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Trabalho de Microeconomia

Joe Bain, Hall & Hitch, Kalecki


Moderna Micro – Organização
Industrial – Principais Pontos
• Joe Bain (1950) – Concorrência efetiva e concorrência
potencial
 Entradas de novas firmas no mercado
• Barreiras institucionais
• Barreiras econômicas
• Diferenciação de produto – real e informacional
• Vantagem absoluta de custos
• Economias de escala
 Com poder de monópio surgem:
• Ineficiência alocativa (consumo inferior ao desejado)
• Ineficiência produtiva (perda de motivação da empresa)
• Ineficiência dinâmica (desestímulo a inovação)
Moderna Micro – Organização
Industrial - Antecedentes
• Princípio marginalista – observação direta do
processo de decisão empresarial. Maximização
do lucro.
• Hall & Hitch (1930) – Princípio do custo total –
as firmas tinham como decisão principal a
determinação do preço e não da quantidade.
(determinação do preço via mark-up)
• Mason (1939) – Estrutura – conduta –
desempenho = firma ativa
• Coase – Custo de transação.
1.3. Barreiras à Entrada

Bibliografia:
KUPFER, David. Barreiras estruturais à entrada. In:
______; HASENCLEVER, Lia. Economia Industrial.
Rio de Janeiro, Elsevier, 2002. pp 109-128.
Barreiras à Entrada

• Joe S. Bain (décadas de 1940 e 1950): o


principal fator na determinação dos
preços e da lucratividade de uma indústria
está relacionado à facilidade ou
dificuldade que as empresas
estabelecidas encontram para impedir a
entrada de novas empresas. [existência
ou não de barreiras à entrada]
Concorrência Real e Potencial

Concorrência Real: presente na teoria


microecônomica tradicional
• A concorrência de dá em função do tamanho
relativo das empresas que formam cada
indústria
Concorrência Potencial:
• Competição de lucros entre empresas já
estabelecidas e novas empresas interessadas
em entrar na nova indústria [empresas entrantes
ou potenciais]
Concorrência Real e Potencial
• A ênfase na concorrência potencial é típica
do pensamento econômico clássico [Marx,
inclusive].
• Se uma indústria apresenta lucros elevados,
é de se esperar que novas empresas se
estabeleçam.
• Nos setores superavitários, o aumento de
oferta reduz os preços e contrai os lucros,
enquanto nos setores deficitários a redução
da oferta eleva os lucros.
• Tendência à equalização das taxas de lucro
nas indústrias
Concorrência Real e Potencial

• Nessa visão, uma indústria somente


poderia apresentar lucratividade superior
à média por um período de tempo.
• Conseqüentemente, se uma indústria
apresenta lucros extraordinários
permanentes, alguma restrição à
mobilidade de capital existe.
• Há, então, barreiras à entrada.
Conceitos Importantes

Empresas estabelecidas:
• São empresas que já atuam na indústria
considerada.
• Comumente supõe-se que as empresas
estabelecidas tentem impedir a entrada de
novas empresas.
• O receio da concorrência potencial anula a
concorrência real.
Conceitos Importantes
Empresas entrantes:
• Também chamadas de empresas potenciais.
Correspondem às empresas interessadas em atuar
na indústria.
• O número de empresas entrantes é indefinido.
• Para resolver o problema, supõe-se que as
empresas potenciais organizem uma fila
organizada de acordo com a capacidade de
competir na indústria.
• A primeira fila é a empresa que reúne os melhores
requisitos competitivos, é a primeira empresa
entrante
Conceitos Importantes

Incentivo à entrada:
• Possibilidade de uma empresa entrante
estabelecer lucros extraordinários
• Considera-se que haja incentivos
somente quando a possibilidade de auferir
lucros extraordinários ocorra
imediatamente após a entrada.
Conceitos Importantes

Entrada
• Corresponde a uma adição líquida da
capacidade produtiva da indústria por uma nova
empresa.
• Não se considera a expansão da capacidade de
uma empresa, pois não há um novo agente no
processo.
• A fusão ou aquisição de uma outra empresa
também não configura entrada, pois não
significa adição de capacidade.
Conceitos Importantes

• Saída
• Uma saída significa que uma empresa encerrou
suas atividades.
• Um certo montante de capacidade produtiva foi
permanentemente eliminado da indústria.
• Se uma empresa abandona as suas atividades
vendendo seus ativos a outra não configura
saída, pois não houve eliminação de
capacidade.
Barreiras à Entrada: Definições

• São muitos os enfoques sobre barreiras à


entrada na literatura de Economia Industrial.
• Ponto comum: ênfase ao longo prazo e à
concorrência potencial como bases teóricas.
• Qualquer fator que impeça a livre mobilidade de
capital para uma indústria no longo prazo e,
conseqüentemente, torne possível a existência
permanente de lucros supranormais na indústria
constitui barreiras à entrada.
• Quatro grupos de definições se destacam:
Barreiras à Entrada: Definições

1º grupo (Joe S. Bain):


• Barreira à entrada corresponde a qualquer
condição estrutural que permita que
empresas já estabelecidas em uma indústria
possa praticar preços superiores ao
competitivo sem atrair novos capitais.
• Nesse sentido, é possível a existência de
lucros extraordinários no longo prazo porque
as empresas entrantes não conseguem
auferir após a entrada os mesmos lucros que
as empresas estabelecidas obtêm pré-
entrada.
Barreiras à Entrada: Definições

2º Grupo (George J. Stigler):


• Existe barreiras à entrada em uma indústria
se há custos incorridos pelas empresas
entrantes que não foram desembolsados
pelas empresas estabelecidas quando
iniciaram a operação.
• Essa assimetria de custos entre empresas
estabelecidas e empresas entrantes após a
entrada impossibilita essas últimas de
obterem a mesma lucratividade das
primeiras.
Barreiras à Entrada: Definições

3º Grupo (Gilbert):
• Há barreiras à entrada se é possível configurar
vantagens competitivas atribuíveis
exclusivamente à existência da empresa.
• Somente há barreiras à entrada quando há um
diferencial econômico entre empresas
estabelecidas e empresas entrantes
simplesmente porque as primeiras existem, e as
outras não.
• “Prêmio pela existência”; first-mover
advantages.
Barreiras à Entrada: Definições

4º Grupo (C. von Weizacker):


• Aspectos normativos são valorizados na
questão da entrada.
• A existência de diferenciais de custos entre
empresas estabelecidas e entrantes não é
condição suficiente para assegurar a presença
de barreiras à entrada.
• É necessário que impliquem distorções na
alocação de recursos do ponto de vista social.
Modelo Conceitual do Preço Limite

Suposições:
• Indústria em equilíbrio temporário.
• As empresas estabelecidas atuam em conjunto para
prevenir a entrada.
• Os produtos podem ser homogêneos ou
diferenciados, mas as tecnologias apresentam
custos médios de LP decrescentes até atingirem a
escala mínima eficiente (curva em “L”).
• Considera-se o longo prazo como uma seqüência de
dois prazos: pré-entrada e pós-entrada.
• A empresa entrante somente considera que haja
incentivo à entrada de puder obter lucros
extraordinários imediatamente após a entrada.
Modelo Conceitual do Preço Limite

• Essa última premissa, no entanto, torna-se


inadequada quando aplicada a capitais já
constituídos, como a diversificação de uma empresa
existente em outra indústria.
• Para as empresas estabelecidas, uma possibilidade é
fixar o preço no nível competitivo.
• Nesse caso, não há entrada simplesmente devido à
ausência de incentivos.
• No entanto, essa escolha é pouco atrativa para as
empresas estabelecidas, pois não irão obter nenhum
lucro nos dois períodos.
Modelo Conceitual do Preço Limite

• Melhor opção: fixar o preço no nível da


maximização dos lucros de curto prazo (primeiro
período).
• No segundo período haverá entradas que
levarão o preço ao nível competitivo no segundo
período.
• Opção intermediária: faixa de preços em que é
possível obter lucros positivos (mesmo que não
máximos no CP), mas na qual nenhuma entrada
é incentivada.
Modelo Conceitual do Preço Limite

• O valor superior dessa faixa de preços é conhecido


como preço limite.
• A adoção do preço limite torna possível às empresas
estabelecidas auferirem um fluxo regular permanente
de lucros (no primeiro e no segundo períodos).
• A questão é quando o preço limite será escolhido
pelas empresas existentes.
• J. S. Bain: conceito de condição de entrada.
• Condição de entrada é a margem de custos médios
de LP que as empresas estabelecidas podem incluir
no preço sem atrair entradas.
Modelo Conceitual do Preço Limite

• Algebricamente:

PL − PC
E= ∴ PL = PC ⋅ (1 + E )
PC
• Onde E é a condição de entrada, PL é o
preço limite e PC é o preço competitivo no
longo prazo.
Modelo Conceitual do Preço Limite

• Em relação à condição de entrada E podem


prevalecer quatro situações distintas:
1. Entrada fácil:
• As empresas estabelecidas não têm vantagens
de custos em relação à empresa entrante e não
podem sustentar lucros extraordinários.
• Não há barreira à entrada e prevalece o preço
competitivo.
Modelo Conceitual do Preço Limite

2. Entrada ineficazmente impedida:


• As empresas estabelecidas possuem pouca
vantagem competitiva e por isso preferem
praticar o preço de maximização de curto prazo.
• Com isso irão obter os lucros mais altos
possíveis apenas no primeiro período, pois
ocorrerão entradas até que o preço atinja o nível
competitivo no segundo período.
Modelo Conceitual do Preço Limite

3. Entrada eficazmente impedida


• As empresas estabelecidas têm vantagens
competitivas significativas em relação à empresa
entrante.
• As empresas estabelecidas praticam o preço limite
e barram entradas, ao invés de tentarem
maximizar os lucros no primeiro período.
• Condição para essa opção: o lucro acumulado nos
dois períodos com a adoção do preço limite deve
ser superior ao lucro máximo possível no primeiro
período (e nulos no segundo).
Modelo Conceitual do Preço Limite

4. Entrada bloqueada
• As vantagens das empresas estabelecidas são
tão grandes que mesmo o preço de
maximização de lucros no primeiro período é
inferior ao preço limite.
• O preço de maximização de lucros no primeiro
período está na faixa de preços que não
incentiva entradas e, portanto, as empresas
existentes irão manter esses lucros
permanentemente.
Barreiras Estruturais à Entrada na Prática

• Para tornar operacional o mecanismo conceitual de


definição do preço limite é necessário que as
características das indústrias sejam devidamente
especificadas.
• Por isso, é necessário detalhar os elementos presentes
na estrutura da indústria que podem constituir fontes de
barreira à entrada. São eles:
1. Existência de vantagens absolutas de custos a favor das
empresas estabelecidas
2. Existência de preferências dos consumidores pelos
produtos das empresas estabelecidas.
3. Existência de estruturas de custos com significativas
economias de escala.
4. Existência de elevados requerimentos da capital.
Vantagens Absolutas de Custos

• Há vantagens absolutas de custos


quando os custos médios de longo prazo
das empresas entrantes é superior ao das
empresas estabelecidas em qualquer
nível de produção de um bem
homogêneo.
Vantagens Absolutas de Custos
Preço
Custo Demanda

CMeLP B (entrante)
PL

PC CMeLP A (estabelecida)

QL QC Quantidade
Vantagens Absolutas de Custos

• De modo geral, as vantagens de custos


para as empresas estabelecidas surgem
como reflexo de:
1. Melhores condições de acesso a fatores
de produção, principalmente tecnologia e
recursos humanos e naturais;
2. Acumulação de economias dinâmicas de
aprendizado; ou
3. Imperfeições nos mercados de fatores
Vantagens Absolutas de Custos
• Fontes de diferenciais absolutos de custos:
• Tecnologia (patentes e aprendizado).
• Acesso a matéria-prima de melhor qualidade
(recursos naturais e humanos).
• Acesso a capital e financiamento (riscos).
• Embora sejam consideradas estruturais, as
vantagens de custos podem ser modificadas por
estratégias específicas das empresas.
• Há situações de entrada que enfraquecem ou
mesmo anulam as vantagens absolutas de
custos das empresas estabelecidas (inovação).
Vantagens Absolutas de Custos
• Barreiras à entrada decorrentes de vantagens
absolutas de custos são teoricamente
compatíveis tanto com a definição de Bain
quanto a de Stigler.
• Empiricamente, no entanto, vantagens de
custos são consideradas fontes pouco
relevantes de barreiras à entrada na indústria
em geral, apresentando importância restrita a
um conjunto limitado de remos industriais.
• Estão nesse grupo as indústrias extrativas de
primeiro processamento de recursos naturais,
como a metalurgia ou a indústria de minerais
não-metálicos, ou ainda algumas agroindústrias.
Os esquemas de reprodução de Kalecki

Departamento Departamento
Departamento
de de
de
Bens de Consumo Bens de Consumo
Bens de Produção
Capitalista Trabalhadores

D1 D2 D3
P1 P2 P3 P
W1 W2 W3 W
I Cc Cw Y
Conceitos e definições

• P1, P2, P3 lucros brutos (antes de deduzir


depreciação)
• w1, w2, w3 montantes de salários
• P = lucro bruto total
• W = salários totais
• Cc = consumo dos capitalistas
• Cw = consumo dos trabalhadores
• Y = renda nacional bruta (antes da depreciação)
• Suposição: trabalhadores não poupam; não há
estoques
equações

• P3 = W1 + W2 (1)
• P = I + Cc (2)
• Cw = w1I + w2Cc (3)
1 - w3
• Y = I + Cc + w1I + w2Cc (4)
1 - w3
• I = (r + δ) K (5)