Financiamento das Escolas Privadas e Equidade Educativa

Porque geralmente é omitida a informação, a maioria dos Portugueses desconhece que financiar escolas de gestão privada através do erário público é uma realidade crescente em países como a Finlândia, a Holanda, a Suécia, Bélgica, a Alemanha, a Irlanda, o Luxemburgo, a Eslováquia e Hong Kong, de entre outros, em que cerca de 80% a 90% do financiamento das escolas privadas provem de financiamento público. Por maioria de razão, a opinião público desconhece os estudos internacionais que concluem que o financiamento público a escolas privadas fomenta a equidade educativa e, por conseguinte, a qualidade educativa. O resultado mais evidente e marcante é que os países onde existe um serviço público de educação com escolha, comungam de maior equidade e qualidade e que vedar ou reduzir o financiamento público a escolas de gestão privada incrementa, afinal, a desigualdade educativa e impede a melhoria da qualidade. Estudos anteriores, já teriam concluído que nos países onde o Estado financia as escolas com gestão privadas, estas atraem estudantes desfavorecidos e com necessidades especiais porque o financiamento público assim o permite. Desta maneira, também teriam concluído que nestes países a frequência das escolas privadas tende a ser mais heterogénea e inclusiva permitindo que todos os pais escolham a escola dos seus filhos. Veja-se, por exemplo, o estudo “Public and Private Schools How management and funding relate to their socioeconomic profile”. Recentemente a OCDE quis saber se o financiamento público tem os mesmos resultados em termos de equidade quando é dirigido a todos os alunos que queiram frequentar uma escola privada (grupo 1) ou quando é apenas dirigido aos mais desfavorecidos e vulneráveis (grupo 2). Chegou-se à conclusão que o resultado em termos de igualdade de acesso é tanto melhor quanto maior for o financiamento público a escolas privadas, verificando-se, inclusivamente, situações em que as escolas estatais passam a ser as escolas frequentadas pelos alunos com perfil sócio-económico igual ou superior ao das escolas privadas. Conclui-se, por isso, que o que determina a proveniência sócioeconómica da população escolar não é tanto se tem ou não gestão privada mas se os pais têm ou não acesso a financiamento público. Chegará o dia em que Portugal também assumirá um serviço público de educação centrado no interesse do aluno e com determinação do custo por aluno. Nessa altura, o nosso País deixará de constar da lista dos países da OCDE com maior desigualdade e insucesso escolar e os jovens deixarão de cantar: “O meu País não deixou”. A este propósito não deixe de ler o artigo “Factos e Preconceitos” da autoria de Francisco Vieira e Sousa consulte o nosso site para aceder a todas as informações sobre os países que assumiram já um Serviço Público de Educação. Assista ainda ao vídeo "Serviço Público de Educação em Portugal" no Canal FLE.

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