – grupamentos de formas tabulares resultantes da dissecação fluvial de superfícies de aplainamento. FORMAS de ORIGEM MISTA.colinas com vertentes ravinadas. com depósitos de cobertura arenosos e argilosos e rede de drenagem pouco densa. pto . Áreas com padrão de drenagem predominantemente dendrítico.cristas e colinas.

.erosão acelerada – grupamentos de formas de relevo. de caimento pouco pronunciado. com ocorrências de solos hidromórficos e concentração de lagoas temporárias. tf1 .grupamento de formas kársticas com concentração de verrugas calcárias kka . kav .terraço baixo.formas de origem mista. ocorrências de solos hidromórficos. pfcd . resultantes da atuação de processos erosivos intensificados pela ação antrópica.veredas – vales rasos com vertentes côncavas arenosas. FORMAS EVOLUÍDAS por PROCESSO CÁRSTICOS v .planície fluvial e veredas degradadas.colinas e rampas de colúvio.superfície onduladas com desenvolvimento de formas kársticas. Erosão laminar. tf2 .planície fluvial – terraços e várzeas não diferenciados. cd . ravinas e voçorocas.planície fluvial em vale colmatado – Planície fluvial resultante de assoreamento das várzeas.planície fluvial e cones de detritos não diferenciados. pfc . Nota: a ordem das letras indica a predominância das formas de relevo. com desenvolvimento de formas kársticas. pfve . soka . evoluídas por processo de pedimentação e dissecação fluvial. Figura 16 – Mapa geomorfológico agrupado da Bacia do Rio Paracatu 23 .depressões rasas de fundo plano – áreas de má drenagem com rebaixamento pouco pronunciado evoluídas sobre as superfícies de aplainamento. ocorrência de áreas de permeabilidade acentuada (sobre aluviões arenosas) e de lagoas (sobre aluviões argilosas).crc gf1 .terraço alto.cones de detritos – formas originadas do escoamento torrencial resultantes da deposição de detritos colúvio-aluviais em confluências e/ou em sopés de escarpas. d .crista kárstica – crista elaborada em calcário. FORMAS EVOLUÍDAS por PROCESSOS de EXUDAÇÃO ve . FORMAS EVOLUÍDAS por PROCESSOS de EROSÃO ACELERADA A .verruga – elevação em rocha calcária envolvida por áreas rebaixadas de origem kárstica. FORMAS EVOLUÍDAS por PROCESSOS de DEPOSIÇÃO FLUVIAL pf .

a identificação dos sistemas hídricos da Bacia do Rio Paracatu. sobre esse tema. como subsídio para sua gestão ambiental. facilitando o transporte hídrico superficial. consequentemente com menor infiltração.4.1 – Geomorfologia Fluvial A análise sobre a disposição e os padrões de drenagem da hidrografia da Bacia do Paracatu. Castany (1971) e Silva (2009) apontam que a densidade de drenagem geralmente apresenta-se inversamente correlacionada à permeabilidade dos solos. quando interpretados de forma integrada aos seus aspectos geomorfológicos e geológicos. as áreas com maior densidade de drenagem e de taxa de bifurcação correspondem a áreas com maior declividade e rugosidade de relevo. De uma maneira geral. Figura 17 – Mapas de Taxa de Bifurcação (à esquerda) e Densidade de Drenagem (à direita) para a Bacia do Rio Paracatu. As áreas com menor densidade de drenagem podem se enquadrar em duas situações: nas áreas de topo. Os mapas da Figura 17 apresentam as taxas de bifurcação e a densidade de drenagem das subbacias para o Rio Paracatu. correspondem a áreas de confluência fluvial. possibilitam inferências sobre a heterogeneidade espacial dos processos hidrológicos e hidrogeológicos. com influência direta na recarga dos aquíferos subsuperficiais e profundos. 24 . indicariam áreas preferenciais de recarga. Martins Junior (2009) propõe. enquanto nas áreas de baixadas.

Nos sedimentos terciários quaternários e cretáceos que se apresentam sob a geoforma de superfícies tabulares sedimentares. Fonte: Martins Junior (2009. 25 . p. foram propostos os sistemas de drenagem do mapa da Figura 19. 20). c.O mapa da Figura 18 apresenta isopadrões de tecituras. com drenagem paralela bidirecional e maior controle estrutural. especialmente na zona de deformação marginal. direcionamento e controle estrutural. Figura 18 – Áreas de isopadrões de rede de drenagem do Paracatu. Por meio da análise dos padrões de drenagem e dos mapas das Figuras 17 e 18. 1. Nas regiões onde afloram as rochas do pré-cambriano. com controle estrutural mais ameno. com base na classificação de Lima (2002) e do IBGE (2009). a hidrografia apresenta padrão dendrítico. incluindo densidade de drenagem. predomina o padrão de treliça.

Figura 19 – Sistemas Hídricos diferenciados por Padrões de Drenagem na Bacia do Rio Paracatu. importa considerar o atrito do leito (ou rugosidade). Lyra et al. (2010) estimaram que o atrito do leito no médio Paracatu (entre as estações fluviométricas Santa Rosa – 17º17’S e 46º28’W – 26 . Ainda no que se refere à geomorfologia fluvial. em seu efeito no amortecimento nas ondas de cheia.

Nas cheias. apresentam diversas variáveis morfométricas e hidromorfométricas para a Bacia do Rio Paracatu. 27 . maior densidade de corpos d’água (lagoas) e maior densidade de mesofraturas. De maneira análoga à densidade de drenagem. Tal conjugação entre áreas mais fraturadas e áreas de densidade de nascentes também podem ser avaliadas no mesmo mapa (Figura 20). possivelmente o fluxo freático apresenta distâncias mais curtas entre a área de recarga e a de descarga do aquífero. no anexo. as áreas de maior densidade de nascentes encontram-se regionalmente a jusante das áreas de descarga por contato litológico. também anexo. abaixo. cuja metodologia é explicada nos Quadros 6 a 8. As Figuras 50 a 52. O mapa da Figura 20. nos limites onde os aquíferos porosos dão lugar às litologias fraturadas. para a Bacia do Paracatu. Silva 2009). Essas áreas de maior fraturamento podem contribuir para uma relativamente maior infiltração das águas. quando comparados com o restante da estratigrafia não porosa. apresenta uma conjugação entre as áreas de maior densidade de nascentes. No interior das áreas de maior densidade de nascentes. em virtude do papel mais acentuado das planícies de inundação no abatimento de vazão. Cristas de Unaí e Planaltos do São Francisco). Ademais. Além disso. a densidade de nascentes pode estar correlacionada a predominância do escoamento subsuperficial em detrimento da infiltração subterrânea profunda (Castany 1971.e Caatinga – 17º10’S e 45º53’W) apresenta o maior coeficiente de rugosidade de Manning durante a época seca. como também como afloramento de lençóis freáticos dos aquíferos porosos das litologias porosas detríticas do terciário quaternário. A análise conjunta dessas variáveis evidencia os contrastes entre os domínios geomorfológicos internos à bacia (Depressão São Franciscana. As áreas de maior densidade de lagoas correspondem às baixadas da bacia hidrográfica. o baixo Paracatu (a partir da estação Caatinga) apresenta maior rugosidade. tanto como função das planícies de inundação. as áreas de maior fraturamento também podem apresentar pontos de emersão de águas subterrâneas nos locais onde coincidam as mesofraturas com os cursos de água.

A seguir. Solos Hidromórficos. (2006). essas classes serão comentadas de acordo com a influência de seus atributos no ciclo hidrogeológico. 28 . especialmente do intemperismo de rochas areníticas cretáceas. Os Neossolos Quartzarênicos ocorrem a sudeste e nordeste da bacia. pela interpretação de aerofotos. Neossolos Quartzarênicos. que acentuam a capacidade de drenagem. Neossolos Flúvicos e solos com horizonte B textural. São os solos com melhor drenagem. em virtude da textura arenosa e grande profundidade. Cambissolos.Figura 20 – Mapa de áreas máximas de densidade de nascentes e corpos de água (lagoas). Fonte: Martins Junior et al. 5 – PEDOLOGIA As grandes classes de solo presentes na bacia do Paracatu são os Latossolos. pela hidrografia do IBGE e de mesofraturas. A porosidade é constituída predominantemente por macroporos. Os teores de argila são abaixo de 15% e não apresentam estrutura. predominando grãos simples. a partir dos dados primários do levantamento pedológico do CETEC-MG (1981).

lagoas e veredas. O mapa detalhado de pedologia se apresenta na Figura 21. depressões e superfícies tabulares. No caso de solos aluviais (Neossolos Flúvicos). com presença de cerosidade e estrutura moderada pequena e média granular. Oferecem as condições de drenagem mais restritas. A textura e demais atributos dependem da rocha matriz. bem como a elevado escoamento superficial nos fenômenos de precipitação pluvial. Os óxidos de ferro livres contribuem para agregação das partículas de silte e argila. A porosidade total do horizonte B é relativamente menor do que a dos demais solos. resultando em teores inexistentes ou baixos de argila natural (argila dispersa em água) na maioria dos horizontes B. Na estrutura. que a drástica redução da macroporosidade entre os horizontes A e B acarreta forte restrição à circulação hídrica vertical. se mais argilosa ou arenosa. seu encharcamento em eventos pluviais pode dificultar a drenagem subsuperficial e originar processos erosivos. fazendo com que estes solos sejam bem arejados e friáveis. Frequentemente estão associados a Neossolos Litólicos. Essa característica leva a intenso déficit hídrico na estação seca. 80-82) ressalta.Os Latossolos se apresentam com elevada capacidade de drenagem. em razão da pequena espessura. resultando em baixa capacidade de armazenamento de água. Os solos com horizonte B textural têm ocorrência restrita. Apresentam ampla distribuição na bacia. Os Cambissolos são bem drenados superficialmente. 29 . Os Solos Hidromórficos apresentam encharcamento permanente ou sazonal. Ocorrem sobre as partes planas e rebaixadas do relevo. São espacialmente mais abundantes na unidade geomorfológica das Cristas de Unaí. Os agregados de solo apresentam alto grau de estabilidade. Os Neossolos Litólicos ocorrem em áreas dissecadas com relevo forte ondulado a montanhoso. Entretanto. enquanto o mapa da Figura 22 apresenta as classes de solo agrupadas. próximo aos rios. Incluem variedades argiloarenosas até areias quartzosas. a camada hidromórfica imperfeitamente drenada surge em subsuperfície. Seus perfis são rasos. quanto a esses solos. forte e moderadamente desenvolvidos de tamanho médio. p. no contato de flutuação do aquífero freático. em virtude da declividade topográfica e do gradiente hidráulico. ocupando os planaltos. sobre as florestas caducifólias de relevo forte ondulado do Município de João Pinheiro. onde o aquífero freático apresenta-se aflorante. predominam os blocos sub-angulares e angulares. A textura do horizonte B é argilosa. Queiroz Neto (2002.

Figura 21 – Mapa pedológico da Bacia do Paracatu. 30 . derivado e atualizado do Plano Noroeste. Bases cartográficas da Fundação CETEC-MG. disponível na escala de 1:250.000.

LEGENDA dos SOLOS .S.M. para o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (Embrapa 1999).Atualização da nomenclatura do Planoroeste 2. LVAd8 – LATOSSOLOS VERMELHO AMARELOS Distróficos típicos argilosos A moderado álicos + LATOSSOLOS VERMELHOS Distróficos típicos argilosos A moderado álicos fase cerrado relevo plano e suave ondulado + CAMBISSOLOS HÁPLICOS Tb Distróficos argilosos e textura média A moderado álicos fase campo cerrado relevo suave ondulado e ondulado LVd1 – LATOSSOLOS VERMELHOS Distróficos típicos argilosos A moderado álicos fase cerrado relevo plano e suave ondulado LVd2 – LATOSSOLOS VERMELHOS Distróficos típicos argilosos A moderado álicos fase floresta subperenifólia relevo plano e suave ondulado LVd3 – LATOSSOLOS VERMELHOS Distróficos típicos textura média A moderado álicos fase cerrado relevo plano e suave ondulado LVd4 – LATOSSOLOS VERMELHOS Distróficos típicos argilosos A moderado álicos + LATOSSOLOS VERMELHO AMARELOS Distróficos típicos argilosos A moderado álicos fase cerrado relevo plano e suave ondulado LVe – LATOSSOLOS VERMELHOS Eutróficos típicos argilosos A moderado fase floresta subperenifólia relevo plano e suave ondulado PVAe – ARGISSOLOS VERMELHO AMARELOS Eutróficos típicos argilosos A moderado + NEOSSOLOS LITÓLICOS Eutróficos textura indiscriminada A moderado fase floresta caducifólia relevo ondulado e forte ondulado + AFLORAMENTOS DE ROCHAS CXbd1 – CAMBISSOLOS HÁPLICOS Tb Distróficos típicos argilosos e textura média A moderado álicos fase campo cerrado relevo e suave ondulado e ondulado CXbd2 – CAMBISSOLOS HÁPLICOS Tb Distróficos típicos argilosos textura média A moderado álicos + NEOSSOLOS LITÓLICOS Distróficos textura indiscriminada A fraco e moderado álicos fase campo cerrado relevo ondulado CXbd3 – CAMBISSOLOS HÁPLICOS Tb Distróficos típicos argilosos textura média A moderado álicos fase campo cerrado + LATOSSOLOS VERMELHO AMARELOS Distróficos típicos argilosos A moderado álicos fase cerrado fase relevo plano e suave ondulado GXbd – GLEISSOLOS HÁPLICOS Tb Distróficos típicos textura indiscriminada A moderado álicos fase campo de várzea + LATOSSOLOS VERMELHO AMARELOS Distróficos plínticos argilosos A moderado álicos fase campo cerrado fase relevo plano GMd – GLEISSOLOS MELÂNICOS Distróficos típicos textura indiscriminada A proeminente álicos + GLEISSOLOS INDISCRIMINADOS fase vereda relevo plano RQg – NEOSSOLOS QUARTZARÊNICOS Hidromórficos típicos A fraco e moderado álicos fase campo cerrado relevo plano RQo1 – NEOSSOLOS QUARTZARÊNICOS Órticos típicos A fraco e moderado álicos fase cerrado relevo plano e suave ondulado RQo2 – NEOSSOLOS QUARTZARÊNICOS Órticos típicos A fraco e moderado + NEOSSOLOS QUARTZARÊNICOS Hidromórficos típicos A fraco e moderado álicos fase campo cerrado relevo plano RQo3 – NEOSSOLOS QUARTZARÊNICOS Órticos típicos A fraco e moderado álicos + LATOSSOLOS VERMELHO AMARELOS Distróficos típicos textura média A moderado álicos fase cerrado relevo plano e 31 . (2004) LVAd1 – LATOSSOLOS VERMELHO AMARELOS Distróficos típicos argilosos A moderado álicos fase cerrado relevo plano e suave ondulado LVAd2 – LATOSSOLOS VERMELHO AMARELOS Distróficos plínticos argilosos A moderado álicos fase campo cerrado relevo plano LVAd3 – LATOSSOLOS VERMELHO AMARELOS Distróficos típicos textura média A moderado álicos fase cerrado relevo plano e suave ondulado LVAd4 – LATOSSOLOS VERMELHO AMARELOS Distróficos típicos argilosos A moderado álicos + LATOSSOLO VERMELHOS Distróficos típicos argilosos A moderado álicos fase cerrado relevo plano e suave ondulado LVAd5 – LATOSSOLOS VERMELHO AMARELOS Distróficos plínticos argilosos A moderado álicos + NEOSSOLOS QUARTZARÊNICOS Órticos típicos A fraco e moderado álicos fase campo cerrado relevo plano e suave ondulado LVAd6 – LATOSSOLOS VERMELHO AMARELOS Distróficos típicos argilosos A moderado álicos + NEOSSOLOS QUARTZARÊNICOS Órticos típicos A fraco e moderado álicos fase cerrado relevo plano e suave ondulado LVAd7 – LATOSSOLOS VERMELHO AMARELOS Distróficos típicos argilosos A moderado álicos + LATOSSOLOS VERMELHOS Distróficos típicos argilosos A moderado álicos + LATOSSOLOS VERMELHO AMARELOS Distróficos típicos textura média A moderado álicos fase cerrado relevo plano e suave ondulado. A. por Marques.F.

RQo5 – NEOSSOLOS QUARTZARÊNICOS Órticos típicos A fraco e moderado álicos fase campo cerrado e cerrado relevo suave ondulado + CAMBISSOLOS HÁPLICOS Tb Distróficos típicos argilosos e textura média A moderado álicos fase campo cerrado e cerrado relevo ondulado + NEOSSOLOS LITÓLICOS Distróficos típicos textura indiscriminada A fraco e moderado álicos fase campo cerrado relevo ondulado RUbe1 – NEOSSOLOS FLÚVICOS Tb Eutróficos típicos textura indiscriminada A moderado + PLANOSSOLOS HÁPLICOS INDISCRIMINADOS fase caatinga hipoxerófila formação de vazante relevo plano + GLEISSOLOS INDISCRIMINADOS fase campo de várzea relevo plano RUbe2 – NEOSSOLOS FLÚVICOS Tb Eutróficos típicos textura indiscriminada A moderado fase floresta subcaducifólia e perenifólia de várzea relevo plano + GLEISSOLOS INDISCRIMINADOS fase campo de várzea relevo plano RLd1 – NEOSSOLOS LITÓLICOS Distróficos típicos textura indiscriminada A fraco e moderado álicos fase campo cerrado relevo forte ondulado RLd2 – NEOSSOLOS LITÓLICOS Distróficos típicos textura indiscriminada A fraco e moderado álicos + CAMBISSOLOS HÁPLICOS Tb Distróficos típicos argiloso e textura média A moderado álicos fase campo cerrado relevo ondulado e forte ondulado RLd3 – NEOSSOLOS LITÓLICOS Distróficos típicos textura indiscriminada A fraco e moderado álicos fase campo cerrado relevo forte ondulado + LATOSSOLOS VERMELHO AMARELOS Distróficos típicos argilosos A moderado álicos + LATOSSOLOS VERMELHOS Distróficos típicos A moderado argilosos álicos fase cerrado relevo suave ondulado RLd4 – NEOSSOLOS LITÓLICOS Distróficos típicos textura indiscriminada muito cascalhenta A fraco álicos + NEOSSOLOS LITÓLICOS Distróficos típicos textura indiscriminada A fraco e moderado álicos fase campo cerrado relevo ondulado a escarpado RLq – NEOSSOLOS LITÓLICOS Psamíticos típicos A fraco álicos + NEOSSOLOS QUARTZARÊNICOS Órticos lépticos e típicos A fraco e moderado álicos fase campo cerrado relevo ondulado a escarpado RLe1 – NEOSSOLOS LITÓLICOS Eutróficos chernossólicos + NEOSSOLOS LITÓLICOS EUTRÓFICOS típicos A moderado ambos textura indiscriminada fase floresta caducifólia relevo montanhoso + NEOSSOLOS LITÓLICOS Distróficos típicos A moderado.suave ondulado RQo4 – NEOSSOLOS QUARTZARÊNICOS Órticos típicos A fraco e moderado álicos + LATOSSOLOS VERMELHO AMARELOS Distróficos típicos textura média A moderado álicos fase cerrado relevo plano e suave ondulado. textura indiscriminada fase campo cerrado relevo montanhoso + AFLORAMENTOS DE ROCHAS RLe2 .NEOSSOLOS LITÓLICOS Eutróficos chernossólicos + NEOSSOLOS LITÓLICOS EUTRÓFICOS típicos A moderado ambos textura indiscriminada + CAMBISSOLOS HÁPLICOS Tb Eutróficos lépticos e típicos argilosos A moderado fase floresta caducifólia relevo ondulado e forte ondulado 32 .

Figura 22 – Mapa de classes de solo agrupadas da Bacia do Rio Paracatu 6 – INTEGRAÇÃO PARCIAL DAS BASES DE ATRIBUTOS FÍSICOS Agregando os dados espaciais de litoestratigrafia. 33 . apresenta-se o Quadro 2. Com base nesse quadro. e partindo das correlações conceituais propostas pelo CETEC-MG (1981) e de correlações estatísticas em Martins Junior (2006). coluviais e aluviais de intemperismo. geomorfologia e pedologia. torna-se possível inferir os processos e produtos que se correlacionam às formações de solo e relevo a partir dos efeitos eluviais. transporte e deposição que agem sobre as litologias de origem.

textura soka TQd Sedimentos detríticos pleistocênicos provenientes da alteração de média Eop rochas calcíferas da F. soka Eop Paraopeba LVe. com provável influência de sedimentos. textura st TQda Depósitos de cobertura do Cretáceo Superior / Terciário Inferior argilosa Ku Kmc sto TQda Eop sa TQd Sedimentos detríticos pleistocênicos Eotm pd LVA plíntico d. textura st Kmc Depósitos de cobertura do Cretáceo Superior / Terciário Inferior média sa Eotm Sedimentos detríticos pleistocênicos TQd vx. mistas Paraopeba PLe vértico. Classes de Solos Superfícies Geologia Materiais de Origem Geomórficas LVA. Ku Sedimentos detríticos provenientes da alteração de arenitos média Eop cretáceos sto sa TQd Sedimentos detríticos pleistocênicos LVd. Paraopeba soka Eop LVd.Quadro 2 – Relações principais entre solos. com provável influência de sedimentos. rc. textura soka TQd Sedimentos detríticos pleistocênicos. com provável influência de sedimentos. st TQda Depósitos de cobertura do Cretáceo Superior / Terciário Inferior textura argilosa Ku d TQd Sedimentos detríticos pleistocênicos LVA. Paraopeba PVAe. textura dissecação/ Eop Sedimentos detríticos pleistocênicos provenientes da alteração de argilosa * mistas rochas calcíferas da F. provenientes da alteração de rochas calcíferas da F. textura str Ka. pt. provenientes da alteração de rochas da F. provenientes da alteração de rochas calcíferas da F. textura st TQda Depósitos de cobertura do Cretáceo Superior / Terciário Inferior argilosa Ku Kmc sto TQda Eop sa TQd Sedimentos detríticos pleistocênicos. Paraopeba NV similar * dissecação/ Eop Sedimentos provenientes da alteração de rochas calcíferas da F. geoformas. rv Eop Sedimentos detríticos provenientes da alteração de arenitos média cretáceos. rv Eop Sedimentos detríticos provenientes da alteração de arenitos cretáceos. Paraopeba sa TQd Sedimentos detríticos pleistocênicos. Paraopeba LVdf* st. rochas e materiais de origem na Bacia do Paracatu. teka TKd Sedimentos detríticos pleistocênicos textura siltosa/argilosa * 34 . pt. provenientes da alteração de rochas calcíferas da F. Mata da Corda PVAe. com provável influência de sedimentos. crv Kmc Sedimentos provenientes da alteração de rochas básicas da F. provenientes da alteração de média/argilosa rochas da F. Paraopeba LVe. textura dissecação/ Eop Sedimentos provenientes da alteração de rochas calcíferas argilosa mistas soka. Paraopeba soka TQd Sedimentos detríticos pleistocênicos provenientes da alteração de rochas calcíferas da F. textura vx. teka TKd Sedimentos detríticos pleistocênicos textura siltosa/argilosa * PLd plíntico. sa PVAe.

Mata da Corda LVef* st. provenientes do desmonte de níveis de acumulação Arenitos Cretáceos Rochas ardosianas e calcárias da F. f= atributo férrico (teores de teores de 180g/kg a < 360g/kg de solo). Também é possível notar. d sa pt. Paraopeba Sedimentos detríticos pleistocênicos e recentes. rc. PL= planossolos. textura argilosa e média Superfícies Geomórficas sto Geologia TQda Eop. sa Sedimentos detríticos pleistocênicos Sedimentos aluviais recentes Sedimentos detríticos pleistocênicos Sedimentos provenientes da alteração de arenitos cretáceos As variáveis morfométricas de drenagem (densidade de drenagem. A análise conjunta de pedologia e morfometria mostra contraste significativo entre o Leste da bacia. no mapa de integração geral. Rochas essencialmente ardosianas. como as características das cabeceiras da bacia diferenciam-se das baixadas nas entre-bacias de 2ª e 3ª ordem. concrecionário RLd arenoso RLe* GMd GXbd. taxa de bifurcação. tm Pec Ka. Qa Sedimentos detríticos pleistocênicos. 35 . te dissecação/ mistas dissecação/ mistas Eop TQd Qa Eop Eop Eotm pc Ka. Mata da Corda *Classes de solo com representatividade em nível de inclusão – sem representação cartográfica para a escala do mapa da Figura 20. é possível inferir uma diferenciação preliminar dos sistemas geoambientais dispostos ao longo da bacia. Por meio desse mapa. tm Materiais de Origem Rochas essencialmente ardosianas dos Grupos Bambuí CXe. crv Kmc Sedimentos provenientes de rochas básicas da F. geomorfologia e pedologia foram calculadas por sub-bacias e interpretadas por técnicas estatísticas de análise de agrupamento (cluster). Paraopeba Rochas essencialmente ardosianas. provenientes da alteração de rochas calcíferas da F. provenientes da alteração de rochas calcíferas da F. tm Ka. mas também quartzíticas e areníticas do Pré-cambriano. textura argilosa * sa dissecação/ mistas sa – soka Te tf. O trabalho foi realizado junto à equipe de pesquisa do CETEC-MG. textura argilosa RQg RUbe RQo dissecação/ mistas dissecação/ mistas dissecação/ mistas ve d V* Sedimentos pleistocênicos e recentes. provenientes da alteração de rochas calcíferas da F. Ku TQd. Paraopeba NV* st. Para esses solos: NV= nitossolos vermelhos. V = vertissolos. Paraopeba Rochas ardosianas e calcárias da F. pf. crv Kmc Sedimentos provenientes de rochas básicas da F. mc Eop. rc. detríticos e aluviais. tm Eomb Eop.Classes de Solos CXbd. Eo-cambriano e Cretáceo (formações Aerado e Mata da Corda). tf d sa sto str dissecação tf. Ku Eop Qa TQda Ku TQd TQd Eotm Qa TQd Eop. cujo produto cartográfico encontra-se na Figura 23. com influência dos materiais lateríticos. UFOP e IGA. altitude média e variação de altitude) e as coberturas de litoestratigrafia. provenientes do grupo Bambuí. índice de compacidade gravelius. o Oeste da bacia e o extremo Noroeste. Paraopeba Sedimentos recentes colúvio-aluviais Depósitos de cobertura do Cretáceo Superior / Terciário Inferior RLd RLd.

geomorfologia e pedologia. litoestratigrafia.Figura 23 – Análise de agrupamento das Sub-Bacias do Rio Paracatu. 36 . com as variáveis de morfometria.

1 horas em João Pinheiro. percebe-se que. . com média de 5. Todavia. esses sistemas influenciam pouco no regime pluviométrico.as taxas de evapotranspiração real são crescentes. Dessa forma.4%. A pluviosidade é praticamente comandada pelas correntes perturbadas de oeste. pois seu trajeto continental extenso já lhe retirou o excesso de umidade.8 horas em Paracatu e com 2. obedecendo a controle topográfico.7 décimos de céu descoberto em Paracatu e 5. . sem variações latitudinais significativas. A influência do anticiclone semifixo do Atlântico Sul e a massa de ar tropical continental são responsáveis pela estabilidade do tempo na região. causando abaixamento temporário da temperatura (Ruralminas 1996). quando chove em média 93% do total anual (Mulholland 2009). As linhas de instabilidade se formam por depressões barométricas induzidas de dorsais de altas (Gamache & Houze Junior 1982.7 – CLIMA A bacia hidrográfica do Rio Paracatu apresenta clima megatérmico chuvoso do tipo Aw (IGAM 2006). em acordância com os aspectos de gênese climática. .596. .106. de 69% para 79. não provocam alteração da pluviosidade. bem como pela barreira orográfica do Espinhaço (Ruralminas 1996).as taxas de evapotranspiração potencial são crescentes. com 823. é possível deduzir uma forte correlação espacial entre os atributos climáticos. Dias 1987). com predomínio de dias ensolarados (Ruralminas 1996).2 décimos em João Pinheiro e Bonfinópolis. Trata-se de um clima tropical chuvoso típico. Todavia.os totais precipitados normais do período chuvoso são decrescentes de 1350mm para 900mm. oeste e sudoeste. .9mm em Cabeceiras e com 37 . Tais dados condizem com os ventos predominantes na direção E e NE para a bacia (Ruralminas 1996). deslocando-se em rajadas para o oeste de Minas Gerais. com 2. e precipitação de oscilação unimodal concentrada no período de outubro a abril. partindo dos limites das cabeceiras a noroeste. As correntes perturbadas de sul atingem a Bacia na estação do inverno. Com base nos dados das estações pluviométricas e climatológicas apresentados por Ruralminas (1996) e por Nunes & Nascimento (2004). advindas por linhas de instabilidade tropical (Ruralminas 1996). constatam-se as seguintes tendências: .a temperatura média anual aumenta em apenas 2ºC (de 22°C a 24°C). em virtude efeito da continentalidade sobre os teores de umidade oriundos das frentes oceânicas.a insolação média anual é crescente.a umidade relativa do ar média anual aumenta. com temperaturas elevadas.a nebulosidade é decrescente. habitualmente sobre os estados de Mato Grosso e Goiás. de 1000mm para 1350mm. seguindo na direção das bacias de leste e da foz a nordeste. .

036. com 738. Em virtude do número de estações pluviométricas ser mais bem distribuído que o de estações climatológicas. .5mm em Porto Alegre.3mm em Guarda-Mor e com 143.o excesso hídrico diminui (na estação úmida). essa variação espacial dos atributos climáticos pode ser observada de forma integrada pelo mapa de pluviosidade (Figura 24).1mm em Guarda-Mor e com 498.5mm em Porto Alegre. com 132.1.2mm em Cachoeira Paredão. .aumento na frequência de veranicos de 5 e de 10 dias. . 38 .o déficit hídrico aumenta (na estação seca).

Figura 24 – Mapa de pluviosidade normal anual na Bacia do Paracatu. 39 .

ou seja. em que a agricultura irrigada procura avançar sobre as áreas aptas. ecossistemas de mata fluvial ciliar e mata seca (CETEC-MG 1989).8 – COBERTURA VEGETAL E USO DO SOLO A Bacia do Rio Paracatu encontra-se sobre o Bioma Cerrado. as margens de lucro para o agronegócio tornaram-se cada vez mais estreitas. A partir da década de 1980. cerradão. uma região ainda conhecida como Sertões. ganhando espaço sobre as outras formas tradicionais de ocupação do solo. que se tornaram 40 . O relativamente irrisório preço das terras foi um dos motivos determinantes na ocupação dos cerrados (Silva 2000). Apesar de a ocupação maciça ter se passado nas décadas de 1970 e de 1980.106. Até 1975. As condições planas do relevo permitiram o uso de mecanização agrícola. predominou a agricultura de sequeiro. que concedia incentivos fiscais a essas atividades (Gonçalves 2006. Os tipos de vegetação existente são: veredas. vastas áreas utilizadas para pecuária extensiva de baixa tecnologia. predominava na maior parte do Paracatu. enquanto a associação pecuária/carvoejamento avançava por frente ao Cerrado. Na década 1990. campo cerrado. fornecendo assistência técnica e trabalhando com cooperativismo rural. como evidenciado por análise de imagens de satélite Landsat 1 (Vasconcelos 2010). nos vales de maior aptidão agrícola (Andrade 2007). de 1966. buscando atingir níveis produção mais elevados (Vasconcelos 2009). parque de cerrado. Em um primeiro momento. Com os programas e incentivos de ocupação do Noroeste de Minas Gerais. modificando-se rapidamente a paisagem através da retirada expressiva da cobertura vegetal natural (Silva 2000). rumo às cabeceiras das bacias hidrográficas. tornando possível o estabelecimento de projetos agrícolas de irrigação mais modernos (Moreira 2006). em pastagens naturais (CETEC-MG. Como resultado. houve uma aceleração brusca da expansão agropecuária na região. ainda hoje existe um movimento de expansão da área cultivada e intensificação do uso de recursos naturais. Também estão presentes na sub-bacia. 1981). respaldado pela Lei Federal nº 5. observa-se na Bacia do Paracatu o abandono de extensas áreas de agricultura de sequeiro (Andrade 2007). em busca de ganhos de escala. a Companhia de Produção Agrícola (Campo) empregou a uma estratégia de arregimentar agricultores de outras regiões do país (especialmente a Região Sul). a partir da década de 1970. Torna-se um cenário de ocupação do solo contrastante. Os processos de conversão de uso do solo na região foram iniciados pelo reflorestamento de Pinus e Eucaliptus. bem como sistemas hidromórficos como lagoas marginais e campos hidromórficos (Ruralminas 1996). não sendo difícil observar o resultado desse cenário econômico sobre a viabilidade da agricultura de sequeiro tradicional. Vasconcelos 2009).

Apesar das metodologias de classificação supervisionadas não tornarem as classes de cobertura vegetal estritamente comparáveis. o Noroeste de Minas Gerais possuía a maior concentração de pivôs de irrigação circulares do Sudeste brasileiro. chegando a mais de 600. era mais desenvolvida e mais ocupada do que a porção Leste. o Município de Paracatu. em áreas determinadas. observa-se o impasse quanto a qual deve ser o seu uso adequado – e na falta de outra atividade. o cenário econômico nacional e internacional tornou-se ainda mais favorável à expansão da frente agrícola irrigada do Noroeste de Minas Gerais. Vasconcelos (2010) sintetiza os seguintes processos e tendências para a região. Os mapas de vegetação e uso do solo da Bacia do Rio Paracatu. A partir do ano de 2001. para os anos de 1999 e 2007. de acordo com a pesquisa agrícola do IBGE. Nas áreas onde não se consegue instalar a agricultura irrigada. Na região Noroeste de Minas. entre os períodos de 1975 a 2008: 41 . onde se encontram as sub-bacias de Entre-Ribeiros e do Rio Preto. Martins Junior (2006).praticamente inviáveis. (2004) confirmam que. Nos anos de 2005 a 2007.99% de 1975 a 2007 (Vasconcelos 2010). Andrade (2007). Schmidt et al. a área plantada por agricultura temporária ocupava em 1996 a extensão próxima de 350. neste período está entre os quatro municípios mineiros que mais apresentaram incremento de área utilizada para agricultura e. a conversão para uso do solo agropecuário continuou acelerada no Município de Paracatu. Vasconcelos (2009). um aumento de área equivalente acima de 70%. A securitização e renegociação de dívidas agrárias também contribuíram para esse novo pulso de desenvolvimento (Andrade 2007). foram a erosão laminar e a intervenção de drenagem e/ou barramentos em veredas e lagoas marginais. por possuir clima e solos mais aptos à produção agropecuária. no ano de 2002. a porção Oeste da bacia do Paracatu.000ha em 2005. Outros impactos relevantes. bem como também o uso intensivo de água para irrigação. Os principais vetores de impacto identificados foram o desmatamento extensivo das áreas de cerrado com redução de 69. Isso equivale a um crescimento de 250. Vasconcelos (2010) e Alvarenga (2010) conduziram estudos detalhados sobre os impactos ambientais ocasionados pela expansão das atividades agropecuárias na Bacia de Entre-Ribeiros. ou seja. retorna-se algumas vezes ao uso para pecuária (Andrade 2007). está entre os sete municípios que mais converteram seu uso do solo para a pecuária.000ha. são apresentados nas Figuras 25 e 26. ainda. Segundo dados de 1998 (Dino 2001). Justamente nessa região estão concentradas as maiores cidades do Noroeste de Minas.000ha em menos de uma década. De acordo com os dados de Carvalho e Scolforo (2008). levando à sua consequente fragmentação. é possível perceber o avanço da ocupação antrópica sobre as áreas de cerrado.

1991. a. por se mostrarem inadequadas para essa atividade econômica (Latuf 2007). a. 1991 e 1992). 1992). Aumento na quantidade de barragens de pequeno porte para irrigação (Latuf 2007). 2006). vinculada historicamente a ciclos de financiamento rural e a renegociações de dívidas. inclusive em áreas de veredas (Andrade 2007) e lagoas marginais (Andrade 2007). pela drenagem para agricultura tradicional e irrigada. além de algumas áreas de reserva legal. Avanço das áreas de cultivo de sequeiro sobre as áreas de cerrado. b. Expansão das áreas de pivôs centrais. c. correspondiam às delimitações de reservas legais (Assad et al. 4) Agricultura Irrigada de Alta Tecnologia. b. com grande variação temporal de uso. Em muitos casos nem mesmo foram respeitadas as áreas de proteção permanente das margens dos cursos d’água (Assad et al. 2005a. 42 . especialmente em áreas declivosas. especialmente nas áreas de baixada da bacia. em meio à área de maior predominância de projetos de irrigação. 5) Áreas Alagadas.1) Ecossistemas Nativos: a. 2005b. 3) Assentamentos de Reforma Agrária (a partir da década de 1990) a. b. Abandono recente das áreas de cultivo de sequeiro com baixo potencial de conversão para áreas irrigadas (Andrade 2007). 2005c. a. Mosaico heterogêneo de paisagem nas áreas loteadas. b. no período dentre 1985 a 2000 (Latuf 2007). c. devido à constante troca e venda de lotes. Os únicos remanescentes preservados. 2) Agropecuária de baixa e média tecnologia. Regeneração de florestas em terrenos de ravinas relativos a pastagens abandonadas. Relativa conservação de algumas áreas de preservação permanente de matas ciliares e terrenos de inclinação elevada. Ciclos de desmate vinculados a autorizações de desmate e financiamento rural autorizados pelo Incra. Diminuição das áreas alagadas. Soltio generalizado de gado nas Reservas Legais e Áreas de Preservação Permanente relativas a cerrados degradados em diferentes estágios de regeneração (Universidade Federal de Viçosa/Funarbe 2004.

Fonte: Silva (2004) 43 . na Bacia do Rio Paracatu.Figura 25 – Mapa de vegetação e uso do solo para o ano de 1999. Obtido por meio de classificação supervisionada de imagens Landsat.

44 .Figura 26 – Mapa de vegetação e uso do solo da porção mineira da Bacia do Rio Paracatu. para o ano de 2007. Obtido por meio de classificação supervisionada de imagens Landsat 5.

8.1 Uso de Recursos Hídricos Com a expansão dessa frente agrícola irrigada. 2007). conforme informam as estações fluviométricas localizadas na Bacia do Rio Paracatu (Carvalho et al. Nessas ocasiões em que não há recurso hídrico o suficiente para atender à demanda. houve notícia de períodos em que o leito do Ribeirão Entre-Ribeiros secou. 2004. ao menos na escala em que precisariam. a utilização dos recursos hídricos em determinadas áreas da Bacia do Rio Paracatu chegou a um nível crítico. especialmente nas sub-bacias de Entre-Ribeiros e Rio Preto (Ruralminas 1996. quando os agricultores disputam a água entre si. Sem contar os prejuízos ambientais drásticos causados pela redução da vazão dos rios. como atestado pela Agência Nacional de Águas (2003). 45 . Latuf 2007). como nos períodos de 1987-89. por não haver água para todos produzirem. alguns terão que deixar de utilizar do privilégio produtivo da irrigação. muito abaixo da vazão ecológica necessária para a manutenção dos ecossistemas aquáticos e terrestres associados. chegou-se inclusive a conflitos entre os agricultores pelos recursos hídricos escassos (Pruski et al. Afinal. Em períodos de maior estiagem. de 1996 e de 1998. tendem a ocorrer nos anos em que há grandes estiagens (com a consequente baixa na vazão dos rios). Além desses dois períodos. bem como os maiores impactos ambientais. pode-se perceber um custo produtivo ocasionado pela escassez de recursos hídricos. no ano de 2003. Dino 2001). Os maiores conflitos por uso de água. Relatos da população do Município de Paracatu colhidos em Martins Junior (2006) também confirmam essa informação.

siltes. Vazante e Fm. argilas e cascalhos quaternários Aquíferos (25. A Figura 59. apresenta os dados interpolados das características do poços. por sua vez.9 – HIDROGEOLOGIA O funcionamento geral dos sistemas hidrogeológicos e das principais áreas de recarga na Bacia do São Francisco e do Noroeste de Minas Gerais são apresentados nos estudos do Planoroeste II (CETEC-MG 1981) e em Ramos & Paixão (2004). A Figura 48. secundariamente conglomerados. separada por Fluxo Rápido. Fm. retirados do Sistema Siagas. às vezes lateritizadas.4% Rochas do Gp. argilitos e siltitos intercalados e tufitos (K) KÁRSTICO 6. meta-siltitos e margas. Os sistemas aquíferos. Bambuí – fácies argilo-carbonatada a pelítica (ardósias. Paraopeba do Gp. Canastra e Fm.4%) Depósitos aluviais (Qal) – areias. Paracatu – quartzitos e filitos Fm. Areado – arenitos Cretáceos predominantemente finos. meta-argilitos. Interfluxo e Fluxo de Base. Paranoá (filitos e quartzitos grosseiros interestratificados) Fm.7% Fm. Os estudos mais regionalizados das zonas de recarga da bacia do Paracatu foram realizados por Ruralminas (1996) e Martins Junior (2009). demonstra a divisão da vazão em cada sub-bacia. Urucuia e Fm. geomorfologia.9%) Coluviões e coberturas detríticas – areias finas a médias com Terciárioargilas. Esses estudos foram importantes por indicar quais unidades geoambientais (conjugando litoestratigrafia. Três Marias (arcósios predominantemente) (PeC) 46 . Quadro 3 – Tipologia de rochas portadoras de sistemas aquíferos da Bacia do Paracatu. Bambuí – fácies carbonatada calcários e dolomitos. Fonte: Ruralminas (1996) Tipologia de rochas Ocorrência Litologia Predominante e Unidades Geológicas Associadas portadoras de sistemas na Bacia aquíferos GRANULAR 41. no Anexo. propostos por Ruralminas (1996) são apresentados no Quadro 3 e no mapa da Figura 27. pedologia e pluviometria) serão mais importantes para recarga dos aquíferos da Bacia do Rio Paracatu. e cascalheiras (TQC) Quaternários Aquíferos (10%) Fm. com intercalações argilosas (CaPeB) KÁRSTICO-FISSURADO 33. O funcionamento hidrológico e hidrogeológico dos sistemas hídricos agrupado preliminarmente por áreas homogêneas encontra-se na Figura 28. com intercalações de rochas carbonáticas) (PeB) FISSURADO 18.6% Fm. Paraopeba do Gp. Mata da Corda.3% Aquíferos (5.

Figura 27 – Litologia superficial portadora de sistemas aquíferos da Bacia do Paracatu. Adaptado de Ruralminas (1996).

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Figura 28 – Delimitação das regiões homogêneas dos sistemas hídricos na bacia do Paracatu (Euclydes et al. 2004, apud Novaes 2005).

Com base nas análises físico-químicas coletadas nos leitos da Bacia do Paracatu no período de águas baixas pelo CETEC-MG (1981), cotejada com a litologia das sub-bacias, é possível inferir a influência dos principais aquíferos contribuintes na assinatura geoquímica dos cursos de água. Os parâmetros analisados foram pH, condutividade elétrica (relacionada a sólidos dissolvidos), conteúdo de sódio, dureza, razão cálcio/magnésio, concentração de cloretos e sulfatos. Essa correlação pode ser sintetizada no Quadro 4.

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Quadro 4 – Litologia dos aquíferos preponderantes sobre a assinatura hidrogeoquímica dos cursos de água na Bacia do Paracatu. Sub-Bacia (De montante para jusante, conforme confluem para a foz do Rio Paracatu) Santa Catarina Alto Paracatu Escuro e Escurinho Paracatu (Estação da Ponte da BR-040) Prata Riacho dos Poções Preto Entre-Ribeiros Médio Paracatu Sono Sub-bacias da margem esquerda do Baixo Paracatu Baixo Paracatu Litologia de aquífero preponderante sobre a Assinatura Hidrogeoquímica Calcário e Dolomito Dolomito Coberturas detríticas Diluição mista entre calcário, dolomito e coberturas detríticas Formação Aerado Sedimentos TQD Calcário e Dolomito Calcário e Dolomito Diluição entre calcário, dolomito e coberturas detríticas Formações Aerado e Urucuia Formações arenosas cretáceas ou terciário-quaternárias Arenitos Cretáceos e sedimentos TQD

Por meio do Método Gráfico de Barnes (1939), a Ruralminas (1996) estimou que, para a bacia do Rio Paracatu há uma contribuição de 55% dos aquíferos para a manutenção da vazão dos cursos d’água. Essa contribuição aumenta na medida em que o curso d’água apresenta mais áreas de recarga de arenitos cretáceos e de sedimentos de cobertura terciário-quaternária nos planaltos de altitude (CETEC-MG 1981) – observação que fundamenta a escolha dessas áreas para a delimitação das zonas preferenciais de recarga dessa bacia hidrográfica (Ruralminas 1996). Ramos e Paixão (2004) e Mourão (2001) também destacam a importância dos aquíferos areníticos para a perenização dos rios da Bacia do São Francisco. O CETEC-MG (1981), ao executar o Método Gráfico de Barnes (1939) para separação do escoamento subterrâneo, considerou que a infiltração e contribuição proveniente das formações fraturadas e kársticas do aquífero Bambuí seria muito reduzida ou praticamente nula, quando comparada aos aquíferos granulares. As unidades geológicas da Formação Areado (Período Cretáceo) caracterizam-se por aquíferos livres que fornecem significativa quantidade de água por meio de fontes de encosta ( CETEC-MG 1981). São formadas por arenitos espessos (até 140 metros) e repousam diretamente sobre substrato relativamente menos permeável do grupo Bambuí (Período Eo-Cambriano) (CETEC-MG 1981). Entretanto, as mesofraturas subjacentes identificadas na formação Bambuí podem aumentar a complexidade desses aquíferos através da combinação de aquíferos granulares com aquíferos fraturados sotopostos (Martins Junior et al. 2006). A Formação Mata da Corda, com até 100 metros de espessura, também forma aquífero poroso, sobreposto à Formação Aerado (Ruralminas 1996). Morfologicamente, os aquíferos porosos de cobertura terciário-quaternária mais antigos jazem
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sob parte dos Planaltos Residuais do São Francisco, formando superfícies tabulares em cotas acima de 900m (Andrade 2007). No caso da Bacia do Paracatu, trata-se de superfícies tabulares pouco retrabalhadas, com praticamente ausência de drenagem, o que caracteriza uma espessa camada sedimentar com elevada capacidade de infiltração potencial (CETEC-MG 1981). As áreas de descarga principais situam-se ao sopé das elevações, ao longo do flanco ou rebordo das chapadas, no contato do aquífero com o substrato impermeável. Esses aquíferos possuem espessura média de 10m, embora excepcionalmente alcancem 30 metros (Ruralminas 1996), havendo registro de até 80 metros (Mourão 2001). Os aquíferos sedimentares terciário-quaternários mais recentes, que se localizam em regiões nas planícies de baixada da Bacia do Rio Paracatu, recobrem os pelitos de baixa permeabilidade do Grupo Bambuí; é observada frequentemente a exsudação na área de contato entre essas duas litologias (CETEC-MG 1981; Mourão 2001). Pela geomorfologia predominante de superfícies de aplainamento para essa litologia (Andrade 2007), pode-se hipotetizar a existência de fluxos de base locais e regionais, quando se verifica uma conexão hidráulica entre esses aquíferos e os rios – dessa forma, os aquíferos funcionam como reguladores das vazões desses cursos d’água (CETEC-MG 1981). Seu potencial de armazenamento de água é menor que nos demais aquíferos porosos da bacia, em virtude da pouca espessura – em média de 5 metros (Ruralminas 1996), salvo em depressões (até 100 metros) (Mourão 2001). Em determinadas zonas planas de latossolo presentes sobre o aquífero sedimentar terciárioquaternário, bem como sobre toda a planície de inundação do médio-baixo Paracatu, há zonas com alta densidade de lagoas marginais e áreas alagadas temporárias. De acordo com Ruralminas (1996), alguns desses corpos hídricos se devem a afloramentos do aquífero freático, e outros se devem ao aporte de inundação em abaciamentos e depressões rasas sobre formações argilosas relativamente impermeáveis. Apesar da forte perda de água por evaporação - o que indica o caráter intermitente desses corpos d’água (CETEC-MG 1981), essas áreas alagadas contribuem lentamente para os fluxos subsuperficiais. Nos casos em que há conexão direta com o aquífero freático, todavia, essas áreas alagáveis podem evidenciar zonas de descarga de aquíferos. Os aquíferos fissurados correspondem especialmente aos Grupos Bambuí e Canastra; e pelas Formações Paracatu, Paranoá e Três Marias. Caracterizam-se por apresentar permeabilidade de fissuras e diáclases. A potencialidade destas rochas para armazenamento e circulação hídrica depende da extensão, continuidade e interligação dos fraturamentos, bem como da abertura ou volume de vazios no interior dessas estruturas. As possibilidades de infiltração direta de água nestas rochasreservatórios a partir das águas pluviais são reduzidas, dado que as descontinuidades de fraturas constituem feições relativamente localizadas (Mourão 2001). A recarga se dá pela infiltração vertical descendente através do freático superior ou de infiltração mais profunda do capeamento sedimentar
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nas planícies de inundação e terraços. a presença de dolinas. apresentam atributos ora kársticos. pressupõe-se um alto grau de fraturamento. ora de caráter misto. seus aquíferos apresentariam recessão mais acentuada. Os árcósios da Formação Três Marias. através dos leitos dos cursos d’água controlados por direções de fratura (Ruralminas 1996). ou seja. Na parte ocidental. cavernas e sumidouros indica um desenvolvimento endokárstico ativado por dissolução. Os aquíferos kársticos da Bacia do Paracatu correspondem predominantemente a áreas geomorfológicas de cristas e vertentes encaixadas (Andrade 2007) de declividade acentuada. falhas transcorrentes e estruturas de dobramentos). Ademais. Como se distribuem pela Zona de Deformação. por conseguinte. por sua matriz arenosa. a cimentação feldspática e argilosa entremeante à matriz arenosa limita bastante o potencial aquífero. na Bacia do Paracatu. Realizadas as observações sobre cada sistema de rochas portadoras de aquifero. submetida a forte tectonismo (falhamentos de empurrão. Em vista disso. pois. ressaltando a importância da comunicação entre os dois meios fraturados. As características hidrogeológicas. recebendo recarga dos rios nos períodos de águas altas. apresentam potencial de armazenamento relativamente maior do que os demais sistemas de aquíferos fissurados da bacia. quando comparado aos aquíferos porosos das formações Areado. menos água às nascentes durante o ápice do período de estiagem. Ruralminas (1996) estimou as reservas permanentes (ou acumuladas) dos aquíferos por meio da seguinte equação: 51 . Todavia. bem como pelos pontos de coincidência fratura-drenagem. A Ruralminas (1996) ressalta que a análise do coeficiente de recessão na área de contribuição da Formação Três Marias evidencia o potencial limitado dessa litologia como portadora de aquíferos. Mourão (2001) aponta poços que atingiram reservas expressivas de aquíferos kársticos sotopostos a acamamentos impermeáveis fraturados do Grupo Bambuí. em função da expressividade do escoamento em dutos inerentes às formas kársticas evoluídas. Os aquíferos de depostos aluviais do quaternário são encontrados de forma generalizada ao longo da rede de drenagem. 1996). Constituem zonas ativas de troca de água. esgotando-se mais rapidamente e provendo. pressupõe-se que tais aquíferos possam permitir um fluxo hidrogeológico significativo. ainda remanesce o interesse em estimar o porte das reservas aquíferas da Bacia do Rio Paracatu. Urucuia e Mata da Corda. há um predomínio maior de fácies carbonatadas (Ruralminas. ora fissurais. com restituição nos períodos de estiagem (Mourão 2001).cretáceo e terciário-quaternário. Todavia. A Formação Paraopeba representa uma complexa estratigrafia que combina fácies fissurais pelíticas com fácies kársticas.

056 E + 6 60 0.05 Quaternária – TQd Creácicos – K 4.07 Kársticos 3. 7 E + 6 5 0.28 E+9 m3 ___________ Total 24.764 E + 6 m3 por ano.463. Ambas às estimativas referem-se aos resultados da Estação Porto Alegre (mais a jusante na bacia). Tabela 1 – Estimativa de área.5 E + 6 60 0.562. as reservas permanentes ou acumuladas seriam iguais a: Qal TQc K CaPB = 1.816. espessura saturada em metros e porosidade efetiva estimada para os sistemas de rochas portadoras de aquíferos na Bacia do Rio Paracatu Sistema Aquífero Área (em m2) Ho (em metros)  Aluvial – Qal 2.18 E+9 m3 PB+PBC = 2.001 Dessa forma. A estimativa foi comparada à capacidade de armazenamento pela análise de recessão do aquífero (Método de MAILLET 1905). com área de drenagem de 42. HO e  encontram-se na Tabela 1.5 x E+9m3 Com base na estimativas de escoamento de fluxo de base (Método Gráfico de BARNES 1939) a Ruralminas (1996) estimou as reservas reguladoras como 8.001 Fissurados 38. na ordem de 5. 8 E + 6 3 0.022 E + 6 m3 anuais.77 E+9 m3 = 19.1 Cobertura Terciário11.1 E+9 m3 = 0. a qual chegou a um resultado mais conservador.006 E + 6 60 0. 52 .Rp = A x Ho x  onde: A = área de ocorrência do aquífero em m2 Ho = Espessura saturada estimada em metros  = Porosidade efetiva estimada As estimativas dos valores de A.367 km2.23 E+9 m3 = 1.

Os acamamentos sedimentares profundos (cretáceos. possivelmente possuem um papel secundário. A configuração espacial dos atributos climáticos e de geomorfologia fluvial (variáveis morfométricas) apresenta uma gradual transição das características e processos geoambientais no percurso das cabeceiras para a foz da Bacia do Rio Paracatu. com as bases litoestratigráficas (relativo aos processos de edafização e de formação do relevo).10 – SÍNTESE A Estratigrafia da Bacia do Rio Paracatu condiciona distintos sistemas de rochas portadoras de aquíferos. embora também apresente uma forte correlação com a transição geoambiental da cabeceira para foz. demonstrando inclusive a gradação de processos locais e regionais hidrogeológicos. assim como as coberturas aluviais. As coberturas detríticas terciário-quaternárias rasas de baixada. por um viés. e coberturas detríticas terciárioquaternárias nos planaltos de cabeceira) apresentam-se como principais áreas potenciais para recarga e armazenamento das águas subterrâneas. 53 . as estruturas rúpteis e dúcteis demandam uma atenção particular. Nesse contexto. mais voltado à regulação de vazões. A distribuição cartográfica de Geomorfologia e Solos correlaciona-se espacialmente. Os sistemas aquíferos ligados a acamamentos kársticos e metamórficos dependem bastante da heterogeneidade espacial proveniente da história geológica estrutural ligada à formação da Bacia do Rio Paracatu.

Fonte: Marini et al. adaptado por Endo (2006). (1984).ANEXOS CLASSIFICAÇÕES LITOESTRATIGRÁFICAS: COLUNAS. ardósias. ERA PERÍODO GRUPO SUBGRUPO TerciárioQuaternário Urucuia Fanerozóico Cretáceo Areado Três Marias Paraopeba Superior Bambuí Ibiá Proterozóico Jequitaí Vazante Médio Paranoá Canastra Arenito Metarenitos arcoseanos Metapelitos verdes e pretos. MAPAS E PERFIS GEOLÓGICOS PARA A BACIA DO RIO PARACATU Quadro 5 – Estratigrafia da região de Unaí-Paracatu-Vazante. quartzitos e dolomitos Quartzitos Quartzitos e xistos FORMAÇÃO DESCRIÇÃO LITOLÓGICA Sedimentos arenoargilosos vermelhos e marrons Arenito Cenozóico 54 . calcários e quartzitos Xistos cloríticos e Calcixistos verdes Metadiamictitos Metapelitos. CORRELAÇÕES.

(1988) Coelho et al. Paracatu Fm. Vazante filito ardoseano grafitocarbonoso Fácies Inferior Fácies Superior Fácies Inferior Mb. (2005) Fm. Pamplona Mb. Morro do Calcário Fácies Médio Mb. Lapa Fácies Serra do Velosinho Serra do Velosinho Superior Unidade B Unidade B Fácies Fm. Morro do Pinheiro Mb. Serra do Garrote 55 . Serra do Poço Verde recife Fm. Vazante Mb. Paracatu Fm. Serra do Garrote Fm. Bambuí Serra do Velosinho Inferior Fácies Cercado Fm. Paracatu Morro Agudo Serra do Landim Fácies Serra do Landim Fácies Serra da Lapa dolomítica grafitosa arenosasíltica Fm. Serra do Garrote Un. Paraopeba Fm. Paraopeba Fm. Vazante Gr. Morro do Calcário Fácies Serra da Lapa Fm.Quadro 6 – Propostas de nomenclatura estratigráfica para a região de Unaí-Paracatu-Vazante Fonte: Endo (2006) Braun (1968) Almeida (1968) Dardenne (1976) Unidade A Madalosso e Valle (1978) Unidade A Dardenne (1978) Madalosso (1980) Rigobello et al. Paracatu Fm. C Mb. Paraopeba Fácies Superior Mb. C Un.

aproximadamente entre 17ºS e 48ºW. da Formação Ibiá e do grupo Paranoá na faixa de dobramentos Brasília. Distribuição do grupo Bambuí. Notar o Domo de Cristalina. (1984). 56 . Fonte: Schobenhaus et al. da formação Vazante.Figura 29 – Esboço geológico da Faixa Brasília. à oeste da Bacia do Paracatu.

Fonte: Martins Júnior et al.Figura 30 – Mapa indicando os perfis. colunas e correlações estratigráficas realizados por diversos pesquisadores na região do Paracatu. A numeração é indicada entre as figuras deste anexo. 57 . (2005).

(2004). 58 . Fonte: Dardenne (2000) e Valeriano et al.Figura 31 – Coluna estratigráfica dos grupos Vazante e Canastra.

Figura 32 – Perfil Geológico 1. Fonte: Dardenne (1987) 59 . Fonte: Dardenne (1987) Figura 33 – Perfil Geológico 2.

Fonte: Dardenne (1987) 60 . Fonte: Dardenne (1987) Figura 35 – Perfil Geológico 4.Figura 34 – Perfil Geológico 3.

para o grupo Bambuí típico nos Estados de Goiás.Figura 36 – Correlação Litoestratigráfica. 5 (Fonte: Dardenne 1987). 61 . Minas Gerais e Bahia.

62 .

Figura 37 – Correlação Litoestratigráfica para a formação Vazante entre Lagamar e Unaí. Fonte: Dardenne (1987) 63 . 6.

Fonte: Dardenne (1987) Figura 39 – Coluna litoestratigráfica na Região de Vazante e Paracatu.Figura 38 – Mapa Geologico da Região de Vazante.7. 8. Fonte: Bettencourt (2001) 64 .

Figura 40 – Coluna Estratigráfica na Região de Paracatu. Fonte: Freitas-Silva & Dardenne (1991) 65 . 9.

Fonte: Misi (2001).Figura 41 – Perfil simplificado da Região de Paracatu. 10. FV-M = Fácies Morro do Calcário. 66 . FV = Formação Vazante. 11. está ressaltado o duplex Morro do Ouro. FP-M = Fácies Morro do Ouro. Figura 42 – Correlações Litoestratigráficas entre as sequências do Supergrupo São Francisco na região de Vazante. GC = Grupo Canastra. Em preto. FV-P = Fácies Psamo-Pelíticas. FP-S = Fácies da Anta. Fonte: Freitas-Silva & Dardenne (1991). mostrando imbricamento regional das litologias e a provável configuração preterida em duplex. FP = Formação Paracatu.

antes da deformação (Madalosso 1979). 13 (Misi 2001). 67 .Figura 43 – (a) Paleogeografia e fácies sedimentares da Formação Vazante. (b) seção estratigráfica composta da Formação Vazante.

Médio a Superior. 3 – metadolomitos do Membro Morro do Pinheiro Inferior. Seção Esquemática representando a estruturação da área (A – Zona de Falha de Vazante. 9 – alúvios). Fm Vazante. Fonte: Moller (2001). 68 . 7 – metadolomitos do Membro Pamplona. 4 – filitos intermediários do Membro Morro do Pinheiro. Figura 45 – Perfil Geológico da Região de Vazante. 6 – metapelitos e metadolomitos do Membro Pamplona Inferior. 16 (Rostirolla 2002). 1 – metapelitos da Fm Serra do Garrote. 14. das Falhas de Vazante e da Serra do Garrote. Fm Vazante. 8 – colúvios. 5 – metadolomitos do Membro Morro do Pinheiro Superior. Fm Vazante. 2 – filitos quartzosos Fm Serra do Garrote. B – Zona de Falha da Serra do Garrote.Figura 44 – Perfil Geológico do Morro do Ouro.

Fonte: Pereira (1992). 69 .Figura 46 – Perfil geológico da Formação Ibiá entre Coromandel e Guarda-Mor. 15.

Figura 47 – Mapa Esquemático do Cráton de São Francisco e das Zonas Marginais de Deformação no Noroeste de Minas Gerais. 70 . Fonte: CETEC-MG (1981).

Figura 48 – Mapa com a vazão específica e os componentes de fluxo de cada seção da bacia hidrográfica (em m 3.s/km2) 71 .

Figura 49 – Mapas com as características os poços perfurados. 72 . constantes no sistema Siagas.

73 .Figura 50 – Mapas com variáveis hidromorfométricas.

74 .Figura 51 – Mapas das variáveis morfométricas.

Figura 52 – Mapas com as variáveis morfométricas. 75 .

sobre o modelo de direção de fluxos múltiplos (MFD). corresponderia idealmente ao perfil de equíbrio. Distância de drenagem de cada ponto até a foz da bacia hidrográfica (no caso. A curvatura positiva indica convexidade. Calculado por processamento paralelo das células. Interpolação da altitude ao longo da hidrografia para o restante do terreno. Obtida por meio do cálculo do momento de derivação sobre uma superfície quadrática construída por regressão polinomial a partir das bases de altimetria. Referência Freeman (1991) Quinn et al. Distância vertical entre um ponto e o local da hidrografia para onde ele verte suas águas pluviais. A curvatura geral é calculada a partir das 8 células vizinhas. É considerado como bastante correlacionado à profundidade até o aquífero freático. Na perspectiva germorfológica. extensão Spatial Analyst Variável Curvatura Explicação Trata-se da segunda derivada da superfície de elevação (a primeira derivada é a declividade).8 Variável Declividade Explicação Razão máxima de mudança de altitude de uma célula para com suas vizinhas. (2011) 76 .8 Variável Declividade Acumulada Explicação Razão entre a altitude e a distância horizontal entre um ponto e o divisor de águas mais alto que drena para esse ponto. sendo o ponto mais baixo em que um rio poderia chegar sem prejudicar o escoamento de suas águas (Guerra & Guerra.Explicações sobre índices utilizados para as variáveis morfométricas e hidromorfométricas Quadro 6 – Variável obtida com o programa Envi 4. Indica a expressividade de ondulação do terreno. Subtração da altitude pelo nível de base. a foz da Bacia do Rio Paracatu) Superfície interpolada por kriggagem ordinária exponencial com base na altitude nas nascentes Referência Jenness (2011) Módulo da Curvatura Distância ao exutório Nível de Nascentes Quadro 3 – Variáveis obtidas com o programa SAGA 2. representando a superfície em que há um equilíbrio entre erosão e deposição. enquanto a curvatura negativa indica concavidade. 2006).0. Referência Jenness (2011) Quadro 7 – Variáveis obtidas com o programa ArcGis 10. (1991) Nível de Base Distância vertical ao nível de base Altitude até o rio Bock & Köthe (2008) Freeman (1991) O’Callaghan (1984) Nobre et al.

altitude normalizada. Altura de encostas Índices morfométricos mensurados com referência na linha de cumeada e no talvegue. (2006) Bock et al. índice de balanço de massas. 77 . (2007) Altitude normalizada Altitude padronizada Índice de Balanço de Massas Moeller et al. Freeman (1991) O’Callaghan (1984) Nobre et al. (2004) Índice topográfico de escoamento subsuperficial (downslope distance gradient index) Onde Ld é a distância horizontal do ponto com elevação de “ d” metros abaixo da elevação da célula inicial. a declividade e a curvatura. considerando a altura em relação à rede de drenagem. Uma gradação do macro-relevo para o micro-relevo seria a seguinte: altitude. Altitude normalizada: Normalização geoestatística da altitude. com “d” igual a 10 metros. Área específica é a área a montante por unidade de comprimento 2 de fluxo [m /m=m] Gruber & Peckham (2008) Beven & Kirkby (1979): Boehner & Selige (2006) Moore et al. em função da variação de sua curvatura e de seu aspecto (azimute). (2008) Boehner & Selige (2006) Onde CA (Área de contribuição) STI= Índice de transporte de sedimentos MBI = Índice de balanço de massas Índice topográfico de umidade Equivale a ln(Área Específica de drenagem / tangente do ângulo da declividade). Considera-se que essa inclinação acumulada. por meio do desvio padrão. altitude padronizada. Altitude Padronizada: Padronização geoestatística da altitude geral e a altitude normalizada.Distância horizontal até o rio Distância horizontal entre um ponto e o local da hidrografia para onde ele verte suas águas pluviais. por meio da integração da meia encosta da área de drenagem. Onde A é a area específica de drenagem e B é a declividade. entre o vale (valor 0) e a cumeada (valor 1). seguindo a direção de drenagem de maior inclinação. Os vales e encostas são definidos em razão dos pontos de sela do terreno. (1991) Hjerdt et al. possa ser um indicador da potencialidade de drenagem do solo para escoamento subsuperficial. Expressa o balanço entre erosão e acumulação. (2011) Conrad et al. altitude de encosta.

(1991) Koethe & Lehmeier (1996) Boehner & Antonic (2009) Hantzschel et al. Onde xij = elevação de cada célula vizinha à célula (0. Por exemplo. teoricamente. (1999) Índice vetorial de rugosidade Sappington et al. (2009) NREL (2002) Índice de aquecimento anisotrópico diurno Dispersão de fluxo (flow width) Variável calculada em razão da divisão (divergência) do escoamento de uma célula fonte para as células vizinha. Índice de convergência Fator de visão do terreno Fator de visão do Céu Visibilidade do Céu Índice de barlavento predominante (NEE) Índice de sotavento predominante (NEE) Índice de Efeito do Vento predominante (NEE) Força Efetiva do Vento predominante (NEE) Índice de modelagem hidrológica calculado por meio do gradiente (curvatura) e azimute.e. com aceleração constante. demonstrando a convergência do fluxo para a célula.Índice de rugosidade Calcula a diferença na elevação entre a célula central e suas 8 células vizinhas. do sombreamento da encosta oposta e do ângulo de incidência da luz solar ao longo de cada dia do ano. vai de 0 (terreno uniforme) a 1 (variação completa do terreno). A análise vetorial mede a dispersão dos vetores ortogonais (normais) em relação às células vizinhas. (2011) Modelo de ventos que utiliza uma estimação da direção predominante do vento. 78 .. por meio da consideração da orientação e inclinação das encostas. (2005) Oke (2000) Zakšek et al. 1996). em relação a suas vizinhas. Índice que estima o potencial de aquecimento do solo tendo em consideração a orientação das encostas e a sua declividade. I. mede a rugosidade do terreno pela variação tridimensional da orientação entre as células vizinhas. (2007) Hobson (1972) Radiação Solar Total Jochem et al. Gruber & Peckham (2008) Quinn et al. Modelo que estima a soma da radiação direta e da radiação difusa. Esse índice é menos correlacionado com o valor da declividade do terreno do que o índice de rugosidade tradicional. o hemisfério visível do céu é mais amplo do alto de uma montanha do que no fundo de um vale encaixado. A rugosidade. sendo modificada pelo sotavento (proteção da encosta ao vento) e pelo barlavento (exposição da encosta ao vento) dentro de um raio de influência predeterminado.0) Índice de rugosidade baseado na dispersão vetorial do relevo. O fator de visão do terreno e o fator de visão do céu são parâmetros complementares para o cálculo da visibilidade do céu. Na Bacia do Rio Paracatu. Riley et al. o vento predominante é NEE (Ruralminas. A visibilidade do céu pode ser compreendida como a porcentagem de um hemisfério de visão do céu a partir de um ponto no terreno.

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