Centro de Formação de Pessoal de Saúde de Chimoio

Técnicas de Laboratório

Márcio Amós
Licenciado em Análises Clínicas & Saúde Pública

Higiene e Segurança no Trabalho de Laboratório

Temas
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. Higiene Segurança Higiene e Segurança no Trabalho de Laboratório Armazentamento de Reagentes Identificação de reagentes Sinalização de Segurança Riscos Acidentes mais comuns e Primeiros Socorros Fogo e Extinção
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Márcio Amós

limpeza e sanitariedade. ou o que é saudável. Márcio Amós 4 . • É de origem grega (hygieiné) que significa hygeinos. • É derivada da deusa grega da saúde. – Esterilização e – Outros métodos de limpeza • Tem como objetivo de conservar e fortificar a saúde.Higiene • É um conjunto de conhecimentos e técnicas para evitar doenças infecciosas usando – Desinfecção. Hígia.

Higiene • Consiste na prática do uso constante de elementos ou atos que causem benefícios para os seres humanos. • Em seu sentido mais comum. que é o bemestar e a saúde perfeita. • Sanitização advém de Sanidade que em amplo sentido significa ordem perfeita de funcionamento. Márcio Amós 5 . • A higiene compreende hábitos que visem preservar o estado original do ser. podemos dizer que significa limpeza acompanhada do asseio.

continuidade. como bem comum. é divulgada e assegurada através de um conjunto de convenções sociais. • A segurança tem que ser comparada e contrastada com outros conceitos relacionados: Segurança. confiabilidade. • A segurança. denominadas medidas de segurança.Segurança • Segurança é a percepção de se estar protegido de – Riscos. • A diferença chave entre a segurança e a confiabilidade é que a segurança deve fazer exame no cliente das ações dos agentes maliciosos activos que tentam causar a destruição. – Perigos ou – Perdas. Márcio Amós 6 .

higiene e saúde no trabalho visa a prevenção dos riscos profissionais e a promoção da saúde dos trabalhadores. • Para o seu controlo deve ser desenvolvido um plano de segurança estabelecido a partir de uma avaliação criteriosa dos riscos que lhe são inerentes.Higiene e Segurança no Trabalho de Laboratório • A organização de segurança. • Estes perigos são. Márcio Amós 7 . Química. Física e Mecânica. • Nos laboratórios a segurança dos trabalhadores e do meio ambiente passa por um conhecimento profundo dos perigos inerentes às actividades desenvolvidas. fundamentalmente de natureza – – – – Biológica.

Higiene e Segurança no Trabalho de Laboratório • Cada responsável por um laboratório deverá velar pela implementação do sistema de segurança no seu laboratório de forma a assegurar a qualidade das operações realizadas e a segurança do pessoal envolvido. este deve ser registado no Livro de Segurança. em caso de acidente. bem como as medidas correctivas adoptadas. • Pelo que. Márcio Amós 8 . • Nenhum sistema de segurança garante a completa eliminação de riscos.

Higiene e Segurança no Trabalho de Laboratório • Recomendações de ordem pessoal – – – – – Use sempre bata no laboratório Use sempre óculos de segurança quando a situação o justificar Não pipete nenhum tipo de produto com a boca Os cabelos compridos devem sempre estar presos Certifique-se da localização e funcionamento dos equipamentos de segurança colectivos: • extintores de incêndio. • lava-olhos e • chuveiros de emergência – – – – Certifique-se da localização das saídas de emergência Use calçados fechados Não misture material de laboratório com pertences pessoais Não leve as mãos à boca ou aos olhos quando estiver a manusear produtos químicos 9 Márcio Amós .

antes de sair do laboratório – Nunca coloque alimentos nas bancadas. armários. Márcio Amós 10 . frigoríficos e estufas dos laboratórios – Nunca utilize vidraria de laboratório como utensílio doméstico – Nunca fumar. IV ou de luminosidade muito intensa sem a protecção adequada (óculos com lentes filtrantes) – Feche todas as gavetas e portas.Higiene e Segurança no Trabalho de Laboratório • Recomendações de ordem pessoal – Lave cuidadosamente as mãos com bastante água e sabão. causando lesões oculares graves – Não se exponha a radiação UV. beber ou aplicar cosméticos em laboratórios – Não use lentes de contacto no laboratório. pois podem ser danificadas por vapores de produtos químicos. comer.

antes de colocá-lo para lavagem – Rotule imediatamente qualquer reagente ou solução preparados e as amostras colectadas: • Nome do reagente / solução e concentração • Data • Nome do operador – Retire da bancada os materiais. com água ao esvaziar um frasco de reagente.Higiene e Segurança no Trabalho de Laboratório • Referentes ao Laboratório – Mantenha as bancadas sempre limpas e livres de materiais estranhos ao trabalho – Faça uma limpeza prévia. logo após a sua finalização – Deite papéis usados e materiais no recipiente de lixo somente quando não representar risco para as pessoas ou meio ambiente. amostras e reagentes utilizados um determinados ensaio. Márcio Amós 11 .

para fazer esta limpeza e utilize os materiais e procedimentos adequados. produtos tóxicos ou corrosivos. se necessário. – Em caso de derrame de líquidos inflamáveis. tome as seguintes providências: • • • • • Márcio Amós Interrompa o trabalho Advirta as pessoas próximas sobre o ocorrido Solicite ou efectue a limpeza imediata Alerte o responsável pelo laboratório Verifique e corrija a causa do problema 12 . – Proteja-se.Higiene e Segurança no Trabalho de Laboratório • Referentes ao Laboratório – Limpe imediatamente qualquer derrame de produtos químicos.

Márcio Amós 13 .Higiene e Segurança no Trabalho de Laboratório • Manipulação de equipamento de vidro – Não utilize material de vidro quando lascado – Coloque todo o material de vidro no local identificado para este fim – Não deposite vidro partido no recipiente de lixo comum – Proteja as mãos (com luvas. coloque-os sobre placas – Não pressurize recipientes de vidro sem conhecer a resistência dos mesmos. preferivelmente) quando for necessário manipular peças de vidro que estejam quentes – Use luvas grossas (de raspa de couro) e óculos de protecção sempre que: • Colocar ou remover rolhas de tubos de vidro ou termómetros • Remover vidro partido de superfícies. neste caso usar também pá de lixo e vassoura – Não deixe frascos quentes sem protecção sobre as bancadas do laboratório.

Higiene e Segurança no Trabalho de Laboratório • Uso de equipamento geral – Leia atentamente as instruções sobre o equipamento e verifique o seu estado antes de iniciar o trabalho – Saiba de antemão o que fazer em caso de emergência – Faça sempre a marcação prévia do equipamento que necessita utilizar – Comunique sempre o estado do equipamento após a utilização. usando para tal o livro de registos e sempre que possível informando o responsável pelo equipamento Márcio Amós 14 .

• Equipamentos eléctricos Higiene e Segurança no Trabalho de Laboratório – Só utilize o equipamento quando os fios. Caso esteja quente. • tiver certeza da voltagem correcta entre equipamento e • circuitos. tomadas estiverem em perfeitas condições. (excepto frigoríficos e arcas -80ºC). • o fio terra estiver ligado. – Não deixe equipamentos eléctricos ligados no laboratório. – Verifique periodicamente a temperatura do conjunto de tomadas. – Remova frascos inflamáveis das proximidades do local onde será utilizado equipamento eléctrico – Enxugue qualquer líquido derramado no chão antes de operar o equipamento Márcio Amós 15 . – Não instale nem opere equipamentos eléctricos sobre superfícies húmidas. desligue o equipamento e chama o serviço de manutenção.

Higiene e Segurança no Trabalho de Laboratório • Uso de chama – Use chama na hotte e somente nos laboratórios onde for permitido – Não acenda o bico de Bunsen sem antes verificar e eliminar os seguintes problemas: • • • • Fugas Dobra no tubo de gás Ajuste inadequado entre o tubo de gás e suas conexões Existência de materiais ou produtos inflamáveis ao redor do bico – Nunca acenda o bico de Bunsen com a válvula de gás muito aberta Márcio Amós 16 .

6. Nocivo ou Radioactivo. devem ser retirados apenas os indicados no protocolo. explosivo. obviamente. Corrosivo. 5. tóxicos e explosivos devem ser reduzidos ao mínimo indispensável. bem como os gases comprimidos. O acesso deve ser fácil. Os reagentes sensíveis à água. Aquando da realização de actividade experimental. Oxidante. separado do laboratório propriamente dito. Márcio Amós 17 . 3. Os reagentes inflamáveis. 2. Tóxico. • Os reagentes deverão ser guardados atendendo aos seguintes aspectos: 1. com iluminação e ventilação. Deve ser feito um controlo de entradas e saídas a fim de possibilitar um eficaz reabastecimento. 4.Armazentamento de Reagentes • O armazém de reagentes deve ser fresco. e. como o caso dos metais alcalinos e alcalino-terrosos devem ser afastados dos restantes. devolvendo-os imediatamente aos respectivos lugares. Devem ser arrumados de acordo com a sua classificação segundo as categorias: • • • • • Inflamável.

4. 7. Ponto de fusão. bem como as suas propriedades potencialmente perigosas. O grau de pureza. Ponto de ebulição. 18 . Listagem da percentagem de impureza. 3. onde são indicados.Identificação de reagentes • Para o utilizador do laboratório é fundamental a identificação de um produto químico. Fórmula molecular e outras especificações. Densidade. • A identificação dos produtos químicos comerciais é feita por meio de um rótulo. 2. Símbolos e Fases de aviso sobre as suas propriedades perigosas. 1. 5. 8. 6. para além da marca do fabricante ou do vendedor. 9. Márcio Amós O nome químico.

Identificação de reagentes • Todos aqueles cuja temperatura de inflamação. . é inferior à temperatura ambiente. devem evitar-se o uso de recipientes de vidro para os guardar e devem ser colocados em armários metálicos resistentes ao fogo e à explosão. Márcio Amós 19 .

• Ácidos e • Quaisquer compostos em contacto com os quais formem substâncias tóxicas. • Por ingestão.Identificação de reagentes • Todos os que oferecem elevado risco de – Envenenamento. – E morte. • Inalação e/ou absorção cutânea. – Reagentes que formem compostos tóxicos em contacto com a humidade devem ser protegidos desta. Márcio Amós 20 . – Devem ser separados dos • Reagentes inflamáveis.

Márcio Amós 21 . devido ao choque. impacto ou à exposição ao calor.Identificação de reagentes • Todos os que. faísca ou chama. podem explodir o armazenamento destes reagentes deve ser feito em local isolado.

Identificação de reagentes • Todos os que podem iniciar uma reacção de combustão não devem ser armazenados junto de reagentes combustíveis Márcio Amós 22 .

Identificação de reagentes • Todos os que destroem os tecidos vivos devem ser armazenados em local fresco Márcio Amós 23 .

podem causar a morte.Identificação de reagentes • Todos os que. por ingestão. inalação e/ou absorção cutânea. afecções agudas ou crónicas Márcio Amós 24 .

representam. ou podem representar.Identificação de reagentes • Todos os que. Márcio Amós 25 . presentes no ambiente. um risco imediato ou diferido para um ou mais compartimentos do ambiente.

Identificação de reagentes • Todos os que. ou aumentar a sua incidência Márcio Amós 26 . Podem produzir defeitos genáticos hereditários. – Inalação e/ou – Absorção cutânea. bem como provocar o cancro. ou aumentar a sua frequência. por – Ingestão.

Sinalização de Segurança Substâncias inflamáveis ou alta temperatura Substâncias explosivas Cargas suspensas Substâncias toxicas Substâncias corrosivas Substâncias radioactivas 27 Márcio Amós .

Sinalização de Segurança Substâncias inflamáveis ou alta temperatura Perigos varios Substâncias irritantes Raios laser Substâncias comburentes Tropeçamento Riscos biológicos Márcio Amós 28 .

Riscos • Riscos comuns – Uso de substâncias tóxicas. corrosivas. – Manuseio de material de vidro. – Uso de eletricidade Márcio Amós 29 . – Uso de fogo. inflamáveis e explosivas. – Trabalho a temperaturas elevadas. – Trabalho a pressões diferentes da atmosférica.

• Absorção cutânea. • Suscetibilidade pessoal. • Ingestão.Riscos • Riscos químicos – Formas de Agressão por Produtos Químicos: • Inalação. – Limites de Tolerância .A ação e efeito dos contaminantes dependem de fatores como: • Tempo de exposição. • Concentração e características físico-químicas do produto. dentre outros fatores Márcio Amós 30 .

– Profundas: quando há destruição total da pele.Acidentes mais comuns e Primeiros Socorros • Queimaduras – Superficiais: quando atingem Algumas camadas da pele. Márcio Amós 31 .

encaminhar logo à assistência médica. • Queimaduras graves: elas devem ser cobertas com gaze esterilizada humedecida com solução aquosa de bicarbonato de sódio a 1%. – Queimaduras químicas: Podem ser causadas por ácidos. 32 . Márcio Amós • Queimaduras por ácidos: lavar imediatamente o local com água em abundância. etc. ou soro fisiológico. paraqueimol. Em seguida. depois com sabão e água. Tratar com solução de ácido acético a 1% e. novamente com água. • Queimaduras causadas por fenol: lavar com álcool absoluto e. álcalis ou fenol. lavar com solução de bicarbonato de sódio a 1% e.Acidentes mais comuns e Primeiros Socorros • Queimaduras – Queimaduras térmicas: Causadas por calor seco (chama e objetos aquecidos) • Queimaduras leves: pomada picrato de butesina. • Queimadura por álcalis: lavar a região atingida imediatamente com água. furacim solução. novamente com água.

e em seguida aplicar gazes esterilizada embebida com soro fisiológico. com soro fisiológico.Acidentes mais comuns e Primeiros Socorros • Em caso de queimaduras nos olhos. até consulta a um médico Márcio Amós 33 . lavar os olhos com água em abundância ou. durante vários minutos. mantendo a compressa. se possível.

Acidentes mais comuns e Primeiros Socorros • Envenenamento por via oral – Se a droga não chegou a ser engolida. • Intoxicação por via respiratória – Retirar o acidentado para um ambiente arejado. Márcio Amós 34 . Se recomendado. – Dar água fresca. dar o antídoto adequado. – Caso contrário. deve-se cuspir imediatamente. lavar a boca com muita água e levar o acidentado para respirar ar puro. deixandoo descansar. de acordo com a natureza do veneno. deve-se chamar um médico imediatamente dar por via oral um antídoto.

ATENÇÃO A CALMA E O BOM SENSO SÃO AS MELHORES PROTEÇÕES CONTRA ACIDENTES NO LABORATÓRIO Márcio Amós 35 .

Combustível. Calor (energia de activação) e Oxigénio.Fogo e Extinção • O fogo resulta da combinação simultânea de 3 factores: 1. energia de activação e – Abafamento .redução ao mínimo ou eliminação do oxigénio. – Arrefecimento . Márcio Amós 36 .diminuição do calor. • Se qualquer destes factores for eliminado ou isolado dos outros. • Os métodos de extinção são: – Inibição . 2. 3. o fogo irá diminuir de intensidade e então extinguirse-à.retirada ou isolamento do combustível.

resinas. propano. parafinas C-Resulta da combustão de gases ou de gases liquefeitos. vernizes. plutónio E . potássio.Fogo e Extinção Classe de Fogo Método de Extinção A-Resulta da combustão de Inibição materiais sólidos. geralmente de Abafamento natureza orgânica-papel. acetileno (etino) D-Resulta de metais pulverizados e suas ligas-sódio. álcoois.Equipamentos e Instalações elétricas energizadas. magnésio. madeira. Arrefecimento palha. Márcio Amós Agente Extintor Água Espuma Pó Químico Gás Carbônico Espuma Pó Químico Gás Carbônico Inibição Abafamento Arrefecimento Inibição Pó Químico Abafamento Arrefecimento Inibição Abafamento Pó Químico Pó Químico Gás Carbônico 37 . urânio. acetona. ceras. óleos. butano. carvão B-Resulta da combustão de hidrocarbonetos e de líquidos inflamáveis-éteres. sob pressão-metano. têxteis.

FIM Márcio Amós 38 .

Exercícios 1. Fale da Higiene e Segurança referentes ao laboratório. Como é que se faz o armazenamento de reagentes no laboratório? 5. Comente também sobre o manuseio de equipamentos eléctricos. 3. Quais são as recomendações de ordem pessoal para manter a Higiene e Segurança no Laboratório? 2. 4. Como agir em caso de envenenamento no laboratório? Márcio Amós 39 .

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