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TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO

São Paulo

 

Registro: 2012.0000315478

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos do Apelação nº 0133320- 37.2009.8.26.0001, da Comarca de São Paulo, em que é apelante COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS DE SÃO PAULO - BANCOOP, é apelado ADRIANO DOS SANTOS MELO.

ACORDAM, em 3ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Negaram provimento ao recurso. V. U.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores DONEGÁ MORANDINI (Presidente), BERETTA DA SILVEIRA E EGIDIO GIACOIA.

São Paulo, 26 de junho de 2012

DONEGÁ MORANDINI

RELATOR

Assinatura Eletrônica

TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo 3ª Câmara de Direito Privado Apelação Cível n.

TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo

3ª Câmara de Direito Privado Apelação Cível n. 0133320-37.2009.8.26.0001 Comarca: São Paulo Apelante: Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo Apelado: Adriano dos Santos Melo Voto n. 19.524

Bancoop

COOPERATIVA HABITACIONAL. AÇÃO DE

COBRANÇA.

Relação jurídica estabelecida entre as partes que se submete ao Código de Defesa do Consumidor. Cooperativa

que atua no mercado como incorporadora, sujeitando-se às

diretrizes da Lei n. 8.078/90.

Saldo residual objeto de rateio. Verba indevida.

Necessidade de comprovação documental dos gastos adicionais, ainda que aprovados pela Assembleia Geral.

Insuficiência, na espécie, das planilhas indicativas dos débitos, quando desacompanhadas dos documentos que

II

I

lhes

conferem exatidão.

III

SENTENÇA PRESERVADA. APELO IMPROVIDO.

1.- Pela r. sentença de fls. 433/437, cujo relatório é adotado, a ação de cobrança que a COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS DE SÃO PAULO BANCOOP move contra ADRIANO DOS SANTOS MELO foi julgada improcedente, reconhecendo a inexigibilidade dos aportes financeiros exigidos pela Cooperativa.

Recorre a autora.

Sustenta a inaplicabilidade das disposições do Código de Defesa do Consumidor ao contrato entabulado entre as partes, preservando-se a disposição que impõe ao aderente o pagamento do saldo residual. Pede, em suma, o provimento do apelo e a condenação do réu ao pagamento da importância descrita na inicial (fls. 443/461).

Apelação nº 0133320-37.2009.8.26.0001 - São Paulo - VOTO Nº 19.524 2/4

TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo Contrarrazões às fls. 471/484. É o RELATÓRIO. 2.-

TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo

Contrarrazões às fls. 471/484.

É o RELATÓRIO.

2.- A irresignação não comporta acolhimento.

Com efeito.

A Cooperativa Habitacional dos Bancários atua no mercado imobiliário como verdadeira incorporadora, submetendo-se, em conseqüência, ao regime do Código de Defesa do Consumidor.

Para fixação do regime jurídico do contrato o que importa é a sua causa, sendo irrelevante a forma societária pela qual se organizou a construção e venda de apartamentos ou casas. Entender o contrário seria admitir que por ato unilateral da fornecedora, mediante simples alteração de seu objeto social, cambiasse do regime jurídico do Código de Defesa do Consumidor para o Código Civil, ou lei especial diversa, em manifesta fuga das normas protetivas cogentes do consumidor. Em caso parelha, decidiu este Tribunal: “Compromisso de compra e venda - Negócio jurídico sob a forma de associação cooperativa - Incidência do Código de Defesa do Consumidor - Desistência de associado - Abusividade das cláusulas de decaimento e diferimento na devolução do preço Rescisão do negócio jurídico e restituição de 80% das parcelas pagas afim de ressarcir a cooperativa habitacional com despesas administrativas e fiscais - Ação procedente - Sentença mantida - Recurso não provido” (Apelação Cível 9184160-08.2003.8.26.0000, Rel. Des. Francisco Loureiro).

De outra parte, a controvérsia gravita em torno da chamada “apuração final”, prevista na avença firmada entre as partes.

Apelação nº 0133320-37.2009.8.26.0001 - São Paulo - VOTO Nº 19.524 3/4

TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo Entretanto, ainda que válida a referida cláusula, consoante

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Entretanto, ainda que válida a referida cláusula, consoante já reconhecido

por esta Câmara (Apelação Cível n. 0629173-42.2008.8.26.0001, desta

Relatoria), descabia à recorrente, como operado, a cobrança de eventual

saldo residual sem a apresentação de prova documental relacionada com o

débito em aberto.

Evidentemente, a cobrança intentada pela

recorrente estava condicionada à efetiva comprovação documental indicando

insuficiência das receitas para cobrir as despesas do empreendimento, cujo

aporte financeiro inicial não contemplava. Não basta, à evidência, a juntada

das planilhas de débito de fls. 323/359, vez que desacompanhadas dos

documentos que lhes conferem exatidão. Ausente, inegavelmente, a efetiva

existência de custos extras ou tampouco a sua extensão, pese a alegada

realização de Assembleia Geral. Em caso parelha, decidiu esta Câmara:

“Cooperativa Habitacional. Ação de cobrança. Saldo residual

objeto de rateio. Necessidade de comprovação documental dos

gastos adicionais. Indispensabilidade, ainda, de deliberação ela

Assembléia Geral da Cooperativa. Inteligência do artigo 39, inciso

II, do Estatuto da apelante. Precedentes jurisprudenciais.

Omissão da inicial sobre esses pontos. Ofensa ao disposto no

artigo 333, inciso I, do CPC. Sentença mantida. Apelo improvido”

(Apelação Cível 582.110.4, desta Relatoria). Na mesma diretriz:

Apelação Cível 527.602.4, Rel. Des. Beretta da Silveira.

Inexigíveis, assim, as quantias cobradas pela

Cooperativa, ante a ausência de comprovação documental das despesas

apresentadas pela apelante, na forma do disposto no art. 333, inc. I, do

Código de Processo Civil.

Isto posto, NEGA-SE provimento ao apelo.

Donegá Morandini Relator

Apelação nº 0133320-37.2009.8.26.0001 - São Paulo - VOTO Nº 19.524 4/4