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Desenvolvimento Infantil Spitz, Winnicott e Melanie Universidade do Vale do Rio dos Sinos Curso de Psicologia
Desenvolvimento Infantil Spitz, Winnicott e Melanie
Desenvolvimento Infantil
Spitz, Winnicott e Melanie

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Curso de Psicologia Psicologia da Criança I Profª Marcia Inez Luconi Viana

René Spitz (1887-1974) • Abordagem metapsicológica; • Pontos de vista estrutural e genético; • Princípios de
René Spitz (1887-1974)
René Spitz
(1887-1974)
René Spitz (1887-1974) • Abordagem metapsicológica; • Pontos de vista estrutural e genético; • Princípios de

Abordagem metapsicológica; Pontos de vista estrutural e genético; Princípios de base do funcionamento psíquico e teoria da libido.

Conceitua as etapas da gênese da relação objetal e da comunicação humana distinguindo três fases do

desenvolvimento da primeira infância:

  • 1. Fase pré-objetal ou sem objeto

  • 2. Fase do precursor do objeto

  • 3. Fase do objeto libidinal propriamente dito

1. Fase pré-objetal ou sem objeto
1.
Fase pré-objetal ou sem objeto
1. Fase pré-objetal ou sem objeto  O bebê ignora o mundo ao seu redor -
  • O bebê ignora o mundo ao seu redor - não reconhece o objeto libidinal. Não tem atividade psíquica e os afetos são indiferenciados e caóticos;

  • O objetivo do bebê é atingir o prazer. Quando está em desequilíbrio, devido a estímulos externos ou internos, ele reage às excitações negativas chorando (processo de descarga para reduzir o desprazer e permitir a quietude);

  • "Princípio de Nirvana" ao suprimir a insatisfação e trazer o prazer;

  • A boca e as mãos são fontes de percepções e experiências que permitem a constituição de um dos núcleos iniciais do Ego;

  • Durante esta fase narcísica, as pulsões libidinais e agressivas não estão ainda diferenciadas.

2. Fase do precursor do objeto
2. Fase do precursor do objeto
  • A partir dos dois meses: percepto visual mais reconhecido pelo bebê é a face humana. É quando ele sorrirá para uma face, não lhe importando que seja familiar ou não.

2. Fase do precursor do objeto  A partir dos dois meses: percepto visual mais reconhecido
  • Para Spitz, como nessa

fase o bebê ainda não consegue

distinguir uma imagem entre outras, o objeto libidinal não é

ainda estabelecido.

  • Conseqüências evolutivas do estabelecimento do primeiro precursor do objeto.

  • Nesta fase,

o

bebê

passa

possibilidade de ação dirigida.

de um estado ativo a uma

  • Graças à existência de frustrações repetidas acompanhadas de contentamentos, o bebê poderá adquirir uma autonomia cada vez maior.

P or volta do sexto mês , a integração de traços mnémicos, sob a ingerência crescente

Por volta do sexto mês,

a integração de traços

mnémicos, sob

a

ingerência

crescente

do

Ego,

permitirá a síntese de imagens de pré-objetos, bom e

mau, para produzir a imagem materna única em direção a qual as pulsões agressivas e libidinais se orientam.

O entrelaçamento dessas duas pulsões, dirigindo-se à pessoa mais investida afetivamente, faz surgir o objeto libidinal propriamente dito.

P or volta do sexto mês , a integração de traços mnémicos, sob a ingerência crescente
3. Fase do objeto libidinal propriamente dito • Ansiedade do oitavo mês → a criança começa
3. Fase do objeto libidinal propriamente dito
Ansiedade do oitavo mês → a criança começa a "estranhar" os
rostos dos desconhecidos, pois os confronta com o de sua mãe.
Essa manifestação de ansiedade indica o prenúncio do segundo
organizador psíquico que faz aparecer o estabelecimento de uma
verdadeira relação objetal: a mãe tornou-se objeto libidinal.

O Ego se estrutura e delimita suas fronteiras com o Id de um lado e o mundo exterior do outro.

O bebê progride nos setores perceptivo, motor e afetivo, começa a

reconhecer coisas inanimadas, e a demonstrar ciúme, cólera,

possessão, afeição, alegria, etc.

Amplia suas relações com os outros, tornando-se cada vez mais independente de sua mãe.

Melanie Klein (1882 - 1960) • Pioneira no desenvolvimento da psicanálise infantil ; • Introduziu os
Melanie Klein (1882 - 1960) • Pioneira no desenvolvimento da psicanálise infantil ; • Introduziu os

Melanie Klein (1882 - 1960)

Melanie Klein (1882 - 1960) • Pioneira no desenvolvimento da psicanálise infantil ; • Introduziu os

Pioneira no desenvolvimento da psicanálise infantil;

Introduziu os jogos infantis e brinquedos nos processos terapêuticos;

Primeira a descrever os vários estados psicológicos do desenvolvimento das crianças

Melanie Klein (1882 - 1960) • Pioneira no desenvolvimento da psicanálise infantil ; • Introduziu os

Conceito de Posição

Melanie Klein (1882 - 1960) • Pioneira no desenvolvimento da psicanálise infantil ; • Introduziu os

“Algumas Conclusões Teóricas Sobre a

Vida Emocional dos Bebês” (1952)

Angústia

Melanie Klein (1882 - 1960) • Pioneira no desenvolvimento da psicanálise infantil ; • Introduziu os

Posições esquizo-paranóide e Depressiva.

A dor e o incômodo experimentados pelo bebê, assim como a perda do estado intra-uterino, são sentidos como um ataque de forças hostis.

Acredita que as primeiras experiências do bebê com a alimentação e com a presença da mãe iniciam uma relação de objeto com ela. Primeiramente, uma relação com um objeto parcial - o seio da mãe - o qual passa a ser o representante do instinto de morte.

1. Posição Esquizo-paranóica (0 - 3 meses de idade)
1.
Posição Esquizo-paranóica (0 - 3 meses de idade)

O instinto de morte

está muito

forte,

pois ela

sente que irá

morrer se demorarem em dar leite. Nesta fase ela sente ódio e angústia se suas necessidades não são atendidas na hora. Aqui temos a identificação projetiva, onde a criança se projeta num objeto e acredita que ela é o objeto. Predomina a ansiedade

1. Posição Esquizo-paranóica (0 - 3 meses de idade) O instinto de morte está muito forte,

persecutória.

2. Posição Depressiva (3 - 6 meses de idade)
2.
Posição Depressiva (3 - 6 meses de idade)

Sente culpa por ter odiado ou por ter agredido a mãe. Medo da perda. O ciúme aparece. Surgem as defesas e a ambivalência, onde o amor e o ódio estão juntos, criando um conflito. Se houver algum trauma psíquico nesta fase, teremos o surgimento do sentimento de culpa, o que gera uma tensão máxima e um desejo de agredir. Tal desejo será repreendido e a criança tende a introjetar essa interdição e voltar toda agressividade para ela mesma.

da criança em interação com ambiente; o meio Donald W. Winnicott (1896-1971) • Preocupou-se em explicar
da criança em interação com ambiente; o meio Donald W. Winnicott (1896-1971) • Preocupou-se em explicar

da criança em interação com ambiente;

o

meio
meio

Donald W. Winnicott (1896-1971)

Preocupou-se em explicar o desenvolvimento

seu

Para ele o brinquedo não no sentido de jogo, mas sim no sentido de "atividade" é o mais importante. É no brincar e quem sabe apenas quando brinca é que a criança ou o adulto permanece livre para se mostrar inventivo;

Se ateve particularmente à díade mãe-filho. Estudava as relações e suas conseqüências sobre o desenvolvimento do lactente, desde os

primeiros momentos de vida.

Dependência
Dependência
Preocupação Materna Primária
Preocupação Materna Primária

Relação mãe-filho

Preocupação Materna Primária Relação mãe-filho Estado definido como "doença normal“ que permite à mãe atingir progressivamente
Preocupação Materna Primária Relação mãe-filho Estado definido como "doença normal“ que permite à mãe atingir progressivamente

Estado definido como "doença normal“ que permite à mãe atingir progressivamente um grau de sensibilidade aumentada que permanece ao longo das primeiras semanas que se seguem ao nascimento da criança.

No inicio, o Ego da criança é ao mesmo tempo forte e fraco. A PMP condiciona o começo da estruturação do Ego; esta deve incidir num "sentimento contínuo presumido de existir", não interrompido por reações a influências externas.

Papel de espelho: Trata-se da função de suporte que o Ego da mãe assegura junto ao Ego do filho (relação com o Ego). Quando o bebê no seio olha o rosto da mãe, ele se vê de alguma forma "em reflexo" na face materna Identificação Primária.

Preocupação Materna Primária Relação mãe-filho Estado definido como "doença normal“ que permite à mãe atingir progressivamente

A experiência que a criança está vivendo se repetirá e ganhará cada vez mais sentido estendendo-se progressivamente de uma dimensão simbólica para um sentimento de realidade Início do processo de separação do não-Eu e Eu.

Preocupação Materna Primária Relação mãe-filho Estado definido como "doença normal“ que permite à mãe atingir progressivamente

Caso a mãe falhe no seu papel de espelho, a própria capacidade criativa da criança atrofia-se, ela não recebe nenhum reflexo de si mesma e o inicio de troca com o mundo exterior fica impossibilitado.

Winnicott aborda três perspectivas nas quais o ambiente deve intervir para permitir a maturação do ego

Winnicott aborda três perspectivas nas quais o ambiente deve intervir para permitir a maturação do ego da criança. São elas:

Holding → modo como a criança é segurada; Handling → maneira como ela é tratada, manipulada, cuidada; Object-presenting → modo de apresentação do objeto.

Winnicott aborda três perspectivas nas quais o ambiente deve intervir para permitir a maturação do ego
Winnicott aborda três perspectivas nas quais o ambiente deve intervir para permitir a maturação do ego
Winnicott aborda três perspectivas nas quais o ambiente deve intervir para permitir a maturação do ego

Ele dedicou-se mais particularmente ao holding, pois para ele, a forma física de a mãe segurar a criança é à base de todos os aspectos mais complexos em geral.

O holding tem essencialmente uma função de proteção contra todas as experiências freqüentemente angustiantes, que são vividas desde o nascimento, sejam de natureza psicológica, sensorial, ou que digam respeito à vivência psíquica do corpo.

Compreende toda a rotina de cuidados cotidianos que necessitam de uma evolução e uma adaptação progressiva.

Se o holding é assegurado de modo adequado e regular, o sentimento contínuo de existir do bebê é preservado e a maturação do lactente é então possível.

Para Winnicott, esta maturação se faz segundo três esquemas principais:

Para Winnicott, esta maturação se faz segundo três esquemas principais: a. O processo de "integração" ,
  • a. O processo de "integração", que conduz a criança a um estado de unidade. É a constituição do Eu e do "self", conseqüente ao holding;

  • b. “Personalização" ou a "inter-relação psicossomática", isto é, a instalação da psique na soma e o desenvolvimento do funcionamento mental. Efeitos do handling;

  • c. Edificação das "primeiras relações objetais" que levam à capacidade de utilizar o objeto. É determinado pelo modo pelo qual o ambiente apresenta a realidade exterior à criança.

Estes três processos estão intrincados e participam na constituição do Ego. Permitem também à criança chegar ao que Winnicott chama de

"capacidade de estar só".

Para Winnicott, esta maturação se faz segundo três esquemas principais: a. O processo de "integração" ,
Winnicott ainda dividiu a evolução da relação mãe-filho em três fases:
Winnicott ainda dividiu a evolução da relação mãe-filho em três fases:

Dependência absoluta: Cuidados maternos, corresponde aos cinco primeiros meses. A criança está em fusão com sua mãe, e quanto mais esta compreende exatamente as necessidades de seu filho, melhor este se desenvolve.

Winnicott ainda dividiu a evolução da relação mãe-filho em três fases: Dependência absoluta : Cuidados maternos,
Winnicott ainda dividiu a evolução da relação mãe-filho em três fases: Dependência absoluta : Cuidados maternos,

Dependência relativa: Entre o sexto mês e o fim do primeiro ano, já está esboçada desde o quarto mês, de modo variável. É ao longo deste período que a criança diferencia-se progressivamente de sua mãe. Torna-se capaz de estabelecer uma relação objetal e, por este fato, cabe a ela dar um sinal para chamar sua mãe. É importante que esta compreenda a necessidade da criança de manifestar um sinal antes que ela satisfaça sua necessidade. A criança começa a "ser consciente da dependência".

A necessidade da mãe torna-se progressivamente consciente, sendo que se desenvolve o inicio de uma "compreensão intelectual", que vai do simples reflexo condicionado à compreensão da linguagem, passando por todos os níveis intermediários.

Independência: Ela enfrenta progressivamente o mundo e identifica-se com a sociedade. Paralelamente, desenvolve-se a socialização e a aquisição do senso social.

Referências bibliográficas:
Referências bibliográficas:
  • SPITZ, R. (1979). O Primeiro Ano de vida. São Paulo: Martins Fontes.

Referências bibliográficas:  SPITZ, R. (1979). O Primeiro Ano de vida. São Paulo: Martins Fontes. 
  • GOLSE, B. (1998). O Desenvolvimento Afetivo e Intelectual da Criança. Porto Alegre: Artes Médicas.

  • LATAILLE, Yves.(1992) De Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão/ Yves de Lataille, Marta Col de Oliveira e Heloysa Dantas. São Paulo: Summus, 1992.