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Portugal e Espanha: Um caminho para nos conhecermos/Portugal y España: Un Camino para conocernos

Enquadramento, Relatório de Atividades e Avaliação

O Agrupamento de Escolas de Arronches/ I.E.S. Castillo de Luna de Albuquerque

Ano Letivo 2011/2012

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I – ENQUADRAMENTO DO PROJETO REALCE

A Rede Educativa Alentejo – Centro – Extremadura (REALCE) é um projeto transfronteiriço desenvolvido com fundos F.E.D.E.R. no âmbito do Programa Operativo de Cooperação Transfronteiriço Espanha – Portugal (P.O.C.T.E.P.) que decorrerá ao longo dos anos letivos 2011 - 2012 e 2012 – 2013. Este projeto é dirigido a alunos e professores de Educação Secundária e do terceiro ciclo de Educação Primária, na Extremadura, e a alunos e professores de Espanhol, das escolas do terceiro ciclo do Ensino Básico, do Centro e Alentejo. As ações educativas a desenvolver incluem a dinamização de uma plataforma telemática destinada à comunidade educativa http://programarealce.eu, um Laboratório de Virtual de Línguas, intercâmbios e encontros de alunos e professores e formação para professores. O Agrupamento de Escolas de Arronches foi um dos dez agrupamentos do Alentejo escolhidos pela Direção Regional do Alentejo a integrar o REALCE. Foi emparelhado com o I.E.S. Castillo de Luna de Albuquerque. Com esta instituição de ensino extremenho será de desenvolvido o projeto: Portugal e Espanha: Um caminho para nos conhecermos/Portugal y España: Un Camino para conocernos.

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II – RELATÓRIO DE ATIVIDADES DO INTERCÂMBIO

No âmbito do projeto REALCE, decorreu entre os dias 17 e 18 de Abril o intercâmbio entre o Agrupamento de Escolas de Arronches e o I.E.S. Luz de Luna de Albuquerque. Nos dois primeiros dias os alunos de ambos países tiveram a oportunidade de conhecer a realidade histórica e geográfica da raia portuguesa, nomeadamente os traços mais marcantes das tradições, arquitetura e história. Conheceram um território que foi construído por sucessivos momentos de união, intercalados, por episódios bélicos, tantas vezes recorrentes e decorrentes de interesses geoestratégicos europeus. Nos momentos de paz este espaço de fronteira foi um importante corredor de trocas comerciais, mais ou menos clandestinas, através de contrabando, que alimentaram muitas famílias e estruturaram o perfil produtivo e económico de muitos concelhos de raia portuguesa e espanhola. Território cedo ocupado pelo homem, como comprovam as pinturas rupestres da freguesia da Esperança, concelho de Arronches. No âmbito do projeto, nos dias 18 e 19, os alunos tiveram a oportunidade de participar num percurso pedestre por Arronches e conhecer os principais monumentos desta vila raiana; mergulharam pelas estreitas ruas da vila altaneira de Marvão, visitando o seu importante reduto defensivo; e, em Elvas, conheceram um dos mais importantes sistemas abaluartados do Mundo, principal praça-forte do país, baluarte da defesa da nacionalidade. Numa terra de gente forte, que sempre se deparou com grandes adversidades, conheceram o Museu do Café, em Campo Maior, e a história de um homem, Rui Nabeiro, dono do empório da Delta Cafés. Neste percurso pela história e pela geografia do território de fronteira, surgiram os primeiros intercâmbios linguísticos e o cimentar de novas amizades entre os alunos portugueses e espanhóis, O que os muros e as muralhas ao longo dos séculos separaram, a sociedade do conhecimento e os sistemas educativos tendem a aproximar. As aulas de Língua Portuguesa, construídas pelos alunos anfitriões, foram um espaço de promoção da língua portuguesa e de apresentação da cultura contemporânea local e nacional, um espaço de convívio que se aprofundou, com a participação dos alunos do intercâmbio, numa aula de natação, no âmbito da educação física.

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Fotografia 1 – Percurso Pedestre por Arronches – Matriz de Arronches

Fotografia 2 – Visita ao Castelo de Marvão

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Fotografia 3 – Visita às Pinturas Rupestres de Arronches

Fotografia 4 – Aula de Língua e Cultura Portuguesas 8º A

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Fotografia 5 – Aula de Natação

Fotografia 6 – Visita ao Museu Militar de Elvas

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Fotografia 7 – Visita ao Sistema Abaluartado de Muralhas de Elvas

A segunda parte deste intercâmbio de alunos portugueses e espanhóis do Projeto REALCE, por terras portuguesas, decorreu em Lisboa. A viagem à capital portuguesa serviu para que os alunos conhecessem os símbolos mais identitários da cultura portuguesa. Meio fundamental para a difusão da língua e cultura do país é a Radio Televisão de Portugal (RTP). Os alunos tiveram a oportunidade de assistir à produção de conteúdos em rádio e em televisão em português, visitando os estúdios de produção. No museu da RTP, viram a história da rádio e da televisão e experienciaram a realização de programas em estúdio de televisão (http://www.ebiarronches.com/index.php?option=com_content&view=category&id=107&Itemi d=95). Na cidade capital, que deu novos mundos ao mundo, os alunos visitaram o Museu dos Coches, coleção de D. João V. No Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém, ambos Património da Humanidade, entraram num mundo de simbolismo marítimo, plasmado na arquitetura manuelina. No Mosteiro dos Jerónimos admiraram-se os túmulos das figuras mais marcantes da cultura portuguesa, tais como Fernando Pessoa, Vasco da Gama ou Luís de Camões, para além da beleza arquitectónica e da imponência do monumento. Pisaram Belém, de onde partiram as caravelas que difundiram a cultura e a língua portuguesa pelos diversos continentes, e que trouxeram riquezas e

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especiarias do outro lado do mundo, como a canela que hoje polvilha os tão famosos pastéis - que os alunos tiveram oportunidade de degustar. Numa visita guiada extremamente rica, os alunos aprenderam sobre a pintura e as artes contemporâneas portuguesa, europeia e mundial patente na Coleção Berardo no Centro Cultural de Belém, espaço contestado, mas progressivamente assimilado pela população, edifício sede da primeira presidência portuguesa da União Europeia. A subida ao Castelo de São Jorge permitiu desfrutar de uma paisagem deslumbrante com a sua vista privilegiada sobre a cidade de Lisboa. Do local mais antigo da cidade de Lisboa, podemos reconhecer as fases crescimento da cidade das sete colinas, com testemunhos romanos e árabes, dos primórdios da nacionalidade, podendo apreciar-se as suas colinas e diferentes formas de organização urbanística. Na Lisboa, cujo Rossio foi o campo das feiras e dos mercados dos arrabaldes, apreciam-se espaços de orografia plana, no sopé do castelo, drenados, por donde cresceu a cidade capital do império durante o século XV, XVI, XVII e XVIII, cujo poder se centrava num terreno onde se localizava o Paço. A cidade repleta de palácios, igrejas e teatros, em cujo rio Tejo se dispunham imensos barcos e caravelas, no dia 1 de novembro de 1775, é destruída por um dos mais fortes terramotos, seguido de tsunami. Marquês de Pombal, o poderoso ministro de D. José, manda enterrar os mortos e planeia a reconstrução da cidade, reconstrução essa que, seguindo os princípios do iluminismo francês introduz pela primeira vez no mundo mecanismos antissísmicos nos edifícios e a malha de construção ortogonal. É no espaço construído por Pombal que se desenvolve a vida cultural e artística da Lisboa do século XIX e XX. Em seis meses é construído o Teatro de São de Carlos, cujo nome advém do santo patrono da Rainha Carlota Joaquina, uma Bourbon de Espanha, Mulher de D, João VI que o manda construir por sugestão do intendente Pina Manique, que considerava importante a construção deste espaço de cultura e socialização para reduzir a criminalidade na cidade de Lisboa. O embarque a família real em 1808, para o Brasil, faz com que pouco usufrua do teatro, da música e da ópera de Lisboa, mas a Baixa, como é conhecida a Lisboa de Pombal, e o Chiado são os cenários donde decorrem as vidas de muitas das personagens criadas por grandes escritores portugueses como Eça de Queirós. Nesta zona, onde muitos escritores portugueses convivem e passam o seu tempo – como Fernando Pessoa, por exemplo, estendem-se espaços de cultura e ruas repletas de história por onde passearam os alunos. No São Carlos, os alunos tiveram a oportunidade privilegiada de assistir ao ensaio geral para um espetáculo da Orquestra Sinfónica de Lisboa. As novas áreas funcionais da cidade a norte e oriente onde se encontram as sedes das grandes empresas nacionais e multinacionais, os modernos centros comerciais e os grandes espaços desportivos em torno da segunda circular e zona oriental da cidade foram visitados pelos alunos através de um percurso de autocarro. Foi também apreciada a visita à Assembleia da República, com as suas normas e regras de segurança, e os alunos puderam, ao vivo, adquirir uma perspetiva diferente da que retêm através da televisão. Os alunos puderam ainda desfrutar da zona ampla do Parque das Nações, passeando ao longo do Tejo e tomando uma refeição no centro comercial, fruindo a sua ampla vista sobre o rio.

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Nos dias em que alunos espanhóis permaneceram em Portugal ficaram alocados nas “Casas de Abrigo” existentes no conselho de Arronches, disponibilizadas, pela autarquia de Arronches, e tomaram as suas refeições no refeitório da sede do Agrupamento de Escolas de Arronches. Fotografia 8 – Visita a um estúdio de gravação na RTP

Fotografia 9 – Explicitação da arquitetura da cidade de Lisboa no Castelo de São Jorge

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Entre os dias 29, 30 e 31 de Maio e 1 de Junho decorreu a segunda parte do intercâmbio REALCE em Albuquerque. Ao contrário do que aconteceu em Portugal, grande parte dos alunos portugueses ficou alojado nas residências das famílias dos alunos espanhóis com os quais ficaram emparelhados. Outros alunos residiram, enquanto durou o intercâmbio, numa Casa Rural situada no centro histórico de Albuquerque, tomando as refeições em casa dos congéneres espanhóis, com os quais ficaram emparelhados. Estas dinâmicas permitiram uma grande aproximação entre os alunos e suas famílias e um conhecimento mais próximo das realidades culturais e dos contextos familiares espanhóis. No primeiro dia do intercâmbio, alunos e professores, foram recebidos, numa sessão de boas vindas, no Ayuntamiento de Albuquerque. De seguida realizaram uma Caça ao Tesouro e de uma visita guiada pelo Centro Histórico Medieval de Albuquerque; espaço fruído por sucessivos povos e nações, nomeadamente pelos portugueses, e em cujo Castelo decorre parte da história de Pedro e Inês de Castro. Nesse périplo pela história e geografia urbana de Albuquerque os alunos tiveram a oportunidade de conhecer as igrejas de Santa María del Mercado, San Mateo y San Francisco. No conjunto histórico decorre todos os anos, no mês de Agosto, um importante Festival Medieval, participado por toda a população de Albuquerque. Os alunos experienciaram, divertidamente, essas festividades no workshop sobre bailes medievais. Fotografia 10 - Receção no Ayuntamineto de Albuquerque

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Fotografia 11 - Visita ao Centro Histórico Medieval de Albuquerque – Igreja de Santa María del Mercado

Fotografia 12 - Aula de Danças Medievais

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No segundo dia em Albuquerque, grande parte das atividades centraram-se no Instituto de Enseñaza Secundaria: os alunos praticaram futebol e basebol, assistiram a aulas de ciências naturais sobre os ecossistemas mediterrâneos, tiveram aulas de dança e de português e, para treinarem, em sítio, a língua espanhola, jogaram na biblioteca o jogo “Pasapalabra”. Visitaram ainda nesta jornada matutina o Módulo de Producción Agropecuaria, pertencente à escola e localizado numa quinta nos arredores de Albuquerque, onde se desenvolvem cursos de formação profissional relacionados com agro-pecuária. Durante a tarde foi visitou-se uma fábrica de enchidos, indústria resultante da larga tradição na criação de porco preto ibérico em montando de azinho, destacandose o famoso presunto. Aproveitando os numerosos dias de sol anuais da região extremenha e desde há duas décadas, num projeto considerado inovador e com elevado grau de empreendedorismo, foi criada, com capitais locais, uma central de energia solar térmica que os alunos tiveram oportunidade de visitar. O segundo dia de visita culminou com uma visita a espaços naturais e a miradouros que permitiram observar como o altaneiro Castelo de Albuquerque marca profundamente o perfil e a morfologia urbana do sítio, decorrendo a partir dele, um casario com marcas das sucessivas épocas históricas, patentes a título de exemplo, nas numerosas portas em pedra do medievo, imagens tantas vezes recolhidas e fotografadas a partir do “El Risco de San Blas” ou na ladeira sul do Castelo de Albuquerque.

Figura 13 - Aulas de Espanhol e Ciências Naturais sobre a Fauna e Flora Mediterrânea

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O Magnifico Valle Jerte acolheu-nos repleto de cerejeiras carregadas de frutos que salpicavam de vermelho a ondulada paisagem. Em Cuacos de Yuste visitamos o Monasterio de Yuste, da ordem jerónima, último refúgio do Imperador Carlos V, que procurou nestas paragens o descanso de uma vida dedicada à guerra, na tentativa de alargar o seu império. Carlos V, filho de Juana la Louca, foi pai de Filipe II, primeiro rei da Dinastia Filipina, que reinou durante 60 anos em Portugal. A partir do Monasterio de Yuste foi realizado um percurso pedestre atá à localidade de Caucos de Yuste, num caminho ladeado por uma densa floresta de castanheiros. De Yuste dirigimo-nos a Cáceres, cujo centro histórico está declarado Património da Humanidade pela UNESCO. Repleto de inúmeros palácios medievais e do renascimento (construídos e renovados com o dinheiro das índias, como eram conhecidos os territórios das América recentemente descobertos), de igrejas, sinagogas e mesquitas, neste espaço de encontros, mas também de desencontros e intolerâncias culturais, apropriamo-nos das inúmeras lendas que formam parte do imaginário coletivo da cidade, algumas plasmadas nos numerosos brasões que cumeiam as magníficas portas e janelas. No Museu da Semana Santa de Cáceres conhecemos as riquíssimas tradições da Semana Santa desta cidade, que decorre, prioritariamente, pelas ruas e ruelas da cidade histórica, dando-lhe uma envolvência única. De volta ao futuro, e ao mundo globalizado, o dia finalizou no Centro Comercial Via de la Plata em Cáceres, espaços tão apreciados pelos alunos de ambos os países. Figura 14 - Visita ao Centro Histórico de Cáceres Património da Humanidade da UNESCO

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Figura 15 - Visita ao Museu da Semana Santa de Cáceres

Incomensuravelmente o tempo passa, e eis-nos chegados ao último dia do intercâmbio. Na manhã de sexta-feira dia 1 de junho, visitámos a Central Solar Fotovoltaica RS, fileira de especialização local, e dado o interesse da comunicação local, visitámos os estúdios da Televisão de Albuquerque (TDA) e da Radio de Albuquerque (RCA). Durante a tarde, chegou a hora despedida, num lanche, feito ao ritmo dos grupos Ritmo Pimba y Canta Conmigo, contando com a participação de alunos dos dois países que cantaram em português e castelhano. Na partida, muitos abraços e lágrimas correram pelas faces, entre promessas de fins de semana partilhados logo nas primeiras semanas de férias. Na viagem de regresso trouxemos alunos mais soltos, com muita vontade de falar castelhano e com promessas de uma participação muito concorrida e ativa nas aulas de espanhol. Fica a promessa de novo encontro no próximo ano, na Serra da Estrela, para a prática de conjunta de esqui.

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Figura 16 – Visita ao Monasterio de Yuste

Figura 17 - Visita à Estação Fotovoltaica de Albuquerque

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Figuras 18 e 19 - Visita ao estúdio da televisão local

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III – AVALIAÇÃO

38 alunos integraram o Projeto REALCE durante o ano letivo 2011/2012. 19 alunos espanhóis e 16 portugueses. Estes alunos foram acompanhados por dois docentes lusos e dois espanhóis. Na avaliação final do Projeto REALCE participaram 26 alunos, o que constitui uma amostra de 68,4%. Do conjunto dos alunos que responderam ao inquérito de avaliação, 15 são portugueses e 12 espanhóis.. Em termos gerais os alunos que integraram o intercâmbio fazem uma valorização muito positiva acerca da organização do projeto. Destacam a aceitação do projeto pelos alunos e apoio concedido pelos docentes. Apreciação menos favorável é dada aos horários das atividades que decorreram no âmbito do intercâmbio REALCE, ao envolvimento das famílias, nomeadamente as portuguesas, que recusaram acolherem, numa primeira fase do projeto os alunos espanhóis e a falta de recursos económicos para a concretização de algumas atividades anteriormente previstas.

Gráfico 1

Quando questionados sobre as atividades que mais gostaram de desenvolver em Portugal, destacam a visita à Torre de Belém, a deslocação à Vila de Marvão, a ida aos estúdios da Rádio e Televisão Portuguesa, o percurso pelo Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa, as compras no Centro Comercial Vasco da Gama, a assistência à Sessão Plenária na Assembleia da República, o passeio por Lisboa e a visita ao Parque das Nações, a deslocação ao Museu dos Coches e o circuito pedestre pelo centro de Lisboa.

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Valorização das atividades desenvolvidas en Portugal no âmbito do intercâmbio REALCE %
35 30 25 20 15 10 5
Museu Nacional dos… Teatro Nacional de São… Visita ao Museu Militar… Circuito pedestre pelo… Circuito … Centro Cultural de… Receção a alunos e… Radio Televisão de… Visita às Pinturas… Assembleia da… Passeio por Lisboa e… Centro Comercial Vasco… Mosteiro dos Jerónimos Jogos de Socialização Castelo de São Jorge Praça de Touros do… Aula de Educação… Visita ao Museu do…
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Aula de português

Visita a Marvão

Gráfico 2 ~ No que concerne ao intercâmbio realizado em Albuquerque os alunos valorizaram, sobretudo, a oportunidade de fruírem o Centro Comercial “Ruta de la Plata”, visitarem os estúdios da Televisão de Albuquerque (TDA), participarem no lanche final de despedida realizado no IES Castillo de Luna de Albuquerque, assistirem à emissão em direto da Rádio de Albuquerque (RCA), integrarem as equipas da caça ao tesouro realizado no centro histórico de Albuquerque e o percurso pedestre pelo conjunto amuralhado, património da humanidade da UNESCO, de Cáceres.

Gráfico 3

Torre de Belém

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Ainda no âmbito cultural, a par de um maior conhecimento dos locais e seus monumentos, o Projeto REALCE serviu, na opinião dos alunos, para alargar os seus conhecimentos a outras áreas da cultura e das personagens históricas, de ambos os países. A visita a Lisboa, nomeadamente ao Mosteiro do Jerónimos, concorreu para que a personagem histórica mais citada pelos alunos seja a do descobridor do caminho marítimo para a India, Vasco da Gama. Seguem-se Fernando Pessoa e Luís de Camões. A personagem histórica com maior protagonismo entre os alunos é Martin de Sousa, intimamente ligada à história do Albuquerque português. A visita ao Monastério de Yuste, refúgio último de Carlos V, aproximou também os alunos ao “Século de Ouro” espanhol e alguns dos seus protagonistas, como o Imperador Carlos V, a Rainha Juana la Louca ou Felipe II de Espanha, que seria cumulativamente Rei de Portugal, inaugurando a Dinastia Filipina, ou dos Habsburgo, que reinaria em Portugal entre 1580 e 1640. O fato de a maioria dos alunos que respondeu ao inquérito ser português, faz com que os monumentos mais destacados no âmbito do intercâmbio REALCE sejam o Monasterio de Yuste e o Castelo “Luz de Luna” de Albuquerque. Os alunos espanhóis destacam a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos e o Castelo de São Jorge.

Gráfico 4

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Personagens da cultura espanhola conhecidas através do Projeto REALCE (nº)
14 12 10 8 6 4 2 0 Imperador Carlos V Rei Filipe II Álvaro de Luna Colombo Rainha Joana la Louca Martin de Sousa NS/RE

Gráfico 5

Monumentos mais significativos conhecidos durante o intercâmbio REALCE (nº)
18 16 14 12 10 8 6 4 2 0

Gráfico 6

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Comidas que os alunos mais gostaram no âmbito do Projeto REALCE (nº)
8 7 6 5 4 3 2 1 0

Gráfico 7

A par do alargamento do conhecimento cultural dos alunos de ambos os países, o Projeto REALCE potencializou, segundo a maioria dos alunos, a aprendizagem e o uso da língua espanhola e portuguesa. Os alunos portugueses são os que mais valorizam a aprendizagem da língua, destacando um maior enriquecimento do vocabulário através do intercâmbio e a aplicação da língua espanhola no quotidiano, nomeadamente no contexto familiar e no uso na rua. Quadro 1 - Aprendizagens e Uso da Língua no Âmbito do Projeto Realce %

Parâmetros Vocabulário Fluidez verbal Uso no contexto familiar Uso no contexto escolar Uso na rua

Línguas Espanhol Português Espanhol Português Espanhol Português Espanhol Português Espanhol Português

Pouco 0 7 15 7 0 15 7 4 0 7

Bastante 67 37 48 37 41 15 70 33 52 30

Muito 33 56 37 56 59 70 22 63 48 63

Total 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100

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A grande identificação e envolvimento dos alunos com o Projeto REALCE e os seus objetivos denota-se quando 81% dos alunos referem que participariam de novo num intercâmbio escolar. Sugerem contudo alguns ajustamentos futuros como a redução dos circuitos pedestres, alteração de horários, nomeadamente durante as primeiras horas da manhã, garantir maior número de espaços de convívio autónomos que permitam que os alunos possam estar durante mais tempo juntos e reduzir o número de visitas a igrejas e monumentos.

Participarias nouto intercâmbio nos proximos anos letivos?
15% Sim Não Depende do sitio 81%

4%

Gráfico 8

Sugestões de melhoria para próximos intercâmbios (nº)
9 8 7 6 5 4 3 2 1 0

Gráfico 9

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