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PARSIFAL

A ópera de Richard Wagner teve sua estreia em 26 julho de 1882. Foi proibida pelo compositor
de ser apresentada fora de Bayreuth. Porém, diz o V.M. Samael: No Parsifal de Wagner existe
Ciência, Filosofia, Arte e Religião. Tal como um novo Doutor Fausto, esse grande músico parece
haver esquadrinhado antiquíssimas escrituras religiosas. (…) Felizmente, para o bem da Grande
Obra do Pai, a vontade do imortal músico não pôde ser cumprida, porque sobre ela pesaram os
tratados internacionais relativos à propriedade intelectual. (…) Na grandiosa obra de Parsifal,
de Richard Wagner, encontra-se o evangelho da Nova Era de Aquário.
A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL
Após a expiração do direito de propriedade intelectual, Parsifal pôde ser visto por todo o mundo
justamente no dia 1º de Janeiro de 1914, ano que iniciou a Primeira Guerra Mundial. Exclama o
V.M. Samael em sua obra “Parsifal Desvelado”: 1914 – misterioso conúbio! Parsifal e a
Primeira Guerra Mundial! Sem dúvida, o evangelho wagneriano ressoa nos campos de batalha...
É catastrófico, terrível e resplandece glorioso em meio à tempestade de todos os exclusivismos.
RICHARD WAGNER
Wilhelm Richard Wagner nasceu em Leipizig, Reino da Saxônia, em 22 de maio de 1813 e
faleceu em 13 de fevereiro de 1883 em Veneza, Reino da Itália. O grande compositor, maestro,
diretor teatral e ensaísta alemão foi autor de diversas obras célebres e inspiradoras, como
“Tannhäuser”, “Tristão e Isolda”, “Lohengrin”, a grandiosa saga “Anel do Nibelungo” entre
outras. Mestre Samael Aun Weor afirma: Sob todos os aspectos ressalta-se com total clareza
que Wagner foi um grande Iniciado, um esoterista profundo, um autêntico Iluminado.

PERSONAGENS
Gurnemanz
Cavaleiros do
Santo Graal
Anfortas
Parsifal
Kundry
Klingsor
CAVALEIROS DO SANTO GRAAL
O Santo Graal é o símbolo sagrado do Yoni feminino (O Útero). A relíquia está oculta no lendário
Templo de Montsalvat (Espanha) no mundo dos jinas, levada lá pelo sábio senador romano José
de Arimateia juntamente com a sacra Lança de Longinus, representação perfeita o Lingham
masculino (o Falo).

Neste templo há um lago sagrado, que representa as águas espermáticas, o Ens Seminis, que
forma o zero eterno. Próximo ao lago está o tormentoso rio, que assim forma o santo 10, “IO”,
base de nosso sistema decimal. Dentro do Ens Seminis reside o Ens Virtutis, o Fogo.
GURNEMANZ

Gurnemanz é um experiente Cavaleiro do Graal e fiel servidor do Rei Anfortas. Torna-se mentor
de Parsifal e o apresenta ao Cálice Sagrado. O personagem é baseado em Gornemant do romance
de Eschenbach.

Em sua obra “Rosa Ígnea”, o Venerável Mestre ensina: 76.Temos que buscar um Guru para que
nos conduza por esse caminho interno e delicado... 77. Busca-se o Guru dentro, nas profundezas
da consciência... 78. Cada discípulo pode procurar o Mestre dentro de si... dentro... dentro... 79.
Encontra-se o Mestre nas profundezas de nossa consciência. 80. Se queres buscar o Mestre,
abandona a erudição livresca e as escolas pseudoespiritualistas... 81. Quando o discípulo está
pronto, o Mestre aparece.






ANFORTAS

Anfortas é o Rei do Graal, filho e sucessor do falecido Titurel. Constantemente banha-se no lago
sagrado para diminuir a dor de sua ferida.

Decidido a acabar com as maldades do tétrico Klingsor, o rei avançou contra o inimigo do Graal
empunhando a Lança Sagrada, mas acabou nos braços luxuriosos de Kundry, a mulher diaba.
Assim, deixou a Lança cair nas mãos do mago negro, que aproveitou a oportunidade para roubá-la
e com ela ferir-lhe as costas. Tal ferida é insanável.

Samael Aun Weor predica: É claro que em tudo isso existe sexualidade pura, falismo
transcendente, erotismo. (…) Disse um grande sábio: “Até certo ponto, as Tábuas da Lei onde
Moisés escreveu por ordem de Jeová os preceitos do Decálogo constituem a dupla lança das
runas, sobre cujo significado fálico não podemos nos deter...”










ANFORTAS
Nos contos arturianos, ele é conhecido também como o “Rei Pescador”, que aguarda o cavaleiro
escolhido que lhe trará a cura da sua terrível ferida enquanto pesca em seu lago.

Isso nos recorda os apóstolos do Cristo Jesus, que se tornaram verdadeiros mestres sacerdotes.
Mestre Samael escreve em “A Doutrina Secreta de Anahuac”: Indo então o logos Solar pela
ribeira do mar, do lago, tomou como primeiros discípulos aos pescadores Pedro e André para
“para fazê-los pescadores de homens” (Mateus, IV, 19). André assistiu a Jesus, o grande
sacerdote gnóstico, na milagrosa pesca do lago Genesareth ou Jainesareth – o simbólico lago
Jinas – onde o Fogo Sagrado realizara tantos portentos.

Em outra obra, “Mistérios do Esoterismo Crístico”, o Logos de Marte ensina: (…) Miguel luta
contra o Dragão e São Jorge também contra o Dragão Vermelho. Muitas vezes temos dito que o
Cavaleiro toma algo do Dragão e o Dragão algo do Cavaleiro para nascer dali uma criatura
diferente. Muitas vezes temos afirmado que essa estranha criatura, por desdobramento, resulta,
como síntese, o Mercúrio, que está simbolizado pelo peixe que o pescador com suas redes tira do
lago.
Assim pois, desse Lúcifer extraímos todo o Mercúrio e a medida que vai passando o tempo,
Lúcifer vai se convertendo totalmente no Mercúrio, até que finalmente só nos resta o Mercúrio.
O que é um Mestre Ressurecto? Mercúrio já purificado, convertido em Ouro, por isso ele é
representado como um Vaso de Alabastro, com o Alabastro vivo, com a rosa elétrica que se
espera. Há alguns Cavaleiros da Ordem Superior ressurrectos e não possuem organização física
visível em parte alguma.



Kundry, Gundrígia, é a mulher atormentada pelo controle mágico que o feiticeiro Klingsor lhe
impôs. Trabalha, contra sua vontade, pela derrota dos Cavaleiros do Graal. Graças a ela, Klingsor
roubou a Lança de Anfortas.

Tal como Maria Madalena, ela é a prostituta arrependida, que deseja seguir os ideais do Graal,
mas sempre cai vencida.

- Mulher! exclama Anfortas. Por acaso és tu o demônio que vomitou o inferno para me abrir esta
ferida? Ou és, talvez, um anjo que desceu de Urânia para velar por minha infeliz existência?
(“Parsifal Revelado”)





KUNDRY
Na Obra de Wagner, a mulher é o símbolo do pecado e da redenção, da tortura e do bálsamo, da
luxúria e do amor. Sem a mulher, o homem não tem salvação. Sem o homem, a mulher não se
redime.

Kundry, Gundrígia, Herodías, a Madalena mística do Parsifal wagneriano, não ignora o segredo
vivo de sua própria existência. Ela sabe muito bem, por natureza e por instinto, que somente
poderá libertar-se do poder esquerdo e sinistro de Klingsor se encontrar o em seu caminho de
amarguras um homem forte, capaz de vencer a si próprio, e rejeitá-la.

Como está escrito em Tarot e Kabala, a mulher é o atanor da alquimia sexual. O homem saiu do
Paraíso pelas Portas do Éden, e o Éden é o mesmo “Sexo”. A Porta do Paraíso é o Sexo. A
Mulher é a Porta.
KUNDRY

Klingsor, o Mago Negro, é o terrível inimigo oculto do Graal que reside em seu castelo rodeado
pelos jardins das delícias do pecado. Tem em sua posse a Lança roubada de Anfortas.

Tornou-se inimigo dos Santos Cavaleiros após, equivocadamente, ter se mutilado, castrou-se para
acabar com a luxúria. Depois desse crime contra o sexo, achou-se santificado e tentou aproximar-
se do Cálice Sagrado, pelo que foi rechaçado pelo Guardião e pelos Cavaleiros.

Como vingança, luta para fazer os Iniciados caírem na luxúria e nas penas infernais, fazendo-os se
perderem em seus jardins de belas fêmeas.





KLINGSOR

Klingsor é o Inimigo Oculto, o Ego, o “Mim mesmo”, aquele que odeia o Amor, odeia a mulher,
odeia a Magia Sexual Branca, portanto, odeia o Espírito Santo. São os diversos “eus-diabos” que
carregamos dentro que nos fazem desviar do Caminho, tentam-nos, criam situações desfavoráveis
para continuarmos na Senda.

Todo aquele que se pronuncia contra o sexo é infrassexual. Todo aquele que se pronuncie contra
as forças sexuais do Terceiro Logos é de fato um Mago Negro.

Enquanto tivermos o Ego bem vivo não possuiremos nossa Divina Lança, não teremos controle
pleno sobre nossas energias sexuais, que está sob o controle do Inimigo Secreto.

É necessário lutar contra o Klingsor interior e suas diabesas tentadoras para retomar a Lança
perdida.
KLINGSOR
PARSIFAL
Parsifal, “o sábio por compaixão, o louco inocente”, é o personagem principal e é baseado no
herói arturiano Parzival ou Percival de Eschenbach. Ele é o casto inocente orientado por
Gurnemanz nos mistérios do Graal.

Filho do rei Gamuret, senhor de Anjou e Zazamanc, com a virtuosa e humilde rainha Herzeleide
(cujo nome significa “triste do coração”, “dor no coração”). Cresceu isolado na floresta junto com
sua mãe, que temia que tivesse o mesmo destino de seu pai, caído em batalha.

Ele é chamado de inocente porque já não possui Ego. Não possui Ego porque cresceu e viveu nas
florestas selvagens, abismos de si mesmo, lutando contra suas partes animalescas, matou os
terríveis eus bestiais.
Foi profetizado a Anfortas que que viria um salvador: “O sábio, o iluminado pela compaixão, o
casto inocente, espera-o. Ele é meu Eleito.” O Sábio, porque mata o Ego. O iluminado pela
compaixão, pois sacrifica-se pela humanidade. Casto, porque trabalha com a Magia Sexual
Branca. Para ser o Escolhido, o Eleito dos Deuses, deve-se trabalhar com os Três Fatores da
Revolução da Consciência.

Em “Parsifal Desvelado”, o Mestre explica: Parsifal, casto inocente! É evidente que num remoto
passado também havia ferido com sua flecha o cisne de imaculada brancura, o Ham-Sah
milagroso...

Às diversas perguntas que lhe são feitas com tanta ênfase, ele guarda silêncio. É óbvio que
ignora tudo, eliminou o ego, e nem sequer recorda o nome de seu progenitor terrestre, pois
reconquistara a inocência edênica.

(…) Protegido com as armas de Vulcano, aquele rapaz combateu as bestas do inferno, vis
representações de seus antigos erros e as reduziu às poeira cósmica. Assim o jovem avançou até
os domínios do Graal (e assim também nós devemos avançar).
PARSIFAL
A MORTE DO CISNE
No primeiro Ato, Parsifal, o louco inocente, mata o cisne do lago com uma flechada. Tal ato
choca Gurnemanz e toda a congregação do Santo Graal.

O cisne Kala-Hamsa (“Cisne da Eternidade”), cuja nome nos recorda o mantra “Ham-Sah”; é o
mesmo Íbis imortal dos egípcios e a branca pomba do cristianismo. Símbolo da força sexual, do
Espírito Santo, do Santo Shiva, a potência que viaja radiante no interior e no exterior de todas as
criaturas.

Pela pureza de sua plumagem e fidelidade ao seu companheiro, o cisne simboliza a fidelidade e
pureza do Amor Verdadeiro. Também nos remete à castidade e à inocência infantil.

A MORTE DO CISNE


O arco e a flecha são símbolos sexuais. A morte do cisne com uma flechada simboliza a
fornicação, o pecado original.

Gurnemanz e os Cavaleiros do Graal repreendem Parsifal, que não entende o porquê de tantos
questionamentos, de tantas críticas.

Mestre Samael bem advoga: Mas, por que tanto alvoroço, tumulto e desordem? Quem nunca feriu
de morte o cisne Kala-Hamsa? Quem nunca violou o sexto mandamento da lei de Deus que diz
“Não Fornicar”? “Aquele que se sentir livre de pecado que atire a primeira pedra”.


VIAGEM AO SANTO GRAAL
Conduzido por Gurnemanz, o guru, Parsifal se dirige ao Templo de Montsalvat através da Quarta
Dimensão, “onde o tempo se faz espaço”.

Como explana o Avatara de Aquário sobre as dimensões: O tempo em si mesmo é a quarta dimensão
– isto está claro. A quarta coordenada se resume a dois aspectos bem definidos: tempo e espaço.

(…) Dentro do mundo tridimensional em que vivemos existe sempre uma quarta vertical, e esta é,
em si mesma, o tempo.
(…) Na eternidade não há tempo. A eternidade vem a ser a quinta dimensão, tu o sabes. Na
eternidade, tudo se processa dentro do eterno agora. Ouviste falar disso que está além do tempo e
da eternidade? É claro que existe a sexta dimensão. E que diremos da dimensão zero
desconhecida? Espírito puro? Sim! Sim! Sim!...

O velho Gurnemanz, com essa sabedoria iluminada pelo tempo, tudo entendia e sabiamente
conduzia o filho de Herzeleide até o Santo Graal.

(…) O Parsifal wagneriano, depois de muitas amarguras, é conduzido sabiamente por seu Guru
Gurnemanz até o Santuário Sagrado do Graal com o evidente propósito de ensinar-lhe os Mistérios
da Transubstanciação.
VIAGEM AO SANTO GRAAL
TEMPLO DE MONTSALVAT
Mesmo ferido pela Lança Sagrada e contra sua vontade (pois cheio de remorso pelo pecado), o rei
Anfortas realiza o sacro ritual para bendizer o pão e o vinho para a congregação do Graal. Ao erguer
o Santo Cálice, um puríssimo raio de luz cai sobre ele, fazendo-o brilhar majestosamente. Diz o
Venerável Mestre: Isso nos recorda o Sahaja Maithuna no instante supremo. Os mistérios do
Lingham-Yoni são tremendamente divinos. (…) Anfortas sabe usar a cruz fálica e com o semblante
transfigurado ergue o Graal ao alto e abençoa o pão e o vinho da transubstanciação.
TEMPLO DE MONTSALVAT
O Santo Graal é o cálice milagroso da suprema bebida, o Vaso Regenerador, o yoni sexual feminino,
de onde devemos beber o néctar iniciático dos Deuses Santos. No Vaso Santo da mulher está o
vinho raro da espiritualidade transcendente. A tentação é fogo, o triunfo sobre a tentação é luz.

O Venerável Anfortas, grande senhor, Rei do Graal, sucessor do velho Titurel, outrora ferido pelo
sexo, phallus ou lança, quando foi vítima da sedução sexual, somente pôde ser curado com a mesma
haste que o feriu.

A Autorrealização Íntima do Ser é impossível sem o conúbio sexual entre homem e mulher. Essa é a
síntese do ensinamento do Cálice e da Lança.
O CASTELO DE KLINGSOR
No topo de seu castelo, o tenebroso Klingsor a tudo espia através de seu espelho mágico. Com seu
poder mágico ele invoca Parsifal para seus luxuriosos domínios e a enfeitiçada Kundry para que o
faça cair como tantos outros Cavaleiros caíram.

Existem momentos supremos na humanidade, e este é precisamente um deles. Chegou o instante
terrível, a hora das grandes decisões.
O CASTELO DE KLINGSOR
Klingsor, o Ego, ordena que seduza Parsifal e Kundry nada pode fazer a não ser protestar.

É urgente eliminar o “Eu Psicológico”, todavia, deve recordar-se que não existe um “Eu”, mas uma
multiplicidade de “Eus” dentro de nós.

Alguns caprichosos grupos de egos (agrupados sem qualquer ordem ou coordenação) possuem
ligações psíquicas constituídas de associações naturais de tipo totalmente acidental: recordações
fortuitas ou semelhanças especiais. Porém, cada ego pensa ser o todo.

JARDIM ENCANTADO
No Jardim Encantado de Klingsor residem as terríveis ninfas, as mulheres-flores, tentadoras que a
muitos valorosos portadores do Graal fizeram cair. Dessa vez, querem uma nova vítima.

O Venerável Mestre Samael assim descreve a cena: Nesta passagem ígnea do colosso existe cor,
amor, perfume, encantos indecifráveis. Tudo quanto possa seduzir os sentidos humanos. Porém, é
óbvio que o herói não sucumbe na batalha das tentações.

Em todos os templos sagrados, Grandes Iniciados tiveram que passar por essas mesmas tentações,
cercados de luxuriantes damas, vestais iniciáticas, sem derramar sua energia preciosa, sem se
identificar com um único fio de cabelo das belas mulheres do templo.
JARDIM ENCANTADO
Apesar da vitória sobre as tentadoras mulheres-flores, tudo teria sido em vão se Parsifal não
derrotasse a terrível Kundry, a diaba original. Ela tenta enfeitiçá-lo com o terrível beijo, trabalhando
magneticamente no centro sexual do herói, como fez com Anfortas.

Mestre Samael: Depois vem o melhor - o herói invoca a lembrança do Vaso Sagrado e do Sangue
Divino derramado pelo pecado. Heroicamente, rechaça Kundry, a Madalena wagneriana, que
espantosamente revolve-se no seu leito de flores, agitada pela mais tremenda luxúria. Em vão
Kundry usa todos os encantos, enganos e artifícios que lhe sugere sua astúcia. O herói consegue
escapar...
TRIUNFO
TRIUNFO
A Magia Sexual ensinada pelo Venerável Mestre é sintetizada na seguinte frase: I nmissio Membri
Virilis in Vagina Femina Sine Ejaculatium Seminis, ou seja, conexão do Lingam (falo) com o Yoni
(útero) sem ejaculação da entidade do sêmen.

O desejo sexual refreado fará subir a energia criadora até o cérebro, resultando na “seminização” do
cérebro e na “cerebrização” do sêmen.

Na obra “Para os Poucos”, escrito está: Não há dúvida que o “ectais” formal (útero feminino)
devidamente conectado com o “falus” vertical (falo masculino) fazem a cruz; os quatro pontos da
cruz são: a Ciência, a Filosofia, a Arte e a Mística. Somente mediante os mistérios do Lingam-Yoni
e Pureza é possível conectar a alma com o espírito, o Macrocósmico com o Microcósmico.

Obviamente, Parsifal rejeitar Kundry não significa a rejeição do homem contra a mulher, mas sim a
rejeição do derramamento da energia criadora. Ele não se identifica com o ato sexual, mas recorda o
Cálice Sagrado e a ferida do rei Anfortas. Ele não se esquece de si mesmo e dos princípios do Santo
Graal. Antes do instante fatal ele se retira do sexo, vencendo a si mesmo.
Derrotada, Kundry invoca o mago negro, seu senhor, que arremessa a Lança do Graal contra
Parsifal. Porém, o herói está purificado, invulnerável contra o pecado. Parsifal toma a Lança que
flutua no ar e com ela faz o sinal da cruz, com o que faz desabar o Castelo de Klingsor e que
invoca furacões que levam para longe o jardim das delícias do pecado. As mulheres-flores murcham
e ressecam. Kundry cai ao solo, desesperada. Klingsor, ele mesmo, cai morto e se torna poeira
cósmica.

Parsifal ergue a Lança, (…) o emblema extraordinário do Genius Lucius, a força ódica ou
magnética, com a qual faz o sinal da cruz para transformar em poeira cósmica o Ego Animal.



TRIUNFO
O RETORNO AO PONTO INICIAL
Na primeira hora da Sexta-Feira Santa, Parsifal retorna ao bosque onde encontrara o velho mestre
Gurnemanz. Todavia, o herói retorna de cruentas batalhas contra si mesmo. Vestido como guerreiro
em vestes negras, empunhando em sua destra a Lança Sagrada e em sua sinestra o seu escudo (da
sabedoria). Tais vestiduras são representações da dor e da luta, dos terríveis padecimentos
voluntários para a morte do ego.

Já foi dito: o final é igual a começo, mais a experiência.

Assim o Mestre urge: É indispensável e urgente morrer radicalmente em nossa própria
personalidade, na carne, no Eu, com firme propósito de encarnar a potência de Deus em nós.
O RETORNO AO PONTO INICIAL
Com o auxílio de Gurnemanz, Parsifal retira as vestes negras e revela suas vestes brancas,
simbolizando que já embranquecera o latão, possui os Corpos Solares Cristificados. É um Mestre!
Encarnou o Ser Íntimo! É o novo Rei do Graal!

Sem as influências de Klingsor (o Ego), Kundry lava os pés do santíssimo, pois agora só pretende
servir, servir ao Santo Graal e a todos que buscam a redenção e que sabem vencer a tentação.

Nenhum Mestre Iluminado surge por acaso. Há necessidade de muitas lutas, muitas baixadas, pois
“antes de toda exaltação, há uma humilhação”. É necessário muitos esforços conscientes e
padecimentos voluntários.



A LANÇA DA SANAÇÃO
Retornando ao Templo de Montsalvat, encontramos Anfortas recusando-se a realizar novamente o
ritual da transubstanciação, pois está cheio de pesar e prefere a morte a elevar novamente o Cálice
Sagrado.

Parsifal cura a ferida em suas costas, pois só a Lança Sagrada, a Lança de Longinus, aquela mesma
lança dos pactos sagrados que o deus Wotan (Wodan, Woden, Odin) empunhava, pode nos curar do
pecado da fornicação. Curado e expidado, Anfortas retira o cálice da urna. Parsifal a toma e realiza
o ritual da Transubstanciação. Assim, uma vez mais, a congregação do Graal pode receber as forças
superiores crísticas para continuarem sua obra. A bela Kundry é redimida pelo novo Rei do Graal,
caindo ao solo desmaiada.


A TRANSUBSTANCIAÇÃO
Mestre Samael nos fala sob o milagre do vinho crístico: O Sacerdote Gnóstico, em estado de
êxtase, percebe essa substância cósmica do Cristo-Sol encerrada no pão e no vinho, e atua
desligando-a de seus elementos físicos para que os átomos crísticos penetrem vitoriosamente nos
organismos humanos.

Esses átomos solares, essas vidas ígneas, esses agentes secretos do Adorável, trabalham
silenciosamente dentro do Templo-Coração convidando-nos uma ou outra vez a trilharmos a Senda
que nos conduzirá ao Nirvana.

É evidente e palpável a misteriosa ajuda dos átomos crísticos.
A TRANSUBSTANCIAÇÃO
É inquestionável que as palavras Vinho, Vida e Videira possuem diferentes origens. Mas nem por
isso deixam de ter certas afinidades simbólicas.

Não de outra forma relaciona-se o Vinho com “Vis”, “Força”, e com “Virtus”, “Força Moral”,
assim como “Virgo”, “Virgem” (a Serpente Í gnea de nossos mágicos poderes).

(…) Transformar o pão (semente) em carne solar, e o vinho delicioso em sangue crístico e fogo
santo, é o milagre mais extraordinário do Sexo-Yoga.

(…) Para os gnósticos, o corpo físico é algo como alma materializada e condensada, e não um
elemento impuro, pecaminoso, como supõem os tratadistas da ascese absoluta do tipo medieval.

(…) Necessitamos reconciliar-nos com o Supremo Criador, de maneira que Ele possa reconhecer na
carne a sua própria criatura.
SÍNTESE
Samael Aun Weor sintetiza a obra wagneriana recordando os graus esotéricos clássicos da
Maçonaria Oculta: Aprendiz, Companheiro e Mestre.

Assim o Cristo do Raio da Força ensina: Aquele adolescente da primeira parte do drama nada sabe
sobre a mansão das delícias e a região do amor com as mulheres-flores perigosamente belas, nem
sobre essa Kundry, Herodías, Gundrígia estranhamente pecadora; é, portanto, o Aprendiz da
Maçonaria Oculta. Possui a consciência adormecida e apenas busca um alento para seu sofrido
coração.
SÍNTESE
O Parsifal da segunda parte é o homem que desce valorosamente ao Nono Círculo Dantesco. É o
aspirante que trabalha na Forja Acesa de Vulcano, o Companheiro, (…) o místico que vence as sete
sacerdotisas da tentação.

O herói da terceira parte é o Mestre que regressa ao templo depois da haver sofrido muito. (…) O
devoto da terceira parte é o asceta vestido com os Trajes de Bodas da Alma, maravilhosa síntese
dos corpos solares, no qual estão contidas a emoção superior, a autêntica mente e a vontade
consciente.
O V. M. Samael faz um pequeno hino em homenagem à mulher na sua obra “Parsifal Desvelado”,
recordando-nos que ela é a alma mater (“mãe que alimenta”) da Grande Obra, o caminho secreto do
Mistério, sem qual estaríamos condenados ao Abismo e à segunda morte:

Mulher adorável!...Tu és a senda do fio da navalha, o rochoso caminho que conduz ao Nirvana.
Quem me dera tomar tuas brancas mãos para apertar com elas o coração e beijá-las ardentemente,
escutando muito atentamente de teu amor as dulcíssimas e fascinantes palavras. Quem me dera
sentir sobre o meu peito reclinado tua lânguida cabeça e escutar teus divinos suspiros de amor e
poesia. Quem me dera pousar casto e suave meu carinhoso lábio em teus cabelos, e que sentisses
soluçar minha alma em cada beijo que neles deixasse! Quem me dera roubar um só raio
maravilhoso dessa luz de teu olhar em calma para ter depois com que iluminar a solidão da alma.
Ah! Quem me dera ser tua própria sombra, o mesmo suave ambiente que teu rosto banha, e por
beijar teus olhos celestiais, a lágrima que tremula em teus cílios, e ser um coração todo alegria,
ninho de luz e de divinas flores, onde tua alma de pomba dormisse o sono virginal de teus amores.


HINO À MULHER
HINO DO GRAAL
Dia após dia, disposto para a última ceia do Amor Divino, o banquete será renovado, como se pela
última vez tivesse hoje de consolar-lhe para quem haja se alegrado nas boas obras. Acerquemo-nos
do ágape para receber os augustos dons.

Assim como entre infinitas dores correu um dia o sangue que redimiu o mundo, seja meu sangue
derramado com coração gozoso pela causa do Herói Salvador. Vive em nós, por sua morte, o corpo
que foi oferecido para nossa salvação.

Viva para sempre nossa fé, pois que sobre nós desça a pomba, propícia mensageira do Redentor.
Comei do pão da vida e bebei do vinho que para nós emanou.
OBRAS RECOMENDADAS
O Anel do Nibelungo
(4 Óperas):
- O Ouro do Reno
- A Valquíria
- Siegfried
- O Crepúsculo dos Deuses


Lohengrin, o Cavaleiro do Cisne