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Aprender a ler para saber aprender

(Projeto interdisciplinar)

AUTORES:
Aldeíza
Antônio Ney
Éric Ferreira
Júlia Pinho
Luiz Carlos

1. Introdução
Quando pensamos em leitura, logo nos vem à mente a idéia de atividade mecânica de decodificação dos signos. No entanto,
ler é mais que isso, é atribuir um significado ao texto, seja ele verbal ou não verbal, o qual é entendido como processo e não
produto, já que é construído na interação. Além do mais, a leitura é uma forma de percepção, posto que ela não se reduz ao texto,
mas também à realidade, ao mundo que nos rodeia, que é, inclusive, objeto de nossas primeiras leituras, como assegura Paulo
Freire.
Todavia, afirmam Silva e Abjadid (2005) que quando nos referimos à leitura de textos, é importante sabermos que só há
atribuição de significados quando o leitor associa ao conhecimento de mundo um conhecimento lingüístico. É o que se chama de
interação de diferentes níveis de conhecimento. Ao se apropriar desses saberes, o leitor ficará apto à leitura e, conseqüentemente,
terá mais chances de alcançar o conhecimento.
Desse modo, quando mais conhecimento de mundo e mais conhecimento da língua alguém possua, mas apto estará
para ler.
O projeto que se propõe traz essa discussão quando recomenda mais leitura nas aulas ministradas por professores. A
idéia principal é, em colaboração com professores de português, criar metodologias em que a leitura seja a meio principal de
acesso ao conhecimento. Para isso, o que se pretende é integrar professores de áreas diversas,para discutir, elaborar e aplicar
estratégias que visem desenvolver as competências leitoras nos alunos.

2.Justificativa
A prática escolar tem-nos comprovado que sem leitura torna-se quase impossível ao aluno o prosseguimento nos estudos
como rege a LDB 9.394/96, art. 35, dentre outras finalidades que ali se propõe. O relativo número de alunos que evadem de nossa
escola, que reprovam, bem como o baixo índice do IDEB nos inquietou, levando-nos a questionar nossas práticas e a rever nosso
papel social na escola. Levando em conta o já citado, constatou-se que uma das causas que mais contribuem era a dificuldade de
leitura entre os alunos. A unanimidade dos colegas em relação a isso nos deu fôlego e impulso para elaborar este projeto, já que
tal situação não poderia continuar a existir.
A ausência de estratégias, ou mesmo de atividades, de leitura direcionadas, em detrimento de aulas de gramáticas, que
pouco favorecem o uso efetivo da língua (seja por meio da leitura seja por meio da escrita), e nem desenvolvem a competência
crítica discursiva dos alunos, posto que se centralizam na memorização de nomenclaturas,PA classificação de elementos, dentre
outros conteúdos ineficazes do ponto de vista funcional e pragmático da língua, conforme Antunes (2003), têm deixado as aulas de
português um tanto quanto “improdutivas”. Por causa disso, sobra pouco, ou quase não sobra, tempo para atividades de leitura,
produção de textos, atividades orais, as quais permitiriam ao aluno um domínio muito maior do conhecimento da língua. Soma-se
a isso a concepção de que ensinar a ler e a escrever sejam tarefas apenas do professor de português. São poucos os professores
de outras áreas do saber que se preocupam com aspectos textuais dos trabalhos de seus alunos, por exemplo.
É evidente que não se aprende a ler, nem dominar estratégias de leitura, de uma hora para outra. Daí o porquê de a
escola primar por esse aprendizado ao longo do currículo pelo qual o aluno deva passar. E mais, atividades dessa natureza não
devem ocorrer de forma individualizada, mas devem ser incorporadas por todos os professores para que surtam resultados
positivos, visto que nenhuma disciplina prescinde desse saber. O aluno que saber ler tem chances enormes de transitar por
qualquer área do conhecimento sem maiores dificuldades: será capaz de interpretar problemas matemáticos; aplicar fórmulas
adequadas em questões de física; compreender melhor as relações químicas; associar conhecimentos históricos, filosóficos, e
até sociológicos, com os de literatura, ou de outras áreas; criar, a partir do que ler, seus próprios conceitos; produzir textos com
mais facilidade, posto que será capaz de organizar de forma lógica o que aprende; perceber que determinadas construções da
língua, se utilizadas em situações e com intenção diferentes, implicarão sentidos inversos, como no caso da ironia; e tantas outras
situações e atividades que poderíamos enumerar aqui. Tornando-se um bom leitor, o aluno terá mais acesso às informações,
podendo exercer de fato sua cidadania. Do exposto é que se justifica a implantação e execução deste projeto.

3. Objetivos:
Geral: Desenvolver a competência leitora nos alunos, a fim de favorecer o aprendizado e diminuir a reprovação e a
evasão escolar.

Específicos:
• Montar oficinas para os professores sobre como utilizar as estratégias de leitura em favor da construção do
conhecimento.
• Incentivar o professor a ler, para ampliar seus conhecimentos e poder auxiliar o aluno no processo de ensino-
aprendizagem.
• Utilizar nas aulas diversas estratégias de leitura e com os mais variados gêneros textuais;
• Auxiliar o aluno na leitura de textos a partir de mecanismos de coesão.
• Desenvolver atividades para as quais a leitura seja o meio principal.

4.Metodologia:
Para a realização deste projeto, várias ações devem ser desenvolvidas, tais como:
Realização das oficinas: para esse momento, devem-se reservar pelo menos duas horas-aula como momento de
encontro entre professores para estudo, discussão, elaboração de aulas, escolha dos recursos, textos, e de ambientes em que
poderão ocorrer as aulas, como laboratório das TIC, biblioteca, sala de aula, ou outro espaço.
Os professores envolvidos no projeto deverão ser divididos em dois grupos heterogêneos, conforme as disciplinas, que se
reunirão a cada quinze dias de forma alternada, evitando a dispensa dos alunos, os quais poderão ter suas turmas agrupadas, se
necessário.
Após esses primeiros encontros, já esclarecidos os objetivos, as técnicas, os caminhos a serem trilhados pelo professor
com os alunos, passa-se a etapa subseqüente. No entanto, vale lembrar que, periodicamente, os professores se reunirão para
socializar suas experiências, rever estratégias, discutir o processo, criar seus textos, etc.
Atividades práticas: para essa etapa, deve ficar claro que cada professor precisará ser dinâmico e criativo e possibilitar
o contato dos alunos com todos os tipos de gêneros textuais que irão facilitar a construção do conhecimento (slides, charges,
imagens, textos dissertativos, histórias, transparências, gráficos, painéis, álbum seriado, vídeos, blogs, mapas, etc...). O uso
desses recursos deve estar pautado nas estratégias de leitura, que serão diferentes, dependendo do tipo de texto a ser utilizado e
da metodologia a ser aplicada. O uso da biblioteca, dos ambientes das TICs, ou de outro pré-estabelecido, irá depender da
metodologia que o professor programe o encontro com os alunos. E é interessante que aja, inclusive, mobilidade quanto aos
ambientes de aprendizagem, com já propõem várias teorias contemporâneas, pois isso dinamiza e torna as aulas menos
corriqueiras. Vale lembra que, cada professor, deve ter em mente que o foco não é o conteúdo da aula, mas a leitura desse
conteúdo, ou seja, facilitar, auxiliar o aluno à leitura desses conteúdos, fazendo inferências, questionamentos, discutindo opiniões,
indicando pistas lingüísticos, etc. Tudo para fazer o aluno construir o conhecimento a partir do que ler, tornado-o mais
independente.
Avaliação: Não deve haver uma fórmula de avaliação. E nesse caso, deve-se primar pelo caráter qualitativo,ou seja,
participação dos alunos nas atividades, suas possíveis leituras, inferências, construção de textos realizados a partir de suas
leituras, etc. As estratégias de leitura são diversas, mas deve-se ter cuidado para não reduzir à avaliação a momentos isolados. A
melhor avaliação, nesse caso, deverá ocorrer ao longo do processo de ensino-aprendizagem. No entanto, nada impede por
exemplo que, em datas definidas, se possa fazer socialização de trabalho construídos pelos alunos nas aulas, como por exemplo:
cartazes, comentários, construção de conceitos, seminários, resenhas, desenhos, etc, os quais podem ser aproveitados como
estratégias de ensino, além de servirem para apontar possíveis resultados do projeto.
Obtenção e discussão dos resultados: cada professor, dentro daquilo que realizou com sua disciplina nas aulas e dos
meios avaliativos que utilizou, socializa os resultados, a fim de se saber se os objetivos foram alcançados ou não. Nesse caso,
deve-se levar em consideração vários fatores, a saber alguns: se houve aprendizagem; se os alunos melhoraram suas produções
escritas; se conseguiram obter boas notas, se houve diminuição da evasão, bem como da reprovação, etc.
5.Cronograma:
Ações PERÍODO DE REALIZAÇÃO DO PROJETO Observação
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
Oficinas
At. Práticas
Avaliação do
aluno
Avaliação do
projeto
Resultados

6.REFERÊNCIAS:

ANTUNES, Irandé. Aula de português: encontro e interação. São Paulo: Parábola, 2003.
_______________. Por uma gramática além das pedras. São Paulo: Parábola, 2005.
_______________. Lutar com palavras. Coesão e coerência. São Paulo: Parábola, 2005.
BUNZEN, Clecio; MENDONÇA, Márcia (Orgs.) Português no ensino médio e formação do professor. São Paulo, Parábola,
2005.
FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristovão. Oficina de texto. 4ª Ed. São Paulo: Vozes, 2003.
FÁVERO, Leonor. Coesão e coerência textuais. São Paulo: Ática, 1991.
FIORIN, José Luiz; SAVIOLE, Platão. Para entender o texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 2006.
GARCIA, Othon. Comunicação em prosa moderna. 26ª Ed. São Paulo: FGV, 2006.
GERALDI, João Wanderley. O texto na sala de aula. São Paulo: Ática, 1994.
KLEIMAN, Ângela. Texto e leitor: aspectos cognitivos da leitura. Campinas: Pontes, 1990.
KOCH, Ingedore. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 1997.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção Textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola, 2007.
NAVARRO, Pedro (Org.). Estudos do texto e do discurso: mapeando conceitos e métodos. São Paulo: Clara Luz, 2006.
PRESTES, Maria Luci de Mesquita. Leitura e (re)escritura de textos: subsídios teóricos e práticos para o seu ensino. 3ª Ed.
São Paulo: Respel, 2001.