Você está na página 1de 24

Policiamento por

Consenso
Construindo e sustentando o Pacto
Social em
Sociedades Livres e Plurais

Profa. Jacqueline Muniz


jajamuniz@uol.com.br
UCAM
www.estudosdeseguranca.blogspot.com

Rio de Janeiro, 29 de Novembro de 2008

A publicação, divulgação, reprodução parcial ou integral deste material dependem de


autorização escrita de seus autores e da indicação de seus créditos autorais.
existência ou implosão do Pacto Social
Um mundo insustentável, uma simulação
O Dilema da Proteção – uma
simulação
Dos limites dos mecanismos particulares de proteção e a
construção da segurança pública nas sociedades livres e plurais
(-) Seguro
(-) Seguro (-) Seguro

A
Fluxos das Percepções de

A (+) Proteção A (+) Proteção


Ameaças

B (+)
Proteção
B (+)
Proteção
B
(-) Seguro (-) Seguro
(-) Seguro
PROTEÇÃO ≠ SEGURANÇA
PÚBLICA
Um mundo Pré-pacto Social
Da impossibilidade da

X
vida em comum

Individualismo Circuito Perverso da


possessivo e egoísta
Governar é
Proteção
Ameaças
proteger (diversificação)
Desconfiança e
Acordos precários
ameaças como
fundamentos das Estado
Clamor social
(Alianças provisórias)

interações sociais
Imprevisibilidade,
incerteza e traições nas
de
(demandas punitivas, vigilantismo)
Poder instável
(governo vulnerável,

atitudes e Direito
Fabricação de medos
(discriminação e preconceitos)
comando imprevisível)

comportamentos
Vinculos precários e Agravamento da Tiranias
insegurança coletiva
instáveis que não
sobrevivem ao imediato Uso do Terror
(imprevisibilidade, espetáculo,
Fabricação de Guerras Justiçamento)
Acordos provisórios e
impossibilidade de
qualquer contrato
“OFERECER PROTEÇÃO” NÃO É PROVER
SEGURANÇA PÚBLICA !

“O fundamento da “lógica da proteção” é a


sustentação ou fabricação indefinida e constante
de ameaças. Conduz à sujeição dos indivíduos e
grupos, ao abandono das garantias individuais e
coletivas.”

“A lógica da proteção, incapaz de promover


a segurança coletiva, introduz o medo como
conselheiro, a violência como cotidiano e o
terror como horizonte.”

Muniz &Proença Jr. A Ameaça da Proteção, Jornal Valor Econômico, 2006


ntruindo e Sustentando o Pacto Social
Negociando as Regras do Jogo para
a Vida em Comum
Pactuação Continuada: Construindo a
Ordem Pública diante da pluralidade de
valores e interesses e suas diversas
Contexto 1 fronteiras Contexto 2
A A

E B E B

D C D C
Contexto 3

E B

D C
© 2007 Muniz, Jacqueline
Construção da Ordem Social e Percepções de
(in)Segurança
Ordem Social

Oportunidade

Práticas
Práticas Inaceitáveis
Não Violentas
Práticas divergentes

Práticas convergentes
Motivação

Vontade
Crimes

Práticas Violentas
aceitáveis

Meios
© 2007 Muniz & Proença Jr
Pactuação, Controle e Auto-regulação
Social
Os fundamentos para o policiamento
público e estatal
Ordem
Social

Dispositivos de
Controle social Policiamentos Polícias
Públicos e privados policiamentos públicos
e estatais

Todas as ações de polícia se inserem no campo da


segurança pública, mas nem todas as ações de
segurança pública são de competência da polícia.
Policiamentos Públicos e Estatais
MANDATO DE POLICIAMENTOS PÚBLICOS: Produção
de alternativas pacíficas e negociadas de obediência ao
pacto social, com respaldo da força quando necessário,
sob consentimento coletivo (autorizações) e diante do
Império da lei (regras do jogo).

© 2007 Muniz & Proença Jr


pública?

Ordem Pública Democrática e


Os problemas de segurança
seus diversos atores
vividos pelos cidadãos no
espaço urbano, ultrapassam
a competência exclusiva e a
intensidade das ações das
polícias, requerendo a
cooperação solidária e Polícias
regular das comunidades e
das agências públicas e civis Órgãos Públicos
e Civis
prestadoras de serviços
essenciais à população. Comunidades

© 2007 Muniz & Proença Jr


Efeitos da Polícia na Ordem Social

Idéia de Polícia
Expectativas do Mandato Policial
Efeitos da Existência da Polícia Indução de
Representações Auto-regulação
e expectativas sociais
sobre a polícia e sua
capacidade de exercer o
mandato do uso da Re
Prevenção
p re
força com ss
Co Q ão
consentimento social e n u
sob o império da lei. Efeitos Ma se ant
Uso de Força Policial io ntim o m
da Presença po rf e e
R
r s(u aepragi nto nor
Dissuasão
M
Policial de uam ndre lid s
Uso Potencial Cod sp m vefim atssãad oci
eer saropesmz, em o o e
e d al, Ordem Social
ç
ac ãoutoorc a a sm , o
Uso Concreto um p riz io = io i
ul elaaçnal r us
Efeitos Repressão ad foõe d o
as r ç s e
da Ação ) a
Policial © 2007 Muniz & Proença Jr
O Círculo Virtuoso do Policiamento Público

ADMINISTRAÇÃO DE CONFLITOS

QUALIFICA Prevenção ORIENTA

Repressão Dissuasão

AUTO-REGULAÇÃO SOCIAL

© 2007 Muniz , Proença Jr & Patrício


Toda a intervenção policial é, por natureza,
uma solução finita no tempo e no espaço.

 Trata-se de uma iniciativa provisória e


situacional que não intervém nas
causas que originam os conflitos.

 A polícia altera oportunidades, não muda as


vontades humanas.

 A polícia intervém sobre atitudes e não


sobre comportamentos e trajetórias sociais.

© 2008 Muniz , Proença Jr


Policiamentos Públicos em
Sociedades Livres e Plurais

Sustentação do Pacto de uma


comunidade política

Expressão mais sensível e


concreta do exercício de
Policiamento governo, de uma forma de
governar
Público e Estatal: Afirmação do território sob a lei
sua Natureza Política de um governo e suas fronteiras

Estabilidade, regularidade e
previsibilidade no exercício do
poder
 Quanto mais excludente é o pacto social,
mais os policiamentos públicos tornam-se
desiguais e discriminatórios.

Quanto mais precário é o pacto social, mais


aumenta a resistência social à presença,
expectativa de presença e ação policial.

Quanto mais precário o pacto social, menor é


o consentimento social dado a polícia.

Quanto menor o consentimento social,


menores são a eficácia, eficiência e efetividade
policiais. © 2008 Muniz , Proença Jr
Para uma Perspectiva Plural e Democrática
de Segurança Pública

© 2007 Muniz & Proença Jr


Ordem Pública Democrática e Preservação da Ordem
seus diversos atores
Pública em Sociedades
Livres e Plurais
Inclui variáveis extra-policiais.
Polícias

Ultrapassa a abrangência, a intensidade e a


Órgãos Públicos
e Civis
qualidade das ações exclusivas de polícia.

Comunidades
É maior que as políticas de polícia e
policiamento.

Uma Ousadia Necessária


A ruptura de falsas opsições:

Ação policial Ação social


Instrumentos de X
Controle social

Policiamentos Polícias Segurança Pública Ação Policial


=

© 2007 Muniz & Proença Jr


Ordem Pública, Segurança Pública e
Segurança Urbana (local)

O que
A ordem é Ordem
pública Pública?
é dinâmica e processual
Uma Perspectiva Jurídica
A Perspectiva Sociológica

“Daí decorre a variabilidade do Enfatiza-se o caráter dinâmico da


conceito de Ordem Pública no ordem pública como um espaço plural
tempo e no espaço, vinculado de socialização, onde diversos
sempre à noção de interesse grupos de interesses convergentes e
público e de proteção à divergentes estão atuando de maneira
segurança, à propriedade, à a fazer valer as suas reivindicações,
direitos e deveres.
saúde pública, aos bons
costumes, ao bem-estar coletivo
o conflito é a base da construção
e individual, assim como à
da ordem social, e por sua vez, a
estabilidade das instituições em
sua administração sustenta a
geral”.
ordem pública democrática.
Meirelles, 1987: p. 157
© 2007 Plural Ltda
A preservação da Ordem Pública Democrática sob a
perspectiva da Segurança Local

Vis
ão
ren
o
loc vadad
alid a
ade

sa dar get nI saci tìl o P


) ona br u el ai c o S. se d(
dI
ãa
çcifitne dserotaf sni
srei
vdedo eocsire açnaruge
so

SEGURANÇA Controle
LOCAL pela
lapre
redução venção
deriscos
e
R danos
cehnoce nI
emi ulc
eotn revidoãs tnegA
sos aicosse
si

© 2007 Muniz & Proença Jr


© 2007 Muniz & Caruso
Prevenção Social e Situacional
SOCIAL
SITUACIONAL
• Intervém sobre as
• Intervém sobre os
identidades,
fatores ou aspectos que
caracterizam um comportamentos e
ambiente, território, trajetórias de indivíduos,
lugar ou local que podem grupos e coletividades
estar favorecendo a expostas à riscos e
oportunidade do vulnerabilidades.
cometimento de
• Estes riscos reúnem
violências, crimes,
desordens, etc. aspectos culturais,
políticos, econômicos, etc.
• Estes aspectos incluem
desde elementos físicos Dois níveis de intervenção:
do local até os fluxos ou 1) Possíveis perpetradores e
trajetos de pessoas e vítimas (grupos vulneráveis);
bens.
2) Indivíduos ou grupos que já
• Intervenção no espaço praticaram crimes ou
público. violências.

© 2007 Plural Ltda


Prevenção Social e Situacional
SOCIAL
SITUACIONAL

• Estimular o controle • Sustentar, garantir e


social dos acessos e ampliar a cidadania pela
fluxos; democratização dos bens
sociais, econômicos,
culturais, etc.
• Estimular a confiança
e a colaboração;

• Intervir nas múltiplas


• Reforçar a identidade causas que possibilitam
com o espaço público; atitudes violentas e
criminosas;

• Estimular a
participação e a
• Estimular a resolução
responsabilidade da
comunidade. pacífica de conflitos.

© 2007 Plural Ltda


A preservação da Ordem Pública Democrática sob a
perspectiva da Segurança Urbana

Prevenção Social
Vis
ão
ren
ova
d
cid ada
ade

sa dar get nI saci tìl o P


Gestão de riscos associados no uso coletivo dos espaços públicos

) ona br u el ai c o S. se d(
nedI f
doçacifit edserotaf ugesni
ã
Redução de vide eocsir açnar
Danos
sosre

Redução antecipada de oportunidades de vitimização


Intervenções na infra-estrutura
SEGURANÇAsocial, ambiental e urbana
Controle
URBANA pela
lapre
redução venção
deriscos
e
R danos
cehnoce nI
emi ulc
eotn revidoãs tnegA
sos aicosse
si Prevenção Situacional
© 2007 Muniz & Proença Jr
© 2007 Plural Ltda