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P E D A G O G I A PA R A U M A S U S T E N TA B I L I D A D E Jacinto Rodrigues

ismat | c a d e r n o s d e a rq u i t e c t u ra

P E D A G O G I A PA R A U M A S U S T E N TA B I L I D A D E Jacinto Rodrigues

Pa t r o c í n i o o f i c i a l

ismat | c a d e r n o s d e a rq u i t e c t u ra

fI c h A Té c N IcA

Tí t u l o P E DAG O G I A PA RA UMA S U STE N TA B I L I DA D E | Au t o r JAc I N TO RO D R I G U E S | Ed i ç ã o I N ST I TUTO S U P E R I O R M A N U E L T E I X E I R A G O M E S | co l e c ç ã o c A D E R N O S D E A R q U I T E c T U R A Direc tor JORGE DOS R EIS DE OLIvEI RA | Editores RU I MAN U EL LOU R EI RO, MIGU EL SANTIAG O, c R I STóvãO G O N çA Lv E S | D e s i g n e Pa g i n a ç ã o S é RG I O N Av E | I m p re s s ã o TI PO G RA F I A D E LTA , L DA | T i r a g e m 5 0 0 | D e p ó s i t o L e g a l 2 6 0 6 0 8 / 0 7 | I S S N 1 6 4 6 - 7 5 2 3 | 1 ª e d i ç ã o J U N H O 2 0 0 7 | © c o p y r i g h t J A c I N TO R O D R I G U E S

ÍN DI c E

N OTA I N T R O D UTó R I A 5 J o r g e d o s Re i s d e O l i ve i ra | P R E FÁ c I O 7 Ru i Lo u re i r o c R E S c I M E N T O , D E c R E S c I M E N T O S U S T E N TÁ v E L E D E S E N v O L v I M E N T O E c O LO G I c A M E N T E S U ST E N TÁv E L 1 1 J a c i n t o Ro d r i g u e s | E cO LO G I A P E DA G ó G I c A 4 7 J a c i n t o Ro d r i g u e s | A Á G UA N A PA I S A G E M D O S é c U LO X X I 5 5 J a c i n t o Ro d r i g u e s | N OTA B I O G RÁ F I c A 6 1 M i g u e l S a n t i a g o

NOTA I NTRODUTÓR IA
Jo rge dos Reis de Oliveira

Te m s i d o u n a n i m e m e nt e a s s u m i d o, d e s d e a i m p l e m e nt a ç ã o e m 1 9 9 2 d o p ro je c t o q u e d e u o r i g e m a o I SMAG e a o I S H T, a g o ra f u n d i d o s n o I SMAT ( I n s t i t u t o S u p e r i o r M a n u e l Te i xe i ra G o m e s) q u e e s t a s I n s t i t u i ç õ e s d eve r i a m t e r u m s u p o r t e e d i t o r i a l q u e co n g re g a s s e o s t ra b a l h o s c i e nt í f i co s d o s d o c e nt e s e d i s c e nt e s e t a m b é m d o s i n ú m e ro s co nv i d a d o s q u e a o l o n g o d o s a n o s t ê m p ro fe r i d o co n fe rê n c i a s, d e b at e s, m e s a s re d o n d a s e o u t ra s fo r m a s d e co o p e ra ç ã o co m e s t a I n st i t u i ç ã o, d e m o d o a q u e e s s e s t ra b a l h o s n ã o s e p e rd e s s e m e fo s s e m d i v u l g a d o s a t o d a a co m u n i d a d e A c a d é m i c a l o c a l e à co m u n i d a d e c i e nt í f i c a n a s u a g e n e ra l i d a d e . Fo ra m e q u a c i o n a d o s vá r i o s p ro j e c t o s . A l g u n s m u i t o a m b i c i o s o s, o u t ro s n e m t a nt o, m a s s e m p re co m a p re o c u p a ç ã o d e co n s e g u i r o ó p t i m o. A i n d a , q u e t i m i d a m e nt e , n o s a n o s á u re o s d o s I n s t i t u t o s, fo i e n s a i a d o u m B o l e t i m I n fo r m at i vo d e d u ra ç ã o e fé m e ra . D e p o i s v i e ra m a n o s d i f í c e i s p a ra a I n s t i t u i ç ã o e h o u ve q u e p o n d e ra r e m p r i m e i ro l u g a r a s u a s o b rev i vê n c i a . co m o re co n h e c i m e nt o p e l o D e c re t o - Le i 1 9 4 / 2 0 0 4 d e 1 7 d e Ag o s t o, co m a c r i a ç ã o d e n ova s l i c e n c i at u ra s e a a d e q u a ç ã o d a s ex i s t e nt e s a o p ro c e s s o d e B o l o n h a , fo ra m c r i a d a s t o d a s a s co n d i ç õ e s p a ra q u e o I SMAT d e s s e o s p a s s o s q u a nt i t at i vo s e q u a l i t at i vo s p a ra s e t o r n a r n u m a g ra n d e I n s t i t u i ç ã o d e E n s i n o U n i ve r s i t á r i o n ã o s ó p a ra o A l g a r ve m a s p a ra t o d a a zo n a d e i n f l u ê n c i a . M e rc ê d a re e s t r u t u ra ç ã o d o s c u r s o s, a d m i s s ã o d e n ovo s d o c e nt e s
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com as qualificaç õ e s a d e q u a d a s, j u l g a m o s c h e g a d a a h o ra d e n o s embrenharmos em n ova s re a l i za ç õ e s . E nt re e l a s, e s t á o P ro j e c t o Ed i torial que tem si d o p ro t e l a d o e q u e a g o ra fa c e à d i n â m i c a d o P ro f. Doutor Arquitec to M i g u e l S a nt i a g o, D o c e nt e e S u b - D i re c t o r d o c u rso de Arquitec tu ra , vã o n a s c e r o s ca d e r n o s d e A rq u i t e c t u ra , c u j o primeiro volume a g o ra é d a d o a e s t a m p a , e s t a n d o e m p re p a ra ç ã o outros cadernos q u e l h e d a rã o co nt i n u i d a d e e co m o s q u a i s s e co n s tituirá uma mini- b i b l i o t e c a d e A rq u i t e c t u ra . M i n i e m d i m e n s ã o m a s enorme na funçã o q u e d e s e m p e n h a rá , n ã o s ó p e l o s co nt e ú d o s m a s também por ser p i o n e i ra e a r ra s t a r o u t ra s i n i c i at i va s d e o u t ra s á reas do saber. Daqu i f i c a o a p e l o p a ra q u e o s D i re c t o re s d a s o u t ra s licenciaturas assi m co m o t o d o s o s D o c e nt e s, D i s c e nt e s e co l a b o ra dores passem a d i n a m i za r i n i c i at i va s s e m e l h a nt e s, s o b a fo r m a d e cadernos ou outro s q u e co n s i d e re m m a i s a d e q u a d o s, d e m o d o a q u e a Instituição, tam b é m n o a s p e c t o Ed i t o r i a l , p o s s a s e r u m fa ro l , v i s í vel em todo o Alg a r ve e n ã o s ó. Bem hajam os que co l a b o ra m n e s t e p r i m e i ro ca d e r n o, e u m a g ra d e cimento muito ef u s i vo a o P ro f. D o u t o r A rq u i t e c t o M i g u e l S a nt i a g o, pela sua carolice, d i n â m i c a e s e nt i d o d e s e r v i r a I n s t i t u i ç ã o.

PR EfÁc IO
Rui Manuel Loureiro

A s u n i ve r s i d a d e s, e m co n d i ç õ e s i d e a i s, d eve r i a m s e r n ã o s ó l u g a re s d e t ra n s m i s s ã o d o s a b e r, m a s t a m b é m c e nt ro s d e i nve s t i g a ç ã o e d e p ro d u ç ã o d e n ovo s co n h e c i m e nt o s . é e s s a a m e t a a at i n g i r, m a s q u e f re q u e nt e m e nt e f i c a a p e n a s n o h o r i zo nt e d a g e n e ra l i d a d e d o s p roj e c t o s u n i ve r s i t á r i o s . N o h o r i zo nt e , e m s e nt i d o e s t r i t o, co m o a l g o q u e s e va i a fa s t a n d o à m e d i d a q u e n o s a p rox i m a m o s . . . A o p ç ã o p e l a m e ra t ra n s m i s s ã o / c i rc u l a ç ã o d o s a b e r d e r i va u m a s ve ze s d a vo n t a d e d e l i b e ra d a d o s ó rg ã o s d i r i g e nt e s, o u t ra s ve ze s d a a u s ê n c i a d e m a s s a c r í t i c a , o u t ra s ve ze s a i n d a d a i n ex i s t ê n c i a d e co n c re t a s co n d i ç õ e s d e t ra b a l h o e d e re f l exã o. A p ro d u ç ã o d o s a b e r é u m a t a re fa ex i g e nt e , q u e i m p õ e co n d i ç õ e s d e d i s p o n i b i l i d a d e i nt e l e c t u a l n e m s e m p re co m p at í ve i s co m a ve r t i g i n o s a a zá fa m a d o m u n d o a c a d é m i co, o n d e o s d o c e nt e s s e t ê m d e re p a r t i r p o r m ú l t i p l o s t ra b a l h o s d e n at u re za p e d a g ó g i c a e a d m i n i s t rat i va . O I SMAT a l i m e nt o u d e s d e s e m p re a a s p i ra ç ã o d e s e co n s t i t u i r co m o u m a ve rd a d e i ra u n i ve r s i d a d e n o B a r l ave nt o A l g a r v i o : p o r u m l a d o, m i n i s t ra n d o va r i a d o s c u r s o s s u p e r i o re s vo c a c i o n a d o s p a ra d a r re s p o s t a n ã o s ó à s n e c e s s i d a d e s d o m u n d o d o t ra b a l h o, co m o t a m b é m à s ex p e c t at i va s d e fo r m a ç ã o c u l t u ra l d a p o p u l a ç ã o l o c a l ; p o r o u t ro l a d o, co n s t i t u i n d o - s e co m o u m a i n s t i t u i ç ã o c a p a z d e p ro d u z i r e d e d i f u n d i r co n h e c i m e nt o s e s p e c i a l i za d o s p a ra a l é m d o a m b i e nt e c u rr i c u l a r n o r m a l . O p ro c e s s o d e c r i a ç ã o d e u m p ro j e c t o u n i ve r s i t á r i o é l e nt o e d i f í c i l , j á q u e , p a ra a l é m d e va r i a d a s o u t ra s co m p o n e nt e s d e
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ordem material, é n e c e s s á r i o a n g a r i a r, e t a m b é m c r i a r, re c u r s o s h umanos especializa d o s, o u s e j a , d i s p o r d e p e s s o a s h a b i l i t a d a s, co m petentes e motiva d a s . N ã o fa l a n d o, c l a ro e s t á , d e t o d o s o s e s co l h o s de natureza buro c rát i c a , q u e n o n o s s o Pa í s co n s t i t u e m u m a e s p é c i e de fatalidade . E o p ro c e s s o d e c r i a ç ã o d o I SMAT t e m s i d o l e nt o e cuidadoso, sobret u d o p e l a vo nt a d e d e i r d a n d o p a s s o s c a d a ve z m a i s seguros, evitando i n i c i at i va s p re co c e s, q u e c r i e m ex p e c t at i va s m a i s tarde difíceis ou i m p o s s í ve i s d e c u m p r i r. A s s i m , o l a n ç a m e nt o d e projec tos editoria i s n o i nt e r i o r d o I SMAT fo i s e n d o a d i a d o, e m f u n ção de outros obj e c t i vo s m a i s u rg e nt e s . Neste momento, o I SMAT a s s e g u ro u j á u m a t o t a l n o r m a l i d a d e i n s t itucional, quer atravé s d o s e u re co n h e c i m e nt o co m o e s t a b e l e c i m e n to de ensino uni ve r s i t á r i o p o r v i a d o D e c re t o - Le i n . º 1 9 4 / 2 0 0 4 d e 17 de Agosto, que r at ravé s d a a d e q u a ç ã o d e t o do s o s s e u s c u r s o s a o Processo de Bolon h a , n a s e q u ê n c i a d a p u b l i c a ç ã o d o D e c re t o - Le i n . º 76/2006 de 24 de M a rço. I n s t a l a ç õ e s co n d i g n a s e u m co r p o d o c e nt e qualificado dão co r p o a m a i s u m p ro j e c t o d o Gr u p o L u s ó fo n a . c h egou agora a vez d e l a n ç a r u m p ro j e c t o e d i t o r i a l s ó l i d o e co n s i s t e nt e , com garantias de q u a l i d a d e e d e co nt i n u i d a d e , q u e p o s s a t ra ze r u m a acrescentada ma i s - va l i a p a ra o I SMAT, e t a m b é m p a ra o A l g a r ve e para o mundo do e n s i n o s u p e r i o r e m Po r t u g a l .

Nascem, pois, os cadernos do ISMAT, com a publicação do primeiro caderno de Arquitec tura, que reúne textos do Professor Jacinto Rodrigues, investigador de nomeada e colaborador antigo do projec to ISMAT. Pesou-se a opor tunidade de lançar uma revista académica, mas essa opção foi descar tada, em função de um outro projec to editorial que se afigurou mais per tinente e mais aliciante: o lançament o

d e u m a co l e c ç ã o d e c a d e r n o s m o n o g rá f i co s, d e ex t e n s ã o va r i a d a , s e m o b r i g a ç õ e s d e re g u l a r i d a d e e d i t o r i a l , m a s a nt e s d e p e n d e nt e s d e p ro p o s t a s co n c re t a s, co m s é r i e s d e d i c a d a s a d i fe re nt e s c a m p o s d o s a b e r, e co m u m a i m a g e m g rá f i c a h o m o g é n e a . O s ca d e r n o s d o I SMAT s ã o u m a a p o s t a n a i n ova ç ã o, n a q u a l i d a d e , n a o r i g i n a l i d a d e , q u e e s t a rã o a b e r t o s n ã o s ó a t o d a a co m u n i d a d e A c a d é m i c a d o G r u p o L u s ó fo n a , m a s t a m b é m a e s p e c i a l i s t a s d a s m a i s d i ve r s a s á re a s d o co n h e ci m e nt o, q u e d e a l g u m a fo r m a t e n h a m co l a b o ra d o o u p a r t i c ip a d o e m p ro j e c t o s o u i n i c i at i va s d o I SMAT. c u m p re - s e a s s i m m a i s u m p a s s o n o s e nt i d o d e co n s o l i d a r o p ro j e c t o u n i ve r s i t á r i o a l g a r v i o d o G r u p o L u s ó fo n a .

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c R ES c IMENTO, DE c R ES c IMENTO SUSTENTÁv EL E DESEN vOLv IMENTO E cOLO GI cAMENTE SUSTENTÁvEL
Jacinto Rodrigues

é f re q u e nt e co n s i d e ra r- s e a q u e s t ã o e co l ó g i c a co m o u m a p ro b l e m á t i c a d o s p a í s e s r i co s . M a s é c a d a ve z m a i s i n s u s t e nt áve l t a l c e g u e i ra , p o i s e s t a q u e s t ã o é d a m a i o r p e r t i n ê n c i a e d i z re s p e i t o à h u m a n i d a d e i nt e i ra . H á a l g u n s d i a s, e s t i ve ra m re u n i d o s e m Áf r i c a , n o q u é n i a , n a c i d a d e d e N a i ro b i , e nt re o d i a 6 e 1 7 d e N ove m b ro d e 2 0 0 6 , m a i s d e 6 0 0 0 d e l e g a d o s d e q u a s e t o d o s o s p a í s e s d o m u n d o q u e p ro c e d e ra m a u m a re f l exã o s o b re a m u d a n ç a c l i m át i c a n o p l a n e t a . O v i c e - p re s id e nt e d o q u é n i a , M o o d y A w o r i , d e c l a ro u q u e a m u d a n ç a c l i m át i c a é u m a d a s a m e a ç a s m a i s g rave s à q u a l a h u m a n i d a d e fo i co n f ro nt a d a . H á a l g u n s d i a s, o ex- v i c e - p re s i d e nt e e ex- c a n d i d at o à p re s i d ê n c i a d o s E .U. A . , A l G o re , a p re s e nt o u u m f i l m e “ U m a ve rd a d e q u e i n co m o d a ” e m q u e s ã o re fe re n c i a d a s eve nt u a i s c at á s t ro fe s e co l ó g i c a s, re s u l t a nt e s, n o m e a d a m e nt e , d e p e r t u r b a ç õ e s c l i m át i c a s, s e n ã o m u d a r m o s, n o s p róx i m o s 1 0 a n o s, o a c t u a l m o d e l o d e c re s c i m e nt o e co n ó m i co. Ta m b é m , h á p o u c a s s e m a n a s, o Re l at ó r i o d o e co n o m i s t a d o B a n co M u n d i a l , N i co l a s S t e r n , a l e r t ava p a ra u m a c re s c e nt e s u b i d a d e t e m p e rat u ra n o p l a n e t a , fa ze n d o p reve r g rave s co n s e q u ê n c i a s s e n ã o s e p ro c e d e r a m u d a n ç a s e s t r u t u ra i s . é d ra m át i co co n s t at a r- s e q u e a Áf r i c a , e m b o ra s e j a o co nt i n e nt e m en o s re sp o n s áve l p o r e s t e m o d e l o d e c i v i l i za ç ã o t e c n o l ó g i c a i m p o s t o a p a r t i r d o o c i d e nt e , é h o j e a re g i ã o m a i s v u l n e ráve l d o p l a n e t a , co m o a f i r m a ra m o s co n g re s s i s t a s d e N a i ro b i . O s e fe i t o s d a m u d a n ç a c l i m át i c a co n j u nt a m e nt e co m a s co n s e q u ê n 11

cias negativas dos p ro c e s s o s a g ro - i n d u s t r i a i s e u r b a n o s i m p l a nt a d o s em África e o saqu e d o s b e n s n at u ra i s, s ã o h o j e c a d a ve z m a i s v i s í ve i s : a) O lago do chad e ( u m d o s m a i o re s d o p l a n e t a ) t e m h o j e 1 / 1 0 d a super fície que tin h a e m 1 9 6 3 ; b) As zonas húmi d a s d o q u é n i a e a s n eve s d o K i l i m a n j a ro, e s t ã o a desaparecer, preve n d o - s e p e r t u r b a ç õ e s c l i m át i c a s n a zo n a ; c) As epidemias co m o a m a l á r i a , có l e ra , d e s i nt e r i a , s i d a , e t c . d i z imam largos sec to re s d a p o p u l a ç ã o ; d ) várias catástro fe s ( i n u n d a ç õ e s d i l u v i a n a s a o m e s m o t e m p o q u e deser tificações in co nt ro l áve i s) a s s o l a m o co nt i n e nt e a f r i c a n o j á ferido por guerras e d e s l o c a ç õ e s m a s s i va s d a p o p u l a ç ã o ; é neste contexto q u e Wa n g a r i M u t a M a at h a i , P ré m i o N o b e l d a Pa z em 2004, criou o m ov i m e nt o c i nt u rã o ve rd e p l a nt a n d o, n u m g e s t o simbólico e concre t o, m a i s d e 3 0 m i l h õ e s d e á r vo re s, g ra ç a s, s o b retudo, à abnegaçã o e e s fo rço d a s m u l h e re s a f r i c a n a s . Esta professora u n i ve r s i t á r i a d o q u é n i a , c i e nt is t a e m i l i t a nt e e co lógica, declarou q u e a d e fe s a d o m e i o a m b i e nt e é , h o j e , o c a m i n h o para a Paz. Referi u , n o I I I Fo r u m I nt e r n a c i o n a l d e co m u n i c a ç ã o, q u e “precisamos de e l eva r o n í ve l d a n o s s a co n s c i ê n c i a m o ra l e t e r u m a perspec tiva ética e m re l a ç ã o a o s re c u r s o s n at u ra i s . . .O s p a í s e s r i co s exploram os recur s o s n at u ra i s d o s p o b re s e o s p o u co s r i co s d o s p a í s e s pobres fazem o m e s m o. A n o s s a fo r m a d e l u t a r co nt ra a p o b re za é l utar contra esta for m a d e h i p e rco n s u m o, n ã o a p e n a s n o m u n d o i n d u str ializado, mas ta m b é m n o s p a í s e s e m d e s e nvo l v i m e nt o o n d e l a m e n tavelmente estam o s co p i a n d o o m u n d o r i co e m d e t r i m e nt o d o n o s s o povo. Se seguirm o s p o r e s t e c a m i n h o co r re m o s u m e n o r m e r i s co. . . é necessário tom a r co n s c i ê n c i a d o r i s co e d a g rav i d a d e d a s i t u a ç ã o, deixar de pensar a p e n a s n a s va nt a g e n s a c u r t o p ra zo p a ra p ro m ove r
0 1 | Wa n g a r i M u t a M a at h a i

p o l í t i c a s d e l o n g o p ra zo.” 1 N o s ú l t i m o s a n o s o d i s c u r s o d a f i l o s o f i a , n o o c i d e nt e , p a re c e s e r c a d a ve z m a i s co n s e n s u a l n o s e nt i d o d e p re t e n d e r u l t ra p a s s a r o p a ra d i g ma m e c â n i co n e w t o n i a n o, at ravé s d u m p e n s a m e nt o e co l o g i za d o q u e fa ç a re s s a l t a r a a c h e g a s i s t é m i c a e a a b o rd a g e m d a co m p l e x i d a d e . E m e rg e a s s i m u m a n ova co e rê n c i a p a ra d i g m át i c a , c i e nt í f i c a e ex p e r i m e nt a l . At é m e s m o n a v i d a q u o t i d i a n a e s t e p e n s a m e nt o e co l o g i za d o g a n h a c a d a ve z m a i s p e r t i n ê n c i a . O q u e e s t á a m u d a r ? To m a n d o D e s c a r t e s ( 1 5 9 6 - 1 6 5 0 ) co m o p e n s a d o r p a ra d i g m át i co d o m e c a n i c i s m o, p o d e m o s, n o D i s c u r s o d o M é t o d o 2 , reve l a r a co n c e pç ã o d o m u n d o q u e ve m d o s é c . Xv I I at é a o s n o s s o s d i a s . Re s u m e m - s e e m 5 p o nt o s a s l i n h a s e s s e n c i a i s d e s s a co n c e p ç ã o d o mundo: 1 . O re d u c i o n i s m o, q u e p re t e n d e s e p a ra r a s p a r t e s d o t o d o ; 2 . A i d e nt i d a d e a n a l í t i c a , q u e e s t a b e l e c e l i m i t e s d e f i n i d o s ; 3 . A n ã o co nt ra d i ç ã o e o t e rc e i ro exc l u í d o, q u e f u n d a m e nt a m o d i scurso binário da mecanicidade; 4 . O c a u s a l i s m o l i n e a r, q u e t e n d e a ex p l i c a r p e l o p a s s a d o e d u m a fo r m a d e t e r m i n í s t i c a o p re s e nt e e o f u t u ro, exc l u i n d o a s fo rç a s e n0 2 | Edgar Morin

13

d ó g e n a s n o p ro c e s s o evo l u t i vo ; 5 . A s e t a p a s d o p ro g re s s o s o c i a l , s e m p re evo l u i n d o l i n e a r e a u t o m a t i c a m e nt e , co m o re s u l t a d o d o p ro g re s s o t é c n i co - c i e nt í f i co a s s e nt e n a m i ra g e m d e re c u r s o s n at u ra i s, s e m l i m i t e s . vo l v i d o s c e rc a d e 3 5 0 a n o s s o b re e s t a re fe rê n c i a c a r t e s i a n a , a o b ra d e Ed g a r M o r i n 3 p u b l i c a d a n a d é c a d a d e 7 0 / 8 0 d o s é c . X X , reve l a o

1 2

http//w w w.r vb.jor.br/wangari.htm R. Descar tes, “Discours de la Méthode”, Ed. Edgar Morin, “La Méthode”, Ed. Seuil, Paris.

p a ra d i g m a e m e rg e nt e e m q u e v i ve m o s o p o n d o a o s 5 p o nt o s c a r t e s i a n o s o s s e g u i nt e s f u n d a m e nt o s d o n ovo p e n s a m e nt o o rg â n i co : 1 . A co m p l ex i d a d e ex p l i c i t a u m n ovo o l h a r o n d e n ã o é p o s s í ve l

P l éiade .
3

co m preender os fe n ó m e n o s s e m a re l a ç ã o d o u n o e d o m u l t i p l ex ; 2. O dialogismo o u a i nt e ra c ç ã o s i m b i ó t i c a revel a o f i m d a s f ro nt e i ras, mostrando um a re a l i d a d e d i n â m i c a q u e n ã o s e co m p a d e c e co m o positivismo estát i co d a a nt e r i o r co n c e p ç ã o ; 3. A contradição, a d i fe re n ç a e a b i o d i ve r s i d a d e co n s t i t u e m u m e l e mento essencial p a ra co n h e c e r a re a l i d a d e ; 4. O processo circ u l a r e nt re c a u s a e e fe i t o, s i s t e m i c a m e nt e i nt e ra c tivos, e que se op õ e à ex p l i c a ç ã o d o d e t e r m i n i s m o l i n e a r; 5. A crítica reflex i va t ra ze n d o o a b a n d o n o d a s g ra n d e s n a r rat i va s metafísicas e exi g i n d o u m a p i l o t a g e m p e r m a ne nt e d a co n s c i ê n c i a sobre os processo s fe n o m e n o l ó g i co s . E m ve z d e g ra n d e s ex p l i c a ç õ e s totais prefere-se u m a fe n o m e n o l o g i a p ro c e s s u a l e c r í t i c a , p e r m a nentemente auto - ava l i a d a . Estas novas preoc u p a ç õ e s e s t ã o a i n d a l o n g e d e s e re m co n s e n s u a i s . G re g o r y B at e s o n 4 , u m d o s p i o n e i ro s d o p e n s a m e nt o e co l ó g i co, re fe re q u e e s t a co n c e p ç ã o s e d e s e nvo l ve co m a i nt e ra c ç ã o d o s i nt e rl o c u t o re s n u m a co n s t a nt e e s i s t é m i c a d e s co d i f i c a ç ã o m ú t u a e n t re e m i s s o r e re c e p t o r. co m o o p e n s a m e nt o e co l ó g i co é d i n â m i co va i - s e m e t a m o r fo s e a n d o co m o i m p u l s o e n d ó g e n o e a re s s o n â n c i a ex t e r n a . N ã o é u m a reve l a ç ã o c a í d a d o c é u . Re s u l t a d u m a s i m b i o s e e nt re a s p e s s o a s e d a i nt e ra c ç ã o d e s s a s p e s s o a s co m o m e i o e nvo l ve nt e . A s s i m , e s t e n ovo p ro c e s s o m o r fo g e n é t i co fa z- s e n u m a p ro b l e m át i c a d e co m p l ex i d a d e s i s t é m i c a n a m e d i d a e m q u e o s s a b e re s e co m p e t ê n c i a s s e vã o a d a p t a n d o e m u d a n d o n o s p ro c e s s o s c i v i l i za c i o n a i s . A re fo r m a d o p e n s a m e nt o 5 va i - s e a s s i m reve l a n d o fa c e à m u d a n ç a d a s o c i e d a d e e d a s i n s t i t u i ç õ e s, a o m e s m o t e m p o q u e i nt e r vé m s o b re e l a s . D a q u i re s u l t a a c r i a ç ã o s u c e s s i va d e co e rê n c i a s, o u s e j a , d e fo r m a s p a ra d i g m át i c a s . Po ré m , e s s e s p a ra d i g m a s
4

G re g o r y B at e s o n , “ve r s u n e e co l o g i e d e Ed g a r M o r i n , “ Re fo r m a d o E n s i n o ”, Ed . I n s t .

l ’e s p r i t ”, Ed . S e u i l , Pa r i s 1 9 7 7 .
5

Pi a g e t , 2 0 0 2 .

vo l t a rã o a m e t a m o r fo s e a r- s e s e m co nt u d o d e s a p a re c e re m a s fo r m a s d e co n s c i ê n c i a e p i l o t a g e m d e s s a s n ova s m e t a m o r fo s e s . D e s t e m o d o é p o s s í ve l u m t ra b a l h o d e re f l exã o e o rg a n i za ç ã o s o b re o p ró p r i o p e n s a m e nt o. Es t a at i t u d e e p i s t e m o l ó g i c a d e s e nvo l ve m e t o d o l o g i a s e h o r i zo nt e s d o s a b e r q u e p e r m i t e m u m a i nt e l i g ê n c i a co l e c t i va , i n t e l i g ê nc i a s i m b i ó t i c a q u e , co m o n o s d i z Pi e r re Lev y, m u t u a l i za con h e c i m e nt o s . Re fe re a i n d a Lev y q u e a n o ç ã o d e e co s i s t e m a é p a r t i c u l a r m e nt e i nt e re s s a nt e p o rq u e p e r m i t e p e n s a r, s i m u l t a n e a m e nt e , n a i nt e rd e p e n d ê n c i a d o m e s m o e s p a ço u n i t á r i o, a d i ve r s i d a d e , a evo l u ç ã o e a m u d a n ç a . “ To r n a - s e a s s i m p o s s í ve l s e g u i r i nt e g ra l m e nt e o s ci c l o s d e t ra n s fo r m a ç ã o n o u n i ve r s o s i m b ó l i co ( c u l t u ra l ) e m ve z d e p ro c u ra r m o s n a f i n a l i d a d e i m e d i at a d o c i rc u i t o d i s c i p l i n a r.” 6 D i t o d e o u t ro m o d o, é e s t a b e l e c e r u m a fo r m a i nt e ra c t i va d o p e n s a r q u e a r t i c u l e o d i a c ró n i co e o s i n c ró n i co, o u n i ve r s a l e o l o c a l , o a q u i e a g o ra n a m e t a m o r fo s e s e q u e n c i a l d o s p ro c e s s o s evo l u t i vo s . Es t a re d e d a i nt e l i g ê n c i a co l e c t i va re l i g a a b s t ra c t o e co n c re t o, p e rm i t i n d o u m o l h a r m a c ro s có p i co t a l co m o d e s e nvo l ve u J o e l Ro s n ay 7 . Es t a s s ã o a s n ova s p re m i s s a s, q u e d ã o m a i o r co e rê n c i a a o p a ra d i g m a e m e rg e nt e e m q u e v i ve m o s . é p re c i s o, n o e nt a nt o, d e s e nvo l ve r e s t a n ova m a n e i ra d e p e n s a r co m o re l i g a r co n h e c i m e nt o s 8 , t a l co m o t e m v i n d o a s e r p ro p a l a d o p e l o s f i l ó s o fo s d a co m p l ex i d a d e e d a s i s 6

15

Pierre Lev y, “cyberdemocracy”, Ed. Odile Ja J oel Rosnay, “Le Macroscope”, Ed. Seuil, Pavários autres”Relier des connaissances”. Ed. Edgar Morin, “Introdução à complexidade”, Basarab Nicolescu, “Manifesto da transdis idem.

t é m i c a , Ed g a r M o r i n 9 , B a s a ra b 1 0 , Ro s n ay e o u t ro s . é a i n d a d e re fe r i r a n e c e s s i d a d e d e co n s t i t u i r u m a “ n ova v i s ã o d o m u n d o ” co m o a s s i n a l a B a s a ra b N i co l e s c u 1 1 . B a s a r a b m o s t r a - n o s c o m o a n o va v i s ã o d o m u n d o t e r á q u e s e c o n s t i t u i r a p a r t i r d a i n t e r s e c ç ã o d e d i f e r e n t e s d o m í n i o s d o s a b e r. Por isso, diz-nos que a disciplinariedade, a pluridisciplinariedade, a in t e rd i s c i p l i n a r i e d a d e e a t ra n s d i s c i p l i n a r i e d a d e n ã o s ã o a nt a g ó n i c a s :

co b, Paris, 2002.
7

r i s, 1975.
8

S e uil, Paris.
9

Ed. Piaget, “Reformar o Pensamento”, Ed. Piaget .
10

c i plinariedade”, col. Trans, Brasil, 2001.
11

co n s tituem “as quatro flechas dum só e mesmo arco do conhecimento” 12 . Este novo paradig m a a b re - s e p a ra o d e s co nt í n u o d a f í s i c a q u â nt i c a , mostrando a exis t ê n c i a d e vá r i o s n í ve i s d a rea l i d a d e q u e f u n c i onam com lógicas d i ve r s a s . Ta l co m o B a c h e l a rd , H a b e r m a s e L u p a s co admitiram, as ciê n c i a s é t i co - n o r m at i va s, o h u m a n i s m o e s t é t i co - expressivo e o pens a m e nt o t é c n i co - o p e rat i vo, p o s s u e m l ó g i c a s d i ve rsas que carac teri za m m o d o s d i fe re nt e s d a a p re e n s ã o d a re a l i d a d e : compreender, des c reve r e ex p l i c a r ex p l i c i t a m reg i s t o s d i fe re n c i a d o s sobre fenómenos e v i vê n c i a s d a re a l i d a d e co m pl exa . Humber to Matura m a e Fra n c i s co va re l a 13 , n o s e g u i m e nt o d o t ra b alho de Prigorgine , m o s t ra m - n o s co m o o s s e re s v i vo s s e c a ra c t e r i za m pelo fac to de se a u t o - co n s t r u i re m co n s t a nt e m e nt e . Es t e fa c t o, a q u e os dois biólogos c h i l e n o s c h a m a ra m “autopoïese” , reve l a - n o s q u e nos sistemas vivo s ex i s t e “ u m a re d e fe c h a d a n o p l a n o d a o rg a n i zação. No entanto, e m re l a ç ã o a o ex t e r i o r a re d e é a b e r t a , a s s e g u ra n d o a circulação da m at é r i a e e n e rg i a n e c e s s á r i a s à m a n u t e n ç ã o d a s u a própria organizaç ã o e à re g e n e ra ç ã o co nt í n u a da s u a e s t r u t u ra .” 1 4 Esta abordagem a fa s t a - n o s d a co n c e p ç ã o d u m u n i ve r s o t o t a l m e nt e previsível. é uma a b e r t u ra p a ra a i n c e r t e za m a s t a m b é m p a ra a p o s sibilidade duma co n s t r u ç ã o c r i at i va . Esta forma de pen s a m e nt o fo i co n co m i t a nt e co m o d e s e nvo l v i m e nt o da ecologia. A eco l o g i a , e m co n s t a nt e m e t a m o r fo s e , t e m v i n d o a co n stituir-se como um a t e o r i a c i e nt í f i c a ex p l i c i t a d a d o s e g u i nt e m o d o : a) é uma abordag e m s i s t é m i c a e t ra n s d i s c i p l i n a r; b) é uma fenomen o l o g i a d a co m p l ex i d a d e ; c) é uma fundame nt a ç ã o d o s e co s i s t e m a s, b a s e a d a n a c i rc u l a r i d a d e dos metabolismos e n ã o n o d e t e r m i n i s m o l i n e a r, t í p i co d a s m á q u i n a s ; Foi vernadsky 15 , co m o l i v ro s o b re a b i o s fe ra – t e s e q u e d e fe n d e u e m
12

B a s a r a b N i c o l e s c u , “ Tr a n s d i s c i p l i n a r i t y -

t r a n s d i s c i p l i n a r i t é ”, E d . H u g i n , U n i v. é v o r a , I n s t . S u p . c a b o ve r d e , 2 0 0 0 .
13 14 15

ve r A . M at h i e w, L’Ag o ra , vo l . 4 , n º 3 , 1 9 9 7 . Idem. vl a d i m i r ve r n a d s ky, “ B i o s p h e re ”, Ed . Fe l i x

Alcan, 1929.

Fra n ç a d u ra nt e o s a n o s 2 0 – q u e m co n c e p t u a l i zo u a v i d a d o p l a n e t a co m o u m a t o t a l i d a d e . Es t a co n c e p ç ã o a b r i u a p o r t a p a ra a t e o r i a d o s e co s i s t e m a s, co n s i d e ra n d o a s s i m a v i d a , co m o u m co n j u nt o i nd i v i s í ve l – a b i o c e n o s e – q u e s e i n s e re ( e m co n d i ç õ e s e s p e c í f i c a s) n a m at é r i a b i o - i n e r t e , o b i ó t o p o. O d e s e nvo l v i m e nt o d a e co l o g i a fo i u m l o n g o p ro c e s s o. D e s d e o s e u a p a re c i m e nt o fo r m a l , at r i b u í d o a H a e c ke l (a 1 . ª p e s s o a a u t i l i za r o t e r m o e co l o g i a ) d e s e nvo l ve ra m - s e m u i t a s co nt r i b u i ç õ e s p a ra e s t a t e o r i a c i e nt í f i c a . A co nt r i b u i ç ã o d e Ta n s l ey p e r m i t i u a m e l h o r co mp re e n s ã o d o e s t u d o d o s e co s i s t e m a s m a r i n h o s e l a c u s t re s . O s c i c l o s b i o q u í m i co s d a e co l o g i a fo ra m o b j e c t o d e vá r i a s co nt r i b u i ç õ e s co m o O d u m e o u t ro s . Po r o u t ro l a d o, a t e o r i a d o s s i s t e m a s d e vo n B e r t al a n f y, N e u m a n n e G re g o r y B at e s o n a l a rg o u a s p e r s p e c t i va s m e t o d o l ó g i c a s à i nve s t i g a ç ã o e co l ó g i c a . A b e l Wo l m a n fo i u m d o s p r i m e i ro s c i e nt i s t a s a t ra b a l h a r s o b re a s i s t é m i c a d o s f l u xo s u r b a n o s e n o s t e r r i t ó r i o s e m g e ra l . M u i t o s s ã o h o j e o s e s p e c i a l i s t a s d e s t a t e m át i c a co m o p o r exe m p l o G i o rg i o N e b i a , vi rg i n i o B e t t i n i 1 6 e o u t ro s . Po r o u t ro l a d o, a s i nve s t i g a ç õ e s s o b re o s e co s i s t e m a s fe c h a d o s co m o a re co n s t i t u i ç ã o a r t i f i c i a l d e e co s i s t e m a s q u e s e a u t o m a nt ê m , l eva ra m à s ex p e r i ê n c i a s d e c l a i r Fo l s o m e q u e , n o s a n o s 6 0 , re a l i zo u a s e co s fe ra s, m i n i at u ra s s i m p l i f i c a d a s d a b i o s fe ra . Trat a - s e d e u m p e q u e n o a q u á r i o ( u m a b o l a d e v i d ro co m á g u a , u m p o u co d e t e r ra e a r ) o n d e u m a p e q u e n a a l g a s e r ve d e a l i m e nt o a c a m a rõ e s m i n ú s c u l o s ( c r i l l ) c u j o s d e j e c t o s s e r ve m d e a l i m e nt o à a l g a e q u e , p o r s u a ve z , s ã o d e co m p o s t o s p o r p e q u e n a s b a c t é r i a s n o c i c l o g e ra l d e p ro d u t o 16

17

Organização de virginio Bettini, “Elementos

re s, co n s u m i d o re s e d e co m p o s i t o re s . A s m o d e l i za ç õ e s d e s t e s e co s i s t e m a s fe c h a d o s p e r m i t i ra m m u i t o s

d e ecologia urbana”, Ed. Trotta, Madrid, 1998.

estudos aos cient i s t a s r u s s o s e a m e r i c a n o s, e m p e n h a d o s n a s p e s quisas sobre nave s e s p a c i a i s . A experiência ma i s co n h e c i d a fo i a d a B i o s fe ra 2 . O i t o “ b i o n a u t a s ” vi veram num mu n d o m i n i at u ra ( u m a e s t u fa g i g a nt e co m 1 , 2 h e c tares e com biom a s m i n i at u r i za d o s) o n d e b a c t é r i a s, v í r u s, f u n g o s, pl antas e animais v i v i a m i nt e r l i g a d o s e m e co s i s t e m a s co m p l exo s . Isto permitiu o e s t u d o d o s p ro c e s s o s re t ro a c t i vo s e nt re a s vá r i a s comunidades e o b i ó t o p o a l i p re p a ra d o. A experiência da B i o s fe ra 2 , t e n d o e m b o ra fal h a s, p e r m i t e a i n d a hoje o estudo sig n i f i c at i vo d e s t e s m o d e l o s e s i m u l a ç õ e s ú t e i s a o conhecimento da n at u re za e d o e co s i s t e m a , d o s f l u xo s e n e rg é t i co s e do metabolismo c i rc u l a r, m u i t o e m b o ra n ã o s e d eva co n f u n d i r t a i s experiências labo rat o r i a i s co m a re a l i d a d e d o s e co s i s t e m a s a b e r t o s . Foram contudo es t a s ex p e r i ê n c i a s q u e co nt r i b u í ra m p a ra o s t ra b a lhos de John Todd q u e d e s e nvo l ve u p ro c e s s o s d e b i o re g e n e ra ç ã o d o s ecosistemas. John Todd, a par ti r d a s ex p e r i ê n c i a s i n i c i a d a s n o N e w A l c h i m i s t I n stitut, criou conju nt o s d e e co s i s t e m a s p a ra a b i o d e p u ra ç ã o d e á g u a s residuais. Estas e o u t ra s ex p e r i ê n c i a s, re s u l t a nt e s d a o b s e r va ç ã o d e processos da natu re za e d o co n h e c i m e nt o b o t â n i co d e c e r t a s e s p écies filtrantes, leva ra m à re a l i za ç ã o d e i n ú m e ro s m o d e l o s . D e s d e a s bi otecnologias da c h a m a d a “bioremediation” at é a o s j a rd i n s f i l t ra n tes e aos jardins ú t e i s e a g ra d áve i s, s u c e d e m - s e u m a l o n g a l i s t a d e experiências que t ê m p e r m i t i d o o t rat a m e nt o b i o l ó g i co d a s á g u a s usadas, de uma fo r m a c a d a ve z m a i s p e r fe i t a ( p e r m i t i n d o a s u a re vi talização em ág u a p o t áve l ) e e m co nt ex t o s p a i s a g í s t i co s co m p re ocupações estétic a s . Trata-se de uma v i s ã o c a d a ve z m a i s c l a ra d a p ro b l e m át i c a e co l ó g i c a

e d a e s p e c i f i c i d a d e d e u m f u n c i o n a m e nt o v i vo d o s e co s i s t e m a s 1 7 .

1 . O c re s c i m e nt o e co n ó m i co A n o ç ã o d e c re s c i m e nt o e co n ó m i co i n s e re - s e n u m a co n c e p ç ã o e p i st e m o l óg i c a a s s e nt e n o a nt i g o p a ra d i g m a c a r t e s i a n o. S o c i a l m e nt e , a m e g a - m á q u i n a u r b a n a re p ro d u z d u m a fo r m a a l a rg a d a a fo rç a d e t ra b a l h o, i m p o n d o a s re l a ç õ e s a nt a g ó n i c a s e nt re a p r i vat i za ç ã o d o s b e n s d e p ro d u ç ã o, n a s m ã o s d e u m g r u p o c a d a ve z m a i s re d u z i d o, e n q u a nt o a u m e nt a o n ú m e ro d e t ra b a l h a d o re s d e s p o s s u í d o s d o s m e i o s d e p ro d u ç ã o. Te c n i c a m e nt e , a p ro d u ç ã o b a s e a d a n a e n e rg i a fó s s i l d e s t e m u n d o m á q u i n a f u n c i o n a s e g u n d o u m m e t a b o l i s m o l i n e a r q u e va i e s g o t a n d o o s b e n s n at u ra i s, t ra n s fo r m a n d o - o s e m l i xo s . Es s e f u n c i o n a m e nt o é p re d a d o r d o s b e n s d a b i o s fe ra a o m e s m o t e m p o q u e s e g re g a a exc l u s ã o s o c i a l , co m o re fe re m a s o b ra s d e Re n é Pa s s e t 1 8 , J e a n M a r i e Pe l t 1 9 , Pi e r re Ra b h i 2 0 , N i c h o l a s H u l o t 2 1 , M a j i d Ra h n e m a 2 2 e o u t ro s . Le w i s M u m fo rd 2 3 a n a l i s o u a evo l u ç ã o d a s c i v i l i za ç õ e s e , e m p a r t i c u l a r, o p ro c e s s o d e u r b a n i za ç ã o. N e s t a s i nve s t i g a ç õ e s, M u m fo rd
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Jacinto Rodrigues, “Sociedade e Território-

D esenvolvimento Ecologicamente Sustenta d o”, Profedições, Por to, 2006.
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reve l a co m o o s co m p l exo s t e c n o - c i v i l i za c i o n a i s t ê m u m a m o r fo g é n e s e co m p l exa e s ã o a m at r i z d a m u d a n ç a h i s t ó r i c a d a s s o c i e d a d e s . ca ra c t e r i za m - s e p o r u m a i nt e ra c ç ã o e nt re e n e rg i a , m e i o s t é c n i co s, re l a ç õ e s s o c i a i s d e p ro d u ç ã o e fo r m a s c u l t u ra i s e i d e o l ó g i c a s q u e , n u m t o d o m a i s o u m e n o s co e re nt e a i n d a q u e co nt ra d i t ó r i o, fo r m a m e t a p a s d i n â m i c a s n o p ro c e s s o h i s t ó r i co. S ã o 3 a s g ra n d e s e t a p a s : 1 ª . c i v i l i za ç ã o E o t é c n i c a – u t i l i za m a s fo rç a s n at u ra i s e m t e c n o l og i a s a r t e s a n a i s e e m e co n o m i a co l e c t o ra a b r i n d o - s e à a g ro - p e c u á r i a , s e m g ra n d e s p e r t u b a ç õ e s n a b i o s fe ra .

René Passet, “L’ économique et le vivant ”, Jean-Marie Pelt, “A Natureza Reencontra Pierre Rabhi et Nicholas Hulot, “Graines de Idem. Majid Rahnema, “quand la misère chasse la Lewis Mumford, “The c ity in histor y”, Ed.

2 e . édition, Economica, 1996.
19

d a”, Ed. Gradiva, 1991.
20

Possibles” Ed. calmann-Lév y, 2005.
21 22

p auvreté”, Babel, Ed. Fayard/Ac tes Sud, 2003.
23

1 9 61, trad. brasileira “cidade na História”, Ed . Mar tins Fontes, 1992.

2ª. civilização Pal e o t é c n i c a – d e s e nvo l ve - s e a a c u m u l a ç ã o p r i m i t i va do capital: na eu ro p a é d e s t r u í d a a c u l t u ra c a m p o n e s a i n i c i a n d o se a proletarizaçã o. Re a l i za - s e a d o m i n a ç ã o d o s p ovo s co l o n i za d o s através do saque . A p a r t i r d o s é c . Xv I I e at é a o s é c . X X e s t a e t a p a carac teriza-se pel o u s o p ro g re s s i vo d a m á q u i n a a va p o r, a s s e nt e n a energia do car vão t ra n s fo r m a n d o, at ravé s d a m e rc a nt i l i za ç ã o, o va lor de uso em valo r d e t ro c a . A a g re s s ã o à b i o s fe ra fa z- s e e s s e n c i a lmente pela destru i ç ã o d a f l o re s t a e d a b i o d i ve r s i d a d e . 3ª. civilização Ne o t é c n i c a – at ravé s d o p ro c e s s o i n d u s t r i a l fa z- s e o uso progressivo d o s m o t o re s d e co m b u s t ã o a o s m o t o re s e l é c t r i cos, sendo o fac t o r p e t ró l e o d o m i n a nt e . N e s t e p ro c e s s o, p a ra a l é m das exclusões soc i a i s, a u m e nt a m a s a g re s s õ e s à b i o s fe ra at ravé s d o esgotamento de m at é r i a s - p r i m a s n at u ra i s e d a co nt a m i n a ç ã o d o s ecosistemas hídri co s, b i o l ó g i co s e g e o l ó g i co s . G e n e ra l i za - s e a a g ro indústria, a indús t r i a m i l i t a r e a fa r m o q u í m i c a . Lewis Mumford es t u d o u a evo l u ç ã o d a s c i d a d e s n e s t e co nt ex t o m o strando, duma for m a p a ra d i g m át i c a , a p a s s a g e m d a a l d e i a à c i d a de carbonífera e m a i s t a rd e à c i d a d e - shoping . Es t e a u t o r, a o a n a l i sar criticamente a s re fe r i d a s e t a p a s, e n c a ra e s t e m o d e l o o c i d e nt a l como um agravam e nt o p ro g re s s i vo d a s o c i e d a de e d a b i o s fe ra . P ropõe, como alternat i va , u m a m u d a n ç a b a s e a d a n a e co t é c n i c a . O processo de mu n d i a l i za ç ã o, q u e s e co n s o l i d a a p a r t i r d o s é c . Xv I até aos nossos di a s, s o f re u t ra n s fo r m a ç õ e s m a s n ã o fo ra m e s t r u t u rais, ao nível do p o d e r p o l í t i co. O co r re ra m a d a p t a ç õ e s d o m o d e l o capitalista às inova ç õ e s i nt ro d u z i d a s p e l a s d i ve r s a s fo r m a s d e s i s t e mas governativos d e nt ro d o m e s m o p a râ m e t ro d e ex p l o ra ç ã o d o h o mem sobre o hom e m e d o a nt a g o n i s m o c re s c e nt e e nt re a t e c n o s fe ra e a biosfera. Sobre e s t a ú l t i m a e t a p a d o c a p i t a l i s m o l i b e ra l , S e rg e

L at o u c h e 2 4 a n a l i s o u - a d o s e g u i nt e m o d o : 1 . 1 . U m a d e s i g u a l d a d e c re s c e nt e e nt re o n o r t e e o s u l , e nt re o c e nt ro e a s p e r i fe r i a s, m e s m o n o i nt e r i o r d e c a d a p a í s ; 1 . 2 . A co nt i n u a ç ã o d a p i l h a g e m e a re i nve n ç ã o d a s e r v i d ã o e e s c ravat ura m a i s o t ra b a l h o i n fa nt i l , co n s t i t u e m re a l i d a d e s p re s e nt e s n o s p a ís e s n e o - co l o n i a i s a r m a d i l h a d o s p e l a d í v i d a ex t e r n a e e m co n s e q u ê nc i a d e g ove r n o s q u e s e r ve m , m u i t a s ve ze s, a l ó g i c a d o i m p e r i a l i s m o ; 1 . 3 . A d e s t r u i ç ã o d o s e co s i s t e m a s e a s p o l u i ç õ e s g l o b a i s co n s t i t u e m o e s t a d o p e r m a n e nt e d o e s g o t a m e nt o e co nt a m i n a ç ã o a q u e o a c t u a l m o d e l o u r b a n o - i n d u s t r i a l s u j e i t a a b i o s fe ra ; 1 . 4 . O f i m d o e s t a d o p rov i d ê n c i a d e u l u g a r à d e s t r u i ç ã o d o s e r v i ço p ú b l i co ; 1 . 5 . A m e rc a nt i l i za ç ã o o c u p o u t o d a s a s e s fe ra s d a v i d a ; a t ro c a e s p e c u l at i va h e g e m o n i zo u o va l o r d e u s o ; 1 . 6 . O e s t a d o - n a ç ã o d e s a p a re c e u p a ra d a r l u g a r a o s n ovo s p at rõ e s do mundo – as multinacionais. D e nt ro d o “ p a ra d i g m a ” d o c re s c i m e nt o, a e co n o m i a re d u z i u - s e a u m a m e ra d i s c i p l i n a a n a l í t i c a . A b i o s fe ra , co m o e co s i s t e m a g l o b a l , e s t á a u s e nt e d e s s a d i s c i p l i n a . A i nt e g ra ç ã o d a e co n o m i a n a b i o o u e co e co n o m i a s ó m u i t o re c e nt e m e nt e fo i co n s i d e ra d a p e l o s e co n om i s t a s . O co n c e i t o d e b i o e co n o m i a a p a re c e co m N i c h o l a s G e o rg e s c u Rö e g e n 2 5 ( 1 9 0 6 - 1 9 9 4 ) q u e i n i c i o u e s t a p ro b l e m át i c a t e ó r i c a e nt re a re l a ç ã o d a e co n o m i a co m a n at u re za . A c t u a l m e nt e , s ã o m u i t o s o s e co n o m i s t a s n e s t a l i n h a d a e co e co n o m i a . U m d o s m a i s co n h e c i d o s
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21

Serge Latouche, “L’Invention de l’économie”,

é Re n n é Pa s s e t 2 6 , q u e , co m o s s e u s l i v ro s “ L’e co n o m i q u e e t l e v i va nt ” e “A i l u s ã o n e o - l i b e ra l ”, co nt r i b u i u p a ra a l a rg a r o o l h a r n ã o re d u c i on i s t a d a e co n o m i a . A teoria dos ecosistemas permitiu perceber os metabolismos

Ed . Albin Michel, 2005; “Occidentalisation du monde”, 3èmme Ed. La Découver te/Poche, 2005
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Nicholas Georgescu Röegen, “The entropy Ibidem.

l a w and the economic process”, Ed. 1971.
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c i r culares da natu re za e e nt e n d e r t a m b é m o s f l u xo s e co n ó m i co s i ntegrados no ecos i s t e m a e m g e ra l – b i o s fe ra . Po r o u t ro l a d o S e rg e Latouche desmist i f i co u a “co n s t r u ç ã o d u m a e co n o m i a i m a g i n a d a ” ou seja “a invenç ã o s e m â nt i c a ” 27 d a e co n o m i a c l á s s i c a e n e o c l á ssica. com efeito, e s s a e co n o m i a t e m co m o p re s s u p o s t o i d e o l ó g i co uma percepção es p e c i f i c a m e nt e l i g a d a à co n c e p ç ã o d a m u n d i a l i za ção. Também Maj i d Ra h n e m a 28 d e s m i s t i f i c a o co n c e i t o d e “ p o b re za ”. Distingue a simpl i c i d a d e d e v i d a d a p o b re za fa b r i c a d a s o c i a l m e nt e para impor um “c re s c i m e nt o ” g e ra d o r d e m i s é r i a s o c i a l e m n o m e de miragens quant i t at i va s d o P I B. Es t a s m i ra g e n s re s u l t a m d a p i o r das colonizações: a co l o n i za ç ã o d o i m a g i n á r i o. M a j i d Ra h n e m a d e monstra mesmo, co m n u m e ro s o s exe m p l o s, q u e s ó a s i m p l i c i d a d e permite uma riqu e za d e co nv í v i o, f rat e r n i d a d e e q u a l i d a d e d e v i d a . A “simplicidade vo l u nt á r i a ” é a p a n á g i o d e s s a c u l t u ra d e b e m e s t a r e de solidariedad e d e s d e q u e f i q u e s a l va g u a rd ad a a re s p o s t a à s n ecessidades básica s . Foi com o triunfo d u m a f í s i c a s o c i a l e d u m a e co n o m i za ç ã o m e c a nicista da política e d u m a a nt i - é t i c a b a s e a d a n o e g o í s m o e n a p redação – dar winis m o s o c i a l – q u e s e co n s o l i d o u o co n c e i t o d e c re s cimento económi co, d o m i n a nt e n o o c i d e nt e . M a s, p a ra d oxa l m e nt e , foi também no oc i d e nt e q u e s e g e ro u a c r í t i c a a o p o s i t i v i s m o m e c a nicista. é cada ve z m a i s c re s c e nt e a d e fe s a d a s re l a ç õ e s s i m b i ó t i c a s dos ecosistemas e co m e ç a - s e a q u e re r s u b s t i t u i r a co n c e p ç ã o “ re l o jo eira do universo ”, t a l co m o re fe re Re n é Pa s s e t 2 9 . Sobre o ponto de v i s t a g l o b a l d a e co - e co n o m i a , o q u e s e p a s s o u ?
27

a) A utilização das energias fósseis para a construção duma tecnosfera crescente (cidades/indústrias/construções em geral/pavimentação de estradas, caminhos de ferro, etc .) delapidou os bens natura i s

Idem. Idem. Re n é Pa s s e t , “A I l u s ã o n e o - l i b e ra l ”, Ed .

28 29

Te r ra m a r, 2 0 0 1 ; “ L’é co n o m i q u e e t l e v i va nt ”, 2 è m e Ed i t i o n , Eco n o m i c a , 1 9 9 6 .

d a b i o s fe ra ( á g u a /m e t a i s /p e t ró l e o / á r vo re s /a n i m a i s / . . . ) . b ) U m a p a r t e s u b s t a n c i a l d e s s e c a p i t a l n at u ra l fo i t ra n s fo r m a d o e m e s t r u t u ra s m e c â n i c a s a r t i f i c i a i s q u e co n s t i t u e m a t e c n o s fe ra a c t u a l , a b r i n d o u m fo s s o c re s c e nt e e nt re o h o m e m e a n at u re za . c ) Po r o u t ro l a d o é c a d a ve z m a i s p ro b l e m át i co d a r re s p o s t a a u m a p o p u l a ç ã o e m c re s c i m e nt o ex p o n e n c i a l , d ev i d o a o p ro g re s s i vo e s g o t a m e nt o d o s b e n s n at u ra i s e s o b re t u d o p o rq u e o s b e n s d e co n s u m o d i s p o n í ve i s s ã o a c a p a ra d o s p o r u m a m i n o r i a , e n q u a nt o q u e u m a l a rg a m a i o r i a é o b r i g a d a a v i ve r co m u m a e s c a s s a p a r t e d o “ b o l o ”. O s t ra b a l h o s d e Pa u l H a w ke n , A m o r y Lov i n s e H u nt e r Lov i n s 3 0 s o b re o c a p i t a l i s m o n at u ra l e a i n d a a s i nve s t i g a ç õ e s d e A n d ré e M at h i e w 3 1 e d e M c D o n o u g ht 3 2 e B ra u n g a r t e n 3 3 , n o d o m í n i o d a co n s t r u ç ã o / t e r r i t ó r i o e d e s i g n , m o s t ra m - n o s q u e o d e s g a s t e d o s b e n s n at u ra i s – “ re c u r s o s ” – t e m e s b a n j a d o a re s e r va - h e ra n ç a d o f u n d o n at u ra l c r i a d a a o l o n g o d e b i l i õ e s d e a n o s . Ta m b é m s e p ro d u ze m m a i s l i xo s co nt a m i n a nt e s d o q u e a q u e l e s q u e a n at u re za p o d e re g e n e ra r. O p ro b l e m a e m t e r m o s e co - e co n ó m i co s é q u e o s s e r v i ço s e co - s i s t é m i co s d a re g e n e ra ç ã o p l a n e t á r i a q u e a n at u re za p o s s u i ( f l o re s t a s, t e r ra s h ú m i d a s, o c e a n o s, e s t u á r i o s, e t c . ) q u e s ã o b i o f i l t ro s re c i c l a d o re s (a u t ê nt i co s o rg ã o s d e s t a f i s i o l o g i a p l a n e t á r i a ) e n co nt ra m - s e
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23

Paul Hawken, Amor y Lovins e L . Hunter Lo -

o b s t r u í d o s n ã o d a n d o re s p o s t a à s n e c e s s i d a d e s ex i g i d a s p e l a re g en e ra ç ã o d o c a p i t a l n at u ra l . co m o j á d i s s e m o s, á g u a s u s a d a s e l i xo s e nt o p e m a b i o d e p u ra ç ã o n at u ra l q u e fo i a g re d i d a e m u t i l a d a p e l a i nt e r ve n ç ã o a nt ró p i c a d a t e c n o s fe ra b a s e a d a e m e n e rg i a s fó s s e i s e e m m at e r i a i s p o l u e nt e s . A q u e s t ã o c e nt ra l é : a ) Eco d e s e nvo l ve r e b i o re g e n e ra r o s e co s i s t e m a s d e b i o re g e n e ra ç ã o q u e a n at u re za p o s s u i ( re f l o re s t a r, m e l h o ra r a s t e r ra s h ú m i d a s,

v i ns, “Natural capitalism”, Ed. Rocky Moun t a in Institute, 2006.
31 32

A. Mathiew, Enc . L’Agora. McDonought & M. Braungar t, “The Next

I n dustrial Revolution”, Ed. Nor th Point Press. Ex iste também um filme- documentário de 5 5 m, “The Next Industrial Revolution”, McDon ought & M. Braungar t, Prod. Ear thome, 2 0 01.
33

McDonought & M. Braungar t, “c radle to

c radle”, Ed. Nor th Point Press, N.Y., 2002.

re naturalizar curs o s d e á g u a , e t c . ) ; b) Transformar, no m a i s b reve p ra zo p o s s í ve l , a t e c n o s fe ra e a t e c n o civilização em eco t e c n o s fe ra e e m e co t e c n o l o g i a . Es t e fo i o s e nt i d o das obras dos not áve i s i nve s t i g a d o re s e p e n s a d o re s d e s d e o p i o n e i ro Patrick Geddes 34 , Le w i s M u m fo rd 35 , J a c q u e s E l l u l 3 6 , I va n I l l i c h 3 7 , a Schumacher 38 . Um a n ova e co c i v i l i za ç ã o t e rá d e s e r co n s t r u í d a co m essa atitude posi t i va fa c e à GA I A – a b i o re g e n e ra ç ã o. Muitos dos ambie nt a l i s t a s a i n d a n ã o p e rc e b e ra m e s t a at i t u d e p o sitiva na defesa d a b i o re g e n e ra ç ã o d o s s e r v i ço s e co s i s t é m i co s, s ó possível com a m u d a n ç a d e s t a t e c n o c i v i l i za ç ã o fó s s i l p a ra u m a e co civilização. Têm m u i t a s ve ze s u m a at i t u d e d e fe n s i va e m a l t h u s i a n a , assentando mais a s s u a s p rát i c a s i nt e r ve nt i va s n a b i o re m e d i a ç ã o. contudo, para nó s, a b i o re m e d i a ç ã o s ó t e m s e nt i d o q u a n d o o s “ l ixos” deixarem de s e r l i xo s p a ra s e t o r n a re m e m n u t r i e nt e s s a l u b re s, isto é, recicláveis e s e m d e i xa re m s e q u e l a s d e co nt a m i n a ç ã o. como veremos a s e g u i r, o d e c re s c i m e nt o s u s t e nt áve l s ó t e m s e nt i d o como meio tác tico d e fa ze r re t ro c e d e r a a c t u a l t e c n o s fe ra p a ra d a r lugar a uma eco-t e c n o s fe ra , a c a b a n d o co m a u t i l i za ç ã o d a s e n e rg i a s fósseis e dos mate r i a i s co nt a m i n a nt e s e i m p e d i n d o a s i n j u s t i ç a s f l a grantes criadas p e l o fo s s o e nt re a s s o c i e d a d e s d e e s b a n j a m e nt o e dominação sobre a s s o c i e d a d e s d o m i n a d a s e e s p o l i a d a s . Bioregenerar os s e r v i ço s e co s i s t é m i co s é re f l o re s t a r, c r i a r j a rd i n s filtrantes e dese nvo l ve r u m a a g ro - e co l o g i a c r i a n d o m e t a b o l i s m o s circulares de man e i ra a q u e t o d o s o s n u t r i e nt e s re t o m e m o c i c l o natural em que na d a s e p e rd e e t u d o s e t ra n s fo r m a . A e co c i v i l i za ç ã o não pode ter “lixo s ”. O s “ l i xo s ” n ã o s e rã o m a i s “ l i xo s ” m a s s i m n u tr ientes duma GA I A re j u ve n e s c i d a . Neste contexto b i o - re g e n e rat i vo, o p ro b l e m a d e m o g rá f i co n ã o é o
34

ve r P h i l i p B o a rd m a n “ T h e w o r l d s o f Pat r i c k

G e d d e s : B i o l o g i s t , To w n P l a n n e r, Re - e d u c at o r, Pe a c e - wa r r i o r ”, 1 9 7 8 e vo l ke r M . We l t e r “ B i opolis, Patrick Geddes and the city of Life”, 2002.
35 36

o p. c i t . J e a n - L u c Po rq u e t , “J a c q u e s E l l u l , l ’ h o m m e

q u i ava i t p re s q u e t o u t p rév u ” Ed . Le c h e rc h e m i d i , Pa r i s, 2 0 0 3 .
37

I va n I l l i c h , “ L a co nv i v i a l i t é ”, Ed i t i o n s d u E . F. S c h u m a c h e r, “ S m a l l i s b e a u t i f u l ”, Ed .

S e u i l , Pa r i s, 1 9 7 3 .
38

D. qu i xo t e , L i s b o a , 1 9 8 0 .

p e s a d el o q u e o s n e o - m a l t h u s i a n o s n o s q u e re m fa ze r c re r, m a s s i m a m u d a n ç a e s t r u t u ra l d a c i v i l i za ç ã o q u e s e t e m d e fa ze r a nt e s d e t u d o. A re g u l a ç ã o e q u i l i b ra d a e nt re p o p u l a ç ã o e d i s p o n i b i l i d a d e d a b i o sfe ra re g e n e ra d a fa z- s e at ravé s d e p ro c e s s o s e d u c at i vo s e c u l t u ra i s, t e n d o e m v i s t a u m a p ro c r i a ç ã o co n s c i e nt e . co n c l u i n d o, o c a p i t a l i s m o i n d u s t r i a l co m a s u a t e c n o s fe ra e s t á a d e s t r u i r o c a p i t a l i s m o n at u ra l b i o s fé r i co. M a nt e n d o o s o b re co n s u m o a c t u a l , a s o c i e d a d e co n s u m i s t a e n d i v i d o u - s e fa c e a o c a p i t a l n at u ra l , d e q u e s e t e m s e r v i d o, d u m a fo r m a e s b a n j a d o ra . A s s i m , o q u e c h a m a m o s “ re c u r s o s ” ( p e t ró l e o, á g u a p o t áve l , m i n é r i o s, e t c . ) é u m a ren d a q u e a h u m a n i d a d e re c e b e u co m o h e ra n ç a d e 3 , 8 b i l i õ e s d e a n o s d e v i d a d o p l a n e t a . Es t a re n d a , e s g o t áve l , e s t á a s e r d e l a p i d a d a . To r n o u - s e h o j e , n u m a d í v i d a q u e a s g e ra ç õ e s p a s s a d a s co n t ra i ra m . E , s e n ã o s e m u d a re m o s p re s s u p o s t o s d e s s a s o c i e d a d e d e co l o n i a l i s m o b i o s fé r i co e d e i m p e r i a l i s m o s ó c i o e s fé r i co, a s g e ra ç õ e s f u t u ra s s e rã o ex p o s t a s à p e n ú r i a o u o q u e é m a i s g rave a i n d a , à c at á s t ro fe e a o e co c í d e o q u e a s g e ra ç õ e s d e h o j e a j u d a ra m a m u l t i p l i c a r. O co m p ro m i s s o i nt e rg e ra c i o n a l ro m p e - s e , d e s t e m o d o d u m a fo r m a d e f i n i t i va . O i nve s t i m e nt o i nt e l e c t u a l o u s e j a , o c a p i t a l “ i m at e r i a l ” n a é p o c a i n fo r m a c i o n a l , g a n h a h o j e , u m a i m p o r t â n c i a d e c i s i va . Es t a n o o s fe ra co n s c i e n c i a l i za e reve l a a s co nt ra d i ç õ e s e nt re o c a p i t a l n at u ra l – b i o s fe ra e o c a p i t a l m at e r i a l – t e c n o s fe ra . E p o r s u a ve z é t a m b é m m a i o r a co n s c i ê n c i a e nt re a s co nt ra d i ç õ e s e d e s i g u a l d a d e s e nt re a s c l a s s e s s o c i a i s – s o c i o s fe ra . Tu d o i s t o a fe c t a d e u m a m a n e i ra c re s c e nt e a g e s t ã o s a u d áve l e h a rm ó n i c a e nt re o h o m e m , a n at u re za e a t é c n i c a . To d av i a , e s s a n o o s fe ra p e r m i t i u a n o ç ã o d e b e m co m u m , o u s e j a d o i nt e re s s e p ú b l i co,
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sobretudo quand o n o s re fe r i m o s à c r i s e e co l ó g i c a e m q u e n o s e n contramos. Esta c r i s e e co l ó g i c a p l a n e t á r i a g e ra a m p l a s p l at a fo r m a s unitárias na defe s a d e u m b e m co m u m p e l a s o b rev i vê n c i a d a h u manidade que co r re g rave s r i s co s n o a c t u a l m o d e l o c i v i l i za c i o n a l . Assim, começa a s e r a c e i t e , t ra n sve r s a l m e nt e , co m o i m p re s c i n d í ve l , a necessidade da t ra n s fo r m a ç ã o d a t e c n o l o g i a e m e co t e c n o l o g i a , d a megamáquina cid a d e e m e co u r b a n i s m o e d a co n s t r u ç ã o co nt a m i nante em ecocons t r u ç ã o e co l o g i c a m e nt e s u s t e nt áve l . O e s t u d o d o s metabolismos e a co m p re e n s ã o d a p e g a d a e co l ó g i c a , reve l a m i n s u s tentáveis situaçõ e s d e d e s i g u a l d a d e , i n j u s t i ç a e exc l u s ã o s o c i a l . Porém, não tenha m o s i l u s õ e s : e s t a c a u s a co m u m d a s o b rev i vê n c i a da humanidade s o f re o o l h a r i nt e re s s a d o e i nt e re s s e i ro d a q u e l e s que “ganham” co m a s d e s i g u a l d a d e s e i n j u s t i ç a s, e m b o ra e l e s g a nhem só a cur to p ra zo, n o a c t u a l s i s t e m a d e cre s c i m e nt o. N ã o a ssistiremos contud o a n e n h u m a i m p l o s ã o d o s i s t e m a e n q u a nt o e s s a minoria continuar a t e r a c a p a c i d a d e d e re p ro d uz i r o “ m o d e l o ” c i v i l izacional e a maio r i a n ã o fo r c a p a z d e i m p l e m e nt a r, p ro g re s s i va m e n te, um outro mun d o p o s s í ve l . Nesta óptica nasceu o projec to alteromundialista em que é possível assistirmos a várias lógicas diferenciadas de reformistas e radicais que se empenham na mudança da tecnosfera em ecotecnosfera tentando, independentemente dos contextos, implementar experiências exemplares que concorram para revelar um outro mundo possível desde já. Ao mesmo tempo, na socioesfera os direitos sociais e a regulamentação em prol da causa comum planetária tenderá, no futuro, a tornar ilegal todas as práticas egoístas e suicidárias que levam ao ecocídio da espécie humana. Para que se possam isolar essas práticas egoístas e ecosuicidárias vai ser necessário o aparecim e nt o

d e p l at a fo r m a s re i v i n d i c at i va s, re d e s d e a c t i v i s t a s e co l ó g i co s e a s re fe r i d a s m ú l t i p l a s ex p e r i ê n c i a s exe m p l a re s q u e p o s s a m p e r m i t i r a v i s u al i za ç ã o co n c re t i za d a d e u m o u t ro m o d e l o d e c i v i l i za ç ã o p o ss í ve l . Re d u z i r, re c i c l a r, re n ova r, re u t i l i za r e re p e n s a r t e n d e rã o a s e r a co m p a n h a d o s p e l a l e g i s l a ç ã o. Po r exe m p l o, o s a co rd o s d e K i o t o e o s m ov i m e nt o s g e ra d o s a p a r t i r d e s t a c a u s a co m u m , p o d e rã o s e r o n a s c i m e nt o d e u m a t e nt at i va d e p a r t i c i p a ç ã o e m n ovo s a co rd o s p a ra a re g u l a ç ã o, v i s a n d o u m a h a r m o n i za ç ã o e nt re a t e c n o s fe ra e a b i o s fe ra . M a s t o d o s t ê m d e e s t a r co m p ro m e t i d o s e n ã o p o d e m e s t a r a u s e nt e s, co m o é o c a s o a c t u a l d o s Es t a d o s U n i d o s d a A m é r i c a q u e s ã o re sp o n s avé i s p o r 1 / 3 d a s e m i s s õ e s d e g a s e s co m i n c i d ê n c i a n a s m u d a n ç a s c l i m át i c a s .

2 . O D e c re s c i m e nt o S u s t e nt áve l S ó co m u m a a b o rd a g e m e p i s t e m o l ó g i c a d a e co - e co n o m i a s e p o d e rá e m p re e n d e r a c r í t i c a d o c re s c i m e nt o e co n ó m i co e a d o p t a r a e s t ra t é g i a d o e co d e s e nvo l v i m e nt o. Po ré m , o co n c e i t o d e e co d e s e nvo l v im e nt o t e m s o f r i d o t a m b é m at r i b u l a ç õ e s e p i s t e m o l ó g i c a s . Es t a n ova co n c e p ç ã o, q u e s u b e nt e n d e a b i o e co n o m i a , re c e b e u m ú lt i p l o s at a q u e s e d e t u r p a ç õ e s . J á e m 1 9 7 4 q u a n d o o c l u b e d e Ro m a s e p ro n u n c i ava c r i t i c a m e nt e s o b re o m i t o d o c re s c i m e nt o fa c e a o s re c u r s o s l i m i t a d o s d o p l a n e t a ( t o r n a n d o a s s i m i nv i áve l e s t a co n c e p ç ã o co m o o b j e c t i vo p l a n e t á r i o) I g n a c y S a c h s v i u re t i ra re m d o t ex t o d a s N a ç õ e s U n i d a s o co n c e i t o d e e co d e s e nvo l v i m e nt o q u e p ro p u s e ra . H e n r y K i s s i n g e r i nt e r v i ra p e s s o a l m e nt e p a ra ve t a r o t e r m o d e e co d e s e nvo l v i m e nt o. 3 9 Nessa altura, para edulcorar a noção de crescimento, começou a falar39

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José Manuel Naredo, http://habitat .aq.upm.es

se em desenvolvimento sustentado ou simplesmente sustentabil i d a d e .

com este eufemis m o d e s u s t e nt a b i l i d a d e o re fe re nt e “e co ” d a b i o sfera ficou anulado. Pe r m i t i u - s e a s s i m co n f u n d i r co n c e p ç õ e s t e ó r i c a s antagónicas. com esta banaliza ç ã o d a p a l av ra s u s t e nt a b i l i d a d e a e co n o m i a co nt inuou reduzida a u m a t é c n i c a co nt a b i l í s t i c a e s c a m o t e a n d o a i m p o rtância duma rupt u ra e nt re a v i s ã o m e c a n i c i s t a d o m u n d o e u m a v i são ecosistémica. A b i o s fe ra n ã o é t i d a e m co nt a co m o “a l m a m at e r ” de todo o process o e co n ó m i co. Por outro lado, a v i s ã o d e s t a e co n o m i a n e o l i b e ra l n ã o l eva e m co nt a a vida real das pe s s o a s . A p o l í t i c a re d u z- s e a u m m a r ke t i n g d e c a ç a aos votos. O cres c i m e nt o v i s a a p e n a s o s l u c ro s d u m a m i n o r i a c a d a vez mais concent ra d a e i n s t a l a d a n o p o d e r, a l h e i a a o s i m p a c t o s d a fossilizada tecnos fe ra n o s e co s i s t e m a s . Por um lado produ ze m - s e n e c e s s i d a d e s a r t i f i c i a i s e co m p u l s i va s q u e geram destruição e n q u a nt o a s n e c e s s i d a d e s b á s i c a s (a l i m e nt a ç ã o, saúde e cultura) n ã o s ã o s at i s fe i t a s e m l a rg o s s e c t o re s d a s o c i e d a d e . Assim o ac tual pro c e s s o c i v i l i za c i o n a l , h e g e m o n i c a m e nt e o r i e nt a d o numa perspec tiva n e o - l i b e ra l , p ro d u z ex p l o ra ç ã o e exc l u s ã o s o c i a l ao mesmo tempo q u e e s g o t a e co nt a m i n a a b i o s fe ra . “16% da populaç ã o m u n d i a l g a s t a 8 6 % d o s b en s d e co n s u m o, e n quanto que 84% d a p o p u l a ç ã o m u n d i a l s o b rev i ve a p e n a s co m 1 4 % dos bens disponíve i s .” 40 Note-se que este fo s s o t e m v i n d o a c re s c e r d u m a fo r m a co n s t a nt e , mostrando o cará c t e r co n c e nt ra c i o n á r i o d o c a p i t a l i s m o e s u a s co n sequências: . O centralismo; . A divisão técnica e s o c i a l d o t ra b a l h o ; . Uma tecnosfera fó s s i l , e s b a n j a d o ra e co nt a m i n a nt e ;
40

E r v i n L a s l o, “ Tu p u e d e s c a m b i a r e l m u n d o ”,

p á g . 1 1 , Ed . N o w t i l u s, M a d r i d , 2 0 0 4 .

. O d e s e nvo l v i m e nt o d e s i g u a l d a s re g i õ e s, p a í s e s e co nt i n e nt e s ; To d o s e s t e s fe n ó m e n o s s ã o re s p o n s áve i s p e l o s f l u xo s m i g rat ó r i o s d e s o b rev i vê n c i a , p e l o d e s e m p re g o e p e l a co n c e nt ra ç ã o d e r i q u e za s n u m l a d o e m i s é r i a n o o u t ro, p e l a fo r m a ç ã o d e d i t a d u ra s p o l í t i c a s e g e n o c í d i o s g l o b a i s, p e l a “ p e g a d a e co l ó g i c a ” e nt re a c i d a d e e o c a m p o, p e l o s a q u e d a s r i q u e za s n at u ra i s d e u n s p a í s e s s o b re o u t ro s p aí s e s, d e re g i õ e s s o b re o u t ra s re g i õ e s . Pa ra q u e e s s e p ro c e s s o a u t o fá g i co, s o c i a l e e co l o g i c a m e nt e , n ã o s e t o r n e i r reve r s í ve l p a ra a h u m a n i d a d e é n e c e s s á r i o u m m o d e l o c i v il i za c i o n a l q u e re g e n e re o c a p i t a l n at u ra l . co m o t e m o s v i n d o a d i ze r, p a ra i s s o é n e c e s s á r i o c r i a r u m m e t a b o l i s m o b i o l ó g i co c i rc u l a r q u e p e r m i t a re c i c l a r o s n u t r i e nt e s i nve r t e n d o o p ro c e s s o l i n e a r d e e s g o t a m e nt o e co nt a m i n a ç ã o. é t a m b é m n e c e s s á r i o q u e o m e t a b o l i s m o t é c n i co s e j a re u t i l i záve l d e m a n e i ra a q u e p o s s a s e r v i r u m a n ova e co t e c n o s fe ra . O co n c e i t o p e d a g ó g i co d e “ p e g a d a e co l ó g i c a ” d o s P ro fe s s o re s M at i s Wa c ke r n a g e l e Wi l l i a m Re e s 4 1 , f u n d a m e nt a d o t a m b é m p e l o Wo r l d Wi d e Fu n d ( W W F ) , p e l o G u i a d o s Re c u r s o s M u n d i a i s ( P ro g ra m a d a s N a ç õ e s U n i d a s p a ra o D e s e nvo l v i m e nt o) e a i n d a p e l o B a n co M u n d i a l reve l a - n o s q u e o n o r t e - a m e r i c a n o m é d i o n e c e s s i t a d e 9 , 6 h e c t a re s b i o p ro d u t i vo s p a ra o s e u co n s u m o, e n q u a nt o q u e u m a g ra n d e m a i o r i a d e p ovo s a f r i c a n o s e a s i át i co s n ã o at i n g e 1 h a . A “ p e g a d a e co l ó g i c a ” m u n d i a l j á u l t ra p a s s o u a c a p a c i d a d e b i o l ó g i c a d a t e r ra e m p ro d u z i r b e n s e a b s o r ve r l i xo s . E l a s o b re co n s o m e . vi ve a c i m a d o s s e u s re c u r s o s e d a s re s e r va s n at u ra i s . Se se generalizasse a utilização massiva das energias fósseis e maté41

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Wakernagel e Rees, “Notre Empreinte Eco-

rias-primas a toda a humanidade, para se atingirem os consumos médios idênticos aos do cidadão nor te-americano, seriam necessários 3

l o gique”, Ed. Eyrolles, 2005.

pl anetas idêntico s à t e r ra . . . I s t o j á fo i re co n h e c i d o p o r m u i t a g e nt e , até mesmo pelo P re s i d e nt e f ra n c ê s J a c q u e s c h i ra c ! Por isso, os impe rat i vo s s o c i a i s e a m b i e nt a i s o b r i g a m a u m a m u dança civilizacion a l p a ra a s o b rev i vê n c i a d a h u m a n i d a d e . Po ré m , o desenvolvimento e co l o g i c a m e nt e s u s t e nt a d o s ó p o d e i m p l a nt a r- s e com o decrescime nt o s u s t e nt a d o o u s e j a , a p ro g re s s i va e l i m i n a ç ã o das fontes de ene rg i a fó s s i l e d a p ro d u ç ã o d e m at e r i a i s e s g o t a nt e s e contaminantes. Es t a t e m át i c a d e d e c re s c i m ent o t e m u m a d i f í c i l aceitação pela eve nt u a l a m b i va l ê n c i a s e m â nt i c a d o s e u d i s c u r s o. Porém, se analisa r m o s g e o p o l i t i c a m e nt e o m u n d o, a p e rc e b e m o - n o s, de imediato, que ex i s t e m d u a s co n f i g u ra ç ã o s d e p a í s e s fá c e i s d e localizar no mapa . A fa i xa d e p a í s e s n o h e m i s fé r i o n o r t e , p a í s e s q u e obtiveram maior c re s c i m e nt o, c h a m a d o s t a m b é m p a í s e s r i co s, co i n cidindo no geral co m o G 8 , a p re s e nt a m m a i o r í n d i c e d e e s b a n j a mento e poluição. A “ p e g a d a e co l ó g i c a ” d e s s a fa i xa d e p a í s e s reve l a os grandes deved o re s e co l ó g i co s . é v i s í ve l , n e s t a re l a ç ã o d o m a p a mundi ecológico, q u e t a i s p a í s e s a o b o m b e a re m a s r i q u e za s b i o s fé ricas para seu prove i t o t e c n o s fé r i co, t ê m u m a q u o t a d e co nt a m i n a ção do planeta su b s t a n c i a l m e nt e m a i o r q u e o u t ro s p a í s e s . é n at u ra l pois que sejam re s p o n s a b i l i za d o s p o r e s s a s i t u a ç ã o. Po r i s s o, e m b o ra os atentados e co l ó g i co s n ã o s e p o s s a m a n a l i s a r p e l o e s p a r t i l h o quantitativo e me rc a nt i l ( p o i s e s t á e m j o g o a v i d a d a h u m a n i d a d e e já vimos o quão p reve r s o e i m o ra l p o d e s e r o co n c e i t o d e p o l u i dor/pagador) imp o r t a q u e a s i n s t â n c i a s p o l í t i c a s e i nt e r n a c i o n a i s imponham rapida m e nt e a e s s e s p a í s e s e s b a n j a d o re s o s i m p e rat i vo s para a recuperaçã o d e á re a s d e g ra d a d a s e co l o g ic a m e nt e a n í ve l p l anetário e obrigue m t a m b é m à re d u ç ã o d o s g a s t o s d e e n e rg i a fó s s i l e materiais não rec i c l áve i s .

Pa ra i s s o, é i m p re s c i n d í ve l a e l i m i n a ç ã o d e n e c e s s i d a d e s s e c u n d á r i a s e a r t i f i c i a i s e m p o l a d a s p e l a s o c i e d a d e d e co n s u m o. O d e s c re s c i m e nt o s u s t e nt áve l n ã o é fe i t o n u m a l ó g i c a d e d e c re s c i m e nt o p o r d e c re s c i m e nt o. é a re d u ç ã o e m e t a m o r fo s e d e u m p ro c e s s o p ro d ut i v i s t a i n s u s t e nt áve l p a ra d a r l u g a r a o d e s e nvo l v i m e nt o e co l o g i c a m e nt e s u s t e nt áve l . é p e r m i t i r o a p a re c i m e nt o d e u m a e co t e c n o s fe ra b a s e a da n a s e n e rg i a s re n ováve i s, n o m e t a b o l i s m o b i o l ó g i co c i rc u l a r c a p a z d e re c i c l a r e re g e n e ra r o c a p i t a l n at u ra l p l a n e t á r i o. é c r i a r o m e t a b o l i s m o e co t e c n o l ó g i co c a p a z d e re u t i l i za r, n o c i rc u i t o i nt e rg e ra c i o n a l , o s b e n s a r t i f i c i a i s c r i a d o s a o l o n g o d o p ro c e s s o d e h u m a n i za ç ã o. Es t a e co c i v i l i za ç ã o é u m a c i v i l i za ç ã o o p o s t a à c i v i l i za ç ã o d o “ t e r ”, co n s u m i s t a e p re d a d o ra . A e co - c i v i l i za ç ã o va l o r i za a d i m e n s ã o d a co nv i a b i l i d a d e , d o a l a rg a m e nt o d a co n s c i ê n c i a e d a c r i at i v i d a d e , p ró p r i a s d u m a c i v i l i za ç ã o e c u l t u ra d o “s e r ”, co m o d i z i a E r i c h Fro m m 4 2 . N e s t e s e nt i d o o d e c re s c i m e nt o s u s t e nt áve l é u m m e i o, u m p ro c e s s o i m p re s c i n d í ve l p a ra fa ze r s u rg i r, d u m a fo r m a s a u d áve l , o d e s e nvo l v i m e nt o e co l o g i c a m e nt e s u s t e nt áve l . N a s p a l av ra s d e Pi e r re Ra b h i 4 3 a p a re c e c l a ra m e nt e u m a n ova é t i c a : “ N o co nt ex t o a c t u a l , o d e c re s c i m e nt o s u s t e nt áve l , l o n g e d e s e r u m a a l t e r n at i va re g re s s i va , é u m ve rd a d e i ro p ro g re s s o, f u n d a d o n a e s co l h a d e u m a l ó g i c a q u e p õ e f i n a l m e nt e o h o m e m e a n at u re za n o c e n t ro d a s s u a s p re o c u p a ç õ e s . A e co n o m i a , a c i ê n c i a e a t é c n i c a , a s s i m co m o t o d o s o s s a b e re s e s t ã o a o s e r v i ço d o h o m e m e d a n at u re za . co nt ra r i a m e nt e a u m s i s t e m a d e exc l u s ã o, t o t a l i t á r i o e c a d a ve z
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Erich Fromm, “To have or to be”, Ed. c I PB, Pierre Rabhi, “Revue Terre et Humanisme”,

m a i s co n c e nt ra c i o n á r i o, co n d e n a d o à a s f i x i a , o d e c re s c i m e nt o s u s t e nt áve l a b re o c a m i n h o d a c r i at i v i d a d e ex t re m a m e nt e fé r t i l , à e s c a l a h u m a n a i m p l i c a n d o c a d a ve z m a i s g e nt e . N o e nt a nt o, e s t a

U SA, 2005.
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Ed . Terre et Humanisme, 2006.

o p ção não terá su c e s s o s e n ã o h o u ve r u m co m p o r t a m e nt o i n d i v i d u al baseado na mo d e ra ç ã o e a u t o - l i m i t a ç ã o co m o u m a é t i c a d e v i d a e fonte de satisfaçã o i nt e r i o r.” Não interessa as c e n d e r a u m c re s c i m e nt o m i ra g e m b a s e a d o e m competitividades q u e a p e n a s d e s t ro e m o s b e n s n at u ra i s e a u m e n tam a exclusão so c i a l . O c h o q u e t e c n o l ó g i co d eve r i a s e r e co t e c n ológico. A ciência e t e c n o l o g i a d eve r i a m t o r n a r- s e e m e co t e c n o l o g i a e os desígnios co nt a b i l í s t i co s d e c r i t é r i o s q u a nt i t at i vo s d eve r i a m substituir-se por m u d a n ç a s q u a l i t at i va s d e q u a l i d a d e d e v i d a , d e solidariedade, de c r i at i v i d a d e e co nv i a b i l i d a d e .

3. O Desenvolvim e nt o Eco l o g i c a m e nt e S u s t e nt áve l O desenvolviment o e co l o g i c a m e nt e s u s t e nt áve l n ã o é u m a i d e o l o g i a pré- estabelecida, u m m o d e l o fe c h a d o e e s t át i co q u e s e p o s s a i m p o r do dia para a noit e . A ac tual tecnosfe ra co n s t r u í d a s o b re o s p i l a re s d a e n e rg i a fó s s i l e al icerçada em gra n d e p a r t e d e m at e r i a i s n ã o re c i c l áve i s e n ã o re u t ilizáveis, funciona n d o n u m m e t a b o l i s m o l i n e a r m e c a n i c i s t a , g e ra d o r de lixo e de esgot a m e nt o d e re c u r s o s n at u ra i s t o r n o u - s e i n a d e q u a da e inviável face à b i o s fe ra e a o s l i m i t e s d o s b e n s n at u ra i s : 1. A água potável t e m v i n d o a d e c re s c e r e m e t a d e d a s t e r ra s h ú m idas desaparecera m d e s d e o s é c u l o p a s s a d o ; 2. A desflorestaçã o t o r n o u - s e co nt í n u a , d e s t r u i n d o a b i o d i ve r s i d a d e e as potencialida d e s a g ro - e co l ó g i c a s . D u ra nt e o s é c . X X m e t a d e d a s florestas foram co r t a d a s ; 3. 70% das reser va s d e p e i xe d o m a r e s t ã o e s g o t a d a s ; 4 4 4. As poluições g l o b a i s t ê m o r i g i n a d o s u c e s s i va s c at á s t ro fe s q u e contribuem para a s p e r t u r b a ç õ e s c l i m át i c a s ;
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P ro g ra m a d a s N a ç õ e s U n i d a s, “A g u i d e t o

t h e w o r l d re s o u rc e s ”.

U rg e p o r t a nt o s u b s t i t u i r e s t a t e c n o s fe ra p o r u m a e co t e c n o s fe ra c a p a z d e n ã o co l i d i r co m a b i o s fe ra . Pa ra i s s o é e s s e n c i a l e s t a b e l e c e re m - s e , a vá r i o s n í ve i s, p ro c e s s o s d e t ra n s i ç ã o. Es s e s m ú l t i p l o s p ro c e s s o s d e t ra n s i ç ã o t ê m q u e s e d e s e nvo l ve r at ravé s d e u m a m p l o m ov i m e nt o c u l t u ra l e e d u c at i vo e co m n u m e ro s a s ex p e r i ê n c i a s exe m p l a re s : n ova s e s co l a s, i n s t i t u i ç õ e s e e m p re s a s, e m a r t i c u l a ç ã o s i m b i ó t i c a e s i n e rg é t i c a d e m o d o a q u e s e p o s s a m e s t a b e l e c e r p ro f u n d a s m u d a n ç a s e p i s t e m o l ó g i c a s e c u l t u ra i s, c i e nt í f i c a s e s o c i a i s, n ã o a p e n a s a n í ve l d a s o p i n i õ e s m a s s o b re t u d o n a c r i a ç ã o d e n ova s at i t u d e s e co m p o r t a m e nt o s . I m p o r t a s u b s t i t u i r t o d o o p a ra d i g m a t e c n o - c i e nt í f i co p o r u m a e co t e c n o l o g i a b a s e a d a e m e n e rg i a s re n ováve i s e m at e r i a i s re c i c l áve i s . Es t e n ovo p ro c e s s o, q u e co n s i s t e e m va l o r i za r a v i s ã o e co s i s t é m i c a p l a n e t á r i a , ex i g e a u l t ra p a s s a g e m d o c a r t e s i a n i s m o, d o o c i d e nt a l o c ra c i s m o e d a s o c i e d a d e d e co n s u m o. D e fa c t o, o a nt a g o n i s m o e n t re o a c t u a l m o d e l o d a t e c n o s fe ra e a b i o s fe ra , e s t á c a d a ve z m a i s co n s c i e n c i a l i za d o n o s c i e nt i s t a s, t é c n i co s e t a m b é m n a p o p u l a ç ã o e m g e ra l . Ex i s t e , p o r t a nt o, u m n ú m e ro c a d a ve z m a i o r d e c i d a d ã o s e nvo l v id o s n e s t a f re nt e e co l ó g i c a p o i s e l a é t ra n sve r s a l a t o d a s a s camadas sociais. I s t o e q u i va l e a a c a b a r co m o l i xo i n s t a u ra n d o u m p ro c e s s o d e m e t a b o l i s m o c i rc u l a r: 1 . O l i xo d eve d e i xa r d e s e r l i xo p a ra p a s s a r a s e r n u t r i e nt e ; 2 . O m e t a b o l i s m o d o c h a m a d o “ l i xo o rg â n i co ” p a s s a a s e r n u t r i e nt e b i o l ó g i co d a a g ro e co l o g i a e d o s c i c l o s n at u ra i s d a b i o s fe ra ; 3 . O s l i xo s t e c n o l ó g i co s p a s s a m a s e r n u t r i e nt e s d a e co t e c n o s fe ra q u e re c i c l a e re u t i l i za t o d a a l o g í s t i c a t e c n o - c i v i l i za c i o n a l n u m p roc e s s o d e m e t a b o l i s m o t é c n i co c i rc u l a r;
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Os diversos grupo s s o c i a i s, i n d e p e n d e nt e m e nt e d a s re l a ç õ e s s o c i a i s de interesse, priv i l é g i o e p o d e r e m q u e s e s i t u a m , t ê m o b j e c t i va mente uma plata fo r m a co m u m n a s o b rev i vê n c i a . A n e c e s s i d a d e d e mudança do ac tu a l p a ra d i g m a t e c n o c i e nt í f i co p a ra o p a ra d i g m a ecotecnológico é a s s i m co m u m a t o d a a h u m a n i d a d e . Esta estratégia d e e co l o g i za r a c i v i l i za ç ã o t e m j á n u m e ro s o s exe m pl os que prenunc i a m , co m m a i s o u m e n o s ra d i c a l i d a d e , a s t ra n s fo rmações cada vez m a i s i m p e r i o s a s d e s t e a c t u a l m o d e l o t e c n o c i v i l i zacional insustent áve l . O resultado do de s e nvo l v i m e nt o d a s i nve s t i g a ç õ e s d a e co t e c n o l o g i a e as experiências d e n ova s p rát i c a s d e u r b a n i za ç ã o e d e a g ro e co l o g i a , apontam para a d e m o n s t ra ç ã o d e q u e “ u m o u t ro m u n d o é p o s s í ve l ”. Neste processo de t ra n s i ç ã o e m p e n h a m - s e s e n s i b i l i d a d e s d i fe re nt e s e intenções diver s a s : 1. Uns pretendem i n ova ç ã o e o b t e n ç ã o d e n ovo s l u c ro s ; 2. Outros aspiram a o re fo r m i s m o s o c i a l d e s e j a n d o ev i t a r o r i s co a m bi ental que julga m s e r fat a l ; 3. Outros ainda a s p i ra m a s o l u ç õ e s s i m u l t â n e a s d e a d e q u a ç ã o e co tecnológica à bio s fe ra e d e u m a m a i o r j u s t i ç a n a s o c i o e s fe ra . vamos aqui analis a r a l g u m a s ex p e r i ê n c i a s e m q u e e s s a s d i ve r s a s e s tratégias se ar ticu l a m , m a i s o u m e n o s co e re nt e m e nt e , v i s a n d o u m a aspiração comum . S ã o ex p e r i ê n c i a s co m o r i e nt a ç õ e s e s t rat é g i c a s diferentes, em sit u a ç õ e s e co n ó m i c a s e s o c i a i s n ã o co m p a ráve i s . D e qualquer modo a re f l exã o s o b re e s t a s m ú l t i p l a s ex p e r i ê n c i a s a j u dam-nos a aprend e r a a p re n d e r.

4 . Es t u d o d e c a s o s Ex p e r i ê n c i a s exe m p l a re s p a ra re f l exã o :

1 . U m At e l i e r d e Eco co n c e p ç ã o e m D e s i g n , A rq u i t e c t u ra e U r b a n i s m o O a rq u i t e c t o a m e r i c a n o M c D o n o u g ht e o q u í m i co a l e m ã o B ra u n g a rt e n t ra b a l h a m e m e q u i p a n o s E .U. A . , E u ro p a e at é m e s m o n a ch i n a , reve l a n d o q u e a s u a p rát i c a i nt e r ve nt i va é a u t ó n o m a d a fo r m a ç ã o e co n ó m i co - s o c i a l d o s p a í s e s e d a s u a g ove r n a ç ã o. M c D o n o u g ht , q u e s e a u t o d e n o m i n a e co a rq u i t e c t o e e co d e s i g n e r, p e r t e n c e u d e s d e j ove m à o rg a n i za ç ã o G re e n p e a c e e a i n d a h o j e p ret e n d e i nt e r v i r co m a m e s m a co e rê n c i a d e m i l i t a nt e e co l ó g i co n o s p ro j e c to s ve rd e s q u e p ro p õ e . D e s e j a , e m p r i m e i ro l u g a r, s o l u c i o n a r a co nt ra d i ç ã o p r i n c i p a l q u e j u l g a s i t u a r- s e e nt re o fo s s o c a d a ve z m a i s a nt a g ó n i co d a d i s s i p at i va t e c n o s fe ra d o m i n a nt e e a b i o s fe ra c a d a ve z m a i s l i m i t a d a e m b e n s co m u n s . N o s e u l i v ro “ T h e n ex t i n d u s t r i a l revo l u t i o n” 4 5 co n s i d e ra e s s e n c i a l p ro m ove r e co t e c n o l o g i a s e fo r m a s d e e co u r b a n i s m o e d e e co a rq u i t e c t u ra . To d a a s u a f i l o s o f i a co n s i s t e e m s u b s t i t u i r “ l i xo s ” p o r n u t r i e nt e s, m at e r i a i s p o l u i t i vo s p o r m at e r i a i s b i o d e g ra d áve i s e re u t i l i záve i s, e n e rg i a s fó s s e i s p o r e n e rg i a s re n ováve i s . A c e i t a n d o a nt e s d e t u d o re s o l ve r a co nt ra d i ç ã o p r i n c i p a l j á re fe r i d a , t e c n o s fe ra / b i o s fe ra , p ro p õ e - s e m e s m o c r i a r “ u m b o m d e s i g n q u e é t a m b é m b o m p a ra o s n e g ó c i o s ”. P re t e n d e a s s i m o e m p e n h o d a s e mp re s a s m u l t i n a c i o n a i s e o u t ra s a s s i m co m o d o s g ove r n o s, q u a i s q u e r q u e s e ja m a s o r i e nt a ç õ e s p o l í t i c a s, n u m m e s m o o b j e c t i vo co m u m d e g e s t ã o h a r m ó n i c a e nt re a b i o s fe ra e a c i v i l i za ç ã o.
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op. cit .

co m M i c h a e l B ra u n g a r t e n , s e u co l a b o ra d o r p róx i m o, e s c reve u m

outro livro, “crad l e t o c ra d l e ” 46 e s t u d a n d o o c i c l o d o m e t a b o l i s m o tecnológico e do m e t a b o l i s m o o rg â n i co. P ro p ô e m - s e , at ravé s d e s i s temas de biodepu ra ç ã o, i nt e g ra r c i rc u l a r m e nt e o m e t a b o l i s m o o rg ânico de modo a co n s t i t u i r- s e u m a re g e n e ra ç ã o co n s t a nt e d o c a p i t a l natural. Por outro l a d o o m e t a b o l i s m o t e c n o l ó g i co i n s e re - s e n u m fluxo, também ci rc u l a r, q u e p e r m i t e a re c i c l a g e m e a re u t i l i za ç ã o dos materiais, int e g ra n d o - o s n u m p ro c e s s o e co i n d u s t r i a l . A filosofia deste g a b i n e t e d e co n c e p ç ã o l evo u - o s à co n s t r u ç ã o d e uma ecocidade m o d e l o, n a c h i n a . O s vá r i o s t e c t o s ve rd e s, i nt e r l i g a dos, permitiram u m a l a rg a á re a d e re c e p ç ã o d e á g u a p l u v i a l , s i s t emas de bioclimati za ç ã o e a i n d a u m a zo n a d e p ro d u ç ã o d e a r ro z . Note-se que a ch i n a t e m v i n d o a p ro c u ra r s i s t em a s p a ra u m f u t u ro urbanismo sustent áve l . D o n g t a n é u m p ro j e c t o d e c i d a d e s u s t e nt á vel, considerada a p r i m e i ra c i d a d e e co l ó g i c a , j u nt o d a p e r i fe r i a d e Xangai. A empres a A r u p e vá r i o s a rq u i t e c t o s m u n d i a i s s ã o p a rc e i ro s associados a esta e s t rat é g i a q u e v i s a b a i xo s co n s u m o s e a u t i l i za ção de energias re n ováve i s . Es t e p ro j e c t o e s t a rá a c a b a d o e m 2 0 1 0 , durante a exposiç ã o d e Xa n g a i e p e r m i t i rá m o s t ra r vá r i a s e co t e c n o logias como a pur i f i c a ç ã o a á g u a , a p a i s a g e m b i o d i ve r s i va e a b i o c l imatização dos ed i f í c i o s co n s t r u í d o s co m m at e r i a i s re c i c l áve i s . Nos E.U.A., na ant i g a fá b r i c a Fo rd , n o M i c h i g a n , e s t ã o a d e p u ra r u m a la rga zona poluíd a n a s á g u a s, n o s o l o e n a at m o s fe ra , at ravé s d e sistemas constru t i vo s co m m at e r i a i s re c i c l áve i s e re u t i l i záve i s o n d e se inserem protót i p o s d e e n e rg i a s re n ováve i s .

2. BedZed - Um Eco - B a i r ro d a Pe r i fe r i a d e Lo n d re s Um conjunto de c e rc a d e 1 0 0 a p a r t a m e nt o s fo ra m co n c e b i d o s p e l a equipa do arquite c t o B i l l D u n s t e r. Es t a e d i f i c a ç ã o é d i r i g i d a a u m a
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o p. c i t .

p o p u l a ç ã o m a i o r i t a r i a m e nt e co m re c u r s o s m o d e s t o s . Es t e e co - b a i rro é co m p o s t o p o r a l o j a m e nt o s, e s c r i t ó r i o s, l o j a s, e q u i p a m e nt o s s ó c i o - cu l t u ra i s e s e r v i ço s m u l t i u s o s . Fo i f i n a n c i a d o p e l a Fu n d a ç ã o Pe a b o d y, b a s e a n d o - s e e m p r i n c í p i o s d e d e s e nvo l v i m e nt o e co l o g i c am e nt e s u s t e nt a d o, m o s t ra n d o a p o s s i b i l i d a d e d e co n s t r u i r a p re ço s a c e s s í ve i s e co m b a i xo s c u s t o s d e m a n u t e n ç ã o u m a exc e l e nt e q u a l i d a d e d e v i d a . D ev i d o a u m co n j u nt o d e o u t ra s i n i c i at i va s, o s p re ço s d e a l u g u e r o u co m p ra d e a p a r t a m e nt o s ( ex i s t e m a s d u a s p o s s i b i l id a d e s) a c a b a m p o r s e r m a i s b a rat o s d o q u e o s d o m e rc a d o i m o b i l iá r i o t ra d i c i o n a l . Es t e e co - b a i r ro co n s t i t u i - s e a p a r t i r d o s s e g u i nt e s p r i n c í p i o s : a ) U t i l iza ç ã o d e m at e r i a i s n at u ra i s, re c i c l áve i s e re u t i l i záve i s ; b ) co n s u m o d e e n e rg i a s re n ováve i s ( s o l a r, e ó l i c a e b i o m a s s a ) ; c ) B i o c l i m at i za ç ã o d o e d i f í c i o p r i v i l e g i a n d o s o l u ç õ e s p a s s i va s e m d e t r i m e nt o d e e q u i p a m e nt o s s o f i s t i c a d o s : a r t i c u l a m - s e t é c n i c a s d e i s o l a m e nt o t é r m i co ( p a re d e s co m c e rc a d e 5 0 c m d e e s p e s s u ra fe i t a s co m m at e r i a i s i s o l a nt e s n o i nt e r i o r ) co m ve nt i l a ç ã o n at u ra l , t e c t o s ve rd e s, re co l h a d e á g u a s p l u v i a i s p a ra re a b a s t e c i m e nt o d a s h a b i t a ç õ e s, re c i c l a g e m d a s á g u a s u s a d a s at ravé s d e j a rd i n s f i l t ra nt e s q u e , g ra ç a s a o s s i s t e m a s d e p u ra d o re s, s ã o re c u p e ra d a s e re u t i l i za d a s n a s re g a s d o s e s p a ço s ve rd e s . A o r i e nt a ç ã o d o s e d i f í c i o s, a s e s t u fa s e a i m p l a nt a ç ã o d e u m s i s t e m a g e o t é r m i co co m b o m b a s d e re c u p e ra ç ã o t é r m i c a e a o rg a n i za ç ã o d o s e s p a ço s a r b ó re o s e nvo l ve nt e s, re fo rç a o s i s t e m a b i o c l i m át i co. A p e q u e n a c e nt ra l e n e rg é t i c a u t i l i za p a i n é i s fo t ovo l t á i co s p a ra a p ro d u ç ã o d e e n e rg i a e l é c t r i c a , a c u m u l a d o re s t e r m o s o l a re s p a ra a á g u a q u e nt e , u m a c a l d e i ra t é r m i c a f u n c i o n a n d o a l e n h a re s u l t a nt e d a l i m p e za d a f l o re s t a e u m a e ó l i c a . Es t e s s ã o o s co n s t i t u i nt e s d a
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produção energét i c a , fe i t a e m B e d Ze d e co m l i g a ç ã o à re d e e n e rg é tica central, da ci d a d e . Os carros utilizad o s n e s t e e co - b a i r ro s ã o e l é c t r i co s e co n s o m e m a energia produzida e m B e d Ze d . Estas medidas int r í n s e c a s a o p ro j e c t o d a re s p o n s a b i l i d a d e d o a rq u i tec to Bill Dunster, i n s e re m - s e a i n d a n o u t ra s m e d i d a s s o c i o c u l t u ra i s que os moradores o rg a n i za ra m . A s s i m , favo re c e n d o a e co n o m i a regional e poupand o n o c u s t o d o s t ra n s p o r t e s ( p ro s s e g u i n d o co m a filosofia do arqu i t e c t o B i l l D u n s t e r q u e co n s t r u í ra co m m at e r i a i s da zona), os habit a nt e s re a l i za m u m a e co n o m i a d e p rox i m i d a d e : o s bens alimentares s ã o p rove n i e nt e s d a s zo n a s c i rc u n d a nt e s . Em BedZed estabe l e c e ra m - s e s i s t e m a s d e m ú l t i p l o a p o i o e m re l a ç ã o aos agricultores e co l ó g i co s l o c a i s, b a i xa n d o o s c u s t o s e a u m e nt a ndo a qualidade do s p ro d u t o s . N o t e - s e q u e n a I n g l at e r ra , a m é d i a d o s componentes de u m a re fe i ç ã o p e rco r re c e rc a d e 3 2 0 0 k m a nt e s d e chegar à mesa do co n s u m i d o r.

3. Um Eco-Parque I n d u s t r i a l n a D i n a m a rc a Em Kalungborg , p e q u e n a c i d a d e d i n a m a rq u e s a d e 2 0 m i l h a b i t a ntes, per to de cop e n h a g a , co n s t r u i u - s e u m p a rq u e e co t e c n o l ó g i co numa estratégia s i m b i ó t i c a q u e i nt e r l i g a i nt e re s s e s co m p l e m e nt a res, uma central e l é c t r i c a , u m a re f i n a r i a , u m a fá b r i c a d e co n s t r u ç ã o, um complexo far m a co l ó g i co e a m u n i c i p a l i d a d e . A e s t a m at r i z i n i cial têm-se vindo a a g re g a r o u t ra s e m p re s a s q u e , co m n ova s s i n e rgias, aumentam a s i m b i o s e i n d u s t r i a l t ra ze n d o b e n e f í c i o s n o s m u l tiusos das diferent e s e s t r u t u ra s p ro d u t i va s . A fe r t i l i za ç ã o d a t e r ra e a alimentação d e a n i m a i s fa z- s e g ra ç a s à b i o d e g ra d a b i l i d a d e d o fluxo orgânico. O va p o r d e á g u a , p rove n i e nt e d a e m p re s a e l é c t r i c a ,

p e r m i t e o a q u e c i m e nt o g e o t é r m i co d o s e d i f í c i o s d a co m u n i d a d e e a i n d a o a u m e nt o t é r m i co d o s t a n q u e s d e p i s c i c u l t u ra . A s e s t u fa s d e h o r t i c u l t u ra b e n e f i c i a m t a m b é m d o f l u xo c i rc u l a r e nt re o s d e t r i t o s d a a l i m e nt a ç ã o p rove n i e nt e s d a s c a nt i n a s, o e s t r u m e e o s s e r v i ço s d e co mp o s t a g e m . Po d e m o s re s u m i r e s t a f i l o s o f i a d o s e g u i nt e m o d o : a ) co n s t r u ç ã o d e m o d e l o s t o p o l ó g i co s, t ravé s d e o rg a n i g ra m a s f u n c i o n a i s e m q u e s e e s t a b e l e c e ra m d i a g ra m a s d e a f i n i d a d e s ; b ) I nt e l i g ê n c i a s i m b i ó t i c a d a s f u n ç õ e s i nt e r l i g a d a s g e r i d a p o r u m g a b i n e t e d e e s p e c i a l i s t a s d e s i m b i ó t i c a i n d u s t r i a l . Trat a - s e , n o f u nd o, d e c r i a r u m a i nt e l i g ê n c i a co l e c t i va q u e a b re p e r s p e c t i va s d u m a n ova a c t i v i d a d e i n d u s t r i a l co m o u m a “c a d e i a a l i m e nt a r ” d e m o d o a o b t e r a m á x i m a e f i c á c i a co m o s m e n o re s c u s t o s ( g a s t o s e n e rg é t i co s e d e m at e r i a i s) . N o t e - s e , co nt u d o, q u e e s t a o rg a n i za ç ã o p ro d u t i va n ã o fo i fe i t a d e ra í z . E l a i nt e r vé m n o s e nt i d o d e “ re m e d i a r ” s i t u a ç õ e s n ã o e co l ó g i c a s p roc u ra n d o n u m p ro c e s s o d e t ra n s i ç ã o u s a r m e i o s d e “ b i o re m e d i a ç ã o ”. N u m p ro c e s s o i d e a l , e m q u e o s i s t e m a s u rg i s s e d e ra í z , a s vá r i a s e m p re s a s f u n c i o n a n d o e m s i m b i o s e , d ev i a m s e r e l a s p ró p r i a s e co t e c n o l ó g i c a s e e co p ro d u t i va s . N e s s e s e nt i d o a e co s i m b i o s e p reve n i a d e s d e a o r i g e m o s p ro b l e m a s q u e s u rg e m a j u s a nt e . co nt u d o, é ú t i l t a m b é m p e n s a r- s e , q u a n d o n ã o ex i s t e m p o s s i b i l i d a d e s p ro f i l á c t i c a s, b i o re me d i a r d o e n ç a s c r i a d a s p e l o p ro c e s s o i n d u s t r i a l co nt a m i n a nt e . Esta experiência na Dinamarca teve também repercussões na prop o s t a p a r a u m a “c i t y o f t o m o r r o w ” B o 0 1 , q u e s e e s t á a c o n s t r u i r e m M a l m ö, n a S u é c i a . Tr a t a - s e d e u m p r o j e c t o e m q u e , p a r a a l é m do aproveitamento de sinergias industriais, actividade simbiótica dos principais agentes produtivos da cidade, se realizou uma
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i n ter venção de gra n d e s re p e rc u s s õ e s n o d o m í n i o d a a rq u i t e c t u ra e do urbanismo. Par t i c i p a ra m n e s t e p ro j e c t o a rq u i t e c t o s i m p o r t a nt e s : calatrava, Wingara , Ra l p h E r s k i n e , e t c . O s e d i f í c i o s s ã o d e m at e r i a i s naturais e recicláve i s e o p ro j e c t o d e a rq u i t e c t u ra e u r b a n i s m o e s t á a ser feito de mod o a q u e h a j a u m a m a i o r s o c i al i za ç ã o d o s m o ra d o res, num context o p a i s a g í s t i co co m p e rc u r s o s p e d o n a i s, p a rq u e s e jardins biodiversi vo s . O s e d i f í c i o s s ã o b i o c l i m at i za d o s g ra ç a s a e s t e contexto paisagís t i co e a i n d a a u m a t e c n o l o g i a p a s s i va b i o c l i m ática. A energia é p ro d u z i d a e s s e n c i a l m e nt e g ra ç a s a u m a d a s m a i s potentes eólicas d a S u é c i a q u e , e m co n j u nt o co m a u t i l i za ç ã o d a energia solar, aba s t e c e a n ova c i d a d e co n s t r u í d a s o b re a ve l h a c i d a de industrial de M a l m ö.

4. curitiba – Uma Eco - Pó l i s n o B ra s i l A cidade de curiti b a , n o B ra s i l , é u m exe m p l o q u e a r t i c u l a u m a v i s ã o ecotecnológica co m a i m p l e m e nt a ç ã o s i m u l t â n e a d e u m a p o l í t i c a social, educativa e a m b i e nt a l . configura-se, ass i m , u m d e s e j o d e m u d a n ç a n a t e c n o s fe ra g ra ç a s à inter venção socia l n o s e nt i d o d e m i t i g a r a p o b re za e fa ze r d e c a d a cidadão um gesto r co n s c i e nt e d a s o c i e d a d e e d o t e r r i t ó r i o. Os princípios bási co s d o f u n c i o n a m e nt o d e c u r i t i b a s ã o o s s e g u i nt e s : 4. 1. O lixo não é l i xo. Es t a a s s e rç ã o t ra d u z- s e n a s s e g u i nt e s a c ç õ e s : a) câmbio verde Trata-se da monta g e m d e u m c i rc u i t o ( f l u xo) d e c a m i õ e s c a m a rá r i o s que circulam em d i ve r s a s e s t a ç õ e s d e re co l h a ( e co p o nt o s) l i g a d o s aos ser viços de re c i c l a g e m e re u t i l i za ç ã o q u e , p o r s u a ve z , s e co n e ctam aos lugares d e co m p o s t a g e m e à s h o r t a s . O s n u t r i e nt e s, o c h a mado “lixo” que n ã o é l i xo, s ã o re co l h i d o s n o s e co p o nt o s e s p a l h a d o s

p e l o s b a i r ro s co m a i n i c i at i va d o s u t e nt e s – o n u t r i e nt e o rg â n i co, d e p o i s d e co m p o s t a d o, co n s t i t u i rá a a d u b a g e m d a a c t i v i d a d e r u ra l . E m t ro c a , o s c i d a d ã o s q u e p a r t i c i p a ra m n a re co l h a d e s s e s n u t r i e n t e s, “ l i xo ” re c e b e m g é n e ro s a l i m e nt a re s . Exe m p l o : 4 Kg d e n u t r i e nt e s o rg â n i co s e q u i va l e m a 1 Kg d e a l fa c e s ; b ) câ mb i o t é c n i co O s n u t r i e nt e s t é c n i co s, l i xo q u e n ã o é l i xo, i n o rg â n i co ( p a p e l , g a rra fa s e o b j e c t o s m e t á l i co s, e t c . ) s ã o s u j e i t o s a u m a re c i c l a g e m e re u t i l i za ç ã o, n o m e a d a m e nt e p o r e m p re s a s l o c a i s, p e r m i t i n d o a o s c i d a d ã o s q u e o s re co l h e ra m , re c e b e re m e m t ro c a , c a d e r n o s, l i v ro s, b i l h e t es d e e s p e c t á c u l o e d e t ra n s p o r t e s co l e c t i vo s ; 4 . 2 . A m u n i c i p a l i d a d e d e c u r i t i b a e s t a b e l e c e u m a p rát i c a d e c i d a d an i a e m q u e vá r i a s a c t i v i d a d e s reve l a m u m a g ra n d e p re o c u p a ç ã o t e ó r i c a e p rát i c a n a co n s c i ê n c i a e co l ó g i c a e s o l i d á r i a d a s p o p u l a ç õ e s . Tra n s fo r m a r u m a p e d re i ra a b a n d o n a d a n u m l a g o d e b i o c l i m at i za ç ã o p a ra a ó p e ra d e a ra m e , co n s t r u í d a s o b re e s s e l a g o e a u n i ve r s i d a d e l i v re d o m e i o a m b i e nt e q u e re c u p e ra o s a nt i g o s p o s t e s t e l e fó n i co s d e m a d e i ra n a s u a co n s t r u ç ã o s ã o exe m p l o s d e s s a p rát i c a d e c i d ad a n i a . N e s t e c e nt ro d á - s e fo r m a ç ã o a o s c i d a d ã o s e a o s f u n c i o n á r i o s m u n i c i p a i s n o s e nt i d o d u m a m e l h o r p a r t i c i p a ç ã o n o p ro j e c t o m u n i c i p a l . N o t e - s e a i n d a q u e a U n i ve r s i d a d e d e c u r i t i b a d e s e nvo l ve u m e n s i n o d e g ra n d e q u a l i d a d e n o d o m í n i o d o d e s e nvo l v i m e nt o e co l o g i c a m e nt e s u s t e nt a d o. N o d e s e nvo l v i m e nt o d o a p o i o m ú t u o e nt re o s c i d a d ã o s e a m u n i c i p a l i d a d e , c r i o u - s e t a m b é m o c â m b i o d e s e r v i ço s . A s s i m , a m u n i c i p a l i d a d e o rg a n i za u m a s i m b i o s e e nt re e l a e o s s e u s c i t a d i no s co m vá r i a s a c t i v i d a d e s co m o p o r exe m p l o : 4 . 3 . As escolas e liceus cultivam e tratam dos jardins públicos aprenden41

do botânica e faze n d o u m a e d u c a ç ã o p rát i c a a m b i e nt a l . A s fa m í l i a s desses jovens obt ê m e m t ro c a va s o s co m p l a nt a s m e d i c i n a i s e a ro máticas que prop i c i a m u m a t e ra p ê u t i c a n at u ra l . 4. 4. A municipali d a d e p l a nt a á r vo re s n o s p a s s e i o s p a ra q u e d ê e m sombra às casas e p e s s o a s e o s m o ra d o re s c u i d a m d e s s a s á r vo re s (regam, etc .). “Nó s d a m o s s o m b ra p o r á g u a ”. 4. 5. A municipali d a d e c r i o u , at ravé s d o co n c e i t o d o fa ro l d o s a b e r, um conjunto de c l u b e s s o c i a i s ( i n s t a l a ç õ e s d e s e r v i ço s m ú l t i p l o s) . Aí interligam-se, d u m a fo r m a o rg a n i za d a vá r i a s a c t i v i d a d e s q u e s e complementam e p e r m i t e m a a j u d a m ú t u a e nt re a s p e s s o a s . A s s i m a polícia municip a l p ro t e g e a s c r i a n ç a s n a s a c t i v i d a d e s d e t e m p o s livres durante o d i a e d e n o i t e a s s e g u ra m a s m ú l t i p l a s a c t i v i d a d e s feitas pelos adult o s ( b i b l i o t e c a , a c ç õ e s d e fo r m a ç ã o, e s p e c t á c u l o s etc .). Assim, dese nvo l ve - s e u m n ovo c i v i s m o e nt re a i n s t i t u i ç ã o c amarária e as fam í l i a s, s a l va g u a rd a n d o a s e g u ra n ç a d o s c i t a d i n o s . Por outro lado, os e s p a ço s p ú b l i co s s ã o u t i l i za d o s e m h o ra s d i fe re n tes consoante as n e c e s s i d a d e s d a s co m u n i d a d e s, re nt a b i l i za n d o o s meios logísticos ex i s t e nt e s . A cidade é um eco s i s t e m a e m q u e t o d o s p a r t i c i p a m n a g e s t ã o e n a pi lotagem dos di fe re nt e s p ro j e c t o s e a fo r m a ç ã o a m b i e nt a l é u m pi lar fundamenta l d e s s a e co c i d a d a n i a n u m p ro c e s s o d e a r t i c u l a ç ã o harmónica entre i nt e re s s e s e a s p i ra ç õ e s, n e c e s s i d a d e s e d e s e j o s . 4 7

5. Uma Eco-comu n i d a d e e m Áf r i c a : ce nt ro S o n g h a i n o B e n i m O ce n t r o S o n g h a i f o i c r i a d o p e l o f ra d e c a t ó l i c o G o d f r e y N z a m u j o. E s t e p a d r e d e o r i g e m n i g e r i a n a , e s t u d o u n o s E .U. A . a g r o n o m i a , e c o n o m i a e i n fo r m á t i c a . E m 1 9 8 5 e s t a b e l e c e u - s e n o B e n i m o n d e c r o n c r e t i z o u u m I n s t i t u t o A f r i c a n o d e t i p o n o vo q u e t e m r e l a ç õ e s
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J a c i nt o Ro d r i g u e s, “ S o c i e d a d e e Te r r i t ó r i o

– D e s e nvo l v i m e nt o e co l o g i c a m e nt e s u s t e nt á ve l ”, P ro fe d i ç õ e s, Po r t o, 2 0 0 6 .

i n t e r n a c i o n a i s . I n i c i o u - s e co m u m a e s co l a - q u i nt a n a p e r i fe r i a d e Po r t o N ovo v i n d o a a l a rg a r a s u a a c t i v i d a d e a vá r i o s s í t i o s d o B e n i m e n o u t ro s p o nt o s d e Áf r i c a . A s u a ac t i v i d a d e c e nt ra d a e s s e n c i a l m e nt e n a fo r m a ç ã o a g ro e co l ó g ic a , g a ra nt e u m d e s e nvo l v i m e nt o b a s e a d o n a c r i a ç ã o s i m b i ó t i c a d e e co s i s te m a s co m p l e m e nt a re s . A s a c t i v i d a d e s d e p ro d u ç ã o d o s e c t o r p r i m á r i o ( ve g e t a l , a n i m a l e p i s c í co l a ) a r t i c u l a m - s e co m a s a c t i v i d a d e s d e t ra n s fo r m a ç ã o ( s e c t o r s ec u n d á r i o) o n d e o i n s t r u m e nt a l e co t e c n o l ó g i co p e r m i t e t ra n s fo r m a r a p ro d u ç ã o a g ro e co l ó g i c a e co m e rc i a l i za r e m s e g u i d a o s p ro d u t o s e l a b o ra d o s p e l o s p ró p r i o s a l u n o s q u e fa ze m u m a fo r m a ç ã o g l o b a l . Es s a for m a ç ã o p ro p õ e u m a re f l exã o s o b re o s c a m i n h o s d o d e s e nvo l i m e nt o p a ra Áf r i c a , p e r m i t e a a q u i s i ç ã o d e co m p e t ê n c i a s e m vá r i a s á re a s (a g r i c u l t u ra , p e c u á r i a , t e c n o l o g i a e i n fo r m át i c a ) v i s a n d o a a u t o n o m i za ç ã o e a a j u d a m ú t u a . O d e s e nvo l v i m e nt o p e s s o a l e s o c i a l a s s i m co m o a co m p e t ê n c i a p ro f i s s i o n a l co n s e g u e m , n a s i m p l i c i d a d e d e m e i o s, p ro m ove r b e m e s t a r, q u a l i d a d e d e v i d a , co nv i a b i l i d a d e e r i q u e za e s p i r i t u a l . Nzamujo escreveu o livro “quando a África levanta a cabeça” 48 . Nesse livro perpassam as esperanças duma África renovada, abandonando o ostracismo e a destruição a que tem sido sujeita. O carácter extraordinário deste livro é que revela um conjunto de soluções concretas e metodologias eficazes que estão na base do sucesso desta experiência. O ce nt ro d e S o n g h a i , e m b o ra co nt a n d o e s p e c i a l m e nt e s o b re a s s u a s p ró p r i a s fo rç a s, n ã o é u m a ex p e r i ê n c i a e n s i m e s m a d a e m s i p ró p r i a . E l a t e n d e a re p ro d u z i r- s e n o u t ro s l o c a i s, co m o j á v i m o s, à m e d i d a q u e
48

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Godfrey Nzamujo, “q uand l’Afrique relève

va i co n s o l i d a n d o c a d a n ú c l e o. Po r i s s o, S o n g h a i ex i s t e a g o ra e m vá r i o s l o ca i s d e B e n i m e e s t á j á a i m p l a nt a r- s e n o u t ro s p a í s e s d e Áf r i c a .

l a tête”, Ed. cer f, Paris, 2002.

A federação entre e s s e s n ú c l e o s e t a m b é m o co nt a c t o d o ce nt ro Songhai com org a n i za ç õ e s co n g é n e re s à e s c a l a m u n d i a l , p e r m i t e um alargamento d a co n s c i ê n c i a e a p re n d e r co m o s o u t ro s . Ta m b é m permite uma mai o r s o l i d a r i e d a d e e co o p e ra ç ã o. O centro Songhai e s t á p a r t i c u l a r m e nt e l i g a d o a o s g r u p o s d e fo r m a ç ã o da Igreja católica, em especial a Universidade católica de Lyon, em França, bem assim com o a o rg a n i za ç õ e s l i g a d a s a o d e s e nvo l v i m e nt o l o c a l . Formação, docum e nt a ç ã o e co o p e ra ç ã o d e s c e nt ra l i za d a , co n s t i t u e m o eixo decisivo do s co nt a c t o s q u e m a nt é m co m i n s t i t u i ç õ e s co m o o I R FED, c I EDEL e R I TI MO. O contac to inform át i co, a s f i c h a s d e fo r m a ç ã o, o s c u r s o s, o s e s t á gios e os vídeos, s ã o t o d o u m co n j u nt o d e i n s t r u m e nt o s p e d a g ó g i co s que mutualizam i n fo r m a ç õ e s e co m p e t ê n c i a s n o d o m í n i o d o d e s e n volvimento ecolo g i c a m e nt e s u s t e nt áve l . Graças a esta abe r t u ra n a t ro c a d e s a b e re s e ex p e r i ê n c i a s, S o n g h a i par ticipa também e m p rát i c a s d e i n ova ç ã o t e c n o l ó g i c a e a g ro - e cológica. Neste dom í n i o fa ze m - s e vá r i a s ex p e r i ê n c i a s, n o m e a d a m e nt e a produção de es p i r u l i n a e a p l a nt a ç ã o d e m o r i n g a s . A e s p i r u l i n a , al ga muito nutrit i va e v i t a m í n i c a , a j u d a n a l u t a co nt ra a fo m e . E a ár vore moringa, a d a p t áve l a t e r re n o p o b re s, p o te n c i a p o s s i b i l i d a d e s nutritivas, human a s e p e c u á r i a s, at ravé s d a s fo l h a s e d o s f r u t o s, facilitando ao me s m o t e m p o a m e l h o r i a d o s s o l o s e ( g ra ç a s à s p ropriedades filtrant e s d a s s e m e nt e s) d e p u ra a s á g u a s re s i d u a i s . Estes casos aqui a p re s e nt a d o s e s t ã o “s i t u a d o s ” e m co nt ex t o s e s p e cíficos, que os dife re n c i a m . Fa c e a e s t a s ex p e r i ê n c i a s, p re t e n d e m o s uma apreciação p o l i fó n i c a q u e p e r m i t a , m e s m o co m a s d i fe re n ç a s sócio-ideológicas, a p re n d e r. Alguns destes casos alinham-se num plano da remediação ecológic a .

O u t ro s s ã o m a i s re g e n e rat i vo s e l eva nt a m q u e s t õ e s d e f u n d o e m re l a ç ã o a o d e s e nvo l v i m e nt o. Te n d o e m co nt a a s co n d i ç õ e s s ó c i o - p o l í t i c a s d e s t a s ex p e r i ê n c i a s, e l a s t ê m m a i o r o u m e n o r i n c i d ê n c i a n o p l a n o l o c a l o u n a e s t rat é g i a g l o b a l . N ã o s ã o m o d e l o s ú n i co s . Ex p re s s a m a c ç õ e s q u e t e rã o d e s e r a s s u m i das no seu todo ou na sua especificidade. co n s t i t u e m , co nt u d o, u m a p o s s i b i l i d a d e d e m u d a n ç a d e p a ra d i g m a co m d i fe re nt e s q u a l i d a d e s e d e s i g u a l i nt e n s i d a d e .

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EcOLO GIA PEDAGÓ GI cA Ideias para uma Sustentabilidade
Jacinto Rodrigues

1 . fo r m a ç ã o h o l í s t i c a M u i t o s d o s m é t o d o s d e a u t o d e s e nvo l v i m e nt o a p o nt a m n o s e n t i d o d e e s t i m u l a r a co n s c i ê n c i a s e n s o r i a l e a r t i c u l a r o h e m i s fé r i o e s q u e rd o e o h e m i s fé r i o d i re i t o p a ra u m a e d u c a ç ã o a r t í s t i c a q u e l i g u e ac t i v i d a d e m o t o ra co m a c t i v i d a d e i nt e l e c t i va . A a r t e , e m g e ra l , ( m ov i m e nt o r í t m i co, p i nt u ra , m o d e l a g e m e d e s e n h o) a j u d a à n ova a b o rd a g e m c r i at i va q u e é re l a c i o n a l e co nv i v i a l , o p o n d o - s e à s e p a ra ç ã o e nt re e m o ç ã o e i nt e l i g ê n c i a . ve j a m - s e o s t ra b a l h o s d e J o h a n va n Le n g e n 1 n o TI BÁ , B ra s i l , o n d e u m a fo r m a ç ã o s i s t e m át i c a t e m v i n d o a s e r fe i t a d e nt ro d e s t a m e t o d o l o g i a p e d a g ó g i c a . ve j a - s e a i n d a n a A l e m a n h a , n a U n i ve r s i d a d e A l l a n u s e n a S u é c i a , e m J a r n a , b e m a s s i m co m o n a S u í ç a , e m D o r n a c h , co m o s o b o i mp u l s o d a p e d a g o g i a d e R . S t e i n e r 2 s e p ro m ove a fo r m a ç ã o t ra n sd i s c i p l i n a r e u m a m e t o d o l o g i a a r t í s t i c a ve i c u l a d a p e l a p rát i c a d e e u r i t m i a , p i nt u ra , m ú s i c a , t e at ro e a r t e d a p a l av ra . M u i t a s d e st a s ex p e r i ê n c i a s p e d a g ó g i c a s o u o u t ra s s i m i l a re s, t i n h a m v i n d o a s e r ex p e r i m e nt a d a s d e s d e o s a n o s d e z- v i nt e e m vá r i a s e s co l a s : 1 . N o I n s t i t u t o D a l c ro ze , n a A l e m a n h a , n a c i d a d e - j a rd i m d e H e l l e ra u , co n s t r u í d a p e l o a rq u i t e c t o H . Te s s e n o w, E m i l e J a c q u e s - D a l c roze p ô s e m p rát i c a u m e n s i n o e m q u e m ú s i c a , l u z e d a n ç a r í t m i c a
1

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Johan van Lengen, “Manual do Arquitec to

D escalço”, Ed. Tibá e Papéis e cópias, Brasil, 1 9 96.
2

f u n c i o n ava m co m o u m a fo r m a ç ã o p re l i m i n a r à “gesamtkunstwerk” ( o b ra d e a r t e t o t a l ) ; 2 . N o s vá r i o s i n s t i t u t o s p e d a g ó g i co s, l i g a d o s a o m o v i m e nt o d a

J acinto Rodrigues, “Ar te e Arquitec tura em

R . Steiner”, Ed. c ivilização, Por to, 1990.

va n guarda soviét i c a 3 , v k h u t e m a s e nt re o u t ro s, p ro m ove u c u r s o s para arquitec tos, d e s i g n e r s e a r t i s t a s e m q u e p i nt o re s, h o m e n s d e teatro e sociólogo s s e p re o c u p a ra m co m u m a d i d á c t i c a g l o b a l n e s s a formação. Alexan d re Ro d c h e n ko, M e l m i kov, L i s s i s n s ky, M . G u i n z b u rg no design e na te o r i a d a s co re s e a s i d e i a s d e t e at ro e exe rc í c i o s d e bi omecânica ligad a s a o s t ra b a l h o s d e M aye r H ol d . 3. Na Bauhaus 4 , A l e m a n h a , f u n d a d a p o r W. G ro p i u s, o “workurs” , s o b a orientação de J. I t t e n , b a s e ava - s e n u m a fo r m a ç ã o p o l i va l e nt e e ar tística. Este cur s o p ro p e d ê u t i co fo i evo l u i n d o a o l o n g o d a v i d a d a Bauhaus e nele se i n s e r i ra m M . N a g u y, A l b e r s, e t c . 4. Em Taliesin, E.U. A . , Fra n k L l oyd Wr i g ht e O l g i va n n a , s o b o i m p u l s o dos “trabalhos” d e G u rd j i e ff, p ro m ove ra m t a m b é m u m a fo r m a ç ã o deste tipo. O teat ro, o t ra b a l h o a g r í co l a e a con s t r u ç ã o m a n u a l d e protótipos eram a l g u m a s d a s t a re fa s d e fo r m a ç ã o. As investigações d e D a m á s i o, G o l e m a n e D av i d S. S c h re i b e r 5 re t omam investigaçõe s c i e nt í f i c a s s o b re o u t ra s p rát i c a s j á a nt i g a s e i n tuitivamente ensa i a d a s p o r m u i t o s p e d a g o g o s e co r re nt e s e s p i r i t uai s. A inteligência e m o c i o n a l e s t á a d a r p a s s o s p a ra e s s a g é n e s e d e um pensamento o rg â n i co.

2. Biomimetismo Por outro lado mu i t o s t ra b a l h o s t ê m s i d o fe i t o s n o s e nt i d o d e s e i n vestigarem “mode l o s ” ú t e i s à h u m a n i d a d e a p a r t i r d e m o d e l o s n at u rais. A biónica ou o b i o m i m e t i s m o s ã o a s s i m m e t o d o l o g i a s c a d a ve z mais utilizadas po r i nve s t i g a d o re s e d e s i g n e r s . O b s e r va n d o a s s o l u ções encontradas p e l a n at u re za , p o d e m o s t a m b é m a p re n d e r a l ó g i c a interna das forma s . Es s a at i t u d e e n co nt ra - s e e m Le o n a rd o d a vi n c i quando procurou n o vo o d o s p á s s a ro s a s o l u ç ã o p a ra a s m á q u i n a s d e
3

J a c i nt o Ro d r i g u e s, “ U r b a n i s m o e Revo l u ç ã o ”, J a c i nt o Ro d r i g u e s, “A B a u h a u s e o E n s i n o A rD av i d S e r va n -S c h re i b e r, “c u ra r ”, Ed . D. qu i-

Ed . Af ro nt a m e nt o, Po r t o, 1 9 7 6 .
4

t í s t i co ”, Ed . P re s e n ç a , L i s b o a , 1 9 8 9 .
5

xo t e , L i s b o a , 2 0 0 4 .

vo a r. Ta m b é m e m G o e t h e e n co nt ra m o s a t e nt at i va d e d e s co b r i r a l óg i c a i nt e r n a d a n at u re za co m o e s t u d o d a m e t a m o r fo s e d a s p l a nt a s .

3 . P ro s p e c t i va e vi s u a l i za ç ã o O u t ra m e t o d o l o g i a e m q u e s e p ro c u ra t e r u m a at i t u d e f u t u ro s có p i c a é a p ro s p e c t i va . A p re s e nt a r i s co s q u a n d o é u m a p u ra t ra n s p o s i ç ã o m e c â n i c a d e e t a p a s d o p a s s a d o n o f u t u ro. é q u e m u i t a s ve ze s o f u t u ro n ã o a d vé m d u m a evo l u ç ã o l i n e a r e g ra d u a l i s t a . A s r u p t u ra s, a s m u l t i p l i c i d a d e s d e c e n á r i o s e s o b re t u d o u m a i nt e r p re t a ç ã o v i va e o rg â n i c a d o p re s e nt e p e r m i t e d e c i f ra r o s s i n a i s d o f u t u ro, q u e j á e s t ã o p re s e nt e s . O e s t u d o at e nt o d e s s e s s i n a i s e n g e n d ra u t o p i a s co n c re t a s e p e r m i t e a v i s u al i za ç ã o a p rox i m a d a d o d ev i r f u t u ra nt e . D i e t e r M a g n u s 6 re a l i zo u u m m é t o d o d e a b o rd a g e m s e n s í ve l p a ra o u r b a n i s m o e o p a i s a g i s m o t o r n a n d o v i s í ve l , d e u m a fo r m a i m a g é t ic a , c e ná r i o s p o s s í ve i s d e u m l u g a r re a l . At ravé s d e fo t o m o nt a g e n s o u d e p i nt u ra s c r i a m - s e o u t ra s re a l i d a d e s p o s s í ve i s d o s s í t i o s, a nt evê e m - se o u t ra s i m a g e n s p o s s í ve i s d u m d ev i r d e s e j áve l , u m a m e t o d o l o g i a q u e p o d e t o r n a r- s e p a r t i c i p a d a p o i s g ra ç a s a e s t e p ro c e d i m e nt o c r i at i vo, p o d e m - s e co m p a ra r m ú l t i p l a s “ i m a g e n s - d e s e j o ”. co m e s t a m e t o d o l o g i a , a l é m d e s e v i s u a l i za r o o b j e c t i vo f i n a l q u e s e p re t e n d e , p o d e m - s e v i s u a l i za r a i n d a a s e t a p a s p a ra a s u a co n c re t i za ç ã o, m o s t ra n d o o fa s e a m e nt o, n o t e m p o, d a o b ra a exe c u t a r.
49

A ) O r i ent a ç ã o p a ra a Eco l o g i a Pe d a gó g i c a A o r i e n t a ç ã o e s t rat é g i c a d e s t a p e d a g o g i a b a s e i a - s e e s s e n c i a l m e n t e n o “ t ra b a l h o d e p ro j e c t o ” q u e a s s e n t a n a a u t o - fo r m a ç ã o e n o
6

Dieter Magnus, “Kunst & Natur Landschaf-

a u t o - d e s e n vo l v i m e n t o at ravé s d u m p ro c e s s o a u t o - p i l o t a d o. va m o s t e n t a r re fe r i r a l g u m a s l i n h a s d e fo r ç a b a s e a d a s n a a u t o -

t e n”, Ed. Goethe Institut e Unesco, 1992.

o rganização e aut o n o m i za ç ã o d o s a l u n o s : 1. O trabalho de p ro j e c t o é m a i s u m p ro c e s s o c r i at i vo e m e n o s u m objec tivo final prev i a m e nt e d e f i n i d o ; 2. O trabalho de p ro j e c t o é co n s t r u ç ã o p e r m a n e nt e , co n s t a nt e m e nt e avaliada e pilotad a ; 3. Realiza-se atravé s d u m a e s t rat é g i a p l a n e a d a e n ã o re s u l t a d u m pl ano-modelo rig i d a m e nt e d e f i n i d o a p r i o r i ; 4. é no entanto, u m a re a l i za ç ã o d e p r i o r i d a d e s d e nt ro d u m a p ro s pec tiva aber ta e e m b u s c a d e s e nt i d o p rát i co o n d e a i n ova ç ã o é c r i ação. Opõe-se a qu a l q u e r f u t u ro l o g i a m e c â n i c a e p ré - d e t e r m i n a d a ; 5. Desenvolve-se e nt re o d e s e j o e s t rat é g i co e a p rát i c a re a l i za d a apontando consci e nt e m e nt e a s d i f i c u l d a d e s e re l a n ç a n d o a s p o t e n cialidades; 6. Possui assim um a l i n h a d e a c ç ã o m a s s u s c e p t í ve l d e s e r t e s t a d a e modificada pelo p ro c e s s o d e ava l i a ç ã o d e s s a a c ç ã o co n c re t a ; 7. é um processo co n s c i e nt e , l i v re e a s s e nt e n u m a e s t r u t u ra f l ex í ve l e dinâmica. Trata - s e m a i s d e fa ze r f u n c i o n a r d o q u e d e ex p l i c a r a par tir de definiçõ e s a p r i o r í s t i c a s . é u m a p ro c u ra , u m p ro c e s s o d e compreender.
0 3 | J a c i nt o Ro d r i g u e s, I SMAT 2 0 0 3 .

B) Métodos para a Au t o - A p re n d i za ge m 1. A música, o trab a l h o g e s t u a l , o s t ra b a l h o s p l ás t i co s e o s d e s e n h o s de forma realizad o s n o workshop , a j u d a m a co m p re e n d e r a co m p l e mentaridade entre h e m i s fé r i o d i re i t o e h e m i s fé r i o e s q u e rd o, revela ndo a especifici d a d e d a a c t i v i d a d e c r i a d o ra . 2. O resumo das a u l a s e a s f i c h a s d e l e i t u ra co nt r i b u e m p a ra o d e senvolvimento do e s p í r i t o c r í t i co. 3 . A s i n t e r ve n ç õ e s t e ó r i c a s l i g a d a s a e s t a a c t i v i d a d e p rá t i c a d e

e x e r c í ci o s e j o g o s p e d a g ó g i co s a j u d a m a re fo r m a r o p e n s a m e n t o at ravé s d a s n o ç õ e s ve i c u l a d a s n o m e a d a m e nt e p o r Ed g a r M o r i n s o b re a co m p l ex i d a d e , a s i s t é m i c a e a t ra n s d i s c i p l i n a r i e d a d e . Es t a m e t o d o l o g i a v i s a u m a p ra x i o l o g i a o u s e j a , a c r i a ç ã o d e m e i o s co n sc i e nt e s, p a ra a re s o l u ç ã o d o s p ro b l e m a s . 4 . O at e l i e r d e t e at ro co m re p re s e nt a ç ã o ro t at i va d e vá r i a s p e r s o n a g e n s, pe r m i t e a l a rg a r a co n s c i ê n c i a d a s vá r i a s “ p e r s o n a s ” q u e co n s t i t u e m a m u l t i p l i c i d a d e d e c a d a i n d i v í d u o. O t ra b a l h o d o e n e a g ra m a , o u s e j a , a i nve s t i g a ç ã o e p ro c u ra d a h e g e m o n i a c a ra c t e r i a l d e c a d a u m , é u m t ra b a l h o f u n d a m e nt a l d e a u t o - co n h e c i m e nt o e d e co n h e ci m e nt o d o o u t ro. 5 . O s f i l m e s d i d á c t i co s e d o c u m e nt á r i o s, exe m p l o s d e ex p l i c i t a ç ã o d e p ro b l e m át i c a s v i va s, p e r m i t e m a v i s u a l i za ç ã o m a i s co n c re t a d o s t e m a s t rat a d o s e p ro p o rc i o n a m d e b at e s e n r i q u e c e d o re s . 6 . O e s t u d o a u t o b i o g rá f i co, t o m a n d o e m l i n h a d e co nt a p e r í o d o s m a rc a nt e s d a v i d a d e c a d a u m ( exe m p l o : p e r í o d o s d e s e t e e m s e t e a n o s) reve l a m , n a m e t a m o r fo s e b i o g rá f i c a , t e n d ê n c i a s, a p t i d õ e s, d i f i c u l d a d e s o u vo c a ç õ e s q u e s ã o b a l a n ço s e s s e n c i a i s p a ra u m a a u t o o r i e nt a ç ã o co n s c i e nt e .
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c ) co n d i ç õ e s d e A p re n d i za ge m 1 . O a l u n o t e m q u e e s t a r n o p ro j e c t o, p a r t i c i p a r, a g i r co m u n i c at i va m e nt e . Pa ra i s s o t e m q u e s e e n g a j a r re s p o n s ave l m e nt e n a a c t i v i d a d e p e d a g ó g i c a e n a fo r m a ç ã o d o s o u t ro s q u e é t a m b é m a s u a p ró p r i a fo r m a ç ã o. M u t u a l i za r a i n fo r m a ç ã o, t e n d o e m v i s t a a fo r m a ç ã o d u m a i nt e l i g ê n c i a co l e c t i va , a j u d a a c r i a r u m a i nt e ra j u d a fo r m at i va , v i s a n d o u m a re s o l u ç ã o p a r t i c i p a d a d o s p ro b l e m a s . O e d u c a d o r é a p e n a s co - co n s t r u t o r d o p ro c e s s o d e a p re n d i za g e m

que desbloqueia a s s i t u a ç õ e s q u e i m p e d e m a p a r t i c i p a ç ã o, a co m u nicação e a respo n s a b i l i za ç ã o. 2. O balanço dos p ra zo s e a re f l exã o s o b re a s fa l t a s o u a u s ê n c i a s de par ticipação, co n s t i t u e m u m e l e m e nt o d e c i s i vo p a ra s e t e s t a r o grau de par ticipa ç ã o e re s p o n s a b i l i d a d e n o t ra ba l h o q u e s e a s s u m i u intencionalmente co m a s e s co l h a s fe i t a s : o co n c e i t o e o a u t o r i nve s tigado, o estudo d e c a s o e s co l h i d o e o l i v ro s e l e c c i o n a d o. Es s a s s ã o as regras de jogo e s s e n c i a i s p a ra o co r re c t o f u n c i o n a m e nt o d a ex p eriência pedagógic a . S a l va g u a rd a r a s re g ra s d e j o g o é o q u e p e r m i t e a flexibilidade cri at i va n a a p re n d i za g e m . O papel do profe s s o r é o d e a s s u m i r a co n s t r u ç ã o d u m p ro j e c t o, através duma per m a n e nt e a c t i v i d a d e d e re g u l a ç ã o e s o b re t u d o d e exigência para qu e o s a l u n o s re a l i ze m a a p re n d i za g e m d e a u t o - fo rmação e auto- des e nvo l v i m e nt o. Es t i m u l a r a p re n d i za g e m co nt í n u a é o papel essencial d o e d u c a d o r (a ava l i a ç ã o re s u l t a co m o u m p ro c e s s o de espelho do alu n o p a ra s e reve r n o p ro c e s s o d e a p re n d i za g e m ) .

D) Aprender a Apre n d e r Metodologia prát i c a e o rg a n i zat i va a) O “conheciment o d e s i ” e o “co n h e c i m e nt o d o o u t ro ”. O co n h e c i mento pessoal fa z p a r t e d o p e rc u r s o p e d a g ó g i co. O a l u n o a p re s e n ta-se e é apresent a d o. M a s va i a p ro f u n d a n d o o a u t o - co n h e c i m e nt o por exercícios e p rova s q u e l h e fo r n e c e m u m o l h a r re f l e c t i d o s o b re si e sobre os outro s . A f i c h a co m u m a s é r i e d e exe rc í c i o s p e r m i t e u m processo de auto- a n á l i s e , u m re t rat o s u b j e c t i vo e o b j e c t i vo. b) Os exercícios d e ex p re s s ã o : o s d e s e n h o s d e fo r m a , o e s t u d o d a co r, os trabalhos em b a r ro e a ex p re s s ã o g e s t u a l co n s t i t u e m e l e m e nt o s de criação, compa ra ç ã o e a u t o - o b s e r va ç ã o. Ex p re s s a m a d e s co berta
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de linguagens primordiais, símbolos e referentes da cultura em que nos inserimos. Estes exercícios possibilitam nomeadamente a abordagem psico-social do meio envolvente ( umwelt ) revelando as questões da proxémia (Eduard Hall), as questões do panóptico e os dispositivos topológicos de dominação e controle estudados nomeadamente por Foucault e ainda problemáticas ligadas às relações entre as pessoas e os lugares e sobretudo a relação produzida pelas formas de arquitectura e do urbanismo – espaços agarofobos, claustrofobos e sociofobos. c ) A d i s t r i b u i ç ã o d a i n fo r m a ç ã o : A i m p o r t â n c i a at r i b u í d a à p e s q u i s a e à co n s t r u ç ã o d u m a re d e d i s t r i b u t i va d o s s a b e re s d o g r u p o, at ravé s d o u s o d a i n fo r m át i c a , co n s t i t u e m o f i o co n d u t o r d a ra c i o n a l i d a d e p e d a g ó g i c a e d a d i s t r i b u i ç ã o d e m o c rat i za d a d a i n fo r m a ç ã o.
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E ) Au t o n o m i a e S u s t e nt a b i l i d a d e A fo r m a ç ã o ex i g e u m a o rg a n i za ç ã o q u e a p re n d e . A í s e e s t a b e l e c e m s i n e rg i a s re s u l t a nt e s d o d i á l o g o, d a t ro c a d e ex p e r i ê n c i a s, d a p a r t il h a d e m ú l t i p l o s p o nt o s d e v i s t a . A a c ç ã o co m u n i c at i va é e s s e n c i a l a s s i m co m o a p rát i c a (a g i r ) q u e
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p e r m i t e d e s e nvo l ve r co m p e t ê n c i a s b a s e a d a s n a ex p e r i ê n c i a p e s s o a l d i re c t a. Es t a co m p e t ê n c i a t á c i t a , o u s e j a , a ex p e r i ê n c i a v i v i d a – o s a b e r fa ze r – co n s t i t u i u m a r u p t u ra e s s e n c i a l e m re l a ç ã o a o e n s i n o d o m i n a nt e q u e s e b a s e i a n a m e m ó r i a e n a ve r b a l i za ç ã o. é p re c i s o u l t ra p a s s a r o “ t ay l o r i s m o ” t e c n o c rát i co d a s d i s c i p l i n a s isoladas. é p re c i s o a a b o rd a g e m s i s t é m i c a p a ra l i g a r co n h e c i m e nt o s . é p re c i s o c r i at i v i d a d e p a ra i n ova r e p ro p o r a l t e r n at i va s . é p re c i s o a c ç ã o p rát i c a p a ra q u e s e s u p e re o fo s s o e nt re o s q u e

p e n sam e os que exe c u t a m . A reforma do ens i n o t e rá d e p a s s a r p o r u m a e sco l a a b e r t a à co m u nidade em que a fo r m a ç ã o e n co nt re ex p re s s ã o e m a c t i v i d a d e s q u e melhorem o mund o e a s o c i e d a d e . A prática de inter ve n ç ã o e co l ó g i c a co m o a p l a nt a ç ã o d e á r vo re s, a organização do pa i s a g i s m o e nvo l ve nt e d o s e s p aço s p ú b l i co s, a m o n tagem de hor tas e j a rd i n s e s co l a re s e a i m p l a nt a ç ã o d e p ro t ó t i p o s de energias renováve i s n o s e d i f í c i o s p ú b l i co s s ã o a l g u n s d o s exe m pl os possíveis pa ra u m a e co c i d a d a n i a e s s e n c i a l n a m u d a n ç a d o p a radigma predador d a b i o s fe ra e m q u e v i ve m o s . A escola deve tor n a r- s e a s s i m u m exe m p l o p e l a s u a e co co n s t r u ç ã o e pelo seu ecofu n c i o n a m e nt o reve l a n d o a e s p e ra n ç a d e u m o u t ro mundo possível.

A ÁGUA NA PAISAGEM DO Séc. X XI Jardins Filtrantes e a Produção Agro-Ecológica I
Jacinto Rodrigues

S ã o t e r r í ve i s a s i m a g e n s d e L u a n d a s o b a s c h u va s t o r re n c i a i s q u e vimos nas notícias da semana passada. Pa re c i a q u e u m d i l ú v i o f i ze ra s u b m e rg i r o b a i r ro d o ca ze n g o. G e nt e d e s e s p e ra d a t e nt ava s a l va r o s m a g ro s re c u r s o s d a s s a n za l a s . A t rovoa d a e a s g ra n d e s b át e g a s d e á g u a , e n c h a rc ava m a p o b re g e nt e d o s m u s s e q u e s, a r ra s t a n d o t u d o n u m a i m p re s s i o n a nt e vo ra g e m . E d u ra nt e m a i s d e u m a s e m a n a a s c h u va s i n u n d a ra m c a s a s e a s t e rra s f i c a ra m a l a g a d a s . Ag o ra , o s c h a rco s p a i ra m p o r t o d o o t e r r i t ó r i o e o s d e t r i t o s v i n d o s d o s e s g o t o s d e s fe i t o s t o r n a ra m a s á g u a s p e s t i l e nt a s . O s m o s q u i t o s n ã o t a rd a ra m q u a n d o o s o l vo l t o u , p o r i s s o e s t á a í o p e r i g o d a m a l á r i a e d a s d e s i nt e r i a s . é a m o r t e q u e e s p re i t a s o b re a c i d a d e . q u e m e d i d a s s e p o d e m a d o p t a r p a ra q u e , d e u m m o d o s i m p l e s, s e p o s s a m p reve n i r f u t u ra s c at á s t ro fe s d e s t e t i p o ? va m o s ex p l i c i t a r, n e s t e t ex t o, a l g u m a s re f l exõ e s q u e a p o nt a m p a ra p ro c e s s o s c a p a ze s d e co nt r i b u i r p a ra a m e l h o r i a d e v i d a d a s p o p u l aç õ e s, at ravé s d e m e i o s e co l ó g i co s e s u s t e nt áve i s . A p a i s a g e m h u m a n i za d a é u m e co s i s t e m a n at u ra l q u e s e i nt e r l i g a a o s s i s t e m a s a r t i f i c i a i s co n s t r u í d o s p e l o h o m e m . U r b e e n at u re za co n s t i t u e m a s s i m u m a re l a ç ã o s i m b i ó t i c a o r i g i n a n d o o a c t u a l p ro c e s s o c i v i l i za c i o n a l e m q u e v i ve m o s . A s o c i o s fe ra g e ro u u m a n t a g o n i s m o co m a b i o s fe ra d e v i d o a o a p a re c i m e nt o d u m a t e c n o s fe ra q u e e s g o t a e co nt a m i n a a n at u re za . A c t u a l m e nt e a b i o s fe ra
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t e m u m r i t mo de re g e n e ra ç ã o i n fe r i o r a o e s g o t a m e nt o e p o l u i ç ã o gerados pela tecn o s fe ra , b a s e a d a n a e n e rg i a fó s s i l e m at e r i a i s n ã o recicláveis. O metabolismo c i rc u l a r, e s p e c í f i co d o s p ro c e s s o s e co s i s t é m i co s e bi oregenerativos, fo i a s s i m p e r t u r b a d o p e l o m e t a b o l i s m o l i n e a r desta civilização e s b a n j a d o ra e co nt a m i n a nt e . Para retomar o m e t a b o l i s m o c i rc u l a r b i o re g e n e rat i vo d o s e co s i s temas naturais, s e rá n e c e s s á r i a u m a m u d a n ç a ra d i c a l . Te re m o s d e substituir as energ i a s fó s s e i s p o r e n e rg i a s re n ováve i s e s u b s t i t u i r a ac tual tecnosfera p o r u m a e co t e c n o s fe ra re c i c l áve l e re u t i l i záve l . Assim, o metabo l i s m o c i rc u l a r n o p a ra d i g m a e co l ó g i co d e i xa rá d e ter lixos para ter n u t r i e nt e s . N u t r i e nt e s o rg â n i co s re c i c l áve i s n o m etabolismo regene rat i vo d a b i o s fe ra e n u t r i e nt e s t é c n i co s, re u t i l i záveis na nova ecot é c n i c a c i v i l i za c i o n a l b a s e a d a e m m at e r i a i s b i o d e gradáveis e energ i a s re n ováve i s . é neste contexto g l o b a l q u e t e re m o s d e e n c a ra r o c i c l o d a á g u a . A produção agro- e co l ó g i c a e o s j a rd i n s f i l t ra nt e s d eve m i n s e r i r- s e numa nova visão d a co m p l ex i d a d e s i s t é m i c a . Assim, as águas re s i d u a i s q u e co nt ê m f l u xo s de n u t r i e nt e s, d eve m ficar sujeitas a pro c e s s o s d e l a g u n a g e m p a ra a re c i c l a g e m o rg â n i c a desses nutrientes, permitindo a obtenção de águas reutilizáveis. Essas águas reutilizáve i s p o d e m m e s m o v i r a t o r n a re m - s e á g u a s p o t áve i s . vamos descrever, d u m a fo r m a s i nt é t i c a , o f u n c i o n a m e nt o d o s p ro cessos de biofiltra g e m a co p l a d o s à p ro d u ç ã o a g ro - e co l ó g i c a . é impor tante orga n i za r b a c i a s p a ra e s t e p ro c e s s o d e b i o d e p u ra ç ã o. Essas lagunagens, ( f u n c i o n a n d o d e u m a fo r m a b i o d e p u rat i va ) p o dem permitir, gra ç a s a u m a i n c l i n a ç ã o d o t e r re no, u m m ov i m e nt o d a água por gravidad e .

Po d e m - s e u s a r m i c ró f i t a s (a l g a s) p a ra a f i l t ra g e m d a á g u a . é s e m p re i m p o r t a nt e o rg a n i za r 3 b a c i a s, p o i s à d e c a nt a ç ã o d a p r im e i ra b a c i a , s e g u e m - s e o u t ra s fo r m a s m a i s e f i c a ze s d e d e p u ra ç ã o. A s m a c ró f i t a s s ã o u s a d a s co m e f i c á c i a p a ra a f i l t ra g e m d a á g u a ( c a n i ço s, j u n q u i l h o s, í r i s, e t c . ) N e s t e s c a s o s p ro c e d e - s e a u m a co l h e i t a d o s ve g e t a i s, d e t e m p o s a t e m p o s, p a ra n ã o h ave r u m a i n fe s t a ç ã o (a b i o m a s s a re co l h i d a p e rm i t e fe r t i l i za r a t e r ra a p ó s fe i t a u m a co m p o s t a g e m ) .

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A ÁGUA NA PAISAGEM DO Séc. X XI Jardins Filtrantes e a Produção Agro-Ecológica I I
Jacinto Rodrigues

A s l a g u n a g e n s p o d e m s e r co m p ó s i t a s : m i c ró f i t a s e m a c ró f i t a s, p o d e n d o t a m b é m p ovo a r- s e co m p e i xe s e p at o s, co n s t i t u i n d o - s e u m e co s i s te m a m a i s co m p l exo, m a i s e f i c a z e t a m b é m m a i s a p ra z í ve l . A s s i m p ro c e d e - s e à i nt e g ra ç ã o d a p ro d u ç ã o a g ro - e co l ó g i c a co m o s j a rd i n s f i l t ra nt e s, c r i a n d o - s e u m a n ova p a i s a g e m ú t i l e a g ra d áve l . Es t e s j a rd i n s f i l t ra nt e s, q u a n d o u t i l i za d o s p a ra f i l t ra r á g u a s p l u v i a i s e d o m é s t i c a s, s ã o l o c a i s d e p ro d u ç ã o a g ro - e co l ó g i c a e p e r m i t e m a i n d a a ex i s t ê n c i a d e u m p a rq u e d e re c re i o e l a ze r. Pa ra u m a m e l h o r d e p u ra ç ã o d a s á g u a s o s o l o d e s e m p e n h a u m p a p e l f u n d a m e nt a l co m o fa c t o r d e f i l t ra g e m . O s i s t e m a d e p u ra d o r d o s o l o p o d e o rg a n i za r- s e a n a s c e nt e d o p ro c e s s o b i o d e p u rat i vo d a l a g u n a g e m . A s á g u a s u s a d a s d o m é s t i c a s p o d e rã o, p rev i a m e nt e , s o f re r u m a f i l t ra g e m i n i c i a l at ravé s d u m a c a m a d a n at u ra l d e a rg i l a . Es s a c a m a d a n at u ra l d e a rg i l a p o d e e s t a r s u b t e r ra d a p o r u m t a l u d e d e t e r ra n a q u al s e p l a nt a ra m c h o u p o s o u á l a m o s . A s ra í ze s d e s t a s á r vo re s s ã o u m s o r ve d o u ro d o s n i t rat o s q u e p o s s a m ex i s t i r n a s á g u a s q u e e s co r re m a o l o n g o d o l e i t o d e a rg i l a , e m d e c l i ve , p o r o n d e a á g u a va i s e n d o f i l t ra d a p r i m e i ro p e l o s o l o d e a rg i l a e d e p o i s p e l a f i t o d e p u ra ç ã o e b i o d e p u ra ç ã o. Po d e m t a m b é m j u nt a r- s e a o s c h o u p o s o s s a l g u e i ro s q u e , e m b o ra d o t a d o s d e u m a fo r t e c a p a c i d a d e d e eva p o t ra n s p i ra ç ã o ( co n s u m i n d o b a s t a nt e á g u a ) , t ê m co nt u d o u m a g ra n d e c a p a c i d a d e d e a b s o r ve re m e co n s u m i re m a zo t o e fó s fo ro q u e , eve nt u a l m e nt e , p o s s a m e s t a r n a s
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águas residuais e q u e s ã o p re j u d i c i a i s à s a ú d e d o s h o m e n s e d o s animais. A estas m a c ró f i t a s p o d e m - s e j u nt a r mu i t a s o u t ra s p l a nt a s úteis para a alime nt a ç ã o d e a n i m a i s a s s i m co m o p e i xe s, co n fo r m e o uso das lagunagen s e o g ra u d e d e p u ra ç ã o co n s eg u i d o n a s b a c i a s a n teriores. Essas pla nt a s ú t e i s, p a ra a l é m d a s f ra g m i t a s co m u n i s e d o s jacintos de água, p o d e m s e r u t i l i za d a s n a a l i m e nt a ç ã o h u m a n a , co m o por exemplo er vil h a s d e á g u a , a g r i õ e s e a l fa c e s d e á g u a , l o g o q u e s e assegure uma boa f i l t ra g e m t e n d o e m v i s t a a p o t a b i l i za ç ã o d a á g u a . Neste processo é i m p o r t a nt e e s t a b e l e c e r zo n a s n í t i d a s d e s e p a ra ç ã o entre o processo a g ro - e co l ó g i co, e m q u e p o d e m co a b i t a r a n i m a i s, peixes e plantas e o p ro c e s s o e m q u e s e p re t e n d e t o r n a r a á g u a p otável. Barreiras e c a s c at a s, co n s t i t u í d a s p o r p e d ra s, a rg i l a s e p l a nt a s diversas, nomead a m e nt e r i zo m a s, s ã o d i v i s ó r i a s p o ro s a s d o p ro c e s so de lagunagem q u e p e r m i t e m o s m e i o s e f i c a ze s p a ra a o b t e n ç ã o de água cada vez m a i s p o t áve l . No percurso deste f l u xo h í d r i co a á g u a é a s s i m f i l t ra d a e a g i t a d a d e modo a ser cada ve z m a i s ox i g e n a d a . Po d e m u s a r- s e c a s c at a s n a turais entre os vá r i o s d e c l i ve s m a s p o d e m t a m b é m s e r u s a d a s “flo-

w forms” que, gra ç a s a u m d e s i g n e s p e c i a l , fa ze m c i rc u l a r a á g u a .
Essa água saltita s o b re o re l evo e o s co nt o r n o s a r t í s t i co s d e s s a s fo rmas, especialment e co n c e b i d a s p a ra o e fe i t o rev i t a l i za d o r d a á g u a .

ANTÓN IO JAc I NTO RODR IGU ES Nota Biográfica
Migu el Santiago

António Jacinto Rodrigues nasceu em Luanda, a 28 de Outubro de 1939. A sua formação académica reflec te uma for te vocação transdisciplinar. E m 1 9 6 7 , e m Fra n ç a , o b t é m o c e r t i f i c a d o e m S o c i o l o g i e G é n e ra l e n a U n i ve r s i t é d e Pa r i s -S o r b o n n e e f re q u e nt a , n a éco l e P rat i q u e d e s H a u t e s ét u d e s, o s s e m i n á r i o s d e G e o rg e s Fr i e d m a n n e A l a i n To u ra i n e . E m 1 9 6 9 o b t é m u m a b o l s a d a O N U, e m Pa r i s, p a ra re f u g i a d o s p o l í t i co s, fa ze n d o u m a fo r m a ç ã o n o I R F E D ( I n s t i t u t d e Re c h e rc h e , Fo rm at i o n e n Ed u c at i o n e t D eve l l o p e m e nt ) . E m 1 9 7 2 , o b t é m a L i c e n c e d ’ U r b a n i s m e n a U n i ve r s i t é d e Pa r i s vI I I . P ro s s e g u e o s s e u s e s t u d o s co m a M a i t r i s e d ’ U r b a n i s m e , n a U n i ve r s i t é d e Pa r i s v I I I , e m 1 9 7 3 , e M a i t r i s e d e L’ U E R L a n g u e s, L i t t e rat u re e t c i v i l i s at i o n s ét ra n g è re s, n a U n i ve r s i t é d e Re n n e s 2 , e m 1 9 7 4 . D o p r i m e i ro m e s t ra d o e d i t o u u m l i v ro U r b a n i s m e e t Revo l u t i o n , p u b l i c a d o e m Fra n ç a ( 1 9 7 3 ) , Po r t u g a l ( 1 9 7 5 ) e Es p a n h a ( 1 9 7 9 ) , t e n d o s i d o o r i e nt a d o p e l a P ro f ª . D o u t o ra Fra n ço i s e c h o ay, q u e e s c reve n o p re fá c i o “q u a nt o a o m é t o d o, o t ra b a l h o d e J a c i nt o Ro d r i g u e s p o d e rs e - i a c a ra c t e r i za r co m o u m exe rc í c i o d e l e i t u ra . Le i t u ra m e t i c u l o s a , d u p l a m e nt e c r í t i c a p e l o s e u p ró p r i o p ro c e s s o e p e l o t ex t o, l e i t u ra a o n í ve l d a s p a l av ra s, m a s t a m b é m p e r s p e c t i va e p ro s p e c t i va , co m o a co m e ço u a e n s i n a r G a s t o n B a c h e l a rd ”. A d i s s e r t a ç ã o d o s e g u n d o m e s t ra d o ve i o p o s t e r i o r m e nt e a s e r p u b l ic a d a e m Po r t u g a l co m o t í t u l o d e Pe r s p e c t i va s s o b re a co m u n a e a 1 ª I nt e r n a c i o n a l e m Po r t u g a l , ( 1 9 7 6 ) .
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Jacinto Rodrigues fo i m e m b ro d u m a e q u i p a d e i nve s t i g a ç ã o d i r i g i d a pelo Prof. Arquite c t o A n at o l e Ko p p e nt re 1 9 7 4 e 1 9 7 5 , t ra b a l h a ndo sobre duas «m i s s õ e s » e n co m e n d a d a s p e l o S e c re t a r i at d ’ Et at a u x Affaires culturelle s, cO R DA e p e l o M i n i s t è re d e l ’ E q u i p e m e nt , re l at i vas ao estudo de P ro c e s s o s d e U r b a n i za ç ã o e O rd e n a m e nt o Re g i o n a l e à criação duma t i p o l o g i a a rq u i t e c t u ra l d u ra nt e o s p l a n o s q u i n q u enais na U RSS. Um d o s s e u s re l at ó r i o s ve i o a s e r p u b l i c a d o n o l i v ro d e Anatole Koppe, “A rc h i t e c t u re d e l a p e r i o d e S t a l i n i e n n e ”, Ed . P re s s e s Universitaires de G re n o b l e , E BA , 1 9 7 8 , Fra n ç a . De volta a Por tug a l , a p ó s o 2 5 d e A b r i l , f i n a l i za o s e u p e rc u r s o a c a démico com a Lice n c i at u ra e m Fi l o s o f i a , p e l a Fa c u l d a d e d e Le t ra s d a Universidade do Po r t o, e m 1 9 7 9 , q u e t i n h a s i d o i nt e r ro m p i d a co m o seu exílio em Fran ç a . Em 1986 realiza a s p rova s d e D o u t o ra m e nt o n a U n i ve r s i d a d e N ova de Lisboa, em Hi s t ó r i a d e A r t e , s o b a o r i e nt a ç ã o d e J o s é Au g u s t o França, com o títu l o A p re n d e r co m a B a u h a u s – A B a u h a u s e o E n s i n o Ar tístico nos Ano s 2 0 – Te o r i a e P rát i c a . Es t a t e s e d e d o u t o ra m e nto foi aprovada co m d i s t i n ç ã o e l o u vo r e ve i o a s e r p u b l i c a d a e m 1989 com o título A B a u h a u s e o E n s i n o A r t í s t i co. Fi n a l m e nt e , e m 1991 realiza a prova d e Ag re g a ç ã o n a Fa c u l d a d e d e A rq u i t e c t u ra d a Universidade do Po r t o, e m Te o r i a d e A rq u i t e c t u ra , s o b re a o b ra d e Álvaro Siza, que ve i o a s e r p u b l i c a d a e m 1 9 9 2 co m o t í t u l o d e Á l va ro Si za, Obra e Méto d o. é ac tualmente Pro fe s s o r cat e d rát i co d a Fa c u l d a d e d e A rq u i t e c t u ra da Universidade d o Po r t o e i nve s t i g a d o r n o c EAU P – ce nt ro d e Es t udos Africanos des s a m e s m a U n i ve r s i d a d e , p u b l ic a n d o a r t i g o s e p a rticipando em Sem i n á r i o s e co n g re s s o s e m Po r t u g a l e e m Áf r i c a . Entre 1977 e 197 8 fo i b o l s e i ro d a Fu n d a ç ã o ca l o u s t e G u l b e n k i a n

p a ra o p ro s s e g u i m e nt o d a i nve s t i g a ç ã o s o b re a B a u h a u s e o u r b a n i s m o d o s a n o s 2 0 , i nve s t i g a ç ã o q u e co m e ç a ra e m Fra n ç a e q u e t i n h a s i d o o b j e c t o d e p u b l i c a ç ã o, “ L a B a u h a u s e t S a S i g n i f i c at i o n H i s t o r i q u e ”, Ed . H at i e r, co l . S o p h o s, Pa r i s, 1 9 7 5 , re a l i za n d o v i a g e n s d e e s t ud o à R FA e R DA , n o ve rã o d e 1 9 7 8 . N o q u a d ro d a A s s o c i a ç ã o d e M u n i c í p i o s d a Te r ra qu e nt e Tra n s m o n t a n a , ent re 1 9 8 4 e 1 9 8 6 , re a l i zo u u m p ro j e c t o p a ra a fo r m a ç ã o d e a g e nt e s d e d e s e nvo l v i m e nt o. Fo i b o l s e i ro d o G o e t h e I n s t i t u t , e m B e r l i m , co m v i s t a a o a p e r fe i ço a m e nt o d a l í n g u a a l e m ã e re a l i zo u d i ve r s a s v i s i t a s d e e s t u d o, re l at i va m e nt e a o b ra s d e a rq u i t e c t u ra e u r b a n i s m o d o s s é c s . XvI I I , X I X e X X ( Pe t e r J o s e p h Le n n é , S c h i n ke l ) e à s p r i n c i p a i s o b ra s d o I BA , n o d o m í n io d a a rq u i t e c t u ra co nt e m p o râ n e a e d a re a b i l i t a ç ã o u r b a n a . E m 1 9 9 7 re a l i zo u u m a i nve s t i g a ç ã o, a p o i a d o p e l a co m i s s ã o d e coo rd e n a ç ã o d a Re g i ã o N o r t e e p e l a co o p e rat i va A r t í s t i c a Á r vo re , d a q u a l res u l t o u a e d i ç ã o d e u m l i v ro “co n s p i ra ç ã o S o l a r d o Pa d re H im a l aya”, Ed . co o p e rat i va Á r vo re , Po r t o, 1 9 9 9 e u m a ex p o s i ç ã o i t i n era nt e “vi d a e O b ra d o Pa d re H i m a l aya ”. B a s e a d o n e s t e l i v ro fo i a c t o r e co - a rg u m e nt i s t a d o f i l m e - d o c u m e n t á r i o q u e ve i o a s e r re a l i za d o p o r J o rg e A nt ó n i o, “ U t o p i a d o Pa d re H i m a l aya ”, P ro d . L x Fi l m e s, L i s b o a , 2 0 0 4 , co m o a p o i o d o IcAM , M in i s t é r i o d a c i ê n c i a e Te c n o l o g i a - P ro g ra m a c i ê n c i a vi va , câ m a ra M u n i c i p a l A rco s d e va l d eve z , câ m a ra M u n i c i p a l d e vi a n a d o ca s t e l o e co - p ro d u z i d o p e l a RTP. A s u a ex p e r i ê n c i a p ro f i s s i o n a l re l at i va m e nt e à d o c ê n c i a é d e l o n g a d at a e d i ve r s i f i c a d a , t a l co m o a s u a fo r m a ç ã o : D e 1 9 7 2 a 1 9 7 4 fo i c h a rg é d e co u r s n a U n i ve r s i t é d e Pi c a rd i e n o c u r s o d e S o c i o l o g i e U r b a i n e , e m A m i e n s ; e l a b o ra n d o u m p ro g ra m a
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centrado sobre o e s t u d o d a s re l a ç õ e s e nt re o e s p a ço e a s o c i e d a d e . Entre 1973 e 197 5 fo i P ro fe s s o r n a éco l e S u p é r i e u re d ’A rc h i t e c t u re de Rennes, sendo re s p o n s áve l p e l a d i s c i p l i n a d e D o c t r i n e s U r b a i n e s . Em 1975 foi Assis t e nt e n a Es co l a S u p e r i o r d e B e l a s - A r t e s d o Po r t o e a par tir de Outub ro d e 1 9 8 6 i nt e g ra o co r p o d o c e nt e d a Fa c u l d a d e de Arquitec tura d o Po r t o. A sua experiênci a p ro f i s s i o n a l t e m p a s s a d o t a m b é m p o r j ú r i s d e provas de mestra d o, d e d o u t o ra m e nt o, d e co n c u r s o d e p ro fe s s o r a s sociado e de prova s d e a g re g a ç ã o. A sua par ticipaçã o e m j ú r i s va i m a i s a l é m d a s i n s t i t u i ç õ e s u n i ve rsitárias. Fez par te d o J ú r i d o P ré m i o G u l b e n k i a n d e H i s t ó r i a d e A r t e para 1992, em Ju l h o d e 1 9 9 3 . E m M a i o d e 1 9 9 6 , fe z p a r t e d o j ú r i que atribuiu os p ré m i o s d a ca s a d a c u l t u ra d a L í n g u a Po r t u g u e sa, na Reitoria da U n i ve r s i d a d e d o Po r t o, a o s c a n d i d at o s q u e fo ra m condecorados pel o P re s i d e nt e d a Re p ú b l i c a e q u e s e d i s t i n g u i ra m pela contribuição e m p ro l d a c u l t u ra p o r t u g u e s a n o e s t ra n g e i ro. A sua par ticipaçã o e m co n g re s s o s e s e m i n á r i o s t e m s i d o u m a co n s tante do seu percu r s o, a l i a d a à co m p o n e nt e fo r m at i va q u e l h e a d vé m dos vários cursos l e c c i o n a d o s e m fo r m a ç ã o p ro f i s s i o n a l e p e d a g ó g i c a . Este longo percur s o a c a d é m i co, d e ex p e r i ê n c i a p ro f i s s i o n a l , d e d ocência, de investi g a ç ã o re f l e c t e fo r m a ç õ e s u n ive r s i t á r i a s d i ve r s a s, mas que permitem p re o c u p a ç õ e s d i s c i p l i n a re s conve rg e nt e s, re f l exã o epistemológica co m o p o nt o d e p a r t i d a p a ra a i nve s t i g a ç ã o e p a ra a complexa problemática da sociedade, da ar te, do ensino e do território. viveu em vários p a í s e s ( A n g o l a , Po r t u g a l , Fra n ç a , I t á l i a , A l e m a n h a ) , realizou inúmeras e co n s t a nt e s v i a g e n s p e l a E u ro p a ( n o m e a d a m e n te Europa de Lest e ) e p e l o M u n d o, d a n d o - l h e u m a v i vê n c i a q u e fa zem par te integra nt e d a s u a fo r m a ç ã o.

Es t a co n s t a nt e “d i s p o s i ç ã o n ó m a d a ” p e r m i t i u - l h e o co nt a c t o co m p e r s o n a l i d a d e s i m p o r t a nt e s d a c u l t u ra , d a s q u a i s d e s t a c a m o s : Ra i m o n d A ro n , Fra n ço i s e c h o ay, A n at o l e Ko p p, G e o rg e s Fr i e d m a n , D a n i l o D o l c c i , Ed g a r M o r i n , A l a i n To u ra i n e , Ag o s t i n h o d a S i l va , J o s é Au g u s t o - Fra n ç a , J o h a n va n Le n g e n , Pi e r re Ra b h i , e t c . M a s fo i e m m u i t o s o u t ro s e n co nt ro s, d e g e nt e s i m p l e s, q u e e s t a b e l e c e u u m a l a rg a f rat e r n i d a d e e nt re c i d a d ã o s d o m u n d o. A nt ó n i o J a c i nt o Ro d r i g u e s a p re s e nt a u m l o n g o e d i ve r s i f i c a d o p e rc u r s o p e d a g ó g i co - c i e nt í f i co. A fo r m a ç ã o u n i ve r s i t á r i a e a s ex p e r i ê n c i a s p ro f i s s i o n a i s d e J a c i nt o Ro d r i g u e s p e r m i t i ra m - l h e u m a a b o rd a g e m m e t o d o l ó g i c a t ra n s d i s c i p l i n a r - f i l o s o f i a , h i s t ó r i a , a rq u i t e c t u ra , u r b a n i s m o, e co l o g i a e c i ê n c i as s o c i a i s - , co m p re o c u p a ç õ e s e s p e c í f i c a s p e ra nt e o co n h e c im e nt o, a i nt e r ve n ç ã o s o c i a l e p e d a g ó g i c a ; u m a re f l exã o e p i s t e m o l óg i c a co m o p o nt o d e p a r t i d a p a ra a i nve s t i g a ç ã o. Po d e m e n co nt ra r- s e “ p re o c u p a ç õ e s ” co n s t a nt e s a o l o n g o d o s e u t ra b a l h o, d e s t a c a n d o s e : q u e s t õ e s d e e n s i n o, d a fo r m a ç ã o a r t í s t i c a , d a a rq u i t e c t u ra , d o u r b a n i s m o e d a a r t e e m g e ra l ; a p ro b l e m át i c a e co l ó g i c a , s o c i a l e a s q u e s t õ e s d e e co d e s e nvo l v i m e nt o. J a c i nt o Ro d r i g u e s fo i s e m p re u m e s t u d i o s o d e m ov i m e nt o s e e s co l a s e s p i r i t u a i s, d a n d o u m a g ra n d e i m p o r t â n c i a a o a u t o - d e s e nvo l v i m e nt o. D e o r i e nt a ç ã o l a i c a n a s u a p o s t u ra c í v i c a , i nt e re s s o u - s e s o b re o c r i s t i a n i s m o p r i m i t i vo, o p r i s c i l i a n i s m o, o s u f i s m o, a c a b a l a , a m a ço n a r i a , a f i l o s o f i a p o r t u g u e s a , o c h a m a n i s m o, o “ t ra b a l h o ” d e G u rd j i e ff e a s a c t i v i d a d e s m ú l t i p l a s d e Ru d o l f S t e i n e r. S o b re e s t e s a s s u nt o s re a l i zo u p u b l i c a ç õ e s e a n i m o u g r u p o s d e t ra b a l h o. U m d o s a s p e c t o s f u l c ra i s d e J a c i nt o Ro d r i g u e s é a s u a p e r s p e c t i va d e c i d a d a n i a a c t i va e a s s u a s co n s t a nt e s p re o c u p a ç õ e s e re f l exõ e s
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sobre a ecologia e a p e d a g o g i a . é notória, em tod a a s u a o b ra , a i n f l u ê n c i a d e d i ve r s a s i d e i a s e m ovi mentos, dos qua i s d e s t a c a m o s : o M a r x i s m o Fre u d i a n o e d a Es co l a de Frankfur t ( W. Re i c h , E r i c h Fro m m , M a rc u s e e H a b e r m a s) , o M ov imento Alteromun d i a l i s t a ( S e rg e L at o u c h e , Re n é Pa s s e t e J e a n M a r i e Pelt) e as preocup a ç õ e s p a ra u m a Áf r i c a e co l o g i c a m e nt e s u s t e nt áve l (René Dumont, Th o m a s S a n ka ra , M a n d e l a e Wa n g a r i M a at h ay ) . Aprender a apren d e r, L i b e rd a d e co m re s p o n s a b i l i d a d e e ci ê n c i a co m consciência de Ed g a r M o r i n s ã o re fe rê n c i a s p a ra u m a n ova v i s ã o d a sociedade e contr i b u í ra m p a ra a s u a co m p re e n s ã o d o co r t e e p i s t e mológico em que a a b o rd a g e m co m p l exa e s i s t é m i c a ex i g e u m n ovo paradigma. Foi nestas última s t rê s d é c a d a s, co m i s s á r i o d e vá r i a s ex p o s i ç õ e s : “Ecologia”; “cem A n o s d e A r t e n o Po r t o ” ; “A p re n d e r co m a B a u h a u s ” ; “Ar te natureza e c i d a d e ” ; “vi d a e O b ra d o Pa d re H i m a l aya ”. D e s s a s exposições foram p u b l i c a d o s c at á l o g o s e l i v ro s . Par ticipou em dive r s o s co l ó q u i o s, s e m i n á r i o s, co n g re s s o s e co n ferências em Por tug a l e n o e s t ra n g e i ro, a s s i m co m o e m vá r i o s d e b at e s e mesas-redondas, a l g u n s d o s q u a i s n a rá d i o e n a t e l ev i s ã o. Publicou inúmero s a r t i g o s e m rev i s t a s e j o r n a is, n a c i o n a i s e i nt e rnacionais, sendo a c t u a l m e nt e co l a b o ra d o r d o J o r n a l “A Pá g i n a d a Educação”. Para além da par t i c i p a ç ã o e m l i v ro s co m vá r i o s a u t o re s, d e s t a c a m se da sua bibliogra f i a , n o â m b i t o d a e co l o g i a , a rq u i t e c t u ra , u r b a n i s mo e ciências soc i a i s, o s s e g u i nt e s l i v ro s : Urbanisme et Revo l u t i o n , Ed . U n i ve r s i t a i re s, Pa r i s, 1 9 7 3 ; Le Bauhaus et as S i g n i f i c at i o n H i s t o r i q u e , Ed . H at i e r, Pa r i s, 1 9 7 5 ; Urbanismo e Revo l u ç ã o, Ed . Af ro nt a m e nt o, Po r t o, 1 9 7 5 , p u b l i c a d o

t a m b é m e m f ra n c ê s e c a s t e l h a n o ; Frente cultural, Ed. Afrontamento, Por to, 1976 (1ªEd.), 1981 ( 2 º Ed . ) ; U r b a n i s m o, u m a p rát i c a s o c i a l e p o l í t i c a , Ed . L i m i a r, Po r t o, 1 9 7 6 ; Pe r s p e c t i va s s o b re a co m u n a e a 1 ª I nt e r n a c i o n a l e m Po r t u g a l , Ed . S l e m e s, L i s b o a , 1 9 7 6 ; U r b a n i s m o y Revo l u c i o n , Ed . B l u m e , M a d r i d , 1 9 7 9 ( t ra d . ) ; Utopia, Espaço & Sociedade, Imp. Faculdade de Engenharia U. Porto, 1979 vi va Rei c h , Ed . Af ro nt a m e nt o, Po r t o, 1 9 8 2 ; Eco l o g i a , Ed . Á r vo re , Po r t o, 1 9 8 2 ; A B a u h a u s e o e n s i n o a r t í s t i co, Ed . P re s e n ç a , L i s b o a , 1 9 8 9 ; A r t e e A rq u i t e c t u ra d e R . S t e i n e r, Ed . ci v i l i za ç ã o, Po r t o, 1 9 9 0 ; ce m A n o s d e A r t e n o Po r t o, Ed . Á r vo re , Po r t o, 1 9 9 2 ; Á l va ro S i za , O b ra e M é t o d o, Ed . c i v i l i za ç ã o, Po r t o, 1 9 9 2 ; Eco d e s e nvo l v i m e nt o, A r t e , U r b a n i s m o e A rq u i t e c t u ra , Ed . H o r i zo nt e d a s A r t e s, vi l a N ova d e ce r ve i ra , 1 9 9 3 ; A r t e , N at u re za e c i d a d e , Ed . Á r vo re , Po r t o, 1 9 9 3 ; O P ro j e c t o co m o P ro c e s s o I nt e g ra l n a A rq u i t e c t u ra d e Á l va ro S i za , F. A .U. P. , Pu b l i c a ç õ e s, Po r t o, 1 9 9 6 ; A co n s p i ra ç ã o S o l a r d o Pa d re H i m a l aya , Ed . Á r vo re , Po r t o, 1 9 9 9 ;
0 7 | Jacinto Rodrigues e Miguel Santiago.

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S o c i e d a d e e Te r r i t ó r i o - D e s e nvo l v i m e nt o Eco l o g i c a m e nt e S u s t e nt a d o, P ro fe d i ç õ e s, Po r t o, 2 0 0 6 .

co m o n o t a f i n a l , g o s t a r í a m o s d e d e s t a c a r a s u a co l a b o ra ç ã o, n e s t e s ú l t i m o s a n o s, co m o I . S. M . A .T. A e p i s t e m o l o g i a , a s q u e s t õ e s p e d a g ó g i c a s e u m d i s c u r s o a p e l at i vo e i m p re gn a d o d e c i d a d a n i a n ã o p a s s a ra m d e s p e rc e b i d o s à m a i o r p a rt e d o s a l u n o s, e s t i m u l a n d o - o s e i n c e nt i va n d o - o s p a ra a re f l exã o e a c ç ã o c í v i c a e m re l a ç ã o a o s p ro b l e m a s ex i s t e nt e s n a s o c i e d a d e o n d e

impera a exclusão s o c i a l , a v i o l ê n c i a e a i n j u s t i ç a . J a c i nt o Ro d r i g u e s propõe uma alte r n at i va d e s o c i e d a d e e co l o g i c a m e nt e s u s t e nt áve l face a este mode l o a s s e nt e n a e s g o t a b i l i d a d e d a s e n e rg i a s, n a p o luição global e na p re d a c ç ã o n e o - d a r w i n i s t a . Jacinto Rodrigues t e m p ro c u ra d o i n c e s s a nt e m ent e “co n s t r u i r a l t e rnativas ao ensino q u e e s t a b e l e ç a m m e d i d a s d e t ra n s i ç ã o fa c e a o ac tual modelo ins u s t e nt áve l d a s o c i e d a d e d o m i n a nt e ” p a ra q u e u m novo paradigma, a f i n a l , s e j a p o s s í ve l .

©copyright J acinto Rodrigues