Você está na página 1de 48

Área Policial   Prof. Maurilucio Direito Processual Penal     INQUÉRITO POLICIAL b) Busca e

Área Policial

 

Prof. Maurilucio

Direito Processual Penal

 
 

INQUÉRITO POLICIAL

b) Busca e apreensão de objetos relacionados com o fato após liberado pelos Peritos Criminais: É um ato coercitivo, pois o Estado exerce o seu poder através da Polícia Judiciária. O Art. 11 do CPP determina o acompanhamento dos instrumentos de crime nos autos de Inquérito Policial. c) Condução coercitiva: A autoridade policial, nos termos do Art. 201 do CPP parágrafo único, poderá conduzir coercitivamente, à sua presença, testemunhas, vítimas e indiciados. d) Interrogatório do indiciado: A autoridade policial deverá identificar-se ao indiciado como seu interrogador. Após finalizado, o interrogatório deverá ser lido ao indiciado na presença de duas testemunhas, denominadas testemunhas de leitura ou instrumentárias. Ao interrogatório Policial se aplicam as mesmas regras do Interrogatório Judicial. Com a Lei 10. 796/03 ocorreram algumas alterações ao art. 185 do CPP as quais são de suma importância. As principais alterações são:

Será qualificado e Interrogado na presença do seu

1)

CONCEITO: É um procedimento administrativo

exercido pela Polícia Judiciária e que marca o início da 1º Fase da Persecução Penal. Consiste na tarefa Estatal de perseguir o crime, produzir provas e obtendo a punição do criminoso.

2)

FINALIDADE: Visa a apuração da existência da

infração penal e a respectiva autoria a fim de que o titular da ação penal disponha de elementos que autorizem a promovê-la. O art. 13 do CPP trata das funções secundárias da Polícia Judiciária, pois a sua função precípua é a elaboração do Inquérito Policial e a devida apuração da infração penal.

3)

PROCEDIMENTOS EXTRAPOLICIAIS: O art. 4º do

CPP dispõe que “a competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades administrativas, a quem por lei seja cometida à mesma função”. O dispositivo ora citado prevê a existência de inquéritos extrapoliciais com a mesma finalidade dos inquéritos policiais. Por exemplo temos os Inquéritos Policiais Militares, IPMs.

 

CARACTERÍSTICAS DO INQUÉRITO POLICIAL:

Defensor Constituído ou será nomeado um para o ato. A falta do defensor constituído ou dativo acarreta nulidade do ato.

a)

Dispensável: Art. 12 do CPP. O inquérito policial é um

O Interrogatório de acusado preso será efetuado no

procedimento administrativo que tem por finalidade instruir a ação penal ou o ofendido nos casos da ação privada. Assim, se estes possuírem elementos imprescindíveis ao oferecimento da denúncia ou da queixa, é evidente que o inquérito se torna dispensável.

estabelecimento prisional em que se encontra, em sala própria, desde que estejam garantidas as seguranças da Autoridade (Delegado ou Juiz) e dos seus Auxiliares, a presença do Defensor Constituído ou Dativo e a publicidade do ato. (portas abertas). Inexistindo a segurança o Interrogatório será nas formas do CPP.

b)

Escrito: Art. 9º do CPP. Sendo o Inquérito Policial

uma peça meramente informativa, endereçada ao titular da ação penal, é inconcebível a existência de inquérito policial oral.

Sigiloso: O Art. 20 do CPP. O sigilo é a garantia da

c)

Deverá ser cientificado do seu direito constitucional de se manter calado. E o seu silêncio não poderá ser interpretado como confissão ou em prejuízo da defesa.

O Interrogatório será em duas partes:

eficácia das investigações policiais, porém não se estende ao advogado, que tem livre acesso aos autos de inquérito policial, mesmo que se encontrem conclusos à Autoridade Policial, conforme dispõe o art. 7º, XIV da Lei 8.906/94 Estatuto do Advogado. O Advogado não tem o direito de se manifestar dos atos do Inquérito Policial, porém, pode ter vista dos respectivos Autos.

I-Sobre a pessoa do acusado:

 

Residência, meio de vida, profissão, oportunidades

sociais, lugar onde exerce a sua atividade laboral, vida pregressa, se já foi preso anteriormente e onde está

sendo processado, se houve suspensão condicional ou condenação, qual a pena imposta, se a cumpriu e outros detalhes familiares.

d)

Inquisitivo: O Inquérito Policial é um procedimento

unilateral da Polícia e tem por objetivo apurar uma infração penal. Deve-se levar em conta o Princípio do Contraditório, previsto no Art. 5º LV da CF. O Art. 14 do CPP quando fala das diligências requeridas pela vítima as quais devem passar pelo crivo da Autoridade Policial que se entender não serem necessárias tem o poder

II-Sobre os fatos:

- Ser verdadeira a acusação que lhe é feita.

 

- Não sendo verdadeira se conhece as pessoas a quem deva ser atribuída à prática do crime.

Onde estava ao tempo em que foi cometido o crime e

se teve notícia deste;

discricionário de negá-las, exceto no exame do corpo de delito.

Indisponível: Art. 17 do CPP. Instaurado o Inquérito

Policial, a Autoridade Policial deverá concluí-lo no prazo, não podendo arquiva-lo. Tarefa esta de atribuição do Ministério Público.

Obrigatório: Art. 6º do CPP. A Autoridade Policial é

e)

f)

obrigada a instaurar o I.P. nos casos de crime de Ação Penal Pública Incondicionada.

As provas já apuradas;

Se conhece a vítima e as testemunhas já inquiridas;

Se conhece o instrumento utilizado para a prática do

crime ou qualquer outro usado para a prática da infração e tenha sido este apreendido;

Se conhece todos os demais fatos e pormenores que conduzam a elucidação dos antecedentes e circunstâncias da infração;

 

ATOS PRATICADOS NO INQUÉRITO POLICIAL:

Se tem algo a mais a dizer em sua defesa;

 
 

Se o Interrogado nega a acusação que lhe é feita;

 

a)

Preservação do local: Art. 6º, I, A Autoridade Policial

Se

houverem

mais

de

1

acusados,

estes

serão

deverá dirigir-se ao local, providenciando a preservação do mesmo até a chegada dos peritos criminais. A Lei 5.970/73 faculta a liberação do local nos casos de acidente de trânsito, com a remoção dos feridos e dos veículos que estiverem atrapalhando o trânsito ou causando risco de novos acidentes.

interrogados em separado;

 

e) Reconhecimento de Coisas e pessoas: Os reconhecimentos devem ser efetuados nos termos dos arts. 226, 227, e 228 do CPP e as acareações poderão ser feitas sempre que indiciados e testemunhas e ofendido divergirem em suas declarações sobre fatos ou circunstâncias relevantes;

Área Policial   Prof. Maurilucio Direito Processual Penal f) Acareações: Ocorrem quando houver

Área Policial

 

Prof. Maurilucio

Direito Processual Penal

f)

Acareações: Ocorrem quando houver divergência

 

NOTITIA CRIMINIS:

entre as declarações do acusado e da testemunha ou ofendido.

Notitia criminis é a notícia da ocorrência de um crime. É

conhecimento por parte da Autoridade Policial, da prática de um crime, de maneira espontânea ou provocada por terceiros. Formas de Notitia criminis:

o

Exame de Corpo de Delito: É o aspecto material da

infração. A qual demanda de autoria e materialidade. A autoridade policial poderá determinar a realização de qualquer perícia exceto aquelas que envolvam a saúde mental do acusado. Neste caso a autoridade deve

g)

1)

Imediata ou direta: Quando a Autoridade Policial vem

tomar conhecimento da prática de um crime

representar ao magistrado competente para que se proceda como determina o art. 149 parágrafo 1º do CPP. As perícias poderão ser efetuadas em qualquer horário.

Identificação do Indiciado: Art. 5º, LVIII da CF

h)

determina que “o civilmente identificado não será submetido à identificação criminal, salvo nas hipóteses

pessoalmente ou através dos seus agentes.

2)

Mediata ou Indireta: Ocorre quando a Autoridade

Policial é provocada formalmente por requisição do Ministério Público, do Juiz de Direito ou a requerimento do Advogado.

3)

Coercitiva: Pela lavratura do Auto de Prisão em

previstas em lei”. Porém existem algumas previsões, dentre elas a Lei 9.034/95 e a Lei 10.254/00. A súmula 568 do STF anterior a atua CF ensinava que “a identificação criminal do indiciado pelo processo datiloscópico não constitui constrangimento ilegal, ainda que já identificado civilmente”.

Flagrante Delito.

 

PRAZOS DO INQUÉRITO POLICIAL:

O prazo para a conclusão do Inquérito Policial é de 30 dias, podendo ser prorrogado a pedido da Autoridade Policial. Não existe limitação ao número de pedidos de prorrogação. No caso do acusado preso em flagrante ou

i)

Reprodução Simulada dos Fatos: O art. 7º do CPP

fala da reprodução simulada dos fatos. Sua finalidade é a de apontar o modus operandi, empregado pelo agente quando da prática do crime. O indiciado não é obrigado a fazer a reconstituição do crime, da mesma maneira que não é obrigado a confessá-lo.

preventivamente, o prazo é de 10 dias a contar da prisão

ou

Entretanto se o inquérito for de competência da Policia Federal o prazo em se tratando de réu preso será de 15 dias podendo ser prorrogado por igual período, se o réu estiver solto por analogia aplica o prazo do Código de

decretação da prisão preventiva.

j)

Outras providências: Existe a necessidade da

obtenção de documentos ou provas, que possam estar amparados por sigilo constitucional, como no caso da interceptação telefônica e quebra de sigilo bancário. Estas provas dependem da autorização judicial no bojo do Inquérito Policial.

Processo Penal, ou seja, 30 dias.

 

CURADOR AO INDICIADO MENOR:

O Art. 15 do CPP fala na presença do Curador junto ao menor de 21 anos e maior de 18. Não foi revogado expressamente pela Lei 10.792/03, no que tange ao

INCOMUNICABILIDADE DO ACUSADO:

Conforme previsão no Art. 21 do CPP, a incomunicabilidade do acusado pode ser decretada desde que não exceda o prazo de 3 dias. A incomunicabilidade será decretada pelo juiz competente a pedido da Autoridade Policial ou Ministério Público. A única pessoa que poderá comunicar-se com o acusado será o Advogado. Lei 8.906/94 Estatuto da Advocacia. Para Tourinho Filho: O art. 21 do CPP foi revogado pelo Art. 136, IV da CF o qual diz “Ora, se durante o Estado de Defesa, quando o Governo deve tomar medidas enérgicas para preservar a ordem pública ou a paz social, ameaçada por calamidades de grandes proporções na natureza, podendo determinar medidas coercitivas, destacando-se restrições aos direitos de reunião, ainda que exercida no seio de associações, o sigilo da correspondência e o sigilo de comunicação telegráfica e telefônica, havendo até prisão sem determinação judicial, tal como disciplina o art. 136 da CF; não se pode decretar a incomunicabilidade do preso (CF art. 136, parágrafo 3º), com muito mais razão não há que se falar em incomunicabilidade na fase de inquérito policial”. Para Damásio de Jesus: Entende que não houve revogação do Art. 21 pelo art. 136 da CF e ensina: “Em primeiro lugar, a proibição diz respeito ao período em que ocorrer a decretação do estado de defesa (art. 136 caput da CF), aplicável à prisão por crime contra o Estado (parágrafo 3º, I), infração de natureza política. Em segundo lugar, o legislador constituinte, se quisesse elevar tal proibição à categoria de princípio geral, certamente a teria inserido no art. 5º, ao lado de outros mandamentos que procuram resguardar os direitos do preso. Não o fez, relacionando a medida com os delitos políticos. Daí porque, segundo o nosso entendimento o art. 21 do CPP permanece em vigor”.

Inquérito Policial. No Interrogatório judicial é exigida a presença de Defensor constituído ou Defensor Público e dispensado o Curador. Assim sendo, não tem necessidade a manutenção da figura do Curador em Juízo, em função da revogação do art. 194, fato este que não ocorreu com o art. 15 que trata do Inquérito Policial

e

prevê a figura do Curador acompanhando o menor.

Diante desta situação e considerando que o Inquérito

Policial é a primeira fase da Persecução Penal e de caráter Administrativo foi mantido. Ao contrário da 2º fase

da

Persecução Penal que se inicia com o recebimento da

Denúncia. Também é fato que a ausência do Curador na Fase de Inquérito Policial não gera nulidade, porém está prevista a sua participação.

 

BAIXA DO INQUÉRITO À DELEGACIA:

Está prevista em apenas uma situação, quando ocorre

o

pedido de prorrogação de prazo para a conclusão do

Inquérito Policial, ou por Cota Ministerial. Depois de concluído ele não pode retornar a Delegacia e o MP terá o prazo de 5 dias no caso de acusado preso, para oferecer

a

denúncia ou de 15 dias no caso do acusado solto.

ARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL:

Está previsto no art. 17 do CPP. É uma medida

privativamente do Poder Judiciário e a requerimento do Promotor de Justiça. Da decisão judicial que determina o seu arquivamento não cabe recurso exceto nos seguintes

casos:

 

a)

Art. 7º da Lei 1.521/51, nos casos de Crime Contra a

Economia Popular, onde o magistrado deve recorrer ex

officio.

 

b)

Crimes Contra a Saúde Pública contidos no CP onde

recorre ex officio. Nos casos da Lei 6.368/76 repressão

ao

entorpecente, a Lei obriga o magistrado a recorrer de

ofício.

 
Área Policial Prof. Maurilucio Direito Processual Penal c) Lei 1.508/51 Art. 6º parágrafo único: que

Área Policial

Prof. Maurilucio

Direito Processual Penal

c) Lei 1.508/51 Art. 6º parágrafo único: que prevê o processo e julgamento das contravenções do jogo do bicho e das corridas de cavalo fora do hipódromo ( penca). Nesse caso, quando qualquer do povo provocar a iniciativa do MP e a representação for arquivada, poderá interpor recurso em sentido estrito.

PROCEDIMENTOS:

1) Se o magistrado determinar o arquivamento do inquérito policial sem o requerimento do Ministério Público, este deverá interpor Correição Parcial, pois esta medida provoca tumulto processual, por parte do magistrado. A Correição Parcial é regida pelo Decreto-Lei Complementar nº 3 de 27/08/1969 e tem o mesmo rito do Agravo de Instrumento do Processo Civil. 2) No caso do Ministério Público requerer o arquivamento e o Juiz descordar, o Juiz pode Recorrer ao Procurador Geral de Justiça, o qual determinará outro membro do MP para efetuar a denúncia ou manter o arquivamento, do qual não caberá recurso.

DESARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL:

De acordo com o STF, constitui constrangimento ilegal o desarquivamento de inquérito policial e conseqüente oferecimento de denúncia e o seu recebimento sem novas provas. Não obstante, o desarquivamento de inquérito policial, fundado em novas provas, não constitui constrangimento ilegal. Sendo perfeitamente cabível.

SUSPEIÇÃO DA AUTORIDADE POLICIAL:

O art. 107 do CPP diz que não se poderá opor suspeição contra Autoridade Policial, mas estas deverão declarar-se suspeitas quando ocorrer motivo legal. Nesse sentido se Delegado de Polícia presidir IP contra acusado onde ele próprio ou familiar é vítima, nenhuma irregularidade acarretará (RTJ 61/49 e RT 512/406).

HIPÓTESES DE INDEFERIMENTO DE INSTAURAÇÃO DE INQUÉRITO POLICIAL:

A Autoridade Policial poder indeferir o requerimento de instauração de Inquérito Policial nos seguintes casos:

1) Quando estiver extinta a punibilidade; 2) Se o requerimento não oferecer elementos mínimos indispensáveis; 3) Se a autoridade a que se destina o requerimento for incompetente; 4) Se o fato narrado não constituir tipo penal, fato atípico; 5) Se o requerente for incapaz;

RECURSO AO INDEFERIMENTO:

No caso do indeferimento do requerimento, cabe recurso ao Chefe de Polícia, função esta exercida pelo Secretário de Segurança Pública, aqui no Estado do Paraná. Alguns Estados da Federação possuíam Secretário de Polícia Civil e de Polícia Militar, neste caso esta será a autoridade competente para apreciar o recurso o Secretário de Polícia Civil.

PARTICIPAÇÃO DO MP NO INQUÉRITO POLICIAL:

Está prevista no Art. 47 do CPP e no art. 26, IV, da Lei 8.625/93 LONMP. O objetivo da participação do MP na realização do Inquérito é o acompanhamento da produção de provas. Quando o Inquérito Policial for para apurar delito praticado por Membro do MP, a Autoridade Policial deverá remeter os Autos de Inquérito Policial ao Procurador Geral de Justiça, a quem competirá dar prosseguimento à apuração do delito, conforme art. 41 parágrafo único da LONMP.

PRINCÍPIO DA DEVOLUÇÃO DO INQUÉRITO POLICIAL:

Previsto no Art. 28 do CPP, a devolução se trata no sentido de restituição, entrega, para prosseguimento. O juiz transfere a apreciação do Inquérito pelo Membro do MP, decidindo este pela denúncia ou não.

CONCLUSÃO DO INQUÉRITO POLICIAL:

O Inquérito Policial se encerra com o Relatório da Autoridade Policial, conforme previsto no art. 10 parágrafos 1º e 2º do CPP. No Relatório, o Delegado deverá fazer o seu enquadramento da conduta do acusado, porém esta classificação poderá ser modificada pelo Promotor de Justiça no seu entender, se houver indícios da prática de outros crimes. Bem como, o juiz poderá dar outra capitulação ao fato, correção independentemente de qualquer diligência, conforme Art. 383 do CPP, Emendatio libelli. No caso de a denúncia ser pautada em uma determinada prova e na instrução ficar evidenciada circunstância elementar nova que requeira uma pena mais grave o juiz baixa o processo para aditamento da denúncia ou queixa subsidiária, e para conseqüente defesa, conforme previsão no art. 384 parágrafo único do CPP Mutatio libelli. A Autoridade Policial, poderá ainda no seu relatório ou antes deste, representar pela Prisão Preventiva, prevista no art. 311, desde que estejam presentes os seus requisitos.

LEGISLAÇÃO SOBRE INQUERITO POLICIAL

TÍTULO II DO INQUÉRITO POLICIAL Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria. (Redação dada pela Lei nº 9.043, de 9.5.1995) Parágrafo único. A competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função.

Art. 5 o Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado:

I - de ofício; II - mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo. § 1 o O requerimento a que se refere o n o II conterá sempre que possível:

a) a narração do fato, com todas as circunstâncias; b) a individualização do indiciado ou seus sinais característicos e as razões de convicção ou de presunção de ser ele o autor da infração, ou os motivos de impossibilidade de o fazer; c) a nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e residência. § 2 o Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso para o chefe de Polícia. § 3 o Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a procedência das informações, mandará instaurar inquérito. § 4 o O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de representação, não poderá sem ela ser iniciado.

  Área Policial
 

Área Policial

Prof. Maurilucio

Direito Processual Penal

§

5 o Nos crimes de ação privada, a autoridade policial

Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão requerer qualquer diligência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade. Art. 15. Se o indiciado for menor, ser-lhe-á nomeado curador pela autoridade policial. Art. 16. O Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito à autoridade policial, senão para novas diligências, imprescindíveis ao oferecimento da denúncia. Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito. Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia. Art. 19. Nos crimes em que não couber ação pública, os autos do inquérito serão remetidos ao juízo competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu representante legal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado. Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. Parágrafo único. Nos atestados de antecedentes que Ihe forem solicitados, a autoridade policial não poderá mencionar quaisquer anotações referentes a instauração de inquérito contra os requerentes, salvo no caso de existir condenação anterior. (Incluído pela Lei nº 6.900, de

somente poderá proceder a inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la. Art. 6 o Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá:

I

- dirigir-se ao local, providenciando para que não se

alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais; (Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994) (Vide Lei nº 5.970, de 1973)

- apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais; (Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994)

II

III

- colher todas as provas que servirem para o

esclarecimento do fato e suas circunstâncias;

IV - ouvir o ofendido;

V - ouvir o indiciado, com observância, no que for

aplicável, do disposto no Capítulo III do Título Vll, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por 2 (duas) testemunhas que Ihe tenham ouvido a leitura;

VI

- proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a

acareações;

VII

- determinar, se for caso, que se proceda a exame de

corpo de delito e a quaisquer outras perícias;

VIII

- ordenar a identificação do indiciado pelo processo

datiloscópico, se possível, e fazer juntar aos autos sua

folha de antecedentes;

IX

- averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto

de

vista individual, familiar e social, sua condição

econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois

14.4.1981)

do

crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que

Art. 21. A incomunicabilidade do indiciado dependerá sempre de despacho nos autos e somente será permitida quando o interesse da sociedade ou a conveniência da investigação o exigir. Parágrafo único. A incomunicabilidade, que não excederá de 3 (três) dias, será decretada por despacho fundamentado do juiz, a requerimento da autoridade policial, ou do órgão do Ministério Público, respeitado, em qualquer hipótese, o disposto no art. 89, III, do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (Lei n o 4.215, de 27 de abril de 1963). (Redação dada pela Lei nº 5.010, de

contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter. Art. 7 o Para verificar a possibilidade de haver a infração

sido praticada de determinado modo, a autoridade policial poderá proceder à reprodução simulada dos fatos, desde

que

esta não contrarie a moralidade ou a ordem pública.

Art. 8 o Havendo prisão em flagrante, será observado o

disposto no Capítulo II do Título IX deste Livro. Art. 9 o Todas as peças do inquérito policial serão, num

processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e,

neste caso, rubricadas pela autoridade. Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 (dez)

dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante, ou

30.5.1966)

Art. 22. No Distrito Federal e nas comarcas em que houver mais de uma circunscrição policial, a autoridade com exercício em uma delas poderá, nos inquéritos a que esteja procedendo, ordenar diligências em circunscrição de outra, independentemente de precatórias ou requisições, e bem assim providenciará, até que compareça a autoridade competente, sobre qualquer fato que ocorra em sua presença, noutra circunscrição. Art. 23. Ao fazer a remessa dos autos do inquérito ao juiz competente, a autoridade policial oficiará ao Instituto de Identificação e Estatística, ou repartição congênere, mencionando o juízo a que tiverem sido distribuídos, e os dados relativos à infração penal e à pessoa do indiciado.

AÇÃO PENAL

estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 (trina) dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela.

§

1 o A autoridade fará minucioso relatório do que tiver

sido apurado e enviará autos ao juiz competente.

§

2 o No relatório poderá a autoridade indicar testemunhas que não tiverem sido inquiridas, mencionando o lugar onde possam ser encontradas.

3 o Quando o fato for de difícil elucidação, e o indiciado estiver solto, a autoridade poderá requerer ao juiz a devolução dos autos, para ulteriores diligências, que serão realizadas no prazo marcado pelo juiz. Art. 11. Os instrumentos do crime, bem como os objetos que interessarem à prova, acompanharão os autos do inquérito. Art. 12. O inquérito policial acompanhará a denúncia ou

§

queixa, sempre que servir de base a uma ou outra. Art. 13. Incumbirá ainda à autoridade policial:

O início da Ação Penal marca a segunda fase da Persecução Criminal ou Penal. Esta tarefa de punir é do Estado, após observados alguns princípios constitucionais: Devido Processo Legal, Presunção de Inocência, Ampla Defesa, Contraditório e Juiz Natural entre tantos outros. A titularidade do direito de punir é privativa do Estado, o qual é representado através do Ministério Público na acusação e pelo Juiz de Direito incumbido de dizer o direito através de uma sentença que pode ser absolutória ou condenatória. Direito de Ação também é conhecido por: Jus persecutionis e Jus persequendi in judicio.

I - fornecer às autoridades judiciárias as informações necessárias à instrução e julgamento dos processos;

- realizar as diligências requisitadas pelo juiz ou pelo Ministério Público;

II

III

- cumprir os mandados de prisão expedidos pelas

autoridades judiciárias;

IV

- representar acerca da prisão preventiva.

Área Policial   Prof. Maurilucio Direito Processual Penal O DIREITO DO ESTADO PUNIR: Este direito

Área Policial

 

Prof. Maurilucio

Direito Processual Penal

O DIREITO DO ESTADO PUNIR: Este direito só pode ser exercido após Ter sido facultado o contraditório e a ampla defesa, conforme preceito constitucional inserido no art. 5º, LV. Este direito do estado Jus puniendi surge após a condenação do réu, pois anteriormente existe a Pretensão Punitiva do Estado, de certo só poderia ser exercido após a sentença transitada em julgado. Pois ao contrário estaríamos ressuscitando o Tribunal de Exceção e o Sistema Inquisitório, patrocinado pelo Estado. Este direito de punir é abstrato, uma vez que está à disposição do estado, genérico, autônomo, subjetivo e principalmente público.

a) PÚBLICA:

Incondicionada ou plena: não depende da manifestação de vontade do ofendido.

Condicionada: Está condicionada a manifestação do

ofendido, através da sua representação.

Secundária: É aquela que originariamente é privada,

mas em casos previstos em lei, se torna pública. Ex: No caso dos crimes contra os costumes, quando a vítima é pobre. No caso do estado de pobreza, esta ação passa a ser pública.

b) PRIVADA:

 

Privada; Aquela que se inicia mediante a manifestação de vontade do ofendido através da queixa-crime.

Personalíssima:

FUNDAMENTO LEGAL DA AÇÃO PENAL:

Encontra-se no Código Penal e no Código de Processo Penal:

Subsidiária ou supletiva: É a ação intentada no caso do ministério Público não oferecer a denúncia no prazo previsto em lei.

a) Código Penal: Art. 100 a 106.

b) Código de Processo Penal: Art. 24 a 62.

CONDIÇÕES DA AÇÃO PENAL Considerando-se que existem algumas condições que podem ser específicas e outras genéricas. As específicas são aquelas que são exigidas em certos casos e ao serem necessárias à própria lei estabelecerá as exigências. Já as condições genéricas são aquelas exigidas em qualquer ação penal:

Condições Genéricas da ação:

Adesiva: Segundo Frederico Marques, Existe no caso do Assistente de Acusação.

 

AÇÃO PENAL PÚBLICA:

Fundamenta-se na Constituição Federal. Está prevista no Código de processo Penal e Código Penal. O seu titular é o Ministério Público, conforme LONMP Lei 8.625/93. Prevista também na Lei Orgânica do Ministério Público Estadual. SISTEMA ACUSATÓRIO: Após o Código do Império, o Ministério Público cresceu muito, sendo o fiscal da lei e o titular da Ação Penal Pública. O sistema acusatório vigente no Brasil, veio a suplantar o sistema anterior Inquisitivo herança das Ordenações e do Período da Idade Média. O sistema inquisitivo buscava a confissão a qualquer custo. Detinha o poder de acusar, julgar e defender. Já no sistema acusatório atual, o Ministério Público tem

o

a) POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO: Na ação penal o pedido deve ser possível e admitido em direito. Deve tratar de um fato típico (um crime) o qual possui um preceito e uma sanção. b) INTERESSE DE AGIR ou JUSTA CAUSA: Após ficar evidenciado indícios de autoria e materialidade da prática do crime, o Ministério Público pode efetivar a denúncia. Na acusação deve haver legitimidade individual e social e fundada suspeita sobre o indiciado. c) LEGITIMAÇÃO PARA CAUSA: Divide-se em:

ATIVA: Diz respeito ao polo ativo. É a titularidade de exercer o direito de ação, representando o Estado nas ações penais públicas, por parte do Ministério Público. PASSIVA: Diz respeito ao polo passivo da ação penal, ou seja, ela pressupõe uma condição ao acusado que é ser maior de 18 anos. É a capacidade para ser réu. No caso dos menores de 18 anos, estes não podem estar no polo passivo de uma Ação Penal Pública por serem menor de

dever de acusar, uma vez que o juiz tem o dever de julgar e a polícia de investigar. Sendo estes poderes separados e harmônicos. PRINCÍPIOS GERAIS DA AÇÃO PENAL PÚBLICA:

A) Princípio da Obrigatoriedade: O Promotor de Justiça

é

obrigado a denunciar e movimentar o Sistema, através

da Ação Penal, da qual é o titular. Para tanto, necessita da sua opinio delicti, isto é, formada a sua opinião sobre

o

crime e a sua tipicidade ele não pode dispor da Ação. É

18

anos.

livre para formar o seu convencimento e após este concluído, deverá efetuar a denúncia ou opinar pelo arquivamento do feito. No Art. 28 do CPP, observamos que o juiz pode discordar do pedido de arquivamento, cabendo assim, recurso ao Procurador Geral de Justiça, no que concerne o cumprimento do princípio da obrigatoriedade. B) Princípio da Indisponibilidade: Aplica-se este princípio por uma questão de razoabilidade. No caso da Ação Penal Pública iniciada, o Promotor de Justiça não pode dela se desfazer ou desistir. Ver art. 42, 385 e 576 do CPP. Com o advento da Lei 9.099/95 este princípio tornou-se mutável uma vez que na Constituição Federal em seu art. 98, I, previu a transação penal. No art. 42 CPP “ O Ministério Público não poderá desistir da ação Penal”.

C) Princípio da Indivisibilidade: Ele ocorre no caso dos crimes que envolvam Concurso de Agentes. Neste caso,

LEGITIMAÇÃO PROCESSUAL PARA ESTAR NO POLO PASSIVO:

Apesar da alteração no Código Civil, ainda não houve qualquer alteração no Código Penal e Processual Penal.

com relação a maioridade penal. Assim sendo o maior de

18

anos e menor de 21 anos . No caso da vítima menor

de 18 anos, esta é representada.

Condições Específicas da Ação As ações penais mesmo que possuam possibilidade, legitimidade, e interesse, deverão possuir as condições específicas da ação, também chamadas de condições de procedibilidade. São condições específicas da ação a representação, a requisição do Ministro da Justiça, pois jamais poderá haver denuncia do Ministério Público se não houverem esses pré-requisitos.

a

ação penal não pode ser movida apenas contra um dos

CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES PENAIS:

acusados e sim deverá ser contra todos. Neste caso é possível efetuar o aditamento da denúncia. Ver art. 48 do CPP. “A queixa contra qualquer dos autores do crime

obrigará ao processo de todos, e o Ministério Público velará pela sua indivisibilidade”.

É importante ressaltar que a classificação das ações penais se dá em face do sujeito ativo. Autor

Área Policial   Prof. Maurilucio Direito Processual Penal D) Princípio da Oficialidade: No caso das

Área Policial

 

Prof. Maurilucio

Direito Processual Penal

D)

Princípio da Oficialidade: No caso das Ações Penais

2.5.1.

PRAZO PARA O MP EFETUAR A DENÚNCIA:

os atos processuais são públicos, salvo quando for decretado o sigilo, quando a lei assim o permitir. Art. 779 do CPP “As audiências, sessões e os atos processuais serão, em regra, públicos e se realizarão nas sedes dos juízos e tribunais, com assistência dos escrivães, do secretário, do oficial de justiça que servir de porteiro, em dia e hora certos, ou previamente designados.

Os prazos estão previstos no art. 46 do CPP Estes prazos são considerados impróprios, pois não ocorre a preclusão se o MP não oferecer a denúncia dentro do prazo e enquanto não estiver extinta a punibilidade. Poderá ocorrer a ação penal subsidiária.

2.5.2.

REJEIÇÃO DA DENÚNCIA OU QUEIXA:

 

O

juiz poderá rejeitar a denúncia ou queixa quando

E)

Princípio do in dubio pro societati; Após a conclusão

estiverem ausente qualquer uma das condições genéricas

do Inquérito Policial, com o devido relatório da Autoridade Policial, este será remetido a juízo. O Ministério Público será o seu destinatário, o qual terá a opinio delicti, e estando convencido dos requisitos de autoria e materialidade, o Promotor deverá denunciar o acusado. Ocorre que se houver uma dúvida na opinio delicti, o Promotor de Justiça não tem convicção mas denuncia assim mesmo, esperando obter mais provas durante a instrução, o Juiz é obrigado a absolver o réu, uma vez que o Princípio da Presunção de Inocência é soberano.

da Ação.

 

O

objeto no processo penal é o fato e a forma,

devendo haver uma relação recíproca entre a denúncia e a sentença. O MP deve levar ao conhecimento do juiz o fato, produzindo a melhor descrição e deste deve o réu se defender. A ação é a pretensão da concessão da tutela

jurisdicional, onde o juiz deverá informar o direito através da sentença. No caso do juiz rejeitar a denúncia ou queixa, poderá o

MP

ou o querelante, inconformado com a decisão judicial,

INICIO DA AÇÃO PENAL PÚBLICA Todas as ações penais publicas iniciam mediante denúncia do Ministério Público, que por mandamento constitucional, CF art. 129, I, determina a competência privativa do Ministério Público para promover a ação penal pública.

DENÚNCIA:

interpor recurso em sentido estrito nos termos do Art. 581,

I do CPP. “Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença: I – que não receber a denúncia ou queixa” ver demais incisos II a XXIV”. Em se tratando e crime de imprensa, o recurso oponível será apelação, conforme art. 44, § 2º da Lei 5.250/67. No caso do juiz receber a denúncia ou queixa, tratando-se de crime de imprensa, caberá recurso em sentido estrito, sem suspensão do curso do processo.

Seus requisitos estão previstos no Art. 41 do CPP: “A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais

A

DENÚNCIA, também é conhecida como: exordial,

inicial, vestibular, proemial, prodrômica, dilucular,

antelóquio.

 

se possa identificá-lo, a classificação do crime e quando necessário, o rol das testemunhas”.

AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA É aquela em que o MP age de ofício, independentemente da autorização do ofendido. Constitui regra geral, sendo o maior número de ações penais é pública e incondicionada. No Código fica evidente, uma vez que neste ponto ele não faz menção à regra e tão somente as exceções. Na mesma situação a Autoridade Policial, deverá agir de ofício e não o fazendo incorrerá no crime de prevaricação. Pode ocorrer do inquérito policial ser instaurado por requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público. O ofendido também poderá comparecer a presença da Autoridade Judiciária ou do Ministério Público, narrar os fatos e se for o caso, uma destas autoridades poderá requerer a instauração do Inquérito Policial. Na A P P Incondicionada, não é necessário assistente

a)

PARTE EXPOSITIVA: É uma minuta dos fatos.

Aquelas indagações do Inquérito Policial: Quem, Quando,

Como, Aonde e Por que? Deverá individualizar a conduta de cada um dos partícipes. Há uma discussão muito

grande no que tange a “denúncia alternativa” os juristas com maior inclinação ao Direito Romano entendem que é possível. A outra corrente entende que não, que o réu deve se defender de um fato.

QUALIFICAÇÃO DO ACUSADO: É muito importante à

correta qualificação na denúncia, para que não ocorram situações de acusações contra homônimos. O que pode ocorrer é a prática por um acusado em usar um nome falso. Neste caso aplica-se o art. 259 do CPP “A impossibilidade de identificação do acusado com o seu verdadeiro nome ou outros qualificativos não retardará a ação penal, quando certa a identidade física. A qualquer tempo, no curso do processo, do julgamento ou da execução da sentença, se for descoberta a sua qualificação, far-se-á a retificação, por termo, sem prejuízo da validade dos atos precedentes”. A lei 10.054/2000 Dispõe sobre a identificação criminal e

dá outras providências.

b)

de

acusação, uma vez que o Ministério Público tem o

dever de agir. AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA Desenvolvimento: Na ação penal pública condicionada

o

MP só pode oferecer a denúncia se houver

representação da vítima ou requisição do Ministro da Justiça, conforme art. 24 do CPP: Nos crimes de ação pública, esta será promovida por denúncia do Ministério Público, mas dependerá, quando a lei o exigir, de

requisição do Ministro da Justiça, ou de representação do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo.

c)

CLASSIFICATÓRIA: É o enquadramento do fato a

norma penal (tipicidade). A classificação errônea do fato não poderá causar a inépcia da denúncia. Pois o réu se defende de um fato. Ex: Furto e Furto Qualificado, Roubo ou Extorsão.

§

1º No caso de morte do ofendido ou quando

d)

ROL DE TESTEMUNHAS: É importante o rol de

declarado ausente por decisão judicial, o direito de

testemunhas para que se possa efetuar uma análise ou até contraditar uma testemunha.

representação passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.

e) USO DO VERNÁCULO: Consiste no correto linguajar.

§

2º Seja qual for o crime, quando praticado em

f) DEDICATÓRIA: A quem é endereçada a denúncia?

detrimento do patrimônio ou interesse da União, Estado e Município, a ação será pública. Definição: A própria lei se incumbe de definir os crimes de ação pública condicionada.

Ela só pode ser dirigida ao Juiz Penal.

g)

DATA DA DENÚNCIA: É importante, pois nesta fase

temos uma das causas interrompem a prescrição.

Área Policial   Prof. Maurilucio Direito Processual Penal Representação do Ofendido: Existem certos crimes

Área Policial

 

Prof. Maurilucio

Direito Processual Penal

Representação do Ofendido: Existem certos crimes que além de imporem a agressão ao ofendido, ao Estado,

Art. 39: O direito de representação poderá ser exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais, mediante declaração, escrita ou oral, feita ao juiz, ao órgão do Ministério Público, ou à autoridade policial.

§ 5º O órgão do Ministério Público dispensará o inquérito, se com a representação forem oferecidos elementos que

causam uma Segunda violência que é a exposição do ofendido perante terceiros. O chamado Strepitus judicii, ou Escândalo do processo. Neste caso a lei condiciona a vontade do Poder Público exercido pelo Estado à vontade do ofendido. Da mesma forma o Inquérito Policial somente poderá ser instaurado mediante a representação do ofendido. Conforme art. 5º § 4º do CPP.

habilitem a promover a ação penal, e, neste caso, oferecerá a denúncia no prazo de 15 dias.

o

A

Representação nada mais é do que a manifestação

RETRATAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO:

de vontade combinada com a autorização do ofendido a sua instauração.

NATUREZA JURÍDICA DA REPRESENTAÇÃO:

A

retratação quer dizer voltar atrás. Aquele que

representa pode retratar-se durante o inquérito policial. Porém, depois de iniciada a Ação Penal a representação se torna irretratável, conforme o art. 104 do CPP: Se for

É

uma condição de procedibilidade, ou seja, é uma

autorização ao Ministério Público agir em nome do ofendido e processar o autor do delito. Esta representação é uma peça essencial nos casos previstos em lei. Art. 564. A nulidade ocorrerá nos seguintes casos:

argüida a suspeição do órgão do Ministério Público, o juiz, depois de ouvi-lo, decidirá, sem recurso, podendo antes

admitir a produção de provas no prazo de 03 (três) dias. Pode haver retratação da retratação desde que haja boa fé e ainda esteja em curso o prazo para o direito da representação.

III- por falta das fórmulas ou termos seguintes:

 

A

retratação e a representação são indivisíveis, terão

a- A denúncia ou a queixa e a representação e, nos processos de contravenções penais, a portaria ou auto de prisão em flagrante.

que representar ou retratar contra todos os autores do crime. No caso do ofendido representar contra um, o

Ministério Público poderá aditar a denúncia contra os demais.

A

representação pode ser escrita ou verbal,

pessoalmente ou através de procurador que não necessariamente seja Advogado, uma vez que não se trata da postulação processual e sim, de manifestação de vontade que antecede ao processo. Art. 39: O direito de representação poderá ser exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais, mediante declaração, escrita ou oral, feita ao juiz, ao órgão do Ministério Público, ou à autoridade policial. Ver § 1º ao 5º.

PRAZO PARA A REPRESENTAÇÃO:

O

prazo é de seis meses para que o ofendido

manifeste a sua vontade ou o seu representante legal. A

contagem do prazo se inicia no dia em que tomou conhecimento da autoria do crime. Prazo este que é decadencial, contínuo e peremptório. É contínuo porque nada suspende, fatal e peremptório porque não se prorroga para o dia seguinte, extingue-se o direito. Há controvérsia se o prazo é uno ou duplo. A doutrina

PODEM REPRESENTAR AS SEGUINTES PESSOAS:

a) Ofendido maior de 21 anos, no caso de ser maior de 18 e menor de 21 necessita de representante legal. b)Ofendido alienado poderá exercer o seu direito através de curador nomeado no juízo cível. c) Ofendido menor de 18 anos ou alienado mental sem representante legal, ou, se colidirem os interesses desta com daquela, o direito de queixa poderá ser exercido por procurador especial nomeado, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, pelo juiz competente, para o processo penal, conforme menciona o Art. 33 do CPP. Esse curador Ad hoc pode representar ou não, conforme a sua conveniência, pois é um substituto processual que fala em nome próprio, defendendo o direito alheio. Ao terceiro dá-se o nome de substituído. No caso da vítima Ter mais de 18 anos e menos de 21 anos, o direito de queixa ou de representação pode ser exercido, por ele ou por seu representante legal, conforme o Art. 34 do CPP.

SUCESSÃO NO DIREITO DE REPRESENTAÇÃO:

entende que o prazo é uno, isto é, o prazo é de 6 meses a contar da data que tomou conhecimento, porém, no caso

do

seu representante legal, caso não tenha conhecimento

do fato nos 6 meses, passa a contar da data que vier a ter conhecimento. Nesse sentido já temos a Súmula 594.

REQUISIÇÃO DO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA:

É

uma condição específica de procedibilidade, sendo

também um ato administrativo, político e discricionário. É administrativo porque parte do Ministério da Justiça. Também é político, porque o cargo do Ministro da Justiça envolve questões políticas associadas à paz social. Também é discricionário porque ele pode exercê-lo ou não. Quando exercido a requisição é encaminhada diretamente ao Ministério Público, que poderá oferecer denúncia ou requerer a instauração de inquérito policial. O prazo para o Ministro da Justiça é o mesmo da prescrição do crime. Depois de exercida a requisição do Ministro da Justiça, esta é irretratável.

 

No

caso da morte do ofendido ou quando declarado

ausente por decisão judicial, o direito de representação passará para o cônjuge, ascendente, descendente ou irmão, conforme a previsão do Art. 24 do CPP.

ENDEREÇAMENTO DA REPRESENTAÇÃO:

AÇÃO PENAL PUBLICA SECUNDÁRIA

É

aquela que era originariamente privada, mas passa a

ser pública por circunstâncias previstas em lei. Como ocorre em relação aos crimes contra os costumes. Art. 213, que é de ação penal privada, porém, no caso de vítima pobre, passa a ser pública (condicionada), e no caso do crime ser cometido com o abuso do pátrio poder, tutela ou curatela, a ação penal passa também a ser pública só que (incondicionada)

A representação poderá ser efetuada perante as autoridades: Policial, Judiciária ou Ministério Público. A representação efetuada perante o MP que contiver todos os elementos de prova da autoria e materialidade, o MP poderá dispensar o inquérito policial, oferecendo a denúncia em 15 dias. Caso contrário, deverá encaminhar as peças para Autoridade Policial, requerendo a instauração do Inquérito Policial, conforme Art. 39, § 5º do CPP.

Área Policial   Prof. Maurilucio Direito Processual Penal AÇÃO PENAL PRIVADA Trata-se da ação promovida

Área Policial

 

Prof. Maurilucio

Direito Processual Penal

AÇÃO PENAL PRIVADA Trata-se da ação promovida pelo titular do direito que é

No caso de aditar a queixa, o ministério Público ficará na condição de Assistente do Querelante, porém, não poderá alterar a classificação do crime. Na condição de fiscal da lei deverá fiscalizar inclusive a indivisibilidade processual, isto é, denunciar os demais acusados quando houverem, aditando a denúncia. Conforme art. 48 do CPP: “A queixa contra qualquer dos autores do crime obrigará ao processo de todos, e o Ministério Público velará pela sua indivisibilidade. Há uma Segunda corrente que entende que o MP não pode aditar a denúncia porque não é o titular desse tipo de ação, podendo apenas pedir

a

vítima do crime. Ex: Calúnia, Injúria, Difamação. Nestes

casos a lei outorga poderes à vítima a processar o autor

da infração, porém, não outorga poderes para a punição. Daí dizer-se legitimação extraordinária, uma vez que o Estado é o detentor da legitimidade para processar o criminoso. O Estado apenas estende o direito de ação e não de punição.

PRINCÍPIOS DA AÇÃO PENAL PRIVADA PROPRIAMENTE DITA:

ao

juiz que declare extinta a punibilidade, pela renúncia

a-

Oportunidade ou conveniência: A ação penal privada

ao

direito de queixa”.

 

é um direito e não um dever. O direito de queixa é privativo do ofendido. A vítima pode renunciar o seu direito de queixa, não podendo exercê-lo mais, conforme

PEREMPÇÃO:

Significa a extinção. Trata-se de uma penalidade processual e produz os seguintes efeitos:

o

art. 106 do CP. A renúncia ao direito de queixa extingue

punibilidade do crime art. 108, inciso V do CP. b-Disponibilidade relativa: Iniciada a ação privada, a

a

-

Extingue o processo.

-

Extingue o direito de ação.

vítima pode dela dispor. Aplica-se durante a ação. A vítima dispõe da ação privada através da desistência

-

Extingue a punibilidade do crime.

-

prevista no art. 42 do CPP, perdão aceito art. 108,V do CP e pelo abandono do processo causando a perempção. Essa disponibilidade é relativa, uma vez que vai até o trânsito em julgado da sentença condenatória;

CASOS EM OCORRE A PEREMPÇÃO:

São regulados pelo art. 60 do CPP: Nos casos em que somente se procede mediante queixa, considerar-se-á perempta a ação penal:

c-

Princípio da Indivisibilidade: A queixa proposta contra

I-

quando iniciada esta, o querelante deixar de promover

um dos autores do crime obrigará o processo contra todos, conforme previsão do art. 48 do CPP, podendo o Ministério Público adita-la. d-Princípio da Intranscendência: A ação penal só pode ser movida contra o responsável penal pelo delito. Já a ação civil pode ser movida tanto contra o autor do dano como contra um terceiro que a lei civil autorize.

andamento do processo durante 30 (trinta) dias seguidos;

o

II-

quando falecendo o querelante, ou sobrevindo a sua

incapacidade, não comparecer em juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado

o

disposto no art. 36;

 

INÍCIO DA AÇÃO PENAL PRIVADA: Inicia-se mediante oferecimento da queixa-crime (petição inicial privada). O direito de queixa é direito de ação, enquanto o direito de representação não possui direito de ação.

III- quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a qualquer ato do processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais; IV- quando sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar sucessor. OBS: A perempção só se opera na ação penal exclusivamente privada.

CABIMENTO:

REQUISITOS DA QUEIXA-CRIME: Estão previstos no art. 41 do CPP. São os mesmos da denúncia porque ambos são uma petição inicial. Se a vítima de um crime de ação penal for pobre, terá direito a assistência judiciária, desde que comprovada a sua pobreza, assim determina o art. 32 do CPP.

 

A

perempção só se vislumbra após o início da ação

penal privada, pois antes de ser oferecida a queixa-crime

PRAZO:

 

pode ocorrer a prescrição, decadência ou a renúncia, uma vez que o direito não venha a ser exercitado. Pode ocorrer também a morte do querelante nos crimes de adultério e induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento, nos casos que envolvem a instituição do casamento. AÇÃO PENAL PRIVADA PERSONALÍSSIMA

o tipo de ação que só pode ser movida pelo

É

Seis meses (art. 105 do CP e 38 do CPP).

O

MINISTÉRIO PÚBLICO E A AÇÃO PENAL PRIVADA

PRPRIAMENTE DITA:

 

O MP é parte ativa ilegítima nesses crimes, não podendo ser o autor, participando apenas como custus legis. No caso de não intervir em todos os termos da ação privada propriamente dita não acarreta nulidade, apenas mera irregularidade. O MP pode aditar a queixa-crime no prazo de 3 dias contados do recebimento dos autos, conforme art. 46 do CPP: “O prazo para oferecimento da denúncia, estando o réu preso, será de 5 (cinco) dias, contado da data em que o órgão do Ministério Público receber os autos do inquérito policial, e de 15 (quinze) dias, se o réu estiver solto ou afiançado. No último caso, se houver devolução do inquérito policial à autoridade policial (art. 16), contar-se-á o prazo da data que o órgão do Ministério Público receber novamente os autos. § 2 º “O prazo para o aditamento da queixa será de 3 (três) dias, contados da data em que o Órgão do Ministério Público receber os autos, e, se este não se pronunciar dentro do tríduo, entender-se-á que não tem o que aditar, prosseguindo-se nos demais termos do processo.”

ofendido, diferente da ação penal privada propriamente dita, pois neste caso o representante legal do ofendido não pode atuar, sendo esta uma faculdade que ode ser exercida somente pela vítima. Do caráter personalíssimo: Observa-se através do art.

108 do CP:

 

1-

Quando a vítima do crime for menor de 18 anos, terá

que aguardar completar a idade. 2- Se a vítima falecer, extingue-se a punibilidade do crime (este caso não se encontra no art. 108 do CP).

Área Policial   Prof. Maurilucio Direito Processual Penal AÇÃO PRIVADA SUBSIDIÁRIA OU SUPLETIVA Este tipo

Área Policial

 

Prof. Maurilucio

Direito Processual Penal

AÇÃO PRIVADA SUBSIDIÁRIA OU SUPLETIVA Este tipo de ação só poder ser oferecida no caso do órgão do Ministério Público não oferecer a denúncia dentro do prazo. Porém, cabe ressaltar que, no caso do Ministério Público opinar pelo arquivamento, não cabe este tipo de ação. Neste caso o Ministério Público não fica num plano secundário, apenas oferece a denúncia substitutiva e afasta o querelante, uma vez que este tipo de ação é utilizado nos crimes de ação penal pública incondicionada, onde o MP tem o dever de agir e por lapso não age. Com o afastamento do querelante, (desistência da ação subsidiária) o processo retoma o seu curso normal. Porém, se quiser continuar, neste caso, a vítima pode atuar como assistente de acusação. Cabe lembrar que não ocorre a perempção da ação privada subsidiária. O promotor deverá atuar em todos os atos processuais da ação penal privada subsidiária, sob pena de nulidade. Conforme o art. 564, III, e, do CPP; Art. 564: A nulidade ocorrerá nos seguintes casos:

III – por falta das fórmulas ou dos termos seguintes:

 

OUTRAS CARACTERÍSTICAS DA JURISDIÇÃO Outras características da jurisdição são:

a) lide; b) inércia; c) definitividade; d) secundária; e) instrumental; f) declarativa ou executiva. Lide e litígio são vocábulos sinônimos e correspondem

a

um evento anterior ao processo. Para que haja a lide é

necessário que ocorra "um conflito de interesses qualificado por um pretensão resistida", conforme a clássica lição de Carnelutti. Inércia: embora a jurisdição seja função ou atividade pública do Estado, versa sobre interesses privados - direitos materiais subjetivos das partes -, donde não ter cabimento a prestação

jurisdicional, a não ser quando solicitada, nos casos controvertidos, pela parte interessada. Daí surge a inércia

a

que estão obrigados os órgãos jurisdicionais. Definitividade: os atos jurisdicionais são suscetíveis de

se tornar imutáveis. Art.5o, XXXVI, CF: "a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada". Secundária: é atividade secundária porque através dela o Estado realiza coativamente uma atividade que deveria ter sido, primariamente exercida, de maneira pacífica e espontânea, pelos próprios sujeitos da relação jurídica. Instrumental: porque tem objetivo de dar atuação prática às regras do direito, assim a jurisdição é um instrumento de que o próprio direito dispõe para impor-se

e- a intervenção do Ministério Público em todos os termos da ação por ele intentada e nos da intentada pela parte ofendida, quando se tratar de crie de ação pública;

AÇÃO PENAL PRIVADA ADESIVA Segundo o doutrinador José Frederico Marques, onde ele entende a atuação do Assistente de Acusação, que vêm atuar como um auxiliar do Ministério Público, na qualidade de procurador da vítima ou dos seus familiares. Art. 268: Em todos os termos da ação pública, poderá intervir, como assistente do Ministério Público, o ofendido ou seu representante legal, ou na falta, qualquer das pessoas mencionadas no art. 31. Art. 31: No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão judicial, o direito de

obediência dos cidadãos. Declarativa ou executiva: a jurisdição não é fonte do direito, o órgão jurisdicional é convocado para remover a incerteza ou para reparar a transgressão, através de um juízo que se preste a reafirmar e restabelecer o império do direito, quer declarando qual seja a regra do caso concreto, quer aplicando as edidas de reparação ou de sanção previstas pelo direito.

à

PRINCÍPIOS BÁSICOS DA JURISDIÇÃO

1- Indeclinabilidade: A jurisdição é obrigatória.

 

O

juiz não pode deixar de julgar sob nenhuma alegação,

oferecer queixa ou prosseguir na ação passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.

JURISDIÇÃO

até mesmo pela lacuna da lei. O DPP admite a analogia. 2- Improrrogabilidade: A jurisdição de um juiz não pode

envolver a de outro, exceto nos casos de conexão e

continência;

 

CONCEITO DE JURISDIÇÃO É a função que tem o Estado de declarar com imparcialidade o Direito objetivo através do Poder Judiciário. Jurisdição é poder, função e atividade do Estado de aplicar o direito ao fato concreto para solucionar os conflitos existentes. Há conflitos de interesse quando mais de um sujeito procura usufruir o mesmo bem. Como poder, é manifestação do poder estatal através da sua capacidade de decidir e impor as suas decisões. Tem a função de promover a pacificação de conflitos interindividuais, mediante a realização do direito justo e devido processo. E é atividade onde esta constitui os atos do juiz no processo. O poder, a função e a atividade somente transparecem legitimamente através do devido processo legal.

CARACTERES FORMAIS DA JURISDIÇÃO

3- Juiz Natural ou pré-constituído: O réu tem o direito de ser julgado por um órgão regular do Poder Judiciário. Esse princípio proíbe o juiz de exceção; A Constituição proíbe os chamados tribunais de exceção para o julgamento de determinadas pessoas e determinados casos (art.5o, inciso XXXVII, CF). 4- Unidade: A jurisdição é uma só, ou seja, é sempre a mesma. O que diferencia uma da outra é a atividade sobre a qual recai. 5- Iniciativa das partes: Baseado no princípio ne procedat judex ex officio, não pode haver jurisdição sem ação. 6- Relatividade ou co-relação entre pedidos e decisão. Está no brocado ne eat judex infra vel extra vel ultra petita portium ( não haja o juiz aquém ou fora ou além dos pedidos das partes). 7- In dubio pro reo: Na dúvida, o juiz deve julgar em favor da defesa. A defesa tem o benefício da dúvida. 8- Investidura: sendo a jurisdição um monopólio do Estado e este, que é uma pessoa jurídica, precisa exercê- la através de pessoas físicas que sejam seus órgãos ou agentes, essas pessoas são os juízes. 9- Indelegabilidade: quer dizer que o poder do juiz de julgar o caso concreto é indelegável não pode este, invertendo os critérios da Constituição e da lei, transferir a sua competência que lhe foi atribuída pelo Estado para outro.

Notio: (conhecimento) é o poder de presidir a instrução;

Judicio (julgamento): é o poder de julgar a lide. Vocatio ( chamamento): é o direito de chamar as pessoas para o processo. Coertio: (Coerção): é o poder de impor medidas restritivas de direito. Executio: (executar): é o poder de executar a condenação.

Área Policial   Prof. Maurilucio Direito Processual Penal JURISDIÇÃO, LEGISLAÇÃO, ADMINISTRAÇÃO

Área Policial

 

Prof. Maurilucio

Direito Processual Penal

JURISDIÇÃO, LEGISLAÇÃO, ADMINISTRAÇÃO Jurisdição difere da legislação, porque consiste na

criminalmente e para o julgamento dessa acusação é relevante o esclarecimento de uma questão civil,

solução de conflitos de interesse apresentadas ao Estado- juiz, este fazendo justiça em casos concretos. Legislação são normas de caráter genérico e abstrato não destinada

suspende-se o processo criminal à espera da solução no caso cível (art.92-94, CPP). Ex: o réu acusado de bigamia alega que o casamento anterior era nulo. O art.91, I, CP dá como efeito da sentença penal "tornar certa a obrigação de indenizar o dano resultante do crime". Se o

um caso concreto. As diferenças entre jurisdição e administração são: a) o administrador não possui o poder de atuar na realização

a

réu

for absolvido no crime poderá ser absolvido em certos

do

bem comum; b) não tem caráter substitutivo; c) os atos

casos da ação cível (art.65 e 66, CPP). Resta observar o art.64, caput e parágrafo, CPP permite que seja intentada a ação civil na pendência do processo-crime;

administrativos não são definitivos. Só na jurisdição reside

escopo social magno de resolver os conflitos entre as pessoas.

o

b)

Jurisdição especial ou comum: A doutrina costuma,

OBJETIVO DA JURISDIÇÃO

 

levando em consideração as regras da Constituição, distinguir entre "Justiças" que exercem jurisdição especial

Segundo Pontes de Miranda, "o fim do processo é a entrega da prestação jurisdicional, que satisfaz à tutela jurídica". Conforme Arruda Alvim podemos dividir a causa do processo em:

e comum. As primeiras são: a Justiça Militar (arts.122- 124, CF), a Justiça Eleitoral (arts.118- 121, CF), a Justiça

do

Trabalho (arts.111-116, CF) e as Justiças Militares

Estaduais (art.125, §3o , CF); no âmbito da jurisdição

comum estão a Justiça Federal (arts.106-110, CF) e as Justiças Estaduais ordinárias (arts.125-126, CF).

a)

causa final: a atuação da vontade da lei, como

instrumento de segurança jurídica e de manutenção da ordem jurídica;

Jurisdição superior ou inferior: Os ordenamentos

jurídicos em geral têm duplo grau de jurisdição, princípio que consiste na possibilidade de um mesmo processo após julgamento pelo juiz inferior, voltar a ser julgado por órgãos superiores do Poder Judiciário. Os órgãos de primeiro grau de jurisdição são denominados "primeira instância" e os de segundo grau de "segunda instância".

c)

b)

causa material: o conflito de interesses, qualificado

por pretensão resistida, revelado ao juiz através da invocação da tutela jurisdicional;

c)

causa imediata ou eficiente: a provocação da parte,

isto é, a ação.

 

Conclusão, a jurisdição, dando ao direito do caso concreto

d)

Jurisdição de direito ou de eqüidade: O art.127,

a

certeza que é condição da verdadeira justiça e

CPC diz que "o juiz só decidirá por eqüidade nos casos previstos em lei". Decidir por eqüidade significa decidir sem as limitações impostas pela lei (art.400 e 1.456, CC). No direito processual civil, sua admissibilidade é excepcional (art.127, CPC), mas nos processos arbitrais podem as partes convencionar que o julgamento seja realizado com eqüidade (art.1.075, inciso IV, CPC; art.1.040, inciso VI, CC). Na arbitragem de causas pequenas, o julgamento por eqüidade é sempre

realizando a justa composição do litígio, restabelece a ordem jurídica, através da eliminação do conflito de interesses que ameaça a paz social.

ESPÉCIES DE JURISDIÇÃO

 

A

jurisdição é una e indivisível assim como o poder

soberano. A doutrina, porém fazendo tais ressalvas, costuma classificar a jurisdição em espécies, são elas: a)

pelo seu objeto, jurisdição penal ou civil; b) pelos organismos judiciários que a exercem, especial ou

admissível, independente da autorização das partes (lei 9.099/95, art.25).

comum; c) pela posição hierárquica do órgãos dotados dela, superior ou inferior; d) pela fonte do direito com base

LIMITES DA JURISDIÇÃO Existem limitações: internas de cada Estado, excluindo

no

de

qual é proferido o julgamento, jurisdição de direito ou

eqüidade.

tutela jurisdicional em casos determinados; e

internacionais, pela necessidade de coexistência dos Estados e pelos critérios da conveniência e viabilidade. Essas limitações não atingem o direito processual penal.

a

a)

Jurisdição penal ou civil: No processo, as atividades

jurisdicionais têm por objeto uma pretensão, que varia

conforme o direito objetivo material em se fundamenta. Há, então, causas penais, civis, comerciais, tributárias, etc. É comum dividir as pretensões de natureza penal das demais. Fala-se em jurisdição penal (causas penais, pretensões punitivas) e jurisdição civil (por exclusão, causas e pretensões não-penais).

 

O

legislador não leva muito longe a jurisdição de seu

país, pois leva em consideração a experiência e a

necessidade de coexistência com outros Estados soberanos: a) conveniência, o que interessa é a

pacificação no seio da sua própria convivência social; b) viabilidade, porque se excluem os casos em que será impossível a imposição do cumprimento da sentença.

jurisdição penal é exercida pelos juízes estaduais

comuns, pela Justiça Militar Estadual, pela Justiça Militar Federal, pela Justiça Federal e pela Justiça Eleitoral.

A

 

A

doutrina sintetiza os motivos da observância essas

Apenas a Justiça do Trabalho é desprovida de competência penal. A jurisdição civil é exercida pela Justiça Estadual, pela Federal, pela Trabalhista e pela Eleitoral, apenas a Militar não a exerce. Relacionamento entre jurisdição penal e civil: por ex. quando alguém comete um furto, este ato gera duas conseqüências: obrigação de restituir o objeto furtado (natureza civil) e sujeição às penas do art. 155, CP. Outro exemplo: uma pessoa que se casa, já sendo casado com outra pessoa, o direito impõe duas penas: nulidade do segundo casamento (art.183, inciso VI, CC) e sujeição à pena de bigamia (art.235, CP). Assim há na lei dispositivos que interagem entre a jurisdição penal e civil: · i) Suspensão prejudicial do processo-crime: se alguém está sendo processado

regras acima: a) existência de outros Estados soberanos;

b) respeito a convenções internacionais; c) razões de interesse do próprio Estado. Outros também considerados

são

submissão e da efetividade.

Em relação a jurisdição penal esta tem limites que correspondem precisamente aos de aplicação da própria norma penal material.

São imunes tanto à jurisdição civil como à penal, por respeito à soberania de outros Estados, à jurisdição de

um

país: a) os Estados estrangeiros (par in parem non

habet judicium); b) os chefes de Estado estrangeiros; c)

os

agentes diplomáticos. Tem se estendido a imunidade

também a organismos internacionais, como é o caso da

ONU. Põe em dúvida sua aplicação à jurisdição trabalhista.

Área Policial   Prof. Maurilucio Direito Processual Penal Limites internos, em princípio a função

Área Policial

 

Prof. Maurilucio

Direito Processual Penal

Limites internos, em princípio a função jurisdicional rege sobre toda área dos direitos substanciais (art.5o, XXXV, CF; art.75, CC). Porém, às vezes é o Estado- administração o único a decidir a respeito de eventuais conflitos, sem intervenção do Judiciário. É o que acontece nos casos de impossibilidade da censura judicial dos atos administrativos. Além disso a lei expressamente no art.1.477, CC exclui da apreciação judiciária as pretensões fundadas em dívida de jogo.

JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA E CONTENCIOSA Existem atos jurídicos da vida de particulares

SUBSTITUTIVOS DA JURISDIÇÃO Pode a lide encontrar solução por outros caminhos que

não a prestação jurisdicional. A autocomposição pode ser obtida através de transação ou de conciliação. E a decisão da lide ocorre através do juízo arbitral.

A

transação é o negócio jurídico em que os sujeitos da lide

fazem concessões recíprocas para afastar a controvérsia existente. Pode ocorrer antes da instauração do processo ou na sua pendência, esta apenas homologada pelo juiz (art.269, inciso III, CPC) com solução de mérito. A conciliação é uma transação obtida em juízo, pela intervenção do juiz junto às partes, antes de iniciar a instrução da causa, extinguindo o processo com solução de mérito (art.449, CPC).

revestidos de tal importância que passam a interessar à coletividade. No direito moderno, a administração pública

O

juízo arbitral (arts.1.072 a 1.102, CPC) importa renúncia

de

direito privado é exercida por: a) órgãos jurisdicionais;

à via judiciária, confiando, as partes, a solução da lide a pessoas desinteressadas, mas não integrantes do Poder Judiciário. O laudo arbitral homologado tem força de

sentença (art.1.097, CPC). Todas essas formas extrajudiciais de composição de litígios só podem ocorrer entre pessoas maiores e capazes e apenas quando a lide girar em torno de bens patrimoniais ou direitos disponíveis.

DIVISÃO DA JURISDIÇÃO 1- Quanto à graduação:

b) órgãos do chamado "foro extrajudicial"; c) órgãos administrativos, não dependentes do Poder Judiciário. São atos praticados pelos órgãos do "foro extrajudicial", a escritura pública (tabelião), o casamento (juiz de casamentos, oficial do registro civil), o protesto (oficial de protesto), o registro de imóveis (oficial do

registro de imóveis), etc. Por outro lado, há intervenção de órgão estranho quando o Ministério Público participa dos atos da vida da fundação (art.1.199, CPC), ou quando os contratos ou estatutos sociais tramitam pela junta comercial. A jurisdição civil compreende, segundo art.1o, do CPC,

jurisdição contenciosa e voluntária. A jurisdição contenciosa é aquela função que o Estado desempenha

a

a- Inferior: decide em primeira instância.

b- Superior: reexamina, através de recurso, a causa já decidida na instância inferior. 2- Quanto à matéria:

a) Penal: causas de natureza penal.

na

pacificação ou composição dos litígios. Pressupõe controvérsia entre as partes (lide), a ser

b) Civil: causas de natureza civil.

3- Quanto à forma:

 

solucionada pelo juiz através da legalidade estrita.

a) Contenciosa: quando existe litígio.

 

em relação a jurisdição voluntária, a doutrina separa

b) Voluntária: quando não existe litígio mas é levado a

esta em três categorias: 1) atos meramente receptícios (função passiva do magistrado, como publicação de testamento particular, art.1.646, CC); 2) atos de natureza simplesmente certificante (legalização de livros comerciais, "visto", em balanços); 3) atos que constituem verdadeiros pronunciamentos judiciais (separação

juízo.

4- A Jurisdição ainda se divide em:

a) Comum ou ordinária: Justiça comum.

b) Especial ou extraordinária: Justiças especiais.

COMPETÊNCIA

 

amigável, interdição,

).

Os elementos característicos da

 

jurisdição voluntária são: a) visa a constituição de situações jurídicas novas; b) não há o caráter substitutivo; c) não há lide. Trata-se de jurisdição voluntária onde o juiz apenas realiza gestão pública em torno de interesses privados, como se dá nas nomeações de tutores, nas alienações de bens de incapazes, na extinção do usufruto, etc. Aqui não há lide nem partes, mas apenas um negócio jurídico processual, envolvendo o juiz e os interessados. Daí Frederico Marques ensinar que "a jurisdição voluntária apresenta os seguintes caracteres:

a) como função estatal, ela tem natureza administrativa, sob o aspecto material, e é ato judiciário, no plano subjetivo-orgânico; b) em relação às suas finalidades, é função preventiva e também constitutiva".

CONCEITO

É

a limitação do poder jurisdicional de juízes ou tribunais

O

instituto da competência é definido então, de uma forma

simples, como a demarcação, ou como a delimitação da jurisdição. Trata-se do exercício pelos vários órgãos jurisdicionais, de seu poder, dentro de uma determinada

limitação legalmente imposta.

É

a porção do poder jurisdicional que toca a cada órgão

exercer. Nas palavras de Tornaghi (apud Sobrinho, 1996, p. 15),

sobre o poder de julgar, que é qualidade inerente aos juízes (se esse poder não é restringido por nenhuma lei, compete- lhes julgar tudo. Mas, se alguma só lhes permite decidir determinadas controvérsias, então, o exercício de sua jurisdição fica demarcado pela sua competência.

A

lei é que estabelece a competência dos vários órgãos

 

O

legislador nos arts.1.103 a 1.210, CPC não fala

jurisdicionais, tratando de previamente fixar os limites dentro dos quais cada um destes órgãos pode exercer a função jurisdicional. Desse modo, a competência vem a ser o poder de exercer a jurisdição nos limites estabelecidos em lei, ou ainda, é âmbito dentro do qual pode o magistrado exercer a jurisdição. A primeira limitação legal que se tem no âmbito do ordenamento jurídico, por ordem de grandeza, adiante da qual não se exercita de modo algum a jurisdição, é a que estabelece a competência geral (competência externa ou internacional), responsável pela restrição de jurisdição de um Estado em relação direta com a de outros Estados. Naquilo que toca ao controle específico de nosso país, fala-se em competência interna (ou especial), que vem a ser aquela que

se determina pelos limites colocados à jurisdição exercida pelos mais diferentes órgãos jurisdicionais.

acertadamente em processo, porque se não há lide, não pode se falar em processo, mas apenas em procedimento. Permite o Código em matéria de jurisdição voluntária no art.1.109, CPC onde o juiz não fique "obrigado a observar critério de legalidade estrita, podendo adotar em cada caso a solução que reputar mais conveniente ou oportuna".

Área Policial   Prof. Maurilucio Direito Processual Penal NATUREZA JURÍDICA   Não se trata de

Área Policial

 

Prof. Maurilucio

Direito Processual Penal

NATUREZA JURÍDICA

 

Não se trata de um critério empregado para determinar a competência, visto que o juiz que no segundo momento é o único competente, também já o era anteriormente. A prevenção, portanto, firma, assegura a competência de um juiz já competente. Verifica-se a prevenção, por exemplo, entre outros, em casos como o do artigo 107 do Código Civil: Se o imóvel se achar situado em mais de um Estado ou comarca, determinar- se-á o foro pela prevenção, estendendo-se a competência sobre a totalidade do imóvel (o juiz de uma ou de outra comarca será competente, mesmo que de Estados diferentes, para conhecer a causa).

COMPETÊNCIA POR CONEXÃO OU CONTINÊNCIA

O

vocábulo conexão, no tocante à competência, vem a ser

É

um pressuposto processual de validade da instância,

pois o processo só é valido quando corre perante juiz competente.

CRITÉRIOS DE FIXAÇÃO DA COMPETÊNCIA

- Ratione materiae: em razão da matéria.

 

- Ratione personae: em razão da pessoa.

- Ratione loci: em razão do local.

COMPETÊNCIA DE ATRIBUIÇÃO: É o conjunto formado pelas competências ratione materiae e ratione personae.

CRITÉRIOS DA COMPETÊNCIA RATIONE LOCI:

Comum ou geral: É o lugar da infração, ou seja, aquilo

-

que a doutrina chama de locus delicti comissi ( lugar da prática da infração).

Secundário ou subsidiário: É o lugar do domicílio ou da residência do réu.

-

o

estabelecimento de um vínculo ou de um elo entre duas ou

mais ações que, por estarem intimamente relacionadas entre si, podem ser conhecidas e decididas por um mesmo magistrado e, por vezes, inclusive no mesmo processo. É um vínculo que entrelaça duas ou mais ações, a ponto de exigir

que o mesmo juiz delas tome conhecimento e as decida. As razões ou os motivos que embasam a conexão de causas são de ordem particular, buscando tornar mais célere

CARACTERÍSTICAS DA COMPETÊNCIA DO JUÍZO OU DA VARA: Só existe nas comarcas onde há mais de uma vara criminal. A competência do juiz pressupõe a competência ratione loci.

e

ao mesmo tempo menos oneroso o processo e, de ordem

PODE HAVER FORO FACULTATIVO EM PROCESSO PENAL: Quando se trata de um crime de ação penal privada, o art. 73 do CPP o querelante pode processar o réu em seu domicílio ou ainda, quando conhecido, no lugar da infração.

ESPÉCIES DE COMPETÊNCIA FUNCIONAL 1- HORIZONTAL: É aquela que divide o trabalho de dois ou mais juízes da mesma graduação dentro de um só processo. Podendo ser:

pública, buscando evitar que aconteça a existência de sentenças contraditórias emanadas de mais de um entendimento jurídico sobre o mesmo caso, além de permitir uma visão mais completa dos fatos e da causa, enveredando

por uma melhor aplicação jurisdicional do direito. A base legal melhor sistematizada vem referida no artigo 103 do Código Civil, que diz: Reputam-se conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Compreendida na conexão, tem-se a continência, que ocorre quando houver, entre duas ou mais ações, identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas que objeto de uma, por mais amplo, acabe por abranger o das outras, conforme se despende do que inscrito no artigo 104 do referido Código.

a)

Por fase do processo: É aquela que estabelece a

 

A

conexão e a continência produzem o mesmo efeito,

divisão do trabalho por fase do processo.

 

distinguindo-se por ser a continência uma espécie do gênero

b)

Por objeto do juízo: É aquela que estabelece a divisão

conexão (ver também os arts. 105; 106; 219 e 163 CPC). Em hipótese, a competência relativa à atuação do magistrado não está fundada no título originário, mas trata-se da conseqüência da união dos vários processos. No âmbito do Código de Processo Penal temos elencado no artigo 76, que: A competência será determinada pela

conexão:

– se, ocorrendo duas ou mais infrações, houverem sido

I

praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas, ou por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo

pelo objeto do julgamento. 2- VERTICAL: É aquela que divide o trabalho no mesmo processo entre juízes de graus diferentes. Possui duas

etapas.

ORIGINÁRIA: Aquela nos processos de competência

originária dos Tribunais.

RECURSAL: O processo corre perante o juiz de

primeiro grau, e quanto à sua decisão sobre para o Tribunal.

b)

a)

e

o lugar, ou por várias pessoas, umas contra as outras; A

PRORROGAÇÃO DA COMPETÊNCIA

 

conexão pressupõe a existência de um nexo entre as infrações praticadas e as pessoas nelas envolvidas, podendo ser classificado como um liame intersubjetivo, objetivo ou instrumental.

1- Necessárias:

a) Conexão ou continência:

b) Casos do artigo 74, parágrafo 2º do CPP (desclassificação).

conexão intersubjetiva, caso do inciso I, apresenta-se

sob três modalidades: a conexão intersubjetiva por simultaneidade (tendo ocorrido duas ou mais infrações, praticada ao mesmo tempo por duas ou mais pessoas reunidas); a conexão intersubjetiva por concurso (duas ou mais infrações cometidas por duas ou mais pessoas em

concurso, em tempo e lugares diversos); a conexão intersubjetiva por reciprocidade (infrações cometidas por várias pessoas, umas contra as outras).

A

c)

Voluntária: É aquela que deriva da vontade das partes.

As partes, principalmente pela sua omissão, concordam que o processo corra perante juiz incompetente, prorrogando-se posteriormente. Isso só pode correr nos casos de incompetência relativa.

2-

Caso do artigo 85 do CPP.

COMPETÊNCIA POR PREVENÇÃO O significado do vocábulo prevenção é o de algo que vem antes, que avisa, que previne. Define, no tocante ao instituto da competência, o fenômeno processual através do qual, havendo vários juízes igualmente competentes, que se firme a competência daquele que por primeiro vier

II

– se, no mesmo caso, houverem sido umas praticadas para

facilitar ou ocultar as outras, ou para conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas; Na conexão objetiva, caso do inciso II, as infrações são praticadas visando facilitar a outras ou para ocultá-las, ou ainda, buscando vantagem em relação a qualquer delas;

a

tomar conhecimento da causa (art. 83 CPP). Assim,

III – quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas circunstâncias elementares influir na prova de outra infração. Trata-se da conexão instrumental.

havendo vários competentes em um primeiro momento, já em seguida será espaço de competência de um só deles, por ter primeiro conhecido a causa.

Área Policial   Prof. Maurilucio Direito Processual Penal Seguindo o elencado no artigo 77 do

Área Policial

 

Prof. Maurilucio

Direito Processual Penal

Seguindo o elencado no artigo 77 do Código de Processo Penal, temos que: A competência será determinada pela continência quando:

b-

Prevalecerá a do lugar no qual houver ocorrido o maior

número de infrações se as respectivas penas forem de

igual gravidade;

 

I

– duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma

c-

Firmar-se-á a competência pela prevenção nos outros

infração; Trata-se neste artigo, sobre a continência por co- autoria (quando duas ou mais pessoas são acusadas pela mesma infração, o que não se confunda com a conexão por concurso). Abrange todos os crimes onde exista co- autoria necessária (rixa, bigamia, adultério, etc) e co- delinqüência eventual.

casos. 3- No concurso de jurisdições de diversas categorias, predominará a de maior graduação. 4- No concurso entre jurisdição comum e especial, prevalecerá a especial.

– no caso de infração cometida nas condições previstas

nos arts. 51, §1º, 53, segunda parte, e 54 do Código Penal; (vide arts. 70 – concurso formal; 73 – erro na execução e 74 – resultado diverso do pretendido, todos do CP, com redação dada pela Lei 7.209/84). Inversamente ao inciso I, este inciso trata de unidade de agente e pluralidade de infrações.

II

CONSEQUÊNCIA DA CONEXÃO:

CRIMES CONEXOS DE COMPETÊNCIA FEDERAL E ESTADUAL:

O

código não resolve esse problema, mas a Súmula 52

do antigo TFR diz prevalecer a Justiça Federal, pois sua

competência é firmada pela Constituição Federal, enquanto a Justiça Comum é residual. Não há casos de conexão ou continência entre duas justiças Especiais, cada uma responderá pela Justiça que a corresponda.

É a unificação processual ou simultaneus processus, art. 79 caput do CPP. A lei recomenda que, havendo duas ou mais infrações penais conexas entre si, sejam investigadas pela polícia no mesmo inquérito, denunciadas juntas e julgadas pela mesma autoridade judiciária e decididas na mesma sentença.

COMPETÊNCIA PELO LUGAR DA INFRAÇÃO De acordo com o artigo 70 do Código de Processo Penal: A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou, no caso de

tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução.

 

§

1º. Se, iniciada a execução em território nacional, a

HIPÓTESES DE CONEXÃO:

1- Nexo intersubjetivo de conexão:

 

infração se consumar fora dele, a competência será determinada pelo lugar em que tiver sido praticado, no Brasil, o último ato de execução. § 2º. Quando o último ato de execução for praticado fora do território nacional, será competente o juiz do lugar em que o crime, embora parcialmente, tenha produzido ou devia produzir seu resultado. §3º. Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições, ou quando incerta a jurisdição por ter sido a infração consumada ou tentada nas divisas de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção. Para fixação da competência no âmbito internacional o

direito positivo brasileiro (Código Penal, art. 6º) adotou a teoria da ubiqüidade, vale dizer, considera como lugar do crime tanto o local da conduta como do resultado. Todavia, no que concerne à competência interna, estabeleceu como competente, regra geral, o foro do local em que ocorreu o resultado, isto é, adotou a teoria do resultado, consoante ressai do caput do artigo 70, ora em exame: É sem dúvida no local do cometimento do crime que mais facilmente se pode recolher provas do delito, uma vez realizadas as perícias e exames e ouvidas as testemunhas do fato e a vítima. Modernamente, contudo,

2- Conexão casual, lógica, teleológica ocasional, objetiva ou conseqüencial: o que liga as infrações são as finalidades com que foram realizadas (ocorre muito em homicídio qualificado). 3- Conexão processual, instrumental ou probatória: o que liga é a prova.

CONTINÊNCIA Uma causa está contida na outra, sendo impossível a cisão. Uma é continente e a outra é conteúdo. A tendência da doutrina moderna é a de considerar a continência espécie de conexão.

ESPÉCIES DE CONTINÊNCIA:

1- Quando duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração (concurso de agentes), serão julgadas no mesmo processo. Acarreta o litisconsórcio passivo . 2- Em todos os casos de concurso formal de infrações penais, acarretando no processo continência de causas.

CONSEQÜÊNCIAS ESPECIAIS DA CONEXÃO E CONTINÊNCIA:

a

jurisprudência tem entendido em afastar a disposição

1- Se houver conexão ou continência entre crimes de ritos diversos, prevalece o de reclusão. 2- Nos casos de conexão ou continência entre crimes definidos na lei de entorpecentes e outras infrações penais, prevalece o rito da infração mais grave, ressalvados os da competência do Tribunal do Júri e das jurisdições especiais, vide art. 29 da Lei 6368/76.

literal do caput do artigo 70. Fala o texto do artigo 71 do Código de Processo Penal, que: Tratando-se de infração continuada ou permanente, praticada em território de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção. Crime continuado trata-se de quando o agente pratica dois ou mais crimes de uma mesma espécie, mediante mais de uma ação ou omissão, pelas condições de tempo, de lugar, pela maneira que se fez a execução ou outras,

devem os posteriores ser tidos como continuação dos anteriores. São exemplos clássicos deste tipo de delito, o crime de seqüestro ou cárcere privado, que perdura no tempo, enquanto não recuperar a vítima, a sua liberdade

COMO ESTABELECER O FORO PARA REALIZAR ESSA UNIFICAÇÃO DA CONEXÃO E CONTINÊNCIA ? Observam-se as seguintes regras:

1- No concurso entre competência do Tribunal do Júri e a

de outro órgão jurisdicional comum, prevalecerá a competência do Tribunal do Júri. 2- No concurso de jurisdição da mesma categoria:

a- prepondera a do lugar da infração à qual for cominada

de

ir e vir, e o crime de quadrilha (art. 288 CP).

 

a

pena mais grave.

Área Policial   Prof. Maurilucio Direito Processual Penal COMPETÊNCIA PELA NATUREZA DA INFRAÇÃO Tanto a

Área Policial

 

Prof. Maurilucio

Direito Processual Penal

COMPETÊNCIA PELA NATUREZA DA INFRAÇÃO Tanto a Constituição Federal como as Leis infraconstitucionais é que delimitam a competência pertinente aos órgãos jurisdicionais especializados, ou seja: da Justiça do Trabalho (art. 114 CF – que não tem competência criminal); da Justiça Eleitoral (art. 121 CF c/c Código Eleitoral – Lei 4.737/65, que neste tópico logrou status de Lei Complementar, só podendo vir a ser alterada por essa modalidade); da Justiça Militar (art. 124 CF c/c art. 9º CPM – Justiça Federal; art. 125 §4º c/c art. 9º CPM – Justiça Estadual). Estabelece ainda a competência da Justiça Federal (arts. 108 e 109 CF) que é Justiça Comum. A Justiça Comum Estadual é estabelecida por exclusão. Uma vez tendo sido estabelecida a justiça competente

apreciar o delito, deve-se fixar o Forum competente (com previsão a partir do art. 69 CPP). Tendo sido estabelecidos a Justiça e o Forum competentes para as comarcas que tenham mais de um juiz, com competências específicas, resta saber qual deles é o competente a apreciar uma determinada causa. Isso está estabelecido pela respectiva lei de organização judiciária. Trata ainda o Código de Processo Penal, no Título V, Da Competência, além das competências já apresentadas até aqui, da competência pelo domicílio ou residência do réu (arts. 72 e 73 CPP), competência por distribuição (art. 75 CPP), da competência pela prerrogativa de função (arts. 84 a 87 CPP), e pelas disposições especiais (arts. 88 a 91 CPP), todas originalmente elencadas no artigo 69 do referido Código. No que tange às modalidades peculiares de competência penal, pode-se citar a competência do Tribunal do Júri e a competência dos Juizados Especiais Criminais.

a

COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DO JÚRI

COMPETÊNCIA DOS JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS

Estão disciplinados, os Juizados Especiais Criminais, pela Lei 9.099/95, que tem como base jurídica o artigo 98

I

da Constituição Federal, onde se especifica a

competência desses Juizados. Trata-se de Tribunais criados com a finalidade de dar solução a infrações penais de menor poder ofensivo, assim consideradas todas aquelas contravenções e crimes cuja pena máxima não ultrapasse a um ano. Não podem, contudo, ser objeto de processo em Juizado Especial, os crimes falimentares, os crimes de

responsabilidade de funcionário público, os crimes contra

honra e contra a propriedade imaterial (os submetidos a ritos especiais no Código de Processo Penal), além daqueles crimes com procedimentos especiais próprios

a

previstos (crime de imprensa, abuso de autoridade, etc).

Os

crimes de menor poder ofensivo também não serão

apreciados pelo Juizado Especial nos casos em que forem praticados em concurso com crimes que estão excluídos de tal competência. Em se tratando de continência ou conexão, nos crimes comuns, a competência é determinada pelo juízo competente para processar e julgar os crimes mais graves (art. 78 II CPP). Enquanto prevê o estatuto processual que a

competência é, em regra, determinada pelo lugar em que se consumou a infração, ou no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução, a lei especial dispõe que a competência do Juizado é determinada pelo lugar em que foi praticada a infração.

Por

disposição da Lei Federal, lugar do crime é aquele

em que efetivamente ocorreu a ação ou omissão, no todo

ou

em

parte, bem como onde se produziu ou onde deveria

produzir-se o resultado. Preferiu o legislador adotar o chamado princípio da ubiqüidade, afastando o princípio do resultado adotado pelo Código de Processo Penal para definir a competência ratione loci. Dessa forma, havendo mais de um juizado na comarca, a competência é tanto daquele em que foi praticada a conduta, quanto daquele em que ocorreu o resultado. Resolve-se eventual conflito pela prevenção, conforme dispõe o Codex (arts. 78 II "c" e

O júri tem seu berço na Constituição Federal, elencado no artigo 5º XXXVIII, nos direitos e garantias fundamentais do cidadão. Compete ao Tribunal do Júri, conforme o que estabelecido no artigo 74 §1º Código de Processo Penal,

o

julgamento dos crimes, consumados ou tentados,

83).

previstos nos artigos 121 §1º e 2º (homicídio doloso simples, privilegiado ou qualificado); 122 §único (induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio); 123 (infanticídio); 124; 125; 126; e 127 (sobre aborto), todos do Código Penal. O Tribunal do Júri funciona sempre junto à Justiça Comum, seja ela Federal ou Estadual, mas nunca funcionará perante as Justiças Especiais. Se um homicídio for de competência militar, ou eleitoral, a competência para processar e julgar será do colegiado próprio da Auditoria Militar ou do Juiz Eleitoral, com competência ratione loci. O preceito constitucional que cuida de conferir competência ao júri para o julgamento de crimes dolosos contra a vida (art. 5º XXXVIII "d" CF), pode muito bem ser compatibilizado com o artigo 109 também da Constituição Federal, que confere competência aos juízes Federais para processar e julgar os crimes praticados em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas (inc. IV, que trata da competência genérica da Justiça Federal), ou de outros incisos desse artigo, que tratam da competência específica dessa justiça.

COMPETÊNCIA RECURSAL DO TRIBUNAIS

A

competência recursal é, em verdade, uma

subespécie, derivação de uma classificação mais ampla,

ou

seja, da competência funcional, que vem a ser, por sua

vez, a distribuição feita por lei dentre os vários juízes de uma mesma instância ou ainda, de instâncias diversas, para que, em um mesmo processo ou em um segmento ou fase de seu desenvolvimento, possam praticar determinados atos. Divide-se a competência funcional em:

a) horizontal: objetiva-se os atos que dois ou mais órgãos judiciais da mesma instância podem praticar num mesmo processo, que podem ainda ser:

por fases do processo (quando dois ou mais órgãos jurisdicionais de uma mesma instância praticam

-

determinados atos num determinado feito); - por objeto do juízo (no júri, o poder de julgar é distribuído

órgãos diversos, de acordo com sua função – os jurados tem função diversa da do magistrado). b) vertical: objetiva-se os atos praticados por órgãos jurisdicionais de instâncias diversas, em um mesmo processo, em função do princípio do duplo grau de jurisdição.

a

 

em razão de recursos (a competência recursal existe exatamente em razão do princípio do duplo grau de jurisdição).

-

Área Policial   Prof. Maurilucio Direito Processual Penal COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ELEITORAL Quanto à

Área Policial

 

Prof. Maurilucio

Direito Processual Penal

COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ELEITORAL Quanto à competência da Justiça Eleitoral, a Constituição

Federal prevê apenas alguns de seus aspectos e ainda assim, no que diz respeito à competência recursal. Em síntese, de forma simplíssima, diz-se que à Justiça Eleitoral compete processar e julgar os crimes de cunho eleitoral, bem como aqueles crimes comuns que porventura lhes sejam conexos.

competência dos órgãos integrantes da Justiça Eleitoral

deverá vir disposta e regulada em Lei complementar

(conforme o que disposto no art. 121 caput CF), continuando

A

CONFLITO DE JURISDIÇÃO

Das questões referentes à competência que se resolve em um único processo diz-se que houve verificação da competência. Quando se resolve em dois ou mais processos, ocorre a regulamentação da competência. A verificação da competência pode ser feita através de:

1-

2-

A

indireta que ataca os vícios do processo. A defesa deve

Exceção de Incompetência é um meio de defesa

Exceção de incompetência.

Reconhecimento de ofício.

a

viger o Código Eleitoral, devidamente reconhecido pela

oferecer exceções de incompetência no tríduo da defesa prévia (art. 108 do CPP), Se não forem oferecidas no tríduo da Defesa Prévia, ocorrerá a PRECLUSÃO, isto no caso de incompetência relativa. Já, no caso de incompetência absoluta, pode ser argüido a qualquer momento. A exceção de incompetência é dilatória, pois não encerra o processo, ao contrário das peremptórias,

ordem constitucional, nos pontos aqueles em não seja contrário, de forma expressa ou implicitamente à Constituição. A base legal que norteia os procedimentos relativos à competência da Justiça Eleitoral encontra-se nos arts. 121 §3º e 4º I, II e V; 22 I, "b", "d", "e"; 29 I, "b", "d", "e"; 35 II e III,

todos da Constituição Federal.

   

COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR

de competência da Justiça Militar, processar e julgar os

crimes militares aqueles elencados no artigo 9º do Código Penal Militar (com redação dada pela Lei 9.299/96). Pode o crime militar ser próprio (de conduta delituosa tipificada como tal no Código Penal Militar) ou impróprio (de conduta tipificada tanto na Lei Penal Militar quanto na Lei Penal comum), sendo o fator diferenciador, quase sempre, a qualidade de militar ou não tanto do agente como da vítima.

É

que encerram o processo. A exceção de incompetência também é chamada de exceptio declinatori fori.

reconhecimento de ofício, está previsto no art. 109 do

CPP e mesmo não tendo sido alegada a incompetência do juiz, ele próprio pode declarar-se incompetente, mesmo que seja relativa essa incompetência, mas desde

que não tenha sido prorrogada antes.

O

DISTINÇÃO ENTRE CONFLITO DE JURISDIÇÃO E CONFLITO DE INCOMPETÊNCIA:

 

A

Justiça Militar Estadual, como a Justiça Militar Federal,

O conflito de jurisdição ocorre entre órgãos de justiça diferentes, ao passo que conflito de incompetência ocorre entre juízes da mesma justiça.

ESPÉCIES DE CONFLITO: Existem duas espécies de

tem competência por força d e disposição constitucional sobre os crimes definidos em lei. Não pode, no entanto, a Justiça Militar Estadual, vir a julgar um civil que eventualmente tenha praticado um crime em co-autoria com um policial militar, ou mesmo um civil que tenha praticado

conflito:

1- Positivo: quando ambos os juízes se declaram

crime contra policial militar em serviço ou contra bens da Polícia Militar (art. 9º III COM).

COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM FEDERAL DE 1º GRAU

competentes. 2- Negativo: quando ambos os juízes se declaram incompetentes.

 

A

competência criminal da Justiça Comum Federal de 1º

Grau vem elencada no artigo 109, primeira parte, IV, V, VI, IX e X da Constituição Federal. De acordo com a Súmula 38 do STJ: Compete à Justiça Estadual Comum, na vigência da Constituição de 1988, o processo por contravenção penal, ainda que praticada em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades.

CONFLITO DE ATRIBUIÇÕES Os juízes não tem atribuições e sim jurisdição, portanto não pode haver conflito de atribuições entre juízes, pois este existe apenas entre órgãos administrativos. Pode haver sim, conflito de atribuições entre membros do Ministério Público e para dirimir este conflito, cabe ao Procurador Geral de Justiça resolver administrativamente.

competência dos juízes federais de primeiro grau, em

regra, dá-se em razão da pessoa, isto é, trata-se de que a ação penal somente tramitará na Justiça Federal quando vier

A

a

violar o interesse de determinadas pessoas jurídicas

COMPETÊNCIA DOS TRIBUNAIS PARA JULGAMENTO DOS CONFLITOS DE JURISDIÇÃO OU DE COMPETÊNCIA. Comete ao Supremo Tribunal Federal julgar os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de

Justiça e quaisquer Tribunais. Entre Tribunais Superiores

(União, suas autarquias ou empresas públicas). Se estabelece assim, a competência dos juízes federais, quando da existência de fatos delituosos que vierem a envolver, tanto como agentes quanto como vítimas, os servidores federais enquanto no exercício de suas funções.

COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM ESTADUAL DE 1º GRAU A competência da Justiça Comum Estadual é fixada por exclusão, ou seja, tudo quanto não for atribuição das Justiças Especiais ou da Justiça Comum Federal será da alçada da Justiça Estadual. Não há designação de competência elencada diretamente, quanto às Justiças de Comum Estadual de primeiro grau e Justiça Comum Estadual de segundo grau, estando estabelecido, genericamente, no texto constitucional, no artigo 125, que: Os Estados organizarão sua justiça, observados os princípios estabelecidos nesta Constituição; e em seu §1º, que: A competência dos tribunais será definida na Constituição do Estado (

ou

entre estes e qualquer outro tribunal, conforme está

previsto no art. 102, I, “o” da Constituição Federal. Também nos termos da Constituição Federal, art. 105, I, “d”, compete ao Superior Tribunal de Justiça julgar “os conflitos de competência entre quaisquer tribunais, ressalvado o disposto no art. 102,I, “o” bem como entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vinculados a tribunais diversos”. Os tribunais Regionais Federais são competentes para julgar os conflitos de competência entre juízes federais vinculados ao tribunal (art. 108, I, “e”, da Constituição Federal).

O Superior Tribunal Militar é competente para dirimir os conflitos, positivos ou negativos, entre órgãos inferiores

 

da

Justiça castrense Federal, nos crimes militares (art.

114 do CPPM).

 
Área Policial   Prof. Maurilucio Direito Processual Penal Ao Tribunal Superior Eleitoral compete, nos termos

Área Policial

 

Prof. Maurilucio

Direito Processual Penal

Ao Tribunal Superior Eleitoral compete, nos termos do art. 22, I, “b” do Código Eleitoral, julgar os conflitos de jurisdição suscitados entre tribunais Regionais Eleitorais ou Juízes Eleitorais de Estados diferentes. Conflitos entre órgãos inferiores da Justiça Militar Estadual da mesma unidade da Federação, a competência para dirimi-lo será do tribunal de Justiça Militar do respectivo Estado ou, se não houver, do Tribunal de Justiça. Ao tribunal de Justiça do estado do Paraná, nos termos da Constituição estadual, compete julgar os conflitos de competência entre o Tribunal de Alçada ou as dúvidas de competência entre este e o Tribunal de Justiça. Os conflitos de competência entre os juízes de locais são dirimidos pela Câmara especial do tribunal de Justiça, pouco importando se a infração é de competência recursal do Tribunal de Justiça ou do Tribunal de Alçada. Pode haver conflito de competência entre o tribunal de Justiça e o de Alçada ? Não pois a Constituição Federal elevou os Tribunais de Justiça dos Estados, como órgãos de cúpula do Poder Judiciário Estadual.

ESPÉCIES DE PRISÃO São reconhecidas pelo ordenamento jurídico brasileiro

várias espécies de prisão. A doutrina a classifica de diferentes modos, não havendo um consenso a respeito

da

matéria.

 

O

sistema processual penal brasileiro faz distinção

entre dois tipos de prisão, quais sejam, a prisão penal e a prisão sem pena.

Fernando da Costa Tourinho Filho faz a seguinte explanação sobre o tema: “Esse conceito abrange as

duas espécies de prisão a prisão como pena, ou prisão- sanção, isto é, a decorrente de sentença penal condenatória, utilizada como meio de repressão aos crimes e contravenções, e a prisão sem o caráter de pena, também conhecida sob a denominação genérica de prisão sem pena”.

a)

prisão penal: ocorre após o trânsito em julgado da

sentença penal condenatória.

b)

prisão processual: sem pena, ocorre nos casos de

prisão provisória (cautelar), como o flagrante, a preventiva, a temporária.

PROCESSAMENTO DO CONFLITO DE JURISDIÇÃO O conflito poderá ser suscitado:

c)

prisão civil: inadimplência alimentar e depositário infiel

(CF art. 5º, LXVII).

 

1- Pela parte interessada. 2- Pelo Ministério Público. 3- Por qualquer Juiz ou Tribunal. Os juízes e Tribunais suscitam conflito sob a forma de representação. O conflito deverá ser suscitado em autos apartados, contudo, se o conflito for negativo, poderá ser suscitado nos próprios autos. Não pode haver conflito de jurisdição entre o STF e juízes ou Tribunais do país (art. 117 do CPP), se houver o STF restabelecerá a sua jurisdição mediante Avocatória.

PRISÃO

d)

prisão administrativa: após a CF/88 só pode ser

decretada pela autoridade judiciária.

e)

prisão disciplinar: autorizada para os casos de

transgressões disciplinares militares.

MANDADO DE PRISÃO

 

É

a ordem escrita e fundamentada da autoridade

judiciária, visando a restrição da liberdade individual.

Deve ser lavrado pelo escrivão e assinado pelo juiz competente. Designar a pessoa a ser presa, seu nome, alcunha ou sinais característicos, devendo ser o mais preciso possível. Mencionará a infração penal que motivar a prisão. Declarar o valor da fiança arbitrada, quando afiançável a infração. Indicação a quem ela é dirigida para dar-lhe execução (Oficial de Justiça e Autoridades Policiais).

EXECUÇÃO DO MANDADO

ASPECTOS CONCEITUAIS Do latim prehensione, pre(n)sione. Medida judicial ou administrativa, de caráter punitivo, restritiva da liberdade de locomoção. Tales Castelo Branco definiu a prisão como “qualquer restrição a liberdade individual, dentro de casa, ou de penitenciária, ou de dependências policiais, ou de quartel, ou de casa fechada destinada a punição ou a correção, ou, ainda, pela limitação da liberdade mediante algemas, ou ligações a pesos etc.” 1 Em sentido jurídico, a prisão nada mais é do que “a

Poderá ser executado em qualquer dia e qualquer hora, respeitados as regras da inviolabilidade de domicílio:

2

a)

flagrante delito, desastre ou para prestar socorro.

durante a noite: com o consentimento do morador, em

privação da liberdade de locomoção, ou seja, do direito de ir e vir, por motivo lícito ou por ordem legal”.

a “privação de liberdade de locomoção determinada

por ordem escrita da autoridade competente ou em caso de flagrante delito”. 3 Para José Frederico Marques, a prisão consiste na “pena privativa de liberdade imposta ao delinqüente, cumprida, mediante clausura, em estabelecimento penal para este fim destinado”. 4 No mesmo sentido, Fernando da Costa Tourinho Filho

É

b)

de

durante o dia: todos os casos acima, além do mandado

prisão.

PRISÃO FORA DA JURISDIÇÃO

a)

dentro da normalidade: quando o réu estiver fora da

jurisdição, será deprecada a sua prisão. É um pedido para

juiz de onde se encontrar o capturado para que determine a diligência da prisão.

o

afirma que “a prisão é a supressão da liberdade individual, mediante clausura. É a privação da liberdade de ir e vir”. 5

b)

prisão sem a carta precatória.

urgência: nos casos de periculosidade e fuga, admite a

 

É

a restrição a liberdade de locomoção do indivíduo.

CUSTÓDIA

 

1

BRANCO, Tales Castelo. Da Prisão em Flagrante. São Paulo:

a)

Penitenciária: regime fechado para o cumprimento de

Saraiva, 1980. p. 04.

2

MIRABETE, Júlio Fabbrini. Processo Penal. São Paulo: Atlas,

pena de reclusão.

b)

Colônia Agrícola, Industrial ou similar: para condenados

1991, p. 343.

 

ao

regime semi-aberto.

3

CAPEZ, Fernando. Curso de Processo Penal. 2.ed. São Paulo:

c)

Casa do Albergado: condenados em regime aberto.

Saraiva, 1999. p.227.

 

d)

Cadeia Pública: local de custódia dos presos

4

MARQUES, José Frederico. Elementos de direito processual

penal. v. IV. Rio de Janeiro: Forense, 1965. p. 21.

provisórios.

 

5

TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. Processo Penal. v. III. 5. ed. São Paulo: Jalovi, 1979. p. 329.

 
Área Policial   Prof. Maurilucio Direito Processual Penal PRISÃO ESPECIAL Para pessoas que possuam

Área Policial

 

Prof. Maurilucio

Direito Processual Penal

PRISÃO ESPECIAL Para pessoas que possuam funções especiais, poderá

 

ESPÉCIES DE FLAGRANTE

a)

Flagrante próprio: real ou propriamente dito. I-quem

de forma provisória ser recolhido em quartéis ou em locais especiais. Não havendo local específico, deverá ser recolhido em cela distinta do mesmo estabeleciemento.

está cometendo a infração penal; II-quem acaba de cometê-la.

O

sujeito é surpreendido executando o crime, é

encontrado no local ou nas proximidades do delito.

 

A

prisão especial durará até antes do trânsito em

b)

Quase-flagrante (impróprio): é perseguido, logo após,

julgado da sentença penal condenatória, após o

pela autoridade, pelo ofendido ou por outra pessoa, em

condenado será recolhido ao estabelecimento penal comum.

situação que se faça presumir ser o autor da infração. O prazo de 24 horas é mera ficção, não encontrando sustentação legal para tal afirmação.

 

Se

a época do crime era funcionário da justiça criminal,

após a condenação ficará em dependência separada

c)

Flagrante presumido (ficto): é encontrado, logo depois,

(LEP art. 84, § 2º).

 

com instrumentos, armas, objetos ou papeis que façam presumir ser ele o autor da infração.

PRISÃO PROVISÓRIA DOMICILIAR Substitui a prisão especial, destina-se aos locais onde não possuem locais adequados para executar a prisão especial.

d)

Flagrante preparado: Súmula 145 do STF, não há

crime quando a preparação do flagrante pela polícia torna

impossível a sua consumação.

O

agente é induzido a praticar o crime pela pseudo-vítima.

 

e)

Flagrante esperado: neste caso a atividade policial é de

PRISÃO EM FLAGRANTE “Flagrante é uma qualidade do delito, é o delito que está sendo cometido, praticado, é o ilícito patente, irrecusável, insofismável, que permite a prisão do seu autor, sem mandado, por ser considerado a certeza visual do crime”. 6 CPP art. 301-Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito.

espera, aguardo, não impulsiona o cometimento do crime, mas aguarda o cometimento do crime para efetuar a prisão, neste caso é legal.

FLAGRANTE EM CRIME PERMANENTE O agente estará em flagrante delito enquanto não cessar a permanência do ilícito, cuja consumação se prolonga no tempo.

Súmula 711 do STF, a lei penal mais grave aplica-se

 

É

um ato administrativo, cautelar, e de natureza

ao

crime continuado ou ao crime permanente, se sua

processual. Exceção a obrigatoriedade da prisão em flagrante é a Lei 9034/95 (ação controlada) art.2º II- “consiste em retardar a interdição policial do que se supõe ação praticada por organização criminosas ou a ela vinculadas, desde que mantida sob observação e acompanhamento para que a medida legal se concretize no momento mais eficaz do ponto de vista da formação de provas e fornecimento de informações”. Prisão em flagrante é a prisão provisória efetuada quando a infração penal está ocorrendo ou acaba de ocorrer, quando o delito está flamando, queimando. É o que se denomina de estado de flagrância. É uma modalidade de prisão cautelar, sendo considerada como “a prisão de quem está cometendo o crime; acaba de cometê-lo; é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autor da infração; é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração”. 7 Para Guilherme de Souza Nucci, a prisão em flagrante “é a modalidade de prisão cautelar, de natureza administrativa, realizada no instante em que se desenvolve ou termina de se concluir a infração penal (crime ou contravenção penal)”. 8 “É uma restrição a liberdade individual, de natureza administrativa, a qual, embora permitida pela Constituição, possui caráter excepcional, pois amplia o poder estatal de supremacia, em detrimento do direito de locomoção, sem as formalidades processuais de prévio controle jurisdicional”. 9

vigência é anterior a cessação da continuidade ou permanência.

5.12. FLAGRANTE EM CRIME DE AÇÃO PENAL PRIVADA Preso o autor do fato, deve haver a manifestação da vítima em oferecer a queixa, ou seja a prisão deverá ser ratificada pela vítima.

5.13.

PRAZO PARA A LAVRATURA DO FLAGRANTE

Não existe um prazo expresso no código de processo penal, porém o artigo 306, prevê um prazo de 24 horas para que seja entregue a nota de culpa, que deve ser entregue após a lavratura do flagrante, presume-se que o flagrante deva ser realizado nesse ínterim.

5.14.

AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE DELITO

Peça formal que requer alguns elementos para a sua perfeita configuração.

Assistência da família e de advogado (CF 5º LXIII), deve ser comunicada a família do preso ou pessoa por ele indicada. Oitiva do condutor (primeira pessoa a ser ouvida) e testemunhas, sendo que o condutor também poderá ser ouvido como condutor e testemunha. Interrogatório do autuado em flagrante, que possui em

seu

favor a garantia constitucional de ficar em silêncio.

Lavratura: pelo escrivão, onde na sua falta a autoridade poderá nomear um “ad hoc”, e presidido pela autoridade policial. Comunicação ao juiz da realização da prisão em flagrante.

6

MIRABETE, Julio Fabbrini. Processo Penal. 16. ed. rev. e atual.

NOTA DE CULPA Documento entregue ao preso em flagrante, dentro de 24 horas após a prisão, devidamente assinada pela

São Paulo: Atlas, 2004. p.402.

7

 

autoridade, com o motivo da prisão, nome do condutor e

TEIXEIRA, Renildo do Carmo. Da Prisão em Flagrante – Teoria, Prática e Jurisprudência. 2. ed. Leme-SP:Editora de Direito, 1998. p. 19. 8 NUCCI, Guilherme de Souza. Código de Processo Penal

Comentado. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002. p. 524.

das

testemunhas.

A

falta da nota de culpa pode ensejar o relaxamento da

prisão em flagrante.

 
 

9

BRANCO, Tales Castelo. Op. Cit. p. 43.

 
Área Policial   Prof. Maurilucio Direito Processual Penal ASPECTOS CONSTITUCIONAIS LXI - ninguém será

Área Policial

 

Prof. Maurilucio

Direito Processual Penal

ASPECTOS CONSTITUCIONAIS LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;

Só será admitida a decretação da prisão preventiva nos casos expressos no artigo 313 do Código de Processo Penal, ou seja, nos crimes dolosos: a) punidos com reclusão; b) punidos com detenção, quando o

indiciado é vadio ou existe dúvida sobre a sua identidade;

LXII

- a prisão de qualquer pessoa e o local onde se

e,

c) se o réu tiver sido condenado por outro crime doloso,

encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;

com sentença transitada em julgado, salvo a hipótese descrita no parágrafo único do artigo 46 do Código Penal. Entretanto, em se deparando o Juiz com uma das hipóteses acima mencionadas, ainda assim deverá

LXIII

- o preso será informado de seus direitos, entre os

quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;

analisar o caso concreto, uma vez que a prisão preventiva só é cabível em casos excepcionais.

LXIV

- o preso tem direito à identificação dos

 

A

prisão preventiva pode ser decretada a qualquer

responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial;

momento, até mesmo antes do oferecimento da denúncia,

e

deverá sê-lo feito através de despacho fundamentado,

LXV

- a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela

devendo o Juiz demonstrar a existência dos fundamentos

autoridade judiciária; LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido,

quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança;

dos requisitos desta modalidade de prisão cautelar. Como toda providência cautelar, a prisão preventiva exige a existência de dois pressupostos para sua

decretação: o fumus boni iuris e o periculum in mora.

e

LXVII

- não haverá prisão civil por dívida, salvo a do

 

O

fumus boni iuris consiste na prova da materialidade

responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel;

dos fatos delituosos (da existência do crime) e na existência de indícios suficientes de autoria, sendo certo que, na falta da algum deles, não caberá a prisão preventiva.

Pressupostos da preventiva

PRISÃO PREVENTIVA Prisão cautelar, provisória e processual, que pode ocorrer durante o inquérito e a instrução criminal em face da existência de alguns pressupostos legais. É uma medida facultativa que pode ser decretada somente pelo juiz de direito. A prisão preventiva também é uma das espécies de prisão provisória, posto que, como as demais, não é resultante de sentença penal condenatória, transitada em julgado. Como já visto anteriormente, a privação cautelar da liberdade individual é qualificada pela nota da excepcionalidade. Assim, tem-se, pois, que, da mesma forma que as demais modalidades de prisão cautelar de natureza processual penal, a prisão preventiva só pode ser efetivada se o ato judicial que a formalize tenha fundamentação substancial. Para Fernando da Costa Tourinho Filho, prisão preventiva “é aquela medida restritiva de liberdade determinada pelo Juiz, em qualquer fase do inquérito ou da instrução criminal, como medida cautelar, seja para garantir eventual execução da pena, seja para preservar a ordem pública, ou econômica, seja por conveniência da instrução criminal”. 10 Esta modalidade de prisão cautelar de natureza processual penal está prevista nos artigos 311 usque 316 do Código de Processo Penal, e só pode ser decretada unicamente pelo Juiz. Deve a prisão preventiva ser tida como o ponto central de toda e qualquer prisão cautelar de natureza processual penal, uma vez que, não havendo necessidade de ser ela decretada, as demais espécies não podem persistir. Conforme os ensinamentos de Paulo Rangel : “no ‘universo’ da prisão cautelar de natureza processual, a prisão preventiva seria o sol e as demais prisões (em flagrante, em decorrência da decisão de pronúncia e em decorrência da sentença condenatória) seriam os planetas que o cercam e buscam nele sua fonte de luz, de energia, de sustento de vida.” 11

a) existência de crime;

b) indícios suficientes de autoria.

Fundamentos

 

a)

garantia da ordem pública: evitar a pratica de novos

crimes, e proteção contra a periculosidade do agente.

b)

garantia da ordem econômica: preservação de riscos

econômicos causados pelo agente.

c)

conveniência da instrução criminal: previne a fuga,

ocultação ou obstrução processual por parte do agente.

Condições de admissibilidade Crimes dolosos: I) punidos com reclusão; II) punidos com detenção (indiciado vadio, dúvida na identidade, sem elementos para a identificação); III) reincidência em crime doloso.

Inadmissibilidade Crimes de detenção, salvo item II acima, e contravenções. Crimes em que o réu livra-se solto independente de fiança. Nos casos de excludente de ilicitude.

Decretação

 

a)

qualquer fase do inquérito policial ou da instrução

criminal.

 

b) nos crimes da ação pública ou privada.

c) presentes os pressupostos e os fundamentos.

Fundamentação da cautela CPP art. 315 “O despacho que decretar ou denegar a prisão preventiva será sempre fundamentado”. CF art 5º LXI “Ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente.

PRISÃO TEMPORÁRIA Lei 7960/89, cria a prisão temporária como sendo uma espécie de prisão provisória e cautelar, diferenciando da prisão preventiva haja vista está ter um prazo determinado. Esta espécie de prisão cautelar de natureza processual

10 TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. Processo Penal. v. III. 5. ed. São Paulo: Jalovi, 1979. p. 570. 11 RANGEL, Paulo. Direito Processual Penal. 3. ed. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2000. p. 390.

penal só pode ser decretada por autoridade judiciária, mediante representação da autoridade policial ou a requerimento do Ministério Publico. Fernando Capez define a prisão temporária como a “prisão cautelar de natureza processual destinada a

Área Policial   Prof. Maurilucio     Direito Processual Penal possibilitar as investigações a

Área Policial

 

Prof. Maurilucio

   

Direito Processual Penal

possibilitar as investigações a respeito de crimes graves, durante o inquérito policial”.

12

Conceito

envenenamento de água potável ou substância

alimentícia ou medicinal qualificado pela morte (art. 270,

caput, combinado com o art. 285); l) quadrilha ou bando (art. 288), todos do Código Penal;

j)

Espécie de prisão provisória ou cautelar, decretada pelo juiz, por representação da autoridade policial ou de requerimento do MP, por tempo exíguo, nas hipóteses fixadas na lei nº7.960/89. Tem, em regra, duração máxima de 5 dias, e em caso de extrema e comprovada necessidade nos crimes hediondos, a sua duração será

m)

genocídio (art. 1º, 2º e 3º, da Lei nº 2.889, de 1º-10-

1956), e qualquer de suas formas típicas;

 

n)

tráfico de drogas (art. 12 da Lei nº 6.368, de 21-10-

1976);

 

o) crimes contra o sistema financeiro (Lei nº 7.492, de 16-

06-1986).

 

de

30 dias, prorrogável por igual.

 

O

Juiz poderá, de ofício, ou a requerimento do Ministério

A prisão temporária é uma espécie de prisão cautelar exigindo para sua configuração os requisitos de toda medida cautelar, sejam fumus boni iuri e periculum in mora. Trata-se de prisão com fundamentação vinculada. (RANGEL, 2001, p. 432).

Público e do Advogado, determinar que o preso lhe seja apresentado, solicitar informações e esclarecimentos da autoridade policial e submetê-lo a exame de corpo de delito.

Do preso

 

Finalidade

 

O

preso

de

forma

temporária

deverá

permanecer,

Descoberta

da

autoria

e

materialidade

na

fase

obrigatoriamente, separado dos demais detentos (art. 3º).

inquisitorial.

 
 

PROVAS

 

Fundamentos (art. 1º, i, II e III da lei nº7.960):

   

a)

cautela imprescindível as investigações do IP (art. 1º,

 

Consiste na demonstração através da sua

I). b) indiciado não tiver residência fixa ou não fornecer

materialização dos fatos narrados e trazidos ao processo.

O

Inquérito Policial é o momento para se produzir a prova,

elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade (art. 1º, II).

virtude de que muitos crimes reclamam providências

imediatas outros podem aguardar providências, porém é na instrução criminal que se introduzem as provas, pois o inquérito é a base para a denúncia. Outras provas que não tenham sido produzidas durante a realização do Inquérito mas que venham a ser aduzidas no processo, durante a instrução ainda poderão ser produzidas, tais como exames complementares, grafotécnicos e outros.

em

c)

fundadas razões, de autoria e participação no delito de

gravidade (art. 1º, III) (rol taxativo). Existem controvérsias sobre a aplicação cumulativa ou isolada dos fundamentos estabelecidos no art. 1º da Lei

nº7.960 para decretação da prisão temporária.

 

Prazo:

 

a)

regra - 05 dias (+5 dias) (art. 2º da Lei nº7.60/89).

 

Objeto da Prova:

 

b)

crimes hediondos - 30 dias (+30 dias) (art. 2º, §3º da

 

É

aquilo que se quer demonstrar, é o fato narrado

Lei

nº 8.072/90).

 

devidamente materializado. Ex: Homicídio e o Laudo de

Pode haver prisão não só do indiciado como de qualquer pessoa, até testemunha, com vistas ao bom andamento

Necropsia. Já outras situações narradas, tais como durante a instrução e no interrogatório, o réu menciona legítima defesa e diz que houve um disparo anterior. O exame complementar pode ainda constatar a existência

das apurações dos fatos objeto do IP. Art. 1º. Caberá prisão temporária:

 

I

- quando imprescindível para as investigações do

de

um impacto de projétil em uma parede e o mesmo

inquérito policial;

 

alojado no interior de um tijolo.

 

II

- quando o indiciado não tiver residência fixa ou não

 

fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua

Fatos que não dependem da prova:

 

identidade;

 

1-

Fato notório: a notoriedade do fato já é a sua. Ex: Um

III

- quando houver fundadas razões, de acordo com

terremoto. Eles independem de comprovação.

 

qualquer prova admitida na legislação penal, de autoria ou participação do indiciado nos seguintes crimes:

2-

Fato evidente: a evidência já é a sua prova Ex. arma do

crime e a causa da morte.

 

a)

homicídio doloso (art. 121, caput, e seu § 2º);

 

3-

Fato presumido: a presunção já é sua prova. Ex.

b)

seqüestro ou cárcere privado (art. 148, caput, e seus

Presunção de violência no caso de um estupro de uma

§§

1º e 2º);

recém nascida independe da certidão de nascimento para provar. Na presunção, temos um fato que uma verdade oficial

c)

roubo (art. 157, caput, e seus §§ 1º, 2º e 3º);

 

d)

extorsão (art. 158, caput, e seus §§ 1º e 2º);

 

e)

extorsão mediante seqüestro (art. 159, caput, e seus §§

ou

legal, onde a lei diz ser verdade, mesmo que não

1º,

2º e 3º);

corresponda a verdade real. Ex: Uma cédula de identidade. Se ela é adulterada, irá depender de comprovação.

f)

estupro (art. 213, caput, e sua combinação com o art.

223, caput, e parágrafo único);

 

g)

atentado violento ao pudor (art. 214, caput, e sua

 

O

fato confessado pelo acusado deve ser provado, a

combinação com o art. 223, caput, e parágrafo único);

 

confissão não supre o exame de corpo de delito. Ex: João

h)

rapto violento (art. 219, e sua combinação com o art.

disse que matou. Aonde está o corpo ? Fato incontroverso: Não é discutido pelas partes, mas depende de prova.