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A DIMENSÃO DISCURSIVA DO TRABALHO FILOSÓFICO “Argumentar quer dizer oferecer um conjunto de razões a favor
A DIMENSÃO DISCURSIVA DO
TRABALHO FILOSÓFICO
“Argumentar
quer
dizer
oferecer
um
conjunto
de
razões a favor de uma
conclusão. Os argumentos são
tentativas de sustentar certos
pontos de vista com razões.
Nem todos os pontos de vista
são iguais. Os argumentos são
essenciais porque constituem
uma forma de tentarmos
descobrir quais são os
melhores pontos de vista. Ter
opiniões fortes não é um erro.
O erro é não ter mais nada.”
Anthony Weston
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Os Instrumentos do Trabalho Filosófico: As Proposições  Os filósofos procuram resolver problemas.  Apresentam teorias/teses
Os Instrumentos do Trabalho
Filosófico: As Proposições
 Os
filósofos
procuram resolver
problemas.
 Apresentam teorias/teses para responder
a esses problemas.
 Defendem
argumentos.
as
suas
ideias
com
 Exprimimos as nossas teorias filosóficas
e,
em
geral
tudo
aquilo
em
que
acreditamos ser verdadeiro, através de
proposições.
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Os Instrumentos do Trabalho Filosófico: As Proposições  O que é uma Proposição?  É o
Os Instrumentos do Trabalho
Filosófico: As Proposições
O que é uma Proposição?
É o pensamento que uma frase declarativa exprime.
Nem todas as frases são proposições. Só as frases
declarativas podem exprimir proposições.
Uma frase só exprime uma proposição quando o que
ela afirma tem valor de verdade.
Uma
frase
tem
valor
de
verdade
quando
é
verdadeira ou falsa, ainda que nós não saibamos se
a frase é realmente verdadeira ou falsa.
A mesma proposição pode ser expressa por várias
frases.
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As Proposições Complexas: A sua Verdade e a sua Refutação Proposições da Forma A e B
As Proposições Complexas: A
sua Verdade e a sua Refutação
Proposições da Forma A e B  Conjunção
Em que condições é verdadeira uma afirmação
da forma A e B? Em que condições é falsa?
Uma proposição da forma A e B é verdadeira
apenas se ambas as proposições forem
verdadeiras. Basta que uma seja falsa para que
a proposição seja falsa.
Como é
que
se
refuta
uma proposição da
forma A e B?
Para a refutarmos basta mostrar que uma das
suas proposições é falsa.
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As Proposições Complexas: A sua Verdade e a sua Refutação  «Deus existe e a vida
As Proposições Complexas: A sua
Verdade e a sua Refutação
«Deus existe e a vida faz sentido»
Para refutar esta proposição basta
mostrar ou que Deus não existe ou que
a vida não faz sentido.
A proposição só é verdadeira no caso
de Deus existir e a vida fazer sentido.
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As Proposições Complexas: A sua Verdade e a sua Refutação Proposições da Forma A ou B
As Proposições Complexas: A
sua Verdade e a sua Refutação
Proposições da Forma A ou B  Disjunção
Em que condições é verdadeira uma afirmação
da forma A ou B? Em que condições é falsa?
Para que uma proposição da forma A ou B seja
verdadeira basta que uma das duas (A ou B)
seja verdadeira. É falsa apenas no caso em que
ambas são falsas.
Como é que se refuta uma proposição da forma
A ou B?
Para a refutarmos é necessário mostrar
tanto A como B são falsas.
que
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As Proposições Complexas: A sua Verdade e a sua Refutação  «Deus existe ou a vida
As Proposições Complexas: A sua
Verdade e a sua Refutação
«Deus existe ou a vida faz sentido»
Para refutar esta proposição é necessário
mostrar que Deus não existe e que a vida
não faz sentido.
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As Proposições Complexas: A sua Verdade e a sua Refutação Proposições da Forma Se A, então
As Proposições Complexas: A sua
Verdade e a sua Refutação
Proposições da Forma Se A, então B 
Condicional
Em que condições é verdadeira uma afirmação da
forma Se A, então B? Em que condições é falsa?
Uma proposição da forma Se A, então B é falsa apenas
se A for verdadeira e B for falsa. É verdadeira em
todos os outros casos.
Como é que se refuta uma proposição da forma A ou
B?
Para a refutarmos basta provar que A é verdadeira e B
é falsa.
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As Proposições Complexas: A sua Verdade e a sua Refutação «Se Deus existe, então a vida
As Proposições Complexas: A sua
Verdade e a sua Refutação
«Se Deus existe, então a vida faz
sentido»
Para refutar esta proposição é necessário
mostrar que Deus existe e que a vida não
faz sentido.
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As Proposições Complexas: A sua Verdade e a sua Refutação A Verdade e a Refutação das
As Proposições Complexas: A sua
Verdade e a sua Refutação
A Verdade e a Refutação das
Proposições Complexas
Em que Condições é
Verdadeira?
Como se Refuta?
A e B
Apenas se ambas forem
verdadeiras
Mostrando que pelo
menos uma é falsa
Se pelo menos uma for
Mostrando que
A ou B
verdadeira
ambas são falsas
Se A,
então B
Sempre que não se
verifique o seguinte caso:
A é verdadeira mas B é
falsa.
Mostrando que A é
verdadeira mas B é
falsa.
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As Proposições Universais: Refutação de Proposições Universais  As proposições universais são proposições que pretendem enunciar
As Proposições Universais: Refutação
de Proposições Universais
As proposições universais são proposições
que pretendem enunciar uma verdade que se
verifica em todos os casos, sem excepção.
Existem dois tipos de proposições
universais:
1.
As Proposições Universais: Refutação de Proposições Universais  As proposições universais são proposições que pretendem enunciar

Universais afirmativas: «Todos os animais são sencientes.»

As Proposições Universais: Refutação de Proposições Universais  As proposições universais são proposições que pretendem enunciar
As Proposições Universais: Refutação de Proposições Universais  As proposições universais são proposições que pretendem enunciar

Universais Negativas: «Nenhum filósofo é dogmático.»

2.
2.
As Proposições Universais: Refutação de Proposições Universais  As proposições universais são proposições que pretendem enunciar
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As Proposições Universais: Refutação de Proposições Universais  Como se refuta uma proposição universal?  Uma
As Proposições Universais: Refutação
de Proposições Universais
Como se refuta uma proposição universal?
Uma vez que a proposição universal pretende ser
verdadeira para todos os casos, então basta
apresentar um caso em que ela não se verifica para
a refutar.
A proposição: «Todos os animais são mamíferos» é
falsa porque existem animais que não são mamíferos,
como, por exemplo, a galinha.
A proposição «Nenhum animal é senciente» é falsa,
porque está provado que existem animais que são
sencientes, como por exemplo, os cães.
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Operacionalizar:

 Exercício 1: Diga quais das seguintes frases são proposições no sentido restrito atribuído à palavra
Exercício 1: Diga quais das seguintes frases são proposições no sentido restrito
atribuído à palavra “proposição”:
A)
Atenas é a capital de Itália
B)
Newton, nasceu no mesmo dia em que Galileu morreu
C)
O Francisco nasceu no dia 25 de Dezembro de 1923
D)
Eu tenho medo das aranhas
E)
A baleia é um mamífero
F)
A baleia é uma ave
G)
Huelva fica mais perto do que Faro
Exercício 2: Diga qual é, ou acha que é, o valor de verdade das seguintes
proposições:
A)
Tavira é uma cidade bonita
B)Tavira é uma cidade mais bonita do que a cidade de Loulé
C)
Vila Real de Santo António não fica na Andaluzia
D)
A Serra da Estrela é muito alta
E) Não é verdade que Nova Iorque não fica na América
E) Não é verdade que Nova Iorque não fica na América

Operacionalizar:  Exercício 1: Diga quais das seguintes frases são proposições no sentido restrito atribuído à

Exercício 3: Diga quais das seguintes proposições são compostas (ou complexas):

A) A Fernanda não se quer convencer que um dia terá de trabalhar.
A) A Fernanda não se quer convencer que um dia terá de trabalhar.
Operacionalizar:  Exercício 1: Diga quais das seguintes frases são proposições no sentido restrito atribuído à
  B) Chove e faz Sol  C) O Paulo gosta da Paula  D)
B) Chove e faz Sol
C) O Paulo gosta da Paula
D) O João e a Joana gostaram do estádio do Dragão e eu e a Vera nem sequer fomos lá
E) O João e a Joana adoram-se
F) Tenho um segredo engraçado que só te conto se me pagares um café
G) Se estiver sol, não fizer vento e me apetecer, então vou à praia e dou um mergulho, ou vou jogar
futebol.
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Exercício 4: Diga quantas proposições simples é possível encontrar nas proposições compostas (conjunto de proposições) que
Exercício 4: Diga quantas proposições simples é possível encontrar
nas proposições compostas (conjunto de proposições) que se
seguem e escreva cada uma delas separadamente:
“Se o presidente está de férias ou o vice-presidente no
estrangeiro, então os responsáveis não podem concluir o negócio
com os Japoneses nem reunir e distribuir os lucros, a não ser que
o secretário tome a iniciativa e se encarregue do assunto.”
“Quando me matriculei na Escola e pensei vir estudar nunca
imaginei que ou me aplicava ou não compreenderia os conteúdos
leccionados, por isso decidi empenhar-me e passar de ano.”
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Os Instrumentos do Trabalho Filosófico: Os Argumentos  Para defendermos ou justificarmos as nossas posições, apresentamos
Os Instrumentos do Trabalho
Filosófico: Os Argumentos
Para defendermos ou justificarmos as nossas
posições, apresentamos um conjunto de
proposições que as devem sustentar.
Tudo aquilo a que chamamos provar,
demonstrar, defender ideias, apresentar razões
é argumentar.
Um argumento é um conjunto de proposições
organizadas. A conclusão é a proposição que
se pretende justificar. A sua justificação é feita
com base noutras proposições a que se dá o
nome de premissas .
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Os Instrumentos do Trabalho Filosófico: Os Argumentos
Os Instrumentos do Trabalho
Filosófico: Os Argumentos
Premissas Se o homem é livre então é responsável. Afirmações que fundamentam ou justificam a conclusão.
Premissas
Se o homem é livre
então é responsável.
Afirmações que fundamentam
ou justificam a conclusão.
O homem é livre.
Conclusão
A afirmação que é justificada e
Logo, é responsável
à qual somos conduzidos
pelas premissas.
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Os Instrumentos do Trabalho Filosófico: Os Argumentos  Para considerarmos que um argumento é bom são
Os Instrumentos do Trabalho
Filosófico: Os Argumentos
Para considerarmos que um argumento é bom são
necessárias duas condições:
1.
Tem que ser um argumento válido, isto é, se as suas
premissas forem verdadeiras é impossível que a conclusão
seja falsa.
Todos os animais são seres
Todos os homens são mortais.
sencientes. Temos o dever de
respeitar todos os seres
sencientes. Logo, temos o dever
de respeitar os animais.
As tartarugas são mortais.
Logo, as tartarugas são homens.

Este argumento é inválido porque
as suas premissas são verdadeiras
e a sua conclusão é falsa.
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Este argumento é válido, porque se admitirmos que as premissas são verdadeiras temos necessariamente que admitir que a conclusão também o é.

Os Instrumentos do Trabalho Filosófico: Os Argumentos 1. Tem que ser um argumento sólido, isto é,
Os Instrumentos do Trabalho
Filosófico: Os Argumentos
1.
Tem que ser um argumento sólido, isto é,
tem que ser válido e as suas premissas têm
necessariamente que ser verdadeiras.
Todos os portugueses são
Todos os Asiáticos são
Europeus. Mário Soares é
Africanos. Os Ingleses são
português.
Asiáticos.
Logo, Mário Soares é
Europeu.
Logo, os Ingleses são
Africanos.
Argumento válido é
sólido
Argumento válido mas
não-sólido uma vez que
as suas premissas são
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obviamente falsas.
O Trabalho Filosófico: Técnica de Análise de um Argumento 1. Detectar os problemas / Detectar as
O Trabalho Filosófico: Técnica de
Análise de um Argumento
1.
Detectar os problemas / Detectar as
conclusões (teses defendidas).
2.
Identificar o argumento principal.
3.
Analisar a solidez do argumento:
Verificar se podemos considerar que
as premissas são verdadeiras.
Verificar se admitindo que as
premissas são verdadeiras também
temos que admitir a verdade da
conclusão.
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O Trabalho Filosófico: Técnica de Refutação de Argumentos  Refutação: acto pelo qual procuramos mostrar que
O Trabalho Filosófico: Técnica de
Refutação de Argumentos
Refutação: acto pelo qual procuramos mostrar
que uma proposição ou um argumento é
inaceitável.
A refutação poderá ser feita apresentando um
contra-exemplo ou um contra-argumento.
Contra-Exemplo: exemplo que se destina a
mostrar que uma dada afirmação é falsa.
[Por exemplo, será a proposição «Só quem tem deveres
pode ter direitos» verdadeira? Um contra-exemplo é que
as crianças recém-nascidas não tem deveres mas têm
direitos. Isto mostra que a proposição anterior é falsa.]
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O Trabalho Filosófico: Técnica de Refutação de Argumentos  Contra-Argumento: O objectivo de um contra-argumento é
O Trabalho Filosófico: Técnica de
Refutação de Argumentos
Contra-Argumento: O objectivo de um
contra-argumento é refutar a conclusão
estabelecida no argumento de um opositor.
Um contra-argumento deverá concretizar pelo
menos um dos seguintes objectivos:
1.
Demonstrar que o argumento do opositor é inválido,
i.e., que as premissas não apoiam a conclusão;
2.
Mostrar que pelo menos uma das premissas do
argumento do opositor é falsa;
3.
Mostrar que a conclusão do argumento do opositor é
falsa ou tem consequências inverosímeis ou
contraditórias.
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Como Realizar um Trabalho Filosófico em Seis Passos? 1. Identificar ou enunciar o problema filosófico tratado
Como Realizar um Trabalho
Filosófico em Seis Passos?
1.
Identificar ou enunciar o problema filosófico
tratado ou a tratar.
2.
Identificar, enunciar e explicar o significado da
tese defendida ou a defender.
3.
Apresentar os argumentos que justificam e
fundamentam a tese defendida.
4.
Mostrar que o argumento é sólido.
5.
Analisar possíveis objecções e contra-
argumentos.
6.
Assumir uma posição crítica e pessoal.