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Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 33 1 Introdução Os dois casamentos.

Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 33 1

Introdução

Os dois casamentos. (Texto: Rm 7:1~6)

Quando nós pregamos, tentamos trazer sempre uma ilustração para facilitar o entendimento, muitas vezes, de textos difíceis de serem entendidos numa primeira leitura. Mas esse é um daqueles textos que não precisamos pensar em uma outra ilustração: o apóstolo Paulo já nos apresenta de cara uma ilustração, a ilustração do casamento, para nos ajudar a entender sobre um tema muito importante nesse capítulo: o papel da Lei, da Lei de Moisés, da Torah na vida nova que vivemos em Jesus Cristo.

Por isso, sem rodeios, quero entrar direto no texto com todos vocês.

Exposição do texto. (Rm 7:1~6)

1 Meus irmãos, falo a vocês como a pessoas que conhecem a lei. Acaso vocês não sabem que a lei tem autoridade sobre alguém apenas enquanto ele vive? 2 Por exemplo, pela lei a mulher casada está ligada a seu marido enquanto ele estiver vivo; mas, se o marido morrer, ela estará livre da lei do casamento. 3 Por isso, se ela se casar com outro homem enquanto seu marido ainda estiver vivo, será considerada adúltera. Mas se o marido morrer, ela estará livre daquela lei, e mesmo que venha a se casar com outro homem, não será adúltera.

4 Assim, meus irmãos, vocês também morreram para a Lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerem a outro, àquele que ressuscitou dos mortos, a fim de que venhamos a dar fruto para Deus. 5 Pois quando éramos controlados pela carne, as paixões pecaminosas despertadas pela Lei atuavam em nosso corpo, de forma que dávamos fruto para a morte. 6 Mas agora, morrendo para aquilo que antes nos prendia, fomos libertados da Lei, para que sirvamos conforme o novo modo do Espírito, e não segundo a velha forma da Lei escrita.

1. A Lei tem domínio até a morte.

"Meus irmãos, falo a vocês como a pessoas que conhecem a lei. Acaso vocês não sabem que a lei tem autoridade sobre alguém apenas enquanto ele vive?" (vr. 1).

O apóstolo Paulo está escrevendo aos cristãos de Roma que tinham a noção da Lei Judaica, ou seja, da Lei de Moisés. Essa Lei que foi dada por Deus vale na vida das pessoas até que momento? Até o momento delas morrerem. Então, desde que nascemos até o momento que morremos estamos, querendo ou não, debaixo dessa

1 Pregado no MEP dia 24 de junho de 2012.

Paulo Sung Ho Won - www.paulowon.com - Reprodução apenas com expressa permissão.

Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 33

Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 33 Lei. Estamos debaixo do seu domínio

Lei. Estamos debaixo do seu domínio e de seus efeitos. Para explicar melhor, Paulo conta o exemplo do casamento:

"Por exemplo, pela lei a mulher casada está ligada a seu marido enquanto ele estiver vivo; mas, se o marido morrer, ela estará livre da lei do casamento." (vr. 2). Como era a Lei do Casamento no Antigo Testamento? De acordo com a Lei de Moisés, o casamento só poderia ser desfeito por duas maneiras: pelo divórcio cuja iniciativa era sempre do marido e da própria morte do marido. Paulo, entretanto, traz o ponto de vista da mulher. A mulher estava obrigada a se submeter às leis do casamento até o momento em que seu marido morria. Nada impedia que uma viúva assumisse um novo casamento. Aliás, esse foi o exemplo de Rute, que depois da morte de seu marido, casou-se com Boaz e tornou-se ancestral de Jesus Cristo.

Paulo prossegue dizendo que: "se ela se casar com outro homem enquanto seu marido ainda estiver vivo, será considerada adúltera. Mas se o marido morrer, ela estará livre daquela lei, e mesmo que venha a se casar com outro homem, não será adúltera.". Isso quer dizer que o segundo casamento é moralmente legítimo porque a morte pôs fim ao primeiro 2 . Assim, somente a morte possibilitava a libertação da lei do casamento abrindo as porta para um segundo casamento.

É interessante que, por exemplo, no direito romano, o casamento podia ser desfeito através de um acordo mútuo de divórcio. Entretanto, se o marido morresse, a esposa ainda tinha que guardar 12 meses de luto antes de se casar-se novamente, do contrário, corria o risco de perder toda a herança de seu falecido marido.

Tudo isso, Paulo está dizendo para ensinar e trazer novamente à memória dos cristãos em Roma que a Lei só pode ser revogada com a morte. Nós somos dominados pela Lei enquanto estamos vivos. Nós somos essa esposa que tem o seu marido morto: a Lei morreu para nós a fim de que pudéssemos ter um outro tipo de compromisso, um outro tipo de aliança.

2. Morremos para viver uma nova vida, não mais baseada na Lei, mas no Espírito.

"Assim, meus irmãos, vocês também morreram para a Lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerem a outro, àquele que ressuscitou dos mortos, a fim de que venhamos a dar fruto para Deus." (vr. 4).

Da mesma forma que Paulo diz que o marido precisa morrer para que a Lei do Casamento seja completamente anulada, assim também nós fomos libertados da Lei, ou melhor dizendo, do domínio e dos efeitos da Lei pela morte de Jesus Cristo. Quando Jesus morreu na cruz, e quando o seu corpo foi entregue como sacrifício perfeito, e no momento em que participamos dessa morte crendo e sendo batizados,

2 Cf. Sttot, pág. 230.

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Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 33 a Lei passou a perder o

a Lei passou a perder o seu domínio sobre nós. A morte, a conseqüência do pecado, não tem mais poder sobre as nossas vidas.

Isso não quer dizer que estamos livres da Lei e podemos viver da maneira que quisermos. Muito pelo contrário, da mesma forma que no capítulo 6 Paulo diz que fomos libertos da escravidão do pecado para sermos escravos de Deus, Jesus morreu não somente para nos libertar do domínio da Lei, mas também para que pudéssemos "pertencer a outro" (vr. 4).

Quem é esse outro? É Deus! E como isso é provado? Porque Jesus morreu e ressuscitou. Ele morreu para nos tirar do domínio da Lei e ressuscitou para que possamos viver para Deus de uma maneira totalmente nova. Nós participamos dessa morte, que é representado pelo batismo. Assim, a Lei de Moisés perde o seu efeito condenatório sobre aqueles que nasceram novamente, e pertencem a um outro, ou seja, Deus. Mais uma vez: Paulo vai explicar nos versículos seguintes, que a Lei é boa e expressa a vontade de Deus para a humanidade, mas essa mesma Lei nos condena porque não somos capazes de cumprir completamente essa Lei.

Morremos juntamente com Jesus para viver uma nova vida. E essa nova vida tem um objetivo muito claro: "dar fruto para Deus"? Mas o que significa isso? Significa viver de uma maneira totalmente de acordo com a vontade de Deus. É viver uma vida santificada todos os dias pelos Espírito Santo. É esse Espírito Santo que nos ajuda a vivermos segundo os padrões de Deus que foram ensinados junto com a Lei.

Nós fomos libertos da Lei para vivermos para Deus e desfrutar da verdadeira liberdade que opta por obedecer à vontade de Deus, e assim, obedecer à Lei. O ponto de partida do velho homem é a Lei, o pecado e a morte. Porém, o nosso ponto de partida, como pessoas revestidas de uma nova vida é Cristo, que cumpriu toda a Lei. E a verdade é que quando estamos dentro de Jesus, o Espírito Santo habita em nós, e esse Espírito nos auxiliar a viver de acordo com a vontade de Deus.

Meus irmãos, diante da mesa da eucaristia, nós temos que saber que a vida nova que temos em Cristo foi porque Ele morreu na cruz e nós morremos com ele. Assim, os efeitos do domínio da Lei foram anulados para que tenhamos a possibilidade de viver uma nova vida, não baseada na Lei que aponta a nossa eterna incapacidade, mas uma nova vida vivida dentro do Espírito Santo.

3. Veja o antes e o depois.

"Pois quando éramos controlados pela carne, as paixões pecaminosas despertadas pela Lei atuavam em nosso corpo, de forma que dávamos fruto para a morte.". (vr.

5).

Paulo nos mostra o antes e o depois dessa nova condição que temos em Jesus.

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Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 33

Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 33 Antes, quando éramos dominados pela Lei

Antes, quando éramos dominados pela Lei e o pecado fazia parte de nossa vida, quando a morte era o destino certo, ou seja, quando "éramos controlados pela carne", a nossa relação com a Lei era totalmente corrompida. Paulo nos diz que a própria lei despertava em nós paixões pecaminosas. Mas como isso pode acontecer? É a mesma coisa quando proibimos uma criança de mexer na tomada,

mas que por causa dessa proibição, sente-se mais tentada a tocar na tomada. Eu fiz

a coisa certa em proibir, mas a criança, que já tem em si uma inclinação natural para o pecado sentirá, vontade de fazer a coisa errada.

"Mas agora, morrendo para aquilo que antes nos prendia, fomos libertados da Lei, para que sirvamos conforme o novo modo do Espírito, e não segundo a velha forma da Lei escrita" (vr. 6)

Meus irmãos! Como essa verdade é maravilhosa! Jesus morreu na Cruz, e nós com Ele. Jesus ressuscitou dos mortos, e nós com ele, por causa disso, vivemos uma nova vida! Esse novo viver que agora temos, não está mais sob o domínio da Lei, da morte e do pecado, mas conforme Paulo diz, é um "novo modo no Espírito".

Sim! Vivemos uma novidade de vida. O jeito antigo de viver, o homem antigo dominado pela Lei foi substituído por um novo homem. Lembra que no capítulo 5

Paulo falou sobre Adão e Jesus, Adão sendo o representante da velha humanidade,

e Cristo da nova? Pois bem! Com Jesus, vivemos uma nova vida! Essa nova vida

que vivemos dentro do Espírito Santo é uma vida que nos faz viver segundo a vontade de Deus de quem nos tornamos, e hoje somos, escravos! Essa é a melhor e maior liberdade de todas: viver servindo a Deus através da morte e ressurreição de Jesus de um jeito novo conduzido pelo Espírito Santo!

Conclusão.

Meus irmãos! Mais uma vez, diante da mesa da eucaristia, devemos parar e refletir junto com essa palavra que essa mesa significa a morte de alguém: da morte de Jesus. Essa morte não foi um evento qualquer. Quando participamos da ceia, declaramos que participamos da morte de Jesus. É essa morte que nos libertou da Lei. Agora, não temos que ficar temerosos pela conseqüência do pecado imposto pela Lei, pois fomos perdoados e justificados por Deus.

O Jesus que morreu na cruz e que essa mesa celebra, é o mesmo que ressuscitou ao

terceiro dia, para que vivêssemos uma nova vida, a partir do novo nascimento, uma vida nova no Espírito. Uma vida dada por Deus para que possamos viver de uma maneira adequada à vontade do Pai, uma vida santa, cujos frutos são agradáveis a Deus.

Nós somos a esposa que perde o marido, mas também o marido que morre. A morte de Jesus nos libertou do casamento com a Lei, mas a minha própria morte, em Cristo, me faz viver uma nova vida, me abre a possibilidade de uma aliança com

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Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 33

Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 33 outra pessoa, um casamento com Deus.

outra pessoa, um casamento com Deus. O fruto dessa aliança com Deus deve ser uma vida santificada.

Que todos possamos viver dentro dessa nova aliança. Amém.

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