22 anos do ECA e do Sistema de Garantia de Direitos / Enfrentamento a Letalidade Juvenil - CONDECA

A partir da década de 80, começou um grande debate no país em torno da proteção da infância e juventude

Encontros do Colégio Arquidiocesano/MNMMR (ABC)/Pastoral do Menor/PUCSP
Fórum Nacional/ Fóruns Estaduais

Instrumentos internacionais de direitos humanos: Discussão sobre a Convenção da ONU aprovada em 89. Princípio da Proteção Integral e Especial.
Redemocratização do Brasil: Diretas Já/ Movimento Sindical/ Filhos dos Trabalhadores Crises Econômicas/ Meninos de Rua/ Grupos de extermínio/ Anistia Internacional Emenda à Constituição apresentada ao Congresso Nacional, em 1987

Prioridade absoluta: O artigo 227 da Constituição Federal de 1988 é na pratica a síntese da Convenção da ONU de 1989 Os Estados introduziram esses princípios nas suas Constituições Estaduais, como a Constituição do Estado de São Paulo aprovada em 89, no Artigo 277.

Os Municípios nas suas Leis Orgânicas Menor Assalta Criança/ Carrocinha de Menores/ Lei de Proteção dos Animais/

Antes, Criança só vista pela legislação na ótica do crime e do risco à sociedade: Códigos Penais anteriores ao Código de 40, que trata da inimputabilidade/ Direito Penal do Menor/
Lei sem Paternidade/ Mobilização Social/ Governo Collor/ Protagonismo Juvenil

MUDANÇA DE PARADIGMA: Antonio Carlos Gomes da Costa A grande mudança é que, anteriormente, no Código de Menores, vigorava a doutrina da situação irregular, pela qual o menino de rua, a criança negligenciada educacionalmente, a menina explorada sexualmente, a criança trabalhando, o adolescente infrator, o menino vítima de tortura, entre outros exemplos de violações, estavam em “situação irregular” e deveriam ser “objeto” de intervenção dos adultos e do Estado, já que não eram considerados “sujeitos de direitos”. Com o ECA, nessas situações acima mencionadas, quem está irregular é a família, o Estado e toda a sociedade que não garantiram a proteção integral às crianças e aos adolescentes, colocando- os a salvo de qualquer violação de seus direitos fundamentais. Proteção Integral: não só para o pobre/ abandonado/ carente/ desvalido/ infrator/ delinqüente.

O grande desafio após 22 anos do ECA está na sua efetiva implementação, para tanto é necessária uma atuação maior do Estado e de toda a Sociedade, principalmente através de orçamentos públicos e recursos privados destinados aos Fundos que priorizem a área social e a cidadania, dentro da intersetorialidade.

INCOMPREENSÃO DO ESTATUTO
Um grande equívoco apresentado pelos opositores do ECA é afirmar que é uma lei boa para a Suíça ou para Países de primeiro mundo e não serve para o Brasil, que é muito cara para ser cumprida. Na verdade, muito pelo contrário, a Suíça não tem Estatuto e internamente não precisa de legislação para a infância, já que os direitos infantojuvenis são razoavelmente respeitados independentemente da existência de lei própria. As políticas básicas funcionam aos menos para os seus cidadãos, mas a violência doméstica é acobertada. Países como o Brasil, com tradição de desrespeito aos direitos da criança e do adolescente é que precisam de legislação específica. DIREITOS E DEVERES.

Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende: a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias; b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública; c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas; d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude. (PERCENTUAL ORÇAMENTÁRIO MÍNIMO).

Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais. Art. 6º Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que ela se dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento. (LEGAL X JUSTO).

Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-se-lhes: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - direito de ser respeitado por seus educadores; III - direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores; IV - direito de organização e participação em entidades estudantis; V - acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência. Parágrafo único. É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais.

Art. 54. É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente: I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria; II - progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio; III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; IV - atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade; (20% SÃO ATENDIDOS NO BRASIL). V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do adolescente trabalhador; VII - atendimento no ensino fundamental, através de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. § 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. § 2º O não oferecimento do ensino obrigatório pelo poder público ou sua oferta irregular importa responsabilidade da autoridade competente. § 3º Compete ao poder público recensear os educandos no ensino fundamental, fazerlhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsável, pela freqüência à escola.

Art. 55. Os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino.
Art. 56. Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Conselho Tutelar os casos de: I - maus-tratos envolvendo seus alunos; II - reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar, esgotados os recursos escolares; III - elevados níveis de repetência.

Art. 57. O poder público estimulará pesquisas, experiências e novas propostas relativas a calendário, seriação, currículo, metodologia, didática e avaliação, com vistas à inserção de crianças e adolescentes excluídos do ensino fundamental obrigatório.
Art. 58. No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais, artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente, garantindo-se a estes a liberdade da criação e o acesso às fontes de cultura.

Art. 59. Os municípios, com apoio dos estados e da União, estimularão e facilitarão a destinação de recursos e espaços para programações culturais, esportivas e de lazer voltadas para a infância e a juventude. Art. 245. Deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente: Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência.

Sistema de Garantia de Direitos: O ECA sendo posto em Prática
SGD: Para garantir a proteção integral, o ECA criou um Sistema de Operacionalização e Efetivação das Políticas Públicas para Crianças e Adolescentes. O Sistema de Garantia de Direitos.
Sistema próprio criado em 90 pelo ECA, atua integradamente ao SUS/ SUAS/Sist. Educacional/ Sistema de Justiça. (PROGRAMAS ESPECIALIZADOS) SGD é mais amplo e visa evitar que a Criança/ Adolescente precise da Assistência (aos que necessitam). (Porta de entrada/ vários órgãos de diagnóstico (CTs e Centros de Referência), cadastramento/ precisa ter os programas especializados: Atendimento de Famílias; enfrentamento ao abuso e exploração; erradicação do trabalho infantil; Atendimento de Drogadição; Atendimento às vítimas de maus-tratos e violência/ Convivência Familiar e Comunitária/ Medidas Socioeducativas/ oportunidades e inclusão/ Rede de Proteção Consolidada/: Cardápio Social/ além do Prato feito (PETI e Bolsa Família). PROGRAMAS E NÃO PROJETOS: POLÍTICA DE ESTADO E NÃO DE GOVERNO. Repertório Federal/ estadual- Co-financimanto é para estabelecer o Mínimo. Municípios precisam ir além. Sem comodismo).

O SGD: artigo 86 do ECA: A Política de Atendimento dos Direitos da C. e do A. se realizará através de um conjunto articulado de ações governamentais e não governamentais, da União, Estados, DF e Municípios. Art. 88: Integração Operacional: Judiciário/ MP/ Defensoria/ Seg. Pública/ CTs/ Atendimento/ Assistência Social. Sistema: Conjunto de Princípios, Regras e Ações. SGD: é a articulação e a integração das instâncias públicas governamentais (Sec. De Governo: saúde, Ass. Social, educação, esportes, cultura, trabalho, fundações públicas etc), (Jud. MP, CTs, Cmdcas, defensorias, delegacias especializadas) e da Sociedade Civil (Ongs, Oscips, creches, abrigos, Cedecas, Associações de moradores etc).

O SGD articula-se com os demais Sistemas de Operacionalização de Políticas Públicas: Saúde, Educação, Ass. Social, Justiça, Seg. Pública, entre outros. Articula-se também, sendo necessário, com Sistemas Internacionais de DH, ONU/ OEA. SGD: Objetivo: promover, defender e controlar a efetivação dos direitos civis, políticos, econômicos, sociais, culturais, coletivos e difusos em favor de todas as C. e A. de modo que sejam reconhecidos enquanto sujeitos de direitos, pessoas em condição peculiar de desenvolvimento, colocando os a salvo de ameaças e violações de direitos ou garantindo a apuração, responsabilização e reparação diante de ameaças e violações.

CONSELHOS TUTELARES (Articulador do SGD) O dever da sociedade como um todo de zelar pelos direitos da criança e do adolescente Nova Lei: Recursos Necessários e D. Sociais Res. Conanda: 1 CT a Cada 100 mil habitantes.

E a Lei vai mais longe ao criar um órgão especial incumbido pela própria sociedade de defender os direitos da infância e juventude: Os Conselhos Tutelares. Na maioria dos municípios os seus membros são escolhidos pelo voto popular com as funções previstas na Lei. O Conselho Tutelar é órgão municipal permanente, criado por lei municipal, sendo considerado órgão de interesse público. Não está suscetível às variações das gestões municipais. É autônomo, pois não pode receber interferências no modo em que vai agir em relação ao atendimento ou quando e quais medidas aplicará. É um órgão administrativo que não pertence ao Poder Judiciário.

Desta forma, vemos que o Conselho Tutelar deve ser composto por pessoas comuns, eleitos pela comunidade local. Daí pode-se verificar a preocupação do legislador em criar um órgão que pudesse estar bem próximo da realidade sócio-econômica da comunidade, que, por sua vez, reflete, diretamente, no dia-a-dia das crianças e adolescentes. Mas é importante trazer uma diferenciação: o Conselho Tutelar é um órgão que visa à proteção das crianças e adolescentes, não tendo a função de aplicar qualquer penalidade. Não é carrocinha de menores. MEDIDAS DE PROTEÇÃO Ele vai encaminhar crianças e adolescentes que não estejam atendidos em seus direitos fundamentais a programas comunitários que supram as falhas no atendimento destes direitos.

Capacitação de conselheiros tutelares (titulares e suplentes), de forma permanente e sistemática, para que estes possam desempenhar bem suas funções. Novo modelo de sociedade Com isso tudo, com esse SGD, O ECA simboliza um novo modelo de Sociedade. Já era esperado que esse novo modelo não seria implantado imediatamente como gostaríamos, mas está sendo construído aos poucos e com muito esforço e luta de milhares de pessoas, governos, entidades e conselhos (mais de 60 mil conselheiros no país.

Devemos considerar os avanços e os desafios: Conforme o Ministério da Educação e o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), 98% das crianças estão matriculadas no ensino fundamental e 82% dos adolescentes no ensino médio, mas é notória a baixa qualidade do ensino em boa parte das escolas públicas. Aumento quantitativo, mas o qualitativo ficou aquém: estrutura e condições de trabalho e estudo.

3,5 MILHÕES FORA DA ESCOLA (4 A 16 ANOS) 20% dos jovens Entre 15 e 17 anos não freqüentam a escola (UNICEF) Desemprego entre jovens de 18 e 24 anos: 13% (IBGE). Já foi de 40%. Entre 16 e 18 anos, mais de 30% de desocupação. 20% dos jovens, segundo IPEA, nem Estudam, nem Trabalham. 20% dos jovens de 18 a 24 anos no ensino superior. Há 10 anos, era 10%. 4,2 milhões de crianças e adolescentes, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), são exploradas no trabalho infantil. Apesar desse alto número de crianças e adolescentes trabalhando, nos últimos 20 anos a redução foi de 50%. Desempenho e Frequência escolar prejudicados. Diminuição do trabalho infantil tradicional e aumento do trabalho em situação de rua (24 mil, 4 mil no estado de SP, 2 mil na Capital) e do trabalho doméstico. 800 mil crianças e adolescentes até 17 anos sustentam famílias.

Redução da Gravidez na Adolescência O número de partos realizados na rede pública de saúde em meninas entre 10 e 19 anos caiu 30,6% nos últimos dez anos. IBGE: queda do número de mães com idades entre 15 e 19 anos. Aumento entre 30 e 34 anos. Últimos 10 anos. SUS/ Saúde da Família/ Métodos Contraceptivos/ Distribuição de pílulas e preservativos/ Orientação Sexual na área de saúde e educacional. Programas de Transferência de Renda; Hoje são investidos 14 bilhões para atender 13 milhões de famílias no Bolsa Família. 21 milhões de investimentos- erradicação da miséria. - FGV 7,9% Taxa Desemprego Brasil. Era de 30% há 20 anos. 16 milhões de pessoas- miséria (8% da população). Era o dobro há 10 anos. 40% dos brasileiros que vivem na miséria são crianças, adolescentes e jovens (Censo 2010 e Unicef).

REDE SOCIAL
Mais de 88% das prefeituras declararam ter políticas para crianças e adolescentes, sobretudo com ações de combate ao trabalho infantil e à exploração sexual e atendimento a crianças e adolescentes com deficiência. Ultimo Censo Suas: 95% dos Municípios tem CRAS e CMAS. Municípios com mais de 50 mil habitantes (médio e grande porte): mais de 90% têm Creas. Mas os pequenos, que são a maioria, ainda não possuem. 98% dos Municípios tem CTs e CMDCAs.

Abordagem Social de Rua, apenas 22% dos municípios tem. Censo Nacional/ Conanda 2010: 24 mil nas RUAS. 80% dos municípios tem programas de habitação popular. De 80 para 2005 investimento social aumentou de 13% do PIB para mais de 22% do PIB. 6ª Economia Mundial e 84º no IDH.

A mortalidade infantil reduziu mais de 50% nos últimos 21 anos. Atualmente, 18 mortes para cada grupo de 1.000 nascidos vivos. Morte Adiada Porém, enquanto a mortalidade infantil diminuiu, as mortes violentas de crianças e jovens aumentaram nos últimos anos. Em média, 22 crianças e adolescentes são assassinados por dia no País. 16 POR DIA EM 2006. Betinho: “Quando uma sociedade deixar matar crianças, é que começou o seu suicídio enquanto sociedade”.

Mais de 20 mil jovens assassinados por ano, além dos mortes em acidentes de transito, que triplicariam esses números. De 80 para 2012: 370% de aumento de assassinatos de jovens com até 19 anos no País.

4º país em assassinatos, atrás de El Salvador, Venezuela, Guatemalatodos muito mais pobres.
Não é a pobreza que gera violência, e sim a desigualdade!

Maiores índices entre jovens negros.

ADOLESCENTES EM CONFLITO COM A LEI 18 mil adolescentes privados de liberdade. Os adolescentes são responsáveis por 10% da criminalidade. De 60 milhões de crianças e adolescentes, os que cometeram atos infracionais representam 0,1% DO TOTAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES DO PAÍS. 60 MIL NO TOTAL CUMPREM MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS. 518 mil pessoas privadas de liberdade no Brasil, mais de 180 mil em SP; adolescentes privados de liberdade representam 3,40% do total de privados de liberdade no Brasil, que hoje tem a 4ª maior população carcerária do Mundo. 70% entre 18 e 29 anos. Só 8% estudam. Mais de 60% de reincidência. “Forma mais cara de tornar as pessoas piores”.

Quem nunca teve sua vida valorizada, jamais vai valorizar a vida dos outros. Gerações de jovens já aos 12, 13 e 14 anos, sem nada mais a perder. Para eles a vida já estava perdida: Era matar ou morrer. Celeiros de infratores Enquanto os jovens da classe média são considerados formadores de opinião e são muito mais estudados que os jovens do passado (seus pais), os jovens pobres, negros, envolvidos em pequenos delitos, principalmente no uso e pequeno tráfico de drogas, estão indo pro Sistema Prisional. Drogas/ crack- desafios contemporâneos dos programas sociais e de saúde pública, educação, cultura, esporte.......

ECA Cumprido: Não haveria criminalidade juvenil/ Reincidência/ Vidas Desvalorizadas/ Maus Exemplos/ Boca de fumo/ Apologia a violência.
Ainda assim muitos defendem a Redução da Idade Penal, para tratar de casos específicos de jovens que cometem crimes graves, e não pensando na grande maioria dos jovens que se tivessem oportunidades e direitos garantidos jamais teriam se envolvido com o crime. CNJ 2012 (Visitas em 320 Unidades de internação entre 2010 e 2011). Quase 2 mil jovens entrevistados: 57% dos jovens declararam que não frequentavam a escola antes da internação. Apenas 8% afirmaram ser analfabetos. Ainda assim, a última série cursada por 86% dos jovens pertencia ao ensino fundamental. Grande defasagem escolar. Estudo do economista Evandro Camargo Teixeira em sua tese de doutorado apresentada no Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, trata da relação entre evasão escolar e aumento de criminalidade. Analisou 5 anos seguidos essa vinculação.

Pesquisa 2011 no DF, pelo MPDF; 30% afirmaram não ter sonhos nem projeto de vida, entre adolescentes que passavam pela Vara da Infância por envolvimento com crimes. SDH: 5% Mulheres/ 95% homens CNJ: 36% dos entrevistados afirmaram estar internados por roubo Em seguida aparece o tráfico de drogas (24%). Homicídios: Sudeste- 7%. Nas demais regiões do País: 20%. No Norte: 28%. Em 2007, os homicídios representavam 12%. O tráfico de drogas 15%. Quase 70% dos crimes eram patrimoniais. CNJ: 43% eram reincidentes.

Levantamento constata, porém, que a ocorrência de homicídio na reiteração da prática infracional foi aproximadamente três vezes superior à primeira internação, aumentando de 3% para 10% dos casos em âmbito nacional. 75% usuários de drogas ilícitas: mais de 80% maconha/ seguida por Cocaína e Crack. 14% dos jovens entrevistados têm filhos. Do total de adolescentes ouvidos no levantamento, 43% foram criados apenas pela mãe, 4% pelo pai sem a presença da mãe, 38% foram criados por ambos e 17% foram criados pelos avós. Idade média de 16 anos. “Ninguém Nasce Bandido” Direitos Humanos: Necessidades Humanas: Vida/ Liberdade/ Saúde/ Educação/ Assistência Social A Todos os seres humanos devem ter asseguradas, desde o nascimento, as mínimas condições necessárias para se tornarem úteis à humanidade, como também devem ter a possibilidade de receber os benefícios que a vida em sociedade pode proporcionar.

Se essas condições/ direitos não são asseguradas é muito possível que essa pessoa não se torne útil à sociedade (exercício da cidadania) e até pode vir a se tornar uma ameaça à sociedade.

Por isso que a garantia dos direitos humanos está intrinsecamente vinculada à infância e a juventude, aos seres humanos em fase peculiar de desenvolvimento, de formação das personalidades.
Dependendo da forma que ele é tratado pela família, pelo estado e pela sociedade nessa fase de desenvolvimento; da forma que são garantidos os próprios direitos fundamentais ao seu desenvolvimento, isso vai repercutir na sua atuação pessoal, profissional e na sua intervenção social.

Esse conjunto de condições e de possibilidades, associado às características naturais dos seres humanos, a capacidade natural de cada pessoa, também é resultante da organização social/ influência do contexto social.

Quando se associa o jovem à violência (torcidas organizadas/ homicídios, a criminalidade juvenil), não é ele o violento, mas é a sociedade, a família e o Estado que também são violentos por ação ou omissão. Todos somos responsáveis: Somos também infratores: Consumismo/ Desrespeito ao Próximo/ Infrações (contrabando, trânsito, lixo no chão).

ECA Cumprido: Não haveria criminalidade juvenil/ - Maus Exemplos/ - Boca de fumo/ estado exclui- crime inclui – - Apologia a violência/ Sensacionalismo/ - Invisibilidade/ se torna visível e alvo de preocupação para a sociedade e o estado quando aparece com a Arma na mão. Antes: quando faltou atendimento no Pré- Natal; na Creche; na Escola, No CAPS, No CRAS, No Creas, ninquém se lembrou dele.

Ainda assim muitos defendem a Redução da Idade Penal, para tratar de casos específicos de jovens que cometem crimes graves, e não pensando na grande maioria dos jovens que se tivessem oportunidades e direitos garantidos jamais teriam se envolvido com o crime.
“Plantamos bandidos e queremos colher Cidadãos", Jairo Fonseca. SINASE/ Municipalização das Medidas/ Ritmo de internações diminuiu nos últimos anos

Redução da Idade - Compreensível por parte dos familiares das vítimas. D. Penal da Emoção/ pesquisas população/ NEV USP/ Lei crimes Hediondos/ mais crimes. - Seg. Pública: Reformulação das Policiais/ Reforma do CPP e do CP.

3% dos crimes são esclarecidos. 10% dos homicídios apenas.
- Leis não cumpridas - Programas Sociais.

- Reincidência Prisional: mais de 60%
70% dos Países (ONU): 18 a 21 anos. Espanha e Alemanha reduziram e voltaram atráshá 10 anos.

EUA Punir mais os adultos que utilizam adolescentes. Além da execução das medidas socioeducativas, o mais importante é evitar o envolvimento dos jovens com a criminalidade através de programas e serviços sociais, educacionais e de saúde, porque se o adolescente procura a escola, o serviço de atendimento a drogadição, trabalho e profissionalização e não encontra vaga, ele vai pro crime. O crime só inclui quando o Estado exclui!

Violência contra Crianças

Desde 2003, o disque - denúncia contra a violência: Disque 100, recebeu mais de 200 mil denúncias de maus-tratos, abusos e exploração sexual. Atualmente são mais de 100 denúncias por dia. 30% de abuso e exploração.
72% das denúncias (de 2011) se referem Cidades sede da COPA: SP/ RJ/ Salvador/ Recife/ Fortaleza etc. 1 ponto de exploração a cada 26KM das Rodovias Federais Brasileiras. PRF, mais de 1819 pontos. (Obras da COPA/ PAC: Rondônia: Jirau e Santo Antônio- Usinas). Estudo de Impacto Social. Desenvolvimento Econômico vinculado ao Social. 37 mil crianças e adolescentes em abrigos. 2.400 abrigos. Mutirões CNJ: adaptar a uma nova Lei.

Precisamos de um Sistema de Justiça com funcionamento permanente.
3,4% de Varas especializadas da Infância e Juventude, segundo a ABMP. 6% segundo o CNJ: 1.347 varas com competência para infância e juventude, apenas 85 declararam tratar exclusivamente sobre o tema, o que corresponde a 6,3% do total. Direito de Menor Importância. A Criança quando bem tratada é uma semente de Paz e Esperança. Zilda Arns. Se não vejo na criança uma criança, é porque alguém a violentou antes, e o que vejo é o que sobrou de tudo que lhe foi tirado. Essa que vejo na rua sem pai, sem mãe, sem casa, cama e comida, essa que vive a solidão das noites sem gente por perto, é um grito, é um espanto. Diante dela, o mundo deveria parar para começar um novo encontro, porque a criança é o princípio sem fim e o seu fim é o fim de todos nós. Betinho - Herbert de Souza