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Terminologia

Alma (core)
Núcleo em torno do qual as pernas são dispostas em forma de hélice.

Perna (strand)
Consiste em um conjunto de arames torcidos.
Arame (wire)

Fio de aço obtido por trefilação. É o elemento que compõe as pernas do cabo de aço.

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Terminologia
Camada (layer) Conjunto de pernas dispostas em um mesmo nível em relação ao núcleo do cabo.

Passo (pitch) Distância, medida paralelamente ao eixo do cabo, em que uma perna do cabo dá uma volta completa em torno do mesmo.

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Construção

A construção dos cabos de aço é feita atendendo a exigência de cada aplicação.

Será abordado aqui como é constituído o cabo de aço através da descrição dos arranjos dos seguintes componentes:  Arames;  Pernas;  Alma;
Também serão abordadas as seguintes configurações em cabos de aço:  os tipos de torção de pernas, arames e camadas;  e operação de pré-formação;  materiais e tipos de acabamento.

Departamento de Engenharia Mecânica – TEM00210 – Máquinas Hidráulicas Laboratório de Transporte de Líquidos e Gases

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Pernas x Arames

Segundo a norma API SPEC 9¹, os cabos de aço são denominados da seguinte forma: AxB

onde: A => número de pernas; B => número de arames em cada perna.

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6x19 Cabo de aço de 6 pernas com cada uma contendo 19 arames. 5 .Pernas x Arames  Exemplos: 6x7 Cabo de aço de 6 pernas com cada uma contendo 7 arames.  A quantidade de arames em cada perna determina a performance do cabo de aço.

Alma  A principal função da alma é servir de suporte para o posicionamento das pernas. A alma pode ser constituída de fibra natural ou artificial. 6 . podendo ainda ser formada por uma perna ou por um cabo de aço independente.

Mais utilizada em cabos de pequeno diâmetro. As almas de aço garantem maior resistência ao amassamento e aumentam a resistência à tração.Tipos de Alma    Alma de aço (AA): é constituída de uma perna idêntica as demais que constituem as camadas do cabo. 7 .

Tipos de Alma   Alma de aço de cabo independente (AACI): a composição da perna central que constitui a alma não corresponde a das demais pernas. combinada com alta resistência à tração. Departamento de Engenharia Mecânica – TEM00210 – Máquinas Hidráulicas Laboratório de Transporte de Líquidos e Gases 8 . Preferida quando se exige do cabo maior flexibilidade.

Tipos de Alma    Alma de fibra (AF): é fabricada em fibra natural como o sisal ou rami. Alma de fibra artificial (AFA): confeccionada em material artificial como polipropileno. 9 . As almas de fibra em geral dão maior flexibilidade ao cabo de aço.

preço elevado (utilizadas em cabos de usos especiais).Tipos de Alma  Características das almas de fibras artificiais:  não se deterioram em contato com a água ou substâncias agressivas.   10 . não absorvem umidade (problema da corrosão interna).

 Lang a Esquerda. Isso leva a quatro possibilidades de torção:  Regular a Direita. na construção de um cabo de aço. dependendo da aplicação.  Lang a Direita.Tipos de Torção    O sentido de torção dos arames e das pernas é de extrema importância. Os sentidos de torção dos arames e das pernas podem ser da direita para a esquerda ou vice-versa.  Regular a Esquerda. 11 .

Quando as pernas são torcidas da direita para a esquerda. Departamento de Engenharia Mecânica – TEM00210 – Máquinas Hidráulicas Laboratório de Transporte de Líquidos e Gases 12 . dizse que o cabo de aço é “torção à direita” (Z). dizse que o cabo de aço é “torção à esquerda” (S).Tipos de Torção   Quando as pernas são torcidas da esquerda para a direita.

o cabo é determinado como de torção regular.Tipos de Torção   Quando os arames das pernas são torcidos em sentido oposto à torção das próprias pernas. 13 . Quando os arames das pernas são torcidos no mesmo sentido que o das próprias pernas. o cabo é determinado como de torção Lang.

 são estáveis.  possuem considerável resistência a amassamentos e deformações devido ao curto comprimento dos arames expostos.Características do tipos de torção  Torção regular:  os arames do topo das pernas são posicionados aproximadamente paralelos ao eixo longitudinal do cabo de aço. 14 .  fáceis de manusear.  possuem boa resistência ao desgaste interno e à torção.

possuem maior resistência à fadiga. devem ter sempre as suas extremidades permanentemente fixadas para prevenir a sua distorção. deformações e possuem baixa resistência aos amassamentos.Características do tipos de torção  Torção Lang:      maior resistência à abrasão devido à disposição dos arames na superfície mais flexíveis. estão mais sujeitos ao desgaste interno. 15 .

cada camada pode ter diferentes sentidos de torção em relação à camada adjacente. Os demais são classificados como Convencionais.Cabos Não-Rotativos  Quando os cabos são formados por mais de uma camada de pernas. 16 .  Esta variação é característica de cabos denominados como Não-Rotativos.

Cabos Não-Rotativos   Como resultado desta montagem pode-se visualizar uma tendência menor ao destrançamento das pernas quando o cabo é submetido ao carregamento. 17 . Aplicados onde várias linhas de cabo são utilizadas em um mesmo moitão.

 Cabo pré-formado vs cabo não pré-formado  Mínimo de tensões internas. 18 .Cabos pré-formados  Os cabos podem ser fabricados pré-formados ou não pré-formados.

19 . não se dobrando para fora.  Maior resistência à fadiga. ele ficará deitado na sua posição normal. o atrito e consequentemente o desgaste do cabo é mínimo.  O manuseio é muito facilitado.  O equilíbrio do cabo é garantido.  se um arame quebra pelo desgaste. e por seguinte. o que tornaria perigoso o seu manuseio.Cabos pré-formados  Vantagens:  As tensões internas são mínimas.

Cabos pré-formados Cabo não pré-formado Cabo pré-formado 20 .

o arame da segunda camada era torcido em volta da primeira e assim por diante. a fabricação das pernas dos cabos de aço era realizada em mais de uma operação. em nova passagem. após isso. o núcleo (1 + 6) arames é coberto com 12 arames. posteriormente. 21 . Quando se tem a descrição 1 + 6/12 significa que seis arames são torcidos em volta e um arame central e. O arame da primeira camada era torcido primeiramente em torno do núcleo.Fabricação de Cabos de Aço    Há algum tempo atrás.

Sobrecarga de alguns arames. Menor flexibilidade expondo o cabo de aço a maior fadiga por flexão. promovendo maior desgaste abrasivo. pois o esforço aplicado não é dividido uniformemente entre os mesmos.    Contato pontual entre os arames. 22 .Fabricação de Cabos de Aço  A fabricação das pernas em múltiplas operações tem desvantagens devido à característica de posicionamento dos arames.

formadas de arames de diferentes diâmetros. “Filler” e “Warrington”.  Assim surgiram as composições “Seale”.Fabricação de Cabos de Aço  A fabricação das pernas em uma única operação tem a vantagem de não ocorrer a defasagem entre os passos dos arames que constituem as camadas. Departamento de Engenharia Mecânica – TEM00210 – Máquinas Hidráulicas Laboratório de Transporte de Líquidos e Gases 23 .

todos os arames possuem o mesmo diâmetro.Composições dos Cabos  Composição Simples: Na composição simples. .

Os arames menores contribuem para a resistência mecânica do cabo.Composições dos Cabos    Composição Seale: Na composição Seale existem pelo menos duas camadas adjacentes com o mesmo número de arames. Alta resistência ao desgaste provocado pelo atrito. e permitem ainda a melhor acomodação interna do cabo. .

a resistência ao amassamento e reduz o desgaste entre os arames. Esta condição aumenta a área de contato. .Composições dos Cabos  A composição Filler possui arames muito finos entre duas camadas. a flexibilidade.

Os cabos de aço fabricados com essa composição possuem boa resistência ao desgaste e boa resistência à fadiga.Composições dos Cabos  Composição Warrington: É a composição onde existe pelo menos uma camada constituída de arames de dois diâmetros diferentes e alternados. .

que possui as principais características de cada composição. . a composição Warrington-Seale.Composições dos Cabos  Ainda existem outros tipos de composições que são formadas pela aglutinação de duas citadas. como por exemplo. proporcionando ao cabo alta resistência abrasão conjugado com alta resistência à fadiga de flexão.

para se formar os arames. que é a operação final.Fabricação de Cabos de Aço  O processo de fabricação do cabo de aço começa na trefilação. . e vai até o fechamento do cabo.

Tipos de Construções e Aplicações  Cordoalhas: .

Tipos de Construções e suas Características  Cordoalhas: .

Tipos de Construções e Aplicações  Cabos de Aço .

Tipos de Construções e Aplicações .

Os cabos de aço sujeitos à ambientes agressivos ou em contato com água. atualmente. os cabos são denominados polidos e em geral.Materiais    Os cabos de aço podem ser fabricados com arames em aço inox. Diante da ausência da proteção anti-corrosiva. não se verificam diferenças de resistência mecânica entre os cabos polidos e galvanizados. . necessitam de uma proteção adicional contra a corrosão. em aço carbono galvanizado (zincado) ou polido.

achatamento das pernas externas e redução do diâmetro inicial.Cabos Compactados  Os cabos de aço compactados são inicialmente fabricados da mesma maneira que os não compactados. promovendo o alisamento da superfície. Este processo produz: • Menores vãos entre os arames • Uma maior secção metálica e igualdade do diâmetro do cabo ao longo de seu comprimento • Aumento do módulo de elasticidade • Superfície cilíndrica • Maior fator de preenchimento  . porém a superfície externa é achatada por laminação.

aumentando sua capacidade com a utilização de cabo do mesmo diâmetro. . na medida em que os outros componentes (tambor. etc) que fazem parte do sistema de elevação sejam menores • Permite redimensionamento de equipamento. menor tendência ao giro com carga aplicada • Maior resistência à tração • Menor variação no diâmetro em serviço • Maior impermeabilidade a entrada de agentes externos • Permite trabalho com menor diâmetro de cabo. polias. porém com carga de trabalho maior. deixando o equipamento mais leve e mais econômico.Cabos Compactados  Vantagens na utilização: • Menor desgaste em utilização em tambores e polias • Maior resistência a achatamentos e formação de vincos em tambores • Maior resistência à fadiga • Em caso de cabos não rotativos.

Normatização

Padronização dos métodos de fabricação, dimensionamento, inspeção e certificação dos componentes e do próprio cabo de aço. Com a utilização das normas de fabricação, projeto bem como inspeção, consegue-se uma melhor relação custo x segurança. Principais normas:

Normatização

ABNT NBR 6327 – Cabos de aço para uso geral – Requisitos mínimos ABNT NBR 4309 – Guindastes – Cabos de aço – Critérios de inspeção e descarte API SPEC 9A – ISO 10425:2003, Steel wire ropes for the petroleum and natural gas industries – Minimum requirements and terms for acceptance N-2161 – Inspeção em serviço de cabos de aço N-2566 – Inspeção eletromagnética em cabos de aço DNV - Rules for Certification of Lifting Appliances1994

 

Requisitos mínimos (fabricação)

As normas API SPEC 9A e ABNT 6327 trazem os requisitos mínimos a serem respeitados para se fabricar um cabo de aço, determinando algumas exigências de composição, categorias de resistências bem como ensaios aplicáveis. Principais aspectos:

1 – Categorias de resistência 2 – Requisitos de fabricação 3 – Carga de ruptura mínima 4 – Certificação

1 – Categorias de resistência

Os cabos de aço são comumente separados e classificados pela resistência nominal do arame que é utilizado na fabricação do cabo. Esta nomenclatura internacional é adotada por praticamente todas as normas e pode ser conferida na tabela abaixo.

bem como para os clientes. que devem certificar-se que as requisições foram atendidas. c) Material da alma d) Composição . torção regular à esquerda (zS)3) ou TRE ou RE’.2 – Requisitos de fabricação  A questão dos requisitos de fabricação explicitados na API e ABNT são importantes para os fabricantes. torção lang à direita (zZ)4) ou TLD ou LD. Diâmetros padronizados Forma de torção dos arames     a) b) Torção regular à direita (sZ)2) ou TRD ou RD. torção lang à esquerda (sS)5) ou TLE ou LE.

em Newton por milímetro r quadrado K – Fator de carga de ruptura mínima para uma determinada classe de cabo. varia em função da composição da alma . . de quanto o cabo pode agüentar em operação.Fórmula básica:  d – diâmetro nominal do cabo.3 – Carga de ruptura mínima  Valor calculado em unidade de força. em milímetros R – Categoria de resistência a tração do cabo.

3 – Carga de ruptura mínima .

3 – Carga de ruptura mínima  Para evitar erros e tornar a especificação mais rápida. . as normas possuem os valores da carga de ruptura mínima tabelados. em função da composição do cabo e do diâmetro.

o mesmo deve conter as seguintes informações de interesse do comprador e que garantem o atendimento do cabo ás necessidades do projeto. tipo da alma. o certificado deve fornecer. construção. acabamento. categoria de resistência.Certificação  Ao entregar o produto ao cliente. o cabo deverá estar certificado pela norma. no mínimo as seguintes informações: Número do certificado Nome e endereço do fabricante Quantidade e comprimento nominal do cabo ( opcional) Designação do cabo ( diâmetro.4 . Para tal. Carga de ruptura mínima Data de emissão do certificado e assinatura de pessoa autorizada Resultado dos ensaios (opcional)        . A menos que especificado pelo comprador. composição da perna. torção).

fadiga. enrolamento) Aplicar as fórmulas cabíveis e fatores de segurança recomendados para cada aplicação.Dimensionamento de cabos  Metodologia: Conhecimento da norma utilizada no projeto Definir esforços atuantes (estáticos. dinâmicos.    .

Portanto iremos definir os possíveis esforços atuantes no cabo 1 – Tração Simples .Dimensionamento de cabos   Antes de qualquer conhecimento que se possa vir a ter sobre a norma de projeto utilizada. temos que identificar os possíveis pontos sujeitos a tensões pelas características do projeto.

Dimensionamento de Cabos 2 – Tração dinâmica .

 .Tensão devido a flexão do cabo em torno da polia Aparecimento de tensões normais devido a flexão do cabo em torno da polia. Por esse motivo existe normatização do diâmetro das polias em função das características do cabo.Dimensionamento de Cabos  3 .

Tensão devido a flexão do cabo em torno da polia Inserir figura = deflexão axial = raio de curvatura Ds=diametro da superficie Dc = Diametro do cabo Da = Diâmetro do arame .Dimensionamento de Cabos  3 .

.  k = dependente do tipo de cabo e do número de ciclos.Fadiga em cabos de aço: Tensões oscilantes em função do apoio do cabo sobre a polia.Dimensionamento de Cabos  4 .

etc) deve-se procurar utilizar cabos de elevado módulo de elasticidade aparente. Alongamento de assentamento (posta em serviço): é permanente e também pode ser calculado.    . Limite admissível 5% a 8 %. Em instalações fixas (Como estais. quando for exercida uma carga. tirante para concreto protendido. desaparece ao cessar a ação da carga.Dimensionamento de cabos  5 – Alongamento Alongamento elástico: é transitório. para se obter o menor alongamento possível.

 .Dimensionamento de Cabos  Coeficiente de segurança: Motivos: Dispersão nos valores da carga de ruptura mínima Carregamentos não previstos por projeto.     Resultado: Dimensionamento conservativo. sendo que para grandes cargas o coeficiente de segurança tende a diminuir por questões de viabilidade técnica e econômica. ou aproximados.

Dimensionamento de Cabos  Principais coeficientes de segurança utilizados: .

Dimensionamento de Cabos   Equações de projeto com o coeficiente de segurança embutido Tração simples:  Tração dinâmica:  Flexão .

5 T deve elevar uma carga de 1. c) verificar a possibilidade de falha na fadiga. b) calcular o coeficiente de segurança real. Pede-se: a) calcular o diâmetro do cabo de aço 6 x 19 IPS-AF a ser utilizado.Dimensionamento de Cabos  Exercício prático: Um elevador pesando 0. no fundo da mina. d) determinar o alongamento do cabo quando a carga é colocada no interior do elevador.5 m/s é atingida em 0. A velocidade de 1.5 s.5 T de uma profundidade de 850 m.      .

a inspeção visual e a inspeção periódica. A primeira inspeção a ser feita em um cabo de aço é a inspeção de recebimento.INSPEÇÃO  O cabo deve ser considerado um componente de consumo que deve ser substituído quando for constatado na inspeção que sua resistência foi reduzida a tal ponto que o uso do cabo nessas condições seria desaconselhável. outras duas inspeções devem ser realizadas. Além da inspeção de recebimento. a qual deve assegurar que o material esteja conforme solicitado e possua certificado de qualidade emitido pelo fabricante.  57 .

 58 .  Caso seja adotada uma especificação diferente na reposição. as ranhuras do tambor e das polias devem ser verificadas para garantir que elas acomodem perfeitamente o cabo. Antes da fixação do cabo. normalmente é adotado um cabo de mesma especificação que aquele usado inicialmente. o usuário deve assegurar que as propriedades do novo cabo são equivalentes àquelas do cabo descartado.Condições do cabo antes da instalação  Para fins de reposição.

Instalação e Manutenção     Deve se tomar cuidado ao desenrolar o cabo da bobina ou rolo. especialmente nos trechos que dobram ao passar sobre polias. pois pode causar o afrouxamento do cabo. seu uso. provocando a formação de olhais. A manutenção é feita em função do tipo de equipamento de levantamento de carga. nós ou dobras de cabo. o ambiente e o tipo de cabo em questão. Deve-se limpar o cabo de aço com uma escova de aço e cobri-lo com graxa ou óleo. 59 . Os pontos de contato do cabo com equipamento devem ser devidamente protegidos quando não estiverem sob tensão por causa do atrito.

Resultados das inspeções anteriores. Inspeção periódica:  A freqüência da inspeção é determinada analisando-se os seguintes fatores: . 60 .Tipo de guindaste e condições ambientais em que é operado. . . antes de iniciar a operação para a detecção de sinais de deformação e deterioração. abrangendo a aplicação no país de uso.Freqüência das Inspeções Observação diária:  Todas as partes visíveis de qualquer cabo devem ser observadas a cada dia útil. Devem-se observar especialmente os pontos em que o cabo é fixado no equipamento. .Requisitos previstos por lei.Grupo de classificação do guindaste.Tempo de serviço do cabo. .

Qualquer indício de deterioração que implique na perda da resistência original do cabo deve motivar uma inspeção do mesmo.  61 .Freqüência das Inspeções   A inspeção periódica deve ser realizada por uma pessoa qualificada.  Sempre que o cabo for novamente utilizado após desmontagem seguida de reinstalação.  Quando o equipamento de carga estiver ficado fora de serviço durante um tempo a partir de 3 meses. Inspeção especial: Realizada sempre que ocorrer um incidente que pode ter causado danos ao cabo e/ou à sua extremidade.

braçolas de escotilha. qualquer parte do cabo que possa estar sujeita a abrasão por fatores externos como. pois nessa área crítica que dá inicio à fadiga e à corrosão. como soquetes de cunha e grampos. qualquer parte do cabo exposta a altas temperaturas. inspeção interna quanto a sinais de corrosão e fadiga. parte do cabo que passa através do moitão ou sobre polias. parte do cabo que estiver sobre polias de compensação. por exemplo. devem ser examinados quanto a arames partidos. 62 .Principais pontos a serem abrangidos pela inspeção         extremidades de cabos móveis e estáticos. área próxima aos acessórios. cabos de aço dentro de acessórios removíveis.

 arames partidos nas regiões dos terminais.  redução do diâmetro do cabo.  taxa de aumento de arames partidos. 63 .  danos causados pelo calor ou arco elétrico.  corrosão externa e interna.  agrupamento localizado de arames partidos.Critérios de descarte O uso seguro do cabo é qualificado pelos seguintes critérios:  natureza e número de arames partidos.  desgaste externo e interno.  redução da elasticidade.  taxa de aumento do alongamento permanente.  ruptura de pernas.  deformação.

 64 . no trecho mais danificado. estiver acima dos limites mostrados na tabela ao lado: A ruptura de arames. geralmente ocorre por abrasão.Natureza e número de arames partidos  Deve-se substituir um cabo em serviço quando o número visível de arames rompidos. fadiga por flexão ou amassamentos gerados por uso indevido ou acidente durante o funcionamento do cabo. podendo ocorrer tanto nos arames internos como externos.

neste a estricção da seção transversal do arame antes do rompimento é bem nítida. onde percebe-se a redução de espessura do arame na região anterior à falha  Na figura ao lado temos ruptura do arame por tração.Natureza e número de arames partidos  Na figura ao lado temos o aspecto característico de uma ruptura de arame por abrasão. 65 .

Se o agrupamento de tais rupturas ocorrer em um comprimento menor que 6d ou concentrar-se em uma determinada perna.Arames partidos nos terminais e concentração localizada de arames partidos  Os arames partidos nos terminais do cabo ou junto a eles. mesmo que o número de arames partidos seja inferior ao valor máximo. convém que o cabo seja descartado. mesmo em pequena quantidade. Quando os arames partidos estão muito próximos uns dos outros o cabo deve ser descartado.  66 . indicam níveis elevados de tensão nessa posição e podem ser causados pela fixação incorreta do acessório.

Nesses casos.Taxa de aumento de arames partidos e ruptura de pernas  Os arames começam a romper-se após certo tempo de uso. O número de arames partidos aumentam progressivamente a intervalos cada vez menores. Essa regra pode ser aplicada na definição da data prevista para o descarte do cabo.  67 . recomenda-se uma inspeção cuidadosa e o registro do aumento de arames partidos para se estabelecer a taxa de aumento das rupturas. O cabo deve ser descartado caso ocorra a ruptura total de uma perna.

Redução do diâmetro do cabo devida à deterioração da alma A redução do diâmetro do cabo devida à deterioração da alma pode ser causada pelos seguintes fatores: a) desgaste interno e mossa. c) deterioração da alma de fibra. e) ruptura das camadas internas em uma construção composta de diversas pernas. especialmente quando ele está sujeito a dobramento. b) desgaste interno causado pelo atrito entre as pernas individuais e os arames no cabo. d) ruptura da alma de aço.  68 .

O desgaste reduz a resistência dos cabos através da redução da área metálica. 69 . É vidente em cabos móveis nos pontos de contato com a polia.Elasticidade reduzida e desgaste externo A redução da elasticidade geralmente está associada aos seguintes fatores: a) redução do diâmetro do cabo. d) surgimento de oxidação nos vales das pernas.causada pela compressão dos mesmos um contra o outro. assim como pela presença de poeira e resíduos.    O desgaste é causado pela falta de lubrificação ou pela lubrificação incorreta. b) alongamento do passo do cabo. c) falta de afastamento entre os arames individuais e entre as pernas.

70 . Caso seja confirmada uma corrosão interna grave. causando a superfície irregular da qual a trinca se origina. diminuindo a resistência à ruptura através da redução da área metálica do cabo e acelerando a fadiga. o cabo deve ser descartado imediatamente.Corrosão externa e interna A corrosão ocorre especialmente em atmosferas marinhas e poluídas industrialmente. a) Corrosão externa b) Corrosão interna  . Se houver qualquer suspeita de corrosão interna. o cabo deve ser examinado internamente.

pode transmitir uma pulsação.  Distorção tipo “gaiola de passarinho” . Tal condição pode ocorrer em função de um alívio repentino de tensão. causando o movimento irregular do cabo. essa condição causará desgaste. se tal deformação for severa.Deformações  Ondulação .Ocorre quando o eixo longitudinal do cabo de aço assume a forma de uma hélice. assim como arames partidos. 71 . Embora não resulte necessariamente na perda de resistência.Ocorre um deslocamento da camada externa das pernas. Após o trabalho prolongado.

72 .  Arame deslocado .Deformações  Alma saltada .Certos arames ou grupos de arames se projetam para cima. É gerada por alívio repentino de pressão. no lado oposto do cabo com relação à ranhura da polia. sob a forma de olhais .essa característica geralmente é causada pelo carregamento abrupto. quando o desequilíbrio do cabo é indicado na extrusão da alma.Essa característica é freqüentemente associada à deformação tipo “gaiola de passarinho”.

As áreas junto à extremidade devem ser examinadas com cuidado quanto a tais deformações. uma alma de fibra pode sofrer inchação devido ao efeito da umidade) e conseqüentemente gerando um desequilíbrio nas pernas externas.Está associado a uma distorção da alma (em certos ambientes.  Redução localizada do diâmetro do cabo .Deformações  Aumento localizado do diâmetro do cabo .Está freqüentemente associada à ruptura da alma. 73 . que ficam orientadas incorretamente.

Geralmente causados pelo enrolamento desordenado de cabos no tambor ou mesmo pelo incorreto ângulo formado entre a polia de desvio e o tambor.  Dobras .Deformações  Achatamentos .  Nós ou olhais apertados – O olhal no cabo que foi apertado sem permitir a rotação em torno do seu eixo causando o desgaste excessivo. Departamento de Engenharia Mecânica – TEM00210 – Máquinas Hidráulicas Laboratório de Transporte de Líquidos e Gases 74 .São deformações angulares do cabo causadas pela instalação ou manuseio ou inadequados.

for detectado alguma evidência de dano por alta temperatura o cabo deverá ser substituído. Se durante a inspeção.Danos causados pelo calor ou arco elétrico Cabos expostos a altas temperaturas (acima de 300 ºC) podem apresentar redução em sua capacidade de carga. Estes danos poderão ser verificados através da aparência do lubrificante (borra) ou mesmo pela alteração de cor dos arames na região afetada.   Departamento de Engenharia Mecânica – TEM00210 – Máquinas Hidráulicas Laboratório de Transporte de Líquidos e Gases 75 .

Condições dos equipamentos & Armazenamento e identificação do cabo    Os tambores e polias devem ser verificados periodicamente. e devem ser previstos meios para que os cabos sejam identificados claramente com suas planilhas de inspeção.  O armazenamento deve ser feito em um local limpo e seco. de modo a garantir que todos esses componentes se movimentem corretamente em seus rolamentos. causando a abrasão severa do cabo. Polias de compensação ineficientes podem causar o carregamento desigual no enrolamento do cabo. 76 . O desgaste de polias com dificuldade de giro ou travadas é grande e desigual. para evitar a deterioração dos cabos que não estão sendo usados.

Planilha de inspeção do cabo 77 .

Presença de arames partidos.Inspeção interna . Grau de corrosão. Aplicando-se uma força às garras no sentido oposto à torção do cabo. Os pontos essenciais que devem ser observados são: Estado da lubrificação interna. as pernas externas se separam e se afastam da alma. Mossas nos arames causadas pela pressão ou desgaste.Método visual      O método consiste em fixar firmemente ao cabo duas garras de tamanho e espaçamento adequados. Quando o cabo de aço se abrir ligeiramente uma pequena vareta pode ser usada para remover graxa ou detritos que possam prejudicar a observação da parte interna do cabo. 78 .

Inspeção Eletromagnética    A indução de um campo magnético em torno de um cabo de aço e a captação das alterações causadas por defeitos como presença de arames rompidos e perda de massa. O equipamento constituído de um cabeçote para geração do campo eletromagnético. causada por corrosão ou abrasão. e de um console que recebe os sinais a proporção que o cabo é movimentado através do cabeçote e os plota no gráfico. que envolve trecho do cabo de aço. As descontinuidades no cabo são percebidas pelo sensores hall através de distorções nas linhas de fluxo magnético traduzidas na forma de gráficos. 79 .

Desgaste externo e interno.Inspeção Eletromagnética          Defeitos Inspecionados pela técnica eletromagnética: Redução local do diâmetro do cabo (perna afundada). A possibilidade de identificação de defeitos sem a remoção em excesso da lubrificação aplicada para proteção do cabo Mapeamento de defeitos de forma precisa para monitoração periódica de cabos. 80   .   Vantagens: Identificação de ocorrência de corrosão interna. Ruptura de arame na alma. Aumento local do diâmetro do cabo devido à distorção da alma. Achatamento. Parte interna saltada de um cabo resistente à rotação.. Corrosão externa e interna. Ruptura de arames.

81 .Inspeção Eletromagnética  Método do Fluxo de Retorno: Método que se utiliza detectores de fluxo magnético. que são posicionados entre os pólos do ímã permanente e o cabo de aço. Este fluxo magnético é proporcional à massa metálica compreendida entre os pólos do ímã permanente. medindo o fluxo magnético que retorna do cabo de aço. ou situados no interior do circuito magnético.

82 .Inspeção Eletromagnética  Método do Fluxo Principal: Método que faz uso de uma bobina associada a um integrador. a qual mede diretamente o fluxo magnético que passa pelo cabo de aço. Este fluxo magnético é proporcional à massa metálica do cabo de aço em uma extensão que corresponde ao comprimento da bobina.

Inspeção Eletromagnética  Vídeo: 83 .

Pré-formação (pré-formado. IPS x 500mts. EEIPS) ou a Carga de Ruptura Mínima (CRM). Quando o acabamento não for indicado. Quando não informado. 6x41 WS+AACI. Iremos utilizar em ponte rolante. Preferência por uma marca nacional. lubrificado." 84 . Torção (regular ou Lang / direita ou esquerda). Categoria de resistência dos arames à tração (PS. entende-se como "genérico". TRD. IPS. Comprimento. pré-formado. arames e composição: Seale. Indicação da aplicação/uso. não pré-formado ou semi pré-formado). Lubrificação (com ou sem lubrificação). Filler ou outra).Cotação de Cabos de Aço     Ao se fazer um pedido de cabo de aço você deve indicar os seguintes itens: Diâmetro do cabo de aço (em milímetros ou fração de polegadas). EIPS. Marca/Fabricante. entende-se como "polido". Construção (número de pernas. Acabamento (polido ou galvanizado).          Exemplo de um pedido de cabo de aço: "Cabo de aço 19mm. Tipo da alma (fibra ou aço).

Exemplo de ordem de compra 85 .

Fornecedores / Fabricantes 86 .

html .eng.com.sevel.Rules for Certification of Lifting Appliances.Cabo de Aço PROJETO ABNT NBR 6327 ABNT NBR ISO 4309 N-2161 N-2566 www.com.UFRJ http://www.1994 Apostila de elementos de máquinas .br/precos-e-cotacoes.plasmundi.br/revestimentos.htm Catálogo CIMAF NBR 3108 Cabos de Aço para uso Geral NBR 4309 Guindastes .br/servicos/inspecao-em-cabo-de-aco/ http://www.cabosdeacocablemax.Fontes Bibliográficas           API SPEC 9A ABNT 6327 DNV .

Cabos de Aço  Dúvidas? .