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Cidades Sustentáveis e Meio

Ambiente
Francisco Carrera
franciscocarrera@carreraadvogados.com.br
www.carreraadvogados.com.br
Conceitos preliminares
• Cidade romana – • Urbs – cidade em
gens oposição à área rural
• Cidade – civitas – zona urbana da
• Urbanismo – urbs cidade – centro maior
de desenvolvimento
• Área rural - rus político-social-
• Civitas - local onde econômico
se agrupavam os
cidadãos – governo-
cidade-estado
Origem das cidades
• Rio Tigre e Eufrates – 3.500 AC
Mesopotâmia
• Final Séc. XIX –
• França – “embelir la ville” – destaque para
aspectos estéticos e urbanistas
• Inglaterra - destaque para aspectos
sociais – harmônica relaçào entre homem
e natureza
Política Urbana – histórico
legislativo
• Lei 6.766 de 19.12.79 – Parcelamento do solo
( Lei Lehmann).
• Projeto de Lei 775/83 – definição de funçào
social da propriedade
• Projeto de Lei 2191/89 – substitutivo após CF-
88 – Dep. Raul Ferraz
• Projeto de Lei n.5788/90 – Sen Pompeu Souza

Histórico – Reforma Urbana
• 1988 - Constituição Federal - emenda popular do Movimento da
Reforma Urbana, inclui um Capítulo da Política Urbana.
• 1996 - movimentos da sociedade civil e prefeituras realizam a
Conferência Nacional sobre Assentamentos Humanos, em
preparação ao Habitat 2, em Istambul.
• 1999 a 2002 - A CDUI (Comissão de Desenvolvimento Urbano e
Interior) da Câmara dos Deputados promove 4 Conferências das
Cidades, em parceria com os movimentos pela reforma urbana.
• 1999 - o Projeto Moradia, do Instituto Cidadania propõe a criação
do Ministério e dos Conselhos das Cidade
• 2001 – Estatuto da Cidade é aprovado com um capítulo exclusivo
sobre a Gestão Democrática
• 2001 - uma ampla articulação da sociedade civil e prefeituras
realiza o Congresso da Cidade
Princípios essenciais à cidade
sustentável

Direito à Cidade:
 Função Social da Propriedade e da Cidade
 Moradia Digna como dever do Estado
 Gestão Democrática e Controle Social
 Inclusão e Redução das Desigualdades:
 Combate à discriminação e à segregação
 Sustentabilidade ambiental e econômica
desejável
PRODUÇÃO e
NATUREZA E CONSUMO
SOCIEDADE (em INSUSTENTÁVEIS
processo de erosão)

desejável

desejável
EXCLUSÃO RESÍDUOS
SOCIAL
Fon t e: Ada pt a do de Fol a d or i 200 1.
Responsabilidade
Sócio-ambiental

In: Foladori G. Limites do desenvolvimento sustentável. Campinas:


Editora da Unicamp, 2001
Constitução Federal - 1988
• Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo
poder público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei,
tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções
sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes.
§ 1º O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para
cidades com mais de vinte mil habitantes, é o instrumento básico da
política de desenvolvimento e de expansão urbana.
§ 2º A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às
exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no
plano diretor.
§ 3º As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com prévia e
justa indenização em dinheiro.
Urbanização do Brasil

Nos últimos 40 anos, a


população brasileira
inverteu sua localização.

Hoje mais de 80% da


população vive em
meios urbanos.
Legislação

• Constituição Federal (05/10/88) - Capítulo VI – Do


Meio Ambiente - Art. 225
• -Da Política Urbana – Art. 132

• Política Nacional de Meio Ambiente – Lei 6.938 de


31/08/1981

• Política Nacional de Recursos Hídricos - Lei Federal


9.433/97, conhecida como Lei das Águas. Ela instituiu
a Política Nacional de Recursos Hídricos e criou o Sistema
Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
Atualmente, 140 Comitês de Bacias Hidrográficas e 27
Conselhos Estaduais e do DF estão em atividade no País.
Lei de Regência
• Estatuto da Cidade – Lei Federal 10.257 de
10/07/2001

Determina a elaboração ou revisão do Plano Diretor


dos municípios com população acima de 20 mil
habitantes ou integrantes de regiões metropolitanas e
aglomerações urbanas.

O Plano Diretor deve considerar aspectos ambientais,


culturais, turísticos, econômicos e sociais, de forma
articulada, mesmo que esses temas não se
apresentem de início, como eixos estratégicos.
Legislação

• Lei de Consórcios Públicos - Lei nº


11.107/05

• Política Nacional de Resíduos Sólidos –


Projeto de Lei tramita no Congresso Nacional
Política Federal de Saneamento Básico
Lei n° 11.445 de 08/01/07
Função Social
• Função social da • Função social da
cidade propriedade
• Atendimento às
demandas primárias • Adequação da
e secundárias da propriedade a nova
sociedade ordem urbanística
Constituição Federal
• Art. 5.
XXII – é garantido o direito de propriedade.
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social

• Conceito de direito de propriedade


associado ao da função social.
Política Urbana
• Concepção moderna • Modificação de
• Propiciar o pleno paradigmas
desenvolvimento da • Não mais embelezar
função social da • Não mais pensar no
cidade bem estar social
• Garantir o bem-estar apenas
dos cidadãos • Integrar sadia
qualidade de vida –
bem estar social-
Objetivos da Política Urbana
Art. 2. Lei 10.257/01
• Direito a cidade • Gestão democrática
sustentáveis • Participação
• Direito à terra, • Planejamento
moradia, saneamento • Cooperação entre
ambiental, infra- governos
estrutura urbana, • Ordenação e controle
transporte, serviços do solo
públicos, moradia • Integração entre
urbano e rural
Objetivos da Política Urbana
Art. 2. Lei 10.257/01
• Regularização fundiária
• Urbanização de áreas ocupadas
por população de baixa renda
• Normatizar o uso e ocupação do
solo
• Observância das normas
ambientais
• Simplificação da legislação de
parcelamento uso e ocupaçào do
solo
Corredores culturais
• Áreas demarcadas na cidade que ganham
especial proteção.
• Recebem incentivos fiscais(redução IPTU)
• Atraem o turismo
• Melhoram a qualidade de vida do entorno
Objetivos fundamentais
• Conservação da identidade local
• Conservação da ambiência
• Impedir a artificializaçào
• Impedir a cenarização
• Impedir a fragmentação
• Fomentar o uso alternativo
• Restaurar a identidade lúdica
Marcas de tradição
Ambiência e conservação de
espaços
NOVA ORDEM URBANÍSTICA
• Competição entre cidades por
investimentos privados
• Aumento de Desigualdade sócio-espacial
• Privatização dos espaços públicos
• Esgarçamento do tecido urbano
• Degradação de centros históricos
• Urbanização dispersa de condomínios
• Guetificação dos mais pobres
NOVOS DESAFIOS
• CIDADES FORDISTAS
• Urbanização e industrialização
• CIDADES CORPORATIVAS
• CIDADES DE CICLOS
• Falta de sustentabilidade
Cidades de ciclos
• Campos dos Goytacazes – RJ – Cana de
açúcar
• Macaé – RJ - Petróleo
• Sinop – MT – Soja
• Coari – AM – Petróleo
• Linhares – ES - Petróleo
PAC SANEAMENTO
Pequenos Municípios e Áreas Especiais
FUNASA – GRUPO 5
PAC SANEAMENTO
GRUPO 5
R$ milhões
Projetos Projetos
META META %
SELECIONADOS CONTRATADOS
2007-2010 2007 CONTRATAÇÃO
Quantidade Valor Quantidade Valor
4.000 959,8 4.755 3.178,7 2.292 951,9 99,2

Contratações por Eixo de Ação R$ milhões


UF
Eixos de Ação Nº Famílias Valor
Municípios Beneficiadas Contratado *
Áreas Indígenas 183 16.450 33,9
Áreas Quilombolas 49 8.092 23,4
Combate à Malária 18 41.500 46,4
Combate à Doença de Chagas 190 10.000 81,1
Água, Esgoto, Melhorias Sanitárias e
341 236.500 696,4
Resíduos Sólidos
Saneamento Rural 191 33.049 54,0
Saneamento em Escolas 97 -- 10,0
Controle da Qualidade da Água 85 177.500 6,7
TOTAL 1.154 523.091 951,9

* Não inclui contrapartida de Estados e Municípios


PAC SANEAMENTO
RESULTADOS GERAIS

Selecionados:
 1.145 projetos: em todos os Estados e
em 474 municípios
 R$ 21,6 bilhões
 OGU: R$ 9,3 bilhões e 3,9 milhões de
famílias beneficiadas
 Financiamento: R$ 12,4 bilhões e 6,4
milhões de famílias beneficiadas

Contratados:
 R$ 15 bilhões: OGU - R$ 9,8 bilhões e
Financiamento - R$ 5,2 bilhões
 35,3 % em licitação: R$ 5,3 bilhões em 273
Desafios na gestão do Saneamento


Implementar a Lei 11.445/07 obedecendo suas
diretrizes


Elaborar do Plano Nacional de Saneamento Básico


Incentivar Estados e Municípios para a elaboração de
seus Planos


Incentivar a criação de consórcios (Lei 11.107/05) e
estabelecer parcerias com o setor privado


Viabilizar a continuidade e a potencialização do PAC -
Saneamento - R$ 10 bilhões/ano
Desigualdade: causa fundamental
de degradação do meio ambiente

Obriga os
pobres a
Torna possível
cortar
o consumo
árvores,
excessivo
plantar
(energia,
alimentos e
matérias primas
criar gado de
e bens
maneira
manufaturados)
nociva para a
nos mais altos
terra, para
patamares de
poder
renda
sobreviver de
um dia para
outro
MANEJO DE ÁGUAS PLUVIAIS

ROJETOS SELECIONADOS - PA
TOTAL DE PROPOSTAS SELECIONADAS POR UF
E FONTE DE RECURSO – (MCIDADES + MI)

F
UF QTD
BA
CE 4
Brasil: diversidade e desigualdade
Municípios
Municípios>>20.000
20.000 hab
hab
equivalem
equivalemaa
24%
24%do
doterritório
territóriobrasileiro
brasileiro

ÁREA TERRITORIAL
3%0,48%
até 20.000
21%
20.000 a 100.000
100.000 a 500.000

76% > 500.000

Fonte: SNIU/IBGE
Brasil: diversidade e desigualdade
75%
75% da
dapop.
pop.urbana
urbana
em
em
17%
17% dos
dosmunicípios
municípios

NÚMERO POPULAÇÃO
DE URBANA Fonte: SNIU/IBGE

3%
MUNICÍPIO
13% S 1% 25% 21% até 20.000
20.000 a 100.000
100.000 a 500.000
> 500.000
83%
29% 25%
Brasil: diversidade e desigualdade

AAmiséria
misériaconcentrada
concentrada
no
noNorte,
Norte, Nordeste
Nordeste ee
na
naperiferia
periferiadas
das
grandes
grandescidades
cidades

IDH
IDH<<0,6
0,7
Brasil: diversidade e desigualdade

AAmiséria
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concentrada
no
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Norte, Nordeste
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na
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periferiadas
das
grandes
grandescidades
cidades

IDH
IDH<<0,6
0,7
Déficit Habitacional - Composição
COMPOSIÇÃO DO DÉFICIT HABITACIONAL NO BRASIL

100%
Habitação
90% 24,00 Precária
34,60
80%
70% Coabitação
60% Familiar

50% 56,10
40% Ônus
58,20 excessivo
30%
com aluguel
20%
Depreciação
10% 18,20
7,20
0% - 1,70

1991 2000
Déficit Habitacional - Quantitativo
DIS T RIBUIÇÃO DO DÉFICIT HABIT ACIO NAL URBANO PO R F AIXAS DE
RENDA, 200 0
de 5 a 10 sm acim a de 1 0 sm
6% 2%
de 3 a 5 sm
9%

até 3 sm
8 3%
Resumo do Déficit Habitacional
Fundação João Pinheiro

Necessidade de 6,6 milhões de novas moradias


⇒ na área urbana: 5,3 milhões
80% é urbano
⇒ na área rural: 1,3 milhões
- no Nordeste: 2,6 milhões
- no Sudeste: 2,4 milhões 76% no NE e SE

- regiões metropolitanas: 1,9 milhões

92 % do déficit é até 05 s.m. 29% nas RM

83 % até 03 s.m.
Resumo do Déficit Habitacional - 2000
13.249
19.016

408.021
53.010 575.187 163.983
233.622
139.257
157.640 387.941
131.382
17.758 61.325 86.938
35.502
91.481 581.441

109.895

195.829
632.057
91.277 113.359
1.161.757
0 500 1000
505.287
Quilômetros
260.648 LEGENDA
120.400 Estimativa do Déficit Habitacional 2000
500.000 a 1.170.000
309.264 250.000 a 500.000
100.000 a 250.000
10.000 a 100.000
Fonte: Fundação João Pinheiro
Domicílios permanentes vagos urbanos

3 .0 0 0 ,0
2 .0 0 0 ,0
1 .0 0 0 ,0
0 ,0
N o r te N o r d e s te S u d e s te Sul C e n tr o O e s te
R E G IÃ O
1 9 9 12 0 0 0
Realidade dos Centros Urbanos

Intensa concentração populacional: Nos estados de RJ


e SP, 95% da população concentra-se em centros urbanos.

Precarização dos serviços públicos: 11% dos domicílios


urbanos não têm acesso à água potável e 50% não estão
conectados à rede de esgoto (Ministério das Cidades)

Diminuição de oportunidades: Nas favelas do RJ, 40%


dos adolescentes (15-17 anos) estão desocupados

Crescimento das desigualdades: A taxa de mortalidade


infantil no RJ varia de 6.7 por mil em Botafogo a 22.5
por mil no Jacarezinho.
Aumento da vulnerabilidade: Em 2004, a taxa de
homicídios de jovens do sexo masculino (15 a 29 anos) foi
de 225,8 para cada 100 mil pessoas no RJ.

Potencial de mudança: Energia, vitalidade, criatividade,


produtividade e cultura próprias. Crianças e adolescentes
também têm grande capacidade de transformação.
Princípios essenciais da Cidade
Sustentável
• Princípio de gestão urbana
• A gestão urbana com vista à sustentabilidade é
essencialmente um processo político
• que requer planejamento e se repercute na
gestão urbana. O processo de gestão urbana
• sustentável requer uma série de instrumentos
orientados para as dimensões ecológica,
• social e económica com vista a proporcionar a
base necessária para a integração
Princípios essenciais da Cidade
Sustentável
• Princípio de integração política
• A integração deverá ser conseguida tanto
horizontalmente, para realizar as sinergias
das dimensões social, ambiental e
económica da sustentabilidade, e
verticalmente, entre todos os níveis
Princípios essenciais da Cidade
Sustentável
• Princípio de reflexão ecossistémica
• A reflexão ecossistémica mostra a cidade
como um sistema complexo que é
• caracterizado por processos contínuos de
transformação e desenvolvimento. Foca
• aspectos tais como a energia, os recursos
naturais e a produção de resíduos como
fluxos ou ciclos.
Princípios essenciais da Cidade
Sustentável
• Princípio de cooperação e parceria
• A sustentabilidade é uma responsabilidade partilhada. A
cooperação e parceria entre diferentes níveis,
organizações e interesses são elementos essenciais da
ação em prol da sustentabilidade.
• A gestão sustentável é um processo de
aprendizagem, no âmbito do qual «aprender fazendo»,
partilha de experiências, ensino e formação profissional,
trabalho multidisciplinar, parcerias e redes, consulta e
participação da comunidade local, mecanismos
educativos inovadores e aumento dos conhecimentos
são elementos essenciais.
G8-G5
RESPONSIBLE LEADERSHIP FOR A
SUSTAINABLE FUTURE
• L'ÁQUILA - Os países mais desenvolvidos e as
principais potências emergentes do mundo deram
"importantes passos adiante" no combate às mudanças
climáticas, mas precisarão "ir além do que se espera
deles" para fechar um acordo até o fim deste ano,
avaliou o presidente dos Estados Unidos, Barack
Obama. "Tivemos um bom começo, mas sou o primeiro
a admitir que os avanços sobre esta questão não serão
fáceis", declarou Obama. "Não é uma tarefa pequena
para 17 líderes superarem suas divergências numa
questão como as mudanças climáticas", disse Obama.
• O comentário foi feito depois de um encontro entre os
líderes do G-8 (composto por Alemanha, Canadá,
Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e
Rússia) e do G-5 (formado por África do Sul, Brasil,
China, Índia, México) ocorrido hoje em L''Áquila, região
central da Itália. Obama observou que os principais
países em desenvolvimento, que recusaram-se a
assumir um compromisso específico de metas de longo
prazo para reduzir a emissão de gases causadores do
efeito estufa, têm preocupação "reais e compreensíveis".
Áreas de Favelas no Rio de
Janeiro
Muito Obrigado!

Francisco Carrera
franciscocarrera@carreraadvogados.com.br
www.carreraadvogados.com.br
21-2210-1056

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