Pedido de Reconsideração

Revista Temas Atuais de Processo Civil V.1 - N. 1 - Julho de 2011 Pedido de Reconsideração Jonathan Iovane de Lemos
Advogado. Mestre em Direito e Especialista em Direito Processual Civil pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do

Artigo originalmente publicado na Revista Brasileira de Direito Processual RBDPro. Ano 18, v.71, p.69-89, 2010. ISBN: 0100-2589. Sumário: 1) Notas Introdutórias; 2) Pedido de Reconsideração – Elementos; 2.1) Conceito e Conteúdo; 2.2) Origem e Natureza Jurídica; 2.3) Hipóteses de Cabimento; 2.3.1) Preclusão; 2.3.1.1) Preclusão para o Juiz e para as partes – Alcance dos artigos 471 e 473 do CPC; 2.3.1.2) Síntese; 2.4) Atos atacados pelo Pedido de Reconsideração; 2.5) Prazo; 2.6) Interposição simultânea com Recurso e Litigância de Má-fé; 2.7) Legitimidade; 2.8) Competência; 2.9) Princípio da Fungibilidade no Pedido de Reconsideração; 2.10) Efeitos; 2.11) Princípio do Contraditório e o Pedido de Reconsideração; 2.12) Pedido de Reconsideração e Embargos de Declaração; 3) Considerações Finais; 4) Bibliografia.
Sul (PUCRS).

1. Notas Introdutórias

A precípua função do processo, em virtude do monopólio da jurisdição, está na proteção dos interesses individuais e da coletividade, mediante a aplicação do ordenamento jurídico, sendo, indefectivelmente, em seu desenlace, um instrumento de realização da justiça[1]. Sob esse foco, cumpre ao legislador determinar o processo de maneira a torná-lo rápido, efetivo e justo, entregando à parte o bem da vida almejado, devendo ser estruturado em tantos atos quantos sejam necessários para alcançar a sua finalidade[2]. Todavia, o processo por mais que busque esforços na tentativa de alcançar uma prestação jurisdicional célere, que resolva, de maneira irrepreensível, os conflitos intersubjetivos existentes, ainda acarretará, de maneira paradoxal, um inconformismo à(s) parte(s) litigante(s). A solução estatal, a primeira vista, nunca desfrutará de validade perante o pólo sucumbente, já que a irresignação é característica indissociável da condição humana. A permissão para impugnação das decisões judiciais assegura o aperfeiçoamento do ato judicial, possibilitando a reparação de qualquer erro existente, se existente, no conteúdo do provimento, apaziguando-se verdadeiramente os litigantes[3]. Entretanto, a ânsia das partes em recorrer não se dá por satisfeita com os meios legais existentes, fato que “desbravou outros caminhos para desafiar os pronunciamentos do órgão judiciário”[4], originando os chamados sucedâneos recursais.

Dentre os vários tipos de sucedâneos, um nos chama maior atenção: o pedido de reconsideração, instituto criado pelo hábito forense[5], de larga utilização[6] pelas partes, mas que, contudo, ganhou pouco relevo na doutrina e na jurisprudência[7], tendo, inclusive, sua legalidade questionada[8], chegando-se a sustentar que o instituto era vedado por normas de direito público[9]. Em pesquisa doutrinária, não se contabilizou uma dezena de escritos específicos sobre o tema, sendo que, dos autores que aceitaram a tarefa, poucos foram além da discussão acerca das hipóteses de cabimento do pedido de reconsideração, estando, ainda, muitos dos artigos desatualizados de acordo com as recentes e inúmeras modificações formalizadas na Lex Instrumentalis. Nesse quadro, levando em conta que o pedido de reconsideração processual “é figura que, em hipótese alguma, pode, a nosso ver, ser ignorada pelo estudioso do direito”[10], tentar-se-á, em linhas gerais, situá-lo, analisando suas hipóteses de cabimento, seus requisitos, seu prazo, sua legitimidade, seu conteúdo, seus efeitos, dentre outras questões pertinentes, tudo em conformidade com o sistema processual vigente[11] – pois de nada adianta a definição de um instituto que não possui utilização por contrariar as disposições legais existentes, baseando-se em um código hipotético, dissociado e inaplicável ao cotidiano forense –, ressaltando, durante a evolução do artigo, a aplicação da jurisprudência das Cortes Superiores sobre o assunto[12].

2. Pedido de Reconsideração – Elementos

2.1. Conceito e Conteúdo

O termo “reconsiderar”, etimologicamente, possui os sentidos de “1. retomar o exame de (questão); tornar a considerar; 2. pensar melhor; repensar; 3. anular decisão já tomada; desdizer-se”, definições de curial importância, neste momento, para que se possa delimitar o conceito e o conteúdo do pedido de reconsideração. Preambularmente, nota-se que todas as definições conduzem ao sentido de uma segunda reflexão sobre o assunto a reconsiderar, não importando a manutenção/modificação dos fundamentos pretéritos existentes. Mas qual é a importância desta afirmação para conceitualização do “pedido de reconsideração”? Veja-se: por exemplo, considerando-se que o pedido de reconsideração, compulsoriamente, deverá versar apenas sobre aquilo que foi decidido, limitado pela linha argumentativa/provas analisada pelo juízo – solicitando, apenas, uma nova reflexão sobre o tema e, conseqüentemente, a reconsideração da decisão –, o pedido feito pela parte que traz ao conhecimento do magistrado uma nova interpretação ou novas provas sobre a questão em apreciação, em um caso de indeferimento de antecipação de tutela, poderia ser definido como pedido de reconsideração?

Tal fato é de suma importância, já que se aceito o argumento de que a modificação dos fundamentos e/ou a demonstração de um novo quadro fático[13] enseja a entrega de uma nova manifestação judicial, o prazo de início para interposição de agravo será o da publicação da decisão que analisar o “novo” fundamento e não o da primeira decisão indeferitória. Defendendo esse último ponto, apenas com algumas divergências em relação à legitimidade para realização do pedido, manifesta-se MARIA BERENICE DIAS, narrando que o pedido de revisão (nomenclatura utilizada pela autora para qualificar o fenômeno acima narrado) é diverso do requerimento de reconsideração, pois naquele “a parte verte os seus fundamentos para que o juiz reaprecie o que decidiu, atentando nos fundamentos que não foram sopesados quando apreciou o requerimento da outra parte [...] (suspendendo-se) o prazo para esgrimir agravo de instrumento”[14]. Todavia, não concordamos com a autora, tendo em vista que o pedido de reconsideração vislumbra a modificação de um decisum, pelo próprio juízo prolator, imediatamente, não importando as razões utilizadas para tanto. O fato proeminente do instituto em análise é o pedido de nova reflexão, para o mesmo juiz, sobre assunto que já houve manifestação judicial, sendo irrelevante, via de regra, se existe ou não linha argumentativa contemporânea, ou novas provas aptas a alteração da decisão. Dentro desse quadro, o pedido de reconsideração pode ser definido como “o requerimento apresentado pela parte ao órgão judiciário que proferiu o ato decisório para reformá-lo, retratá-lo ou revogá-lo”[15].

2.2. Origem e Natureza Jurídica

O pedido de reconsideração, segundo NELSON NERY[16], tem suas origens nas Ordenações Filipinas, mais especificamente em seu Livro III, Título 65, n.º 2[17], evoluindo através do tempo, chegando a ser incorporado em alguns códigos estaduais – v.g., Código de Processo Civil do Rio Grande do Sul (art. 528)[18]. Inobstante sua expressa previsão legal, o pedido de reconsideração nunca obteve no Brasil natureza jurídica de recurso, ao contrário de outros países latino-americanos, e.g., Argentina e Cuba, e europeus, v.g., Alemanha[19], mas apenas o caráter de sucedâneo recursal[20]. A legislação nunca o tratou como meio legal de impugnação de decisões[21], apesar de possuir esse desiderato processual, não obtendo, também, o efeito de impedir o trânsito em julgado do decisum a ser reconsiderado. Nota-se, portanto, que o instituto em comento já esteve positivado em nossa legislação[22], mas nunca de forma sistematizada, restando, nos dias atuais, previsto de maneira indireta em diversos artigos de nosso código[23], v. g., art. 527, parágrafo único[24], dispositivos que reconhecem, inegavelmente, a sua existência.

portanto. Sob essa ótica. seja pela ausência de quaisquer requisitos formais e/ou substanciais na sua elaboração. se concretizada ou realizada. seja pela facilidade de sua interposição. elidindo quaisquer preocupações aparentes em relação ao “prazo. se comparado com um julgamento de recurso. Dessa sua difusão nos corredores forenses. os momentos e prazos para as suas respectivas manifestações. preparo. sem contar a celeridade da decisão sobre o pedido. Ou seja. fator que ressalta “o caráter público.2. em função de se ter atingido os limites assinalados em lei ou ao seu exercício[33]. nota-se que a preclusão foi criada para fornecer os meios de evitar discussões infinitas no bojo processual. hodiernamente. Hipóteses de Cabimento A prática reconheceu e adotou os pedidos de reconsideração. sem o qual nenhum procedimento teria fim”[38]. articulação de razões e formação de instrumento”[26].1. recebeu críticas e novos limites. Ultrapassada a sua conceituação. em sua gênese. (b) consumativa (“impossibilidade da prática do ato decorre da circunstância de já se ter o . a cada parte. de que o pedido de reconsideração só teria cabimento contra decisões não preclusas para as partes e para o juiz. determinada conseqüência jurídica”[34]. foi inspirada na poena praeclusi[31]. a doutrina indicou três modalidades de preclusão.3. caráter punitivo dentro do processo. Tal conceito. Em seu progresso. iniciou-se na doutrina o estudo detalhado de suas hipóteses de cabimento. 2. mormente aos artigos 471[28] e 473[29] do CPC. recebendo contornos através do célebre estudo de CHIOVENDA. objetivo e rigoroso do princípio da responsabilidade da parte [. impedindo “eternos retornos no curso do procedimento”[37]. um instituto que visa a fazer o processo “andar para frente”[36]. mostrando-se “um instrumento simples e não raras vezes eficaz para a impugnação de decisões judiciais”[27]. fatos que acarretam em “economia de tempo e dinheiro”[25] às partes. retirando-se a idéia de faculdade. possuindo. um pouco óbvia. ganhou largo desenvolvimento pela doutrina italiana[32]. estipulando. no caso de omissão.] (constituindo) princípio fundamental da organização do processo. nos dizeres de TEREZA ARRUDA ALVIM.3. É. extinção ou a consumação de uma faculdade processual da parte. pelo seu não uso dentro do prazo peremptório previsto pela lei”[40]). Preclusão A preclusão. vislumbrando em seu lugar a noção de ônus – pois a parte possui a “oportunidade de agir. ônus é “uma atividade que. terá (provavelmente) seus resultados revertidos em benefício daquele que a desempenhou”[35]. que definiu a preclusão como a perda.. prevendo a lei. instituto que tem origem no direito romano-canônico[30].. chegando-se à conclusão. baseando-as nas causas que lhes dão origem[39]: (a) temporal (“perda da faculdade processual. vinculando-se à análise da preclusão.

ao meritum causae[52]. enquanto outra narra que a palavra “questões” refere-se a qualquer “ponto de controvérsia no curso da lide”[53]. e às partes. Preclusão para o Juiz e para as Partes – Alcance dos artigos 471 e 473 do CPC Inexiste na legislação nacional uma sistematização sobre o instituto da preclusão. via de regra. Dentre os artigos existentes. excetuando. realizada a análise de alguma questão. já que o Código de Processo Civil brasileiro limita-se a fazer menções fragmentadas sobre o tema[45]. §4º[48] do CPC –. o que afastaria o cabimento do pedido de reconsideração. ainda. em seus incisos. de acordo com a combinação dos artigos 267. §3º[47] e 301. “insinua o veto de o juiz. o artigo possui redação confusa. misturou resoluções interlocutórias e sentenças definitivas”[51]. caput. Passada essa breve determinação do tema. Em suma: o artigo 471.1. a partir de agora. retratar as decisões proferidas no curso do processo”[49]. que tanta confusão causa na doutrina. cumpre-se. analisar a possibilidade de preclusão das questões do processo ao juiz. clamando-nos uma especial atenção: artigos 471 e 473 do CPC. convalida a afirmação de existência de preclusão que atinge o órgão jurisdicional[46].1. Primeiramente. o juiz estaria impossibilitado. Dentro desse quadro. exclusivamente. pois “falando de decisões. que a preclusão se opera em relação à impugnação da decisão. relativas à mesma lide”. Todavia. o CPC brasileiro está muito distante de ser um exemplo de rigor técnico e precisão lingüística. não a elas próprias[43]. que podem ser decretadas ex officio.praticado”[41]) e (c) lógica (“prática de ato incompatível com aquele que se pretenda exercitar no processo”[42]). de regra. O artigo 471 dispõe que “nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas. 2.3. . deixando margem para as mais diversas interpretações. “sendo de má técnica legislativa”[50]. parcela da doutrina aduz que o termo “questões” faz referência. de modificá-la – com exceção das matérias de ordem pública. segundo alguns doutrinadores. pois. sendo o dispositivo 471 um bom paradigma dessa imprecisão. dois possuem fundamental importância para o desenvolvimento do pedido de reconsideração. hipóteses de redefinição do julgado. Tal dispositivo. como é notório. Há de se ressaltar. fenômeno conhecido na doutrina como preclusão pro judicato – nomenclatura corretamente criticada por JOSE MARIA ROSA TESHEINER[44] –. aglutinando no mesmo período os conceitos carneluttianos de “questão” e de “lide”.

mesmo tendo em mente os conceitos expostos. está diretamente vinculado à pretensão processual da parte autora. De fato. corroborando tal entendimento. É de se ressaltar. CARNELUTTI. . classificada por LIEBMANN como “o mais ousado esforço feito até hoje para procurar identificar o conteúdo material do processo”[58]. Adicionando-se a tal quadro a pretensão de uma parte. mas que não se confunde com a lide[61]. de fato ou de direito”[60]. é solvido pelo magistrado em um único momento. com definitividade. em hipóteses alguma. a melhor interpretação do artigo 471 do CPC.. o objeto principal do processo e nela se exprimem as aspirações em conflito de ambos os litigantes”[55]. que vincula o termo “questão” àquelas situações referentes ao mérito da causa – que apenas são decididas na sentença –. via de regra. relativamente às terminologias utilizadas pelo CPC. segundo a teoria clássica de CARNELUTTI. acabando por desenlaçar que “o mérito é o complexo das questões materiais que a lide apresenta”[62]. possibilitando. a sua preclusão.] o que foi estatuído na sentença”. o termo “questões”.º 5.. nasce a lide. estar-se-á permitindo. embora não pareça a melhor opção sobre o tema. pois se duas ou mais pessoas têm interesse pelo mesmo bem. que para CARNELUTTI nada mais é que “[. Em sua obra. que o próprio inciso I do dispositivo emana: “[.. O meritum causae – não importando se aceite. significar qualquer decisão sobre ponto incidente no curso do procedimento. tem-se um conflito de interesses.. Ministro da Justiça do país à época da publicação da Lei n. antes de entregue a manifestação definitiva judicial.869/73. a possibilidade de prolação de sentenças parciais de mérito.. Veja-se que ALFREDO BUZAID[54]. todavia. e a sua resistência pela outra. questão. que a uma só possa satisfazer. é qualquer ponto controverso existente. [.] A lide é. Todavia. pelo que dispõem os artigos 2º[63] e 128[64] do CPC.] il conflitto di interessi tra due persone qualificato dalla pretesa dell'una e dalla resistenza dell'altra“[57]. que “o projeto só utiliza a palavra “lide” para designar o mérito da causa. Já CARNELUTTI engendrou seu conceito de lide a partir da idéia de “interesse”. realiza a análise do conceito de questão. definindo-o como “um ponto[59] duvidoso. ao nosso sentir. levando em consideração a impossibilidade de julgamento fracionado da demanda de acordo com a atual jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça[65] –. estando limitada. ao meritum causae. informa. restando claras as razões que conduzem a identificação do termo “questões” à resolução do objeto litigioso no caso concreto. a reanálise por parte do juiz de qualquer matéria decidida. não podendo. acatada uma ou outra corrente. já que acarretaria. não podendo ser outra a interpretação do artigo 471. Dessas breves notas. ou não. a possibilidade de reconsideração das decisões para o magistrado. que é a exigência da subordinação a um interesse próprio de um interesse alheio[56]. pelo menos no sentido do artigo 471.Tal discussão é de basilar importância para o pedido de reconsideração.. ao nosso sentir. ou não. portanto. após o estudo do conceito de pretensão e razão. pois. ou proibindo. o que ensejou a criação das duas correntes citadas. Como observado. é aquela dada pela primeira corrente citada. já se denota a ambígua redação do artigo em mote.

como destacado no item superior. mutatis mutandis. como dito acima. ambos do CPC. porque consiste na perda de uma faculdade processual: não se aplica ao juiz. salientando ser inútil “tentar encartá-las em categorias que se pretendam exaurientes”[69]. após a preclusão de determinada questão. momento pelo qual. A preclusão é sanção imposta à parte. retomem a sua discussão. sendo lógica. Síntese A doutrina.Veja-se uma decisão do Pleno do Supremo Tribunal Federal. pois. procurou estabelecer que apenas as questões passíveis de manifestação ex officio pelo magistrado poderiam ser reconsideradas. enquanto não acabar o seu ofício jurisdicional na causa pela prolação da sentença definitiva. ou seja. não se deve olvidar que são poucas as decisões judiciais prolatadas no curso do procedimento que . preclusa para a parte toda a questão decidida não atacada pelo recurso competente. Já para as partes. Para o juiz só opera a preclusão maior. em sentido contrário ao do artigo preteritamente analisado. mesmo que se entenda pela preclusão de questões para o juiz. 2. em todos os livros consultados. que.3. inviável o julgamento parcial da demanda. (grifo nosso). na linha de raciocínio até então exposta. já que. essa não parece ser a melhor resposta sobre o assunto. aplica-se perfeitamente ao tema: Acerca dos pressupostos processuais e das condições da ação. não há preclusão para o juiz. Ainda. não a estando presente até a prolação da sentença de mérito. apenas nos casos dos incisos dos artigos 463[72] ou 471. poderão ser alteradas as disposições sentenciais. o artigo 473 determina. apontando as principais hipóteses[68] em que se admitiria o pedido de reconsideração. a coisa julgada. a proibição de discussão acerca das questões preclusas “no curso do procedimento”. com exceção de questão decidida pelo órgão hierarquicamente superior[70]-[71]. Entretanto. expressamente. exigiu manifestação jurisdicional”[67]. A proposta do artigo em destaque tem como escopo impedir que as partes. Entende-se que não existe preclusão para o juiz.1. com razão as afirmações de SERGIO PORTO: “questão decidida representa todo o ponto controvertido que. Resta. citada por ARAKEN DE ASSIS[66]. no curso da lide. qualquer que seja o grau de jurisdição ordinária. Aqui. a impossibilidade de se tratar de “questões materiais (de mérito)” a redação desse dispositivo.2. impossibilitando a sua solução definitiva de maneira fracionada no andamento do processo.

podendo. que reconhece a aplicação do pedido de reconsideração. 2. do CPC. (RCDESP no AgRg no Ag 957. 471.g. é a testemunha da inexistência de preclusão para o juiz. §1º do CPC. assim como pelas decisões oriundas das Turmas Recursais. já que latente o transbordamento dos limites do pedido de reconsideração. julgado em 12/06/2008. §1º[76] e 296[77] do CPC. 2. em face da autorização legal estipulada. 163[78] da Lex Instrumentalis) proferidos pelos Tribunais[79]. apenas nos casos de ordem pública. como. retificar a sua decisão ex officio. não preclusa para a parte. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO. §2º[73] do CPC) e os despachos[74] (art. estando o juízo limitado pelo disposto nos artigos 2º e 128 do CPC. Ora. não são passíveis de reconsideração. DJe 23/06/2008) (grifo nosso).689/PA.não se tratam de matéria de ordem pública. qualquer tentativa de limitar o cabimento do pedido de reconsideração. mas. onde a parte prejudicada poderá solicitar a reconsideração do decisum que julgou liminarmente os pedidos da ação ou decretou o indeferimento exordial. com exceção dos casos dispostos em lei. decisão da Primeira Turma desta Corte que os rejeitou. caput. portanto.No caso. Atos atacados pelo Pedido de Reconsideração Dos argumentos asseverados nos pontos supras. e.4. 557. a decisão recorrida não é despacho que tenha rejeitado embargos de declaração. tendo em vista o teor do art. AGRAVO REGIMENTAL. não incide o instituto contra acórdãos (art. 1. na mesma linha de raciocínio exposta. 557. Ao contrário. com exceção. em se tratando de acórdão de Turma do Tribunal não é cabível pedido de reconsideração. 162. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA. 162. sendo possível a interposição do instituto contra decisão singular do magistrado. pode-se concluir que os únicos atos passíveis de pedido de reconsideração são as decisões interlocutórias (art. do CPC. nos termos do art.. sim. uma vez que a interposição desse pedido de reconsideração traduz erro . . Rel. NÃO-CABIMENTO. A prática forense. §3º[75] do CPC). nos artigos 285-A. QUARTA TURMA. restando inócua. § 1º. Pedido de reconsideração. que não é suscetível sequer de conversão em novos embargos de declaração. claro. As sentenças. Ainda. Nesse sentido manifesta-se a jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. Pedido de reconsideração não-conhecido. respectivamente: PROCESSUAL CIVIL. plenamente cabível pedido de reconsideração contra julgamento monocrático a que se refere o art. dos casos já mencionados. Não cabe pedido de reconsideração em sede de decisão colegiada.

2.JULG. não se pode transformá–la em sucedâneo do recurso cabível.NO AGRAVO DE INSTRUMENTO.REG. Esse é o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSO CIVIL. estará preclusa a questão para parte. PRECLUSÃO. Prazo Do breve estudo realizado sobre o tema da preclusão. Julgamento: 25/03/2003.º 11.5. quando já opostos embargos de devedor. SEG. os atos passíveis de pedido de reconsideração são as decisões interlocutórias.DOS EMB. DJ 02/05/2003) (grifo nosso). a qual não poderá mais requerer do juízo a sua reconsideração. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO. 4º. MOREIRA ALVES. §2º[82] e 522[83] do CPC). normalmente. NOMEAÇÃO DE BENS ACEITA PELO JUIZ. os despachos. Com efeito. tem-se que a parte poderá pedir a reconsideração de uma decisão singular até o momento anterior em que ela se torne preclusa[80]. no décimo segundo dia após a data de disponibilização da decisão no Diário de Justiça (de acordo com o art. §§ 3º e 4º da Lei n. por meio de petição.SÃO PAULO. Relator(a): Min. 184. o que. II – Ainda que. Desembargadores ou Ministros. seja possível a reconsideração de decisão judicial. não podendo fazê–lo meses depois. não importando se prolatadas por Juízes. Indeferida a realização de perícia técnica. Pedido de reconsideração não conhecido. e não interposto agravo dessa decisão.NO AG. se dará após o transcurso do prazo do recurso cabível contra a decisão a ser reconsiderada. EXECUÇÃO.DECL. torna–se preclusa para o exeqüente a oportunidade de insurgir–se contra a nomeação.crasso. Órgão Julgador: Primeira Turma. em princípio. quando já ultrapassado o prazo para a interposição . I – Sem ter interposto agravo contra a decisão de primeiro grau que aceitou os bens nomeados à penhora pelo executado. Pretores. PENHORA.419/06[81] c/c arts. as decisões monocráticas proferidas em sede recursal e as sentenças passíveis de reconsideração por expressa determinação legal. RECURSO ESPECIAL DESACOLHIDO. SUCEDÂNEO DO RECURSO CABÍVEL APÓS O PRAZO DESTE. (AI-AgR-ED-segundo julgamento 331409 / SP .

sobrevindo o julgamento do agravo distribuído no Tribunal. outro caso instigante seria. pela evolução do estudo até o momento. julgado em 16/12/1991. Ministro HÉLIO MOSIMANN. não incide. de acordo com a lei recursal pertinente. não tem a força de interromper ou suspender prazo recursal. 346) (grifo nosso). Tecnicamente. DJ 17/02/1992 p. Nesse ponto. Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. já que pendente de julgamento o agravo de instrumento. Interposição Simultânea com Recurso e Litigância de Má-fé Um ponto interessante sobre o tema em análise é a possibilidade de interposição concomitantemente do pedido de reconsideração e o recurso cabível na espécie.Apesar de o pedido de reconsideração poder fazer-se simultaneamente com a interposição de agravo. . Ademais. pois aquele é oriundo da praxe forense. PRAZO. 1367) O pedido de reconsideração. como visto.528/TO. quando o magistrado a quo. não se mostra incabível a interposição do pedido. quando feito isoladamente. Nota-se que a questão não estaria preclusa. estaria beirando as penas da litigância de máfé. Ainda. (REsp 13.117/CE. CONTAGEM. Rel. deve-se atentar pela diferenciação existente entre o pedido de reconsideração e a possibilidade de retratação do magistrado. é plenamente possível. Todavia. Ademais. DJ 27/08/2001 p. esta resta possibilitada da apresentação do pedido de reconsideração. fato reconhecido pela jurisprudência da Corte Superior: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. Com efeito. demora para analisar o pedido de reconsideração interposto. pelo acúmulo de serviço. no caso concreto. inclusive. enquanto não preclusa a questão para a parte. a priori. INICIO. sem que haja. “não se submete à incidência do princípio da singularidade. dever-se-á analisar as razões do pleito. 2. ainda.6. . julgado em 21/06/2001. (REsp 303. qualquer violação ao princípio da singularidade/unicidade.deste. podendo ser ajuizado em conjunto com outro meio de impugnação”[84]. enquanto esse funda-se na lei[86]. AGRAVO DE INSTRUMENTO. já que. o fenômeno da preclusão consumativa. a interposição do pedido de reconsideração após a interposição de agravo de instrumento e da manutenção da decisão agravada pelo juiz. não é recurso. Com efeito. QUARTA TURMA. pegando-se o mesmo exemplo referido acima. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO ISOLADO. Rel. SEGUNDA TURMA. à primeira vista. já que o pedido de reconsideração e o recurso possuem pretensões diversas[85]. ostentando natureza de sucedâneo recursal.

7. ser requerido por um terceiro e pelo Ministério Público[93]. não importando sua forma de participação no processo (parte ou custos legis). PRIMEIRA TURMA. 512[87] do CPC. Pedido manifestamente incabível. sob pena de aplicação da multa estipulada no artigo 18[91] do CPC. o pedido de reconsideração pode ser interposto por qualquer uma das partes.560/SP. . 17. Não se torna obrigatório. restando prejudicado pelo deferimento/indeferimento de alguma solicitação. o que caracterizaria o interesse de sua reforma. Essa é a orientação do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. Por fim. V e VI[89] do CPC) para conter eventuais abusos cometidos pelas partes[90]. 2. Contudo. O pedido de reconsideração é uma ferramenta profícua para resolução de diversos problemas que podem acontecer no desenvolvimento processual. Rel. não deve ser utilizado de maneira temerária pelas partes. 17. aplicação de multa (CPC. devendo os magistrados empregar o instituto da litigância de má-fé (art. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DECISÃO COLEGIADA QUE NÃO CONHECEU ANTERIOR PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO CONTRA DECISÃO COLEGIADA. IV. não conhecimento do pedido. ARTS. (RCDESP na RCDESP no AgRg no Ag 795. não há mais possibilidade de o juiz reconsiderar sua decisão. julgado em 21/02/2008. VI E 18).Nesse caso. pois operada “a substituição do ato impugnado pelo „julgamento‟ emanado do órgão ad quem”[88]. podendo. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI. portanto. inclusive. ressalta-se ser plenamente cabível a penalização da parte por utilizar de maneira impertinente o pedido de reconsideração. Legitimidade Diferente do aduzido por MARIA BERENICE DIAS[92]. desde que haja sucumbência na decisão. que o pedido de reconsideração seja formulado pela parte que teve sua solicitação inatendida pela primeira vez. DJe 12/03/2008) (grifo nosso). face ao disposto no art. O pedido de reconsideração é cabível por aquele que. vê-se prejudicado no curso processual.

após a simplificação da sistemática recursal formalizada no Código de 1973[97]. Contudo. sua proficuidade. a respeito do recurso próprio contra algum ato decisório”[100]). permitir o pagamento dos honorários periciais em parcela única. cite-se uma ação de cobrança com fulcro nas diferenças oriundas de expurgos econômicos. Dentro desse quadro. (b) inexistência de erro grosseiro (“interposição do recurso errado. v. Para sua aplicação.9. previa o instituto da fungibilidade. o perito. 2. sob pena de aplicação de multa diária de R$ 100. . o pedido de reconsideração será apreciado pelo magistrado titular da vara a qual a ação foi encaminhada pela distribuição. após a realização do laudo. 810[96]. até hoje. e não para o juiz plantonista que indeferiu a medida acautelatória. do revogado de CPC‟39. No caso de um processo no qual tenha sido indeferido o pleito liminar pelo juiz plantonista. desde que não esteja preclusa a questão. no caso concreto: (a) dúvida objetiva (“hipóteses controversas na doutrina e na jurisprudência. seja argumentando pela existência de obrigação específica na lei sobre o tema – aplicação do art. deverá existir. pode interpor pedido de reconsideração. Segundo NELSON NERY JÚNIOR[95]. em 15 dias. “partindo da falsa sensação de segurança derivada do esquema simples de correlação entre atos decisórios e recursos”[98]. especificamente. até mesmo um terceiro. como no caso de o juiz. o juízo competente para apreciação do pedido de reconsideração é o “juiz que proferiu a decisão que se pretende ver reconsiderada”. depois da solicitação do réu. quando o correto se encontra indicado expressamente no texto da lei”[101]) e (c) que o recurso impróprio seja interposto no prazo do recurso que se pretende transformá-lo[102].Como exemplo. tal instituto foi retirado de nosso ordenamento. na qual. Ademais.8.00 (cem reais). “mesmo à falta de regra expressa”[99]. o magistrado determina que a instituição financeira acoste aos autos os extratos bancários do período cobrado. seja questionando a sua exibição em demanda cautelar pretérita. do mesmo juiz que prolatou a decisão. Frisa-se que se trata do juízo e não.g. Aplicação do Princípio da Fungibilidade no pedido de reconsideração O art. 359[94] do CPC. mas residindo. Competência Outro ponto que merece atenção é a competência para a decisão sobre o pedido de reconsideração. por força de razões mais ou menos convincentes. 2. após o pedido do autor. plenamente cabível a interposição de pedido de reconsideração pela instituição financeira.

IMPOSSIBILIDADE. julgado em 26/08/2008. DJ 08/11/2002) (grifo nosso). de maneira paradoxal. (AI-AgR-ED 335512 / SP . REVISÃO.Em homenagem aos princípios da economia. face à ausência dos requisitos “a” e “b”. sendo que. dependendo do caso. o que obsta o reconhecimento de inexistência de erro grosseiro. EMB. pois em conflito interno acerca da uniformidade da questão. ao qual se nega provimento. da instrumentalidade e da fungibilidade pedido de reconsideração podem ser recebidos como agravo interno nos termos da jurisprudência desta Corte. a fungibilidade do pedido. toda a certeza da aplicação do tema na Corte Suprema não encontra ressonância no Superior Tribunal de Justiça. configurando equívoco inescusável da parte. Órgão Julgador: Primeira Turma. a inviablizar a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. FUNGIBILIDADE RECURSAL. Entretanto. contra acórdão proferido por Turma não tem amparo legal. Julgamento: 08/10/2002.Desta feita. agravo interno/regimental ou embargos de declaração. os meios impugnativos em que este poderia ser recebido estão categoricamente definidos em lei. Relator(a): Min. BEM DE FAMÍLIA. 2. I . III . . conforme denominado pela agravante. Rel. dúvida objetiva sobre o tema. PENHORA. (AgRg no Ag 999. encontra-se dividido sobre o tema.DECL. DJe 11/09/2008) (grifo nosso). não existindo.Agravo regimental improvido. Nesse sentido. veja-se: PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO. EXECUÇÃO.NO AG. previamente elencados. que. inexiste previsão legal do pedido de reconsideração. impossibilitando. MÓDULO RURAL. RECEBIMENTO COMO AGRAVO REGIMENTAL. sendo inviável o seu recebimento como agravo retido.SÃO PAULO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. POSSIBILIDADE. conforme está sedimentado no enunciado 7 da Súmula desta Corte. Ministro SIDNEI BENETI. portanto. Embargos de declaração conhecidos como agravo regimental. pode-se concluir que é impossível a aplicação do princípio da fungibilidade no pedido de reconsideração. IMÓVEL RURAL. manifesta-se de maneira pacífica o Supremo Tribunal Federal: A apresentação de "pedido de reconsideração".Em âmbito de recurso especial não há campo para se revisar entendimento assentado em provas. Ora.REG. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. SÚMULA 7/STJ.790/RJ. ELLEN GRACIE.NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. como corolário. existindo uma prevalência da possibilidade de reconhecimento do pedido de reconsideração como agravo regimental ou embargos de declaração. com o cotejo dos três elementos necessários para aplicação da medida. II . TERCEIRA TURMA.

prorrogando-se. Órgão Julgador: Segunda Turma. Não suspensão do prazo recursal.10. Agravo de instrumento. AG. essa não configura a melhor interpretação doutrinária sobre o assunto. não suspendendo nem interrompendo os prazos de interposição dos recursos cabíveis contra a decisão a ser reconsiderada. justamente. Rel. INOCORRÊNCIA. Julgamento: 04/12/2007. DJ 01/02/2008) Válido o questionamento. o que daria ensejo à possibilidade de recuperação do lapso a qualquer tempo[105]. 6. julgado em 20/05/2008. para evitar que a fluência do prazo recursal não reste ao alvedrio da parte. INTERRUPÇÃO DO PRAZO RECURSAL. RECURSO ESPECIAL. “sua pendência não impedirá a preclusão do direito de recorrer. Efeitos Em face da ausência de previsão legal.724/MG. Tal posicionamento é realizado. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. (REsp 984. ainda. Recurso adequado. quiçá infinitamente. DJe 02/06/2008) Agravo regimental em agravo de instrumento. PRIMEIRA TURMA. Relator(a): Min. mesmo existindo a possibilidade jurisprudencial de fungibilidade do pedido de reconsideração.Desse modo. Intempestividade. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. (AI-AgR 654382 / RS RIO GRANDE DO SUL. GILMAR MENDES. acerca da (in)existência de algum outro efeito recursal no pedido de reconsideração (devolutivo. Interposição após o julgamento da reconsideração. nem a decisão a seu respeito restituirá o prazo já vencido”. 5. a doutrina é pacifica em relação à inexistência de efeito suspensivo no pedido de reconsideração[103]. o início do dies a quo para interposição do recurso. 2. Precedentes.NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. Agravo regimental a que se nega provimento. não se pode admitir a existência de quaisquer efeitos inerentes aos recursos de maneira extensiva ao instituto. Conforme aduz ARAKEN DE ASSIS[104]. 4. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO. Pedido de reconsideração. mesmo que . Tendo em vista a ausência normativa sobre o assunto.REG. substitutivo e translativo). Juízo negativo de admissibilidade do recurso extraordinário. 2. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI. O posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal não diverge do que dito: PROCESSUAL CIVIL. obstativo. Agravo de instrumento. Recurso impróprio.

indiretamente. Dentro desse quadro. já que a matéria reapreciada deve. 2. violação ao princípio do contraditório. poder-se-ia suscitar a hipótese de violação ao princípio do contraditório nos casos de análise do pedido de reconsideração.11. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO. já que tranqüilo o entendimento de que a interposição de aclaratórios com finalidade de pedido de reconsideração não interrompe o prazo recursal. tal atitude do juízo não caracteriza. por si só. a intimação da parte adversa sobre os limites do pedido de reconsideração formulado. a fim de situar questão presente nos tribunais. sendo. esse segundo ato do juiz que acolheu o pedido de reconsideração se classificaria como decisão interlocutória e. Todavia. Porém. sendo lhe possibilitada a substituição de sua decisão anterior. “havendo prejuízo ou desvantagem. sendo desnecessária.12. PRAZO RECURSAL. INTERRUPÇÃO. em ato contínuo. teoricamente. 2. não se atendendo ao princípio do contraditório. decidida a questão. ter sido debatida em momento pretérito. também. realizada a discussão sobre determinado assunto. Destarte. o magistrado não realiza a intimação da parte contrária acerca do pedido de reconsideração postulado. antes de decisão sobre o pedido de reconsideração[108]. mister realizar a distinção entre o pedido de reconsideração e os embargos declaratórios. portanto. tem-se de ressaltar que nos casos em que realizada a juntada de novos documentos deverá o magistrado proporcionar a manifestação da parte contrária.no pedido de reconsideração esteja contida. portanto. versar sobre matérias de ordem pública. pois. a priori. a devolução da questão a ser analisada pelo magistrado. decidindo “logo após o pedido do requerente”[106]. na ausência de procedimento delimitado. travar-se-ia o mesmo embate feito anteriormente. não parece oportuna a necessidade de intimação da requerida para que analise o pedido de reconsideração feito pela requerente. O Princípio do Contraditório e o Pedido de Reconsideração Na prática. podendo. NÃO OCORRÊNCIA. Pedido de Reconsideração e Embargos de Declaração Derradeiramente. Nesse sentido: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. suscetível de impugnação pela via do agravo”[107]. Ainda. RECURSO .

099/95[112]). por isso. erro material e de fato). (REsp. podendo. Castro Meira. Recurso especial não conhecido.º 9. 3. 6. Aplicação da Súmula 284⁄STF e. verdadeiramente. é de se notar que nos embargos de declaração a parte embargante requer o suprimento de um erro material ou formal. um pedido de reconsideração. pela sua gênese. Min. porém não rebate a premissa firmada no acórdão recorrido no sentido de que o requerimento realizado era. “não servem para reiterar o já decidido”[110]. realizar uma série de questionamentos até então esquecidos pela doutrina. interrompem o prazo recursal não pode servir para mascarar meros pedidos de reconsideração nomeados de "embargos de declaração". PREMISSA NÃO ATACADA. 50 da Lei n. (assim como) percorrer todos os passos que conduziram à formação do ato para chegar a idêntico resultado”[111]. ainda. A recorrente alega que os embargos de declaração. o pedido de reanálise da decisão (pedido de reconsideração). 5. por analogia. objetivar a clarificação dos termos ou do dispositivo da decisão (obscuridade e dúvida). ser apto à modificação do decisum. DJ 04. portanto. ainda.235⁄PI. 2. obscuridade. Dos autos não constam a peça em referência – "embargos de declaração" – nem a decisão a que essa se refere. fugindo de seus limites a reanálise “dos termos do julgamento anterior. qualquer pedido de reconsideração interposto sob a alcunha de “embargos de declaração” não obterá o condão de interromper ou suspender. pedido de reconsideração e. Não se realiza.2007) (grifo nosso). na verdade. 463 do CPC). Considerações Finais Tentou-se. ou não. Pedido de reconsideração não é idôneo para a reabertura do prazo recursal. o agravo de instrumento interposto seria intempestivo. ainda que rejeitados. da Súmula 182⁄STJ. O Tribunal a quo considerou que a peça nomeada de "embargos de declaração" representou.10. 1. 4. positivado no artigo 535[109] do CPC. 964. a incongruência interna da decisão ou com a realidade dos autos (contradição. com o presente estudo. que pode. mas a falta de consideração de algum ponto crucial para o deslinde do feito (omissão). Recurso deficiente. 2ª Turma. omissão e dúvida. contra os casos de erro material ou erro de fato existente na sentença (art. a fluência do prazo recursal.DEFICIENTE. A jurisprudência desta Corte no sentido de que os embargos de declaração. pois o prazo recursal não teria sido interrompido. Os aclaratórios. interrompem o prazo recursal. ainda que rejeitados. ou. O recurso de embargos de declaração. tem cabimento nos casos de contradição. de um fenômeno corriqueiro nos corredores forenses. Com efeito. . podendo ser interposto. 3. rel. ainda. nos casos dos Juizados Especiais (art. Da ciência de suas hipóteses de cabimento.

2ª ed. Araken de. Ao fim. Referências Bibliográficas ASSIS. 310. Fora posicionamento duvidoso do Superior Tribunal de Justiça. Sua utilização temerária deve ser coibida. 4. Exposição de Motivos do CPC de 1973. normalmente célere. __________. p. 7-37. inexiste preclusão de questões para o juiz – salvo alguns casos –. rigorosamente. já que.. mostrando-se muito útil como meio de resolução. Brasília. Alfredo. e alguns tipos de sentença (arts. v. Introdução aos Sucedâneos Recursais. que prescinde de forma e requisitos para sua análise. de maneira célere e eficaz. 1972. nota-se que o pedido de reconsideração. agosto. 1956.O pedido de reconsideração é um sucedâneo recursal. In: Revista Jurídica. não podendo rediscutir questões que sejam de matéria disponível das partes. restando vedado contra decisões colegiadas. devendo ser utilizado com cautela pelas partes. __________. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. BUZAID. o pedido de reconsideração não admite fungibilidade. ao contrário do que amplamente divulgado. não se encontrando óbices para sua interposição concomitante com recursos. contudo. em um poder judiciário cada vez mais assoberbado pelo acúmulo de demandas. Manual dos Recursos. sob a qual tenha se operado a preclusão – de acordo com o artigo 473. é um instrumento útil para resolução de qualquer problema existente ao bom andamento processual. podendo atacar tanto decisões interlocutórias quanto despachos. . estando. pelo poder judiciário. São Paulo: Saraiva. Do Agravo de Petição na Sentença do Código de Processo Civil. 2007. Buscou-se demonstrar que. O pedido de reconsideração não suspende e nem interrompe a interposição do meio legal de impugnação da decisão. para problemas ocorridos no processo. 285-A e 296 do CPC). Porto Alegre. limitada a sua atuação pelos artigos 2º e 128 do CPC. possibilita a correção de erros que somente após longo e burocrático trâmite recursal seriam modificados. 2003.

Instituições de Direito Processo Civil. Giusepe. 2000. 1957. 327-338. 2003 v. Il concetto di „lite‟ nel pensiero di Francesco Carnelutti. In: Opere Giuridiche. Anno XI. 1943. CARNELUTTI. I. Antônio. 4. inclusive de acordo com o novo Código Civil. v. Instituzione di Diritto Processuale Civile. Sistema de Direito Processual Civil. CUNHA. Leonardo José Carneiro da. Forense: Rio de Janeiro. 2. DALL‟AGNOL. Tradução: Hiltomar Martins Oliveira. julho. v. p. CINTRA. Habscheid. t. 200-226. DE STAFANO. rev. CHIOVENDA. atual. 3. II. 3. 102 a 242. Do Processo de Conhecimento. Arts. São Paulo: Classic Book.° 122. __________. Francesco. Napoli: Morano Editore. In: Revista Trimestrale di Diritto Processuale Civile. 1969. 2003. 2. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. ed. Comentários ao Código de Processo Civil. v. Antonio Carlos de Araújo. Piero. São Paulo. Comentários ao Código de Processo Civil.berenicedias.com. . p. IV. L’oggetto del processo in un libro recent di Walter J. In: Revista Dialética de Direito Processual. v.br. 100-112. Padova: CEDAM. Disponível na Internet em: http://www.CALAMANDREI. 1. O Pedido de Reconsideração e suas Hipóteses de Cabimento. v. Arts. Giuseppe. p. ed. 2000. n. 332 a 475. São Paulo: Saraiva. Acesso em 23 de Outubro de 2008. 1965.

LACERDA. São Paulo: Saraiva. Comentários ao Código de Processo Civil brasileiro: Arts. II serie. São Paulo: Saraiva. 1995. 1947. 80. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Sobre o pedido de reconsideração (sucedâneo de recurso?). . rev. Instituições de Direito Processual Civil. MARINONI. 2005. MITIDIERO. In: Revista de Processo. São Paulo: Saraiva. 62. L’oggetto del processo nel diritto processuale civile tedesco. rev. 299-306. 236-244. HABSCHEID. 2005. LIEBMAN. 452-464. 45. 1991. Vicente.2004 (DOU de 31. Despacho Saneador. 5.12. GREGO FILHO. 2000. 2. Direito Processual Civil brasileiro. Daniel Francisco. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. GIANNICO. t. ed. p.2004). Tereza Cristina.12. Enrico Tullio. 12. DONNINI. Pedido de Reconsideração. 3ª ed. outubro-dezembro. Galeno. Walter J. 154 a 269. atual. Porto Alegre: La Salle.DINAMARCO. Cândido Rangel. II. 2005. de acordo com a emenda constitucional n. Rogério. In: Revista de Processo. 1980. 1953. In. n. de 8. 1997. São Paulo: Malheiros Editores. Estudos sobre o Processo Civil Brasileiro. ed. p. p. abril-junho. A Preclusão no Direito Processual Civil Brasileiro. n. São Paulo: Malheiros Editores. O conceito de Mérito em Processo Civil. __________. Maurício. São Paulo: Memória Jurídica Editora. v.: Rivista di Diritto Processuale. atual. In: Os fundamentos do Processo Civil Moderno.

154 a 269. 135-137. __________./ago. inclusive de acordo com o novo Código Civil. Arts. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. tir. 10. Teresa Arruda Alvim. Pedido de Reconsideração e Preclusão Pro Judicato no Processo Civil. NERY JÚNIOR. n. 3. rev.MONIZ DE ARAGÃO. e reform. 2004. O Contraditório nos Recursos e no Pedido de Reconsideração. Francisco Calvalcanti. Do Formalismo no Processo Civil. atual. jul. Forense: Rio de Janeiro. ed. 103-109. PONTES DE MIRANDA. 1997. PEREIRA. Comentários ao Código de Processo Civil. p. 2003. 2003. V. aument. Carlos Alberto Alvaro de.. 1988. Atualização Legislativa de Sérgio Bermudes. Comentários ao Código de Processo Civil. Arts. V. II. 1991. Achados na Lei. Nelson. ed. 42. . OLIANI. 476 a 565. 2007 OLIVEIRA. v. 6. Agravo de Instrumento. atual. ampl. Arts. 444 a 475. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. p. t. ano VII. Almir de Lima. Flávia Moreira Guimarães. In: Revista IOB de Direito Civil e Processual Civil. 2. atual. PINTO. ed. PESSOA. Comentários ao Código de Processo Civil. 2. São Paulo: Saraiva. Teoria Geral dos Recursos. José Carlos Barbosa. 2006. 2005. 11. rev. Rio de Janeiro: Forense. e acrescida de apêndice. Forense: Rio de Janeiro.Rio de Janeiro: Forense. 2008. rev. 1. MOREIRA. José Alexandre Manzano. Teoria e Prática da Tutela Jurisdicional. rev. v. D. inclusive de acordo com o novo Código Civil. E. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. ed. ed. Belém: Edições CEJUP. ed.

p. VASCONCELOS. [5] WAMBIER.PORTO. ed. 1991. 88-89. 54. Araken de. 6. [6] Nesse sentido: NERY JÚNIOR. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. ampl. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.tex. Disponível na Internet em: http://www. In: Revista Jurídica. tir. Notas sobre os embargos de declaração no Código de Processo Civil brasileiro. 40. Barcelona: Bosch. 88-89.pro. n. Barcelona: Bosch. 2.187/2005). 2007. 155-165. 2004. p. ampl. p. Exposições de Motivos do CPC. 2006. De acordo com a nova Lei do Agravo (Lei n. [3] ASSIS. Os agravos no CPC brasileiro.. In: Revista . SILVA. p. atual. Nelson. PINTO. n. p. rev. direito material e processo. Daniel. rev. ed. junho. Porto Alegre. MARINONI. Darci Guimarães. Sobre o pedido de reconsideração (sucedâneo de recurso?). 31. Os agravos no CPC brasileiro. Acesso em 17 de Outubro de 2008. 344. v. Manual dos Recursos. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 4. WAMBIER. p. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 2004. 2000. Antônio Vital Damos de. 220. Comentários ao Código de Processo Civil. ed. 479. O Pedido de Reconsideração e a Preclusividade das Decisões Judiciais. Teresa Arruda Alvim. ed. 89. Teresa Arruda Alvim. [4] ASSIS. Darci Guimarães. Rio de Janeiro: Forense.º 11. 2006. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. p. 444 a 495. p. p. In: Revista da AJURIS. ano XIV.br. 1. n. 835. 6. julho. La Pretension Procesal y La Tutela Judicial Efectiva: Hacia una Teoría Procesal Del Derecho. Tereza Cristina. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. atual. 2004. cit. ampl. Agravo de Instrumento. e reform. USTÁRROZ. Ovídio Araújo Baptista da.187/2005). São Paulo. RIBEIRO. Teresa Arruda Alvim.º 5. ALFREDO. Jurisdição. [1] RIBEIRO. Do Processo de Conhecimento. op. 1987. Teoria Geral dos Recursos. 4.º 11. [2] BUZAID. Arts. atual. 2006. 55-66. Sérgio Gilberto. v. La Pretension Procesal y La Tutela Judicial Efectiva: Hacia una Teoría Procesal Del Derecho. de acordo com a nova Lei do Agravo (Lei n. 2008.

. 479. 13). ampl. p.] il giurista deve attenersi a quanto il legislatore dichiara: le sue sono possibilità ristrette peché deve ubbidire alle legge. p. [..] pode transformar-se em grave deformação da ordem processual. No mesmo sentido: WAMBIER. Antônio Vital Damos de. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 89. Acesso em 23 de Outubro de 2008. PESSOA. [8] Para ALMIR DE LIMA PEREIRA (Achados na Lei. p. DIAS. ed. In. Flávia Moreira Guimarães. 2006. In: Revista Jurídica. p. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. [12] Sobre a importância de análise de exemplos práticos. esquecem-se com freqüência de que a linguagem humana. p. jul. 2004. [11] HABSCHEID (L‟oggetto del processo nel diritto processuale civile tedesco. ano XIV. OVÍDIO ARAÚJO BAPTISTA DA SILVA (Jurisdição. ano VII. NERY JÚNIOR. 1980. p. Porto Alegre. 1988. p. é por natureza ambígua..º 11. Maria Berenice. 2006. 2006. 2) ensina que: “é claro que teorizar é tão importante .. ed. v. 40. Agravo de Instrumento. [9] VASCONCELOS. In: Revista IOB de Direito Civil e Processual Civil. USTÁRROZ. Reconsideração versus Revisão: uma distinção que se impõe. CUNHA. ma con una ubbidienza critica”. abril-junho. O Pedido de Reconsideração e a Preclusividade das Decisões Judiciais. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Belém: Edições CEJUP. [10] PINTO. José Alexandre Manzano. atual. 4. Teoria Geral dos Recursos. atual. 300. pois. 344. OLIANI.com. II serie. testarem a correção e. explica ser “[. ed.br. p. 2008. e reform.. Os agravos no CPC brasileiro. Teresa Arruda Alvim. 12. 1991. p. São Paulo. 137): “o pedido de reconsideração não tem validade jurídica. a coerência de suas construções”. In: Revista Dialética de Direito Processual. p. No mesmo sentido. rev. ampl. 6.316) aduz que o pedido de reconsideração “[. p. 2003. In: Revista da AJURIS. O Pedido de Reconsideração e suas Hipóteses de Cabimento. 62. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 2.] conveniente esta imersão no mundo concreto da experiência. junho. como fórmula salvadora contra o risco de reproduzirmos o estilo seguido pelos juristas acadêmicos que. 103. p. não traçado como figura de juízo repele todos os princípios processuais que não o admitem”. em suas grandes construções teóricas. n. 2007. Nelson.. Rio de Janeiro: Forense. Teresa Arruda Alvim. 221. Pedido de Reconsideração e Preclusão Pro Judicato no Processo Civil. Notas sobre os embargos de declaração no Código de Processo Civil brasileiro./ago. 1991. julho.. de. 458) argumenta que“ [. 1. Direito Material e Processo. VICENTE GREGO FILHO (Direito Processual Civil Brasileiro.. rev. Disponível na Internet em: http://www. julho. Leonardo José Carneiro da. 4. p. n. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 42. através de exemplos objetivos. mais do que isso. anche se non come uno schiavo. tir. especialmente a jurídica. O Contraditório nos Recursos e no Pedido de Reconsideração. v. imprópria e deve ser banida da prática forense”. p. Rio de Janeiro: Forense.berenicedias.] tal medida é atípica. n. 2008. 155. São Paulo. ed. 1987. sem terem presente a conveniência. 143. 59.. 54. n.187/2005). 1997. atual.: Rivista di Diritto Processuale. 100. CARLOS ALBERTO ALVARO DE OLIVEIRA (Teoria e Prática da Tutela Jurisdicional.de Processo. De acordo com a nova Lei do Agravo (Lei n. Daniel.

DIAS. v.htm [18] Conforme ARAKEN DE ASSIS (Manual dos Recursos. que se orientam pelas necessidades do momento. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Teoria Geral dos Recursos. 2007. O Contraditório nos Recursos e no Pedido de Reconsideração. Introdução aos Sucedâneos Recursais. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. p. p. 838) “o verdadeiro sucedâneo recursal é o mecanismo que. [19] NERY JÚNIOR. ed. Acesso em 23 de Outubro de 2008.com. Nelson. atual. possa ser revogada. por tal razão. o dispositivo 528 da Lei 65RS. Araken de.uc. In: Revista Jurídica. A sentença interlocutória simples pode ser revogada antes de executada. [15] ASSIS. p.. mas sim um novo pronunciamento judicial com base em uma nova situação processual criada pela ampliação do grau cognitivo pelas novas provas e/ou fatos agregados ao processo”. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.ci. encerrados nos preconceitos dos gabinetes climatizados. como acima temos dito. 528. atual. p. 2004. Para o autor. Saudável é. e reform. e reform. Nelson. podel-o-ha fazer a todo tempo se achar per Direito. 864.berenicedias.pt/ihti/proj/filipinas/l3p666. 89-90. Disponível na Internet em: http://www. 863. com tanto que a revogue antes da sentença deffinitiva. 2003. que não querem enxergar o mundo real e suas mazelas. tinha a seguinte redação: “Art. ampl. ampl. Manual dos Recursos. nota 172. [. por justa causa superveniente. eventual decisão superveniente sobre a mesma matéria não será mera reconsideração. O que se deve rejeitar são os extremos: o direito dos rábulas e dos práticos. 2007. 6. ed.quanto extrair conseqüências práticas. 166.01. 2007. agosto. que. propriamente. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 24).” Disponível em http://www1. de um pedido de reconsideração. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. [13] OLIANI.] havendo alteração do quadro fáticoprobatório. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. que segundo Direito. ou os direitos dos doutores. . Teoria Geral dos Recursos. p.1908. “se o pedido de reconsideração vier acompanhado de provas novas sobre fatos antigos e/ou de provas novas sobre fatos novos não será.. e ella seja tal interloentoria. 91 e 96. impugna o provimento judicial sem criar processo autônomo”. 6. Maria Berenice. [16] NERY JÚNIOR. até a sentença definitiva”. José Alexandre Manzano. 310.br. 2007. que não foi justamente dada. de 16. uma vez que o aporte aos autos de provas e/ou fatos novos aumenta o grau de cognição do juiz. fato e valor. ou a requerimento da parte ou ex officio. entre teoria e prática”. 2004. [20] De acordo com ARAKEN DE ASSIS (Manual dos Recursos. sim. p. Porto Alegre. . alheio ao quadro oficial de recurso. estará autorizado a proferir uma nova decisão à luz desse novo contexto processual. pensar dialeticamente a relação entre direito. Reconsideração versus Revisão: uma distinção que se impõe. p.

ed. Redação dada pela Lei n. è familiare.º 11. 2005. São Paulo: Saraiva. In: Revista Dialética de Direito Processual. [30] GIANNICO. p. 4. 2005. ed.187/2005. p. §2º do CPC. 3. In: Revista Trimestrale di Diritto Processuale Civile. 1957. relativas à mesma lide. p. L’oggetto del processo in un libro recent di Walter J. p. Os agravos no CPC brasileiro.se. [32] DE STAFANO. Maurício. Teresa Arruda Alvim. 481. 2005. Comentários ao Código de Processo Civil brasileiro: Arts. 2006.” [33] CHIOVENDA. Nelson.. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.] il concetto di preclusione non ha avuto. 2. também em WAMBIER. A Preclusão no Direito Processual Civil Brasileiro. per merito del Chiovenda e di altri insigni studiosi. A Preclusão no Direito Processual Civil Brasileiro. [25] NERY JÚNIOR. p. Os agravos no CPC brasileiro. atual. É defeso à parte discutir. 2003. 133. Daniel Francisco. 155-156. Teoria Geral dos Recursos. v.187/2005). atual. Habscheid. 4. Giusepe. 4. l’ampiezza di impostazione e di sviluppo che a noi. 91. as questões já decididas. sobreveio modificação no estado de fato ou de direito. Sobre o assunto. [29] Art. p. [22] WAMBIER. 1969. salvo: I . p. . Giuseppe. atual. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Anno XI. fuori d’Italia. tir. proferida nos casos dos incisos II e III do caput deste artigo. somente é passível de reforma no momento do julgamento do agravo. Maurício. A decisão liminar. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. ed. caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença. 480.[21] CUNHA. e distribuído incontinenti. 222. [28] Art. salvo se o próprio relator a reconsiderar. o relator: [. 473. de acordo com a nova Lei do Agravo (Lei n. Leonardo José Carneiro da. 100-101. 184.. t. de acordo com a nova Lei do Agravo (Lei n. ed. 36. 154 a 269.] Parágrafo único. Recebido o agravo de instrumento no tribunal. 471.nos demais casos prescritos em lei. 337. 3. a cujo respeito se operou a preclusão. 1. p. São Paulo: Saraiva. [31] MITIDIERO. São Paulo. rev. O Pedido de Reconsideração e suas Hipóteses de Cabimento. 6. Teresa Arruda Alvim. [27] GIANNICO. [23] Artigos 285-A. ampl. ampl. p. julho. interessante as palavras do autor: “[. [26] PINTO. Instituições de Direito Processo Civil. Teresa Arruda Alvim. São Paulo: Saraiva. rev. no curso do processo. 527.187/2005). 1991.. 296 e 523. São Paulo: Memória Jurídica Editora. II . e reform. ampl. [24] Art.º 11. 2006. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 2.. p.º 11. 2004. v. Agravo de Instrumento. tratando-se de relação jurídica continuativa.

ed. 2.187/2005). ed. [41] WAMBIER. 2004. [36] DALL‟AGNOL. 2006. p. Comentários ao Código de Processo Civil. Teoria Geral dos Recursos. ed. rev. atual. A Preclusão no Direito Processual Civil Brasileiro. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Os agravos no CPC brasileiro. 36. 2000./ago. atual. [35] WAMBIER. judicato significa julgado. Cândido Rangel. Teresa Arruda Alvim. de acordo com a emenda constitucional n.º 11. v. 329. São Paulo: Saraiva. e reform. 2004. Direito Processual Civil Brasileiro. p. 104. Em latim. ampl. preclusão “pro judicato”. rev. Os agravos no CPC brasileiro. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. p. e reform.457. como ocorre na hipótese do artigo 474 do Código de Processo Civil. p. Do Formalismo no Processo Civil. rev. Nelson. Instituições de Direito Processual Civil. Pedido de Reconsideração e Preclusão Pro Judicato no Processo Civil. 169-170. de acordo com a nova Lei do Agravo (Lei n. [39] WAMBIER. [. rev. jul.] Admitindo-se que haja preclusão para o juiz. 474. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 2006. Instituições de Direito Processual Civil.2004). Carlos Alberto Alvaro de. p. São Paulo: Saraiva. Teresa Arruda Alvim. 2003. p.. em bom português: “preclusão para o juiz”. e acrescida de apêndice. Antonio. Acesso em 17 de Outubro de 2008. 102 a 242. 2006. rev. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. significa julgamento implícito ou presumido. Do Processo de Conhecimento. II. v. ano VII. de 8. ed. p.. ed. Cândido Rangel.187/2005).[34] GREGO FILHO. 45. 6. 2. 12. 5. Os agravos no CPC brasileiro. [37] PESSOA. atual. ed. de acordo com a nova Lei do Agravo (Lei n. em mau latim”.º 11.º 11. 2006. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 6. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 42. atual.pro. 5. não há “preclusão pro judicato”. [38] OLIVEIRA. ed. [43] DINAMARCO... p. 1997. 4. [44] “Preclusão pro judicato não significa preclusão para o juiz. 2005. juiz é iudex (nominativo) ou iudicem (acusativo). atual. ed. atual. ampl. Disponível na internet: http://www. São Paulo: Malheiros Editores. 92. 477. Preclusão pro judicato significa “preclusão como se tivesse sido julgado”. Nelson. atual. p.br. Vicente. ampl.187/2005). diga-se.tex. São Paulo: Saraiva.] Se houve decisão. e ocorreu preclusão. 477. de acordo com a emenda . ampl. não. rev. Maurício.12. Teresa Arruda Alvim. nota 7. ed. No mesmo sentido: DINAMARCO. ampl. 4. Teoria Geral dos Recursos.2004 (DOU de 31. [45] GIANNICO. 2005. 12. n.. de acordo com a nova Lei do Agravo (Lei n. 92. rev. [42] NERY JÚNIOR. [40] NERY JÚNIOR. [. Arts. atual. porque esta supõe ausência de decisão Preclusão pro judicato. Flávia Moreira Guimarães. 4. p. In: Revista IOB de Direito Civil e Processual Civil.12. p.

p. Arts.. 1997. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. porém. [53] PORTO. 444 a 475. p. sem resolução de mérito: [. In: Revista Dialética de Direito Processual. ora proibida. 444 a 475. 1997. 2005. todavia. 1987. 1953. 267. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. O Pedido de Reconsideração e a Preclusividade das Decisões Judiciais. Comentários ao Código de Processo Civil.2004 (DOU de 31. inclusive de acordo com o novo Código Civil.” De forma uníssona: PONTES DE MIRANDA. Atualização Legislativa de Sérgio Bermudes. 2. portanto. Compete-lhe. rev. o juiz conhecerá de ofício da matéria enumerada neste artigo. Extingue-se o processo. Manual dos Recursos. In: Revista da AJURIS.] § 3o O juiz conhecerá de ofício.] § 4o Com exceção do compromisso arbitral. Francisco Calvalcanti. p. 155. ed. 2007. Porto Alegre. 863 e Introdução aos Sucedâneos Recursais. 2007. [51] PONTES DE MIRANDA. p. Despacho Saneador.. n. v. 301. 316. Comentários ao Código de Processo Civil. Arts. 40. de modo que a nova decisão de questões já decididas. ano XIV. GIANNICO. Rio de Janeiro: Forense.. Antônio Vital Damos de. o conflito existente entre as partes fora do processo e . Araken de. 145-146. IV. agosto. Rio de Janeiro: Forense. Leonardo José Carneiro da. o réu que a não alegar. [46] Nesse sentido: CUNHA. p. [49] ASSIS. p. 2000. 45. p. t. [52] CINTRA. V e Vl. IV. 1956. José Alexandre Manzano. t. Forense: Rio de Janeiro. 146 e ss. 165-166. São Paulo. [48] Art. v. 332 a 475. São Paulo: Saraiva. da matéria constante dos ns. 310. rev. Sérgio Gilberto. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. aument. 24.12. O Contraditório nos Recursos e no Pedido de Reconsideração.2004). 2003. 103. VASCONCELOS. antes de discutir o mérito. “o elemento que delimita em concreto o mérito da causa não é. OLIANI.. Arts. A Preclusão no Direito Processual Civil Brasileiro. In: Revista Jurídica. 2003. atual. p. responderá pelas custas de retardamento. de 8. [47] Art. Porto Alegre. 206. [50] PONTES DE MIRANDA. LACERDA. V. julho. julho. Arts. 146. p. São Paulo: Malheiros Editores. p. em qualquer tempo e grau de jurisdição.12. v. p. V. Francisco Calvalcanti. Antonio Carlos de Araújo. II. 6. v. 444 a 495. Atualização Legislativa de Sérgio Bermudes. Comentários ao Código de Processo Civil. v. Porto Alegre: La Salle. Do Processo de Conhecimento. 96-103). 134. Comentários ao Código de Processo Civil. aument. enquanto não proferida a sentença de mérito. ed. ed. p.constitucional n. [54] Para BUZAID (Do Agravo de Petição na Sentença do Código de Processo Civil. São Paulo: Saraiva. p. 4. Aduz o autor: “questões relativas à lide são sempre questões de mérito e o juiz só as decide em sentença. 146. 2ª ed. Maurício. O Pedido de Reconsideração e suas Hipóteses de Cabimento. rev. alegar: [. 2005. 3. Galeno. 2003. p. cit. na primeira oportunidade em que lhe caiba falar nos autos. 3. Op...457-458. seria posterior à prolação da sentença.

não suscitadas. extinguindo. [61] CALAMANDREI. não há que se falar em fracionamento da sentença/acórdão. Sistema de Direito Processual Civil. sendo-lhe defeso conhecer de questões.CPC. Padova: CEDAM. Napoli: Morano Editore. [59] Nessa senda.A coisa julgada material é a qualidade conferida por lei à sentença /acórdão que resolve todas as questões suscitadas pondo fim ao processo. n. 163. São Paulo: Saraiva. p. [62] DINAMARCO. (grifo nosso). porém. [56] CARNELUTTI. [58] LIEBMAN. nos casos e forma legais. 252. 3ª ed. p. todavia. havendo contestação de algum ponto por uma delas.TRÂNSITO EM JULGADO DA ÚLTIMA DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS . 126. cit. a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte.. Francesco.é.º 06. O conceito de Mérito em Processo Civil. 39.. de Relatoria do Ministro Francisco Peçanha Martins. o que . 269 E 495 . 2000. [64] Art. de-ofício. 1947. Parece-nos. In: Os fundamentos do Processo Civil Moderno. DJ 09/06/2003. portanto. Il Concetto di „lite‟ nel Pensiero di Francesco Carnelutti. Estudos sobre o Processo Civil Brasileiro. [65] Recurso Especial n. São Paulo: Classic Book. p. e de direito. p.777/DF. Op. 162.sim. Há questões de fato. p.SÚMULA 100 TST – PRECEDENTES STF E STJ. . São Paulo: Malheiros Editores. In: Os fundamentos do Processo Civil Moderno. v. pois. que o conceito de lide se presta de modo fecundo a caracterizar o mérito da causa”.° 122. 1965. que restou assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL . legitimidade perante norma hierarquicamente superior etc”. 77. ARTS. o ponto duvidoso. Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o interessado a requerer. que segundo DINAMARCO (O conceito de Mérito em Processo Civil. Discordes as partes. 267. I. o pedido feito em relação àquele conflito. à interpretação de textos. correspondentes à dúvida quanto a uma assertiva de fato contida nas razões de alguma das partes.º 404. Tradução: Hiltomar Martins Oliveira. [60] CARNELUTTI.] aquele fundamento da demanda ou da defesa que haja permanecido incontroverso durante o processo. [55] BUZAID. 81. [63] Art. 2000. da 02ª Turma. p. n.Sendo a ação una e indivisível. p.PRAZO PARA PROPOSITURA – TERMO INICIAL . v. 3ª ed. Instituzione di Diritto Processuale Civile. i. Tomo II.. [57] CARNELUTTI. torna-se curial ressaltar a correta definição de ponto. 212. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta. . ALFREDO. In: Opere Giuridiche.RECURSO ESPECIAL – AÇÃO RESCISÓRIA . 2000. Cândido Rangel. o ponto se erige em questão. 2o. São Paulo: Malheiros Editores. posto em dúvida o fundamento. Piero. 1943. 1. A questão é. Exposições de Motivos do CPC. Julgado no dia 21/11/2002. 240) é “[. Francesco. 128. sem que as partes tenham levantado discussão a respeito – e sem que o juiz tenha. a lide. que correspondem à dúvida quanto à pertinência de alguma norma ao caso concreto. Enrico Tullio.

301. Porto Alegre. p. Relator Alfredo Buzaid. 24. AGRAVO PROVIDO DE PLANO.. (f) direito probatório. [71] Nesse sentido a jurisprudência do TJRS: PROCESSO CIVIL. Rogério. p. 310. outubro-dezembro. [67] PORTO. e Introdução aos Sucedâneos Recursais. 218. 28. seja mediante implementação das situações determinadas pela autoridade mais elevada.º 11. 242. ASSIS. toda e qualquer manifestação do órgão inferior – especialmente se conflitante – acerca da matéria já julgada por um órgão superior”. p. 80. 56) que “decidida qualquer questão em grau superior. v. 2005.Publicada a sentença. Julgado em 24/07/2006) [72] Art. (h) validade e adequação das medidas executivas. o direito de propor a ação rescisória se extingue após o decurso de dois anos contados do trânsito em julgado da última decisão proferida na causa. Incidência da preclusão hierárquica. 2003.por meio de embargos de declaração. Manual dos Recursos. atual. Nona Câmara Cível. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. [74] DONNINI.Recurso especial conhecido e provido”.afasta a possibilidade do seu trânsito em julgado parcial. Há de ser tida como inoportuna e ilegal. ed. [66] Pleno do STF. II . de ofício ou a requerimento da parte. v. Entendimento consagrado no STF. (b) matérias suscitadas em preliminar de contestação – art. PRECLUSÃO HIERÁRQUICA. (g) nulidades absolutas e relativas. [69] WAMBIER. 864. 444 a 495. STJ e TST. seja tornando sem efeito decisões conflitantes anteriormente proferidas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Pedido de Reconsideração. 6 [68] São elas: (a) condições de ação e pressupostos processuais. 4. Teresa Arruda Alvim. caberá aos Juízos inferiores simplesmente dar cumprimento a tais decisões. ampl. . In: Revista Jurídica. (e) requisitos de admissibilidade dos recursos e seus efeitos. 2000. inexatidões materiais. resolve questão incidente. 2006. . sob tal enforque. p. agosto.1982. São Paulo: Saraiva. 2007. 485. Relator: Marilene Bonzanini Bernardi. Arts. [70] Explica MAURÍCIO GIANNICO (A Preclusão no Direito Processual Civil Brasileiro. . p.. ou lhe retificar erros de cálculo. É defeso ao magistrado decidir novamente no curso do processo questões já resolvidas pelo tribunal. Araken de. nota 178. no curso do processo. 495 do CPC. rev.para lhe corrigir. Sérgio Gilberto. n. (d) determinação do reexame necessário. 1995. Os atos do juiz consistirão em sentenças. AgRg no AI 268-DF.Consoante o disposto no art.187/2005). Do Processo de Conhecimento. Os agravos no CPC brasileiro. Tribunal de Justiça do RS. (Agravo de Instrumento Nº 70016174922. nota 115. (c) antecipação de tutela e medidas liminares. de acordo com a nova Lei do Agravo (Lei n. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. o juiz só poderá alterá-la: I .]§ 2o Decisão interlocutória é o ato pelo qual o juiz.04. In: Revista de Processo. 162. 463 . [73] Art. §4º. p. Comentários ao Código de Processo Civil. decisões interlocutórias e despachos. [. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.

[. Indeferida a petição inicial. o recurso especial será processado nos termos deste artigo. a cujo respeito a lei não estabelece outra forma. [76] Art. Quando a matéria controvertida for unicamente de direito e no juízo já houver sido proferida sentença de total improcedência em outros casos idênticos. 543-C. Recebe a denominação de acórdão o julgamento proferido pelos tribunais. para publicação de atos judiciais e administrativos próprios e dos órgãos a eles subordinados..[75] Art. Salvo disposição em contrário..] § 7o Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça.. na forma retida. [.] § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia. o autor poderá apelar. reformar sua decisão. os recursos especiais sobrestados na origem: [. Das decisões interlocutórias caberá agravo. excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento. [80] Em sentido contrário: OLIANI. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. no prazo de 10 (dez) dias.. não autorizam a interposição do pedido de reconsideração contra decisões colegiadas. reproduzindo-se o teor da anteriormente prolatada... §7º II (Art. não há requisitos de forma a serem observados”. 522. observado o disposto neste artigo. 163.. já que a reanálise da matéria ocorre. [82] Art. salvo quando se tratar de decisão suscetível de causar à parte lesão grave e . disponibilizado em sítio da rede mundial de computadores. Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais. em virtude de não estarem disciplinados no Código de Processo Civil.] § 3º Considera-se como data da publicação o primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da informação no Diário da Justiça eletrônico. 543-B. José Alexandre Manzano. [81] Art. bem como comunicações em geral. 4º Os tribunais poderão criar Diário da Justiça eletrônico. os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais. facultado ao juiz.] § 3o São despachos todos os demais atos do juiz praticados no processo. §3º (Art. 285-A. no prazo de 5 (cinco) dias.serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça. é facultado ao juiz decidir.]II . [. nos casos.. computar-se-ão os prazos. a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. não manter a sentença e determinar o prosseguimento da ação.. de ofício ou a requerimento da parte. [78] Art.).]§ 2o Os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação (art.. que poderão declará-los prejudicados ou retratar-se) e 543-C.. “(o pedido de reconsideração) não se sujeita a prazo e. 543-B. [83] Art. 240 e parágrafo único).§ 4º Os prazos processuais terão início no primeiro dia útil que seguir ao considerado como data da publicação. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito. p. 162 [. por imposição legal e não mediante pedido da parte. § 1o Se o autor apelar. poderá ser dispensada a citação e proferida sentença. no prazo de 48 (quarenta e oito) horas. 296. ambos do CPC. 167. [79] O disposto nos arts. [77] Art. O Contraditório nos Recursos e no Pedido de Reconsideração. 184. 2007. [..

Sobre o pedido de reconsideração (sucedâneo de recurso?). 17. Os agravos no CPC brasileiro. 4. abril-junho. bem como nos casos de inadmissão da apelação e nos relativos aos efeitos em que a apelação é recebida. 2007. porque à míngua de previsão legal.proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo. [85] Para JOSÉ OLIANI (O Contraditório nos Recursos e no Pedido de Reconsideração. 2007. rev. por meio do documento ou da coisa. Reputa-se litigante de má-fé aquele que: [.br. WAMBIER. 359. Tereza Cristina. quando será admitida a sua interposição por instrumento. atual. ampl. por ser tratar de meio atípico de impugnação de pronunciamentos judiciais. [86] GIANNICO. [94] Art. 300. v.com. não se pode afirmar que o postulante consumou o ato de impugnação ao apresentar o pedido de reconsideração e. In: Revista Dialética de Direito Processual. ed. de acordo com a nova Lei do Agravo (Lei n. 534. A Preclusão no Direito Processual Civil Brasileiro. Maurício. p. O juiz ou tribunal. [89] Art. Também. de ofício ou a requerimento. p. condenará o litigante de má-fé a pagar multa não excedente a um por cento sobre o valor da causa e a indenizar a parte contrária dos prejuízos que esta sofreu. não poderia utilizar-se do recurso cabível”. Reconsideração versus Revisão: uma distinção que se impõe. mais os honorários advocatícios e todas as despesas que efetuou DIAS. a parte pretendia provar. n. quer dizer. Vl . 18. 166). O Contraditório nos Recursos e no Pedido de Reconsideração. p. Teresa Arruda Alvim. [87] Art. p. Maria Berenice. 168.]IV . 111-112.opuser resistência injustificada ao andamento do processo. julho. p. p.de difícil reparação. [93] OLIANI.187/2005). o juiz admitirá como verdadeiros os fatos que. V . José Alexandre Manzano. 512. 2003. [91] Art. p. Disponível na Internet em: http://www. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.. 62. 2005. [88] ASSIS. “sua utilização também não enseja a ocorrência de preclusão consumativa. [90] MARINONI. 2007.º 11. 4. 252. In: Revista de Processo. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Ao decidir o pedido. 2006. . São Paulo: Saraiva. [84] CUNHA. O Pedido de Reconsideração e suas Hipóteses de Cabimento. por conseguinte.provocar incidentes manifestamente infundados. Acesso em 23 de Outubro de 2008. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. O julgamento proferido pelo tribunal substituirá a sentença ou a decisão recorrida no que tiver sido objeto de recurso.. Araken de.berenicedias. 1991. Leonardo José Carneiro da. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Manual dos Recursos. São Paulo. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 187.

87. Inobstante. [101] NERY JÚNIOR. 810. 171: “a jurisprudência. ed. p. que o CPC de 1973. Nelson. No mesmo sentido: VASCONCELOS. atual. Forense: Rio de Janeiro. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 94) que “atualmente. p. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 2007.. Teoria Geral dos Recursos. na redação original do art. cabe apelação. ampl. [100] ASSIS. A condição do recurso é que tenha havido julgamento final do processo”. 6. Araken de. Arts. 6. e reform. o prazo se nos afigura absolutamente irrelevante. p. 476 a 565. v. ou turma. Araken de. portanto. 2004. Os agravos no CPC brasileiro. no segundo. isto sim. 2007. atual... devendo os autos ser enviados à Câmara. 168) aduz que: “em havendo os pressupostos para a aferição da dúvida objetiva. p. ed. De forma uníssona. 6. atual. 2007. atual. ed. O recorrente deve.187/2005). o processo acaba ou. atual. p. 2006. [97] Explica BUZAID (Exposições de Motivos do CPC. 162. agravo” (ASSIS. e reform. prevalece o entendimento de que é imprescindível respeitar o prazo do recurso próprio”. [102] Sobre a desnecessidade de tal requisito. seja qual for a variante. simplificava o reconhecimento dos provimentos judiciais. Não importa indagar se decidiu ou não o mérito. 369. Em qualquer situação em que ficássemos em dúvida de qual o recurso dever-se-ia interpor “bastaria indagar: omitido o recurso. 492-493. 2004. observar o prazo do recurso efetivamente interposto. NELSON NERY JÚNIOR (Teoria Geral dos Recursos.[95] NERY JÚNIOR. 4. Nelson. n. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. [103] MOREIRA.. José Carlos Barbosa. havido por ele como o correto para a espécie”. p. cit. p.º 29 a 33) que “[. § 1º. muito bem adverte ARAKEN DE ASSIS (Manual dos Recursos. Nota-se. agravo de instrumento. 2003. no que diz respeito ao aspecto do prazo”. p. V. ed. a parte não será prejudicada pela interposição de um recurso por outro. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. segundo a sua finalidade ou repercussão no processo. ed.) [98] ASSIS. da inexistência de erro grosseiro. de todas as decisões interlocutórias. rev. 2004. ampl. 11. Se o juiz põe termo ao processo. Manual dos Recursos. há de prosseguir? No primeiro caso o recurso era de apelação. todavia. rev. Op. [96] Art. p. 91. Concede apelação só de sentença.] o projeto simplifica o sistema de recursos. WAMBIER. Teoria Geral dos Recursos. ampl. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 94. [. Teoria Geral dos Recursos. tem propendido pela corrente mais rígida.. ampl. Nelson. 162. 6. atual. Salvo a hipótese de má-fé ou erro grosseiro. ampl. a que competir o julgamento. e reform. Comentários ao Código de Processo Civil. inclusive de acordo com o novo Código Civil. Teresa Arruda Alvim. Manual dos Recursos. de acordo com a nova Lei do Agravo (Lei n. [99] NERY JÚNIOR.º 11. São Paulo: Revistas dos tribunais. Antônio Vital Damos de. 139. e reform. ou. ed. 2004. adotando critério pragmático para identificação do ato jurisdicional. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. O Pedido de Reconsideração e a Preclusividade das Decisões . p.] O critério que distingue os dois recursos é simples.

6.º 11. Teoria Geral dos Recursos. Os agravos no CPC brasileiro. ed. p. ed. e reform. GIANNICO. Porto Alegre. Quando interpostos contra sentença. antes de se pronunciar.. Nelson. p. Nelson. A Preclusão no Direito Processual Civil Brasileiro. 310. São Paulo. 2003. atual. 481. p. 2007. Reconsideração versus Revisão: uma distinção que se impõe. 2007. p. julho. 4. 2003. Porto Alegre. Maria Berenice. julho. podendo ser dispensada a audiência da contraparte quando as partes já tiverem debatido a matéria a ser decidida [. n. 163. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 97. OLIANI. p. [112] Art. 2004. [108] Nesse sentido. Op. p. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. [110] ASSIS. 1987. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. [106] NERY JÚNIOR. 40. 2007.com. NERY JÚNIOR. 2004. 6. 2007. JOSÉ OLIANI (O Contraditório nos Recursos e no Pedido de Reconsideração. 4. v. ampl.for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o juiz ou tribunal. Teoria Geral dos Recursos. aduz que “o contraditório exige que o juiz. atual. 580. In: Revista da AJURIS.. e reform. agosto. 165. de acordo com a nova Lei do Agravo (Lei n. Leonardo José Carneiro da. 92.Judiciais. v. p. 2006. II . . Teresa Arruda Alvim. e reform. ampl.. Disponível na Internet em: http://www. 2005. os embargos de declaração suspenderão o prazo para recurso. 2004.]”. Manual dos Recursos. obscuridade ou contradição. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. atual. Maurício. 50. Acesso em 23 de Outubro de 2008. ampl. p. In: Revista Jurídica. p.berenicedias. p. ano XIV. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. atual. Araken de. [109] Art. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 6. Manual dos Recursos. [107] NERY JÚNIOR. O Contraditório nos Recursos e no Pedido de Reconsideração. p. 97-98. 865 e Introdução aos Sucedâneos Recursais.187/2005). faculte à parte contrária debater todos os fundamentos suscitados no pedido de reconsideração e aqueles nos quais a decisão pretende se basear. ampl. WAMBIER. Nelson. São Paulo: Saraiva. rev. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. [111] ASSIS. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. na sentença ou no acórdão. p. DIAS. 535. Cabem embargos de declaração quando: I . cit. p. 185. [104] ASSIS. In: Revista Dialética de Direito Processual. 170-171).houver. CUNHA.br. Teoria Geral dos Recursos. O Pedido de Reconsideração e suas Hipóteses de Cabimento. Araken de. 580. 112. 25. José Alexandre Manzano.

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