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Comunicação urbana

Processos semióticos na
linguagem visual urbana
Mídia mural
• Registro de signos em muros,
paredes e afins.
• Caráter verbal, não verbal e
intersemiótico.
• Texto (Iuri Lotman).
Mídia mural
• Convívio da artesania com a
tecnologia.
• Mídia de caráter secundário (Harry
Pross).
• “Todo processo de comunicação
começa e termina em um corpo”
(Norval Baitello Júnior).
Formas da Comunicação
Urbana
• Casuais;
• Propositais.
Mídia mural – a pesquisa
• Propaganda de produtos, serviços ou
idéias realizada em muros, paredes e
portas de pontos comerciais de
Sorocaba e região.
Crise da visibilidade
• Somos cercados por um excesso de
imagens, o que resulta em cegueira.
• (Baitello Júnior, Dietmar Kamper,
Vilém Flusser).
• Há uma perda do objeto, por meio da
onipotência do signo.
Iconofagia
• “Como o alimento das imagens é o
olhar e como o olhar é um gesto do
corpo, transformamos o corpo em
alimento do mundo das imagens –
refiro-me aqui a um dos tipos de
iconofagia possíveis – inaugurando
um círculo vicioso” (BAITELLO JÚNIOR).
Questões
• Neste contexto de novas tecnologias
e de hipertrofia visual, qual é o papel
da mídia mural, que ainda utiliza
muros e paredes como suporte? Qual
é a sua natureza?
• Como se dá o seu funcionamento e
que público pretende atingir e,
efetivamente, atinge?
Questões
• Trata-se de comunicação de massa?
• Quem são os produtores destas
manifestações?
• Quais as implicações sociais desta
prática comunicativa?
• Quais suas relações com a cultura na
qual está inserida?
A cidade é “polifônica”
(Canevacci)
• “A cidade em geral e a comunicação
urbana em particular comparam-se a
um coro que canta com uma
multiplicidade de vozes autônomas
que se cruzam, relacionam-se,
sobrepõem-se umas às outras,
isolam-se ou se contrastam”.
Olhar
• “A cidade é o lugar do olhar. Por este
motivo a comunicação visual se
torna o seu traço característico”
(Canevacci).
Canevacci
• “Tudo é cultura num contexto urbano (a
poluição, a criminalidade ou as novas seitas
religiosas), as impostações que se declaram
pós modernas individuaram no fim da
distinção (moderna) entre cultura material e
patrimônio artístico, ou entre o passado e o
presente, mistura fragmentária que levou à
condição atual”.
Para Ciro Marcondes Filho
• Comunicamos cada vez menos.
• “As pessoas inventam, vendem,
usam todas as máquinas possíveis
para comunicar porque mal
conseguem transmitir ao outro
qualquer coisa (...)” (Até que ponto, de fato,
nos comunicamos? São Paulo: Paulus, 2004).
• O labirinto da solidão (Octavio Paz).
Alexandre Órion e a arte:
tentativa de quebrar o silêncio
• Ossário;
• Metabiótica.
A mídia mural em Sorocaba
• Utilizada de forma abundante em
todas as regiões, exceto Campolim.
• Mídia transitória.
• As regiões nobres respeitam um
“padrão”, auto-regulamentação da
homogeneidade.
Características
• Caos multicolorido;
• Código de ética;
• Liberdade;
• Imagens ancoradas pelo texto.
Técnicas mais freqüentes
• Antropomorfização de objetos e animais;
• Infantilização dos traços;
• Aproveitamento de personagens do universo
dos quadrinhos e da animação;
• Uso da grafitagem (oficialização comercial da
comunicação subversiva);
• Reprodução figurativa / realista.
Influência da comunicação de
massa
• Gestualidade;
• Vestimentas;
• Enquadramentos;
• Simulações de luz e sombra;
• Erotização;
• Uso do humor.
Metalinguagem
• Propaganda dentro da propaganda.
Mídia mural
• Variedade;
• Letristas / desenhistas auto-didatas;
• Criação de um estilo.
São recorrentes:
• A) uso exclusivo da linguagem verbal, com
caráter informativo (função referencial –
Jakobson).
• B) uso da linguagem visual com ancoragem
na linguagem verbal; uso da função
referencial da linguagem como reforço
(Jakobson).
• C) uso da grafitagem.
• D) antropomorfização;
São recorrentes:
• Representação realista da figura
humana, simulando o retrato e a
fotografia publicitária;
• Infantilização da figura humana e
objetos, em intertexto com formas
típicas da linguagem dos quadrinhos;
• Utilização de personagens
conhecidos.
Conclusões
• Texto e imagem se completam ou se
remetem, raramente se contradizem
propositadamente;
• Uso da mensagem referencial em
detrimento da poética;
• Repetição de fórmulas extraídas da
comunicação de massa.
Conclusões
• Outdoor e painéis eletrônicos: leitura
a partir do trânsito de automóveis.
• Cartaz e mídia mural: escala do
transeunte.
• Mídia na primeira fase da publicidade
(Juremir Machado).
Referências:
• BAITELLO JÚNIOR, Norval. As imagens que nos devoram: antropofagia e
iconofagia. Disponível em : WWW.cisc.org.br, 2003.
• CANEVACCI, Massimo. A cidade polifônica: ensaio sobre a antropologia da
comunicação urbana. São Paulo: Studio Nobel, 2004.
• ECO, Umberto. Algumas verificações: a mensagem publicitária. In: A estrutura ausente.
São Paulo: Perspectiva, 1997.
• ECO, Umberto. Tratado geral de semiótica. São Paulo: Perspectiva, 1991.
• FLUSSER, Vilém. O mundo codificado. São Paulo: Cosac Naif, 2007.
• LOTMAN, Iuri. A estrutura do texto artístico. Lisboa: Estampa, 1978.
• MARCONDES FILHO, Ciro. Até que ponto, de fato, nos comunicamos? São Paulo:
Paulus, 2004.
• PROSS, Harry e ROMANO, Vicente. Atrapados en la red mediática: orientación en la
diversidad. Hondarribia: Argitaletxe Hiru, 2000.
• SILVA, Juremir Machado da. O silêncio do objeto: uma lógica hiper-espetacular. In: MELO,
José Marques de e MORAIS, Osvando J. de (org.). Mercado e comunicação na
sociedade digital. São Paulo: Intercom, 2007.