Leitura Constitucional dos artigos 383 e 384 do CPP (Redação emprestada pela lei 11.719, de 20.08.

2008)

Padre Pio

 “Não julgues, senão quando tenhas o

direito advindo do dever de julgar.”

Enfoque
 Reconhecimento

Constituição, consignados.

a

do sistema acusatório na partir dos princípios nela

 Proceder uma releitura dos artigos em referência

(CPP, arts. 383 e 384) desde um perspectiva hermenêutica que reclama pelo sentido da Constituição.

Hermes

 O mensageiro de Zeus

e intérprete da vontade dos deuses.

.  A interpretação é a fusão de horizontes: onde o horizonte do intérprete se encontra com o horizonte do texto.Hermenêutica  Hermenêutica (Gadamer).

Horizonte do intérprete  Horizonte “é o âmbito de visão que abarca e encerra tudo o que pode ser visto a partir de determinado ponto” (Gadamer).  Horizonte é ditado pela subjetividade do intérprete.  A pré-compreensão reside no intérprete e limita ou confere as possibilidades de entendimento. história. visão de mundo e ideologia.  A pré-compreensão congrega: valores. (pré)juízos. pela sua pré-compreensão. (pré)conceitos. . conhecimento. experiências.

Assim. traz uma expectativa de sentido (leque de possibilidades) que deve nortear a atividade do intérprete. O texto implica num projeto de sentido que vai sendo revisitado (e revisado) na medida em que progredimos na análise das partes. que se vai confirmando ou não no decorrer da atividade interpretativa. É preciso deixar que o texto nos diga algo. O leitor não tem liberdade absoluta frente ao texto. Tem de partir do texto.Horizonte do texto  Todo texto deve ser visto como resposta a uma pergunta.  O texto fixa uma possibilidade de sentido e uma impossibilidade de sentido. nós projetamos uma determinada expectativa de sentido.  . o texto. (Sabemos o que ele não é e temos uma idéia do que pode ser. como resposta a uma pergunta. Quando nos deparamos com um texto. Não se pode dizer qquer coisa). os conceitos iniciais vão dando lugar a outros mais adequados. É preciso estar sensível para aquilo que nos diz o texto. Desse modo.

. constituindo-se em uma síntese.Interpretação  Assim.  Não é mera subsunção. uma fusão de horizontes. a interpretação parte do texto. mas recebe um aporte produtivo do intérprete (é um processo produtivo e não meramente reprodutivo).

aquilo que se diz sobre ele.Texto e norma  Aqui se verifica a diferença entre texto e norma: a norma é o sentido do texto. . A norma é produto da interpretação do texto.  Entre texto e norma não há um afastamento a autorizar decisionismos injustificáveis nem coincidência a determinar indelevelmente o sentido do texto.

 A tradição deve ser posta a prova para se verificar se ela é autêntica ou não.Intersubjetividade  Na interpretação: num primeiro passo importa a subjetividade do intérprete. Num segundo passo importa a intersubjetividade (tradição): o direito não pode recair em arbitrariedade. .  O intérprete pode se afastar da tradição sem cair em subjetivismo (decisionismo): porém deve dar as razões que o levou a se afastar da tradição. por integridade.  A tradição faz o encontro do passado com o presente.  O direito aspira por coerência.  A tradição autêntica condiz com a integridade do direito e a coerência com decisões já adotadas (segurança jurídica). se os valores que ela carrega subsistem ou não como pertinentes ao tempo presente. no direito: jurisprudência. o que é alcançado na intersubjetividade (tradição).

qualquer  Assim.Constituição como existencial  Como vimos. Em interpretação a Constituição é chamada a operar. importa a subjetividade do intérprete (seus valores. A Constituição como um existencial: um modo-de-ser-no-mundo (Streck) que interfere na intelecção da norma a ser aplicada no caso concreto. seus pre-juízos. Necessária a pré-compreensão acerca da teoria da Constituição. na interpretação.  Daí porque importa que o intérprete tenha presente os valores que integram a Constituição. todo texto jurídico tem de responder à pergunta pelo sentido da Constituição: toda leitura jurídica deve estar conforme à Constituição. mas como um existencial. . seus pré-conceitos).  A Constituição não só como o ápice e o fundamento de todo o ordenamento.

.  Relevância dos direitos fundamentais (gerações.  Efetividade de suas normas (imperatividade).Constituição (20 anos)  Estabilidade institucional (20 anos). dignidade).

 Dever de punir deve ser levado a ombros com atendimento das garantias constitucionais do acusado. (Palco privilegiado) .Processo Penal  Direito Civil x Direito Penal (imprescindibilidade do direito processual penal).  Processo Penal: caminho necessário para a aplicação do direito penal. Coloca em xeque uma série de direitos e valores acudidos pela Constituição. (Instrumentalidade)  Direito Penal: atividade estatal que mais agudamente infringe a esfera da intimidade do acusado. Com observância aos direitos fundamentais do acusado.

Processo Penal • Processo Penal: Direito Constitucional Aplicado. de sorte que • “qualquer oscilação ao nível do casco se transmite com força potenciada ao seu mastro principal” (Figueiredo Dias) .

Sistema acusatório  As garantias constitucionais do acusado são delineadas por princípios que conformam um sistema. destinado a uma determinada finalidade” (Miranda Coutinho) . colocados em relação. por um princípio unificador.  Sistema “conjunto de temas. que formam um todo pretensamente orgânico. Sistema acusatório (sem previsao textual). Princípio reitor.

)  Institucionalização do Conflito: A Constituição elege e instrumentaliza  Este princípio impõe a divisão de funções: três pessoas em três misteres. O Desencadeamento da ação está afeto ao MP. No . Este objeto terá repercussão no próprio processo e em outros processos. MP não é parte imparcial. recorte fático trazido a juízo para apreciação. Luiz Flávio Gomes) um órgão para a promoção da ação penal. O Ministério Público é uma instituição fabricada para ser parte (Lopes Jr. 129. (Mantença – Ex. Por isso é que os fatos delineiam o objeto do processo. preservando. a imparcialidade do juízo. assim.  Em que consiste a acusação: No trazimento dos fatos a juízo. I). “Tão simples e tão profundo como isso: a entidade que julga não deve ter função de acusação” (Mouraz Lopes).Princípio acusatório  A CR comete ao MP a promoção da ação penal (art.

como situação de vida já sucedida (ação ou omissão) que se põe a cargo de alguém como protagonista. (Navarro) Julio Maier escreve que o tribunal pode adjudicar ao fato uma qualificação jurídica distinta da expressada na acusação. olhos postos na figura da tipologia penal. Conclui que o importante “é o acontecimento histórico imputado. descreve a figura histórica (figura típica) que serve de modelo para a decisão. (Cordero) São os fatos e não a capitulação que emprestam contorno ao objeto do processo: “dever de cognição exauriente: o tribunal deverá examinar o fato que se apresenta „desde todos os pontos de vista jurídicos‟ possíveis”.Acusação: trazimento dos fatos: delimitação do objeto  O objeto da acusação consiste no recorte fático destacado no comportamento de um sujeito com repercussão no campo jurídico-penal. A acusação delimita o objeto com reflexo no mesmo processo e em outros. A acusação. de qual a sentença não se pode apartar porque sua missão é precisamente decidir sobre ele”.     . A acusação está entre a norma penal e a condenação.

a coisa julgada importa numa limitação do ius puniendi do Estado. ajuntando que o fato principal é aquele „acaecer histórico” o fato material que na peça acusatória se imputa ao réu. mais precisamente em sentença absolutória. No processo penal.    . 110.Coisa julgada  O objeto da coisa julgada se refere ao “fato justiçável” é não a sua qualificação. § 2º do CPP: “a exceção de coisa julgada somente pode ser oposta em relação ao fato principal que tiver sido objeto da sentença”. “obstativa da instauração de nova persecução penal pelo mesmo fato. depois de absolvido o acusado poderia ser processado pelos mesmos fatos sob nova etiqueta penal. pouco importando a qualificação jurídico-penal que se lhe dê.receptação) Tourinho refere que os limites da coisa julgada estão postos no art.(Furto . cuja autoria seja atribuída ao acusado absolvido” (Tucci) Fosse a capitulação que fixasse os contornos do processos. porque melhor atende aos interesses do acusado que assim não “se vê exposto à merce de um novo processo pelo mesmo fato” (Goldschmidt).

mas sim investigação unilateral da verdade. . porque se acusador e julgador estiverem reunidos numa só pessoa não se tem processo.Reunião de princípios conformes: sistema acusatório (I)   Princípio acusatório – divisão de funções – Art. de ser ouvido em situação de similitude e de participar efetivamente na produção da prova de maneira a interferir no convencimento do juízo.    O direito de defesa. 28 Devido Processo Legal: decorre da própria divisão de funções a remarcar inclusive a existência do próprio processo. Direito ao Contraditório (princípio da democracia): direito de ser informado da acusação. democrático e regularmente desenvolvido. Consiste na garantia constitucional a um processo legítimo. 26 (contravenções). Presunção de inocência (que se arrima na dignidade da pessoa humana): Há previsão expressa tanto nas Declarações dos Direitos do Homem como na CR. na amplitude constitucionalmente assegurada. Conseqüência lógica da necessidade do processo para se aferir a culpabilidade do acusado (Ferrajoli). Art. “É a expressão abreviada deste conjunto de direitos fundamentais que definem o estatuto jurídico do imputado” (Tomas Anton). justo.

Princípios da oralidade. da concentração e da publicidade: são próximos à natureza acusatória do processo.Reunião de princípios conformes: sistema acusatório (II)  Juiz natural: direito a um juizl independente e imparcial. mas sim como sujeito do processo (sujeito de direito). (Ferrajoli). Princípio da imparcialidade: “concretiza-se na justa distância. Um juiz previsto como competente por lei anterior. Princípio da motivação das decisões judiciais: que permite um melhor controle da administração da justiça (Canotilho). da imediação. na posição do juiz como estrangeiro perante o interesse das partes” (Mouraz Lopes). acentua a eficiência e a sua acessibilidade „a justiça. mas a toda a comunidade. porque o processo é democrático e mesmo em vista do interesse público que inspira e justifica qualquer persecução penal. Dignidade da pessoa humana: o acusado não pode ser tratado como objeto de averiguação. Controle que interessa não só à defesa. O juiz como terceiro super partes forma a primeira característica do processo acusatório.     . informando um sistema que atende a utilidade social do processo.

onde cabem todos os direitos fundamentais do processo penal. . forma ou princípio  Alícia Navarro defende que o princípio acusatório se converteu no “cajon de sastre”.Sistema.

na acusatória a existência de parte autônoma. encarregada da tarefa de acusar.Sistemas: inquisitivo X acusatório  “Se na estrutura inquisitória o juiz acusa. funciona para deslocar o juiz para o centro do processo. cuidando de preservar a nota de imparcialidade que deve marcar a sua atuação”. (Geraldo Prado) .

Sistemas modelares  Inquisitivo:  Acusatório:  Fundamenta-se do princípio  Fundamenta-se no princípio da autoridade: quanto maior o poder conferido ao inquisidor melhor a verdade será acertada (Paolo Tonini). passando pela recolha e reunião de provas até o sancionamento do culpado.  iniciativa total do juiz desde a introdução dos fatos à direção do processo. (Mouraz Lopes) dialético: a verdade é melhor acertada se as funções processuais forem distribuídas entre os sujeitos com interesses contrapostos (Paolo Tonini).  entidade julgadora despida da função de acusar pode apenas “investigar ou julgar dentro dos limites que lhe são postos por uma acusação fundamentada e deduzida por órgão diferenciado” (Figueiredo Dias) .

que a acompanha os ideários iluministas. que deverá conciliar no processo os interesses contrapostos. (Alberto Binder) Superado o sistema inquisitivo. pondo em evidência o interesse público na persecução do delito. o Estado assume o jus puniendi. destacado o interesse privado na persecução do delito. (sistema acusatório misto) O sistema misto constitui uma síntese procurando equacionar duas forças que se contrapõe: eficiência (direito de punir) e garantia (direitos fundamentais). próprio do Estado absoluto.     . (sistema inquisitivo) A valorização do indivíduo. A partir da proibição da autotutela. o processo acusatório formal ou misto vai ser o modelo adotado pelos países pertencentes ao mesmo entorno cultural. repercute no modelo do processo penal reclamando ajuste e servindo de freio para a atuação estatal.Desenho histórico  Historicamente a forma acusatória descansava sobre a indistinção entre o ilícito civil e penal. como sua atribuição exclusiva.

na Itália:Paolo Tonini. A síntese operada por Delmas-Marty acerca dos processos penais da Europa. Miranda Coutinho e Lopes Jr) assinalando que não há um sistema misto.g.  Todavia. Bélgica e Alemanha. no Brasil: Tourinho Filho e Afrânio Silva Jardim. devendo-se buscar o princípio unificador. entre outros) . o sistema misto constitui uma síntese e muitos autores o defendem. e. na Espanha:Alícia Navarro. Rui Pereira e Mouraz Lopes. (em Portugal:Figueiredo Dias.Sistema misto (Acusatório formal)  Há autores de nomeada (v. pois tal nota desconfiguraria o próprio sistema. Raul Veiga. como um sistema processual de matriz acusatória temperado por um princípio de investigação. aponta no mesmo sentido: França.

delimitando o objeto do processo e nisto consiste o princípio acusatório a reclamar a observância da missão atribuída a cada um dos sujeitos que desfilam pela relação processual (Figueiredo Dias). Cabe à acusação o trazimento dos fatos à juízo. um combate à morte.Critérios diferenciadores dos sistemas  Gestão da Prova : O princípio unificador que determina a essência do sistema é o critério da gestão da prova. onde quase rege a lei do mais forte.  Divisão das funções. o mais poderoso ou o mais rico. um duelo. o sistema acusatório puro não nos serve: o processo não pode ser concebido como um jogo.  Princípio da obrigatoriedade: Segundo Guerreiro Palomares eis o critério diferenciador entre o sistema acusatório puro e o sistema acusatório misto (ou formal): a indisponibilidade de seu objeto. Ante o interesse público em apreço. Também Lopes Jr destaca na gestão da prova o núcleo fundante do modelo adotado. (Miranda Coutinho). .

permite ao acusado a reunião de argumentos e elementos de prova consentâneos com o foco adotado na ação penal. 41 do CPP.  Além de evitar surpresas.  Elementos essenciais estão no art.Denúncia e Ajustes  Denúncia: peça técnica que deve observar requisitos mínimos para que o réu possa tomar ciência da imputação que lhe fora dirigida e produzir sua defesa.  Para assegurar ao acusado condições de apresentar defesa em simetria com a acusação. a exposição do fato criminoso com todas as suas circunstâncias e a classificação do crime. o sistema processual prevê mecanismos de ajustamento da pretensão acusatória. . Identificação do acusado.

ainda que.omissis § 2º . sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa. poderá atribuirlhe definição jurídica diversa. em conseqüência tenha de aplicar pena mais grave. 383 do CPP – Emendatio Libelli Antes da reforma Depois da reforma Art. . 383. O juiz. tenha de aplicar pena mais grave. ainda que. O juiz poderá dar ao fato definição jurídica diversa da que constar da queixa ou da denúncia. 383. § 1º .Art.omissis Art. em conseqüência.

houver possibilidade de proposta de suspensão condicional do processo. todavia. a este serão encaminhados os autos. (sum 337 STJ) § 2o Tratando-se de infração da competência de outro juízo. em conseqüência de definição jurídica diversa. Lei n. §3º Se. §2º A providência prevista no caput deste artigo poderá ser adotada pelo juiz no recebimento da denúncia ou queixa. 383 do CPP – Emendatio Libelli Projeto de Lei  Art. 11. houver possibilidade de proposta de suspensão condicional do processo. § 4o Tratando-se de infração da competência do Juizado Especial Criminal.719/08 Art. 383. deverão ser intimadas da nova definição jurídica do fato antes de prolatada a sentença. 383.    . omissis § 1o Se. o juiz procederá de acordo com o disposto na lei. em conseqüência de definição jurídica diversa. o juiz procederá de acordo com o disposto na lei. a este serão encaminhados os autos. omissis § 1o As partes.Art.

1996)   . pelo aditamento. duas as soluções possíveis: a) viável à acusação adequar a reprimenda. porquanto o acusado se defende dos fatos narrados na denúncia e não do delito nela qualificado. Min. Julgado do STF em sentido contrário. b) viável ao juízo atribuir ao fato outra capitulação. 383 do CPP – Emendatio Libelli  Em se verificando no curso do processo que o fato narrado comporta outra qualificação. Vedado ao magistrado num mesmo ato modificar a capitulação e proferir julgamento. não constitui cerceamento de defesa ou oblívio ao devido processo legal. dës que oportunize as partes manifestação e eventual produção de provas. ante o inegável prejuízo para a defesa que não pudera se manifestar sobre a nova capitulação. (STF. rel. com diligências decorrentes dos direitos de defesa. Maurício Corrêa. não configura cerceamento de defesa. em 30. Hipótese em que a falta de intimação do acusado.Art.04. j. HC 73389/SP. em face da desclassificação do delito. em face da instrução processual. A nova tipificação emprestada pelo juízo.

necessariamente. Grandinetti discorre que em razão do princípio da correlação entre sentença e pedido imperativo que no caso da emendatio o Ministério Público adite o pedido. oportunizando-se manifestação da defesa quanto ao aditamento. “Dizer que o réu se defende só do fato descrito é soterrar o princípio da ampla defesa.Art. que supõe o conhecimento exato da acusação. Inafastável que o ajuste se dê em decisão anterior à emissão de sentença. A regra de que o acusado se defende apenas dos fatos narrados na denúncia não pode ser acolhida em sua integralidade. b) que a defesa se dê oportunidade de debate e eventual produção de provas. 383 do CPP – Emendatio Libelli  A classificação jurídica importa para a realização plena da defesa. Contudo. (Nereu José Giacomolli). envolve.     . ressalva que mais se ajusta ao princípio acusatório a alteração da qualificação jurídica apenas pelo autor. a medida pode ser levada a cabo pelo juízo dês que: a) o fato venha descrito na acusação inicial com todas as circunstâncias. vez que a defesa não pode ser surpreendida por um novo enfoque albergado pelo julgador dissonante do postulado pela acusação. o contraditório jurídico”. Geraldo Prado. A obediência desse princípio constitucional ultrapassa o contraditório fático.

383 . 383 é reprisada no procedimento atinente ao Júri.Art. Ressalve-se a posição da Professora Flaviane de Magalhães Barros: o juiz discordando da classificação dada pela acusação.Diligência  Possível enxertar no dispositivo diligência para a cientificação das partes.418 do CPP     . deveria abrir vista as partes “a fim de que elas pudessem discutir qual é a norma mais adequada para a subsunção ao fato”. O parágrafo segundo suprimido: posição do Professor Lopes Jr. (abuso na acusação) Conversão do julgamento. conforme art. na fase de pronúncia. para audiência e oferecimento de proposta: Súmula 337 do STJ que diz: “É cabível a suspensão condicional do processo na desclassificação do crime e na procedência parcial da pretensão punitiva” A previsão do art. bastante para redirecionar o processo aos parâmetros constitucionais. possibilitando o debate sobre a classificação.

ficando o juiz. baixará o processo. Depois da reforma Antes da reforma Art. 383 ao caput deste artigo. 384. a requerimento de qualquer das partes. Se houver possibilidade de nova definição jurídica que importe aplicação de pena mais grave. arrolando até três testemunhas. § 2o Ouvido o defensor do acusado no prazo de 5 (cinco) dias e admitido o aditamento. o juiz baixará o processo. § 4o Havendo aditamento. se em virtude dessa houver sido instaurado o processo crime de ação pública. 384 do CPP – Mutatio Libelli O aditamento é cabível no caso de surgimento de fato. em conseqüência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação. se entender cabível nova definição jurídica do fato. . a fim de que o Ministério Público possa aditar a denúncia ou queixa. 384. o Ministério Público deverá aditar a denúncia ou queixa. no prazo de 5 (cinco) dias. o juiz. na denúncia ou na queixa. com inquirição de testemunhas.Art. no prazo de oito dias. a fim de que a defesa. § 1o Não procedendo o órgão do Ministério Público ao aditamento. abrindo-se. Se o juiz reconhecer a possibilidade de nova definição jurídica do fato. se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública. designará dia e hora para continuação da audiência. 28 deste Código. Encerrada a instrução probatória. cada parte poderá arrolar até 3 (três) testemunhas. se quiser produza prova. o processo prosseguirá. em seguida. aplica-se o art. que poderá oferecer prova. no decorrer da instrução penal. Parágrafo único. novo interrogatório do acusado. em conseqüência de prova existente nos autos de circunstância elementar. fale e. reduzindo-se a termo o aditamento. Art. § 5o Não recebido o aditamento. na sentença. realização de debates e julgamento. adstrito aos termos do aditamento. com repercussão na acusação: ampliação do âmbito fático da acusação. o prazo de três dias à defesa. § 3o Aplicam-se as disposições dos §§ 1o e 2o do art. quando feito oralmente. podendo ser ouvidas até três testemunhas. não contida explícita ou implicitamente. no prazo de 5 (cinco) dias.

o Ministério Público poderá aditar a denúncia ou queixa. 384. Encerrada a instrução probatória. realização de debates e julgamento. novo interrogatório do acusado. se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública. em conseqüência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação. novo interrogatório do acusado. § 1o Ouvido o defensor do acusado e admitido o aditamento o juiz. 384. a requerimento de qualquer das partes. 383 ao caput deste artigo. § 3o Aplicam-se as disposições dos §§ 1o e 2o do art. reduzindo-se a termo o aditamento. Encerrada a instrução probatória. com inquirição de testemunhas. no prazo de 5 (cinco) dias. a requerimento de qualquer das partes. 384 do CPP – Mutatio Libelli Projeto de Lei Art. cada parte poderá arrolar até três testemunhas. se entender cabível nova definição jurídica do fato. § 4o Havendo aditamento. cada parte poderá arrolar até 3 (três) testemunhas. § 5o Não recebido o aditamento. § 2o Aplicam-se ao previsto no caput deste artigo as disposições dos §§ 3º e 4º do art. o juiz.Art. 28 deste Código. com inquirição de testemunhas. reduzindo-se a termo o aditamento. § 3o Havendo aditamento. se entender cabível nova definição jurídica do fato. se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública. . § 2o Ouvido o defensor do acusado no prazo de 5 (cinco) dias e admitido o aditamento. realização de debates e julgamento. designará dia e hora para continuação da audiência. quando feito oralmente. o Ministério Público deverá aditar a denúncia ou queixa. quando feito oralmente. § 4o Não recebido o aditamento. a audiência prosseguirá. aplica-se o art. no prazo de 5 (cinco) dias. 383. ficando o juiz. Lei 11.719/08 Art. em conseqüência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação. designará dia e hora para a continuação da audiência. § 1o Não procedendo o órgão do Ministério Público ao aditamento. no prazo de três dias. adstrito aos termos do aditamento. o processo prosseguirá. na sentença.

Circunstância advém do latim circumstantia que significa conservar-se ou estar ao redor. em dizer de menos. B) No mesmo descompasso a alusão a conteúdo implícito na denúncia. de escuso nas entrelinhas. por corolário de lógica. que reclama a descrição do fato com todas as suas circunstâncias. se a pena fosse maior haveria caso de aditamento (parágrafo único). 41 do CPP. como parte integrante ou constituinte de um todo.Art. . não se pode esperar sua integração – colmatagem de lacuna fática .  Quanto à redação: duas correções: A) “circunstância elementar”. Havendo deficiência na acusação. Ou se coloca ao derredor ou compõe o núcleo. 384. não pode residir ao centro.pelo julgador. de velado. que não se coaduna com o norte constitucional do asseguramento da defesa e nem mesmo com o art. se a pena fosse a mesma não haveria necessidade de aditamento (caput). 384 do CPP – Mutatio Libelli – redação anterior  Na redação antiga do art. mas a diligência era providenciada pelo magistrado. Implícito informa a noção de subentendido. dificultando a defesa que supõe descrição clara e determinada dos fatos.

sob pena de admitirmos que o juiz também possa ser acusador. Haveria violação direta ao princípio acusatório. 384 do CPP – Mutatio Libelli – redação anterior  Quanto ao antigo caput: vedado ao magistrado acrescer à descrição contida na peça inaugural fatos revelados no transcorrer da instrução.Art. portanto. sempre é necessário o aditamento. acusador e juiz ao mesmo tempo”  Paulo Cláudio Tovo escreve que “em qualquer das hipóteses do . art.  Quanto ao antigo parágrafo único: também descabida a providência para que o juízo provoque o órgão ministerial visando o aditamento da denúncia. O surgimento de novos fatos deve ser percebido e apontado unicamente pela acusação e não pelo juízo. por violar diretamente o princípio acusatório (a acusação reside justamente no trazimento dos fatos). 384 e seu parágrafo único.

bem como da obrigatoriedade impõe ao Ministério Público a carga processual de proceder em relação a todos os fatos e todos os agentes. Não se acresce fato novo ou sujeito. . b)O impróprio.(Lopes jr)  O aditamento é necessário em razão da conexão e continência. retificando-se dados relativos ao fato. cuja existência era desconhecida quando do oferecimento da denúncia. há dois tipos de aditamento: a) O próprio (real ou pessoal).  Conforme Rangel. Conforme sejam acrescentados fatos (real) ou acusados (pessoal).Aditamento O novo artigo indica que em todos os casos é necessário o aditamento!  Aditamento: inclusão de dados fáticos que tenham sido omitidos por desconhecimento do acusador quando do oferecimento da ação penal.  O princípio da indivisibilidade da ação penal. para conduzir a um julgamento único e evitar decisões conflitantes (também por economia processual e melhor aproveitamento da instrução). mas corrige-se alguma falha na denúncia.

. na oportunidade da conversão do projeto em lei introduziu-se no artigo o parágrafo que remete ao art. Inescondível o retrocesso operado com a inserção da regra fiscalizadora à carreação dos fatos a serem submetidos a juízo. 28 do CPP (§ 1o). porque não mais encarrega o juiz de proceder ou instar a alteração fática. em atropelo ao princípio acusatório.  Contudo. tratando o procedimento como aditamento pelo Ministério Público.  “O magistrado utiliza indevidamente o art.Art. 28 do CPP quando entende que há elementos suficientes para que o MP exerça a pretensão acusatória e não o faz” (Giacomolli). o que se coaduna com o sistema acusatório. 384 do CPP – Mutatio Libelli  A nova lei traz uma alteração substancial da redação do artigo.

O que a lei não quer e é que venha o réu a ser condenado por fato do qual não haja tido oportunidade para se defender. “Mesmo que o Ministério Público adite a peça acusatória vestibular para nela incluir fato penalmente relevante que altere a tipicidade. por desatender a indisponibilidade da ação penal. §4o. como se de denúncia alternativa se tratasse. 59837/RJ. mas sim na sua alteração pela adição do novo fato. com nova redação. reputando plausível tal providência (Silva Jardim) A imputação alternativa se mostra concertada com o sistema acusatório. em 27.1982)  Procedido o aditamento. 384. O exame do artigo. De outra banda.(Silva Jardim)   Exegese do art. outra alteração foi levada a efeito em desalinho com o sistema acusatório: O § 4o além de cuidar do número de testemunhas. 384 do CPP – Mutatio Libelli  Quando da conversão em lei. Conforme o princípio da obrigatoriedade o aditamento não importa na minoração ou no abandono do pedido originário. parte final). cuidando-se de imputação alternativa superveniente. reclama interpretação conforme a Constituição. e b) a censurável adstrição do juiz aos termos do aditamento (§4o.   . de maneira a apartar: a) a indevida remessa dos autos ao Procurador-Geral (§ 1o). não fica o magistrado impedido de condenar o réu pelo fato imputado anteriormente”. parágrafo único. não fica o juiz impedido de manter a primitiva definição da denúncia. ao juiz caberá apreciar tanto a conduta imputada na denúncia como aquela atribuída no aditamento. a subtração da imputação originária como pretende a nova redação dada ao artigo 384. Nessa hipótese.Art. RHC. infringe o princípio da indisponibilidade da ação penal. acresceu que o juiz na sentença ficará adstrito aos termos do aditamento. Min Néri da Silveira. (STF. j. por violação ao princípio acusatório. do CPP.04.

pois. a única via possível seria a do habeas corpus. diz Andrey Borges de Mendonça). 395 (que trata da rejeição da denúncia). 593. conforme art.§ 4º do CPP.  Se é rejeitado o aditamento. cabendo o recurso em sentido estrito (581.Recurso  Não cabe recurso contra a decisão que recebe o aditamento. aplica-se por analogia o art. (Se sentenciar na audiência caberá apelação. . I). como ocorre na denúncia.

após a audiência. . impende ouvir o defensor em cinco dias e depois acolher o aditamento. com inquirição de testemunhas.  Apresentado o aditamento. se houver requerimento pela acusação. 411. 384. realização de debates e julgamento. A requerimento de qualquer das partes o magistrado designará audiência em continuação. É possível também que o aditamento seja procedido em até cinco dias. ao final da audiência onde foi colhida a nova prova.Procedimento  O aditamento poderá ser feito oralmente. § 3º prevê a aplicação do art. nos processos do Tribunal do Júri. as partes poderão arrolar até três testemunhas. novo interrogatório. Acolhido o aditamento. quando encerrada a instrução probatória. devendo ser reduzido a termo.  O art.

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