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TÉCNICAS

CONSTRUTIVAS I

FUNDAÇÕES Parte - 02

Prof. Sérgio Bezerra de Sant’ Anna


Fundações: Tubulões

 A seqüência de fotos mostra a escavação manual de tubulão a céu aberto tipo poço:
escavação do fuste; alargamento da base; lastro de concreto magro; colocação da
armadura de tração e do fuste e concretagem.
Fundações:
Tubulões
 Tubulões são elementos estruturais
da fundação que transmitem a carga
ao solo resistente por compressão,
através da escavação de um fuste
cilíndrico e uma base alargada
tronco-cônica a uma profundidade
igual ou maior do que três vezes o
seu diâmetro.

 De acordo com o método de sua


escavação, os tubulões se classificam
em:

 Tubulões a céu aberto

 Consiste em um poço aberto


manualmente ou mecanicamente em
solos coesivos, de modo que não haja
desmoronamento durante a
escavação, e acima do nível d’água.
O fuste é escavado até a cota
Fundações:
Tubulões
 Quando há tendência de
desmoronamento, reveste-
se o furo com alvenaria de
tijolo, tubo de concreto ou
tubo de aço.

 Na figura ao lado aplica-se


manualmente um
revestimento em anéis de
concreto armado que vai se
enterrando no solo pela
ação do seu
O tubulão à peso próprio.
céu aberto é o mais simples, resulta de um poço perfurado
manualmente ou mecanicamente. Seu emprego é limitado para solos coesivos e
acima do nível d'água.
Existem vários sistemas utilizados: No sistema de poço simples a escavação é feita
manualmente e sem revestimento; no sistema de poço revestido a escavação é
feita manualmente e revestida com anéis pré-moldados de concreto; no sistema de
poço mecanizado a escavação é feita mecanicamente (perfuratriz tipo hélice), sem
revestimento; no sistema Chicago a escavação é feita manualmente, em etapas, as
paredes são escoradas com pranchas verticais ajustadas por meio de anéis de aço;
no sistema Benoto a escavação é feita mecanicamente através de cavador clam
shell que penetra em um revestimento tubular de aço cravado por rotação; e, no
Fundações: Tubulões

 Seqüência de fotos que mostram a escavação de um sistema poço mecanizado


(perfuratriz do tipo hélice) e concretagem do tubulão
Fundações:
Tubulões
Equipamento para escavação de tubulão clamshell e tremonha para
lançamento de concreto
Fundações: Tubulões

 Tubulões com ar comprimido


Este tipo de fundação é utilizado quando existe
água, exige-se grandes profundidades e existe o
perigo de desmoronamento das paredes. Neste
caso, a injeção de ar comprimido nos tubulões
impede a entrada de água, pois a pressão interna é
maior que a pressão da água, sendo a pressão
empregada no máximo de 3 atm, limitando a
profundidade em 30m abaixo do nível d’água.
Isso permite que seja executados normalmente os
trabalhos de escavação, alargamento do fuste e
concretagem.
O equipamento utilizado compõe de uma câmara
de equilíbrio e um compressor. Durante o
trabalho sob o regime a compressão, o pulmão
humano absorve mais gases do que na pressão
normal, que se liquefazem no sangue. Se a
descompressão for feita muito rapidamente, o gás
absorvido em excesso e liquefeito no sangue pode
se transformar em bolhas, que por sua vez podem
provocar dores e até morte por embolia. Para
evitar esse problema, antes de passar à pressão
normal, os trabalhadores devem sofrer um
processo de descompressão lenta (nunca inferior
a 15 minutos) numa câmara de emergência.
Fundações: Tubulões

 Abaixo, dois modelos simples de equipamento pressurizado para escavação de


tubulões
Fundações: Tubulões

Ao fundo dois tubulões já prontos, na


frente um tubulão concretado ainda com
a campânula de ar comprimido
Fundações: Estacas

Estacas

As estacas são peças estruturais


alongadas, de formato cilíndrico ou
prismático, que são cravadas (pré-
fabricadas) ou confeccionadas no
local (in loco), com as seguintes
finalidades:
a) transmissão de cargas a
camadas profundas do terreno;
b) contenção dos empuxos de
terras ou de água (estaca prancha);
c) compactação de terrenos.
As estacas recebem, da obra que
suportam, esforços axiais de
compressão.
A estes esforços elas resistem, seja
pela atrito das paredes laterais da
estaca contra o solo, seja pelas
reações exercidas pelo solo
resistente sobre a ponta da peça.
Conforme a estaca resista apenas
Fundações: Estacas

 A figura ao lado ilustra definições


dadas no quadro anterior, em relação
ao modo de trabalhar das estacas:
a) a capacidade resistente da estaca
se compõe de duas parcelas: atrito
lateral e de ponta;
b) a estaca é carregada na ponta,
trabalhando pois como pilar;
c) ela resiste pelo atrito lateral: é a
estaca flutuante;
d) a estaca atravessa um terreno que
se adensa sob seu peso próprio, ou
sob a ação de uma camada de aterro
sobrejacente, produzindo o fenômeno
do atrito negativo, isto é, o solo em
vez de se opor ao afundamento da
estaca, contrariamente, vai pesar
sobre ela favorecendo assim a sua
penetração no solo.
Quanto a posição, as estacas podem
ser verticais e inclinadas
Fundações: Estacas

Os blocos de coroamento
têm também a função de
Ø= diâmetro
absorver os momentos
da estaca
produzidos por forças
horizontais, excentricidade
UMA ESTACA DUAS ESTACAS TRÊS ESTACAS QUATRO ESTACAS ...

e outras solicitações, a
esquerda temos uma vista
em planta baixa.

A direita temos dois cortes


exemplificativos de blocos onde
podemos ver esquematicamente
o detalhamento das armaduras
do bloco e das estacas que
devem penetrar no bloco e se
fundir com ele.
Fundações: Estacas Brocas

 Estacas Brocas
 Estas estacas são executadas por uma ferramenta simples denominada broca (trado de concha ou
helicoidal - um tipo de saca rolha), que pode atingir até 6 metros de profundidade, com diâmetro
variando entre 15 a 25 cm, sendo aceitáveis para pequenas cargas, ou seja, de 4000 kgf a 10.000
kgf. Recomenda-se que sejam executadas estacas somente acima do nível do lençol freático, para
evitar o risco de estrangulamento do fuste. Devido ao esforço de escavação exigido são
necessárias duas pessoas para o trabalho.
 O espaçamento entre as estacas brocas numa edificação não pode ultrapassar 4 metros e devem
ser colocadas nas interseções das paredes e de forma eqüidistante ao longo das paredes desde
que menor ou igual ao espaçamento máximo permitido.
 Na figura ao abaixo a esquerda pode-se ver um exemplo da distribuição das estacas brocas numa
edificação de pequeno porte.
Fundações: Estacas brocas

 Roteiro para execução de estacas brocas


a) Escavação ou perfuração: utilizando trado manual (tipo concha ou helicoidal),
usando de água para facilitar a perfuração;
b) Preparação: depois de atingir a profundidade máxima, promover o apiloamento
do fundo, executando um pequeno bulbo com pedra britada 2 ou 3, com um pilão
metálico;
c) Concretagem: Preencher todo o furo com concreto (traço 1x3x4), promovendo o
adequado adensamento, tomando cuidados especiais para não contaminar o
concreto (utilizar uma chapa de compensado com furo para o lançamento do
concreto para proteger a boca do furo);
d) Colocação das esperas: fazer o acabamento na cota de arrasamento desejada,
fixando os arranques para os baldrames.
Fundações: Estacão

 Estacão
 Com uso crescente na construção civil em
função de sua rapidez, o estacão (uma
derivação das estacas brocas) tem o processo
de perfuração executado por meio de
escavadeiras hidráulicas equipadas com
trados de diâmetro de 25 cm. Todos os
cuidados relativos às estacas brocas devem
ser observados na execução do estacão,
principalmente no que diz respeito a
integridade da estaca na fase de concretagem.
Fundações: Estacas Hélice

A estaca hélice contínua é uma estaca


de concreto moldada "in loco", executada
por meio de trado contínuo e injeção de
concreto através da haste central do trado
simultaneamente a sua retirada do terreno.

A perfuração consiste em fazer a hélice


penetrar no terreno por meio de torque
apropriado para vencer a sua resistência.
A haste de perfuração é composta por uma
hélice espiral solidarizada a um tubo
central, equipada com dentes na
extremidade inferior (ver foto no próximo
slide) que possibilitam a sua penetração no
terreno.
A metodologia de perfuração permite a
sua execução em terrenos coesivos e
arenosos, na presença ou não do lençol
freático e atravessa camadas de solos
resistentes com índices de STP`s acima de
50 dependendo do tipo de equipamento
utilizado.
A velocidade de perfuração produz em
média 250m por dia dependendo do
Fundações: Estacas Hélice

Alcançada a profundidade desejada, o


concreto é bombeado através do tubo
central no eixo da hélice (fotos ao
lado), preenchendo simultaneamente
a cavidade deixada pela hélice que é
extraída do terreno sem girar ou
girando lentamente no mesmo sentido
da perfuração.
O concreto normalmente utilizado
apresenta resistência característica fck
de 18 Mpa, é bombeável e composto
de areia, pedriscos ou brita 1 e
consumo de cimento de 350 a 450
Kg/m3, sendo facultativa a utilização
de aditivos.
O abatimento ou "Slump" é mantido
entre 200 e 240mm. Normalmente é
utilizada bomba de concreto ligada ao
equipamento de perfuração através de
mangueira flexível. O preenchimento
Fundações: Estacas Hélice

 O método de execução da estaca hélice


contínua exige a colocação da armação
após a sua concretagem.
A armação, em forma de gaiola, é
introduzida na estaca por gravidade ou
com o auxílio de um pilão de pequena
carga ou vibrador. As estacas
submetidas a esforços de compressão
levam uma armação no topo, em geral
de 2 a 5,5m de comprimento. No caso
de estacas submetidas a esforços
transversais ou de tração, somente
será possível para comprimentos de
armações de no máximo 16m, em
função do método construtivo. No caso
de armações longas, as "gaiolas"
devem ser constituídas de barras
grossas e estribo espiral soldado na
Fundações: Estacas Strauss

Estas estacas abrangem a faixa de


carga compreendida entre 20.000 e
40.000 kgf, com diâmetro variando
entre 25 e 40 cm. Uma estaca do
tipo strauss com diâmetro de 25 cm
pode suportar até 20 toneladas, de
32 cm até 30 t e de 38 cm chega a
suportar 40 t.

A execução requer um
equipamento constituído de um
tripé de madeira ou de aço, um
guincho acoplado a um motor
(combustão ou elétrico), uma sonda
de percussão munida de válvula em
sua extremidade inferior, para a
retirada de terra, um soquete com
aproximadamente 300 kg,
tubulação de aço com elementos de
2 a 3 metros de comprimento,
rosqueáveis entre si, um guincho
Fundações: Estacas Strauss

 A estaca strauss apresenta


vantagem de leveza e simplicidade
do equipamento que emprega, o que
possibilita a sua utilização em locais
confinados, em terrenos acidentados
ou ainda no interior de construções
existentes, com o pé direito
reduzido. Outra vantagem
operacional é de o processo não
causa vibrações que poderiam
provocar danos nas edificações
vizinhas ou instalações que se
encontrem em situação
relativamente precária.

 Como característica principal, o


sistema de execução usa
revestimento metálico recuperável,
de ponta aberta, para permitir a
escavação do solo, podendo ser em
solo seco ou abaixo do nível d'água,
Fundações: Estacas Strauss

 Processo executivo das estacas


strauss
a) centraliza-se o soquete com o piquete
de locação, perfura-se com o soquete a
profundidade de 1,0 m, furo este que
servirá para a introdução do primeiro tubo,
que é dentado na extremidade inferior
(chamado de coroa), cravando-o no solo;
b) a seguir é substituída pela sonda de
percussão, que por meio de golpes, captura
e retira o solo;
c) quando a coroa estiver toda cravada é
rosqueado o tubo seguinte e assim
sucessivamente até atingir a camada de
solo resistente, providenciando sempre a
limpeza da lama e da água acumulada
dentro do tubo;
d) substituindo-se a sonda pelo soquete, é
lançado no tubo, em quantidade suficiente
para ter-se uma coluna de 1,0 m, o
concreto meio seco;
e) sem tirar a tubulação, apiloa-se o
concreto formando um bulbo e na
seqüência executa-se o fuste lançando-se o
concreto sucessivamente em camadas
Fundações: Estaca Simplex

Neste tipo de estaca a descida do


tubo é feita por cravação e não por
perfuração como é feita na estaca
strauss. Este tubo é espesso e provido
de uma ponteira metálica
(recuperável) ou elemento pré-
moldado de concreto (perdido na
concretagem), para impedir a entrada
de solo no interior do tubo.

Durante a descida do tubo, utilizamos


um pequeno peso, servindo de sonda,
que fica suspenso dentro do molde
por uma roldana presa ao topo do
mesmo. Desta maneira, temos um
modo de verificar, se a ponteira de
concreto permanece intacta, durante
a cravação.

Alcançada a profundidade desejada,


enche-se o tubo até o topo com
concreto plástico e, por um
movimento lento, mas contínuo,
Fundações: Estacas Franki

 Estas estacas abrangem a faixa de


carga de 5.000 a 30.000 kgf e seu
progresso executivo consiste na
cravação de um tubo com ponta
fechada e execução de base
alargada, causando muita vibração,
podendo provocar danos nas
construções vizinhas.
 Na execução, crava-se o tubo no
solo, logo a seguir se derrama uma
quantidade de concreto quase seco,
apiloado por meio de um pesado
maço, de modo a formar um tampão,
para impedir a entrada d'água e solo
no interior do tubo, que é arrastado e
obrigado a penetrar no terreno.
 Alcançado a profundidade desejada,
imobiliza-se o tubo e com percussões
energéticas destaca-se o tampão, o
qual junto com uma carga de
concreto é apiloada no terreno para a
formação do bulbo.
 Logo após lançam-se novas
quantidades de concreto que se
apiloa ao mesmo tempo em que se
Fundações: Estacas Franki

 Ao contrário das estacas pré-


moldadas, estas estacas são
recomendadas para o caso da camada
resistente encontra-se a profundidade
variáveis. Também no caso de
terrenos com pedregulhos ou
pequenos matacões relativamente
dispersos, pode-se utilizar esse tipo de
estacas. A forma rugosa do fuste
garante boa aderência ao solo
(resistência por atrito). Havendo a
ocorrência de camada de argila rija
poderá haver deslocamento da estaca
já concretada por compressão lateral.
Nesse caso a solução é atravessar a
Fundações: Estacas Franki

 As fotos mostram
uma seqüência
de operações
para execução de
uma estaca
Franki