Você está na página 1de 24

O QUE FAZ A SOCIEDADE BRASILEIRA

SER O QUE É?

O QUE FAZ A SOCIEDADE BRASILEIRA SER O QUE É? Nome: Reinan Soares dos Reis Faculdade

Nome: Reinan Soares dos Reis

Faculdade Anhanguera Disciplina: Ciências Sociais 2013

RA:7626706665

A CULTURA BRASILEIRA

A cultura brasileira é uma síntese da influência dos vários povos e etnias que formaram o povo brasileiro. Não existe uma cultura brasileira perfeitamente homogênea, e sim um mosaico de diferentes vertentes culturais que formam, juntas, a cultura do Brasil. Naturalmente, após mais de três séculos de colonização portuguesa, a cultura do Brasil é, majoritariamente, de raiz lusitana. É justamente essa herança cultural lusa que compõe a unidade do Brasil: apesar do povo brasileiro ser um mosaico étnico, todos falam a mesma língua (o português) e, quase todos, são cristãos, com largo predomínio de católicos. Esta igualdade linguística e religiosa é um fato raro para um país de grande tamanho como o Brasil, especialmente em comparação com os países do Velho Mundo.

Embora seja um país de colonização portuguesa, outros grupos étnicos deixaram influências profundas na cultura nacional, destacando-se os povos indígenas, os africanos, os italianos e os alemães. As influências indígenas e africanas deixaram marcas no âmbito da música, da culinária, do folclore, do artesanato, dos caracteres emocionais e das festas populares do Brasil, assim como centenas de empréstimos à língua portuguesa. É evidente que algumas regiões receberam maior contribuição desses povos: os estados do Norte têm forte influência das culturas indígenas, enquanto algumas regiões do Nordeste têm uma cultura bastante africanizada, sendo que, em outras, principalmente no sertão, há uma intensa e antiga mescla de caracteres lusitanos e indígenas, com menor participação africana.

No Sul do pais as influências de imigrantes italianos e alemães são evidentes, seja na língua, culinária, música e outros aspectos. Outras etnias como árabes, espanhóis, poloneses e japoneses contribuíram também para a cultura do Brasil, porém de forma mais limitada.

A SOCIEDADE BRASILEIRA E SEUS

PRINCIPAIS ELEMENTOS FORMADORES

O substrato básico da cultura brasileira formou -se durante os séculos de colonização, quando ocorre a fusão primordial entre as culturas dos indígenas, dos europeus,

especialmente portugueses, e dos escravos trazidos da África. A partir do século XIX, a

imigração de europeus não-portugueses e povos de outras culturas, como árabes e asiáticos, adicionou novos traços ao panorama cultural brasileiro. Também foi grande a influência dos grandes centros culturais do planeta, como a França, a Inglaterra e, mais recentemente, dos Estados Unidos, países que exportam hábitos e produtos culturais para o resto do globo.

A SOCIEDADE BRASILEIRA E SEUS PRINCIPAIS ELEMENTOS FORMADORES O substrato básico da cultura brasileira formou -

OS PORTUGUESES

Dentre os diversos povos que formaram o Brasil, foram os europeus aqueles que exerceram

maior influência na formação da cultura brasileira, principalmente os de origem portuguesa.

Durante 322 anos o território foi colonizado por Portugal, o que implicou a transplantação tanto de pessoas quanto da cultura da metrópole para as terras sul-americanas. O número de colonos portugueses aumentou muito no século XVIII, na época do Ciclo do Ouro. Em 1808, a própria corte de D. João VI mudou-se para o Brasil, um evento com grandes implicações políticas, econômicas e culturais. A imigração portuguesa não parou com a Independência do Brasil:

Portugal continuou sendo uma das fontes mais importantes de imigrantes para o Brasil até

meados do século XX.

A mais evidente herança portuguesa para a cultura brasileira é a língua portuguesa, atualmente falada por virtualmente todos os habitantes do país. A religião católica, crença da maioria da população, é também decorrência da colonização. O catolicismo, profundamente arraigado em Portugal, legou ao Brasil as tradições do calendário religioso, com suas festas e procissões. As duas festas mais importantes do Brasil, o carnaval e as festas juninas, foram introduzidas pelos portugueses. Além destas, vários folguedos regionalistas como as cavalhadas, o bumba-meu-boi, o fandango e a farra do boi denotam grande influência portuguesa. No folclore brasileiro, são de

origem portuguesa a crença em seres fantásticos como a cuca, o bicho-papão e o lobisomem,

além de muitas lendas e jogos infantis como as cantigas de roda.

OS PORTUGUESES Dentre os diversos povos que formaram o Brasil, foram os europeus aqueles que exerceram
OS PORTUGUESES Dentre os diversos povos que formaram o Brasil, foram os europeus aqueles que exerceram

Na culinária, muitos dos pratos típicos brasileiros são o resultado da adaptação de pratos portugueses às condições da colônia. Um exemplo é a feijoada brasileira, resultado da adaptação dos cozidos portugueses. Também a cachaça foi criada nos engenhos como substituto para a bagaceira portuguesa, aguardente derivada do bagaço da uva. Alguns pratos portugueses

também se incorporaram aos hábitos brasileiros, como as bacalhoadas e outros pratos baseados

no bacalhau. Os portugueses introduziram muitas espécies novas de plantas na colônia, atualmente muito identificadas com o Brasil, como a jaca e a manga.

De maneira geral, a cultura portuguesa foi responsável pela introdução no Brasil colônia dos grandes movimentos artísticos europeus: renascimento, maneirismo, barroco, rococó e neoclassicismo. Assim, a literatura, pintura, escultura, música, arquitetura e artes decorativas no

Brasil colônia denotam forte influência da arte portuguesa, por exemplo nos escritos do jesuíta

luso-brasileiro Padre Antônio Vieira ou na decoração exuberante de talha dourada e pinturas de muitas igrejas coloniais. Essa influência seguiu após a independência, tanto na arte popular como na arte erudita.

OS INDIGENAS

A colonização do território brasileiro pelos europeus representou em grande parte a destruição física dos indígenas através de guerras e escravidão, tendo sobrevivido apenas uma pequena parte das nações indígenas originais. A cultura indígena foi também parcialmente eliminada pela

ação da catequese e intensa miscigenação com outras etnias. Atualmente, apenas algumas

poucas nações indígenas ainda existem e conseguem manter parte da sua cultura original.

Indígena brasileiro, representando sua rica arte plumária e de pintura corporal.

Apesar disso, a cultura e os conhecimentos dos indígenas sobre a terra foram determinantes durante a colonização, influenciando a língua, a culinária, o folclore e o uso de objetos caseiros diversos como a rede de descanso. Um dos aspectos mais notáveis da influência indígena foi a chamada língua geral (Língua geral paulista, Nheengatu), uma língua derivada do Tupi- Guarani com termos da língua portuguesa que serviu de lingua franca no interior do Brasil até meados do século XVIII, principalmente nas regiões de influência paulista e na região amazônica. O português brasileiro guarda, de fato, inúmeros termos de origem indígena, especialmente derivados do Tupi-Guarani. De maneira geral, nomes de origem indígena são frequentes na designação de animais e plantas nativos (jaguar, capivara, ipê, jacarandá, etc), além de serem muito frequentes na toponímia por todo o território.

A influência indígena é também forte no folclore do interior brasileiro, povoado de seres

fantásticos como o curupira, o saci-pererê, o boitatá e a iara, entre outros. Na culinária brasileira, a mandioca, a erva-mate, o açaí, a jabuticaba, inúmeros pescados e outros frutos da terra, além de pratos como os pirões, entraram na alimentação brasileira por influência indígena. Essa influência se faz mais forte em certas regiões do país, em que esses grupos conseguiram se manter mais distantes da ação colonizadora, principalmente em porções da Região Norte do Brasil.

A influência indígena é também forte no folclore do interior brasileiro, povoado de seres fantásticos como

OS AFRICANOS

A cultura africana chegou ao Brasil com os povos escravizados trazidos da África durante o longo período em que durou o tráfico negreiro transatlântico. A diversidade cultural da África refletiu-se na diversidade dos escravos, pertencentes a diversas etnias que falavam idiomas diferentes e trouxeram tradições distintas. Os africanos trazidos ao Brasil incluíram bantos, nagôs e jejes, cujas crenças religiosas deram origem às religiões afro-brasileiras, e os hauçás e malês, de religião islâmica e alfabetizados em árabe. Assim como a indígena, a cultura africana foi geralmente suprimida pelos colonizadores. Na colônia, os escravos aprendiam o português, eram batizados com nomes portugueses e obrigados a se converter ao catolicismo.

Capoeira, a arte-marcial afro-brasileira. Os africanos contribuíram para a cultura

brasileira

em

uma enormidade de

aspectos: dança, música, religião, culinária e idioma. Essa influência se faz notar em grande parte do país; em certos estados como Bahia, Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul a cultura afro-brasileira é particularmente destacada em virtude da migração dos escravos.

Os bantos, nagôs e jejes no Brasil colonial criaram o candomblé, religião afro-brasileira baseada no

culto aos orixás praticada atualmente em todo o território. Largamente distribuída também é

a umbanda, uma religião sincrética que mistura elementos africanos com o catolicismo e o espiritismo, incluindo a associação de santos católicos com os orixás.

A influência da cultura africana é também evidente na culinária regional, especialmente na Bahia, onde foi introduzido o dendezeiro, uma palmeira africana da qual se extrai o azeite- de-dendê. Este azeite é utilizado em vários pratos de influência africana como o vatapá, o caruru e o acarajé.

Na música a cultura africana contribuiu com os ritmos que são a base de boa parte da música popular brasileira. Gêneros musicais coloniais de influência africana, como o lundu, terminaram dando origem à base rítmica do maxixe, samba, choro, bossa-nova e outros gêneros musicais atuais. Também há alguns instrumentos musicais brasileiros, como

o berimbau, o afoxé e o agogô, que são de origem africana. O berimbau é o instrumento

utilizado para criar o ritmo que acompanha os passos da capoeira, mistura de dança e arte marcial criada pelos escravos no Brasil colonial.

A influência da cultura africana é também evidente na culinária regional, especialmente na Bahia, onde foi

OS IMIGRANTES

A maior parte da população brasileira no século XIX era composta por negros e mestiços. Para povoar o território, suprir o fim da mão-de-obra escrava mas também para "branquear" a população e cultura brasileiras, foi incentivada a imigração da Europa para o Brasil durante os

séculos XIX e XX. Dentre os diversos grupos de imigrantes que aportaram no Brasil, foram

os italianos que chegaram em maior número, quando considerada a faixa de tempo entre 1870 e

  • 1950. Eles se espalharam desde o sul de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, sendo a maior

parte na região de São Paulo. A estes se seguiram os portugueses, com quase o mesmo número

que os italianos. Destacaram-se também os alemães, que chegaram em um fluxo contínuo desde

  • 1824. Esses se fixaram primariamente na Região Sul do Brasil, onde diversas regiões herdaram

influências germânicas desses colonos.

Os imigrantes que se fixaram na zona rural do Brasil meridional, vivendo em pequenas propriedades familiares (sobretudo alemães e italianos), conseguiram manter seus costumes do país de origem, criando no Brasil uma cópia das terras que deixaram na Europa. Alguns povoados fundados por colonos europeus mantiveram a língua dos seus antepassados durante muito tempo. Em contrapartida, os imigrantes que se fixaram nas grandes fazendas e nos centros

urbanos do Sudeste (portugueses, italianos, espanhóis e árabes), rapidamente se integraram na

sociedade brasileira, perdendo muitos aspectos da herança cultural do país de origem. A contribuição asiática veio com a imigração japonesa, porém de forma mais limitada.

De maneira geral, as vagas de imigração europeia e de outras regiões do mundo

influenciaram todos os aspectos da cultura brasileira. Na culinária, por exemplo, foi notável a influência italiana, que transformou os pratos de massas e a pizza em comida popular em quase todo o Brasil. Também houve influência na língua portuguesa em certas regiões,

especialmente no sul do território. Nas artes eruditas a influência europeia imigrante foi fundamental, através da chegada de imigrantes capacitados em seus países de origem na

pintura, arquitetura e outras artes.

De maneira geral, as vagas de imigração europeia e de outras regiões do mundo influenciaram todos

ALGUNS DOS NOSSOS HERÓIS

BRASILEIROS

D. Pedro

A vinda da família real portuguesa para o Brasil foi importante para a independência politica brasileira, neste processo destaca-se a figura de D. Pedro, imperador do Brasil.

No ano de 1820, eclodiu a Revolução do Porto em Lisboa, os portugueses reivindicaram o retorno de Dom João VI para assumir o trono português. Sem ter o que fazer, Dom João VI retornou a Portugal, deixando o seu filho Dom Pedro como príncipe regente do Brasil. No momento em que retornou a Portugal, o rei viu o Governo Provisório convocar as Cortes (Assembleia Nacional, o Parlamento) para elaboração de uma Constituição para Portugal que seria aplicada às colônias portuguesas. Os deputados portugueses, com a escrita da Constituição, desejavam instituir uma Monarquia Constitucional Liberal para Portugal e, ao mesmo tempo, queriam reestabelecer o

pacto colonial no Brasil, como o retorno ao sistema de monopólio comercial, fechar os portos ao

comércio estrangeiro (principalmente da Inglaterra), ou seja, queria efetivar uma recolonização (volta à condição de colônia) do Brasil.

Os brasileiros, temerosos com as ameaças, recusaram a obedecer às imposições do Parlamento português e rapidamente surgiu um forte desejo pela independência do Brasil. A liberdade de imprensa brasileira conquistada com a vinda da família real, logo propiciou a disseminação entre

a população, as ameaças que o Brasil vinha sofrendo de Portugal, e publicavam notícias de várias

independências de países latino-americanos, incentivando a crescente insurreição da população brasileira para a luta da independência.

Assim que os deputados portugueses exigiram o retorno de Dom Pedro a Portugal, os brasileiros insatisfeitos com as medidas adotadas por Portugal entregaram ao príncipe regente um abaixo assinado com oito mil assinaturas solicitando a sua permanência. Após ter recebido a lista de assinaturas, Dom Pedro proclamou a sua permanência: “Como é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto. Diga ao povo que eu fico”. A partir de então, este fato que aconteceu no dia 09 de janeiro de 1822, ficou conhecido como o dia do “fico”.

O príncipe regente, declarando a permanência no Brasil, contrariou os grupos que apoiavam a política portuguesa, esse grupo era formado principalmente por portugueses comerciantes que

viviam na cidade do Rio de Janeiro. Logo após ter expressado a vontade de ficar no Brasil, Dom

Pedro nomeou José Bonifácio de Andrada (intelectual formado em Direito e Filosofia na Universidade de Coimbra, Portugal) para ministro do Reino e Estrangeiros e determinou que as medidas das Cortes portuguesas não tivessem validade no Brasil.

Em contraposição às medidas determinadas por Dom Pedro, os deputados portugueses enviaram despachos de Lisboa anulando os atos políticos adotados pelo príncipe regente e intimou-o a voltar imediatamente para Portugal. No momento que tais despachos chegaram ao Brasil, Dom

Pedro se encontrava em Santos, onde resolvia alguns problemas políticos. Em retorno para o Rio de Janeiro, às margens do rio Ipiranga em São Paulo, a comitiva do príncipe encontrou-se com o mensageiro que levava as

mensagens vindas de Portugal. Naquele mesmo local, Dom Pedro proclamou a Independência política do Brasil: “É tempo: independência ou morte! Estamos separados de Portugal!”.

Assim que os deputados portugueses exigiram o retorno de Dom Pedro a Portugal, os brasileiros insatisfeitos

Princesa Izabel

No início da colonização do Brasil (século XVI), não havia no Brasil trabalhadores para a realização de trabalhos manuais pesados. Os portugueses colonizadores tentaram usar o trabalho indígena nas lavouras. A escravidão indígena não pôde ser levada adiante, pois os religiosos católicos se posicionaram em defesa dos índios condenando sua escravidão. Logo, os colonizadores buscaram uma outra alternativa. Eles buscaram negros na África para submetê-los à força ao trabalho escravo em sua colônia. Foi neste contexto que começou a entrada dos escravos africanos no

Brasil.

Os negros africanos, trazidos da África, eram transportados nos porões dos navios negreiros. Em função das péssimas condições deste meio de transporte desumano, muitos morreram durante a viagem. Após desembarcaram no Brasil eram comprados como mercadorias por fazendeiros e senhores de engenho, que os tratavam de forma cruel e, muitas vezes, violenta.

Embora muitos considerassem normal e aceitável, a escravidão naquela época, havia aqueles que

eram contra este tipo de prática, porém eram a minoria e não tinham influência política para

mudar a situação. Contudo, a escravidão permaneceu por quase 300 anos. Na segunda metade do século XIX surgiu o movimento abolicionista, que defendia a abolição da escravidão no Brasil. Joaquim Nabuco foi um dos principais abolicionistas deste período.

A região Sul do Brasil passou a empregar trabalhadores assalariados brasileiros e imigrantes estrangeiros, a partir de 1870. Na região Norte, as usinas produtoras de açúcar substituíram os

primitivos engenhos, fato que possibilitou o uso de um número menor de escravos. Já nos

principais centros urbanos, era grande a necessidade do surgimento de indústrias. Visando não causar prejuízo financeiros aos proprietários rurais, o governo brasileiro, pressionado pelo Reino Unido, foi alcançando seus objetivos lentamente.

A primeira etapa do processo foi tomada em 1850, com a extinção do tráfico de escravos no Brasil. Vinte e um anos mais tarde, em de 28 de setembro de 1871, foi promulgada a Lei do

Ventre-Livre. Esta lei tornava livres os filhos de escravos que nascessem a partir da decretação da

lei. No ano de 1885, foi promulgada a lei Saraiva-Cotegipe (também conhecida como Lei dos Sexagenários) que beneficiava os negros com mais de 65 anos de idade.

Foi somente em 13 de maio de 1888, através da Lei Áurea, que a liberdade total e definitiva finalmente foi alcançada pelos negros brasileiros. Esta lei, assinada pela Princesa Isabel (filha de D. Pedro II), abolia de vez a escravidão em nosso país.

A primeira etapa do processo foi tomada em 1850, com a extinção do tráfico de escravos

Joaquim José da silva Xavier (Tiradentes)

No século XVIII, a ascensão da economia mineradora trouxe um intenso processo de criação de centros urbanos pela colônia acompanhada pela formação de camadas sociais intermediárias. Os filhos das elites mineradoras, buscando concluir sua formação educacional, eram enviados para os principais centros universitários europeus. Nessa época, os ideais de igualdade e liberdade do pensamento iluminista espalhavam-se nos meios intelectuais da Europa. Na segunda metade do século XVIII, a economia mineradora dava seus primeiros sinais claros de enfraquecimento.

O problema do contrabando, o escasseamento das reservas auríferas e a profunda dependência

econômica fizeram com que Portugal aumentasse os impostos e a fiscalização sobre as atividades

empreendidas na colônia. Entre outras medidas, as cem arrobas de ouro anuais configuravam uma nova modalidade de cobrança que tentava garantir os lucros lusitanos. No entanto, com o progressivo desaparecimento das regiões auríferas, os colonos tinham grandes dificuldades em cumprir a exigência estabelecida. Portugal, inconformado com a

diminuição dos lucros, resolveu empreender um novo imposto: a derrama. Sua cobrança serviria

para complementar os valores das dívidas que os mineradores acumulavam junto à Coroa. Sua arrecadação era feita pelo confisco de bens e propriedades que pudessem ser de interesse da

Coroa.

Esse imposto era extremamente impopular, pois muitos colonos consideravam sua prática extremamente abusiva. Com isso, as elites intelectuais e econômicas da economia mineradora,

influenciadas pelo iluminismo, começaram a se articular em oposição à dominação portuguesa.

No ano de 1789, um grupo de poetas, profissionais liberais, mineradores e fazendeiros tramavam tomar controle de Minas Gerais. O plano seria colocado em prática em fevereiro de 1789, data marcada para a cobrança da derrama.

Aproveitando da agitação contra a cobrança do imposto, os inconfidentes contaram com a mobilização popular para alcançarem seus objetivos. Entre os inconfidentes estavam poetas

como Claudio Manoel da Costa e Tomas Antônio Gonzaga; os padres Carlos Correia de Toledo, o

coronel Joaquim Silvério dos Reis; e o alferes Tiradentes, um dos poucos participantes de origem popular dessa rebelião.

Eles iriam proclamar a independência e a proclamação de uma república na região de Minas. Com a aproximação da cobrança metropolitana, as reuniões e expectativas em torno da inconfidência tornavam-se cada vez mais intensas. Chegada a data da derrama, sua cobrança fora

revogada pelas autoridades lusitanas. Nesse meio tempo, as autoridades metropolitanas

estabeleceram um inquérito para apurar uma denúncia sobre a insurreição na região de Minas. Através da delação de Joaquim Silvério dos Reis, que denunciou seus companheiros pelo perdão de suas dívidas, várias pessoas foram presas pelas autoridades de Portugal. Tratando-se de um movimento composto por influentes integrantes das elites, alguns poucos denunciados foram condenados à prisão e ao degredo na África. O único a assumir as

responsabilidades pela trama foi Tiradentes. Para reprimir outras possíveis revoltas, Portugal

decretou o enforcamento e o esquartejamento do inconfidente de origem menos abastada. Seu corpo foi exposto nas vias que davam acesso a Minas Gerais. Era o fim da Inconfidência Mineira.

Aproveitando da agitação contra a cobrança do imposto, os inconfidentes contaram com a mobilização popular para

AS CORES DO BRASIL

A composição étnica da sociedade brasileira é resultado de uma confluência de pessoas de várias

origens étnicas diferentes, dos povos indígenas, negros africanos , dos colonizadores portugueses, e de

recentes ondas imigratórias de europeus, árabes e japoneses, além de outros povos asiáticos e de países sul-americanos. Nos séculos XIX e XX, a cultura brasileira tem promovido uma integração e miscigenação racial. No entanto, as relações raciais no Brasil não têm sido harmônicas, especialmente em relação ao papel de desvantagem dos negros brasileiros e indígenas, grupos fortemente explorados no período colonial do

país, que tendem a ocupar posições menos prestigiadas na sociedade brasileira moderna, além das

questões de choque cultural e dificuldade de preservação étnico-racial no país. A análise de marcadores genéticos revelam que os brasileiros de todas as regiões do país são racialmente mistos e predominantemente de origem europeia - incluindo a maioria das pessoas que se definem como pardas e negras. Este é o resultado de deliberadas políticas de "branqueamento racial" prosseguidas pelo Imperador Dom Pedro II e pelos governos da República Velha, que se manifestam na

seleção de imigrantes brancos, sob a influência das teorias racialistas de Gobineau. Uma pesquisa

realizada com mais de 34 milhões de brasileiros, dos quais quase vinte milhões se declaram brancos, perguntou a origem étnica dos participantes de cor ou raça branca. A maioria apontou origem brasileira (45,53%). 15,72% apontou origem italiana, 14,50% portuguesa, 6,42% espanhola, 5,51% alemã e 12,32% outras origens, que incluem africana, indígena, judaica e árabe. O Brasil pode ser apontado como um exemplo de que o conceito de "raça" é uma construção social, e

que o que é entendido como "raça" em uma sociedade não é o mesmo que é entendido como tal em

outra.

VALORES, NORMAS E COSTUMES BRASILEIROS

As normas são as regras de comportamento que refletem ou incorporam os valores de uma cultura. As normas e os valores determinam entre si a forma como os membros de uma determinada cultura se comportam. Em culturas onde se valoriza grandemente a aprendizagem, por exemplo, as normas

culturais encorajam os alunos a despender grandes energias no estudo, apoiando os pais que fazem

sacrifícios em prol da educação dos filhos. Numa cultura que valoriza a hospitalidade, as normas culturais podem estimular expectativas quanto à dádiva de presentes ou ao comportamento social de convidados e anfitriões.

As normas e os valores variam muitíssimo entre culturas. Algumas valorizam grandemente o individualismo, enquanto outras podem enfatizar as necessidades coletivas. Vejamos um exemplo. A

maioria dos alunos britânicos sentir-se-iam indignados se descobrissem um colega a copiar num

exame. Na Grã-Bretanha, copiar do colega do lado vai contra os valores fundamentais da realização individual, da igualdade de oportunidades, do trabalho árduo e do respeito pelas regras. No entanto, os estudantes russos sentir-se-iam intrigados com esta noção de ultraje dos seus colegas britânicos. A entreajuda entre colegas num exame é reflexo de quanto os russos valorizam a igualdade e a resolução coletiva de problemas face à autoridade.

Mesmo no seio de uma sociedade ou comunidade, os valores podem ser contraditórios. Vejamos

alguns exemplos. Certos grupos ou indivíduos podem valorizar crenças religiosas tradicionais, enquanto outros podem aprovar o progresso e a ciência. Há pessoas que preferem o sucesso e o conforto material, outras favorecem a simplicidade e uma vida pacata.

Nesta época em que vivemos marcada pela mudança, repleta de movimentos globais de pessoas, bens

e informação, não é de estranhar que deparemos com casos de valores culturais em conflito.

As normas e os valores culturais mudam frequentemente ao longo do tempo. Muitas das normas que hoje tomamos como assentes nas nossas vidas como ter relações sexuais antes do casamento e haver uniões de facto contradizem valores que até há algumas décadas atrás eram partilhados por muitos e variam de acordo com os grupos sociais em que se encontram. Da mesma nos referimos a culturas, cada região do Brasil possui uma particularidade cultural e é isso que torna nosso país rico e atrativo, a muita coisa a ser explorada de tanta bagagem trazida de outras culturas e adaptada a nossa de certa forma.

As normas e os valores culturais mudam frequentemente ao longo do tempo. Muitas das normas que

INSTITUIÇÕES SOCIAIS

Politica - São instituições políticas fundamentais a autoridade, o governo, o Estado (com os três poderes), partidos políticos e as constituições. Classificamos também os sistemas políticos como o anarquismo, ditadura, democracia e a pseudodemocracia. O Estado brasileiro é uma federação pois é composto de estados dotados de autonomia política garantida pela Constituição Federal e do poder de promulgar suas próprias

Constituições. É uma república presidencial porque as funções de chefe de Estado e chefe

de governo estão reunidas em um único órgão: o Presidente da República. É uma democracia representativa porque o povo dificilmente exerce sua soberania, apenas elegendo o chefe do poder executivo e os seus representantes nos órgãos legislativos, como também diretamente, mediante plebiscito, referendo e iniciativa popular. Isso

acontece raramente, o que não caracteriza uma democracia representativa.

Religião - todas as sociedades conhecem alguma forma de religião. A religião é um fato social universal. Não resta dúvida de que a religião é uma das instituições mais importantes para a organização social, pelo seu conteúdo moral. A religião inclui crença ao sobrenatural, ritos e cerimônias. É inegável a tendência moderna de dar mais ênfase aos valores sociais do que religiosos, prova disso, é o surgimento de doutrinas mais modernas como a Teologia da Libertação. A religião no Brasil é muito diversificada e caracteriza-se pelo sincretismo.

A Constituição prevê a liberdade de religião e a Igreja e o Estado estão oficialmente separados, sendo o Brasil um Estado laico. A legislação brasileira proíbe qualquer tipo de intolerância, sendo a prática religiosa geralmente livre no país. Segundo o Relatório Internacional de Liberdade Religiosa de 2005, elaborado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, a "relação geralmente amigável entre religiões contribui para a liberdade religiosa" no Brasil. O Brasil é um país religiosamente diverso, com a tendência de mobilidade entre as religiões e o sincretismo religioso. A população brasileira é majoritariamente cristã (87%), sendo sua maior parte católica (64,4%). Herança da colonização portuguesa, o catolicismo foi a religião oficial do Estado até a Constituição Republicana de 1891, que instituiu o Estado laico. Também estão presentes os movimentos básicos do protestantismo: adventismo, batistas, evangelicalismo, luteranos, metodismo e presbiterianismo. No entanto, existem muitas outras denominações religiosas no Brasil, algumas dessas igrejas são: pentecostais, episcopais, restauracionistas, entre outras. Há mais de três milhões e meio de espíritas (ou kardecistas) que seguem a doutrina espírita, codificada por Allan Kardec. O animismo também é forte dividindo-se em candomblé, umbanda, esoterismo, santo daime e tradições indígenas. Existe também uma minoria de muçulmanos, budistas, judeus e neopagãos. 8% da população (cerca de 15 milhões de pessoas) declarou-se sem religião no último censo, podendo ser agnósticos, ateus ou deístas.

A Constituição prevê a liberdade de religião e a Igreja e o Estado estão oficialmente separados,