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Introdução

Polinômio característico
Métodos iterativos para cálculo de autovalores
Uma aplicação de autovalores
Introdução
• Em muitos problemas relativos a sistemas dinâmicos, tem-se uma
equação do tipo:

onde A é uma matriz nxn, x um vetor nx1 e ì um número real.
• Exemplo:
1) 2)



Vamos investigar este fenômeno de forma mais geral.
x Ax ì =
(
¸
(

¸

=
(
¸
(

¸

(
¸
(

¸

6 , 0
4 , 0
6 , 0
4 , 0
8 , 0 3 , 0
2 , 0 7 , 0
(
(
(
¸
(

¸

=
(
(
(
¸
(

¸

(
(
(
¸
(

¸

1
6
18
5 , 1
1
6
18
0 25 , 0 0
0 0 5 , 0
3 4 0
Definições:
1. Considere A uma matriz nxn. Um escalar ì é chamado de
autovalor de A, se existe um vetor não nulo x tal que Ax = ìx.
Tal vetor é chamado de autovetor de A.
2. Dados uma matriz A de ordem n e ì um autovalor de A,
chamamos de auto-espaço de A a coleção de autovetores
correspondentes a cada ì acrescida do vetor nulo.
Exemplos:
1) Mostre que (1,1) é autovetor de A, onde
e obtenha o autovalor correspondente.
2) Mostre que 5 é autovalor de


3) Encontre, geometricamente, os autovetores de
(
¸
(

¸

=
3 1
1 3
A
(
¸
(

¸

3 4
2 1
(
¸
(

¸

÷1 0
0 1
Polinômio característico
Agora que já vimos algumas aplicações dos determinantes, vamos utilizá-lo para
mais uma aplicação.
Definições:
1. Seja A uma matriz de ordem n, denominamos polinômio característico de
A, o polinômio P(ì) obtido pelo cálculo de: P(ì) = det(A- ìI).
2. A equação P(ì) = 0 é denominada equação característica de A.
3. Os autovalores de uma matriz A são precisamente as soluções ì da equação
característica.
Assim, dada a matriz A temos o seguinte algoritmo:
1) Encontrar o polinômio característico de A;
2) encontrar os autovalores de A através de sua equação característica;
3) para cada autovalor encontrar o subespaço anulado por A - ìI, esse é o auto-
subespaço associado ao autovalor ì
i
, denominado E
ì
, formado pelos
autovetores de A;
4) Encontre uma base para cada auto-subespaço.
Multiplicidade do autovalor:
Existem dois tipos de multiplicidade para um autovalor:
1. A multiplicidade algébrica é dada pela sua multiplicidade
como raiz da equação característica.
2. A multiplicidade geométrica é dada pela dimensão de seu
auto-subespaço.
Exemplo:
Encontre as multiplicidades algébrica e geométrica dos
autovalores da matriz A, dada por:
(
(
(
¸
(

¸

÷
=
4 5 2
1 0 0
0 1 0
A
Introdução
Definições e teoremas
Base de autovetores
Polinômio minimal
Exemplos e exercícios
Introdução
• Muitos problemas que envolvem o cálculo de autovalores, se tornam
bem simples quando temos matrizes triangulares ou diagonais.
• Nesses casos os autovalores aparecem de forma evidente.
• Seria interessante, portanto, obter uma transformação para uma matriz
qualquer, de forma a obter outra que seja diagonal e que preserve os
autovalores.
• Exemplos:
1) 2)




Vamos investigar este fenômeno de forma mais criteriosa.
(
¸
(

¸

~
(
¸
(

¸

5 , 0 0
0 0 , 1
8 , 0 3 , 0
2 , 0 7 , 0
(
(
(
(
(
(
¸
(

¸

÷ ÷
+ ÷
~
(
(
(
¸
(

¸

4
5 3
0 0
0
4
5 3
0
0 0
2
3
0 25 , 0 0
0 0 5 , 0
3 4 0
Definição:
1. Sejam A e B matrizes nxn. Dizemos que A é semelhante a B se existir
uma matriz nxn inversível P tal que P
-1
AP = B. Se A é semelhante a B,
escrevemos A ~ B.
Observações:
i. Se A ~ B, podemos escrever também A = PBP
-1
ou AP = PB.
ii. Semelhança é uma relação entre matrizes quadradas, que implica um
sentido. Assim como a ≤ b não implica necessariamente que b ≤ a, não
devemos assumir que A ~ B implique B ~ A.
iii. A matriz P depende de A e de B. Ela não é única para um par de
matrizes semelhantes A e B. Para comprovar isto basta tomar A=B=I,
caso em que I ~ I, já que P
-1
I P = I, para qualquer matriz inversível P.
Exemplo: Dadas A e B, abaixo. A ~ B, pois:
(
¸
(

¸

÷ ÷
(
¸
(

¸

÷
=
(
¸
(

¸

÷ ÷
=
(
¸
(

¸

÷
(
¸
(

¸

÷
¬
(
¸
(

¸

÷ ÷
=
(
¸
(

¸

÷
=
1 2
0 1
1 1
1 1
1 1
1 3
1 1
1 1
1 0
2 1
1 2
0 1
;
1 0
2 1
B A
Teoremas:
1. Sejam A, B e C matrizes nxn.
a) A ~ A.
b) Se A ~ B, então B ~ A.
c) Se A ~ B e B ~ C, então A ~ C.
Observação:
Toda relação que satisfaz as três propriedades acima é dita relação de equivalência
2. Sejam A e B matrizes nxn com A ~B. Então:
a) det A = det B;
b) A é inversível · B for inversível;
c) A e B têm o mesmo posto (o posto de uma matriz é o número de linhas
não-nulas quando a mesma está escrita na forma reduzida escalonada por
linhas);
d) A e B têm o mesmo polinômio característico;
e) A e B têm os mesmos autovalores.
Exemplo:
1 2 1 0
e não são semelhantes, já que det( ) -3 mas det( ) -1
2 1 2 1
A B A B
( (
= = = =
( (
÷ ÷
¸ ¸ ¸ ¸
Definição:
2. Uma matriz A nxn é diagonalizável se existe uma matriz
diagonal D, tal que A é semelhante a D, ou seja, se existe uma
matriz P nxn inversível tal que P
-1
AP = D.
Exemplo:
Considere a matriz A, a seguir. Esta matriz é diagonalizável, pois:
(
¸
(

¸

÷
=
(
¸
(

¸

÷
(
¸
(

¸

(
(
¸
(

¸

÷
¬
(
¸
(

¸

÷
=
(
¸
(

¸

=
1 0
0 4
2 1
3 1
2 2
3 1
5
1
5
1
5
3
5
2
2 1
3 1
;
2 2
3 1
P A
Teorema:
3. Seja A uma matriz nxn. Então A é diagonalizável se, e somente se, tiver n
autovetores linearmente independentes. Mais precisamente, existem uma matriz
inversível P e uma matriz diagonal D de maneira que P
-1
AP = D se, e somente se, as
colunas de P forem n autovetores de A, linearmente independentes, e os elementos
da diagonal de D forem os autovalores correspondentes àqueles, colocados na
mesma ordem.
Exemplo: Se possível, determine a matriz P que diagonaliza A, a seguir.





A tem os seguintes autovalores ì
1
= ì
2
= 1 e ì
3
= 2; cujas bases E
1
e E
2
são:




Como existem três autovetores, A é diagonalizável.
1 2 1 3 2
5 -4 1
Para 1 tem base 1 0 Para 2 0
0 1 0
E e ; E
( ( (
( ( (
ì = ì = ¬ ì = ¬ =
( ( (
( ( (
¸ ¸ ¸ ¸ ¸ ¸
;
4 5 2
1 0 0
0 1 0
(
(
(
¸
(

¸

÷
= A
Teoremas:
4. Seja A uma matriz nxn e sejam ì
1
ì
2
, ... , ì
k
autovalores distintos de
A. Se B
i
é uma base do auto-espaço E
ìi
, então B = B
1
B
2
... B
k
,
(isto é, a coleção completa dos vetores das bases de todos os auto-
espaços) é linearmente independente.
5. Se A é uma matriz nxn com n autovalores distintos entre si, então A
é diagonalizável.
Exemplo:




tem autovalores:

ì
1
= 5, ì
2
= 2 e ì
3
= -1. Como esses são 3 autovalores distintos de uma
matriz 3x3, A é diagonalizável pelo teorema 5.
(
(
(
¸
(

¸

÷
÷
=
1 0 0
1 5 0
7 3 2
A
Teorema da diagonalização:
Lema: Seja A uma matriz nxn, então a multiplicidade geométrica de cada
autovalor é menor ou igual à sua multiplicidade algébrica.
6. Seja A uma matriz nxn com autovalores distintos ì
1
ì
2
, ... , ì
k
. Os
seguintes enunciados são equivalentes:
a) A é diagonalizável;
b) A união B das bases dos auto-espaços de A contém n vetores;
c) A multiplicidade algébrica de cada autovetor é igual a sua
multiplicidade geométrica.
Exemplos: tem autovalores ì
1
= ì
2
= 1 e ì
3
= 2.



Como o autovalor ì
1
= 1 tem multiplicidade algébrica 2 e sua multiplicidade
geométrica é igual a 2, A é diagonalizável pelo teorema 6.
(
(
(
¸
(

¸

÷
=
4 5 2
1 0 0
0 1 0
A
Exercício:
1. Calcule A
10
, onde .
Solução:
Essa matriz tem autovalores ì
1
= -1 e ì
2
= 2, com autovetores
correspondentes a v
1
= [1 -1]
T
e v
2
= [1 2]
T
. Daí, segue pelo teorema 6,
que A é diagonalizável e P
-1
AP = D, onde

e

Assim, isolando A, temos A = PDP
-1
, o que torna mais fácil obter a
potência desejada de A, pois
A
2
= (PDP
-1
)(PDP
-1
) = PD(P
-1
P)DP
-1
= PDIDP
-1
= PD
2
P
-1
e, em geral,
A
n
= PD
n
P
-1
para todo n > 1. Daí, A
10
= PD
10
P
-1
=

(
¸
(

¸

=
1 2
1 0
A
| |
(
¸
(

¸

÷
= =
2 1
1 1
2 1
v v P (
¸
(

¸

÷
=
2 0
0 1
D
10 2 1
1 1 1 0 342 341
3 3
1 2 0 2 1 1 682 683
3 3
(
÷
÷ ÷ ( ( (
(
=
( ( (
( ÷ ÷
¸ ¸ ¸ ¸ ¸ ¸
¸ ¸