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CARTA DE JOINVILLE XII Conferência ANPEI de Inovação Tecnológica A ANPEI realizou sua XII Conferência

CARTA DE JOINVILLE XII Conferência ANPEI de Inovação Tecnológica

A ANPEI realizou sua XII Conferência entre os dias 11 e 13 de junho de 2012, em Joinville, Santa Catarina,

com quase 1.900 participantes. O tema geral da Conferência, “Inovar Agora: Competição Global e Sobrevivência Local”, foi discutido pelos principais atores da inovação no Brasil: empresas, entidades empresariais, instituições de ciência e tecnologia, agências do fomento e órgãos do governo relacionados com a área de ciência, tecnologia e inovação.

A inserção plena do País na economia globalizada estabeleceu as condições para o aumento das

exportações, mas também abriu novas portas para importações. Essa situação acabou por ressaltar o despreparo de parte dos ativos produtivos brasileiros, fato demonstrado pela limitada exportação de produtos intensivos em tecnologia e pela concorrência de produtos importados, conforme alertas debatidos durante a Conferência. Mais do que o excedente de produção não absorvido pelos mercados dos países desenvolvidos e em desenvolvimento devido a uma conjuntura adversa, foram sinalizados cenários de profundas transformações no mundo atual em suas estruturas sociais, econômicas e políticas.

Nesse contexto de mudanças estruturais, verifica-se uma redução do ritmo de crescimento que não se

prenuncia passageira, como vimos, mas resulta da transição para uma nova realidade global, com novos contornos de fundo. Surge, assim, um importante alerta: a competição será cada vez mais intensa no mundo

e, sem inovação, agravam-se as condições de sobrevivência para a indústria local. É com esse sentido de

urgência que se recomenda uma política econômica fortemente orientada para a inovação. A ANPEI acompanha com preocupação os cortes do governo federal no orçamento de C,T&I nos últimos dois anos, 22

% só neste ano. A falta de um ambiente mais previsível reforça a necessidade de se continuar construindo

um contexto mais favorável à inovação tecnológica, com recursos assegurados e regulares. Constata-se também uma disponibilidade potencial de capital, em função da perspectiva de redução da taxa de juros, o que poderá favorecer investimentos de maior risco sinalizando a existência de outras formas de

disponibilidade de recursos para a inovação (capital de risco), seja de origem pública ou privada. Esse novo cenário deve ser entendido e monitorado pelos gestores de inovação das empresas, qualquer que seja seu porte. Além disso, há uma clara mudança de comportamento das novas gerações, que deve ser reconhecida

e trabalhada pelos profissionais da área tecnológica. Essa mudança de comportamento é fruto de uma sociedade conectada cada vez mais em tempo real.

Nas apresentações de casos práticos de inovação, foi notória a evolução da capacitação tecnológica da

indústria nacional e o avanço na difusão da inovação junto às micro, pequenas e médias empresas. Percebe-

se uma preocupação crescente com novas plataformas inovadoras, além de produtos e processos, a prática de logística reversa, uma forte preocupação com a otimização energética dos sistemas e a internacionalização de centros de pesquisa brasileiros, tendência confirmada pelos dados recentes apresentados pela OCDE.

A ANPEI reconhece a importância do estabelecimento de programas estruturantes conforme proposta

apresentada pela FINEP. É preciso identificar vocações e incentivar iniciativas para garantir saltos qualitativos da inovação no Brasil. Destacam-se os projetos estruturantes em energia, incluindo o pré-sal e

as energias renováveis, tecnologias sustentáveis, saúde e os projetos voltados para o aproveitamento

sustentável da biodiversidade, um recurso destacado do Brasil e que pode representar uma grande oportunidade para a inclusão social de comunidades locais, com adensamento da cadeia produtiva e uso sustentável dos recursos do patrimônio genético do País. A transformação da FINEP em agência financeira é elemento essencial desse processo de maior dinamismo da agência e para garantir a estrutura necessária à operação de recursos crescentes para C,T&I conforme expectativa dos principais atores da inovação.

As reservas de petróleo no pré-sal só serão economicamente viáveis e geradoras de desenvolvimento social

As reservas de petróleo no pré-sal só serão economicamente viáveis e geradoras de desenvolvimento social

e econômico de longo prazo se a cadeia de óleo e gás puder desenvolver e acessar as tecnologias necessárias

à sua exploração sustentável. Assim, a exploração plena das reservas do pré-sal, com a real criação de

riqueza nacional, depende de investimentos consistentes e regulares em inovação e tecnologia feitos no Brasil. De outro lado, é fundamental que a riqueza gerada pelo pré-sal seja revertida, pelo menos em parte, diretamente para C,T&I. É imprescindível garantir mecanismos de fomento à inovação na regulamentação dos contratos de partilha (royalties e cláusula de investimentos em P,D&I), inclusive prevendo o estímulo direto às empresas inovadoras. O sistema deve garantir a recomposição do FNDCT dentro de uma perspectiva de longo prazo (Fundo Setorial do Petróleo, o CT-Petro). Sem isso, corremos o risco de assistir a um colapso do sistema de inovação nos próximos anos.

O assunto da biodiversidade brasileira ganha especial visibilidade em função da realização da Conferência

Rio+20. Em muitos aspectos, a biodiversidade brasileira assemelha-se ao pré-sal sendo, além de tudo, perene se utilizada de forma sustentável. Precisamos avançar definitivamente na questão do acesso e da

repartição dos benefícios da biodiversidade. Precisamos modernizar nosso marco legal e viabilizar as atividades de pesquisa nessa área, para que o Brasil seja realmente líder em bioeconomia.

A formação e capacitação profissional é crítica e suporta todos esses programas. É necessário ampliar a

formação de recursos humanos em carreiras das ciências básicas e engenharias, por exemplo, buscando novos modelos educacionais com foco em inovação, empreendedorismo e sustentabilidade.

Os resultados dos trabalhos dos Comitês Temáticos da ANPEI, Propriedade Intelectual, Indicadores de P&D e Interação ICT-Empresa, indicam oportunidades para as empresas, bem como algumas carências que devem ser endereçadas às autoridades em futuro próximo. No caso desse último comitê, o lançamento de um guia de boas práticas, durante a XII Conferência, orientará a colaboração entre a academia e as empresas. Assim, será possível fortalecer ainda mais a atividade de Pesquisa e Desenvolvimento das ICTs (Instituições de Ciência e Tecnologia), com máximo retorno para a sociedade.

A inovação tem a capacidade de promover uma nova e ampla dinâmica na economia. Com isso, tornou-se

parte essencial da competição internacional e o Brasil não pode perder a oportunidade do momento. O esforço terá que ser intensificado no sentido de estimular o investimento, particularmente o investimento em P&D. Temos que garantir uma evolução mais rápida e mais significativa da inovação no Brasil. Não apenas porque queremos que essa agenda avançe, mas porque ela é essencial para o futuro do nosso País.

Finalmente, a ANPEI agradece a todos os que tornaram possível esta Conferência: o poder executivo

representado em suas três instâncias, Prefeitura de Joinville, Governo de Santa Catarina e Governo Federal,

o SEBRAE, o MCTI, a FINEP, o BNDES, a FAPESC, o INOVAPARQ e as universidades a ele associadas, as

entidades empresariais do Estado de Santa Catarina, FIESC, ACIJ e AJORPEME, os patrocinadores da Conferência e um grupo de abnegados colaboradores ANPEI, além de militantes da inovação. Enfim, agradecemos a todos os que se mobilizaram em torno desse desafio de construir e realizar a Conferência ANPEI em Joinville.

Joinville, Junho de 2012.