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Educação por Competência

TEXTO DE REFERÊNCIA:

PERRENOUD, PHILIPPE. CONSTRUIR AS COMPETÊNCIAS DESDE A ESCOLA. PORTUGAL. PORTO, 1995. (CAPS. 1 E 3)

Educação por Competência TEXTO DE REFERÊNCIA: PERRENOUD , PHILIPPE. CONSTRUIR AS COMPETÊNCIAS DESDE A ESCOLA. PORTUGAL.

Equipe:

Artur Fabiano Albuquerque Francisca Adriana Correia Celestino Rafael dos Santos Fernandes Sales

Sobre o Autor

Philippe Perrenoud

  • sociólogo suíço, doutor em sociologia e antropologia

  • professor da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da

Sobre o Autor Philippe Perrenoud  sociólogo suíço, doutor em sociologia e antropologia  professor da
Sobre o Autor Philippe Perrenoud  sociólogo suíço, doutor em sociologia e antropologia  professor da

Universidade de Genebra e diretor do Laboratório de Pesquisas sobre a Inovação na Formação e na Educação (Life), também em Genebra.

  • grande referência no campo da Educação com seus trabalhos desenvolvidos em torno das competências dos educandos.

  • Principais títulos: Avaliação da excelência à regulação das aprendizagens; Pedagogia Diferenciada; Construir as competências desde a escola; e Dez novas competências para ensinar.

A noção de competência

  • O conceito de competência começou a ser discutido mais amplamente na área

A noção de competência  O conceito de competência começou a ser discutido mais amplamente na

pedagógica a partir da década de 1990, destinando-se ao ensino de crianças nas séries

iniciais.

  • Ele ganhou amplitude ao ser incorporado pelo meio empresarial e industrial, que encontrou nele um aliado para os modelos recentes de gerenciamento de pessoas, baseados nos ideais da qualidade total.

  • O modelo de gerenciamento/produção fundamentado na qualidade total baseia-se no aproveitamento máximo dos recursos humanos e materiais na produção. Isso significa dizer que, quando pensamos no aproveitamento máximo dos recursos humanos, estamos falando do aproveitamento das capacidades intelectuais de um indivíduo.

  • Para tanto, toma como referência conceitos psicológicos, como o de competência, para sugerir e mapear aquilo que um trabalhador pode trazer de contribuição na execução de uma tarefa.

  • as competências são entendidas como a capacidade de “mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações etc.) para solucionar com pertinência e eficácia uma série de situações”

A noção de competência

Competência é a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações etc) para solucionar com pertinência e eficácia uma série de situações. Três exemplos :

A noção de competência Competência é a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes,
  • Saber orientar-se em uma cidade desconhecida mobiliza as capacidades de ler um mapa, localizar-se, pedir informações ou conselhos ; e os seguintes saberes : ter noção de escala, elementos da topografia ou referências geográficas.

  • Saber curar uma criança doente mobiliza as capacidades de observar sinais fisiológicos, medir a temperatura, administrar um medicamento ; e os seguintes saberes : identificar patologias e sintomas, primeiros socorros, terapias, os riscos, os remédios, os serviços médicos e farmacêuticos.

  • Saber votar de acordo com seus interesses mobiliza as capacidades de saber se informar, preencher a cédula ; e os seguintes saberes : instituições políticas, processo de eleição, candidatos, partidos, programas políticos, políticas democráticas etc.

  • Esses são exemplos banais. Outras competências estão ligadas a contextos culturais, profissionais e condições sociais. Os seres humanos não vivem todos as mesmas situações. Eles desenvolvem competências adaptadas a seu mundo. A selva das cidades exige competências diferentes da floresta virgem, os pobres têm problemas diferentes dos ricos para resolver. Algumas competências se desenvolvem em grande parte na escola. Outras não.

Fonte: http://www.unige.ch/fapse/SSE/teachers/perrenoud/php_main/php_2000/2000_31.html

A noção de competência

Objetivos 3 pistas falsas Desempe Potenciali nho dade
Objetivos
3 pistas
falsas
Desempe
Potenciali
nho
dade

A noção de competência

Aquisição escolar verificável (conhecimento) ≠ Competência Objetivos Ensino e avaliação por objetivos sem preocupação com a
Aquisição escolar verificável
(conhecimento) ≠ Competência
Objetivos
Ensino
e
avaliação
por
objetivos
sem
preocupação
com
a
mobilização
de
conhecimento
para
enfrentar
situações complexas.
3 pistas
falsas
Desempe
Potenciali
nho
dade

A noção de competência

Faculdade

genérica,

qualquer

Objetivos como 3 pistas falsas Desempe Potenciali nho dade
Objetivos
como
3 pistas
falsas
Desempe
Potenciali
nho
dade

potencialidade

de

mente humana. CHOMSKY: Capacidade de continuamente improvisar, criar algo novo competência

característica

da

espécia humana. Competências

são

aprendizados

aquisições,

constituídos, e não

características da espécie.

A noção de competência

Avaliação indireta

aprendizagem

com

base

desempenho pontual

e

condições muito particulares

Objetivos da em em 3 pistas falsas Desempe Potenciali nho dade
Objetivos
da
em
em
3 pistas
falsas
Desempe
Potenciali
nho
dade

A noção de competência

Foco na prática e na

experiência

individual

A noção de competência Foco na prática e na experiência individual Competências Se desenvolvem pelas relações
A noção de competência Foco na prática e na experiência individual Competências Se desenvolvem pelas relações
Competências
Competências

Se desenvolvem pelas relações que os indivíduos estabelecem

com seu meio

A noção de competência Foco na prática e na experiência individual Competências Se desenvolvem pelas relações

Concepção

de indivíduos

como

socialmente

constituído

Os conhecimentos são adquiridos

A noção de competência

Competências •são traduzidas em domínios práticos das situações cotidianas que necessariamente passam compreensão da ação empreendida
Competências
•são traduzidas em domínios
práticos das situações
cotidianas que
necessariamente passam
compreensão da ação
empreendida e do uso a que
essa ação se destina.
Habilidades •são representadas pelas ações em si, ou seja, pelas ações determinadas pelas competências de forma
Habilidades
•são representadas pelas ações
em si, ou seja, pelas ações
determinadas pelas
competências de forma
concreta(pintar, escrever,
montar e desmontar, tocar
instrumentos musicais etc.)

Mobilizar recursos

Repertório Habilidades de conhecim ento Ação/ Prática
Repertório
Habilidades
de
conhecim
ento
Ação/
Prática
Mobilizar recursos Repertório Habilidades de conhecim ento Ação/ Prática Competências

Competências

Mobilizar recursos

Mobilizar recursos  Uma competência permite afrontar regular e adequadamente uma família de tarefas e de
  • Uma competência permite afrontar regular e adequadamente uma família de tarefas e de situações, apelando para noções, conhecimentos, informações, procedimentos, métodos, técnicas ou ainda a outras competências mais específicas.

  • Competência como um " saber-mobilizar

  • Possuir conhecimentos ou capacidades não significa ser competente.

  • A competência manifesta-se na ação.

  • Se os recursos estão presentes, mas não são mobilizados em tempo útil e conscientemente, então, na prática, é como se eles não existissem.

  • Pode-se conhecer técnicas ou regras de gestão contábil e não saber aplicá-las no momento oportuno. Pode-se conhecer o direito comercial e redigir contratos mal escritos.

Esquemas e competências

Esquemas e competências  Só há competência estabilizada quando a mobilização dos conhecimentos supera o tatear
  • Só há competência estabilizada quando a mobilização dos conhecimentos supera o tatear reflexivo ao alcance de cada um e aciona esquemas constituídos.

  • Associa-se esquemas a simples hábitos, porém nem todo esquema é um hábito.

  • Esquema como estrutura invariante de uma operação ou de uma ação, permitindo, através de acomodações menores, enfrentar uma variedade de situações de estrutura:

singularidade de cada situação igual;

  • Esquemas adquiridos pela prática (estado prático) sujeito sem consciência do seu funcionamento e existência; Não que dizer que não se apoiem em teorias, tampouco que não contam com a racionalidade.

  • Esquemas permitem a mobilização de conhecimentos, métodos, informações e regras;

  • Competência orquestra (rege, organiza) um conjunto de esquemas;

  • Um esquema é uma totalidade constituída e que sustenta uma ação ou operação única;

  • A competência envolve esquemas de percepção, pensamento, ação e avaliação, os quais suportam inferências, antecipações, transposições analógicas, generalizações, formação de decisão, etc.;

  • Competência passando a “automatizar-se”: raciocínios explícitos, decisões conscientes, inferências, erros, etc. (noção de inconsciente prático)

Analogias e conjuntos de situações

Analogias e conjuntos de situações  Escolhas e novas situações: dominar sem reinventar a “pólvora” ;
  • Escolhas e novas situações: dominar sem reinventar a “pólvora”; (p. 28)

  • Equilíbrio na vida humana;

  • Toda competência é transversal (Rey, 1996): múltiplas situações analógicas e não idênticas;

  • A competência serviria para uma situação única? situações originais que nos obrigam ora a construir novas competências, ora a desistir de dominar a situação;

  • Competências construídas desde o nascimento, diante das várias situações (extresse, frustrações, incertezas, expectativas, etc.), esboçando-se de maneira empírica e pragmática, não fechado, mas enriquecendo-se no decorrer da vida;

  • Competências profissionais construídas mais rapidamente: privilégio;

  • Construção pragmática e intuitiva de tipologias das situações: competências de cada pessoa são construídas em função das situações

Analogias e conjuntos de situações

  • Construção pragmática e intuitiva de tipologias das situações: competências

Analogias e conjuntos de situações  Construção pragmática e intuitiva de tipologias das situações: competências de

de cada pessoa são construídas em função das situações que cada um enfrenta com maior frequência;

  • Pergunta clássica: “por que não podemos enfrentar todos os problemas do mundo com um pequeno número de capacidades mais gerais”?

  • Nem todas as situações da vida requerem competências especializadas: o sucesso depende de uma capacidade geral de adaptação e discernimento, considerada como a inteligência natural do sujeito;

  • Inteligência situada: específica, com processamento a partir de recursos específicos e maneiras específicas e treinadas de mobilizá-los e colocá-los em sinergia;

  • Habilidade como inteligência capitalizada: modos operatórios, analogias, intuições, induções, funcionamentos rotinizados, etc.;

  • Funcionamento cognitivo pertence a repetição e a criatividade: ação competente é uma “invenção bem temperada”.

Exercício e treinamento na formação de competências

Exercício e treinamento na formação de competências  Aprendizado no campo;  Competência não é aquisição
  • Aprendizado no campo;

  • Competência não é aquisição de conhecimentos locais: ela situa-se além dos conhecimentos;

  • Aplicação dos conhecimentos por parte dos alunos: eles sabem onde e em quais circunstâncias aplicar?

  • Chega um momento que os conhecimentos acumulados não são mais suficientes.

E o que está em jogo na formação?

E o que está em jogo na formação?  As competências são importantes metas da formação:
  • As competências são importantes metas da formação: respondem a uma demanda social dirigida para a adaptação ao mercado e às mudanças, fornecendo também os meios para apreender a realidade e não ficar indefeso nas relações sociais.

  • Dar uma maior atenção a evolução do sistema nacional brasileiro; e

  • Necessária transformação quanto aos programas, às didáticas, às avaliações, ao funcionamento das classes, ofício do professor e do aluno: eficácia da formação.

Exemplo

JUSTIFICATIVA PARA O ENSINO DE ARTES E SUA RELAÇÃO COM AS COMPETÊNCIAS GERAIS

Exemplo  JUSTIFICATIVA PARA O ENSINO DE ARTES E SUA RELAÇÃO COM AS COMPETÊNCIAS GERAIS As

As competências artísticas contribuem para o desenvolvimento dos princípios e valores do currículo e das competências gerais, consideradas essenciais e estruturantes, porque:

  • - Constituem parte significativa do património cultural da humanidade.

  • - Promovem o desenvolvimento integral do indivíduo, pondo em acção capacidades

afectivas, cognitivas, cinestésicas e provocando a interacção de múltiplas inteligências.

  • - Mobilizam, através da prática, todos os saberes que o indivíduo detém num determinado

momento, ajudam-no a desenvolver novos saberes e conferem novos significados aos seus

conhecimentos.

  • - Permitem afirmar a singularidade de cada um, promovendo e facilitando a sua expressão, podendo tornar-se uma "mais-valia" para a sociedade.

  • - Facilitam a comunicação entre culturas diferentes e promovem a aproximação entre as pessoas e os povos.

FONTE: http://www.explicatorium.com/legislacao/Competencias-educacao-artistica.php

Exemplo

  • CONT.

Exemplo  CONT. - Usam como recurso elementos da vivência natural do ser humano (imagens, sons
  • - Usam como recurso elementos da vivência natural do ser humano (imagens, sons e movimentos) que ele organiza de forma criativa.

  • - Proporcionam ao indivíduo, através do processo criativo, a oportunidade para

desenvolver a sua personalidade de forma autónoma e crítica, numa permanente

interacção com o mundo.

  • - São um território de prazer, um espaço de liberdade, de vivência lúdica, capazes de proporcionar a afirmação do indivíduo reforçando a sua auto-estima e a sua coerência

interna, fundamentalmente pela capacidade de realização e consequente

reconhecimento pelos seus pares e restante comunidade.

  • - Constituem um terreno de partilha de sentimentos, emoções e conhecimentos.

  • - Facilitam as interacções sociais e culturais constituindo-se como um recurso incontornável

para enfrentar as situações de tensão social, nomeadamente as decorrentes da integração

de indivíduos provenientes de culturas diversas.

  • - Desempenham um papel facilitador no desenvolvimento/integração de pessoas com necessidades educativas especiais.

  • FONTE: http://www.explicatorium.com/legislacao/Competencias-educacao-artistica.php

Implicações para a docência

  • Fazer aprender Vs Ensinar

  • Foco no aluno, na pedagogia diferenciada e nos métodos ativos

  • Convida os professores a:

Implicações para a docência  Fazer aprender Vs Ensinar  Foco no aluno, na pedagogia diferenciada
  • Considerar os conhecimentos como recursos a serem mobilizados

  • Trabalhar regularmente por problemas

  • Criar ou utilizar outros meios de ensino

  • Negociar e conduzir projetos com os seus alunos

  • Adotar um planejamento flexível e indicativos, improvisar

  • Implementar e explicitar um novo contrato didático

  • Praticar uma avaliação formadora em situação de trabalho

  • Dirigir-se para uma menor compartimentação disciplinar