FARMACOGNOSIA

POLISSACARÍDEOS

Prof. Ms. João Marcelo A. B. B. Nabas

1

POLISSACARÍDEOS
 INTRODUÇÃO:  Definição  polímeros de alto peso molecular resultantes da condensação de um grande número de moléculas de aldoses e cetoses.  Cada molécula de açúcar é ligada à vizinha por intermédio de uma ligação osídica formada pela ligação da hidroxila hemiacetálica em C-1 com qualquer das hidroxilas da outra molécula glicídica, com eliminação de uma molécula de água.
Prof. Ms. João Marcelo A. B. B. Nabas 2

POLISSACARÍDEOS
Atividades  antitumoral, imunoestimulante, anticomplemento, antiinflamatório, anticoagulante, antiviral, hipoglicêmica e hipocolesterolemiante. Outras  redução dos níveis de uréia plasmática de pacientes portadores de insuficiência renal crônica.

Prof. Ms. João Marcelo A. B. B. Nabas 3

POLISSACARÍDEOS
 Nomenclatura: o “fibras alimentares” (polissacarídeos resistentes à digestão pelas enzimas do trato gastrintestinal humano e que apresentam algum efeito laxativo), nessa categoria são incluídos ainda a lignina (molécula de natureza fenólica) e certos oligossacarídeos não-digeríveis.
Prof. Ms. João Marcelo A. B. B. Nabas 4

B. Nabas 5 .POLISSACARÍDEOS  CLASSIFICAÇÃO:  Homogêneos ou homoglicanos  resultantes da condensação de um grande número de moléculas do mesmo açúcar (amido. mucilagens e pectinas) e  Insolúveis. Ms.  Heterogêneos ou heteroglicanos  formados pela condensação de diferentes tipos de açúcares (gomas. (celulose e algumas hemiceluloses). B. mucilagens e pectinas). celulose).  Classificação:  Solúveis (gomas. João Marcelo A. Prof.

(bactérias dos gêneros Leuconostoc. Nabas 6 . Lactobacillus e Streptococcus). B. João Marcelo A. Prof. utilizadas como sucedâneas do plasma em estados de choque hipovolêmicos. Os dextranos são também empregados como espessantes na formulação de colírios. totalmente eliminadas pelo organismo e apresentam viscosidade e osmolaridade semelhantes às do plasma sanguíneo sendo.POLISSACARÍDEOS  PRINCIPAIS TIPOS DE POLISSACARÍDEOS:  Polissacarídeos de Bactérias:  Dextranos  polímeros ramificados de glicose. assim. Ms. Dispersões aquosas de dextrano são atóxicas. B.

explosivos. Ms. Esses dois tipos de polímeros são os estabilizantes de primeira escolha para a formulação de suspensões e emulsões na indústria farmacêutica e são também largamente utilizados na indústria alimentícia como estabilizante e geleificante em sopas e geléias.POLISSACARÍDEOS  Goma xantana: bactéria Xanthomonas campestris. Suas aplicações industriais são múltiplas: tintas. B. Nabas 7 .  polissacarídeo constituído por uma cadeia de glicose com ramificações de ácido glicurônico e manose.  Prof. tecidos. pesticidas. B. etc. João Marcelo A.

atuam como protetores da mucosa gástrica. O ácido algínico é um polímero linear constituído de dois tipos de ácidos urônicos: os ácidos manurônico e gulurônico unidos através de ligações β (1  4). O ácido algínico e os alginatos formam géis viscosos e. João Marcelo A. potássio e amônio e sais insolúveis de cálcio. especialmente. Nabas 8  . B. que permite a formação de sais insolúveis de sódio. possui caráter aniônico acentuado. sendo incorporados em preparações destinadas ao tratamento sintomático de problemas como refluxo gastroesofágico. insolúvel em água. hérnias de hiato e esofagites. dessa forma. Prof. B. O ácido algínico. Fucus vesiculosus. Ms.POLISSACARÍDEOS   Polissacarídeos de algas: Ácidos algínicos e alginatos  polissacarídeos obtidos dos gêneros Laminaria. Macrocystis e Fucus.

Ms. Além disto. Também são utilizados como anti-hemorrágicos de uso externo por formarem géis fibrilares. Nabas 9 . B.POLISSACARÍDEOS  Alguns alginatos são empregados como adjuvantes em regime hipocalóricos. João Marcelo A. Prof. atuam como espessantes e estabilizantes em produtos farmacêuticos e alimentícios. provocando rápida homeostase. B.

Esses polissacarídeos têm aplicação terapêutica e dietética: tratamento sintomático da constipação. Prof. Ms. Nabas 10 . Nas indústrias farmacêutica. João Marcelo A. cosmética e alimentícia são utilizados como espessantes.POLISSACARÍDEOS  Carragenanos  polímeros de galactose fortemente sulfatados são obtidos de diferentes espécies de algas rodofíceas do gênero Chondrus. gelificantes e estabilizantes. mucoprotetor em proctologia e adjuvante em dietas hipocalóricas. B. B.

POLISSACARÍDEOS  Agar-ágar: galactano complexo obtido de algas rodofíceas dos gêneros Gellidium. Nabas 11 . por resfriamento. Prof. Ms. regularizando o trânsito intestinal. Contudo. um gel espesso não-absorvível. não-fermentável e atóxico. a principal utilização desse produto é como base para meios de cultura. formando. B. B. Dispersamse coloidalmente em meio aquoso a quente. João Marcelo A. utilizado como laxativo mecânico devido à capacidade de aumentar o volume e hidratação do bolo fecal. Gelidiella e Pterocladia. Gracilaria.

formando amilopectina. Prof. o que torna os polímeros mais vulneráveis ao ataque da α-amilase. que passa inalterado através do intestino delgado. rompendo a estrutura cristalina. ligadas através de ligações α (1  4). altamente ramificada.POLISSACARÍDEOS    Polissacarídeos de vegetais superiores: Polissacarídeos homogêneos: Amido: substância de reserva constituída por moléculas de glicose. Nabas 12 . João Marcelo A. Ms. B. num processo denominado gelificação. O resfriamento permite que parte do amido recristalize. O aquecimento em água torna os grânulos de amido intumescidos. formando amido resistente. B. para formar um polímero linear (amilose) ou através de ligações α (1  4) e α (1  6).

Prof. Essa última é parcialmente digerível no intestino delgado. O amido que resiste à ruptura no intestino delgado passa ao intestino grosso onde atua de maneira similar aos polissacarídeos solúveis. Ms. enquanto que a primeira é totalmente resistente. Nabas 13 .POLISSACARÍDEOS  Amido resistente: é o amido que aparece em certos alimentos (batatas. O amido resistente é constituído por amilose “retrógrada” . B. B. João Marcelo A. milho e banana) que resiste parcialmente à hidrólise enzimática. não sendo totalmente digerido no intestino delgado. na qual a molécula é dobrada sobre si mesma tornando as ligações α (1  4) inacessíveis às αamilases. e amilopectina “retrógrada”.

Esses resultados sugerem que a restrição na densidade energética. tais como. foi demonstrado que a ingestão de amido contendo elevados teores de amilose. Ms. Nabas 14 . B. Mais recentemente. Prof. B. e citado também para fibras alimentares. é um dos modos pelos quais agem sobre certas doenças. na dieta ou em alimentos específicos.POLISSACARÍDEOS  Amido resistente contribui para a manutenção da função normal do cólon. promovida pelo amido resistente. diminui significativamente a glicemia pósprandial e a secreção de insulina e promove maior saciedade em relação ao amido com alto percentual de amilopectina. Assim a ingestão por um longo tempo de amido resistente poderia ser benéfica na prevenção de doença relacionadas com obesidade. João Marcelo A. câncer de mama e Diabetes mellitus não insulino-dependente.

As moléculas glicídicas na celulose apresentam um arranjo das ligações de forma a resistirem à hidrólise enzimática. sendo o principal constituinte das plantas. B. B. constituído em média por 10. Ms.POLISSACARÍDEOS  Celulose: ligada fortemente a outros constituintes da parede celular. João Marcelo A.000 unidades. é formada por um polímero linear de glicose. Nabas 15 . insolúvel em água e com limitada capacidade de retenção hídrica. Prof.

muito menos resistentes à digestão do que a celulose. João Marcelo A. galactanos ácidos. glicuronoarabinogalactanos). Prof. B. homo ou heteropolissacarídeos (arabinoxilanos. galactomananos. não-pécticos e não-celulósicos. B. Macromoléculas extremamente complexas e quimicamente variáveis. Nabas 16 .POLISSACARÍDEOS  Hemicelulose: são polímeros complexos. Ms.

B. parcial ou totalmente dispergíveis em água e insolúveis em solventes apolares. constituindo a chamada “gomose fisiológica”. como caule e raízes e são resultantes de lesões sofridas pelo vegetal devido a traumatismos e ação de microorganismos. Ms. João Marcelo A. Essas substâncias ocorrem em certos órgãos da planta. de natureza polissacarídica. Em outros casos. Prof.POLISSACARÍDEOS   Polissacarídeos heterogêneos: Gomas: compostos de alto peso molecular. B. Nabas 17 . a formação de gomas parece estar relacionada a um processo de adaptação vegetal a certas condições climáticas.

e S.POLISSACARÍDEOS   Quimicamente  ácidos urônicos. e goma adraganta extraída de Astragalus gummifer Labill. Nabas 18 . além de açúcares comuns. Principais gomas (ponto de vista econômico e industrial)  goma arábica (produzida por Acacia senegal (L. Ms. goma gati obtida de Anogeissus latifólia Wall. outras famílias do gênero. João Marcelo A.. família Mimosaceae).. goma caraia (extraída de Sterculia tomentosa Guill.) Willd. et Perr. família Combretaceae. urens Roxb. família Sterculiaceae ou do Cochlospermum gossypium DC... B. Prof. B. família Fabaceae. família Bixaceae).

Nabas 19 . Prof. ácido Dglicurônico (18%) e L-ramnose (12%). com ramificações complexas. constituído de D-galactose (32%). L-arabinose (38%). João Marcelo A.POLISSACARÍDEOS  Goma arábica  constituinte majoritário  polissacarídeo ácido. B. Ms. B.

 Função  reter água para auxiliar na germinação. Nabas 20 . mas podem ocorrer também em outros órgãos do vegetal. são compostas por açúcares comuns) e b) Ácidas (semelhança das gomas. Prof.POLISSACARÍDEOS  Mucilagem: constituintes naturais do vegetal. João Marcelo A. B. Ms.  Classificação: a) Neutras (guar.  Podem ser obtidas de algas ou de vegetais superiores. não sendo indicativas de alterações patológicas da planta. B. ácidos urônicos em sua composição).

Nabas 21 . B. diminuindo a assimilação dos alimentos . João Marcelo A. Tem a propriedade de intumescer em presença de água e formar um gel que não é absorvido pelo organismo. quimiotripsina. dando a sensação de plenitude gástrica. amilase e lipase). retirada das sementes de Ceratonia siliqua L. É também usada em casos de vômitos de recém-nascidos. Ms. Quando administrada antes das refeições.POLISSACARÍDEOS  Outra mucilagem bastante utilizada é a “goma” carouba. família Cesalpiniaceae.. Prof. B. por formar uma película densa em volta dos mesmos e impedir a ação de enzimas responsáveis pela digestão (tripsina. diminui a sensação de fome por suas propriedades espessantes.

em virtude de seus grupos carregados negativamente. cítricos. ainda. Prof. são facilmente gelificáveis e. podendo apresentar intercalações de ramnose. principalmente.POLISSACARÍDEOS  Pectinas (do latim pectos = geléia)  macromoléculas glicídicas. ligam-se a cátions e ácidos biliares. B.  Apresentam considerável capacidade retentora de água. João Marcelo A. constituintes da lamela média das paredes celulares do vegetal abundantes em frutos. arabinose ou xilose e. B. Nabas 22 .  Quimicamente  polímeros de ácido galacturônico. ramificações contendo galactose. podem estar esterificadas por metanol. Ms.

Nabas 23 . A utilização regular de pectinas tem demonstrado sua eficácia no controle de glicemia e colesterolemia e na prevenção de doenças cardiovasculares. na indústria alimentícia. João Marcelo A. B. Prof. como estabilizante e gelificante.POLISSACARÍDEOS  São utilizadas especialmente como reguladores do sistema gastrintestinal e. B. Ms.

Nabas 24 .POLISSACARÍDEOS  4. Ms. B. B. João Marcelo A. PROPRIEDADES POLISSACARÍDEOS: DOS  Degradação bacteriana  não podem ser enzimaticamente degradados no intestino delgado de mamíferos  fermentação é o processo pelo qual a molécula sofre a ação das enzimas bacterianas. Prof. sendo parcial ou completamente degradada no intestino grosso. que possui cerca de 1011 microorganismos por grama de bolo fecal.

B.POLISSACARÍDEOS  Esses microorganismos contribuem para a formação de gases (H2. que são absorvidos no cólon e utilizados como fonte de energia. O2. Prof. Ms. B. João Marcelo A. CH4 e NH3). seguindo pela circulação entero-hepática. Nabas 25 . CO2. ácidos (lático. acético e outros) e ácidos graxos de cadeia curta (AGCC).

B.  Ramnose.POLISSACARÍDEOS  Ácidos graxos de cadeia curta  hexoses  clivadas a piruvato  reduzido  propionato ou convertido a acetil-CoA. ribose. Ms.   hidrolisada  acetato. João Marcelo A. num processo que gera NADH. arabinose e xilose tendem a produzir mais propionato.  Acetil-CoA  reduzida  butirato. B. Prof. Nabas 26 . A predominância de um determinado ácido graxo de cadeia curta vai influenciar nos efeitos metabólicos dos polissacarídeos. enquanto que o sorbitol. ácido galacturônico e ácido glicurônico produzem mais butirato.

o que pode conduzir a uma viscosidade do conteúdo do intestino delgado a apresentar. todas. João Marcelo A. Prof. Nabas 27  . uma grande capacidade de retenção hídrica.POLISSACARÍDEOS   Capacidade de retenção hídrica  presença de açúcares com grupamentos polares livres. Ms. em menor extensão. Presumivelmente. As pectinas. efeitos críticos na absorção de nutrientes. esta absorção é retardada pela difusão desses nutrientes hidrossolúveis na matriz gelatinosa e pelo aumento da viscosidade do conteúdo intestina. A hidratação das moléculas resulta na formação de uma matriz gelatinosa. as hemiceluloses. B. B. apresentam. então. as mucilagens e.

Nabas 28 . B. especialmente. apresentada por essas moléculas. João Marcelo A. B. Ms.POLISSACARÍDEOS  Adsorção de moléculas orgânicas  ácidos biliares. o colesterol e alguns compostos tóxicos são adsorvidos. pelas pectina e outros polissacarídeos ácidos. Prof.  Troca de cátions  a disponibilidade reduzida de alguns minerais e a baixa absorção de eletrólitos associadas à ingestão de alguns polissacarídeos estão diretamente relacionadas com a capacidade em trocar cátions.

Nabas 29 .POLISSACARÍDEOS  IMPACTO FISIOLÓGICO DOS POLISSACARÍDEOS:  A tabela 1 mostra o efeito fisiológico dos polissacarídeos em diversos órgãos. Prof. João Marcelo A. B. Ms. B.

Aumento da excreção de sais biliares e redução dos níveis de colesterol. aumento do número de bactérias. B. Ca. Fonte: Waitzberg. diminuição da absorção de Zn. B. redução do pH do suco duodenal. Fe. redução da pressão do lúmen intestinal e alterações em atividades enzimáticas. Intestino delgado e cólon Pâncreas Fígado Redução da secreção da lipase e da amilase. 1995. Alteração da velocidade do trânsito intestinal. Ms. Prof. João Marcelo A. aumento da viscosidade do suco duodenal e aumento da saciedade pósprandial. Mg e P. aumento do volume fecal.POLISSACARÍDEOS TABELA 1 Impacto fisiológico dos polissacarídeos em diversos órgãos Efeitos Fisiológicos Órgãos Estômago e duodeno Retardamento do esvaziamento gástrico. Nabas 30 .

mucilagens e pectinas à dieta. B. B. Nabas 31 . João Marcelo A.POLISSACARÍDEOS  APLICAÇÕES CLÍNICAS POLISSACARÍDEOS: DE  Supressão do apetite: alimentos fibrosos são digestão mais lenta e resultam numa maior e mais duradoura sensação de saciedade. Ms. Essa característica tem sido aproveitada terapeuticamente na adição de algumas gomas. Prof.

num pequeno número de pacientes. Retardar o esvaziamento gástrico e diminuir a absorção de glicose dos alimentos. B. através da ingestão de pectinas. João Marcelo A. Ms. Nabas 32 . Prof. A entrada precipitada de glicose e outras moléculas de baixo peso molecular no intestino delgado está também associada ao rápido influxo de fluidos para o jejuno. seguindo gradientes osmóticos e levando a uma perda de fluido do compartimento plasmático. B. pode prevenir esta hipoglicemia e. através do retardamento do trânsito par o ceco. associada a uma rápida elevação da glicose sanguínea e seguida por uma hipoglicemia “rebote”. produzir uma síndrome caracterizada por um esvaziamento rápido do conteúdo gástrico. prevenir a má absorção de glicose.POLISSACARÍDEOS  Retardamento do esvaziamento gástrico: procedimentos como gastrectomia (excisão parcial do estômago) ou gastroenterostomia (excisão parcial do estômago e do intestino) podem.

que tem importante influência sobre a proliferação os colonócitos (células do cólon). como potencial ação carcinogênica. João Marcelo A. B. da concentração de ácido biliares. B. Mais recentemente as atenções têm sido direcionadas para a alteração na biodisponibilidade do butirato (AGCC) luminal. a ação de certos polissacarídeos na prevenção de câncer colo-retal era atribuída à diluição e redução do tempo de permanência de potentes substâncias carcinogênicas no intestino e à diminuição. Ms.POLISSACARÍDEOS  Prevenção de câncer colo-retal: a alta incidência de câncer de intestino em populações submetidas a dietas pobres em fibras tem estimulado a proposição de muitas teorias. Prof. Inicialmente. por degradação bacteriana. Nabas 33 .

Além disso. Esse efeito se deve à aceleração do trânsito colônico e ao aumento da excreção de ácidos biliares. Prof. B. Nabas 34 . Ms. que podem (particularmente o propionato) inibir a síntese hepática de colesterol. a fermentação leva à produção de AGCC. João Marcelo A.POLISSACARÍDEOS  Efeitos hipocolesterolêmico: um dos efeitos potencialmente mais importantes de dietas ricas em polissacarídeos heterogêneos é a capacidade de redução dos níveis séricos de colesterol. B.

B. João Marcelo A.POLISSACARÍDEOS  Efeito hipoglicêmico: o efeito hipoglicêmico observado pela administração de polissacarídeos complexos deve-se. que reduz a ação das amilases na hidrólise do amido e também impede a absorção da glicose presente no bolo alimentar. Ms. B. Prof. especialmente. à formação de uma matriz gelatinosa. Nabas 35 .

creatinina. a excreção urinária de uréia. Nabas 36 . além de um rigoroso controle da pressão arterial. mais recentemente. o uso de alguns polissacarídeos fermentáveis.POLISSACARÍDEOS  Redução dos níveis de uréia plasmática na insuficiência renal crônica: na insuficiência renal crônica (IRC). Ms. a dieta hipoproteica e. B. O emprego desses últimos propicia a diminuição das concentrações de uréia. ácido úrico e outros metabólitos é deficiente. João Marcelo A. Prof. desenvolvendo-se uremia. Entre as intervenções que podem retardar a evolução da doença destacam-se. atenuando os sintomas clínicos e retardando a progressão da doença. B.

uma vez que. Dessa forma.POLISSACARÍDEOS  A utilização de polissacarídeos mostra-se eficiente na redução da azotemia. Nabas 37 . na ausência de excedentes de proteínas. entretanto. as bactérias utilizam a uréia plasmática como fonte de nitrogênio. visando a aumentar a excreção fecal de metabólitos nitrogenados em pacientes com IRC. pode ser uma terapia adjunta benéfica. especialmente. por promover a fermentação. B. processo através do qual as bactérias colônicas utilizam o nitrogênio endógeno e exógeno para sua síntese protéica. por impedir a absorção de metabólitos protéicos e servir como veículo para a eliminação destes nas fezes e. uma dieta rica em polissacarídeos fermentáveis. João Marcelo A. Prof. Esse procedimento. Ms. é mais efetivo quando os polissacarídeos são administrados concomitantemente a uma dieta hipoprotéica. B.

ferro e cálcio. A capacidade desses polissacarídeos em trocar íons. Nabas 38 . tais como ácido ascórbico (vitamina C) e a cianocobalamina (vitamina B12). dores abdominais. zinco. B. Tais efeitos manifestam-se. provocadas pelos produtos de degradação microbiana dos polissacarídeos (AGCC. os polissacarídeos não são desprovidos de efeitos adversos. além de importante para explicar a teoria de ligação dos ácidos biliares. Vitaminas. B. de modo geral. hidrogênio e metano). Ms. Prof.POLISSACARÍDEOS   EFEITOS ADVERSOS: Embora não sejam digeridos pelo aparelho digestivo humano. como distúrbios no trato gastrintestinal. podem ter sua absorção prejudicada de forma considerável. que promove seu efeito hipocolesterolemiante. principalmente. tais como. conduzindo a elevada excreção fecal destes compostos. e à diminuição da absorção de alguns eletrólitos. João Marcelo A. náuseas e flatulência. pode também estar relacionada à reduzida biodisponibilidade de alguns minerais. gás carbônico.

POLISSACARÍDEOS  A propriedade dos polissacarídeos de modular a resposta glicêmica pode provocar. pode originar obstruções esofagiana. apesar de transitórios. A absorção de proteínas pode. Prof. Nabas 39 . em indivíduos nãodiabéticos. em virtude da intensidade dos mesmos. B. B. por exemplo em dosagem acima daquela recomendada. podem fazer com que a terapia seja interrompida ou que a quantidade administrada de polissacarídeos seja reduzida.  Efeitos como flatulência. gástrica ou do intestino delgado. também. João Marcelo A. O uso de modo indevido de polissacarídeos que formam dispersões viscosas. hipoglicemia. desaparecendo à medida que o tratamento prossegue. ser prejudicada. Ms. desconforto abdominal e náuseas.

Além disso. metformina (hipoglicemiante oral do grupos das biguanilas). B. respectivamente). contraceptivos orais. uma mistura contendo caulim e pectina. clindamicina e bumetanida (antiinflamatório não-esteroidal). Estudos demonstraram que. Ms. alguns outros fármacos como fenoximetilpenicilina.POLISSACARÍDEOS   INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS: Os polissacarídeos não-amiláceos interagem com vários fármacos. João Marcelo A. tais como paracetamol. Nabas 40 . Prof. retardando a absorção dos mesmos. B. ao ser administrada simultaneamente com tetraciclina ou digoxina. leva uma redução da biodisponibilidade destes fármacos (20 a 50% e cerca de 60%. propanolol e algumas formas farmacêuticas contendo glibenclamida (hipoglicemiante oral do grupo das sulfoniluréias) podem ter sua absorção reduzida.

Prof. absorvida em menor grau quando administrada juntamente com pectinas.POLISSACARÍDEOS  A lincomicina parece ser adsorvida. A quinidina também pode ter sua absorção diminuída quando for administrada concomitantemente com suspensão contendo caulim e pectina. João Marcelo A. A amoxicilina tem sua velocidade de absorção alterada. acredita-se que o principal responsável seja o caulim. Nesse caso. sendo. por uma suspensão de caulim e pectina. embora a pectina aumente a eficiência do fenômeno de adsorção do fármaco. Ms. B. quantitativamente. a julgar pela redução de 90% da biodisponibilidade relativa deste antibiótico.  A administração simultânea de goma guar e de trimetropima provoca uma redução da absorção desse fármaco. irreversivelmente. Nabas 41 . B.

João Marcelo A. B. como por exemplo. por envolverem processos de adsorção. em alguns casos. B. a substituição da forma farmacêutica pode diminuir esse efeito dos polissacarídeos. Prof. Em alguns outros casos.POLISSACARÍDEOS  Embora as interações entre polissacarídeos e outros fármacos não sejam poucas e. A redução de 6 a 7% na absorção de digoxina em cápsulas é menor do que aquela relatada para comprimidos. Nabas 42 . Ms. a maior parte delas. com a digoxina. dotadas de certo significado terapêutico. pode ser evitada através da ingestão intercalada dos medicamentos e dos polissacarídeos.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful