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Disciplina:

Disciplina:

Direito Penal

 
Disciplina: Direito Penal Prof. Anderson Passos Juiz de Direito Ex- Procurador Federal Ex- Analista Judiciário do

Prof. Anderson Passos

Juiz de Direito

Ex- Procurador Federal Ex- Analista Judiciário do TRE-PE

Ex- Assistente Judiciário do TJ-PE

Especialista em Direito Constitucional pela UCAM Especialista em Direito Público pela PUC-MINAS

Bacharel em Direito pela UFPE

 
Disciplina:

Disciplina:

Direito Penal

Professor: Anderson Passos

Disciplina: Direito Penal Professor: Anderson Passos TIPO CULPOSO

TIPO CULPOSO

 

Código Penal. Art. 18. Diz-se o crime (...)

II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou

imperícia.

.

 

Conceito de crime culposo:

 

Segundo MIRABETE, o delito culposo é “a conduta humana voluntária (ação ou omissão) que produz resultado antijurídico não querido, mas previsível, e excepcionalmente previsto, que podia, com a devida atenção, ser evitado”.

Elementos:

  • a) conduta humana voluntária, seja ela comissiva ou omissiva;

 

b) inobservâ ncia de um dever objetivo de cuidado (negligê ncia,

imprudê ncia ou imperícia);

 
  • c) resultado lesivo não querido nem assumido pelo agente;

  • d) nexo de

causalidade entre a conduta do agente que

deixa de

observar o seu dever de cuidado e o resultado lesivo dela advindo;

  • e) previsibilidade;

  • f) tipicidade.

 

CONDUTA

Nos delitos culposos, a conduta do agente dirigida, em regra, a um fim lícito. O ato será penalmente relevante não pela finalidade, mas pelos meios empregados para alcançá-la, que desatenderam à obrigação objetiva de cuidado para não lesar a bens jurídicos de terceiros(Greco).

Difere-se do delito doloso, posto que neste último a conduta é direcionada a um fim ilícito.

 

INOBSERVÂNCIA DE UM DEVER OBJETIVO DE CUIDADO

A todos, no convívio social, é determinada a obrigação de realizar condutas de forma a não produzir danos a

terceiros (Damásio).

Esse dever faz com que atendamos a determinadas regras sociais de comportamento nem sempre escritas ou expressas. E cada membro da sociedade vive em constante presunção de que os outros membros efetivamente respeitam tais regras.

Se o agente age de forma lícita, com finalidade lícita, mas inobserva esses deveres a todos impostos causando danos a bens jurídicos de terceiros, deve ser responsabilizado pelos danos.

 

RESULTADO

Para que haja crime culposo há necessidade de efetiva produção do

resultado danoso.

Embora o agente tenha agido em completa inobservância ao dever objetivo de cuidado, seja de forma imprudente, negligente ou imperita, não poderá ser penalmente responsabilizado se efetivamente não causar danos a bens jurídicos penalmente tutelados.

Ex.: Deixar um vaso pesado no parapeito de uma janela de um prédio não será crime se o vaso não cair ou ainda que caia, se não atingir qualquer pessoa, posto que não houve a produção de um resultado danoso.

 

NEXO DE CAUSALIDADE

Para haver crime a conduta do agente é que deve dar causa ou

resultado danoso.

TIPICIDADE

A conduta culposa só poderá ser considerada crime se houver previsão legal expressa para essa modalidade de infração. O dolo a regra, a culpa, a exceção. Em atenção ao Princípio da Intervenção Mínima, somente os crimes mais graves merecem enquadramento sob a forma culposa (Greco).

 

PREVISIBILIDADE

Diz-se que no crime culposo, o agente não prevê aquilo que lhe era previsível.

NELSON HUNGRIA apresenta um conceito jurídico-penal de previsibilidade: “ocorre quando o agente, nas circunstâncias em que se encontrou, podia, segundo a experiância geral, ter-se representado, como possíveis, as consequências de seu ato”.

O resultado é previsível se pudesse ser mentalmente antecipado pela perspicácia comum, pelo homo medius. (Greco).

 

Modalidades da culpa

a) imprudência: arriscar-se sem necessidade, sem razão. Nas

palavras de Rogério Greco é uma "conduta positiva, praticada sem os cuidados necessários, que causa resultado lesivo previsível ao agente. a prática de um ato perigoso sem os cuidados que o caso requer. exteriorizada em um fazer.

b) negligência: deixar ou esquecer de verificar certos requisitos

antes de praticar uma ação. Na negligência o sujeito deixa de

fazer alguma coisa que a prudência impõe.

c) imperícia: É a falta de aptidão para o exercício de arte ou

profissão (Damásio de Jesus).

 

CULPA INCONSCIENTE X CULPA CONSCIENTE

CULPA INCONSCIENTE o agente deixa de prever o resultado que lhe era previsível;

CULPA CONSCIENTE o agente, embora preveja o resultado, não deixa de praticar a conduta acreditando, sinceramente, que esse resultado não venha a ocorrer.

A culpa inconsciente, ou culpa comum, a culpa sem previsão. A culpa consciente a culpa com previsão.

 

DIFERENÇA

ENTRE

CULPA

CONSCIENTE

E

DOLO

EVENTUAL

CULPA CONSCIENTE o agente, embora preveja o resultado, não deixa de praticar a conduta acreditando, sinceramente, que esse resultado não venha a ocorrer.

DOLO EVENTUAL embora o agente não queira diretamente o resultado, assume o risco de vir a produzi-lo.

Enquanto na culpa consciente o agente efetivamente não quer produzir o resultado, no dolo eventual, embora também não queira produzi-lo, não se importa com sua ocorrência ou não.

 

CONCORRÊNCIA DE CULPAS

Concorrência de culpas ocorre quando dois agentes, ambos

agindo de forma culposa (em qualquer de suas modalidades), causam danos reciprocamente. Neste caso, ambos responderão pelo delito, não havendo possibilidade de compensação das

culpas.

EXCEPCIONALIDADE DO CRIME CULPOSO

A regra,

tanto no Código Penal quanto na legislação penal

extravagante, a de que todo crime a princípio só é punível a título de dolo, só podendo haver crime culposo quando expressamente previsto na legislação.

 

Questões

(CESPE / Auditor TCU) A respeito das espécies de dolo, o Código Penal adotou a teoria da vontade para o dolo direto e

a teoria do risco para o dolo eventual.

(CESPE / Oficial - PM DF) João, momentos antes de atirar em Sebastião, percebeu que poderia também atingir a

namorada de Sebastião, Maria, que se encontrava abraçada a este. Não obstante essa possibilidade previsível, João atirou em Sebastião e matou também Maria. Nessa situação, João

deverá responder por dois crimes de homicídio: em relação a

Sebastião, a título de dolo direto, e em relação a Maria, a título de dolo eventual.

 

Questões

(CESPE / OAB / 2009) Considere que determinado agente,

com intenção homicida, dispare tiros de pistola contra um

desafeto e, acreditando ter atingido seu objetivo, jogue o suposto cadáver em um lago. Nessa situação hipotética, caso se constate posteriormente que a vítima estava viva ao ser

atirada no lago, tendo a morte ocorrido por afogamento, fica

caracterizado o dolo geral do agente, devendo este responder por homicídio consumado.