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DISCUSSÕES SOBRE A ATUAÇÃO DE PROFISSIONAIS DA PSICOLOGIA NA ABORDAGEM DOS TEMAS SEXUALIDADE E GÊNERO NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

Marcela Pastana Ana Cláudia Maia Pós-Graduação em Educação Escolar- Unesp de Araraquara Grupo de Estudos e Pesquisa em Sexualidade, Educação e CulturaGEPESEC

para alimentar um quadro de desigualdades.A Posição Atribuída Aos (Às) Profissionais da Psicologia nos Meios de Comunicação • A forma como os discursos midiáticos abordam o gênero e a sexualidade contribui. e não para legitimá-la. . • Seria importante que os (as) profissionais da Psicologia contribuíssem para quebrar essa lógica. estigmatizações e exclusões. muitas vezes.

descrevam "as coisas como são". o que culmina em uma compreensão engessante e restritiva da subjetividade. por exemplo: “entenda os diferentes modos de ser de homens e mulheres”. como autoridades com credibilidades para apontar como as formas de viver o gênero e a sexualidade podem e devem ser. quais são os modos de ser tidos como “normais”. fórmulas. • São pedidas técnicas. “saudáveis”. “aprenda como são os relacionamentos que dão certo”. é atribuída aos(às) psicólogos(as) a posição de “especialistas”.A Posição Atribuída Aos (Às) Profissionais da Psicologia nos Meios de Comunicação • Nos meios de comunicação. “saiba tudo sobre homossexualidade”. receitas e explicações que . “adequados”.

• É importante desconstruir esta compreensão da Psicologia que engessa e restringe as múltiplas e singulares formas de subjetividade. • É como se a Psicologia portasse um saber absoluto. fosse detentora da verdade sobre quem as pessoas são e sobre como devem ser. como desejar culmina na construção da imagens dos(as) profissionais da Psicologia como agentes de normalização. . como se relacionar.A Posição Atribuída Aos (Às) Profissionais da Psicologia nos Meios de Comunicação • A demanda contínua por técnicas sobre como amar.

com a participação de cerca de 10 estudantes dos cursos de Psicologia e Comunicação (Jornalismo. Relações Públicas e Design). em encontros semanais com a duração de uma hora e meia.Um espaço de diálogo entre Psicologia e Comunicação” é realizado desde 2011. Rádio e Televisão.Discussões Sobre a Atuação de Profissionais de Psicologia no Grupo “Sexualidade. . no Centro de Psicologia Aplicada da Unesp. Gênero e Mídia”. campus de Bauru. • O projeto “Grupo de Discussões sobre Sexualidade. Gênero e Mídia.

. Gênero e Mídia”. • Como forma de concluir as atividades. • Considerando a importância da discussão e da reflexão crítica sobre a atuação de psicólogos(as) nos meios de comunicação. foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com seis participantes do curso de psicologia sobre as discussões. A seguir. serão apresentadas algumas discussões realizadas a partir da fala dos participantes.Discussões Sobre a Atuação de Profissionais de Psicologia no Grupo “Sexualidade. reflexões e atividades realizadas no grupo. este foi o tema escolhido para os encontros do grupo em 2012.

adequado. que é passado como natural.). se você seguir determinados caminhos. o corpo. se você agir de determinada forma. • “Como se houvesse um padrão correto. os comportamentos. • “A mídia vende formas de ser feliz. a sexualidade. você consegue ser feliz (.. são vendidos modelos de felicidade “é assim que tem que ser”. as formas de prazer masculinas e femininas. os objetos de desejo. como se aquilo fosse naturalmente correto” (P1).quem é tido como desejável ou não ” (P2). . saudável para todas as pessoas.1) Crítica à compreensão normativa do gênero e da sexualidade • “Os meios de comunicação normatizam as condutas. e as pessoas aprendem “eu não sou feliz porque não sou dessa forma” (P4)..

vemos quantos equívocos a gente comete.. a gente passou a questionar muito mais. ao preconceito. a gente acha que é super natural. a gente encara tudo como sendo natural “é natural que o homem se atraia pela mulher. é natural que o homem faça isso e a mulher faça isso”. refletir mais.. ao julgamento. leva a segregar pessoas. é natural que o amor faça a gente feliz. . mas é uma idéia construída culturalmente.” (P6). socialmente acho que se a gente levasse em conta esses fatores.1) Crítica à compreensão normativa do gênero e da sexualidade • “Uma coisa que a gente fez muito no grupo foi questionar a naturalidade das coisas. descontruir isso. e isso é muito negativo.) passar a questionar isso. o que é natural e o que não é. (. foi uma das coisas mais importantes que aconteceram no grupo.

de torna-las “normais””” (P2).2) Crítica à posição atribuída aos(às) psicólogos(as) nos meios de comunicação • “A ideia é que existe um padrão de ser humano que é tido como adequado e correto e o psicólogo como veículo para chegar até esse padrão. está sanada sua dúvida e você fica ok. se é errado. uma confirmação do que está colocado. como se ele fosse capaz de mudar as pessoas. com uma fetichização do profissional. (. (. como fazer. quando fazer..)” (P1). “o que eu faço”. se é normal. ele tem a resposta e a resposta resolve imediatamente o que você tem...) Como se fosse fácil. de dar o aval de normalidade. se é certo fazer. • “Espera-se um direcionamento. • “Espera-se da Psicologia a resolução de problemas. o que fazer. nunca reflexiva. . crítica.” (P2). • “Espera-se do psicólogo a posição de normatizar. respostas e ponto final.” (P3)..

. e partir para colocar questionamentos” (P3). sair da posição confortável de ser aquele que vai oferecer um saber que vai solucionar a vida do indivíduo. são construídas. ainda que seja bastante difícil” (P1). • “É necessário perder um pouco a tentação de responder as perguntas..3) Reflexões Sobre Diferentes Possibilidades de Atuação • “(. ao invés de responder as questões.) a função seria. acredito que é o mais adequado. criar mais questões. para o psicólogo. buscar desconstruir a realidade como ela está. denunciar que as coisas não são naturais. para promover o pensamento crítico na medida do possível” (P4). • “É preciso aproveitar o espaço nos meios de comunicação para promover reflexão..

(.) praticando mais isso. Pensar na população com quem está lidando. as coisas podem ser diferentes. exercitando. existe diversidade. a gente também quer isso. como passar o conhecimento (... como expor as ideias de forma mais simples. existem alternativas. pode ser compreendido de forma diferente. então promover esse diálogo é muito importante. • “Acho que há uma lacuna muito grande entre o que é produzido e o que chega na população. se não a gente vai ficar sempre dialogando apenas com pessoas com o mesmo nível de instrução. a forma de comunicar.3) Reflexões Sobre Diferentes Possibilidades de Atuação • “O maior desafio é tentar seguir a direção do pensamento crítico.) questionar os padrões.. pensando como comunicar. tanto a linguagem. uma linguagem mais simples. os padrões são muito naturalizados. com uma linguagem acessível. mas não quer que a discussão fique apenas nesse espaço” (P5).” (P2) . a desconstrução desse viés de normalidade.. outros profissionais. Ver que pode ser diferente.

a pluralidade de possibilidades de ser. assumindo com disposição e dedicação a responsabilidade de. desejar e buscar prazer. ao invés de fornecer conselhos.Considerações Finais • No decorrer das discussões do grupo houve a reflexão sobre a importância de desconstruirmos a posição normativa a qual somos convidados(as). sentir. respostas e soluções. se relacionar. pensar. . buscarmos promover o esclarecimento e a reflexão sobre a multiplicidade se viver a sexualidade e o gênero.